Vejam! Um novo capítulo! E este é 100% 18+, ou seja, M! Menores avisados, nada de reclamar.
Alguns de vocês me amarão, outros me odiarão. Estou ansiosa por saber o que acharão desse. Adianto que é o meu favorito!
Claudia, eu realmente perdi o costume de "conversar" com os personagens, aquilo me divertia bastante! Hahahaha! Por que você não começa a escrever fanfics? Crie uma conta no site, é bom até porque podemos nos corresponder, trocar ideias sobre projetos, coisas assim. Mais uma vez, obrigada pela força! Espero que você e todos os outros leitores apreciem o que vem abaixo!
Boa leitura!


Amores antigos, eles custam a morrer...
Mentiras antigas custam ainda mais.


A Minha Queda Será por Você
Capítulo 49 – Antigos amores, antigas mentiras.


Crystal abriu os olhos ao estranhar a claridade. Vinha não só da janela, mas também das paredes cristalinas, da cúpula angelical, conhecida. Era o seu antigo quarto. Confusa, ela se levantou e deu-se com a própria imagem no espelho da penteadeira, perguntou-se como ele existia, e mais: por que ela tinha a aparência de uma menina de quinze anos?!
Apalpou o rosto jovial, morno, apalpou os seios pequeninos e tocou os cabelos castanhos, rebeldes. Até a camisola era a mesma da juventude, delicada e infantil.

Não pode ser... sentiu falta de ar, o coração palpitar.

Princesa! uma voz familiar. À porta, sempre a postos, a guerreira dos ventos.

Wind! abraçou-a como se não a visse há séculos.

Está doente? Yumi tocou-lhe a testa certificando-se de que não havia febre.

Você não imagina como estou feliz em vê-la! choramingou, emocionada.

Espero que continue feliz durante a aula!

... Aula? Como assim? Ela não era uma rainha, formada nos estudos? Confusa, seguiu a mulher dos cabelos prateados, o percurso era, assim como cada coluna lapidada em cristal, nostálgico. Ao lado, nas paredes translúcidas, imensas janelas emolduravam os jardins verdes e floridos, paisagem que parecia pintada em aquarela. Pacífica, intocada, nem parecia que sofreram um ataque... O coração parou, assim como os passos de Crystal em frente à antiga sala de aula.

Princesa, qual é o problema? Sailor Saturno a recebeu Não fez o dever de casa? indagou.

Quê? a jovenzinha olhou adiante e encontrou suas amigas, cada uma em sua cadeira, Hina sonolenta, Marine com um livro à mão, Reiko com os pés sobre a mesa, despreocupada. Todas mais novas, como ela lembrava. Crystal sorriu e, aos pulos, abraçou cada uma, encheu-as de beijos e apertões Meninas!

Ai, ai, Crystalzinha! Pera aí! Reiko, a mais espevitada, comentou: Não somos o Príncipe Diamante não, pera! riu.

A princesa estancou no ato.

Diamante. A mente perdeu-se em memórias antigas e recentes. Uma náusea lhe subiu a garganta e ela pensou que fosse vomitar, no entanto, rápido como uma brisa, passou, e o íntimo de seu ser desejou que tudo o que ela acreditara presenciar não passasse de um pesadelo. Então, assistiu aula como sempre, distraída e sem vontade. Hotaru e Yumi chamaram-lhe a atenção diversas vezes, ao invés de ficar emburrada, Crystal sentiu-se serena e feliz. Parecia que há anos não desfrutava de momentos como aquele.

Depois das aulas, recebeu o interrogatório da mãe sobre as notas. A resposta:

Mamãe, eu te amo tanto! um abraço caloroso desarmou a rainha mãe. Saiba disso! Como explicar a saudade que ela ainda sentia? Se pudesse, não sairia dos braços maternos.

Ai, Crystal! – rabugenta, a princípio resmungou, mas comovida pela demonstração de afeto, apertou a menina nos braços e afagou-lhe os cabelos Você é mesmo neta de sua avó!

Juntas, de braços dados, caminharam até o salão de almoço. A princesinha pensou que explodiria de tanta felicidade. Todos sentaram à mesa e as esperavam. Inclusive Ele, Diamante.

Que alívio vê-lo no palácio! Roonc! O estômago se anunciou. Depois da alegria, vinha a fome. Crystal comeu com gosto, raspou o prato e ainda repetiu esganada. Seus entes queridos riram enquanto ela pedia "Mais um, por favor!" e as criadas traziam contentes. Enfim, entrou na rotina, satisfeita.

As horas passaram corridas e, antes que percebesse, a noite caiu sobre o reino e enfeitou o céu com inúmeras estrelas prateadas, a Lua Crescente, no centro, brilhava. À janela, Crystal admirava os astros e um casal trocando carícias dentro de um coreto quando alguém entrou pela porta.

Boa noite, minha princesa. a voz amena era quase hipnótica, ele sorria terno, como certa vez o fora.

— Diamante... suspirou e, impulsiva, jogou-se em seus braços. As lágrimas rolaram incansáveis, Crystal tateou-lhe as costas, o peito, e depois o rosto Não sou ninguém sem você, que bom que está aqui! Que bom que estamos todos juntos! Eu pensei que me odiasse, eu pensei que estivesse casada com... os olhos arregalaram-se, a silhueta de Damien desenhou-se nos pensamentos e ela notou que, em momento algum, o príncipe Sedniano estivera no palácio, era como se não existisse. — Damien! a razão deu o alerta.

Os braços do Príncipe Branco afrouxaram o abraço, os pés arrastaram-se para trás até que a distância pareceu um abismo. Crystal suspendeu o braço e apontou a mão a ele, tentando alcançá-lo. Seus cabelos partiram a crescer desenfreados e seu corpo amadureceu. Enormes ponteiros dourados giraram nas paredes que derretiam.

— Se pudéssemos voltar no tempo...— a voz da consciência ecoou, ela se parecia com a de Diamante.

E era.

