Nenhum personagem da Saga me pertence.


- Perdão todo esse atraso, mas perdi esse capítulo e tive que reescrevê-lo inteiro, além de que a viagem do feriadão não ajudou em absolutamente nada. Para dar uma compensadinha, juntei dois capítulo. Respirem fundo e boa leitura; nos vemos em breve (:

De Volta às Raízes


Está na hora de você saber a verdade sobre quem eu realmente fui.

.

Somos melhores quando conhecemos nossas origens


{R_POV}

E com aquela simples frase, ela me fez passar o resto daquela noite com as engrenagens do cérebro quase pifando por sobrecarga. Kate percebeu meu estado de espírito, mas eu me recusei a dizer-lhe sobre minha breve conversa com minha mãe para não ter que esquentar a cabeça com problemas numa noite como aquela.

Cassie estava sentada no sofá ao lado de Clarisse com um boneco do Yoda em tamanho real. As duas pareciam animadas enquanto conversavam sobre gravidez; se minha prima preferia parto normal ou cesárea, como um doía antes e o outro doía depois, como... Bem, prefiro pular essa parte. Lílian estava perto delas tentando participar de todas as conversas ao mesmo tempo que tentava proteger sua taça de vinho de um Jonathan que a cada mínima oportunidade a enchia novamente; o motivo de ele tentar embebedar a mãe em pleno Natal simplesmente não me ocorria.

Fomos embora perto das duas da manhã, quando eu literalmente fugi dos pedidos de Cassie para me juntar ao coro natalino. Na volta para casa, meus pais não comentaram nada sobre meu suposto "presente" e eu preferi deixar por isso mesmo.

Nos dias que se seguiram, eu e Kate parecíamos gêmeos siâmeses. Mas tentávamos não ficar com muitas intimidades quando a Padawan estava por perto para não ficar um clima chato. Só que essa dita Padawan tinha mania de soltar frases inapropriadas como "Meu Deus, vocês estão se comendo com os olhos de novo" ou "Será que não poderiam ter um pouco de consideração com as pessoas encalhadas?" e "Isso é constrangedor!". Constrangedor era tê-la recitando essas coisas com um sorrisinho malicioso e as sobrancelhas arqueadas.

Eu me perguntava onde estariam os parentes de Cassie, uma vez que ela não falava nada sobre eles ou o que estariam fazendo nesse momento. Não que eu quisesse que ela fosse embora, longe disso, eu realmente tinha me apegado àquela garota doida, mas eu estava curioso. Sua estadia na casa dos Wellington durou mais dois dias depois do Ano Novo. Levei ela e Kate ao aeroporto de Seattle e as duas choraram rios de lágrimas, me fazendo rolar os olhos internamente, prometendo que manteriam contato e sempre estariam lá uma para a outra. Eu ainda não entendia como as mulheres eram capazes de criar e desfazer laços de amizade "eternos" com tanta facilidade.

- Eu não aguento mais. - Clarisse resmungou assim que abriu a porta da casa que ela e John haviam hipotecado.

- O que houve? - Kate assumiu seu modo de 'tia-cunhada-irmã-super-extra-protetora'. - Está tudo bem?

- Essa barriga pesa como o inferno. Olhe isso.

Ela puxou a mão de Kate e as duas ficaram um instante em silêncio, antes de saltarem.

- Que lindo!

- Lindo porque não é você que está sendo chutada o dia inteiro nos últimos meses. - certo, minha prima era um tantinho quanto dramática quando queria.

E então as duas começaram um acalorado diálogo sobre mais gravidez, mais maternidade, mais nomes e seus significados, mais tipos de partos... e me deixaram parado na soleira da porta, rodando a chave do carro entre os dedos para me entreter e ouvindo tudo aquilo. Eu juro, aquela conversa só me fazia acreditar ainda mais o quanto eu não queria filhos. Pigarreei chamando a atenção das duas.

- Bom, eu já vou.

- Já? - Clarisse e Kate arregalaram os olhos.

- Tenho um teste sobre planilhas e tabelas de lucro daqui a pouco. Se eu não for bem, vocês irão me buscar em pedaços no escritório da minha mãe. - beijei a bochecha de Clarisse e dei um beijo rápido em Kate antes de ir embora.

Também não podia esquecer que o exame da universidade de Seattle seria dali três dias. Kate tentava não demonstrar, mas eu sabia que ela estava quase pirando enquanto tentava enfiar mais alguma matéria na cabeça. Nesses momentos, eu saía de seu caminho alegremente, pois ninguém queria que ela passasse naquela prova mais do que eu mesmo.

Desgraçadamente, encontramos com Julie Evans no corredor escuro da sala de cinema de Port Angeles. Kate ignorava firmemente os olhares mortais de Evans, mas eu não consegui ignorar minha raiva quando uma saraivada de pipocas caiu sobre Kate numa demonstração ridiculamente infantil de Julie. Ela estava sentada duas fileiras atrás de nós, então não tinha nenhuma maneira no inferno que eu a alcançaria antes de o lanterninha chegar em mim, mas ainda assim arrisquei minha chance.

- Me desculpe. - pedi assim que estávamos no pátio. Pois é, eu disse que não havia chance de pular na jugular de Evans sem ser pego antes.

- Pelo quê? - seus olhos brilharam. - Eu já tinha me esquecido de como era divertido ser escoltada como uma criminosa para fora do cinema.

Apenas a olhei, tentando dizer-lhe com o olhar que ela era maluca.

- O que foi? Parece que você ainda não aprendeu que é inumanamente impossível passar uma sessão inteira ao lado de Jonathan sem conseguir um acerto de contas com uma boa guerra de pipoca. Aquele garoto é simplesmente irredutível com tradições, e guerra de pipoca não é uma excessão.

Como nossa escapada ao cinema não deu muito certo, nós caminhamos por algumas quadras até acabarmos acidentalmente em frente ao Boliche. Eu achava que era ruim no boliche, mas descobri que Kate era centenas de vezes pior! Comprovei isso ao observá-la tentar jogar a bola com as duas mãos e quase derrubar todo aquele peso nos pés e agradeci internamente por termos saído da experiência inteiros e sem machucados. Comemos pizzas gordurosas acompanhadas de cervejas de raiz* e até fiquei surpreso que não rolamos pista abaixo em direção aos pinos, talvez conseguindo o tão desejado strike que nunca veio.

*Root Beer: comumente chamado assim na América, é um tipo de refrigerante espumante obtido a partir de algumas raízes de árvore.

- Eu sinto que vou explodir. - Kate reclamou enquanto massageava a barriga. - Não aguento nem me mexer.

- Eu bem que tentei te avisar que ninguém ganhava de mim em competição de quem-come-mais. - sorri, mas o sorriso morreu assim que tentei me levantar do chão. Céus, chamem o guincho. - Se bem que você me surpreendeu. Quem diria que alguém tão magricela conseguiria comportar treze pedaços de pizza no estômago?

- Descobri que não consigo. - ela riu das minhas tentativas de levantar. - Percebi isso depois do décimo pedaço. Confesso que fiquei com inveja ao vê-lo mandar o décimo quinto para dentro. Para onde vai toda aquela gordura?

Ela começou a cutucar as minhas costelas e depois o abdomên, me fazendo rir e enviando espasmos dolorosos ao meu estômago.

- Mundo injusto! Vai tudo para os seus músculos, enquanto que para mim, aquela gordura horrível vai toda para as coxas e a bunda.

