Capítulo Quarenta e Cinco

In Capable Hands

(Em Mãos Capazes)

Tonks tivera uma manhã agitada. Primeiro, é claro, teve todo aquele episódio com Greyback. Então, McKinnon lhe contara que Sirius tinha sido preso, e fora elogiada e atualizada por Scrimgeour, enquanto Remus — que estivera tão calmo quando um lobisomem os seguira — gaguejava desculpas para Scrimgeour sobre falar com Robards e saía sem explicar nada.

Olho-Tonto a levara ao seu cubículo quando Scrimgeour terminara com ela e explicara tudo — basicamente que Sirius estava nos andares inferiores, nas celas de contenção, e que Greyback tinha sido levado direto para Azkaban —, antes de lhe entregar uma carta que chegara para Tock.

Teve que se encontrar um pouco com Lucius Malfoy no Átrio do Ministério, antes de voltar para o DELM para esperar por Remus; estava cansada e o fiasco de Greyback terminara, mas Remus ainda era necessário para ajudar com Harry e Sirius, e ela achou que devia ficar pelo bem dele. No mínimo, queria ter certeza de que ele estava bem, porque ele tinha uma aparência terrível quando tinha ido procurar por Robards.

Entretanto, Remus não foi o primeiro a encontrá-la. Fora Florence, que aparecera acompanhada por uma Finch irritada, um Kingsley triste e mal-humorado e um Ben perplexo. Florence se jogou em Tonks no momento em que a vira. Tonks esfregou suas costas; Florence tremia e soluçava incontrolavelmente e isso assustou Tonks por que, como Remus, Florence sempre fora bastante imperturbável. Ver Florence chorar seria como ver McKinnon chorar; simplesmente não acontecia.

Mas estava acontecendo. Finch assentiu para Tonks sobre o ombro de Florence e se afastou, esfregando o rosto. Kingsley não falou com Ben e foi atrás de Finch. Ben se aproximou e passou os longos braços ao redor de Tonks e Florence.

— Melvin? — Tonks murmurou, mas achava já saber; lágrimas já estavam aparecendo em seus olhos. Florence soltou um soluço alto e ofegante e apertou Tonks com mais força. Os braços de Ben tremeram.

Então, na voz mais baixa que Tonks já a ouvira usar, Florence soltou um soluço enquanto dizia:

— Morto.

— Como? — perguntou, mas não recebeu resposta. Talvez tinha sido assim que Sirius fora capturado na noite passada... Talvez ele matara mais alguém. Tonks apertou Florence com um braço e encontrou a mão de Ben com o outro, e os três ficaram lá, abraçados e chorando, até que o som de passos os fez erguer os olhos. Não era Remus e isso fez Tonks se sentir ainda mais triste, porque ela apenas o queria lá (era pedir demais?). Era McKinnon, cujos olhos estavam inchados e desfocados, e estava parada com os ombros caídos e os lábios trêmulos. Robards estava ao lado dela, com uma mão em seu ombro. Era oficial: o mundo estava de cabeça para baixo.

Florence se soltou de Tonks e Ben e jogou os braços ao redor de McKinnon, que pareceu surpresa até que seus olhos se focassem, e retribuiu o abraço.

— Prewett? — McKinnon perguntou, olhando para Robards com os olhos cheios de pânico.

— Você... — Florence se engasgou com um soluço.

— Eu o quê? — McKinnon perguntou, rouca e temerosa. Eles estavam vários metros longe e Florence cobria a maior parte de McKinnon, mas Tonks conseguia ver que ela estava perigosamente perto de hiperventilar. — O que você ouviu? — Os nós dos dedos de Robards estavam brancos no ombro dela, e Tonks se perguntou o que tinha acontecido.

Você ficou sabendo? — Florence engasgou. — M-melvin morreu. Greyback o-o matou...

Não Sirius.

— Greyback? — Tonks perguntou num sussurro estrangulado. — Não.

— Ele me seguiu — Florence chorou. — Ele deve ter...

Ele deve tê-la visto no Ministério e a seguiu até a casa de Melvin — ela gritou o endereço dele no Flu... E ele só estava no Ministério por que ele estava seguindo...

— A mim — disse. Era sua culpa. Greyback devia ter usado Melvin para encontrar a casa de Marlene e, então, seguira ela e Remus de lá.

É minha culpa. Eu matei... Greyback matou Melvin, mas foi por minha causa. Culpa e raiva e muitas outras emoções para que pudesse nomear a acertaram ao mesmo tempo. Eu matei alguém — eu matei meu amigo.

Ainda conseguia ouvir Florence soluçar e ainda conseguia sentir a mão quente de Ben na sua, mas além disso, não tinha ideia do que estava acontecendo. Pensou ter ouvido McKinnon dizer o nome de Remus e isso a fez erguer os olhos, mas ele não estava lá.