Crystal abriu os olhos, dessa vez de verdade. O cenário branco era uma memória, onde se encontrava havia apenas a escuridão. Ironicamente, era como se os sonhos soturnos que tivera quando mais nova tivessem se realizado. Diamante, sentado ao lado, sobre o leito, afagava-lhe a testa e contornava a Lua Dourada desenhada nela. A rainha não moveu o corpo, apenas os olhos elevaram-se à figura abatida, ressacada, ao seu lado. Que horas seriam? Como ela adormecera? Ah, sim, a influência do Cristal Negro em seu corpo causava-lhe sonolência... As articulações, pesadas, eram como pedras que ela se obrigava a carregar. Sentou-se, silente e observadora. As feições de Diamante não mudaram, o príncipe entreabriu a boca, fez menção de falar algo, todavia, ao invés disso, suspirou. Ela, trêmula, sentiu o corpo quente por dentro enquanto ele, frio, insistia em passar o indicador pela insígnia, e depois, o polegar desavergonhado arrastou-se pelo canto da face dela, firmando o contorno, experimentando a maciez.

— Linda... — as violetas semicerraram-se, letárgicas — Por que você é tão linda? —afagou uma fina madeixa caída sobre o ombro dela, desceu os dedos, trançados aos fios, até os joelhos dobrados da rainha, a mão repousou ali.

— Não entendo você. — a voz tremeu nervosa, o corpo endureceu como uma estátua. — O que quer de mim, Diamante? — os oceanos marejaram.

O príncipe se levantou e ergueu-lhe a mão, calado. De longe, uma música soou melancólica e romântica. Crystal pôs-se de pé e esperou. Diamante caminhou até o armário do quarto, puxou de um cabide um vestido azul-celeste cujo dorso era crivado de diamantes até a cintura, a saia de duas camadas transparecidas era tão longa que faria voltas no chão assim que adornasse o corpo de quem vestisse.

— Vista. — entregou a peça de luxo nas mãos de Crystal, e, aparentemente calmo, sentou-se à cama de pernas cruzadas, fitando-a. Antes que ela cogitasse ir até o banheiro para trocar de roupa, Diamante frisou: — Aqui.

Rubra e desajeitada, Crystal negou com um menear de cabeça. Virou-se de costas, sentiu-se sufocar de nervoso, o coração subiria à garganta e a engasgaria. Abraçou o vestido, apavorada não só pelo pedido, mas pelas sensações e pensamentos que se apossavam dela, e antes que pudesse mais uma vez dizer-se casada, as mãos geladas tocaram-lhe os ombros firmemente, ele levantara e estava ali, às suas costas, o nariz emergido nas ondas perfumadas, soprando o ar luxurioso, enquanto ela, petrificada, não conseguia esboçar uma reação.

—... Bebeu outra vez? — sussurrou, as mãos tremiam e suavam.

— Não. — desceu-lhe uma alça e depois a outra, a camisola começou a escorregar do corpo. Os dedos impetuosos deslizaram pelos braços eriçados no ritmo da música distante. Como uma cortina, a seda caiu sobre o chão e, mais uma vez, as violetas depararam-se com o corpo adulto de sua antiga amante. Diferente da outra vez, virou-a de frente para si devagar e cuidadoso. Crystal cobria o corpo com o vestido nos braços. Diamante, sem precisar fazer grande esforço, descruzou-os e teve a visão da mulher adulta. Parte dele entorpeceu-se diante da beleza, e parte amaldiçoou-a por não ter sido dele. — Vista. — repetiu autoritário.

Embora soubesse que o olho dourado de Diamante ainda estava ferido e que isso o impedia de controlá-la a seu bel prazer, ainda assim, Crystal, subserviente, vestiu a peça com delicadeza. Dessa vez, não havia espartilhos ou mangas, as costas nuas arrepiaram-se com o frio cortante, ela se abraçou e roçou os braços buscando por calor. Diamante tirou a capa e a cobriu, mais uma vez a surpreendeu.

— O que é isso? — temerosa, questionou. A resposta? Um braço erguido a ela. Depois de engolir boa dose de saliva, Crystal enredou-o com o seu e, juntos, os nobres regentes de cada reino caminharam.

As portas abriram-se sozinhas, o corredor pareceu mais curto do que era, mais portas fantasmagóricas abriram-se, e então, Crystal viu-se diante de uma mesa parecida com a outra, da vez em que ela e o príncipe jantaram e ela o batizou com vinho. Aliás, a farda dele nunca pareceu tão nova, observou. A música soava mais alto, vinha de uma espécie de vitrola no canto do salão. No teto, lustres de cristal alumiavam as Trevas do recinto, o arquiteto possivelmente tentara imitar a atmosfera de um teatro. Quem saberia dizer? E de que importava? A única coisa que Crystal gostaria de entender era: no que toda aquela pompa daria? Quais seriam as intenções da Fera em forma de Príncipe? Fitou-o, assustada e curiosa. Viu-o gesticular para um servo – um Droid –, este encheu duas taças de vinho e trouxe-as em uma bandeja.

— Vamos brindar. — Diamante pegou-as, segurou a sua e entregou a dela em mãos.

—... brindar o quê? — temia a resposta, mas não conseguiu evitar a pergunta.

— O passado. — os orbes púrpuros perderam-se nos marinhos, inquisitórios.

Crystal virou a taça, bebeu até a última gota, nervosa.

Enquanto caminhavam, ainda de braços dados, até a mesa, mais uma provocação do príncipe:

— Por que não está usando aquele colar hoje?

— Não combina com o vestido. — retrucou levemente irritada e ansiosa.

Ele riu, e então, sentaram-se. Outra iguaria fantástica fora servida, e, mais uma vez, Crystal estava sem apetite.

— Não vai comer? — ele perguntou enquanto, tranquilamente, dava a primeira garfada.

— Dessa vez não poderá me obrigar. — atentou-se à faixa enrolada à testa dele.

— Tem razão. — ele a tirou e exibiu a Lua Negra atravessada por um pequeno corte — Ao menos por enquanto. — deu outra garfada, mastigou devagar.