Parei de rir e me controlei antes de dizer que eu não me importava nadinha com isso. Até que gostava bastante desse fato.

No dia do exame de Kate na Universidade de Seattle, estacionei em frente à casa dos Wellington com a Mercedes. Meu pai decidiu que meu castigo consistia em não "tocar no volante do Beemer*" e, como o exemplo de filho que eu sou, convenci minha mãe a trocar de carro comigo para que eu sequer sentasse atrás do volante quanto mais o tocasse. Mas, para não abusar muito da boa vontade do meu pai, pedi que Lílian dirigisse até Seattle.

*Beemer: nome usado para modelos da BMW.

- Por que eu tive que dirigir?

- Digamos que eu não esteja autorizado a fazer isso pelos próximos sete dias.

- O que você fez dessa vez?

- Por que todo mundo simplesmente deduz que eu fiz algo errado?

- Não faça essa cara de vítima, porque você está longe de ser uma. - Lílian retrucou e eu voltei a jogar a cabeça contra o assento traseiro do carro. - Sua mãe já me contou histórias demais para acabar com a sua imagem de santo.

- Ela ama denegrir a minha imagem, o que eu posso dizer? Mas eu não sou esse monstro que eles pintam. Acho que se eles tivessem mais um filho ou dois, eles até poderiam me comparar, mas sem essa base de comparação, como eles podem dizer que eu sou o pior filho do mundo?

- Ela não disse que você é o pior filho do mundo. Só o pior filho de Forks.

- Tem diferença?

- Na verdade não. Só quis te consolar.

- Não conseguiu, sogrinha.

Lílian estava jogada no banco do motorista e eu estava deitado no banco de trás. Conversamos sobre absolutamente tudo para espantar o tédio enquanto esperávamos Kate terminar a prova. Ela me contou que não estava muito satisfeita com a decisão de Kate em encerrar seus estudos no Colorado - eu tive que fingir que concordava com aquela irresponsabilidade, mesmo tendo adorado que ela estivesse de volta -, mas confessou que estava muito feliz que ela estivesse tentando estudar mais perto, pois se sentia muito sozinha na casa. "Eu estou sofrendo a droga da Síndrome do Ninho Vazio, e daí?", ela se queixou, "Meus filhos resolveram abandonar o barco e cair no mundo ao mesmo tempo, me deixando sem o som das risadas e das brigas... E ainda me chamam de exagerada! Pode uma coisa dessas?".

Na verdade, eu estava imaginando a reação que a minha própria mãe teria quando eu decidisse alçar voo. Ela conseguia ser bem dramática quando lhe convinha.

- Mesmo com a culpa toda sobre mim, eu prefiro continuar sendo filho único.

- Danny também não queria mais de um, mas eu insisti em dar um irmãozinho ao Jonathan.

Danny?

- Quem é Danny?

- Meu marido. - ela respondeu. - Nunca te contei sobre o Christopher antes?

Christopher?

- Não era Matthew?

- Daniel Christopher Matthew Wellington. - enruguei o nariz e ela riu alto. - Filho único e os pais decidiram "homenagear" o pobre coitado com os nomes do pai, do avô e do bisavô, sem se importarem com a beleza ou a coerência. Eu o chamava de Matt, Chris ou Danny, embora ele sempre tenha gostado mais do último.

Absorvi aquilo. Coitado do homem com um nome desses.

- Jonathan pediu um irmão? - aquilo eu não entendia, o máximo que eu já tinha pedido era um cãozinho e ainda assim meus pais não me deram um de aniversário. Acho que eu jamais pediria um bebê para dividir as minhas coisas e o pouco de atenção que eu conseguia obter dos meus pais.

- Não, mas eu queria dar a ele o melhor presente que se pode receber. Um brinquedo quebra fácil, um animal perde a graça rapidamente, mas um irmão... Um irmão para cuidar e ser cuidado. Para rir, brigar, chorar, amar. Para quem não os conhecem bem, parece que Jonathan é um frio que odeia a irmã mais nova, mas eu sei melhor. Eu os vejo quando estão rindo e brincando, eu vejo quando John carrega Kate para a cama depois que ela dorme de tanto chorar porque seu galã idiota morreu no filme que eles estavam assistindo, eu o vejo dar-lhe um beijo na testa todas as noites para desejar-lhe bons sonhos, eu vejo ela aquecendo leite com mel ou raspas de laranja quando ele não consegue dormir direito... Daniel entendeu o que eu quis dizer assim que viu o pequeno sendo todo protetor com a irmã mais nova e você também vai entender quando tiver os seus próprios filhos.

Suspirei e voltei a deitar. Por que todo mundo simplesmente supunha que eu teria meia dúzia de crianças barulhentas e pirracentas? Nunca lhes ocorria que talvez eu realmente não quisesse ter filhos?

Logo Kate estava de volta. Todo o nervosismo que a acompanhou nos últimos dias estava, finalmente, extinto.

- E como foi lá, minha filha?

- Sinceramente? Não quero me gabar, mas acho que eles poderiam ter dificultado muito mais. Os resultados chegam apenas daqui dois dias, mas eu tenho mais de noventa e cinco por cento de certeza de que eu serei mais uma das universitárias de Seattle!

A comemoração da possível aceitação foram adiadas a pedido meu. Como nos 'velhos tempos', Kate e eu nos trancamos no meu quarto e fiz questão que ela lesse as datas do diário que eu havia lido sozinho quando ela estava no Colorado, pois queria terminar logo com aquilo - era reconfortante saber que eu estaria voando para Londres sabendo talvez até mais que minha própria mãe quando o assunto era a vida dos pais dela.

- Ainda não encontrei nenhuma razão lógica que levasse sua mãe a se separar deles dessa maneira. - Kate ergueu os olhos das páginas quando terminou de ler sobre as fofocas de minha avó. - Esse casal é tão... Hum, não me vem nenhuma razão para o afastamento.

- Só leia. - sorri ao relembrar que essa era minha frase quando ela insistia em parar a leitura para comentários nos momentos mais inoportunos.


{B_POV}

Julho, 23. 1966.

Eu simplesmente me sentia incapaz de processar qualquer informação vinda de Ephraim Black. Estranhamente, sentia como se os sons tivessem se ausentado, enquanto eu apenas observava aquele senhor de pele avermelhada e barba perfeitamente aparada, sua boca rósea abrindo e fechando ao mesmo tempo que jorravam coisas que eu não conseguia ouvir.

Era como se uma granada tivesse explodido muito perto de mim, fazendo aquele tinido irritante ribombar diretamente dos meus tímpanos para o meu cérebro. Apesar de estarmos caminhando perigosamente por uma guerra vietnamita e, fugindo do conhecimento de alguns americanos, a Guerra Fria* estar em curso, era surreal imaginar uma granada em Forks. Mas aquela sensação era inquietante e começou a se tornar assustadora à medida que eu olhava os belos rostos dos meus amigos e familiares que antes estavam comemorando aquela ocasião especial se tornarem lívidos, formando diferentes caretas conforme ouviam o que Ephraim tinha a dizer.

*Guerra Fria era considerada assim por não ter existido uma guerra bélica ou "quente". Conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética (1947-1991).

Ainda olhando os convidados, captei o movimento apressado de Edward. Ele entregou com extremo cuidado o pequeno bebê que estava embrulhado em uma manta, dando-o à Clarisse Clearwater-Black e voltando ansioso para mim. Senti seus braços me envolverem e, apesar de não entender o gesto, aceitei.

