"A melhor coisa sobre o futuro é que vem um só dia de cada vez. (Abraham Lincoln)"

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Bella acordou antes de mim, como aconteceu nas três últimas semanas.

Eu me levantei da cama vazia, tomei um banho rápido e coloquei uma roupa antes de abrir a janela do quarto. A luz do sol veio fraca e a brisa um tanto gelada, mas com certeza era melhor que chuva e frio como tinha sido na última semana.

Eu saí do quarto e andei o corredor até o primeiro quarto à esquerda, onde eu sabia que ela estaria.

O quarto era branco e não muito grande, de um tamanho bom. Antes Bella e eu tínhamos achado tudo muito chato por ser branco demais, mas nas últimas semanas, com tanto tempo vago, Bella e eu resolvemos passar em algumas lojas com decorações para bebê e comprar coisas mais coloridas para nossa filha.

Isso a deixava mais feliz, porque parecia a única forma de podermos ficar próximos no da nossa filha depois que o tempo de visita tinha acabado.

Agora havia um berço branco enorme com uma cortina fina e clara, um colchão macio que Alice resolveu comprar junto com os lençóis rosa bebê cheio de detalhes coloridos. O cobertor lilás que Bella escolheu, nossa primeira compra para o bebê, estava ali também.

Nós pintamos a parede com um tom creme claro, o que deixou Bella bem cansada por quase dois dias. Isso porque eu nem a tinha deixado terminar a pintura depois que ela fez a primeira pausa pra descansar, aproximadamente dez minutos depois de começarmos.

Bella e Alice optaram por colocar um papel de parede cheio de desenhos infantis em uma parede e Esme veio com vários outros apetrechos coloridos para deixar pendurados no teto ou espalhados pelo quarto.

Também tínhamos o guarda-roupa branco de madeira ornamentada e um trocador de fraldas que era também uma cômoda, e tudo estava cheio com as roupas e presentes que todos os nossos familiares e amigos tinham nos enviado durante as semanas.

Ao lado do berço havia um sofá de dois lugares cor de salmão bem clarinho, cheio de almofadinhas rosa, algumas com o nome da nossa filha costurado. E era ali que Bella ficava quando acordava.

- Bom dia, meu amor. - Disse, me encostando no batente da porta para olhá-la.

Bella ainda estava de pijamas, o cabelo preso num coque frouxo enquanto ela encarava o berço com um olhar vago.

Ela pareceu acordar de um transe quando me ouviu e se levantou, esticando os braços na minha direção.

Eu entrei no quarto, mas optei por sentar na poltrona em que ela estava, a puxando pra sentar no meu colo.

- Você está bem? - Perguntei quando ela deixou um braço nos meus ombros e tocou meu rosto delicadamente com a mão livre.

Bella ainda estava pálida por causa da sua recuperação lenta pós-parto, mas eu sabia que ela ainda estava mais fisicamente abalada porque nosso bebê não estava aqui, onde deveria estar.

Bella estava lidando melhor com o fato de que nossa filha ainda estava no hospital, e aos poucos eu tentava tirá-la dos silêncios repentinos, das ondas de choro e do sentimento de culpa errôneo.

Seu rosto estava calmo, relaxado. Ela concordou com a cabeça, deslizando o polegar na minha bochecha. Um sorriso fraco brotou no seu rosto.

- Eu adoro sua voz de manhã. - Disse num sussurro.

Quando eu sorri, Bella sorriu também, um pouco mais forte que antes. Eu coloquei uma mecha solta do seu cabelo atrás da orelha e suspirei.

- Você pode me acordar quando você acordar. - Comentei. - Eu vou falar até você cansar de mim.

- Eu nunca me cansaria de você.

Nós ficamos em silêncio por alguns minutos, nos olhando. Bella se inclinou pra me dar um beijo de bom dia e sua expressão pareceu menos perturbada quando ela se afastou.

- Semana que vem Emily vai estar aqui. - Sussurrei quando sua testa encostou na minha. Eu a ouvi suspirar e me afastei para ver seus olhos, que brilharam de um jeito diferente. - E nós vamos ficar mais completos.

- Eu sei. - Sua voz ainda era meio tristonha, mas seus olhos brilhavam mais um pouco. - O que vamos fazer hoje?

- Podemos visitar Noah depois que vermos nossa filha.