O Droid encheu a taça de Crystal mais uma vez. Antes que o coração explodisse diante do clima de tensão e mistério, a rainha tomou o vinho numa só golada. O gosto era forte, intenso e amargo, mas lembrava-a os beijos de Diamante. Só em fazer a relação, ela sacudiu a cabeça e tentou pensar em outra coisa. Os risos sarcásticos do nemesiano irritavam-na, entretanto, um calor lhe subiu por entre as pernas, as extremidades dos dedos pareceram dormentes... Piscou os olhos devagar, alterada, ela própria pediu mais uma taça ao ver o príncipe se levantar e ditar:

— Venha, vamos dançar. — mais uma vez, a mão alva estendia-se para ela. Crystal, conformada, segurou-a e se permitiu levar.

Diamante cativou-a pela cintura, induziu-lhe a mão a pousar sobre um dos ombros largos. A capa que ele emprestara para aquecê-la foi retirada sutilmente pelas mãos do Droid serviçal, o frio arrepiou-lhe as costas novamente – do vento, e da palma que alisou-lhe a pele. E a outra mão, cheia de tremeliques, chocou-se à dele, palma morna em palma gélida, os dedos apertaram-se. Um passo, outro passo, a valsa se iniciou. Olhavam-se nos olhos, Crystal tropeçou vez ou outra nos pés de Diamante. O príncipe não deu importância, insistiu em conduzi-la através da negritude do salão. Girou-a duas vezes seguidas, ela retornou zonza aos seus braços e neles buscou apoio.

O vinho, o ambiente, o cristal negro... O motivo, ela já não se perguntava. O peito firme, os desenhos da farda turvos aos olhos dela...

Os dedos dormentes tatearam os bordados nobres, pousaram sobre o diamante cravado ao botão do colarinho e cutucaram-no.

— Você o ama? — a apoiar o queixo sob o topo da cabeça dela, finalmente perguntou. As mãos nemesianas, severas, apertaram as costas terrestres.

Crystal cobriu a boca com uma mão e gargalhou. Nem ela mesma compreendia o motivo do riso repentino, dos cantos dos olhos lágrimas escorreram, de riso, de choro, de tudo. Os sentimentos misturaram-se e lutaram uns contra os outros. O vinho venceu, e com ele, algumas verdades vieram à tona, transparecidas nas expressões da neta de Serena. O desespero derramou-se em pranto, ela, como no sonho, afundou a face no peito dele e soluçou. Apertou-o nos braços, entrelaçou os dedos desconjuntados às costas dele, sem querer apertou-lhe a costela cicatrizada pela poção de Quartzy, mas doída por dentro. Ele grunhiu, ela junto, e aos poucos, com o queixo colado ao peitoral principesco, Crystal ergueu os olhos e encontrou os dele, misteriosos ainda, alimentando certa expectativa.

— Eu esperei por você por anos! Anos! —confessou — Dia e noite, não pensava em outra coisa. Não conseguia comer, não conseguia dormir, não conseguia viver! Procurava o sentido da vida nas minhas obrigações, na minha família, nos meus amigos, nas pessoas que tentaram me ajudar quando você me abandonou sem sequer se despedir! — estapeou-lhe o peito e os ombros, aquele comportamento já estava virando costume — Custava me mandar notícias?! Custava ter me dito como estava, se estava bem, se estava triste, se sentia a minha falta?! Você também não cumpriu com sua palavra! — tentou empurrá-lo — Prometeu não partir! Não pode me cobrar nada! A sua infelicidade, a minha infelicidade, é tudo culpa sua! Eu odeio você, odeio! — quando os golpes adquiriram mais força, ele a conteve pelos punhos e selou os corpos, as respirações se misturaram, ofegantes.

— Se me odeia, por que me salvou? — sussurrou-lhe à orelha, roçou a boca à cartilagem sensível, sentiu-a estremecer — Você é uma mentirosa, Crystal, mente até para si mesma. — roçou o nariz ao pescoço quente, perdeu-se no perfume adocicado, soprou o ar gelado na pele, a rainha encolheu-se tomada por fortes arrepios. — Agora eu sei, você não me esqueceu completamente. Mesmo casada com aquele imbecil, você me guardou com você, você ainda é minha, não negue! — rosnou, os dentes arrastaram-se pelo mesmo pescoço que ele aspirara, e depois, os lábios úmidos depositaram-lhe beijos, marcando aquilo que a ele pertencia. — O que eu faço para parar de desejar você? — pensou alto enquanto arrastava os dedos pelas costas desnudas, as pedrinhas do vestido tilintavam em contato ao algodão branco da roupa dele, uma das pernas da rainha, cativa entre as dele, moveu-se sem querer, e esbarrou-se à virilidade latente. — Não a perdoo por ter se entregado a ele, você é minha! — retomou o gênio raivoso — O seu corpo é meu, o seu coração é meu, a sua alma é minha! — segurou-lhe o rosto, os olhos dela reviraram tontos.

— Diamante... — tomada pela letargia, confusa pelo calor interno, falou fracamente: — Você não sabe, você não estava lá, você me deixou... Você é injusto. — ah, a respiração dele! As mãos, a proximidade, o lábio ainda com a marca que ela deixara pelo último beijo que compartilharam... Os dedos suaves passaram por ali, surpreendendo o príncipe. Depois, acariciaram os cabelos lisos, os pés se puseram nas pontas, e ela, num impulso provocado por desejo e saudade, selou as bocas de leve, passou a ponta da língua pelo contorno que ela bem conhecia. Apartou-se, tão repentina quanto se aproximou. Olhou para o dedo anelar, focou-se na aliança e sentenciou: — Damien não merece isso. — Cambaleante, andou até uma coluna e apoiou-se nela. Diamante não deixaria tudo ficar como estava, ela o instigara. — O que é isso?! — surpreendeu-se ao ver-se nos braços do inimigo, carregada contra a sua vontade — O que está fazendo?! — balançou as pernas enquanto ele a conduzia pelos corredores, o percurso já era conhecido assim como as portas que ele abriu e depois trancou. — Ah! — gemeu quando seu corpo foi atirado sobre a cama, inclinou-se para ver adiante, e lá estava o príncipe, de pé, a sua frente, descendo lentamente o botão da farda. — O que está fazendo?! — antes que o medo a petrificasse, a luxúria prendeu seus olhos ao abdome pálido, já sem faixas, com uma discreta marca no local onde havia sofrido um ataque. A voz da Rainha emudeceu.