Menos de um minuto depois, entretanto, ele estava. Ela sabia como ele odiava choro — notara como ele ficara sem jeito quando ela chorava, apesar de nunca ter mencionado isso —, mas ele estava lá mesmo assim, permitindo que ela o abraçasse com tanta força que ela provavelmente o deixaria cheiro de hematomas, e ele esfregava suas costas.

Ele não falou, mas Tonks não queria que ele falasse. O choque de descobrir que tinha sido Greyback estava sumindo, assim como o desejo instantâneo de se culpar. Uma parte disso era sua culpa — ela e Remus tinham feito o anel de prata que começara isso tudo — e isso doía, como um Balaço no estômago —, mas se Greyback não fosse um monstro e não houvesse atacado Matt, ele nunca saberia que era o suéter de Tonks.

E, no fim das contas, fora Greyback quem localizara Melvin e ele tinha se dado a esse trabalho por que Melvin não estivera no Ministério na noite passada. Ela podia ser o motivo para Greyback procurar por Melvin, mas ela não era o motivo pelo qual Greyback o matara.

Um nó de culpa se desfez e virou raiva.

Espero que ele apodreça em Azkaban, pensou, enterrando o rosto no ombro de Remus. E eu sinto tanto, Melvin. Eu sinto muitíssimo.

Tonks ainda estava no mesmo banco duas horas depois, apesar de ter parado de chorar e de Remus não estar ao seu lado, mas ele não estava muito longe; ele e McKinnon conversavam em voz baixa um pouco mais à frente no corredor. McKinnon estava chorando e Remus estava pálido, mas parecia aliviado e tinha uma mão no ombro dela.

Ben e Florence estavam abraçados ao lado de Tonks e os dois ainda choravam um pouco; ela se sentia horrível por Melvin, mas Florence e Ben tinham dividido seus mentores com ele — já que Shacklebolt e Finch faziam quase tudo juntos — e o conheciam muito melhor do que ela e McKinnon conheciam. Só podia imaginar pelo que eles estavam passando. Apertou as mãos deles. Remus abraçou McKinnon — que foi embora parecendo um pouco melhor — e se aproximou. Ele ofereceu um sorriso pequeno e triste a Tonks, que retribuiu com um sorriso trêmulo.

— Ficará bem se eu for ficar um pouco com o Harry? — perguntou, observando-a com cuidado. Ela assentiu e ele foi embora. Observou-o se afastar e estava tão cansada, que seus olhos ficaram fixos na entrada do outro corredor, por onde ele sumira, muito depois de ele ter sumido. Mas depois de apenas um minuto, Remus tinha voltado, parecendo dividido entre se sentir divertido e cansado.

— O quê? — perguntou.

— Seu amigo Charlie... — ele disse e Tonks precisou de um momento para absorver isso, já que tinha sido bem aleatório. — O sobrenome dele era Weasley, né?

— O quê? — disse novamente, piscando para ele. — Sim... — Só conseguia pensar, o Charlie também não... Oh, por favor, não o Charlie. Não achava que conseguiria lidar com as coisas se Charlie tivesse sido comido por um dragão ou algo assim. Seus olhos estavam se enchendo de lágrimas novamente e Remus parecia surpreso. — Ele está bem? — perguntou.

— Estou certo de que sim — Remus disse, parecendo genuinamente confuso por ela ter relaxado e rido um pouco. — Eu preciso da sua ajuda com uma coisa, duas coisas, na verdade, mas que são relacionadas.

A mão quente dele afastou a dela das de Florence e Ben, mas ele não a soltou, como ela esperara. Ela lhe ofereceu outro sorriso trêmulo e hesitante, que ele retribuiu ao ajudá-la a se levantar e guiá-la pelo corredor até o escritório de Bones. Ele girou a maçaneta e abriu a porta. Três cabeças se ergueram quando entraram — Tonks tropeçou na soleira — e voltaram a fechar a porta.

— Tonks! — Ginny, que estivera esticada no tapete, desenhando algo em um pedaço de pergaminho, ergueu os olhos, gritou e correu até Tonks. Tonks a abraçou com um braço, porque não queria soltar Remus.

— E aí — disse automaticamente e, então, num fio de voz: — O que estão fazendo aqui?

— Acompanhamos o papai hoje — Ginny tinha uma pequena mancha de tinta em sua bochecha, estava sem uma sobrancelha e seu cabelo estava chamuscado e assimétrico, mas ela sorria largamente — e ficamos sabendo que Harry — corou ao dizer o nome — estava aqui, então pensamos em vir fazer companhia a ele.

— Não era para o escritório estar protegido? — perguntou, olhando para Remus.

— Foi enfeitiçado para avisar se usassem magia para destrancar a porta — disse com um sorriso fraco.

— Usamos um grampo de cabelo — Ginny comentou, corando novamente.

— Desculpe — Ron disse e, então, abruptamente: — Esteve chorando?

