A/N: Desculpem a demora, mas o meu noivo está me visitando por um mês. E depois de ficarmos 8 meses separados, espero que vocês entendam o porque da demora desse capítulo…
Foi criada uma comunidade no Orkut para essa fic! O link está no meu perfil! Dêem uma olhada e participem!
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
A Cada Outra Meia-Noite
Capítulo 51: No qual a Lily não é a Lily
Uma vez em Londres, Sirius sai da moto dele, e vai para o carrinho lateral para pegar a Lily, que ainda está dormindo, do James, para que ele possa sair do carrinho, antes de pegar a garota de volta.
"Lily?" Sirius pergunta hesitantemente, cutucando ela.
"Shh, não acorda ela, nós não sabemos pelo o que ela passou." James diz, virando de costas para o Sirius, como se isso fosse capaz de impedir qualquer som de alcançar ela.
Sirius incerto, passa a mão pelo cabelo dele. 'É precisamente isso que me incomoda.' ele pensa. "Mas geralmente ela tem sono leve." Ele diz, cutucando ela novamente.
James olha de cara feia para o Sirius, enquanto o Sirius abre a porta para eles. "Ela está exausta." ele explica. "Aonde está o Remus?"
"Se ele não estiver no sofá, então eu não sei. Talvez tenha saído."
XXXXXXXXXXXXXXXXX
'Geralmente ela tem sono leve, puh. Ele está falando isso de propósito.' James pensa amargamente, enquanto coloca ela no sofá. "Nós vamos descansar um pouco antes de irmos, ok?"
"Certo..."
Sirius sai para a cozinha, e James, incapaz de pensar em algo útil que ele possa fazer, o segue.
Sirius está com a varinha a postos e apontada para o origami de papel, que bate as asas em cima do balcão da cozinha, sem ter força suficiente para levantar vôo. O bico dele está amassado, e o pescoço está torcido, quebrado pela viagem no bolso do Sirius. É uma visão lamentável.
Logo em seguida, uma faísca sai da varinha do Sirius, acendendo a ponta da asa do origami de papel. A chama se espalha lentamente, consumindo o resto do corpo dele.
James olha para o melhor amigo dele, que somente olha de volta com cara feia, como se estivesse dizendo, 'O quê? Tem algum problema com isso?'
Não, James não tem nenhum problema com isso. Nenhum. Na verdade, ele coloca a mão no bolso dele, para pegar o pedaço amassado de pergaminho, algo que ele não se importaria de adicionar a fogueira…
A ave continua a bater as asas e se contorcer, lutando até o final. James imagina se os seus últimos movimentos espasmódicos somente ajudaram o fogo espalhar mais rapidamente. Mas o que isso importa na verdade. Se tivesse ficado deitado e esperando, teria tido o mesmo resultado, estava condenado, não importa o que acontecesse. Podia, pelo menos, morrer lutando.
O origami, ele quer dizer. Ele, é claro, que não se permite ter esse tipo de pensamento. Ele tem que ser forte e otimista, pelo bem da Lily, assim como o dele mesmo.
Você deveria ter ficado 'morta'. Você estava mais segura desse jeito. Eles não vão ficar felizes com isso.
S
A mensagem parece ridicularizar ele, zombando dele, em cima do balcão da cozinha. Ousando que ele faça isso.
Mas é a carta da Lily; ele não tem o direito de destruí-la. Ele deveria mostrar para ela. Mas como que ela vai reagir? Ela vai ficar chateada? Ou pior, ela vai comovida?
O pedaço de pergaminho está perto da mancha que uma vez foi o origami, que os levou para fora das minas. 'Bem pesado para somente um pedaço de papel.' James pensa. Queimar ou não queimar? Ele sabe muito bem o que ele quer fazer, mas ele está em um contraste, dolorosamente e igualmente ciente do que ele deveria fazer. Dar para a Lily e deixar que ela se livre, ou fique com o papel, como ela achar melhor.
Mas ela vai realmente ficar com o papel? James sabe por explorações, que ela mantém as cartas dele, será que ela também vai manter essa? E ainda, ela disse ao Sirius que não quer ter nada a ver com o Snape. Então qual é o problema em destruir uma pequena mensagem que ela nem mesmo sabe que existe? Pode salvá-la de mais dor ainda.
Ele murmura e bagunça o seu cabelo já bagunçado, enquanto olha de cara feira para o pergaminho polêmico. Ele está racionalizando de novo, e ele sabe disso. Ele vai somente entregar o pergaminho para ela quando ela acordar, mesmo que somente sirva para lembrar a ela que o Snape que a salvou, não ele.
A mensagem que ele estava encarando fica em chamas. Não começa de um lugar e se espalha como aconteceu com o pássaro. Em vez disso, parece que tudo entra em chamas de uma só vez, em fogo por um segundo poderoso, e logo em seguida não tem nada exceto uma mancha preta e um pouco de fumaça.
'Bem, não tem o porque debater agora.' ele pensa. Aparentemente, o Sirius fez a decisão por ele.
"Obrigado, Almofadinhas."
"Eu não fiz isso." ele responde, apontando para a varinha dele, que está guardada seguramente dentro do bolso dele, para provar o que ele disse.
"Oh..." Que vergonhoso. Somente agora ele entende o quanto que a Lily se sentiu envergonhada com a magia acidental dela. Ele é um adulto. Ele deveria ser capaz de controlar as emoções dele, não deixá-las escapar dele. Ele não deveria perder o controle nessa idade. E com a profissão dele! Isso é ainda mais vergonhoso. Um professor/auror deveria ser capaz de conter e controlar a magia dele.