Ele, também mudo, desfez-se da parte de cima da roupa e ajoelhou-se sobre a cama, travou as pernas de Crystal com as suas ao redor. Uma de suas mãos segurou a dela e a trouxe até a cicatriz.

Os dedos, embora amortecidos pelo estado alcoólico, sentiram a aspereza da pele, depois subiram por vontade própria pelo peito que há muito ela não afagava. Tu-dum, tu-dum! Sentiu as vibrações, lembrou-se de quando tocou-o, juntos, naquela cabana, e ela soube que Diamante estava vivo. Sorriu sem perceber. Ele, em resposta, aproximou-se mais e inclinou-se, quase deitado sobre ela. A raiva, o rancor, a erva daninha plantada dentro dele adormeceu, naquele momento o coração entregou-se ao que via nos olhos da inimiga: desejo, amor guardado, cuidado.

"Me perdoe, Damien"... — ela pensou enquanto o rosto do algoz se aproximava. Fechou os olhos e rendeu-se.

Dessa vez, sua língua dançou juntamente à dele, os lábios colados se conduziram em unanimidade, os braços da rainha envolveram-no, as mãos passearam pela pele alva, apalparam-lhe os músculos das costas, dos ombros e dos braços. As pernas, contraídas, esticaram-se por entre as dele. Diamante atirou o corpo sobre o dela, ofegante, desceu a boca pelo queixo, encheu-lhe de mordidas, e prosseguiu pelo pescoço, voraz, impulsivo, e não só. A boca salivante de sede tomou os ombros despidos, as mãos subiram com tamanha força pelo vestido que acabaram por arrancar algumas pedras, e tão logo encontraram o topo do decote arredondado, desceram-no depressa, fazendo com que os seios rosados saltassem para fora. Crystal enrubesceu e arregalou os olhos, quis cobrir-se, as mãos ferozes do príncipe seguraram-lhe os punhos e os aprisionaram. A boca faminta tomou um mamilo e depois outro, a língua contornou-os e os intumesceu, a voz rasgou a garganta da regente em gemidos tragicamente prazerosos. Assim, Diamante soltou-lhe os pulsos arroxeados e cativou cada monte com as mãos, massageou-os enquanto sugava-lhe os bicos rijos, e, ainda não dado por satisfeito, desceu mais, traçou o rastro molhado por entre os seios redondos, circulou o umbigo com o ápice da língua avermelhada, e livrou-se da longa saia, o obstáculo remanescente era a roupa íntima da rainha, uma renda tão fina que, sem esforço, as mãos do rígido Príncipe Branco rasgaram.

— Diamante, espere! — entre gemidos murmurados, Crystal protestou... em vão.

Dois dedos contornaram-lhe os grandes lábios encharcados. Estava transbordando de paixão. Os mesmos dedos mal-intencionados apalparam-lhe o clitóris inflado, e a rainha delirou com tão pouco... Estava perdida, e perder-se-ia ainda mais: a língua macia acariciou-lhe as zonas erógenas como os dedos antes fizeram. Experimentaram a doçura, a maciez e a quentura. A boca do príncipe colou-se à pele de fora, a língua provou a pele de dentro. O corpo inteiro de Crystal arqueou-se e tremelicou em espasmos, as mãos enfiaram-se nos lençóis, apertando-os. A morder o lábio inferior, ela gemia. Queria culpar a bebida afrodisíaca, antes fosse isso. Afrodisíaco era Ele e toda a sensualidade que exalava. A língua girou ao redor do ponto mais sensível de Crystal, o líquido translúcido jorrou pela porta, Diamante tomou parte dele e sustentou as coxas da antiga princesa com suas mãos violentas.

Como um animal tomado pelo instinto, Crystal sentou-se de supetão, puxou Diamante pelos braços e girou-o na cama. Deitado, com as costas apoiadas em um travesseiro, ele sorriu espantado, porém, logo se satisfez: a mulher desejada sentara-se sobre ele, completamente nua, e tomara a iniciativa de beijá-lo, talvez mais afoita do que o próprio. Sugou-lhe os lábios, mordiscou-os, arregaçou-os e depois beijou-lhe o rosto todo, inclusive a Lua Negra ferida. Tomada pela fúria passional da excitação, provou-lhe o pescoço, lambeu-o e o mordeu com tamanha força que provocou um hematoma. Os gemidos, dessa vez, soaram não só das cordas vocais de Crystal, mas também das de Diamante. A timidez? O vinho tratou de esconder. A rainha prosseguiu, imitou o percurso, desenhou com a língua as curvas de cada músculo, dos ombros largos, do peito definido, contornou até mesmo a cicatriz, sem cerimônias, as unhas deixaram marcas avermelhadas pela barriga dele, até cravarem-se ao cós da calça branca. Ligeira, ela abriu o botão e, num segundo, desceu o zíper. Diferentemente de quando era adolescente, tocou-lhe o membro rijo desavergonhada e de fato, não numa fantasia. Apertou-o entre os dedos e sentiu-o pulsar. O que estava fazendo? Aquele era o homem que iria destruí-la! Olhou-o por segundos, os dentes sobre o lábio inferior, recebeu de volta um olhar surpreso e pervertido. "Continue" era o significado. Se dissesse que não queria estaria mentindo. Ele era, em pessoa, tudo o que ela almejou, o sonho personificado no homem. Morreria por aquilo, mas não voltaria atrás. O vinho trouxe consigo a verdade:

— Se eu sou sua, você é meu também. — apalpou-lhe novamente, dessa vez com mais firmeza. Diamante estremeceu — Você é meu... — arregaçou-lhe a calça e a roupa de baixo, livrou-se das peças como ele se livrou do vestido: sem pena. Com o membro latejante nas mãos, Crystal sorriu. Definitivamente, era um sorriso diferente de qualquer um que já esboçara. Triste e libidinoso, controlado e controlador — Somos a maldição um do outro. — ditou, e em seguida, retomou a atitude impensada, baixou a cabeça na direção da glande rosada, abriu bem a boca, lambeu e sugou-a.