— Er... não — Tonks disse. — Só estou cansada.

— Oh. — Ron parecia tímido na enorme cadeira de escritório. Ron sempre ficara envergonhado perto de Tonks; na segunda visita de Tonks à Toca, Fred e George tinham lhe dito que ele tinha uma quedinha por ela. Tonks não sabia se era verdade ou não (conhecendo Fred e George, tinha sido uma mentira para provocar o irmãozinho), mas Ron ficara horrorizado do mesmo jeito, o coitadinho. Como Ginny, seu cabelo estava chamusco e tinha manchas de cinzas no nariz.

A terceira pessoa no escritório era ninguém mais que Harry Potter, sentado na ponta da mesa, em frente a Ron. Ele também tinha cinzas no rosto, mas seu cabelo era escuro demais para saber se estava chamuscado. Ele observava Tonks com curiosidade, antes de seus olhos irem rapidamente para as mãos dela e de Remus. Os dedos de Remus se mexeram como se ele quisesse soltá-la, mas Tonks apertou sua mão gentilmente e ele retribuiu o aperto. Um sorriso arteiro apareceu rapidamente no rosto de Harry antes de desaparecer, substituído por um franzir de cenho preocupado. Aí, essa expressão também sumiu, e ele sorriu, descendo da mesa para oferecer uma mão a Tonks.

— Sou Harry — disse como se ela já não soubesse.

— Tonks — respondeu, confusa; ele lhe oferecera a mão esquerda para que ela não precisasse soltar a mão de Remus e perguntou-se se ele tinha feito isso de propósito ou se era mera coincidência. Balançou-se e olhou para Ron e Ginny, antes de se voltar para Remus. — Assumo que estou aqui para levá-los até o senhor Weasley?

Eles tinham tido mais sorte não apenas por terem ficado no escritório por tanto tempo, mas não terem sido descobertos; se houvessem sido encontrados por alguém que não Remus, estariam encrencados e o senhor Weasley provavelmente seria investigado. Ainda assim, se um menino de dez anos e sua irmã de oito eram capazes de entrar com um grampo de cabelo, isso não dava uma boa impressão das proteções de Harry... embora a maioria das pessoas que tentasse chegar a ele usaria uma varinha.

— Assumo que saiba onde encontrá-lo — Remus disse, sorrindo.

— Controle de Mal-Uso dos Artefatos dos Muggles — Tonks disse. Soltou a mão de Remus e usou a cabeça para indicar a porta. — Vamos, vocês dois. — Ginny pareceu irritada, mas forçou um sorriso e uma despedida a Harry e corou o tempo todo.

— Suponho que vamos nos ver na escola? — Ron perguntou, parecendo incerto.

— Definitivamente — Harry respondeu, sorrindo, e Ron sorriu de volta. — Talvez mais cedo se as coisas derem certo.

— Espero que deem — Ron disse.

— Obrigado. — Os olhos de Harry ficaram sem foco por um momento. — Eu também.

— Quero dizer, se algo acontecesse... — Ron começou e Tonks fez uma careta; ela sabia que Ron não era exatamente delicado e esperava que ele não acabasse destruindo a amizade que ele e Harry pareciam ter formado. — Bem — Ron disse, sorrindo —, há poucos torcedores dos Cannons e sempre precisamos de mais gente.

Harry e Ginny riram e até Remus soltou um barulho que parecia uma risada abafada. Era claro que Tonks não sabia de alguma coisa. Ele se juntou à Ginny perto da porta e Tonks a abriu. Remus foi se sentar na cadeira que Ron vagara.

— Ei — Harry disse, de repente parecendo tímido. Tonks e os dois Weasley o olharam. — Obrigado por... tudo. Por terem vindo me ver, quero dizer. Foi... eu... Obrigado. — Tonks ficou surpresa e tocada pela sinceridade dele, assim como Ginny e Ron aparentemente; Ginny sorriu e ficou ainda mais corada e as orelhas de Ron combinavam com o rosto da irmã. Seu sorriso não era tão largo quanto o dela, mas era igualmente satisfeito. — Foi um prazer te conhecer, Tonks! — Harry adicionou quando ela mandou os outros dois saírem.

Ela sorriu para ele por sobre o ombro e fechou a porta. Por sorte, ninguém prestou atenção nela, Ginny e Ron, e eles não tentaram fugir ou se esconder dela. Não esperava que eles o fizessem, mas ficou feliz mesmo assim.

— Eu te disse que era uma boa ideia — Ginny disse, sorrindo para Ron.

— É — ele respondeu com um sorriso.

— Uma boa ideia ou não — Tonks disse, divertida —, seria melhor se guardássemos segredo. — Os dois assentiram solenemente, mas ainda pareciam excepcionalmente satisfeitos consigo mesmos.

-x-

— Está pronto, Dumbledore? — Alastor perguntou.