Mas o mais vergonhoso de tudo, entretanto, é que no final das contas, foi o egoísmo dele que venceu. Não foi a auto-preservação da Lily, nem algo bom como protegê-la do perigo; não foi nem mesmo raiva justificada. Não, foi completamente e inteiramente egoísmo. Ele deixou acontecer o que ele queria, não o que ele sabia que era correto. Ele bagunça o cabelo dele desastradamente, e limpa a 'evidência' do pequeno 'acidente' dele. Sirius não fala nada sobre isso, e por isso ele é grato.
Sirius pega dois copos e uma garrafa de algo que parece ser bem potente, e coloca no balcão. Embora a bebida seja forte, ele enche os dois copos pela metade.
"Nós vamos ter que voltar daqui a pouco."
"E?"
"Não beba e voe."
"Eu duvido que o tráfico aéreo esteja muito terrível." ele diz sarcasticamente. "E isso é somente para impedir que os tolos escorreguem das vassouras. Além do que, é somente um."
Na verdade três, mas mesmo assim James aceita o copo, e brinda com o do Sirius.
"Saúde." Sirius diz, tomando um gole.
Fica silencioso por um tempo, ambos os homens estão muito perturbados com os seus próprios pensamentos para compartilhá-los. Depois de vários minutos (e vários goles a mais), Sirius faz uma tentativa.
"Você sabe como que ela disse..." ele começa, mas pára. As sobrancelhas dele se franzem, enquanto ele encara o copo na mão dele. Ele toma outro gole, e faz outra tentativa. "Eles podem ter..." Mas novamente ele não consegue terminar. Ele suspira furiosamente, e tenta mais uma vez. "E se você-sabe-quem..." ele pára por uma terceira vez. Frustrado, ele engole o restante da bebida dele, bate com o copo na mesa, e resmunga, "Esquece.", antes de sair rapidamente da cozinha, subindo as escadas e batendo a porta do quarto dele.
James sabe que o Sirius jamais diria na verdade o que está preocupando ele, mas somente agora ocorre para ele (depois de ver o homem se esforçar tanto) que talvez o Almofadinhas simplesmente não saiba como.
James leva o copo dele com ele para a sala de estar, aonde ele senta na poltrona ao lado do sofá aonde a Lily está deitada.
Ele vai dar mais uma hora para ela descansar. É claro que a próxima viagem até Hogwarts vai levar horas, e ela também pode descansar então, mas não é o mesmo que algumas poucas horas em um lugar quieto, quente e confortável.
Enquanto ele bebe, ele imagina se eles podem arriscar aparatar para Hogwarts. Parece ser seguro o suficiente. Qualquer pessoa que esteja interessado neles, sabe que é para lá que eles estão indo mesmo, e quando chegassem, eles estarão seguros no castelo. Se a Lily não estiver disposta, eles sempre podem fazer aparatação acompa…
"Ei!" ele grita alto, quando tem a idéia. Ele derruba a bebida dele, que mancha a calça dele, mas ele limpa desastradamente com a varinha dele.
Aparatação, é quando uma pessoa quebra o espaço, saindo de um local para entrar em outro. Aparatação acompanhada é simplesmente levar uma pessoa junto com você, através da fenda que você já criou para você mesmo. Não envolve que eles façam a fenda deles. Portanto a pessoa que está acompanhando a aparatação seria, em teoria, indetectável. Eles não seriam capazes de dizer quando você está aparatando sozinho ou com outra pessoa.
Que realização excelente. Ele sabe que a teoria mágica dele é legítima, mas ele gostaria de ter um jeito seguro de testá-la, mas ele sabe que provavelmente não tem. Ele se lembra que o Dumbledore disse que as Chaves de Portais são detectáveis. James nunca pensou realmente nos mecanismos mágicos das Chaves de Portais, mas agora que ele está pensando sobre isso, ele imagina que Dumbledore esteja correto. (Não que ele jamais tenha duvidado disso.) As Chaves de Portais criam portais para cada pessoa que está utilizando o canal, quaisquer que seja esse. A sensação de viajar por Chave de Portal é um indicador bom o suficiente disso. Não é ser espremido pelo espaço, é ter um espaço criado para cada pessoa que está tocando o objeto naquele instante, e passando por aquele canal. Todo mundo tocando o veículo teria o seu próprio caminho criado para eles, é por isso que eles podem soltar e sair a qualquer momento… Portanto todo mundo seria detectável. Uma pena que isso não traga nada de bom. Tanto ele quanto a Lily estão com certeza sendo monitorados.
James ouve a porta abrir. Mas não é a porta do Sirius.
O corpo magro do Remus parado na porta. Os ossos do rosto dele sempre foram tão salientes assim? Tão evidentes? Talvez seja somente a luz. Ele coloca um dedo nos lábios dele, para impedir que o amigo dele o cumprimente muito alto.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Quando Remus entra na residência na qual ele está se intrometendo ultimamente (ou pelo menos parece assim para ele), a primeira reação dele foi prazer em ver James e Lily de volta em segurança. Ele ia perguntar aonde está o Sirius, quando o James coloca um dedo nos lábios. Remus concorda com a cabeça, e fecha a porta silenciosamente.
"Sirius?" ele sussurra, perguntando.
"Lá em cima." ele responde, apontando com o dedão dele desnecessariamente para cima.
"Está todo mundo bem?"
"Acho que sim."
"Como foi?"