- Está tudo bem, meu amor. - ele dizia vez após vez, como um mantra. - Você está bem, Bella, eu te peguei.

Foi aí que eu voltei a ouvir e sentir gradativamente as coisas ao meu redor, bem como o calor que emanava do corpo de Edward.

- O que houve? - perguntei estupidamente. - O que há de errado?

Edward se afastou ligeiramente e me olhou com incredulidade, como se questionasse minha sanidade mental.

- Senhora Cullen! A senhora ouviu o que acabei de dizer? - Ephraim ralhou em algum ponto atrás de mim e Edward o olhou feio, repreendendo os modos do outro. - Olha, é horrível que eu tenha que trazer notícias ruins em um dia tão especial como este, acredite. Seu pai, Charles, pediu que eu entregasse isto à senhora.

Ele me estendeu um pedaço de papel cuidadosamente dobrado. De repente, eu não queria pegar aquilo de suas mãos, mas ele continuou me estendendo o papel e eu não tive escolha. Vendo minhas mãos trêmulas, Edward me ajudou e o desdobrou, lentamente revelando a caligrafia de Charlie, que era levemente inclinada para a direita.

Isabella,
Estou ciente de que você não queira tocar nessa carta escrita por mim, mas ainda assim espero que o faça.

Antes de tudo, quero que saiba que isto não é um pedido de desculpas. Não me arrependo de nada e, se tivesse que tomar as decisões novamente, eu não mudaria nada exceto o dia em que eu a deixei sair da minha vista naquele carro com Hastings quando, infelizmente, você perdeu seus filhos. Não digo que me orgulharia em chamá-los de netos, mas conheço o buraco que um filho deixa na vida de seus pais.

Também não sei exatamente o motivo em enviar-lhe essa nota quando passei os últimos oito anos a ignorando completamente. Acho que eu deveria remetê-la à Renée, mas sei que as chances de ela ler isso seriam quase nulas e eu realmente quero que alguém saiba os motivos que me levaram a fazer... Bem, vamos por partes.

Sim, eu sei que fui frígido, egoísta, orgulhoso, inescrupuloso, corrupto, preconceituoso, ignorante, arrogante e amargurado durante quase toda a minha vida. Pode adicionar mais alguns adjetivos ruins, eu não me importo. Sei que não fui o melhor exemplo de homem que você teve. Um empresário que já fez absolutamente tudo o que você possa imaginar para chegar onde queria, um pai que nunca demonstrou amor ou qualquer tipo de afeto, um marido violento e possessivo, além de um homem que nunca se deixou abater pelas coisas que aconteceram ao seu redor - muito menos quando viu o pai se matar.

Mas se você está lendo essa nota, significa que eu não sou mais assim. Não seja tola, menina pequena, não estou dizendo com isso que mudei todos os meus conceitos e encontrei a paz que todos buscamos ao adotar uma religião - nunca fui religioso quando mais novo e jamais o seria depois de velho. Quando digo que não sou mais aquele sujeito, é porque não resta mais vida em meu corpo.

Se você leu até aqui, creio que pode ler um pouco mais, vamos lá.

Não se pergunte como eu morri - ainda é estranho falar de mim mesmo como um cadáver, mas posso superar isso -, embora Ephraim Black irá espalhar a notícia pelos quatro cantos do mundo. O velho é um fofoqueiro ímpar. Talvez o motivo pelo qual esteja lhe escrevendo isso é que eu queria ter certeza de que Renée irá se lembrar de mim todos os anos em que for comemorar o aniversário de sua segunda união. Sou egoísta demais para deixá-la seguir em frente como se eu nunca tivesse existido.

Seguir em frente. O que diabos é isso? Vocês duas superaram os vinte anos que vivemos como família com tanta facilidade que assombrou até mesmo a mim quando entendi que havia sido deixado no passado. Sei que parece uma reclamação, mas juro que não é.

Apesar de todos os meus preconceitos contra Edward Masen Cullen, devo alertá-la que você nunca encontrará um homem como ele. Não estou puxando para o lado sentimental da situação, mas quero dizer que por baixo da fachada cavalheiresca e gentil, existe um exímio manipulador obstinado a conseguir tudo o que deseja. Peça ao seu marido para falar em italiano e observe sua reação. Ou se ele estiver lendo ao seu lado, o que é mais provável, observe sua expressão agora.

Olhei para Edward de relance e ele continuava com o semblante impenetrável.

- Italiano? - perguntei tentando ignorar as palavras "morte" e "cadáver" contidas naquela carta.

- Falamos sobre isso mais tarde.

E por último, certifique-se de que Renée saiba que eu estou desistindo de seguir em frente ou, melhor, estou "interrompendo" minha vida; é um drama desnecessário, mas do qual eu não abro mão. Quero que aquela mulher tenha uma lembrança ruim sempre que pensar em comemorar as bodas com seu novo marido.

Menina, sei que nunca disse isso, mas você se tornou uma mulher muito melhor do que um dia eu imaginei. Mesmo não tendo o direito, eu me orgulho de você.

Não sei como terminar uma carta como essa, então releve minha falta de sensibilidade com o desfecho.

Adeus, sem remorsos,
Charles Swan.

E então, as sensações novamente foram sumindo enquanto meus membros se tornavam torpes. O chão estava desaparecendo sob meus pés e as paredes do pequeno salão começaram a girar como um carrossel de parque de diversão.

- Bella!

Foi a última coisa que eu ouvi antes da escuridão me engolir completamente.


{E_POV}

Como ele ousava? Depois de oito anos sem nem olhar nos olhos da filha, o homem manda a ela uma carta dizendo que tinha se matado. Eu não entendia como a mente humana funcionava, mas eu tinha certeza de que Charlie devia ter alguma doença.

Bella ficou mais pálida que o normal e desmaiou em meus braços. Esse foi o ponto alto e as pessoas da festa começaram a perguntar o que estava acontecendo e todas queriam oferecer ajuda simultâneamente, me deixando desnorteado. Emmett apareceu ao meu lado e abriu caminho para que eu pudesse levar Bella até uma das mesas mais afastadas.

- Por favor, senhoras, dêem um pouco de espaço. - ele exigiu e usou do seu tamanho para colocar algum espaço entre os curiosos e nós.

Renée não parecia muito diferente da filha e estava conversando com Ephraim e Clarisse.

Tudo o que eu queria era o bem da minha mulher, então eu a vigiei o tempo todo depois que ela acordou e procurou saber sobre o pai. Não tinha ideia de como as coisas haviam acontecido, mas no fim da tarde nós estávamos na sala de espera do hospital em que Carlisle trabalhava. Como o lugar era relativamente pequeno, eu conhecia boa parte das enfermeiras e da equipe médica, mas naquele momento os rostos simplesmente passavam em branco por mim.

Meu pai apareceu no corredor e, apenas olhando sua expressão contida, eu sabia. Charlie estava morto.

- Senhora Dwyer, poderíamos te alguns minutos à sós? - ele pediu com uma formalidade que foi dispensada por Renée.

- Estamos em família, Carlisle, apenas me diga quão ruim é a situação.

Todos prendiam a respiração e eu apenas mantive meus braços em volta de Bella, aguardando a notícia.