— Não — Albus suspirou. — Atrevo-me a dizer que não. — Alastor riu tristemente e espiou pelo vidro da porta. Aparentemente, ele decidiu que era seguro, pois deu um passo para trás, acenou a varinha e gesticulou para que Albus o seguisse para dentro da cela. Alastor não olhou para o homem na pequena cama; ocupou-se em trancar a porta e procurar por qualquer armadilha.

Albus, entretanto, olhou para Sirius, que virara quando eles entraram. Seus olhos brilharam ao vê-los — aos dois, se não estivesse enganado —, mas ele rapidamente controlou sua expressão para ser ininteligível. Ele não tinha a aparência que Albus esperara. Albus esperara um homem magro, com olhos fundos, pele pálida, um rosto possivelmente coberto pela barba e cabelos longos e bagunçados. Era a aparência que ele tinha na fotografia do Profeta e a forma que tinha sido descrito.

Ele parecia... normal. Como a versão mais velha do menino bonito e amigável que Albus observara crescer até virar um membro da Ordem... e, então, um traidor. Sirius talvez estivesse levemente mais magro do que deveria estar, mas os ombros largos ainda estavam lá e ele não parecia nem perto de estar magro. Sua pele estava... Bem, normal. Ele tinha uma leve camada de barba, mas já fazia quase um dia que ele estava nesta cela, e seu cabelo era negro, bagunçado e na altura dos ombros, do jeito que estivera quando ele fizera parte da Ordem. O que mais afetou Albus, entretanto, foram seus olhos.

Não estavam tristes ou fundos, como era normal depois de passar um período de tempo em Azkaban; Mundungus Fletcher — um antigo membro valioso da Ordem que virara um criminoso qualquer — cumprira várias — porém curtas — sentenças lá e seus olhos ainda tinham a tristeza. Mas os olhos de Sirius estavam cinzentos e alertas. Se Albus não soubesse das coisas, acreditaria que o homem à sua frente nunca vira Azkaban, menos ainda que passara um quarto de sua vida lá.

Não era certo — não era justo. Ele devia ter sofrido pelo que tinha feito — pelo modo que os traíra — em Azkaban e levado seus demônios consigo quando fugira! Pelo que Albus podia ver, ditos demônios tinham sido jogados no Mar do Norte quando Sirius saíra da prisão e ele não os vira nem ouvira falar deles.

Olhou para Alastor, perguntando-se o que ele estava achando — ou achara, se já houvesse visitado Sirius — disso. Entretanto, Alastor não estava olhando para o rosto de Sirius. Ele franzia o cenho para a lateral do corpo dele. Sirius seguiu seus olhos e xingou.

— O que você fez consigo mesmo, Black?

— Fez, Alastor? — Albus perguntou em voz baixa.

— Costela quebrada — Alastor respondeu, ainda franzindo o cenho para Sirius.

— Só uma? — Sirius perguntou, parecendo aliviado. Sua voz não estava muito rouca dessa vez. Albus se sentiu desapontado. — Bem, já é alguma coisa, pelo menos. Achei que tinham sido duas. — Albus olhou para o jovem bruxo, esperando. Sirius hesitou e disse: — Foram os Dementadores.

— Dementadores não deixam marcas físicas...

— Eu desmaiei, está bem? — Sirius explodiu, parecendo envergonhado. — Eu estava perto da mesa e, quando me dei conta, estava no chão e... — Indicou a lateral do corpo.

Albus não sabia se devia acreditar nele. Achou que Sirius estava mentindo — Sirius não tinha sido um bom mentiroso nem quando menino, o que era o motivo de James ou Remus sempre lidarem com os professores quando os quatro se metiam em problemas —, mas, por outro lado, Albus não conseguira perceber as mentiras traidoras de Sirius nos meses antes do Halloween. Era claro que não conhecia Sirius tão bem quanto pensara.

— Dói? — Alastor perguntou. A traição de Sirius abalara tanto Alastor quando o resto deles, apesar de isso ser fácil de esquecer; Alastor tinha treinado Sirius para ser um Auror, passara horas ensinando-o a sobreviver, a lutar. Alastor o amara como a um filho (ou a um neto, talvez) assim como a James, que também treinara (e ficara devastado ao receber a notícia).

— Um pouco — Sirius disse, dando de ombros.

— Bom.

Sirius riu e Albus e Alastor trocaram um olhar inquieto. Sirius se acomodou na cadeira de frente para a porta e gesticulou para que eles se sentassem. Albus o fez depois de procurar por armadilhas na cadeira, assim como Alastor.

— Eu sei que gosta de chá, diretor — Sirius disse —, mas eu não tenho nenhum para oferecer, infelizmente.

— Não vai me oferecer algo também, Black? — Alastor perguntou com irritação, cruzando os braços.

Sirius ergueu uma sobrancelha e disse:

— Você não aceitava nada de mim nem quando confiava em mim.