James não responde, ele simplesmente balança os ombros, e diz, "Hummm." Uma resposta frustrante. Remus estava esperando ter mais informações. Ou qualquer tipo de informação. Ele olha de cara feia, e se senta na última cadeira restante. James abaixa o copo dele na frente do Remus.
"Você pode beber se quiser." ele diz, se inclinando para trás, e ficando confortável. Ele fecha os olhos e suspira. Remus olha para o relógio. Não são nem mesmo 10 horas da manhã, e eles já estão bebendo?
'Hummm' mesmo, Remus pensa. O que o James não está contando para ele? Eles todos parecem estar exaustos, mas eles estão esgotados por terem vencidos, ou por terem sido derrotados? Ele faz uma cara feia para si mesmo. Deixando o copo de bebida intocado (uma vez na vida dele), Remus sai para procurar o outro amigo dele, no andar de cima. Talvez o Sirius esteja mais acordado e mais disposto a compartilhar informações.
Remus está acostumado a casa ser parada e quieta, tendo ficado sozinho aqui tão regularmente. Sirius geralmente está fora com mulheres, ou fingindo estar saindo com mulheres quando ele estava, na verdade, trabalhando (Remus suspeita que o amigo dele trabalhe mais no Semanário das Bruxas do que ele deixe aparecer). Mas agora parece estar extraordinariamente silencioso, já que tem 5 pessoas dentro da casa. Enquanto ele sobe as escadas, ele percebe pela primeira vez, o quanto que o 3º e o 5º degraus fazem barulho.
Não é somente o fato que ele tenha que ser silencioso. Ele é silencioso pela maior parte do tempo, ele não se importa com o silêncio. Na verdade, ele gosta do silêncio. O que o faz ser tão desconfortável é que tem algo aqui que não está sendo dito. Isso faz o silêncio ser mais pesado e mais opressivo, tanto que ele se esquiva com o som que a mão dele faz, quando ele bate levemente na porta do Sirius.
Assumindo que o Sirius deve estar descansando, assim como os outros dois, Remus vira, pensando que ele pode ousar cochilar em um dos quartos, já que a Lily está ocupando o sofá no momento. Sirius freqüentemente insistiu que ele utilizasse um dos quartos, mas isso seria assumir que ele está vivendo aqui. E ele está fazendo o máximo possível para encontrar um emprego, e conseguir o seu próprio lugar para morar, para que ele possa parar de depender da generosidade dos amigos deles para tudo.
Achando que ele possa muito bem sentar no andar de baixo, ele começa a descer os degraus, quando a porta se abre atrás dele. As sobrancelhas do Sirius se erguem pela metade, imitando a sua meia surpresa. "Aluado," ele diz, chegando para trás da porta, abrindo-a para deixar o amigo entrar. "Vem, entra."
Se sentindo excepcionalmente nervoso, ele entra. "Tem algum problema?" Remus pergunta. "O Pontas não me disse nada."
"Porque ele não sabe de nada." Sirius responde simplesmente. Remus abre a boca para continuar a perguntar, mas o Sirius o interrompe, respondendo a pergunta que ele sabia que o Remus ia perguntar. "E eu também não."
"Como que vocês não sabem?"
"Porque nós não estávamos lá." ele diz com um suspiro, caindo graciosamente em um sofá escarlate. Com uma perna pendurada no sofá, a outra arqueada de tal forma que o joelho dele está apontando para o teto, Sirius parece estar perfeitamente calmo, até mesmo entediado. Remus sabe que esse não é o caso.
"Ela está bem?"
"Eu também não sei disso." Sirius fala lentamente. Remus percebe que o Sirius está evitando contato visual.
"Almofadinhas..."
"Nós nos separamos mais cedo." ele diz, soltando um suspiro irritado, como se soubesse que o Remus não ia deixar ele escapar dessa tão facilmente. Ele balança a mão dele preguiçosamente no ar. "Tudo que nós sabemos é que ela encontrou com você-sabe-quem em algum ponto da noite, quando nós finalmente a encontramos e a libertamos..."
"Libertaram ela?"
"Nós saímos imediatamente. Ela mencionou alguma coisa sobre Aquele Que Não Deve ser Nomeado. Isso é tudo."
Remus duvida muito disso, mas não parece que ele vai conseguir obter qualquer informação extra. Mesmo assim, ele foi mais informativo do que o Pontas.
"Eu entendo." ele diz, dando um olhar ao amigo dele que teria sido mais impressivo caso ele tivesse óculo para olhar por cima. Não que isso importasse. Sirius não olharia para ele mesmo. "Por que vocês não perguntaram para ela?"
"Que pergunta excelente, Aluado!" ele diz com um ânimo falso. Uh oh, ele puxou para muito longe. O sarcasmo aparente é prova suficiente.
"Desculpa." ele se desculpa. "Eu não acho que eu entendo."
"Eu também não, cara. Eu também não." A voz dele se abaixa mais uma vez, e ele belisca a parte do nariz dele que encontra as sobrancelhas dele, como se ele estivesse com uma dor de cabeça. Ele provavelmente tem. Sirius sempre foi tão particular sobre precisar do sono dele, e agora é óbvio que ele não dormiu nada.
Sem dizer mais nada, Remus balança a cabeça (não que o Sirius tenha visto isso), e sai do quarto. Ele percebe que o James está claramente dormindo, enquanto ele caminha pela sala de estar para a cozinha. Ele coloca a garrafa dele de volta no lugar, e procura por algo mais substancial para encher o estômago dele.