Diamante inclinou a cabeça para trás, cerrou os olhos e quase gritou. Seus dedos enrolaram-se nos cabelos castanhos. A língua doce da rainha pressionou-lhe o membro contra o palato, os lábios firmaram-se em seu entorno, devagar, ela engoliu-o quase todo, e estimulou-o no vem e vai: sugava-lhe até o fim, retornava ao seu topo, circulava-o com a ponta da língua, depois o provava com o dorso molhado. Em breve, gotas salgadas escaparam do pequeno vão, lubrificando-o, ela as lambeu com gosto. Os dentes do príncipe rangeram, assim como todo o seu corpo excitado, pronto para explodir.

Não, ainda não! Puxou-a pelos cabelos e a atirou deitada novamente, encurralou-a com o próprio corpo, roçou a glande palpitante à entrada molhada e quente. Devorou-a com outro beijo, correspondido à altura. Seus cabelos celestes, então, foram puxados pelos dedos de Crystal. Grunhiam enquanto se lambuzavam, se lambiam, os dois bichos no cio.

— Acabe logo com isso! — irracional, zonza, entregue, ela suplicou com as pernas arreganhadas. — Faça!

— Então peça. — mordeu-lhe o lábio inferior e puxou-o entre os dentes, a ponta estufada encaixando-se à brecha feminina.

— Me possua... — sussurrou, as unhas enterraram-se às costas do Black Moon.

— Mais alto! — lambeu-lhe o lábio superior.

— Me possua! — gritou e inclinou os quadris para frente. — Me possua! — repetiu enfática.

Após uma gargalhada maliciosa, com um movimento, Diamante enterrou-se dentro de Crystal.

Ela gritou ardida. Ele surpreendeu-se com o quão apertada por dentro a sua rainha era. A surpresa não fora ruim, afinal, o príncipe deleitou-se com as paredes internas apalpando-o pulsantes, quentes, meladas. Outra estocada, mais um grito. Crystal fechou os olhos com força, mordiscou o lábio e virou o rosto para o lado. Diamante segurou-lhe o queixo firmemente e virou sua face de volta à dele.

— Olhe-me! — ordenou grave.

Os olhos azuis arregalaram-se e fitaram-no sem piscar, as pernas dela o envolveram num abraço. Trêmula, ia falar algo, mas mais uma vez Diamante cutucou-lhe o fundo. A dor misturou-se ao prazer. Os olhos reviraram, a voz ressoou em êxtase. As mãos dele encontraram as dela, suspenderam-nas à altura da cabeça e os dedos entrelaçaram-se, a aliança cintilou esquecida. Ele ia e vinha, às vezes devagar, outras rápido e feroz, os grandes e pequenos lábios recebiam-no latentes, apertavam-no, seduziam-no. Sem perceber, o nemesiano já se movia tão depressa que a cama se balançava. Os corpos roçavam-se, e nem mesmo o frio era capaz de conter seus suores. Oleosos, colaram às testas, Crystal segurou a face de Diamante e beijou-o uma vez mais, dividiram o sabor do vinho através dos hálitos. Depois do frenesi, movimentos vagarosos, ainda assim intensos. A fenda da rainha engoliu completamente o membro viril, sugou-o, acomodou-o enquanto as pernas tremiam e ele também. As mãos se apertaram novamente, a velocidade retornou à altura da intensificação do desejo. As respirações pesadas, enervadas denunciaram o ápice de ambos. Assim que o sêmen desenfreado inundou Crystal por dentro, Diamante despejou-se sobre ela, ofegante. Os olhos dela semicerraram-se, presos às lembranças, ao sonho recente e ao antigo, finalmente realizado. Sorriu e chorou ao mesmo tempo. Atento aos soluços dela, Diamante elevou o rosto e fitou-a duvidoso, em seguida, sentiu algo molhado incomodar-lhe a virilha. Deveriam ser os resquícios dos fluídos de ambos, pensou, baixou o olhar e surpreendeu-se diante da novidade: era sangue. Sangue dela.

Encarou-a abismado, o sangue respingara sobre os lençóis brancos, a marca dela espalhou-se. Onde estava a explicação para aquilo? A mão tremelicosa da mulher acarinhou a face confusa do vilão, e depois de um longo suspiro, ela explicou:

— Você tem razão, eu sou uma farsa. — engoliu a saliva, respirou fundo, e prosseguiu — Meu casamento é uma fachada, Diamante.

Isso mesmo, a rainha ainda era virgem.


"Abra o seu coração, Crystal" — a voz interior latejava enquanto ela era conduzida a suíte nupcial — "Abra o seu coração... Ame Damien!" — apertou o pingente sobre o peito, uma lágrima correu dos olhos ao queixo. Quando deu por si, estava deitada na grande cama com Damien sobre si. — "Aceite o seu destino!" — cerrou os olhos úmidos e mordeu o lábio inferior. — "Eu não sinto nada"! — constatou. Não! conteve-o com as mãos em seu peito, não permitiu que ele abrisse os botões da vestimenta. Sinto muito, eu não posso! tremeu, apavorada Ainda não!

A decepção nos olhos do rei era visível, no entanto, sua candura não o permitiu ir adiante. Elegante, ele se sentou ao lado de sua consorte e respirou fundo, o rosto coberto pelos cabelos negros.

Damien, me perdoe, é que... é muito recente para mim! sentou-se também e tocou-lhe os ombros.

Eu esperarei... fitou-a o tempo que for preciso. abriu um sorriso terno.

Obrigada. abraçou-o agradecida e aliviada.


— Durante todos esses anos, vocês nunca... — pasmo, Diamante sentou-se à beira da cama e cobriu a testa com as mãos.