— Hmph! — Alastor disse.

— Por que, Sirius? — Albus perguntou antes que conseguisse se impedir.

— Porque ele é um velho rabugento e inquieto — Sirius disse carinhosamente. Seu sorriso sumiu. — Mas não era disso que estava falando, era? — Albus balançou a cabeça e Sirius suspirou. — Poderia te fazer a mesma pergunta.

— Desculpe? — Albus disse.

— Está me perguntando por que traí Lily e James — Sirius disse, parecendo magoado. — Eu estou perguntando por que acha que eu trairia.

— Você era o Fiel do Segredo — Albus disse. Controlou seu temperamento (gritar não resolveria nada), mas permitiu que uma parte de sua raiva aparecesse na voz.

— Não era, não — Sirius disse. Alastor revirou os dois olhos.

— James me disse...

— James mentiu — Sirius disse, cansado. — Nós achamos que tínhamos sido tão espertos ao trocar, pensamos que poderíamos blefar para...

— Se não era o Fiel do Segredo, quem era? — Alastor rosnou.

— Se quer essa resposta, terá de ir ao meu julgamento — Sirius disse, suspirando novamente.

— Não confia em nós, Sirius?

— Não tanto quanto antigamente, senhor — Sirius disse tristemente. — Você cometeu alguns erros pelos quais ainda não o perdoei. — Albus o olhou com curiosidade. — Não pediu por um julgamento na primeira vez — havia uma pitada de amargura em sua voz. Uma pontada de culpa, há muito enterrada, apareceu e Albus a enterrou novamente; Sirius merecera o que recebera — e os Dursley...? Você é um bruxo brilhante, senhor, mas não foi seu melhor momento.

— Foi para a segurança do menino — Albus disse, mas não podia enterrar a culpa associada a isso, não quando o comentário de Sirius era tão parecido com os pensamentos de Albus.

— Claro que foi — Sirius disse. Albus sabia que Sirius acreditava nele, mas seu tom ainda assim condenava Albus.

— O que o fez buscá-lo? — Alastor perguntou em voz baixa.

— O quê? — Sirius perguntou, olhando para seu antigo mentor.

— O menino, Black. — Alastor bateu a perna de madeira no chão da cela com impaciência.

— Eu prometi a Lily e a James que eu cuidaria dele se eles... — Sirius pigarreou e olhou para suas mãos por um momento e Albus se perguntou, curioso, no que ele estava pensando. Sirius ergueu os olhos, o maxilar tenso. — Eu o queria e eles, não.

— Você sequer pensou no que Harry queria, Sirius? — Albus perguntou friamente.

— Não precisei. Ele me disse, praticamente me implorou para não ir embora sem ele, na verdade — Sirius disse secamente.

— E você o levou? Simples assim? — Albus perguntou, tentando e não conseguindo, pela milésima vez, entender o homem estranho que era Sirius Black.

— Simples assim — Sirius concordou, sorrindo. — E sabe de uma coisa?

— O quê? — Alastor perguntou com cautela.

— Além de escolher o compartimento de James no expresso de Hogwarts no meu primeiro ano, essa foi a melhor coisa que eu já fiz.

-x-

Depois de devolver Ron e Ginny ao senhor Weasley, Tonks foi procurar um pouco de sossego e silêncio no escritório de Olho-Tonto. Como Bones, Rattler, Scrimgeour e vários outros Aurores de patente alta e os membros do DELM, Olho-Tonto tinha um escritório com quatro paredes e uma porta, ao invés do cubículo padrão no Departamento de Aurores. Olho-Tonto não estava lá, mas achou que ele não se importaria se ela ficasse um pouco ali.

Aninhou-se no sofá e pensou nas coisas — principalmente sobre Melvin, mas também sobre Sirius; supôs que seu trabalho como Tock tinha acabado — Lucius certamente sugerira isso quando conversaram naquela manhã — e perguntou-se o que ia fazer com todo esse tempo livre. Sorriu ao imaginar as possibilidades; talvez pudesse ir visitar Tom e Charlie — recebera apenas duas cartas deles em quase quatro meses — ou talvez pudesse começar a ir à estação com o seu pai, como quando era mais nova.

Sua mãe tinha um horário normal de trabalho e, por isso, Tonks a via bastante em casa, mas, como Tonks, seu pai tinha horários estranhos e fazia semanas que não o via direito. Ou talvez...

— Quetacontecendo? — perguntou quando alguém a balançou para acordá-la. Era Olho-Tonto e ele parecia cansado.

— Vigilância constante — ele disse sem muita vontade.

— Você está bem? — perguntou, esfregando os olhos. — Parece meio... estranho.

— Black — respondeu e mancou para ir se afundar em sua cadeira. Ele correu as mãos pelos cabelos grisalhos, antes de juntá-las sobre a mesa e erguer os olhos. — Essa é minha explicação, mas o que ainda faz aqui? — perguntou.