Merlin, ele está tão cansado. Ele sempre odiou se sentir tão cansado. Ele sempre perde os acontecimentos. Pensando que ele possa simplesmente tirar um cochilo, em vez de comer mais da comida do Sirius, ele retorna para a sala de estar e se joga na cadeira. Ele estuda a garota adormecida por um instante, antes de também cair no sono.
Leva mais uma hora para que o Sirius finalmente quebre, e que o silêncio terrível e perfeito seja quebrado…
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Precisa de muito barulho para acordar o James, e é um SMACK alto e poderoso que o acorda. Pulando do assento dele, leva um minuto para que ele perceba o que aconteceu. Sirius está parado encima da Lily, segurando uma mão machucada na outra. Ele bateu nela. James vai começar a gritar com o amigo dele, quando percebe que a Lily ainda está dormindo, que provavelmente é o motivo pelo o qual o Sirius fez isso. O alívio em saber que ela não sentiu o tapa não se compara com o medo em saber o que o Sirius vai contar para ele.
"Como eu havia pensado. Ela não vai acordar. Maldito..." mas ele não termina a injúria ele. Ele simplesmente passa uma mão muito vermelha pelo cabelo. Remus também está parado ao lado deles, olhando de cara feia. "Bem, então o que vamos fazer? St. Mungos? Já que é aqui em Londres? Muito mais perto com a moto."
"Nós vamos aparatar. Para Hogwarts."
"Muito arriscado."
"Um de vocês leva a Lily, o outro me leva. Eu não acho que nós seremos detectados dessa forma."
"Tem certeza?"
"Não completamente. Mas nesse ponto, eu não me importo mesmo."
"Bem, você deveria. Ser imprudente, e agir sem pensar, pode deixar uma pessoa em apuros." diz Sirius, com um toque de raiva na voz dele. É uma lembrança não muito súbita que atinge o James dolorosamente. Ele pensou muito bem nesse assunto, e chegou a conclusão que isso não é a mesma coisa de quando ele saiu no Natal.
"Nós vamos estar seguros quando estivermos nos terrenos de Hogwarts de qualquer jeito. E eu não quero levá-la para o St. Mungos." Não se ele estiver que ficar em Hogwarts, ou no ministério pela metade do tempo. Ele a quer por perto.
De alguma forma o James sabe que o Sirius que vai levar a Lily. Ele não reclama; não que o Sirius tivesse ouvido, caso ele tivesse reclamado. Ele se foi antes mesmo do James olhar para o Remus, para perguntar se ele o levaria. Depois que eles ouviram o Almofadinhas ir embora, ele não tem escolha exceto ir com o Aluado, então ele nem se preocupa em pedir.
Atipicamente, Sirius está levitando ela, em vez de carregá-la no colo. Ele bate os pés como se estivesse em um ânimo furioso, enquanto caminha de Hogsmeade até o castelo. Remus e James correm atrás dele.
James espera na ala hospitalar, sabendo que a Madame Pomfrey vai falar alguma coisa, sobre ele trazer a Lily aqui de novo, e ele tem a intenção de cortá-la imediatamente com algo que ele já compôs na mente dele. Ela somente consegue dizer "Potter...", quando ele a interrompe com o discurso dele.
"Foi o Lord Voldemort que fez isso, não eu. E não, eu não sei o que foi, então guarde os seus sermões para crianças desobedientes, e dirija a sua atenção a realmente ajudar."
A curandeira, silenciada efetivamente, começa a remover o casaco da Lily. É um trabalho nojento. O pus das queimaduras se secou, grudando a Lily às roupas dela, então quando a Madame Pomfrey os remove, eles são rasgados e começam a soltar pus novamente. Teria sido doloroso, caso ela tivesse sido capaz de sentir isso. O pior de todos os machucados é o anel em volta da cintura dela. É nauseante olhar para isso, e os marotos viram de costas, para deixar a curandeira de estômago de ferro fazer o trabalho dela. Infelizmente, além de curar as queimaduras ("que não estão se curando apropriadamente," ela reclama), não tem nada mais que ela possa fazer.
"Isso está ficando bem cansativo, não é?" Sirius diz, casualmente. "Ela poderia pensar em fazer algo novo, em vez de ficar deitada inerte por horas e horas. Mudar um pouco, esse ato está ficando velho."
"Não é um ato." James fala irritadamente. "Não fale como se fosse culpa dela."
"Pode muito bem ser, a gente não sabe."
"Bem, nós não sabemos ao certo, então a não ser que você tenha algo útil para dizer..."
"E se o cérebro dela foi estragado de novo?"
"Almofadinhas!" Remus reprime, tentando fazer que o Sirius continue a deixar o James mais nervoso. Mas aparentemente é isso que o Sirius quer fazer.
"Supondo que dessa vez, ela nunca acorde? O que você vai fazer então, hein Pontas?"
"Sirius!" Remus grita, puxando o amigo para longe. Ele continua em um sussurro feroz, que mesmo assim chega aos ouvidos do James. "O que você acha que está fazendo? Eu não sei porque você está tentando deixá-lo nervoso, mas pare, ok?"
"Por que? Não falar sobre isso não vai fazer que o problema vá embora, não é? Posso pelo menos descrever para ele, para que ele fique preparado para o que quer que aconteça."
"Eu tenho certeza que ele sabe tão bem quanto você o que pode vir a acontecer. Pense no seu amigo, e lide com a sua dor de outra forma. Se você não pode apoiá-lo, se manda." Remus dá um pequeno empurrão no Sirius, enquanto caminha de volta para o lado do James.
