Chapter 54:
Severus tentou manter-se em pé, enquanto seguia esquivando feitiço depois de feitiço dos dois aurores que tinha diante. Desde que começasse a espiar formalmente, as coisas tinham-se posto piores se cabia: na cada ataque no que participava apareciam os Anjos da Justiça, a secção especial dos aurores que tinham decidido usar maldições imperdoáveis. E isso ao final significava que acabava brigando por sua vida e não por sua liberdade ou por seus ideais.
Esquivou o feitiço que lhe mandou Crowe e lançou o seu próprio: esse maldito auror parecia ir sempre por ele. E atirava a matar. Severus grunhiu enquanto escondia-se por trás dos últimos escombros da casa em ruínas que não duraram bem mais. Aos poucos segundos explodiram e Severus saiu correndo, incapaz de enfrentar-se a dois aurores de seu tamanho ao mesmo tempo. Crowe parecia manejar a varinha como se fosse uma extensão de seu corpo e o outro auror, de nome Winke, ainda que não tão destro como seu superior era inclusive mais feroz e imponente que este por seu tamanho.
Esquivou a tempo a maldição de Crowe e continuou escapando. Se ficava ali tentando lutar contra eles acabaria perdendo sua vida e isso era o último que desejava nesses momentos. Severus girou inesperadamente à direita, cobrindo pelo muro de cimento sólido e os aurores frearam a marcha, rodeando a casa para lhe pegar desprevenido.
Snape assomou-se um momento a olhar a Winke, que andava traçando um círculo para lhe pegar e supôs que então Crowe teria ido pela retaguarda. Olhou atrás, voltou a olhar a Winke e preparou-se. Rapidamente saiu de seu esconderijo e enfeitiçou a Winke com o primeiro que lhe veio à cabeça: da ponta de sua varinha saiu um chicote negro que se enrosco em seu pescoço, o afogando.
Correu na direção do auror, sabendo que Crowe estaria por trás dele pela maldição que soltou ao ver a seu colega no chão, se afogando. Isso lhe deu uns segundos de vantagem até que Crowe começou a correr por trás dele como um touro embravecido. Correndo como nunca o tinha feito em sua vida, Severus saiu rapidamente do povo e se internou no bosque que tinha nas lindes.
Esquivou por um fio as correntes que lançou Crowe e continuou correndo. Saltou a raiz de uma árvore nodoso e escondeu-se durante um segundo por trás de outra árvore, enquanto a maldição passava a centímetros de sua cabeça. Continuou correndo pensando que Crowe cansaria e deixaria de lhe perseguir, mas o auror parecia implacável, repetindo todos seus movimentos, sem falhar em nenhum e sem lhe dar a oportunidade de fugir.
Crowe deixou de lançar feitiços e Severus sorriu interiormente. Tinha-se cansado, estava seguro disso. Se mantinha o ritmo uns minutos mais o auror desistiria e sairia dali com vida. Todas suas esperanças se foram ao lixo quando uma língua de fogo se enrolou ao redor de seu torso e seus braços. Queimava, ardia de forma diferente a como doía a Marca, mas sua pele se estava a queimar.
Severus caiu ao chão, tropeçando com uma raiz. Gritou de dor enquanto tentava desfazer-se por todos os meios dessa língua de fogo que lhe consumia a pele. Seus braços estavam em carne viva e nem sequer podia ver seu torso entre os lumes que o consumiam. O auror parou-se adiante dele enquanto Severus fazia todos seus esforços por não deixar cair a varinha ao solo. Aquilo era sua única esperança, mas não parecia fazer muito efeito todo o que tentava.
- Está morto, garoto. - disse com satisfação Crowe. Severus encolheu-se no chão, sem encontrar uma cura à maldição, e gemeu de dor. - Mas antes de matar-te quero ver-te a cara.
Crowe golpeou seu ombro, deixando-o boca acima, e com lentidão acercou-se e apanhou a máscara de Severus, tirando-lhe. Olhou em todas direções sem ver a ninguém a seu redor e depois baixou seus olhos escuros como os de Severus até sua cara, sorrindo vingativamente. Com lentidão fez uma floritura no ar e o fogo se esfumou. Severus gemeu, quase incapaz de mover as mãos queimadas. Sua varinha não tinha resultado danada, mas também não podia a agarrar com força.