— Sou uma Auror — disse, bocejando. Ele não a corrigiu ao dizer que era apenas uma Recruta.

— Eu também e, por mim, estaria na minha cama, em casa. — Tonks riu e abafou outro bocejo; dormira por pelo menos seis horas (o relógio na mesa de Olho-Tonto dizia que eram quase sete horas) e ainda sentia que não tinha dormido. A expressão tensa de Olho-Tonto se suavizou. — Vá para casa.

— Estou bem — disse, dispensando a sugestão dele.

— Não disse que não estava — respondeu, erguendo a sobrancelha sobre o olho azul. — Mas o treinamento só retorna amanhã cedo, a sessão de hoje foi cancelada.

— Por quê? — perguntou apesar de ter se esquecido completamente do treinamento. Algo tão normal quanto o treinamento de Aurores não parecia possível naquele momento.

— Finch ia dar a aula, mas ela...

— Melvin. — Olho-Tonto assentiu, crispando a boca com desgosto. Tonks engoliu o nó que se formou em sua garganta e olhou para suas mãos até ter certeza de que não voltaria a chorar.

— Ficou sabendo, então?

— Sim — disse e precisou secar os olhos.

— Vá para casa, Nymphadora. Descanse e a gente se vê amanhã.

— Não me chame de Nymphadora — disse com irritação ao se levantar e pegar sua mochila no canto. Voltou a olhar para seu mentor; apesar de toda a experiência dele e do fato de ele ser um oponente formidável, só conseguia ver um homem velho, triste e cansado. Sua irritação sumiu. — Acho que deve ser difícil voltar a vê-lo — comentou, hesitante. Olho-Tonto assentiu. — Acho que ele mudou muito. Tem que ser...

— Ele não mudou nem um pouco — Olho-Tonto resmungou. — Talvez tenha crescido um pouco, mas continua o mesmo. Exatamente o mesmo. — O crispar triste de sua boca ficou mais pronunciado e ele não falou mais nada, por isso Tonks deixou o assunto de lado.

— Estou indo — avisou e tropeçou nos próprios pés no seu caminho até a porta. — Vê se descansa hoje, certo?

— Boa noite, Nymphadora — Olho-Tonto disse, parecendo divertido.

— Boa noite, senhor — ela disse e viu quando ele a olhou feio ao fechar a porta.

Remus e Dumbledore conversavam no corredor, mas ela não os viu até, literalmente, trombar em seu antigo diretor.

— Senhorita Tonks — ele disse, ajudando-a a se equilibrar, enquanto Remus lhe oferecia um sorriso cansado. Ele parecia absolutamente exausto. Dumbledore, por outro lado, tinha a aparência animada de sempre, apesar de seus olhos não estarem brilhando e seu sorriso ser um pouco distraído. — Está indo para casa, querida?

— Sim — disse. — Desculpe por...

— Não tem problema — ele disse com um sorriso gentil.

— Veio ver o Sirius? — perguntou, observando o rosto dele com cuidado. Era mais difícil ler Dumbledore do que a maioria das pessoas. Mas o sorriso sumiu e ele não tentou esconder. De fato, ele suspirou, mas Remus respondeu primeiro.

— Acabamos de vir de lá.

— Achei que você estivesse com Harry — comentou, olhando para ele.

— Rattler me dispensou — Remus respondeu.

— Como foi? — perguntou, hesitante.

— Posso ter gritado com ele — Remus disse, parecendo triste. Dumbledore colocou uma mão em seu ombro.

— O que você disse? — ela quis saber.

— Várias coisas — Remus respondeu antes de seu temperamento se fazer notar. — Eu perguntei como ele podia estar tão malditamente calmo quando está em uma cela cercada por Dementadores, sendo interrogado... Devia tê-lo visto, é como se ele nem soubesse que eles estão lá! E sabe o que ele disse? Ele disse, eu vou ficar bem, Moony, não se preocupe comigo... Aquele idiota! — Tonks e Dumbledore trocaram um olhar preocupado; Remus parecia perigosamente perto de chorar, mas também impotente e frustrado.

"E aí," continuou, "eu perguntei por que diabos eu me importaria com o que pode acontecer com ele, e sabe o que aconteceu? Ele pareceu magoado. Magoado. Como se eu tivesse o ofendido! Depois, ele perguntou sobre o Harry e eu lhe disse que ele está bem sem ter Sirius por perto e Sirius apenas assentiu, agradeceu e disse que ninguém tinha lhe dito nada. Ele agradeceu! E quando estávamos saindo..."

— Remus...