Sirius olha de cara feia para o Remus, e dá dois passos na direção da porta da Ala Hospitalar, quando a voz da Lily o para. Ela não diz nada que o faça parar em curiosidade, ou para cumprimentá-la em estar de volta ao mundo dos vivos. Em vez disso, ele fica congelado, em um horror chocado com o som dos gritos dela.
Madame Pomfrey voa de volta, gritando para eles saírem do caminho dela até a Lily. Eles chegam para trás, e a deixam passar, e encaram a Lily com expressões que variam de dor e descrença.
"Ela está caindo." Sirius diz. James está surpreso que ele consiga ouvir qualquer coisa com todo o barulho. Mas talvez ele não tenha ouvido corretamente. O que ele disse não faz muito sentido.
Depois de vários minutos tentando fazer, de várias formas, que ela parasse de gritar, Madame Pomfrey desiste. O rosto dela, de todas as pessoas reunidas aqui, aparenta ser o mais angustiado. Talvez seja porque ela esteja sentindo a culpa adicional por ter falhado como curandeira, ou talvez porque a mulher não se preocupe em esconder o desgosto dela como os homens, que estão fazendo o melhor esforço possível para ficar com os rostos estóicos.
Sirius é o primeiro a sair. Ele levanta os braços no ar, derrotado, e caminha para fora depois de sussurrar vários palavrões que ninguém consegue ouvir. Quando os gritos da garota ficam mais altos e mais intensos, James segue o exemplo do Sirius, com a máscara de estoicismo caída completamente.
Remus é o único que permanece, estando muito mais acostumado aos gritos de agonia, tanto mental, quanto física. É verdade que ele nunca ouviu a Lily, ou qualquer outra mulher, gritar desse jeito, mas ele ainda entende.
Toda a dor, em um nível profundo, tem o mesmo som…
Madame Pomfrey dá um olhar culpado implorante ao Remus. Ele acena com a cabeça, pega uma cadeira, e se senta, deixando que a curandeira perturbada saia. A pesada tarefa de olhar a Lily cai sobre ele.
"Parece que somos somente você e eu, Lil."
Ela grita em uma resposta aparente.
"É, eu também não estou muito feliz com isso." ele confessa tristemente.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXX
O sonho da Lily é vívido e surreal, e obviamente não é dela. Uma mulher está parada na pia, lavando os pratos, secando com uma toalha de pratos, e os colocando na prateleira. Ela é uma mulher mais velha, em torno de cinqüenta anos, mas ainda assim muito bonita. Na verdade, caso a Lily tivesse visto essa mulher na rua, ela não teria dito que ela era bonita, mas nesse sonho ela é, porque nesse sonho a Lily não é a Lily, e ela ama essa mulher que ela sabe que se chama Muriel.
Muriel se vira, percebendo que a Lily estava observando ela.
"Oh, Tom." ela diz sorrindo. "Você me assustou. Eu não estava te esperando de volta tão cedo."
"Eu esqueci a minha caixa de ferramentas." ele explica, e então beija a bochecha enrugada e dura.
Ela rola os olhos, e sorri de forma engraçada. Ela não sabe como que qualquer pessoa pode esquecer suas ferramentas quando está pescando. Lily vai para o outro quarto para pegar as coisas que ela havia esquecido, e diz adeus para a sua mulher mais uma vez. Ela sai a pé. Não é tão longe, e ela não quer desperdiçar combustível. Eles tem que economizar. Ter um mercadinho não é exatamente lucrativo, mas está bom mesmo assim. Tom perdeu a sua ambição quando ele ainda era jovem, e quando a hora chegou, ele assumiu o comando do negócio da família sem reclamar, e sem arrependimentos.
Lily caminha por um trajeto de 3 quilômetros que ela nunca viu, mas mesmo assim se sente perfeitamente familiar, como se ela tivesse atravessado o mesmo caminho por 20 anos. O que ela fez, ou melhor, o Tom fez; é a mesma coisa.
Ela se senta no mesmo lugar de sempre ao lado do riacho, separa as coisas dela, e se senta em silêncio, com a linha de pesca na água, olhando os pássaros. A verdade é que ela gosta muito mais dos pássaros do que de pescar, mas não estava pensando nisso quando ela decidiu ter um hobby novo 25 anos atrás. Agora é tarde demais. Além do que, não importa mesmo. Ela somente gosta de se sentar no silêncio.
Hoje é muito especial. Uma coruja diferente, que não costuma morar na Inglaterra, mas que, por algum motivo, hoje está aqui, parada em um galho não muito distante. 'Athene noctua' ela diz para si mesma. Ela ouve o baixo arrulho da pomba de colar, antes que ela a veja, mas depois de muito tempo procurando pacientemente, ela a encontra. Streptopelia decaocto.
Geralmente ela vê melros, pardais, tentilhões, abelharucos, canoras e corvos. Nessa época do ano, no Inverno, os abelharucos estão por toda a parte. Talvez seja porque os outros pássaros sejam menos abundantes, e então os chapins (como os americanos os chamam) sejam simplesmente mais predominantes.
Fica mais difícil ver os pássaros enquanto fica mais escuro, e essa noite parece estar extraordinariamente fria. Tom odeia o frio. Ela guarda as coisas dela, e se levanta para voltar para casa. Ela não vai levar nenhum peixe de volta hoje, como de costume.
Ela sente uma queda repentina no ânimo dela, que é inexplicável, assim como a repentina queda na temperatura. Por algum motivo, ela está deprimida, e tem a certeza de que nunca mais será feliz novamente.