Emmett me mandava uma foto do meu sobrinho quase todo dia, sempre pegando um ângulo engraçado ou uma pose bonitinha. Ele já estava visivelmente mais gordinho e maior, o que sempre arrancava sorrisos da Bella.

Bella concordou de novo, caindo no silêncio novamente, sua expressão diminuindo em uma seriedade preocupada.

- O que foi? - Perguntei, tocando seu rosto.

- Você acha que estamos fazendo algum progresso na amamentação?

- Claro que sim. Ontem ela pareceu bastante à vontade e não engasgou. Você viu como ela engordou?

Dessa vez seu sorriso foi fácil.

- Você acha mesmo que semana que vem nós podemos trazê-la?

Minha vez de concordar em silêncio.

- Vamos comer alguma coisa.

- Vamos sim. - Bella parecia menos distante agora. Ela sorriu de novo. - Eu te amo.

- Eu te amo também.

Bella's POV

Naquela quarta-feira, Edward acordou antes de mim.

Eu apalpei o colchão gelado ao meu lado e gemi quando percebi que ele não estava ali.

- Edward? - Chamei alto, abrindo os olhos e o procurando no quarto vazio. O banheiro também estava quieto e quando eu o chamei de novo, ele apareceu do corredor.

Seu celular estava grudado na orelha e seus olhos estavam acordados e animados, apesar das bolsas de quem não tinha dormido muito bem. Ele já não estava mais de pijamas e estava muito cheiroso.

- Bom dia. - Ele se inclinou sobre o colchão e demorou um beijo nos meus lábios.

- Quem é? - Perguntei, franzindo as sobrancelhas.

- Minha irmã. - Edward revirou os olhos antes de tentar sair do quarto de novo. - Claro que sim, Allie. Você falou com Emmett? - Edward me olhou tristonho quando eu segurei sua mão e o impedi de se afastar.

- Manda um beijo pra ela e volta pra cá.

Eu queria tanto que ele voltasse pra cama e que aproveitássemos mais um pouquinho aqui antes de sairmos para o hospital.

Seu rosto se contorceu numa careta e ele se abaixou pra me dar outro beijo, afastando o telefone do ouvido.

- Você me espera? Eu venho em dois minutos.

Eu quase ri quando ele se virou pra me olhar de novo antes de sair do quarto.

Não quis me levantar. Continuei escondida no cobertor e me agarrei no travesseiro que Edward usava.

Pensei na nossa filha no hospital e me controlei ao máximo pra não chorar, porque era muito emocionante saber que ela viria para casa hoje.

Minha filha, o dia inteiro nos meus braços. Eu poderia beijá-la a hora que eu quisesse, e tocar se rostinho com carinho toda vez que ela se mexesse minimamente. Eu estaria lá quando ela chorasse, eu trocaria suas fraldas e eu a amamentaria.

E eu a dividiria com Edward, é claro. Meu coração se esquentava quando eu me lembrava das vezes em que ele a pegou no colo no hospital. Eu queria chorar toda vez, mas não de tristeza.

Eu amava vê-lo com nossa filha nos braços. Eu amava o jeito que ele sorria quando ela abria os olhos, e como ele ficava mole quando ela segurava seu dedo com a mão pequena. Era mágico ver tudo aquilo nos seus olhos, tanto amor por nossa pequena.

Quando Edward apareceu no quarto, eu voltei a abrir os olhos. Estiquei os braços na sua direção e Edward se deitou de barriga para baixo ao meu lado, sorrindo. Seus olhos verdes me deixavam cada vez mais confiante de que tudo daria certo.

- Ela vem hoje. - Edward sussurrou. Segurou minha mão com a sua e levou meus dedos até seus lábios. - Vamos ter nossa primeira noite em claro, Bella.

Eu ri, tocando seu rosto.

- Eu esperei tanto por isso... - Sussurrei, sentindo o nó na minha garganta apertar. Desviei os olhos para nossas mãos juntas e funguei, tentando me controlar. - Depois de tanto tempo... Sem nosso bebê...

Edward me abraçou quando eu comecei a soluçar baixinho, nos sentando no colchão. Eu afundei meu rosto no seu peito, o abraçando com força.

- Eu ainda me sinto culpada por... - Tentei falar entre os soluços, sentindo Edward deslizar a mão pelas minhas costas numa tentativa de me acalmar. - Se eu não tivesse... Talvez ela não precisasse...