— Nunca. — Crystal sentou-se e se cobriu com o lençol. — Achei que com o tempo eu superaria o que vivemos no passado e estaria livre para amar novamente, mas isso nunca aconteceu. Conduzimos o reino juntos, fizemos tudo na companhia um do outro, como grandes amigos, e quando chegava à noite, nos despedíamos e dormíamos em camas separadas. Os súditos, minha família, as guerreiras... todos pensam que temos uma relação conjugal de fato, mas não temos, nunca tivemos, e já não acredito que um dia teremos. — a garganta amargou — O meu coração sempre foi seu, por isso sempre o carreguei lá, simbolizado num pingente dourado que o pobre Damien me deu de presente. A minha promessa permaneceu intacta... — apoiou a cabeça nos joelhos, abraçou a si mesma e o choro foi tão intenso que o corpo inteiro chacoalhou — Sempre amei você, você e mais ninguém! — declarou-se — Sou uma traidora, traí a todos, minha família, meu povo, meu marido, por você! O que vai ser de mim agora?!

Os olhos de Diamante arderam, por pouco o pranto não se dividiu a dois. Virou-se de frente a ela, puxou-a para si e a abraçou, alisou-lhe os cabelos entre os dedos, quando ela tentou se mover, apertou-a mais forte. Dominação? Não, consolo. Proteção. Pela primeira vez em tantos anos, Crystal sentiu que o enredo era carinhoso, e mais uma vez, confiou nele. Fechou os olhos e correspondeu o abraço. Sentiu-o com cada fibra de seu espírito, o seu Diamante, aquele que a cativara na relva, a beijara na chuva, e finalmente visitara o seu quarto para concluir o que prometera. A bochecha acomodou-se ao ombro dele, e então, a mão do príncipe a orientou a olhá-lo, ele não se cansaria de fazer aquilo.

— Eu sinto muito... — sussurrou verdadeiro, a voz embargada — Por tudo o que se foi, e pelo o que virá.

... Porque estamos juntos nessa vida, você sempre será o meu grande amor. — ela cantarolou, emocionada, parte da canção que dedicou a ele em um longínquo baile.

Sorriram e beijaram-se outra vez. Provaram-se outra vez, aproveitaram cada sensação como se fosse a última. Não tardou para entregarem-se um ao outro de novo. Dessa vez, sentados, Diamante acomodado à cabeceira, segurou as nádegas de Crystal com cuidado e a ajudou a cavalgar sobre ele. Mais tarde, não saciados, deitaram-se, a rainha de costas para o príncipe, e abraçados, amaram-se mais e mais, até a fadiga acalmar os ânimos, e então, sonolentos pelo esforço, pelo vinho e pelas revelações, adormeceram atados e despidos. Mesmo que por poucas horas e nada mais, só eles existiriam. A ânsia alimentada por tantos anos se concretizou, já não havia mais um assunto não resolvido, ao menos não aquele.


As pestanas castanhas descolaram-se, o azul se revelou turvo. A cabeça repousava em algo frio que se movimentava lentamente. Um respirar chiado soou aos ouvidos. Crystal estava aconchegada no peito do príncipe inimigo. Sua mão, aberta sobre o tórax forte, sentiu o bater suave de um coração tranquilo. Ela ergueu o rosto e analisou-o, adormecido, sereno. Inclinou-se devagar, chegou para cima, beijou-lhe a Lua ferida. Depois, colou os narizes e fechou os olhos, aspirando que as horas parassem de passar, que o tempo parasse ali, enquanto estavam juntos. Os dedos dele a surpreenderam ao cativarem-lhe a nuca por baixo das largas ondulações. Reabriu os olhos e reencontrou as violetas intrigantes. Sentiu um toque gentil na bochecha, derreteu-se nos braços dele. Não havia mais vinho para usar como desculpa, ainda assim:

— Não estou arrependida. — contou e aliviou o peso.

— Eu nunca estive tão feliz. — Diamante falou bem baixo, como se afirmasse para si mesmo.

— Diamante, — vislumbrou o seu sorriso e penetrou-lhe os púrpuros orbes — Não faz sentido estar em guerra contra a pessoa que eu amo. É como estar em guerra contra o meu próprio ser. Você é quem me faz sentir eu mesma, Crystal. Mesmo aqui, presa, me senti mais viva do que nos últimos cinco anos, porque eu fingia ser alguém que eu não era, tão distante de mim... — antes que lágrimas escapassem pelos cantos do semblante, os indicadores do príncipe secaram-nas. Sentaram-se juntos, nus, ela no colo do amado, abraçaram-se, um acarinhou os cabelos do outro, como se tentassem se consolar.

— Venha tomar um banho comigo. — ele, inesperadamente tranquilo, sugeriu. Embora o peito de Crystal estivesse apertado, ela acatou.

Despidos estavam, despidos continuaram e assim andaram lado a lado, de mãos dadas, até o banheiro da suíte. A banheira estava cheia e morna, uma infinidade de pétalas brancas e azuis flutuavam nas águas calmas. Ele entrou primeiro, a rainha logo depois. Sobre a borda dourada jazia uma esponja, Diamante a pegou, mergulhou-a na água aromatizada, espremeu-a para tirar o excesso e então, afastou os cabelos castanhos dos ombros, passou a esponja ali, lavando-a. Um braço de cada vez, o príncipe esticou e limpou-os, depois as mãos, como se a purificasse. Focou-se no anel que adornava o dedo da soberana, acorrentando-a a um compromisso falacioso. Firme, segurou-lhe o punho, surrupiou-lhe a aliança e jogou-a nas águas. A joia se perdeu no fundo da banheira. A boca de Crystal abriu-se, pronta para protestar, Diamante a puxou pela cintura, elevou-a e a beijou. As pernas de Crystal enroscaram-se à cintura do amante, ele deu passos para trás até suas costas e cotovelos terem apoio na borda. Enquanto o ebúrneo líder da Lua Negra esfregava a esponja por cada canto do corpo da estimada cativa, ela tratava de encaixar-se a ele, eternamente desejosa. Olharam-se nos olhos enquanto ela o devorava com certa ajuda das mãos apertando-lhe as ancas. A esponja, agora era apertada pelas mãos dela, enroscadas ao pescoço dele.