A neblina parece enevoar o caminho dela e a mente dela, de uma só vez, e ela sai do caminho de costume dela. Depois de muito tempo que ela ouve um som metálico abafado e um barulho, que ela percebe que ela derrubou a caixa de ferramentas e a vara de pescar dela. Ela está no chão, pouco ciente de Dover. Fica mais e mais turvo, enquanto a lembrança da Alemanha fica mais e mais forte.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Tom acorda, com o rosto na neve. Um garoto de apenas 20 anos, e já querendo morrer. Ele está sozinho agora, separado do pouco restante deles que sobraram do regimento dele. Ele estava perdido na neve por dois dias, sem nada para comer. Se ele se importasse em olhar para os seus pés ou mãos, ele perceberia que eles estão azuis, congelados.
Foi o cachorro que o encontrou. Claramente os alemães acharam que ele estava tentando se esconder deles, por se enterrar na neve. Eles vêem a verdade, quando o levantam. Eles estavam gritando com ele antes disso. Ele não consegue entender que eles estavam dizendo para ele se levantar, mas não que ele pudesse levantar, de qualquer jeito.
Ele está feliz que o tenham encontrado. Eles vão tirá-lo da miséria dele e, ou vão matá-lo ou vão levá-lo como prisioneiro de guerra. Ele recebe com prazer as duas opções, as duas parecem ser muito boas. Se eles quisessem ser verdadeiramente cruéis, eles o deixariam aqui.
Ainda bem que eles não querem.
Ele está levemente ciente que ele está em um trem, enrolado no chão de um vagão de carga. Tem cheiro de mijo, mas talvez o cheiro seja dele. Ele não se importa. Ele está protegido do vento mordaz.
Ele não sabe quanto tempo ele ficou naquele trem, mas um garoto bondoso o ajuda a sair, quando chega a hora. Garoto? Não, o soldado alemão tem a mesma idade dele.
'Não, ele é um garoto. E eu também sou.' Somente garotos, fingindo, esperando, tentando provar que eles são homens, por estarem participando da guerra. Na época era tão honorável. Agora? Foi somente estupidez. Idiotice, insensatez. Parece ser tão infantil agora. Somente os jovens se registravam voluntariamente. Somente os jovens lutavam na guerra. Os velhos não. Não por causa dos ossos doloridos. Os mais velhos simplesmente sabem o que é melhor.
Enquanto ele é escoltado para dentro, pelos portões cercados por arame farpado, e torres de guarda, ele não consegue se impedir de agradecer todas as pessoas com as quais ele tem contato. "Danke." é a única palavra em Alemão que ele conhece, mas é tudo que ele precisa saber nesse ponto. Ele não se sente como um traidor, os agradecendo.
Quem o ajudou é um bom garoto, apesar de ser Alemão. Ele não foi nada, exceto bondoso. A única coisa que ele fez de errado, foi se unir ao exército. Seria hipocrisia da parte do Tom usar isso contra ele. Ele mesmo fez o mesmo erro. Esse garoto não é inimigo dele. Na verdade, ele decidiu que o único inimigo verdadeiro dele é a neve. Qualquer outra coisa é somente um adversário imaginado.
Tonto pela fome e doença, ele desmaia no momento que ele conhece Devane, o prisioneiro residente, que se acha responsável por todos os soldados Ingleses companheiros desse campo particular. Na verdade, ele poderia ter desmaiado de qualquer jeito, mesmo se não estivesse doente. Francis Devane tem uma personalidade bem opressora. Carisma e auto confiança emanam dele como um fedor poderoso. É forte o suficiente para derrubar um homem. Frank Devane está nos campos há anos. Quatro ou cinco. Ele se considera uma autoridade na vida do Campo dos Prisioneiros de Guerra. Ele tem um corpo sólido e se exercita diariamente. A verdade é que ele viu menos ação que qualquer pessoa aqui, mas dentro desses muros farpados, ele está no comando.
Tom fica surpreso em encontrar Lucas Benson ali. Ali de todos os lugares. Eles foram colegas de escola muito próximos. Ele chamava o Lucas de 'Benny', e ele o chamava de…
"Garoto Tommy! Que coisa, hein? É uma guerra pequena."
"Mundo." Tom corrige. O mundo realmente é pequeno. Mas a guerra não é. A guerra é grande. Muito grande. Grande demais para um mundo tão pequeno.
"Fico feliz em te ver mesmo assim." Ele aperta a mão do Tom. "Quando você chegou aqui?"
"Fui trazido ontem."
"Trazido de onde?"
"Do frio."
Lucas sorri. "Ah, você não mudou nada. Vamos, minha mãe acabou de me mandar uma geléia de framboesa em um pacote. Vamos experimentar, ok?"
Tom concorda e o segue.
O pão está levemente duro, mas a geléia está tão maravilhosa que ele poderia chorar.
"Como está?" Luke pergunta.
"Tem um gosto… lindo."
"Lindo? Ha. Como que alguma coisa pode ter um gosto lindo?"
Tom não sabe. Tudo o que ele sabe é que comer essa geléia o faz sentir da mesma forma que ele se sente quando olha o pôr do Sol. É lindo, e ele está contente.
"Você ouviu alguma coisa sobre o Sam?" Tom pergunta, agora se sentindo vivo e curioso o suficiente para ser questionador sobre o velho grupo de amigos deles na escola secundária.
"Morreu na França."
"Oh."
"Hm."
"E Pims?"
"Foi explodido por um barco Alemão na Criméia."
"Oh."
"Hm."