- Para com isso, meu amor. - Edward se afastou para me olhar, nivelando os olhos verdes nos meus. Seus dedos pegaram as últimas lágrimas que escorreram pelas minhas bochechas. - Nada foi sua culpa. As coisas tinham que acontecer desse jeito, e não há nenhum motivo pra desejar que fosse diferente. Nossa filha demorou pra vir pros nossos braços, mas veio. Um mês depois do que esperamos e ainda assim, três meses antes do esperado. Vai tudo ficar bem agora.

Eu sorri minimamente, enlaçando os braços na sua nuca e engolindo qualquer traço de tristeza para admirar toda a esperança e alegria que eu via no seu olhar.

Emily nasceria em dois meses se tivéssemos que esperar a gravidez completar corretamente, quase perto do meu aniversário. Mas ela veio três meses antes e nós tivemos que esperar um mês e uma semana até que ela estivesse boa o suficiente pra vir para casa.

Eu tentava ao máximo não me culpar por ter sido tudo mais apressado e em cima da hora, mas eu ouvia uma voz num canto distante da minha mente repetindo aos sussurros o quão fraca eu tinha sido por não ter completado a gestação. Eu me sentia principalmente culpada quando via Emily na incubadora nas primeiras semanas, tão pequena e obviamente frágil, magra. Na terceira semana, ela ganhou mais peso e Edward e eu mais liberdade. Ela finalmente parou de usar aparelhos para ajudar na respiração e foi para o berço. Nós conseguíamos ficar mais tempo com ela nos braços, e ainda que eu não tivesse em melhor forma, eu tentava fazer o máximo que podia sem deixar a fadiga me atingir. E quando eu comecei a amamentá-la, tudo que Edward dizia parecia fazer sentido e eu me enchia de esperança. Tudo ia ficar bem quando ela estivesse perto de nós.

Toda vez que o sentimento de culpa vinha, Edward me dizia as mais doces palavras e eu me sentia muito abençoada por ter um homem como ele na minha vida. Era tão emocionante olhar para trás e lembrar tudo que tínhamos vivido; todos os problemas, acidentes e confusões, e saber que nada podia realmente nos afastar um do outro.

Eu o olhei por algum tempo, analisando cada centímetro do seu rosto e desejando poder reconhecê-los na nossa filha assim que ela começasse a crescer.

- Eu nunca seria capaz de viver nenhuma dessas coisas sem você. - Sussurrei, mexendo no seu cabelo. - Isso é bem mais óbvio agora que temos uma filha juntos, mas... Eu digo sobre tudo. Tanta coisa mudou na minha vida, na sua... Nós passamos por tanto juntos... E agora vamos finalmente cuidar da nossa filhinha. Emily é o maior presente da minha vida.

- Da nossa vida. - Edward colocou uma mecha de cabelo minha atrás da orelha, ainda que fosse inútil considerando que o resto do cabelo deveria estar uma bagunça. - Não consigo parar de imaginar nosso futuro. Nós três juntos, todos os dias...

Concordei, me aproximando para beijá-lo. Seus lábios eram suaves nos meus, cheios de uma calma que relaxava meu corpo inteiro. Eu me afastei com um sorriso bobo nos lábios, vendo seus olhos grudando nos meus.

- Você não tem medo?

- Do quê? - Seu sussurro era quase preocupado.

- De trazer nossa filha pra cá e fazer algo errado, machucá-la ou... Ou não conseguir ajudá-la caso ela sinta alguma dor, ou engasgue, ou... Cuidar de um bebê é tão difícil, Edward! Eu tenho medo...

Edward sorriu, quase rindo. Ele parecia confiante.

- Nada de ruim vai acontecer, meu amor. Nós fomos muito bem treinados.

- Eu sei, mas a prática é diferente. E Esme está com Noah hoje. Quem pode nos ajudar caso algo aconteça?

- Nada vai acontecer. - Edward estava quase rindo de mim e eu suspirei em desespero.

- Mas e...

- Podemos chamar Charlie, ligar para o pediatra... - Edward me cortou gentilmente. - Meu amor, vai dar tudo certo.

Edward parecia tão convicto de que tudo daria certo que eu acabei relaxando um pouco.

Quando chegamos em casa, parecia que cada canto dali era tão novo pra mim quanto pra nossa filha.

Eu a tirei do bebê conforto, ainda me sentindo um pouco trêmula por tê-la finalmente nos meus braços, mas praticamente em lágrimas por poder segurá-la envolta em camadas de roupas e cobertores, ver seu rostinho descansado.