— Eu poderia possuí-la para sempre, sem descanso. — uma mão meteu-se entre ambos, estimulando o clitóris delicado enquanto ela roçava-se a ele e sorvia o membro ereto. Os grandes lábios apertaram-no tão firmemente que, no susto, o Grande Príncipe Diamante quase gozou. Para evitar sujar a água onde eles se banhariam, o nemesiano deitou-a sobre o piso escorregadio do banheiro. Crystal não se deu o trabalho de fechar as pernas. Assim que Diamante saiu da água, ajoelhou-se sobre o piso, puxou-a pelas pernas sapecas, encaixou-as, dobradas, apoiadas nos ombros, e assim aquilo o que ele almejava estava à altura de seu sexo. Penetrou-a, dando continuidade ao ato. Suas mãos ataram-se à cintura delineada, mantiveram o corpo real inclinado a seu modo. Em reação à bem-vinda invasão, a jovem apaixonada cerrou os olhos e empinou o corpo para cima, serpenteando-o todo. — Nunca será o suficiente! — a ergueu nos braços, as pernas enredaram-no torcidas. Encaixados, Diamante andou com ela nos braços até uma pilastra onde a escorou e a possuiu impetuoso, descomedido. Aprofundou-se inúmeras vezes lá dentro, o líquido pastoso escorreu pelas pernas dela e a Sailor Love balançou-se toda em espasmos frenéticos. A boca, molhada, arrastou-se pelo pescoço dele, a voz aguda zunia, como um uivo selvagem. O orgasmo fora intenso, as costelas do príncipe estalaram pela força com que as coxas de Crystal o enredaram. Os dedos dos pés encolhiam-se, assim como os das mãos à nuca do Black Moon.

— Nunca... será... o suficiente! — repetiu esbaforida. Novamente, o gozo dele a invadiu e esparramou-se dentro do canal. Ela latejou toda por dentro, as articulações formigaram trêmulas. Beijou a boca gelada, esquentou-a, sugou-lhe a língua, ainda havia gosto de vinho. Os pés tocaram o chão gelado. Crystal eriçou-se de frio. Diamante esfregou-lhe os ombros e braços. — Agora, devemos voltar ao banho! — batendo os dentes, risonha, proferiu.

Ele também, passou por cima de qualquer atribulação que perturbasse os pensamentos e riu, pegou-a no colo e jogou-se na água morna com a querida Marinheira do Amor. Molharam-se por completo, os cabelos pesaram sobre os rostos. Crystal, por segundos, voltou a ser adolescente, jogou jatinhos de água no príncipe, brincando que possuía poderes aquáticos. Diamante, como da vez em que caminhou com ela na relva e foi pego por um joguinho daqueles, fitou-a confuso, uma sobrancelha arqueou-se, depois, o líder do clã puxou-a pelos dois braços e mergulhou junto a ela. Debaixo da água, quase sentados no fundo, contornados por pétalas que afundaram junto, Diamante a beijou. Saliva misturou-se com água, o ar escapuliu, Crystal cutucou os ombros dele avisando-o que sufocaria, o beijo persistiu, a mão dele prendeu a nuca da regente. Os olhos dela arregalaram-se em desespero.
Diamante não sabia brincar, esperou a rainha ficar quase roxa para soltá-la.

— Isso não se faz! — ela reclamou, sem ar. Ele gargalhou — Você é cruel!

— E ainda assim, você não consegue tirar os olhos de mim. — Abraçou-a pelas costas, beijou-lhe um dos ombros — Você me ama...

— Você me ama? — insegura, focou a vista nas pétalas que sobraram a flutuar na água agitada. Ele lhe tomou o queixo, típico do comportamento da preciosa e rústica pedra de seu nome, e fê-la olhá-lo, encurralada entre braços fortes e pálidos.

— Você é a luz em mim. Você é o dia, eu sou a noite. Nós somos o equilíbrio um do outro, lembra? — suave, soprou as palavras ao ouvido enquanto beijava-o e mordiscava-lhe a auréola.

— Então ainda me ama? — fechou os olhos e respirou fundo.

— O meu amor por você é voraz, avassalador, destrói o que há pelo caminho, sem piedade. O meu amor é vil, assassino... Sim, eu amo você. Então, tome cuidado. — beijou o canto da boca semiaberta, lambeu-lhe e entrou, de leve, depois, com os lábios roçando-se aos dela, terminou: — Para sempre o lobo em mim desejará a ovelha em você.

O corpo dela amoleceu com cada palavra. Diamante sempre exerceria aquele inexplicável poder sobre ela. Como uma boneca em suas mãos, Crystal, inerte, deixou-o banhá-la, pentear-lhe os cabelos e saboreá-la o quanto teve vontade. Após, docemente submissa, a rainha esfregou a esponja pelo corpo do príncipe, limpando-o de todas as impurezas, como se pudesse apagar cada atrocidade que ele cometera, pois ela, ah sim, o perdoara do fundo do coração.

Enxugaram-se, juntos, como um casal comum. Tiraram as pétalas enroladas nos fios de cada um. Foram ao quarto, Crystal vestiu Diamante, Diamante vestiu Crystal. Cuidadoso, encaixou o diadema dourado ao topo da cabeça de sua Rainha Branca. Ela sorriu. Reciprocidade, ele aprendera com ela, e aprendia novamente depois de tanto tempo.

Batidas à porta romperam o encanto criado, elas abriram-se e, por trás Saphiro anunciou-se sério:

— Irmão, preciso que venha comigo imediatamente ao salão principal.

Diamante fitou Crystal e com um gesto chamou-a. Deram-se os braços. Saphiro transpareceu certo repúdio, a rainha notou, o príncipe, todavia, estava tão contente a ponto de distrair-se. O amor ainda era capaz de cegá-lo. Os três chegaram juntos, Saphiro à frente, o casal em seguida, no salão onde os outros súditos se reuniam. Topázio, Aoi desarrumada e ofuscada, Onyx malicioso, Jade ferida, Quartzy lhe fazendo curativos.
A guardiã do amor notou que faltava alguém: Akai. Antes que pudesse se pronunciar, o Cavaleiro Dourado se aproximou, ajoelhou-se diante do príncipe, reverente e narrou:

— Príncipe, passamos por algumas dificuldades, mas obtivemos sucesso.