- Depois de escrever a carta para Bella, Charlie pretendia se enforcar na floresta, mas Billy Black descobriu tudo antes. Enquanto o pai de Billy foi até a festa de seu noivado com Philip, Billy correu até Charlie para tentar impedí-lo. Após uma discussão acalorada, o Sr. Swan pegou uma das caminhonetes e tentou sair para a estrada. Segundo Billy, ele conseguiu sentar no banco passageiro e tentou dissuadir Charlie de fugir para qualquer lugar, mas tudo foi em vão. Parece que Charlie jogou o carro para cima de uma árvore propositalmente e, devido ao excesso de velocidade, ele morreu na hora.

As imagens iam se formando na minha mente aos poucos e eu me sentia cada vez mais atordoado. Bella não demonstrou nenhuma emoção enquanto via Renée tremer e chorar descontroladamente.

- Billy ainda está sob observação. Ele teve uma leve concussão, um braço quebrado e... Ao que tudo indica, ele perdeu o movimento das pernas quando elas ficaram presas nas ferragens. - meu pai continuou com um suspiro pesado. - Não sabemos quando ele voltará a andar ou se um dia conseguirá tal feito.

Renée abraçou Clarisse e lamentou o ferimento do marido dela. Eu mesmo não conseguia fazer nada, assim como Bella.

- Como você está? - perguntei baixinho.

- Eu não sei. É tudo tão confuso. - ela suspirou. - Mas não estou triste, acho que tudo está se transformando num vazio. Não sei se um dia vou sentir falta dele e esse pensamento está me matando... Eu sou uma filha horrível, não sou?

Na verdade, ele é que tinha sido um pai horrível, mas aquela não era a hora de falar isso. Charlie estava morto no fim de tudo.

A festa de casamento entre Renée e Phil acabou sendo um fiasco e Forks inteira só sabia falar sobre o suicídio do Sr. Swan. Os dias que se seguiram, passaram como um simples borrão e, em nenhum momento, Bella pareceu estar infeliz com o destino do pai, ela só parecia condoída com a situação de Billy. Ele não conseguira recuperar nenhum movimento das pernas e as chances caíam cada vez mais, até que ele enfim aceitou que jamais poderia se locomover sem sua cadeira de rodas.

- Preciso vender aquela minha caminhonete estúpida. - ele comentou simplesmente enquanto apontava para uma Chevy '52 de um vermelho que estava começando a desbotar. - Aquele monstro é inútil para mim agora.

Pelo canto do olho, percebi o olhar fascinado que Bella deu ao veículo.

- O que foi?

- Ela é linda.

- Sério? - eu não acreditava que ela estava demonstrando sentimentos por uma lata de mais de dez anos. Bella nunca se interessara por nenhum carro.

- Podemos ficar com ela? Por favor?

Quando eu fiz aquele biquinho ao pedir para termos mais dois cachorros, ela firmemente me disse que não. Mas eu jamais conseguiria fazer o mesmo quando seus olhos estavam tão brilhantes e cheios de vida. Levamos a 'Monstra' por um preço razoável e Bella gastou dois dias para tirar o cheiro de tabaco e menta dos assentos - que, por sinal, não saíram completamente. E ela arrumava qualquer desculpa para ir até Forks só para poder dirigir a caminhonete, então eu estava bem com isso.

- E se fizermos uma segunda lua-de-mel? - sugeri assim que a vi entrar no meu campo de visão, vestindo apenas uma camisola.

Nossa 'primeira' lua-de-mel não foi muito convencional. Já estávamos casado havia quase cinco anos e decidimos tirar férias por quase dois meses. Visitamos todos os lugares com os quais Bella sonhava desde que era menina e tiramos fotos em diversos pontos turísticos americanos. Se ela concordasse, poderíamos embarcar em uma segunda viagem, só que desta vez seriam os meus lugares preferidos na Inglaterra. Eu poderia mostrar a ela Glawstonbury ou Stonhege, visitaríamos a Ponte do Milênio, o Palácio Westminster, a Catedral de São Paulo e tantos outros pontos que marcaram minhas pequenas viagens na adolescência.

- Está falando sério, Edward? - ela sorriu enquanto se aconchegava ao meu lado. - Por que se isto for uma brincadeira, vou acusá-lo por criar falsas esperanças.

- Eu poderia viajar para todo e qualquer lugar pelo resto da minha vida se você fosse comigo.

Ela me olhou divertida.

- Qual o roteiro, senhor Cullen?

Coloquei dois dedos no seu joelho como se fossem pequenas perninhas e, enquanto ia "andando", falei baixinho:

- Começaríamos por Londres... - subi para sua coxa. - Em seguida iríamos para Chelmsford... - subi para o quadril. - Então chegaríamos em Colchester... - passei os pézinhos sobre sua barriga e através do peito arfante. - Depois Ipswich... - lentamente deslizei em seu pescoço e cheguei ao queixo. - Felixtowe e então Harwich... - capturei seus lábios com os meus depois de sussurrar: - E o que me diz sobre velejar no pôr do Sol nas águas do Canal Inglês que banham Clacton-on-Sea?

Bella não conseguiu formar nenhuma frase coerente, mas seus beijos e carícias me deixaram saber que ela tinha totalmente aceitado nosso novo roteiro.

- Como assim? Vocês vão para onde? - Emmett arregalou os olhos para mim.

- Viajar, Emm. Você sabe o que é isso?

- Não. - ele replicou com aborrecimento. - Não sei porque eu não tenho feito isso nos últimos anos! Droga, Rosalie anda entediada.

Jasper começou a rir no canto mais afastado, fingindo se concentrar em uma pilha de contratos.

- Ela é a "Rainha do Gelo", Emmett. Ela vive entediada. - Jasper era muito óbvio às vezes. Mesmo eu não sendo o irmão de Rose, eu sabia disso.

- Para a sua informação, ela é muito quente.

Eu tive que rir da careta de Jazz.

- Sim, claro. Pelo visto, quem não é quente é você.

- Ah, cale a boca, cabelo de miojo!

- Cale você, só a Belly me chama assim!

- E só eu chamo ela assim!

Minha cabeça chicoteava entre um e outro enquanto eles ficavam retrucando como crianças. Quem os visse em reuniões formais com outros empresários jamais imaginaria que os dois eram pirracentos.

- Eu conheço a Belly tem mais tempo que você, gigante!

- E daí? Ela me ama mais, caubói!

- Isso é mentira! Ela ama mais a mim! Você é uma dor no traseiro dela.

- Jazzy, eu sou o preferido da Bellinha, admita.

- Ela me ama mais do que ama você.

Estava na hora de acabar com a alegria da criançada.

- Calem-se os dois. - suspirei entediado. - Ela ama mais a mim, esqueceram? Eu sou o preferido dela.

- Estraga-prazeres. - os dois resmungaram antes de me darem as costas e seguir conversando sobre esportes, até que Emmett gritou no fim do corredor: - E, a propósito, estamos te ignorando, chefinho!


{B_POV}

Eu ia sentir falta do meu pai, isso era inevitável, mas arruinar a festa de casamento da minha mãe foi simplesmente imperdoável. Depois de todos os anos que ela foi obrigada a passar ao lado dele em completa infelicidade... E quando ela finalmente estava escolhendo compartilhar a vida com alguém que a merecia, Charlie reapareceu. Phil ficou em silêncio o tempo todo, mas eu sabia que ele estava preocupado com a sanidade de Renée, que tinha se quebrado ao ouvir que meu pai estava morto.

- E você ainda chora por ele. - murmurei fazendo carinho em suas costas.

- Apesar de tudo, eu não queria isso para ele, sabe? - ela fungou. - Aquela mulher, Sue, parecia ser o tipo de pessoa que poderia reerguê-lo.