Tom coloca de lado a geléia que tem um gosto lindo. Ele não vai mais fazer perguntas.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXX
No dia seguinte, Frank vem até ele, e bate fortemente nas costas do Tom, e o carrega até um pequeno prédio que os próprios prisioneiros haviam construído para servir como um centro de recreação.
Devane tenta contar para ele sobre o último plano de fuga deles desses "Alemães malditos e terríveis."
Tom não quer escapar. Isso só o levaria de volta para a neve. Ele também não acha que os Alemães sejam terríveis. Eles o salvaram, alimentaram, e deram uma cama de verdade para ele dormir. Por que ele vai querer escapar disso? Ele prefere esperar bem aqui e continuar a aproveitar a generosidade deles até o fim da guerra. Óbvio que ele não fala nada disso…
Quando Luke fica com uma febre alta, Tom decide se sentar com ele. Pelo menos até a hora de recolher. Quando ele se levanta para ir ao banheiro (que na verdade é um anexo cheio de buracos), Lucas informa que ele também precisa ir, então ambos vão para o lado de fora.
"Ei, Tom, olha. Não tem nenhum guarda na torre!"
"Eu tenho certeza que ele está lá em algum lugar."
"Não, ele não está! Olha só, nós podemos tentar escapar agora. Eu tenho isso." Ele mostra dois alicates, de aparência rudimentar, da calça dele.
"Aonde você conseguiu isso?"
"Nós os fizemos. Eu sempre os levo comigo, caso a oportunidade apareça. Vamos, Tommy!"
Antes que o Tom tenha tempo para responder, ou o levar de volta para a cama, ele corre. Ele tem que culpar aquela febre estúpida. Caso o Lucas estivesse pensando claramente, ele nunca teria tentado. Tom sabe muito bem que não deve gritar para ele; isso somente traria uma atenção não desejada. Silenciosamente, ele corre atrás do amigo dele.
Ele o alcança no arame farpado, e tenta trazê-lo de volta.
"Me solta." ele sussurra. "Eu preciso desse braço para cortar."
"Não. Você vai voltar lá para dentro."
"Não vou!" ele grita excitadamente. "Nós vamos conseguir!"
O guarda está na torre dele. Ou pelo menos ele está lá agora. Isso fica bem claro quando ele começa a atirar neles.
Os dois homens caem no chão. Tom tenta perceber se ele foi atingido ou não. Ele acha que foi; Lucas cair em cima dele não faria que a perna dele se dobrasse desse jeito.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Frank está lá quando ele acorda.
"Vocês dois vão receber um tempo na geladeira por isso..." Ele diz, com um suspiro condescendente. Tom acha que Devane vai começar a dar reprovar eles, começando com 'se vocês tivessem esperado pelo meu plano...' Mas ele não reprova. Ele simplesmente diz. "Quando você puder, é claro."
"Ele achou que o guarda não estava lá..." Tom explica. Ele olha para a cama perto da dele, aonde Lucas dorme. Ambos foram atingidos nas pernas. Tom na esquerda, e Lucas nas duas.
Três dias depois, eles ainda estão confinados em suas camas. O sussurro do Luke o desperta do sonho dele, o qual ele já esqueceu, no meio da madrugada, mas parece que era um bom sonho.
"Tom! Ei, Tom!" ele sussurra roucamente.
Ele não responde. Talvez se o Luke achasse que ele está dormindo, ele pare.
"Tom! Eu tenho algo a dizer. É importante."
Ele fica quieto por mais um tempo, e Lucas solta o suspiro mais longo e mais exausto que ele já ouviu.
Ele está a ponto de responder, "Certo, o que foi?" quando ele percebe que o amigo dele não respirou novamente.
Acontece desse jeito de vez em quando. Envenenamento do sangue. Não tinham cirurgiões no campo, ninguém para tratá-los, exceto as pessoas normais. Mesmo que eles soubessem como amputar, eles não tinham nada para usar para poder amputar.
Tom se vira na cama, olhando para longe do homem morto, e pensa que quando essa guerra brutal terminar, ele vai passar a pescar. Um passatempo tão calmo, pacífico, inocente. Ele não vai mais atirar.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Tom não está mais na Alemanha quando ele acorda. Na verdade, ele não sabe aonde ele está. Ele somente sabe que ele não quer estar aqui. Duas pessoas estão falando besteira. Besteira completa. Eles poderiam muito bem estar falando uma língua diferente. Eles estão vestidos de uma maneira igualmente ridícula. Loucos, os dois.
Ele foi seqüestrado? Ele não consegue se lembrar de nada; ele não tem idéia de como ele chegou aqui. Com certeza eles estão no subterrâneo. Da posição dele no chão, isso é tudo que ele pode realmente dizer. É praticamente escuro, e a única luz somente é suficiente para iluminar o rosto assustador de um dos homens.
Se é que isso é um homem. Com um rosto como esse, ele deveria estar no circo. É inumano, quase que serpentino.
"Ah, olá Tom." diz o homem com o rosto assustador. Agora que ele o ouviu, ele não tem certeza que seja realmente um homem. A voz é tão suave e aguda, como a de uma mulher.
Exceto que as vozes de mulheres não o assustam. A desse homem sim, e ele somente disse olá.
"Como… como você sabe o meu nome? Aonde eu estou?"
O homem ignora as perguntas do Tom, e começa de algum jeito a iluminar a caverna. Como, Tom não sabe dizer. Talvez tenha um interruptor em algum lugar. O homem mais assustador libera o subordinado dele, e focaliza os seus olhos (vermelhos?) assustadores nele.