— Não! — Remus gritou e Dumbledore fechou a boca. — Quando estávamos saindo, ele disse, foi bacana te ver, Moony. Depois de tudo... Depois de trocar de lado e sequestrar Harry e depois de eu não o ter visitado em Azkaban, esperava que minha opinião sobre ele fosse muito clara, mas não! Foi bacana me ver! — Remus parou de falar. Ele estava ofegante, seus olhos estavam brilhantes e ele parecia absolutamente envergonhado. Tonks apertou sua mão. Remus olhou para a mão dela e a raiva sumiu de seu rosto. Ele só parecia triste e impotente.

— Dumbledore, já terminou? — Scrimgeour perguntou com irritação, colocando a cabeça para fora de seu escritório.

— Um momento, Rufus — Dumbledore disse levemente. Scrimgeour bufou e voltou para dentro. — Acho que vou deixá-lo em mãos capazes — disse, dando um tapinha no ombro de Remus, cujos ombros afundaram. — A gente se vê amanhã, Remus, e acho que nos veremos amanhã também se estiver por aqui, senhorita Tonks.

— Boa noite, professor — Remus disse, soando cansado.

— Boa noite — Tonks também disse e Dumbledore se afastou, as vestes com bolinhas amarelas e púrpuras esvoaçando atrás dele.

— É melhor eu te deixar ir para casa — Remus suspirou, olhando para Tonks.

— Para onde você vai? — perguntou, erguendo uma sobrancelha.

— Provavelmente para a casa do Matt — disse. — Preciso contar a ele sobre Greyback... eu não sei...

— Isso pode esperar — Tonks disse com firmeza. Remus a olhou sem entender. — Você está acabado, Remus. Você não dormiu, passamos a noite sendo seguidos por um maluco e passamos a manhã o capturando e em várias reuniões, Sirius finalmente foi preso, você está tentando ajudar com Harry, me ajudou quando fiquei sabendo do Melv... — Tonks respirou fundo. — Já comeu?

— Eu... — Remus franziu o cenho. — Er... bem, Harry dividiu os biscoitos... — Tonks suspirou e puxou Remus na direção do elevador. — Aonde estamos indo? — perguntou, mas a seguiu com boa vontade.

— Para casa — ela disse. Ela e Remus estavam precisando muito de cuidados maternos.

-x-

Narcissa bateu na porta do escritório de Severus e esperou. Um momento depois, a porta rangeu e foi aberta, revelando um olho escuro.

— Sim?

— Severus — disse com um sorriso leve. — Esperava outra pessoa?

— Na verdade, sim — disse com irritação, dando um passo para o lado para que ela entrasse. — Achei que você era o diretor. — Narcissa ergueu uma sobrancelha. — Ele tem sido... exigente ultimamente. — Severus não ofereceu mais nenhuma explicação ao guiá-la por uma porta lateral. Essa porta certamente não estivera lá durante sua última visita e lhe ocorreu que devia ser uma porta escondida.

O quarto de Severus era muito mais simples do que ela esperara. As paredes eram de pedras cinzentas, como o resto das masmorras; entretanto, assim como no escritório dele, as paredes estavam quase completamente cobertas por prateleiras de livros e ingredientes de poções. Um fogo baixo e bruxuleante era a única iluminação, permitindo que Narcissa visse a pequena cama no canto do quarto, uma mesa e um armário em outro canto e que uma bandeira da Sonserina era a única decoração. Narcissa contou duas portas — três se incluísse pela qual acabara de passar —, mas todas estavam fechadas.

Severus foi se sentar à mesa e Narcissa conjurou uma cadeira para si. Sentou-se e entrelaçou as mãos, enquanto Severus acenava a varinha para as tochas nas paredes. Elas se acenderam e iluminaram o quarto consideravelmente.

— Agora — Severus disse, virando-se para ela. Então, ele pausou e inclinou a cabeça como se a visse pela primeira vez. — Está usando vermelho? — gaguejou.

— Sim — respondeu.

Severus piscou e ela se perguntou se ele esperara uma resposta defensiva; Lucius certamente recebera uma — ela discutira com ele sobre isso por cinco minutos até dizer que pelo menos as vestes dela não eram douradas e ir se remoer no escritório. Hydrus descera e lhe dissera que ela não devia sair desse jeito, afinal, o que as pessoas iam pensar?

Narcissa tinha sorrido para ele, seu filho tão doce e oh-tão-Sonserino, e garantiu-lhe que era só por precisar causar uma impressão — não disse que precisava impressionar ao irmão dele. Esperara que Draco ficasse horrorizado por ela estar usando as cores da Grifinória ou, talvez, perguntasse o motivo de estar vestida assim. Tudo o que ele dissera, entretanto, era que ela ficava bonita de vermelho.

— Entendo — Severus disse. Ele balançou a cabeça e voltou a ficar sério. — Assumo que isso tenha algo a ver com Potter?

— Não é sempre assim? — suspirou.

— Sim — concordou. — Além do Potter, entretanto, eu não tenho ideia.

— Nenhuma? — perguntou com um sorriso afetado.