- Ela é tão linda. - Edward sussurrou atrás de mim, não se contendo em ver e tocando sua bochecha com a maior delicadeza. Sua mão era gigante próxima do seu rostinho.

Debaixo dos cobertores ela se mexeu, se ajeitando enquanto abria os olhos castanhos na nossa direção. Sua mãozinha escapou e eu a segurei. Aqueles dedinhos minúsculos e toda aquela delicadeza tocando minha mão. Emily era um tesouro.

- Eu sei... - Eu sentia algumas lágrimas se acumulando nos meus olhos, mas eu não ia limpá-las porque não queria perder nenhum segundo da sua mão segurando meu dedo.

Eu a amava tanto que era quase uma dor física.

Nós acabamos sentados no sofá por algum tempo, olhando-a piscar preguiçosamente e mexer a boca minúscula. Edward apontava cada detalhe do seu rosto com carinho e eu não conseguia parar de sorrir. Emily era tão doce, tão perfeita.

Seu rosto era redondinho, os olhos bem redondos e castanhos. Eu suspirava toda vez que ela mexia e Edward e eu caímos num abismo de suspiros quando ela bocejou. Tão lindinha que eu mal conseguia controlar o choro.

- Melhor levá-la para o quarto, não? - Edward sussurrou. Concordei com a cabeça, o olhando.

- Acho melhor você subir as escadas com ela... - Disse, sabendo que Edward queria pegá-la no colo.

Ele a pegou com destreza, encaixando-a nos seus braços com a maior facilidade. Seus olhos brilhavam e eu subi ao seu lado sem desviar os olhos dela por nenhum momento.

No berço ela se ajeitou e relaxou aos poucos, os olhos curiosos encarando nossos rostos pairando em cima dela. Emily não estava agitada e dormiu alguns minutos depois.

- A que horas...? – Edward começou a perguntar e eu o olhei. Ele estava roendo a unha do polegar, levemente preocupado.

- Temos que acordá-la em uma hora. – Sussurrei de volta, sorrindo com seu nervosismo.

- Bella... Ela é tão linda! – Edward sussurrou de novo, enlaçando minha cintura. Eu o senti beijar meus cabelos e não pude controlar as lágrimas de felicidade quando voltei a olhá-la ali, no quarto que nós montamos, perto de nós dois finalmente.

Por algum motivo eu me sentia mais calma, mais completa, mais... Mãe. Eu senti uma vontade de ficar ao seu lado o dia inteiro e eu faria qualquer coisa por ela. Não havia nada que eu não faria por Emily, eu podia afirmar com a minha vida. Ela era um pedaço meu e de Edward e eu não conseguia controlar o amor que eu sentia por ela.

Nós sentamos no sofá pequeno ao lado do berço e eu me aninhei no seu abraço enquanto olhávamos nossa filha. Edward mexia nos meus cabelos e beijava meu rosto de vez em quando, sussurrando comentários sobre como nossa filha ficava linda com aquela roupinha vermelha, ou sobre as caretas que ela fazia durante o sono.

Eu sabia que em poucas horas estaria extremamente cansada, mas não conseguia pensar na ideia de sair do lado de Emily. E eu sabia que podia contar com Edward, então relaxei e esperei o tempo passar até que pudéssemos acordá-la e começar o nosso futuro.


GUESS WHO'S BACK? BACK AGAIN! I AM BACK, TELL A FRIEND (guess who's back, guess who's back ~insira o resto do rap aqui~)

OLÁ!

SIM, ESTOU ALIVE AND KICKING! SIM! E EU POSTEI, SIM!

Primeiramente, eu gostaria de dizer que senti falta de postar nessa fic. Eu redescobri um amor por essa história e estou aqui para terminá-la decentemente! (espero)

Segund(amente): BOM FERIADO! Independente de vocês comemorarem páscoa ou não, eu desejo muitos chocolates em vossas vidas! (Se você não gosta de chocolate, desejo algo doce que você goste, rs)

Gente. Faz cinco anos que eu tô postando essa fic, isso é verídico? *pigarreio desconfortável*

Chegou a hora de mudar este quadro! (vou batalhar pra que isso não seja uma promessa de político, juro!)

Obrigada por todo o carinho sempre! Espero que estejam bem!

E até logo! (verídico também)

XxX :*