- Mãe, acabou. Não tem volta. Charlie se foi.

Quando as coisas estavam enfim voltando à normalidade e Renée já parecia ter superado a morte de Charlie, eu a deixei seguir para sua nova vida. Phil tinha arrumado uma casa amarela adorável para eles em Jacksonville, um lugar ensolarado e a poucos minutos do oceano, como minha mãe sempre sonhou. Eu sentia como se uma parte de mim estivesse preso dentro da única mala de Renée quando a observei se ajeitar no banco do passageiro.

Nossa despedida tinha consistido em um "Até breve" e mais nada, mas eu não estava satisfeita com isso. Corri até a janela aberta e me debrucei de qualquer jeito para conseguir plantar um beijo estalado em sua bochecha.

- Eu te amo, mamãe. Sempre amei.

Renée chorou copiosamente e agarrou meu pescoço, quase me sufocando. Precisei pedir a ajuda de Edward para me livrar dos braços dela enquanto nós duas chorávamos e prometíamos que logo nos veríamos de novo.

- Ela vai ficar bem. - Edward me apertou contra seu corpo.

- Será que ela vai se lembrar de pagar as contas? E se ela esquecer de alimentar os peixinhos de Phil? Oh, meu Deus. As plantas vão secar!

Edward riu.

- Amor, sua mãe é adulta e está casada. Phil vai cuidar dela agora.

- Para o bem dele, é bom que o faça.

- Então... - ele começou no tom dengoso que já me derretia em antecipação. - Agora que está tudo certo, podemos sumir de vista por mais dois meses, não é? Sim, senhora Cullen, eu acho que vou roubá-la por oito semanas.

- Por favor.

- Só que eu posso não devolvê-la...

E foi o que fizemos. Deixamos Jasper e Emmett tomando conta dos negócios, mas tivemos que barganhar: Depois da nossa viagem, Emmett iria com Rosalie e em seguida seria a vez de Jasper e Alice. "Só que nós só vamos ficar por duas semanas", Jazz afirmou decidido, "Ou Molly e Henry irão enlouquecer o vovô Carlisle e a vovó Esme!".

Voamos até Londres e alugamos um carro confortável o bastante para nossa viagem. Descobri que Edward conseguia ser tão teimoso quanto eu ou mais.

- Edward, você dirige e eu sou a navegadora. - tentei puxar o mapa das mãos dele e fracassei. - Me dá isso!

- Bella, sério, você estava olhando o mapa de ponta de cabeça! Como quer que eu confie em você para indicar a direção de qualquer lugar?

- Edward...

- Não.

- Edward...

- Eu vou olhar o mapa e vou dirigir.

- Edward!

- Nem vem, meu amor.

Bufei e abri a porta. Ele perguntou o que eu estava fazendo, mas não respondi e comecei a caminhar. Ele dirigia o carro lentamente ao meu lado e me pedia para entrar, enquanto eu apenas recusava e tentava continuar séria quando, na verdade, queria rir da impaciência dele.

- Entra no maldito carro, Isabella!

- Não é o que eu quero ouvir.

- Isabella Cullen, se eu for te pegar...

- Não é o que eu quero ouvir. - repeti e continuaria repetindo até ele ceder.

- Se eu descer desse carro...

- Não é o que eu quero ouvir.

- Eu te amo mais que tudo nesse mundo!

- Isso foi doce, mas não é o que eu quero ouvir.

Ele suspirou e finalmente se rendeu.

- Suba à bordo, navegadora. - triunfante, sentei no meu banco e puxei o mapa do seu colo com o meu sorriso mais sacana para irritá-lo. - Quais as coordenadas, milady?

- Não precisa exagerar, querido.

- Se você ler esse mapa corretamente desta vez, - ele começou num tom implicante. - e nós chegarmos a algum lugar decente... Hoje à noite, no hotel, você está muito encrencada, senhora Cullen.

Então, dessa vez, eu leria o mapa certinho, contando os minutos para chegar em qualquer pulgueiro à beira da estrada.

Setembro, 13. 1968.

Dez anos. Hoje esse diário está "comemorando" dez anos... Meu Deus, como o tempo passa rápido!

No meu aniversário de vinte e oito anos, todo mundo se reuniu. Não que não estivéssemos sempre juntos, mas desta vez teríamos os Black e Jamie Hale McCarty, o primeiro filho de Rosalie e Emmett... Pois é, a cegonha apareceu para o meu irmão mais velho depois de inúmeras tentativas frustradas do casal e eu estava tão feliz por eles!

- Feliz aniversário, Belly! - a voz de Emmett trovejou assim que ele apareceu em casa com um Jamie quase dormindo no colo.

- Emm, se você fizer o bebê chorar...

- Relaxe, Rosie. Eu sei que se eu o acordar, será minha obrigação fazê-lo dormir.

Ela balançou a cabeça e veio ao meu encontro com um sorriso enorme.

- Está ficando velha, Bella.

- Lembre-se que você é mais velha que eu, Rose. - brinquei ao abraçá-la e recebi um pequeno embrulho. - Não...

- Sim, eu sei que não precisava, mas eu comprei mesmo assim. É a sua cara!

Era um par de brincos com duas safiras pequenininhas em cada um. O presente era lindo e eu o coloquei na orelha na mesma hora, surpresa por ter gostado.

- Onde está o meu sobrinho preferido? - peguei Jamie no colo e mexi com seu cabelinho louro e enroladinho, ele deu um sorriso fraco mas que marcou as covinhas herdadas do pai.

- Eu sou seu soblinho plefelido, tia! - a vozinha esganiçada de Henry me pegou desprevenida e eu cambaleei quando o toco de gente agarrou minhas pernas.

- Henry Cullen! Cuidado!

- Diculpa, mamãe.

- Depois que inventaram a palavra 'desculpa'... - Alice começou com um sorriso bobo enquanto trazia um embrulho enorme. - Este é para a minha irmãzinha. Fizemos com todo o carinho, então não faz essa carinha, por favor.

Entreguei Jamie para Rosalie e abracei Molly e Henry rapidamente, plantando beijos barulhentos em suas bochechas e arrancando risinhos baixos. Peguei o presente e comecei a tirar a fita com uma lentidão exagerada e fui revelando a moldura simples de um quadro. Quando o olhei por completo, meus olhos marejaram enquanto eu lia palavras como 'amamos você' e 'tia mais perfeita do mundo' e via os desenhos infantis de Molly ou alguns rabiscos coloridos feitos por Henry. No final, estava o nome dos dois e ainda tinha o de Jasper e de Alice.

- É lindo! - sorri percebendo uma frase lá no finalzinho: "Você me ama mais, né, Belly?" - Jasper!

- Sim, senhora?

- Isso é golpe baixo, caubói.

- Eu sei, madame, mas eu não resisti. - ele me deu um abraço apertado e, com os braços ao meu redor, me virou para encarar todos os convidados que estavam aglomerados na sala imensa da casa que tínhamos reformado há anos atrás. Ele falou com uma voz séria. - Olhe só para isso, Bells. Algum dia você imaginou que nós encontraríamos pessoas tão especiais e formaríamos uma família tão barulhenta como essa?

- Nunca, Jazz. Nunca imaginei que as coisas pudessem dar tão certo assim.

- Nem eu, pequena, mas agora não consigo me imaginar sem todos esses malucos. Eu simplesmente amo a vida que encontramos depois de tudo. - ele me deu mais um abraço e foi separar um Henry que queria puxar o cabelo da irmã.