— Tenho suposições — admitiu. — Mas prefiro não perder tempo, então se pudesse chegar logo ao motivo de sua visita...

— Ficou sabendo da prisão dele — ela disse, cautelosa. A expressão de Severus não mudou. — Foi o que achei. Então, também sabe que o Departamento de Supervisão e Controle das Crianças Mágicas está pressionando para que Harry Potter seja colocado em um lar novo e estável o mais rápido possível.

— Ouvi dizer que será amanhã à noite — Severus respondeu, tenso.

— Dumbledore te contou — ela deduziu.

— Entre outras coisas — disse com irritação. Ela ignorou sua atitude.

— Então, deve estar ciente de que há um tipo de reunião amanhã, na qual o Ministério pode encontrar os... possíveis guardiões do menino. — Severus gemeu.

— Suponho que posso adivinhar o que Lucius fará amanhã — Severus disse e Narcissa sorriu tristemente.

— De fato. — Esperou que Severus falasse algo, mas ele ficou em silêncio. — Entende por que eu vim — Narcissa incentivou.

— De fato — repetiu, escorando-se em sua cadeira. Seus olhos negros se fixaram nos azuis dela, que sustentou seu olhar com esforço. Não sabia pelo que ele procurava, mas não ia desviar os olhos para que ele não a achasse fraca. — Qual sua opinião sobre o assunto? — perguntou por fim.

— A mesma que a de meu marido, é claro — disse arrogantemente.

— Se isso fosse verdade, não estaria aqui — retorquiu lentamente.

— Eu sei. — Narcissa sempre fora uma mulher com motivos próprios, mas tais motivos costumavam ser os mesmos que os de Lucius. Viu-se imaginando quando isso tinha parado de acontecer.

Provavelmente na época que ele te disse que seu filho seria um Grifinório, pensou com raiva.

— Bem? — Severus perguntou.

— Eu não o quero — murmurou.

— Lucius ou...

— O menino, Severus — disse com impaciência.

— Não posso culpá-la — desdenhou. — O menino é a reencarnação do pai idiota e Merlin sabe quais besteiras Black colocou na cabeça dele...

Narcissa permitiu que ele falasse. Seus motivos para não querer Potter não eram baseados na personalidade ou na linhagem dele. Queria saber se Lucius se esquecera que a mãe do menino tinha sido uma sangue-ruim. Esse era o tipo de coisa que Lucius faria vista grossa em uma situação como esta, apenas para se lembrar depois e ficar horrorizado. Seus motivos nem sequer eram baseados em emoções, apesar de temer que se adotasse o menino, como Lucius queria, acabaria se apegando a ele e esse apego acabaria complicando ainda mais as coisas. Não, os motivos de Narcissa eram baseados no bem-estar de sua família.

— ... falar o que quiserem sobre a linhagem de Lily — Severus continuou, bravo —, mas ninguém pode dizer que ela não era um ser humano decente. Potter, por outro lado...

Em termos simples, não tinha certeza de que queria que o Lorde das Trevas voltasse. Lucius e Bellatrix viviam falando que tinha sido maravilhoso quando ele estivera no auge durante a guerra, como se sentiam alegres e como tinham sido respeitados por seus camaradas. Mas não era assim que Narcissa se lembrava das coisas. Lembrava-se de Lucius e Bella nunca estarem em casa, porque estavam servindo ao Lorde e lembrava-se de se preocupar que eles acabassem em Azkaban. E se eles falhassem em uma tarefa e acabassem sendo mortos pelo próprio Lorde das Trevas? Ela se lembrava de sentir medo, pela vida deles, pela própria, e pelas de Hydrus e Draco quando eles nasceram.

— ... nunca importou para Dumbledore, mas ele também é tão brilhante quanto é senil, e está ficando mais senil a cada dia que passa...

Fazer com que o menino Potter e o Lorde das Trevas estivessem em lados diferentes era o melhor para sua família, ainda que fosse a única a perceber isso. Lucius podia voltar a servir ao Lorde das Trevas — e Hydrus e Draco podiam ser iniciados se necessário — se ele voltasse. Se Potter derrotasse o Lorde das Trevas novamente, então Draco estar na Grifinória ajudaria a enquadrá-los como os "bonzinhos" e as habilidades que ele aprendia com Severus ajudariam ainda mais. Para Narcissa, era manter um dedo na Chave de Portal metafórica. Acolher Potter seria o mesmo que colocar a mão inteira na Chave de Portal e era cedo demais para fazer algo tão drástico.

— ... o que fará? — Severus perguntou e Narcissa tentou fazer parecer que estivera ouvindo o tempo todo.

— Se eu soubesse, não estaria aqui — disse e Severus gemeu novamente.

— Por anos — disse quase num tom reflexivo —, eu achei que Dumbledore ou o Lorde das Trevas acabariam me matando. Foi uma ideia prematura e, agora, atrevo-me a dizer que será você.

Continua.