— Do que ele está falando? — Crystal cochichou, Diamante encarou-a em ar de confusão.

— O Palácio de Cristal foi tomado. — Topázio prosseguiu. — Agora a barreira que o envolve é a do Cristal Negro. — elevou o olhar ao príncipe surpreso e à rainha aterrorizada — Infelizmente, os integrantes da família da Lua Branca conseguiram escapar, no entanto, não conseguirão refúgio seguro. É uma questão de tempo, logo esmagaremos cada um daqueles vermes, como o senhor planejou. — Sorriu triunfante.

— Você sabia desse ataque? — tomada pelo amargor do desapontamento, ela se afastou subitamente, parou à frente dele — Enquanto nós... Você mandou que eles atacassem o Palácio, por minhas costas?!

— Crystal, eu... — engoliu seco, desarmado. Não tivera a ideia, mas também não discordou dela. Estava bêbado quando o plano foi exposto, porém não o suficiente para apagá-lo da memória.

— Covarde! — a rainha vociferou — Canalha! — rugiu como uma leoa brava. Partiu para cima de Diamante com unhas e dentes, esqueceu-se de qualquer ferimento recente, aliás, já estava muito bem cicatrizado. Quis estrangulá-lo, agarrou-se aos cabelos dele. As mãos pálidas arrancaram as suas dos fios e as contiveram, então ela tentou chuta-lo. Saphiro a empurrou, Topázio a imobilizou — Eu confiei em você! Eu me entreguei para você! — gritou aos prantos, pouco se importando se havia quem a ouvisse e a julgasse.

— Príncipe, tivemos uma baixa. — Topázio, irritado, continuou, quase torceu os braços da rainha para que ela se aquietasse — Perdemos Akai.

— Eu sinto muito... — Diamante disse não só pela perda de um dos seus aliados, mas também pelo acontecido.

Crystal olhou para trás, arrasada, procurou pela outra mocinha, a gêmea que sobrevivera. Aoi, atônita, como uma marionete sem vida, não derramava uma lágrima, ainda assim, seus olhos murchos e a boca curva denunciavam o luto.

— Aoi vingará a irmã, tenha certeza. — Topázio afirmou.

— Me solte! — Crystal sacudiu-se — Deixe-me ver Aoi!

— Solte-a. — Diamante ordenou.

Pff... — Topázio largou-a ao chão como se fosse um saco de lixo podre.

Tão logo Crystal caiu, levantou-se e direcionou-se à menina azul. Diamante segurou-a pelo braço antes.

— Não encoste em mim! — bradou e soltou-se, agressiva — Estou com nojo de você! — olhou-o no fundo dos olhos, feriu-o como jamais poderia. Tapas e murros teriam doído menos do que palavras tão ásperas.

Quis segui-la, no entanto, os olhos daqueles que serviam a ele recaíam-lhe como se esperassem uma mera falha para rebelarem-se. As únicas que não se mostravam hostis eram Quartzy e Aoi, abraçada fortemente por Crystal. Saphiro demonstrava-se o Nada encarnado.

— Certa vez, um rei me disse que um bom líder tem que levar em consideração as vontades e necessidades de seu povo. Meu povo foi abandonado pelo Planeta Azul, mesmo tendo sido prometido a nós uma vida nova, onde poderíamos ver a grama crescer, o sol nascer e as estações passarem. A promessa não se cumpriu, durante várias gerações os Nemesianos passaram fome, frio, e morreram solitários, esquecidos no meio do nada. Isso não acontecerá mais, estamos reivindicando o que é nosso por direito, e é tarde para voltarmos atrás. Como o príncipe da Lua Negra, ouço a voz daqueles que me seguem e faço o melhor por nós todos. Não temos para onde voltar, portanto, dominaremos o reino de Tóquio de Cristal e escreveremos a nossa História! — o discurso soou para todos, mas era destinado a ela. Diamante a amava, entretanto, como príncipe, tinha responsabilidades das quais não poderia fugir.

Crystal, enquanto consolava a pobre estática Aoi, observava Diamante ser aplaudido depois do solene pronunciamento e sentar-se, altivo, ao trono esverdeado.

— Isso não ficará assim! — retrucou enquanto afagava os cabelos azuis — Os guerreiros da Lua Branca não se darão por vencidos!

— Saphiro, Quartzy, levem-na. — pesaroso, mas rígido, mandou. Foi obedecido. O irmão e a curandeira conduziram Crystal pelos corredores, antes que sumisse de vista, os olhos azuis recaíram sobre o príncipe Nemesiano uma última vez, duros como diamante, tão rigorosos quanto o de: "Nova Rainha Serena" — pensou — "Crystal" — assimilou-as — "O tempo não voltará, não somos mais os mesmos jovens que acreditaram na reconciliação de nosso povo. Lua Branca e Lua Negra não podem coexistir". — levantou-se e jogou a capa para trás — Topázio, devem procurar por cada canto dessa Terra, encontrar os nossos inimigos, e liquidá-los.

— E essa mulher? — perguntou desdenhoso — O que fará com ela no final?

— Isso é assunto meu.

Continua...


Notas:
Tudo tão lindo no capítulo para acabar assim... Mas, por favor, não tenham raiva de mim!
No próximo, vocês ficarão a par de como os nossos vilões preferidos tomaram o palácio, e o que se sucedeu com Akai...
PS: os trechos assim são frases de músicas, claro. O primeiro, cantarolado por Crystal, é da música que ela cantou no Capítulo O Baile – Parte I, Eternal, da banda Hydria. O segundo, citado por Diamante, enquanto o príncipe se declarava (amei aquilo!) é a última frase da música Beauty and The Beast da banda finlandesa Nightwish.
Aliás, os fãs da banda devem ter percebido que logo no topo do capítulo escrevi um trecho de outra música: Wish I Had An Angel. Inclusive, o título foi inspirado nela.
Espero que tenham gostado!
Até o próximo!
Kissuusss!