Edward estava abrindo a porta e ajudou Billy em sua cadeira de rodas. Todas as vezes que eu o via, meu coração apertava por ver que ele estava naquele estado por tentar impedir Charlie de cometer uma estupidez. Uma tentativa vã.

- Senhora Cullen! - ele sorriu e o pequeno Jacob pulou de seu colo para me dar um abraço. - Jake, dê à Bella o presente que nós fizemos.

Ele me estendeu um saquinho de veludo escuro e eu tirei de lá um lobo de madeira. Billy era muito bom em entalhar formatos animalescos em blocos de madeira, mas de alguma forma aquele lobo simples me pareceu mais especial que qualquer outra escultura que eu já tenha visto de Billy. Agradeci e abracei os dois, assim como Clarisse que vinha com as gêmeas logo atrás.

- Quem diria? - perguntei para Clarisse enquanto observava Rachel amarrando ou tentando dar um nó complicado no cadarço do tênis de Jacob. - Ontem ele era só um bebê e hoje já está com mais de dois anos!

- O tempo voa, minha querida. Logo, todos estão saindo de casa.

Eu não estava mais infeliz ou com inveja da felicidade das famílias que me cercavam. Todas aquelas crianças eram como meus filhos também e eu estava grata por isso.

- Bella, querida. - Esme sorriu e me estendeu outro embrulho. - Este presente foi ideia de Carlisle, mas aposto que você vai gostar.

Sob os olhares dos meus sogros, descobri que meu presente consistia em passagens para Jacksonville. Desde que Renée fora embora de Forks, nunca mais conseguimos arrumar algum tempo para nos vermos e a saudade era tanta, que eu quiquei de felicidade, imitando Alice quando estava feliz. Eu chorei e agradeci os dois infinitas vezes até Carlisle dizer que eu estava parecendo uma maluca.

- Não me leve a mal, mas essa mania de Alice parece ser contagiosa e eu estou com medo. - ele riu, me fazendo corar.

Passamos um dia agradável, sentados numa roda grande e conversando sobre tudo e sobre nada. As crianças se entreteram na tarefa de rabiscar Emmett. Ele tinha tirado a camisa e deixou que elas o pintassem de todas as cores possíveis e, no fim, ele parecia uma obra de arte bizarra.

- Eu preciso ir. - Rose falou enquanto aninhava um Jamie completamente sedado. - Tenho duas crianças para cuidar e colocar na cama. Emmett, querido, vamos embora porque eu preciso deixá-lo de molho na água sanitária!

- Você não reclamou quando eu deixei todas as crianças entretidas. - ele sorriu.

Aos poucos as pessoas começaram a subir para os seus quartos ou, no caso de Rose e Emmett com Billy e Clarisse, foram para suas casas. No fim de tudo, descobri que eu estava exausta e só queria fazer meu caminho até a minha casinha e dormir até não aguentar mais.

- Tia? - Henry puxou minha saia. - Enquanto a mamãe tá dando banho na Molly, lê uma histólinha pla mim?

- Onde está seu papai?

- Desmaiou com o tio Edwalde no sofá.

Subi com Henry até o quarto que ele dividia com Molly e o aconcheguei entre as cobertas, sentando ao seu lado e pegando um livro sobre alguma guerra medieval onde não havia uma única morte de nenhum lado. Quem escrevia uma coisa como aquelas? Onde estavam os contos clássicos como o bom e velho Robin Hood ou os imbatíveis Três Mosqueteiros? No final, eu não gostei nem um pouco da história.

- Isso está estranho, Henry.

- Pol quê?

- Ninguém morre. É uma guerra, pelo amor de Deus!

Ele rolou seus olhinhos cor de mel, iguaizinhos aos de Jasper.

- É livlo de cliança, tia, clalo que ninguém pode moler! Papai disse que eu não pleciso de "violência glatuita", mas eu nem sei o que é isso. Você sabe o que é?

Suspirei. Nem eu entendia por que estava tentando dialogar eloquentemente com uma criança de apenas dois anos.

- Não, bebê, não sei. Pergunte para o papai quando ele acordar, sim?

- Boa noite, tia. Eu te amo um tantão assim! - ele fez um movimento com os braços curtinhos e eu sorri.

Beijei sua testa e o cobri direitinho. Quando fui sair, Alice chegou carregando uma Molly que estava escorregando para a inconsciência. Allie a colocou em sua cama e a cobriu antes de beijar os dois filhos e sair comigo para o corredor.

- Estou exausta. Preciso da minha cama. Onde está meu marido? - ela dizia lentamente e eu apenas ria ao ver que sua energia não era tão inesgotável quanto eu imaginava.

- Parece que desmaiou junto com o meu no sofá.

- Vamos acordar aqueles preguiçosos, então.

Os dois tinham dormido sentados um ao lado do outro e a cabeça de Jasper caiu em direção ao ombro de Edward, enquanto que Edward apoiou a bochecha no topo dos cabelos de Jazz. Alice queria chamar Emmett apenas para ver a cena e se certificar de que os dois jamais se esqueceriam disso, mas eu os livrei desse constrangimento e sacudi os dois.

Edward voltou para nossa casinha quase que totalmente apoiado em mim, bocejando e andando de olhos semicerrados. Abri a porta e a fechei com o pé mesmo. Fiz Edward deitar em nossa cama e tirei seus sapatos e o livrei das roupas desconfortáveis.

- O que está fazendo?

- Te arrumando para dormir melhor.

- Ah. Achei que essa noite eu seria violado. - ele bocejou e me fez rir. - Não é engraçado.

Fui ao banheiro para minha higiene diária e, ao voltar para o quarto, Edward não estava lá. Andei pelo corredor, abri a porta do quarto que transformamos em uma mini-biblioteca e nem sinal de vida, voltei para o corredor e cheguei à cozinha, nada. Até que percebi luzes estranhas vindas da sala.

Ao chegar lá, inúmeras velinhas multicoloridas estavam acesas e nossas almofadas super-extra-fofas estavam espalhadas no chão e tinha uma cesta no meio de tudo. Edward estava vestindo apenas uma calça de moletom e estava debruçado sobre um grande buquê de flores, ajeitando por cores.

- Mas que droga! - ele resmungou para si mesmo, sem notar minha presença. - Rosalie disse que seria simples! Vamos, diabinhas, colaborem com o papai aqui!

Eu não aguentei e ri, chamando a atenção dele.

- Ah, Bella! Você arruinou minha surpresa! - seu tom melancólico fez o meu ataque de riso cessar.

- O que você estava tentando fazer com essas rosas? - sentei ao seu lado.

- Está vendo essas rosas vermelhas? Então, era para elas ficarem em posição para formarem um coração vermelho e as rosas brancas iriam preencher dentro e fora do formato de coração. - ele suspirou ainda mexendo nas flores. - Rose disse que não havia segredo, mas ela mentiu para mim.

Voltando a sorrir, eu o ajudei da melhor forma que pude, mas nosso coração ficou torto. Olhei o resto com curiosidade e perguntei que cesta era aquela. Edward se esticou para alcançar a garrafa de vinho lá dentro e eu apenas observei os músculos de suas costas trabalhando de maneira fascinante. Ele encheu duas taças e trouxe até mim uma tábua com pequenos pedaços de queijo.

- Feliz aniversário, meu amor. - Edward beijou minha bochecha com carinho.