- Crucio.
A dor, já tão conhecido para Severus, lhe golpeou com mais força da habitual. Gritou, pedindo ajuda desesperadamente, e Crowe riu. Ninguém viria a lhe ajudar, nem Dumbledore, nem Voldemort, nem James. Estava só e o sabia. Encolheu-se, sentindo como as forças se iam de seu corpo sem que pudesse fazer nada para o parar e esperou o toque de graça quando a maldição parou.
Fechou os olhos, cansado e dolorido, e levantou a varinha com uma força desconhecida. O auror saiu expulsado para trás, deixando cair a máscara, e apanhando-a com delicadeza, Severus desapareceu-se, deixando um charco de sangue depois dele.
Apareceu em sua casinha em Spinner´s End. Como outras vezes, quis arrastar até o fogo e chegar a Dumbledore para que lhe curasse, mas desta vez deixou que sua cabeça descansasse contra o chão frio e esperou que Dumbledore viesse. Seu corpo não respondeu mais e a varinha caiu de sua mão com um repiqueto molesto. Severus fechou os olhos e rezou para abri-los a um novo dia.
Gemeu de dor. Já não era tão intenso, mas seguia sem ser suportável. Severus abriu os olhos e olhou a seu ao redor: uma vez mais estava na cama da habitação privada do Diretor, recuperando-se. Sorriu, pensando em sua sorte, e olhou abaixo: seu torso e seus braços estavam vendados. Tentou mover as mãos, mas foi-lhe impossível, parecia como se lhe tivessem anestesiado e seu corpo não respondesse. Tratou de pensar em isso dantes que pensar que tinha perdido toda motricidade nas mãos.
- Pensei que não acordarias até manhã. – saudou lhe Dumbledore desde a porta. Nesses momentos parecia um idoso adorável com uns papéis de um julgamento nas mãos. Severus lembrou-se de repente: o Julgamento. Dumbledore tinha-o marcado para dentro de dois dias. Ou quiçá tinha passado dois dias dormindo e Dumbledore tinha-se enfrentado só ao julgamento. - Está absolvido de todos os cargos, Severus.
Severus sorriu: de modo que Dumbledore tinha cumprido sua palavra. Alegrou-se de não ter estado ali, sabendo que teria tido que ver a Crowe rumiar seu fiasco quando esteve a ponto de matar. Dumbledore acercou-se até ele e lhe mostrou os papéis. Tinha um montão de coisas ali, mas Severus só se fixo nas letras vermelhas que punham 'Absolvido'.
- Obrigado, senhor. - contestou com sinceridade. Quiçá quando Dumbledore lhe mantivesse cerca dele o Lord negar-se-ia a lhe mandar a mais operativos como o último.
- O professor Slughorn vai aposentar-se, Severus. Já que apesar de que têm passado anos ele segue falando de ti com o mesmo impulso que quando estava em primeiro, gostaria que de em este ano fosse seu ajudante de professor de poções e ao ano seguinte lhe substituísse definitivamente em seu posto. Só tem que lhe dar poções aos dois primeiros cursos. Gostaria?
- Sim, senhor. - aceitou Severus, contente. Dumbledore sorriu e ajudou-lhe a levantar-se. Ainda estava débil, comprovou quando os joelhos lhe tremeram, mas parecia estar mais recuperado. Dumbledore não disse nada, mas lhe ajudou a chegar até uma salinha de estar, lhe sentou em um cadeirão e lhe fez esperar enquanto trazia umas massas.
- Pode que as mãos não te funcionem bem por agora, mas não se preocupe, a lesão nos nervos não é permanente. Recuperará, só deve descansar.- disse o idoso por trás dele com um serviço de chá para dois e uma bandeja de massas. Tinha um sorriso que a Severus se lhe antojou paternal e preocupada.
-\-\-\-\-\-\-\-\
Nota tradutor:
Velho manipulador esse isso sim
Espero que gostem e comentem
Vejo vocês nos próximos três capítulos
Ate breve