Decobri que o queijo era um Camembert* acompanhando de um Château Margaux**. Passamos boa parte daquela madrugada apenas bebericando do vinho, provando do queijo e conversando sobre tudo, desde a nossa infância até o que pretendíamos para o nosso futuro. Ele também me deu um álbum de fotos com todas as fotografias que tínhamos tirado em nossas viagens pela Europa e pela América, cada foto tinha uma descrição fofa em sua caligrafia caprichada e me vi adorando aquele aniversário.

*Camembert: Originário da Normandia, é um dos queijos mais famosos da França, criado em torno de 1791. Suave e cremoso, é feito a partir de leite de vaca não pasteurizado. É granuloso e espesso e seu sabor se acentua confome seu envelhecimento.

**Château Margaux: Está entre uma das garrafas de vinho mais caras do mundo. Sua safra de 1900 é avaliada em mais de 20 mil reais atualmente.

Quando algumas das velas começaram a se apagar, nos deixando num escuro cada vez mais denso, Edward puxou do bolso da calça uma delicada fita azul marinho e a colocou em meu pulso, fechando um pequeno broche de brilhantes em um formato desconhecido por mim.

- Que desenho é esse? - perguntei.

- Isso é um Ankh. É um símbolo egípcio que significa vida, saúde, felicidade, prosperidade, fertilidade e também simboliza a eternidade da alma. - Edward listou enquanto me encarava com uma intensidade quase palpável. - Algumas das coisas que eu sempre desejei para você, Bella. Eu até poderia dizer que gostaria de modificar essa "alma eterna" para "eternamente minha", porque é isso o que você é... Apenas minha, Isabella. Essa fita simboliza a quem você pertence e quem pertence à você.

Aqueles arrepios não eram de frio. E Edward sabia disso.

- Enquanto eu viver, essa fita não sairá do meu pulso. - e então sussurrei as palavras que eu mais repetira nos últimos dez anos de vida: - Eu amo você, Edward.

- E eu sempre amarei só você. - ele me puxou contra o calor do seu corpo. - Feliz aniversário, vida.


{R_POV}

- E é aqui que acaba. - Kate falou com aquele tom de enterro.

- Molly, Henry, Jamie... Quantos familiares e eu sequer fazia ideia da existência de qualquer um deles!

- Agora só te falta ir para Londres.

E a conversa que eu tivera com minha mãe tinha voltado, me fazendo ruminar aquele assunto vez após vez. O que ela quis dizer com aquilo? Nesse ponto do campeonato eu realmente queria saber? O que tinha acontecido?

Droga, por que eu aceitei vir nessa viagem?

- Logo desembarcaremos. - Kate apertou minha mão com força, percebendo que eu estava quase entrando em pânico enquanto observava as pequenas construções aumentando o tamanho com a aproximação da aeronave.

Sim, a curiosidade me vencera e eu aceitei vir para Londres com apenas uma condição: Ter Kate comigo.

Foi realmente difícil convencer a mãe dela a deixá-la sair do país com o namorado - isso era como ela via o problema -, mas meus pais asseguraram que eles estariam conosco o tempo inteiro e manteriam um olho em nós dois. Grande, como se eu quisesse atacá-la na primeira oportunidade, o que não nego querer com uma mínima parte do meu cérebro que se recusava a entender o que estávamos fazendo ali naquela cidade.

Para minha surpresa, o hotel não era o tipo de acomodação em que meus pais geralmente ficavam. Era simples e aconchegante. Vendo Kate jogada no sofá, fungando e sorrindo para as almofadas fofas, me fez perceber que o simples era infinitas vezes melhor que o luxuoso. Luxo não traria aquele sorriso brilhante que ela exibia estampado no rosto e nem me deixaria satisfeito com a cena. Me joguei ao seu lado e papai já ergueu as sobrancelhas, como se dizendo: "Eu prometi ficar segurando vela, mas colabore comigo também - não mereço assistir isso".

Naquela noite eu estava com dificuldade para dormir por vários motivos. Um deles era a ansiedade que persistia em me manter elétrico e o outro... Bom, era ter Kate tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Nossos quartos eram separados pela suíte dos meus pais e eu quase podia apostar que meu pai estava atento ao menor ruído. Se ele estivesse com um estetoscópio grudado na parede eu não me surpreenderia.

- Abra a porta! - sussurraram do outro lado da porta e deram duas batidinhas fracas que me fizeram duvidar da minha audição. - Anda!

Destranquei e um vulto passou correndo por mim. Ao olhar melhor, percebi que Kate estava vestida com calças e uma camiseta com estampa dos Ursinhos Carinhosos, a famosa pantufinha de coelho e seu travesseiro.

- O que você está fazendo aqui? - perguntei o óbvio.

- Meu quarto é macabro. - ela murmurou. - Muito, muito, muito escuro.

- Por que não acendeu a luminária de cabeceira?

- Estou aqui tentando arrumar uma desculpa para dormir no quarto do meu namorado e ele não está colaborando. - ela bufou e percebi que suas bochechas estavam vermelhas. Adorável.

Ri baixinho antes de pegá-la pela cintura e a puxar para a cama. Controle-se, Robert, você consegue. Coloquei um dos travesseiros entre nós dois na altura da minha cintura e, quando percebi que ela ia perguntar o propósito daquilo, puxei qualquer assunto banal para desviar sua atenção. Às vezes, eu me esquecia que ela era mais inocente que as outras garotas de Forks - eu não podia simplesmente sair falando ou fazendo qualquer coisa que viesse à mente.

- Você está ciente de que não vai dormir mais que seis horas, certo? - perguntei quando ela começou a bocejar.

- Por quê?

- Meus pais acordam às sete todos os dias. Você tem que voltar para o seu quarto às seis, no máximo.

- Me chame quando der a hora e eu me preocupo com o resto. - outro bocejo. - Boa noite, amor.

Ela estava dopada pelo sono, era a única explicação possível. Kate nunca me chamara de "amor". Nunca disse que me amava, nem mesmo quando pediu perdão na clareira. A palavra amor nunca tinha sido formada pelos seus lábios e eu... Eu nunca senti aquela sensação estranha. Era como se lava vulcânica corresse em minhas veias, indo em direção ao peito, inflando-o de tal maneira a parecer que ia explodir. Respirei fundo, tentando aliviar a sensação de inchaço e o cheiro de Kate invadiu minhas narinas; ela cheirava a óleo de massagem de bebê, o que era um pouco estranho e delicioso, na mesma proporção.

Com ela ali, aconchegada contra o meu corpo, eu finalmente consegui adormecer.

S is for the Simple need (S é pela simples necessidade)

E is for the Ectasy (E é pelo êxtase)

X is just to mark the spot, because that's the one you really want! (X é apenas para marcar o lugar, porque esse é o que você realmente quer)*

- Que porc...? - gemi abrindo apenas um olho e procurando de onde vinha aquele barulho infernal.

Sim, sexo é sempre a resposta
Nunca é uma pergunta
Porque a resposta sempre será "sim"

Não. Não me diga que essa música nada discreta é o som do despertador do celular de Kate. Desde quando ela ouve coisas assim? Pior foi ouvi-la cantando a música, de olhos ainda fechados, e balançando o pé no ritmo da batida.

Estou amando o que você quer vestir
Me pergunto o que está usando embaixo dela
Me pergunto se alguma vez terei tudo isso sob a minha língua

Pelo amor de tudo o que é mais sagrado! Pare de cantar essa música! Deus, essa garota será a minha ruína. Cale a boca, cale a boca, cale a boca.

Eu amaria tentar te libertar
Eu amo você toda sobre mim
Amo escutar o som que você faz no segundo em que 'termina'

- Oh, meu Deus! - ela pulou da cama e caiu sentada no chão. Eu poderia gargalhar da cena, mas estava frustrado demais para isso. - Esqueci que estava dormindo aqui, me desculpe.

Kate correu para a cabeceira e pegou o maldito celular, desligando a música que só me deixou tensionado. Ela estava muito mais corada do que eu podia imaginar. Mas como eu poderia ficar relaxado ao ouvir minha garota falando aquelas coisas com a boca quase colada ao meu ouvido e o corpo todo grudado ao meu naquela cama?

- Preciso ir para o meu quarto, já são seis e dez. - ela disse, juntando o travesseiro e caminhando para a porta.

- E eu preciso de um banho... - murmurei a última parte. - Merda, de um bem frio.

Eu precisava parar de agir como um maluco pervertido. Céus, eu era apenas a droga de um adolescente à base de hormônios!

- South Kensington. - meu pai orientou o motorista do táxi.

Ele estava sentado no banco dianteiro do carro por ser muito grande. Eu mesmo já me sentia uma sardinha enlatada sem precisar que meu pai ocupasse todo e qualquer espaço com suas pernas gigantes.

Ante essa instrução, Kate e eu empalidecemos. O que diabos tínhamos para fazer na antiga casa dos Cullen? A última data registrada no diário de Bella Cullen era aquele 23 de Julho de 1966, onde ela recebera a carta do pai contando sobre o suicídio. Fora aquilo, havia apenas uma breve menção de como havia sido o aniversário de vinte e oito anos dela em setembro de 1968.

Além disso, as páginas tinham sido rasgadas sem cuidado algum. Demônios, só porque eu queria chegar à uma data em específico: 10 de setembro de 1969. O ano em que minha mãe viera ao mundo.

- Mãe, por que...

- Por favor, bebê, me deixe mostrar. - ela parecia emocionalmente exausta. - Não estou pronta para falar abertamente, vamos aos poucos, tudo bem?

Fiquei em silêncio novamente, como tinha ficado nos últimos três dias. Regime de silêncio, apenas ouvindo meu cérebro procurando peças para encaixar naquele quebra-cabeça maluco. Nada. Nunca chegava a conclusão nenhuma e não havia nenhuma maneira no inferno de que eu voltaria para Forks sem saber absolutamente tudo.

O caminho foi muito mais rápido do que eu realmente desejava. Ao mesmo tempo que eu estava curioso, me sentia acovardado. Até hoje minha mãe nem sonhava que eu passara os últimos meses lendo sobre os pais dela, sabendo - provavelmente - mais do que ela mesma. Aliás, podia nem ser lá grande coisa esse segredo todo, por isso não adiantava me sentir ansioso com qualquer coisa.

- Chegamos. - o motorista sorriu alegremente, fingindo ignorar a tensão do ambiente.

O lugar era do mesmo jeito que Isabella Swan, a garota que havia perdido quase tudo, descrevera há quase 54 anos atrás. As casas gemelares prenderam minha atenção por um longo tempo e eu quase perguntei o motivo de manterem a casa de Carlisle e Esme Cullen. Precisava tomar cuidado com o que soltava, só contaria sobre o diário depois que todo o suspense se encerrasse.

- O que estamos fazendo aqui? - perguntei como quem não quer nada.

Minha mãe estava quase que totalmente se apoiando no braço do meu pai. Sério, eu temia que ela desmaiasse a qualquer minuto. Papai tocou a campainha e uma mulher na casa dos quarenta anos abriu a porta.

- Pois não? - suas longas tranças negras estavam salpicadas de fios brancos e sua pele morena era diferente, assim como o sotaque.

- Kaurê? - minha mãe perguntou.

- Sim, quem são vocês? Não vi nenhuma visita agendada para hoje.

Visita? Do que estavam falando?

- Precisamos entrar. - meu pai não pediu, nem sequer falou com gentileza.

- Não posso deixá-los passar, sinto muito.

- Kaurê! Quem bateu à porta? - uma voz estrondosa veio de algum lugar da casa e minha mãe estremeceu com o som.

A mulher nos olhou por um instante.

- Você é quem eu penso que é? - ela perguntou de maneira enigmática para mamãe.

- Sim. Por favor, me deixe entrar.

- KAURÊ! - a voz masculina gritou ainda mais alto.

Kaurê parecia travar um conflito interno enquanto torcia as pontas do avental florido que estava usando.

- Certo, acho que seria melhor se eu não a anunciasse. - ela cedeu espaço para passarmos. - Eu vou ficar na cozinha, espero que ninguém venha atrás de alguma faca.

Eu não entendia uma vírgula do que aquela mulher dizia. Quem era ela e o que estava fazendo ali? E por que o marido dela gritava, chamando-a, em vez de levantar a bunda de onde quer que estivesse para procurá-la? Passei por Kaurê e ela arregalou os olhos, murmurando coisas numa língua desconhecida para mim.

- Meu Deus, onde essa mulher se meteu? - a voz parecia estar vindo em nossa direção. - Kaurê, está na hora dos medicamentos. Se atrasar, não será minha culpa e eu não quero te ouvir me chamando de irresponsável!

Olhei a decoração brevemente, imaginando como aquela casa era há sessenta anos.

- O que diabos...? - o homem parado no corredor arregalou os olhos claros para nós e percebi seu peito subindo e descendo com mais rapidez.

E foi aí que meu mundo simplesmente enguiçou. Parou de girar e saiu do eixo.


Não vou me demorar nas reviews porque estou realmente morrendo de sono e o capítulo por si só já é gigantesco. Mas, como sempre, muitíssimo obrigada por todo o carinho de vocês *-*

GabiBarbosa: Sim, eu também acho que ela foi facilmente perdoada, mas o Robert é mais de ir ao ponto, ele está cansado de enrolar kkk'

BbCullene Lorrane e Nanny:Obrigadinha meninas, espero que tenham gostado desse desfecho ;)

Milla-pattz: Me perdoe a demora :x Eu só vou confirmar uma coisa: A Nessie não é adotada. Agora resta saber como isso aconteceu ;D Gracias pela review e espero que as unhas continuem em perfeito estado, hein! kkk'

Lu Bass: Sobre a nova fic, eu ainda estou escrevendo os capítulos. Ela vai ser mais curta e um pouquinho mais pesada, mas ainda não tem nada muito certo a não ser o título! hahah' É que eu ainda preciso encontrar uma beta ou alguém queira dar suas opiniões. Quero fazer ela melhor, sabe? :D E aí, o que achou desse final? Quem será que apareceu, huh? LOL

Ktia Se Pennys: Apesar do que vocês querem, o segredo está cada vez mais perto de ser revelado =)

pink: Eu ia fazê-lo ir sozinho no início, mas seu pedido me amoleceu kkk' O Robert te ouviu, levou a Kate com ele e só se ferrou depois hahahaha

Bruna Marcondes: Menina, o que foi esse surto de reviews que lotaram meu e-mail? Fiquei viada *o* Beijocas e muuuuuito obrigada pela dedicação, amei mesmo!


Robert entrou em curto circuito, o próximo capítulo virá quando ele se recuperar do choque... Não depende de mim! ;x

Beijoos e obrigada pela paciência *-*