Tom luta para se levantar, e tenta escapar, mas ele tropeça em coisas na sua tentativa. Ele é tomado por horror e descrença quando ele vê o que o fez tropeçar. Corpos. Ele não pode vê-los bem, mas eles parecem ser do tamanho de crianças. Mortas, todas elas.
Verdadeiramente aterrorizado agora, não somente nervoso e assustado como estava antes, ele se vira para o mutante. Ele não quer olhar, mas ele não consegue impedir.
"Eu receio que eu não posso deixar você sair." ele diz, e aponta uma vareta para ele. Quando ele se sente voar no ar, ele finalmente entende. Ele está sonhando. Isso é somente um sonho. Um pesadelo. Ele somente precisa se acordar.
O sonho não parece ter fim; somente fica pior e pior. Ele está amarrado no fogo, e o homem faz as coisas mais impossíveis e assustadoras que ele já viu. A dor é a única coisa que ele tem ciência. O cérebro dele rejeita todas as outras informações como impossíveis e sem importância. O homem continua a falar, mas Tom não ouve nenhuma palavra que ele diz. Isso parece enfurecer o homem cobra mais ainda, que de alguma forma faz a dor aumentar para um nível insuportável por um tempo, antes de diminuir, e ele só tem que se preocupar com o fogo, que já traz dor o suficiente.
'Pobre garota.' é o último pensamento real que ele se lembra de ter. Ele sabe que provavelmente ela vai sofrer como ele, e ele sente pena dela. Com uma aparência tão jovem e inocente.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
A cena é estranha, e mesmo assim familiar. Um quarto branco, uma cama desconfortável, e quatro homens. Leva um instante para que o entendimento venha, e mais um instante para que a Lily determine se ela é Lily ou Tom. Quando ela chega a conclusão de que ela é, em fato, uma garota chamada Lily Evans, e que isso é uma cena da própria vida dela, ela olha em volta.
Ela fica somente meia desapontada de estar na Ala Hospitalar. Sim, é a Ala Hospitalar, mas isso também significa que ela está de volta em Hogwarts, e além disso, todos os quatro marotos estão aqui também. Peter está sentado em uma cama, mordendo as unhas; Remus está sentado em uma cadeira ao lado do Peter, com a cabeça abaixada de tal forma que o seu cabelo úmido está caído frouxamente sobre seu rosto. Sirius, com os braços cruzados bem apertados, está caminhando poderosamente, entre as portas da Ala Hospitalar e o armário de poções, para lá e para cá, sem parar. James está ocupando a cadeira ao lado da cama dela, com o seu cabelo bagunçado apoiado gentilmente na lateral do colchão dela. Os olhos dele estão fechados, mas ela duvida que ele esteja dormindo. A respiração dele não está tão profunda e ritmada quando as exalações que indicam o sono. Ela é mais rápida, menos ritmada e intercalada com um suspiro ocasional.
Ela estica a mão para passar no cabelo dele, enrolando os dedos dela sobre aqueles cachos maravilhosos. Um sorriso aparece nos cantos dos lábios dele. Os olhos dele se abrem e o sorriso dele aumenta; não é um sorriso radiante de dentes brancos brilhantes, mas um sorriso de alívio e contentamento, como o de uma mãe depois de dar a luz. Ela retira a franja da testa dele.
"Olá, amor." ele diz, com uma voz tão suave quanto o sorriso dele.
"Oi." ela tenta responder, mas a garganta dela está tão dolorida e seca que ela não consegue falar as palavras.
Ela fecha a cara com isso, e toca a garganta dela.
"Madame Pomfrey!" James grita alto. O grito dele não trás somente a curandeira para o lado da cama dela, mas os outros três homens também. "Ela está sem voz." James diz para a curandeira.
"Não é de se admirar, com o jeito que ela estava gritando." diz Sirius, com o seu tom conciso e reclamão traído pelo brilho nos olhos dele. "Bem vinda de volta, Cariad." ele continua depois de um tempo, bagunçando o cabelo dela.
Madame Pomfrey joga uma poção que arde a garganta dela, que apesar de todo o seu desagrado, parece lavar todos os detritos que a estavam bloqueando, deixando uma capa macia protetora, e um sabor de menta.
"Muito melhor." ela declara depois que a poção agiu completamente. O sorriso dela some. Ela foi desviada momentaneamente pelo sorriso de todo mundo. "Eu preciso falar com o Dumbledore." ela diz rapidamente, soando quase que em pânico.
Ela estava olhando para o Remus quando ela falou isso. Ele balança a cabeça, como se estivesse sido ordenado, e diz "Eu vou buscá-lo.", e sai do aposento.
"O que aconteceu? O que ele fez com você?" James pergunta.
"Espera. Eu não quero ter que repetir tudo de novo quando o Dumbledore chegar aqui."
"Ma ele não… quer dizer… você está bem, não está? Você não está..." Ele não termina a pergunta dele, mas ele não precisa.
"Com alguma maldição nova?" ela pergunta. "Não. Somente… confusa." ela pausa. "Um pouco."
"Eu te disse!" Sirius grita, apontando triunfalmente para o James. Ele então se vira para a Lily. "O que ele fez?"
Lily treme com a verdade. Ela preferiria ter encarado outro minuto de Maldição Cruciatus do que o quê o Voldemort fez. "Ele… estendeu a minha vida." ela diz envergonhadamente.
Pelo olhar no rosto de todo mundo, ela pode dizer que eles não acreditaram nela. É uma idéia escandalosa, é claro. Ela sabe disso. Eles claramente pensam que o cérebro dela está realmente confuso, e que ela perdeu a sanidade mental dela… mais uma vez.
"Ele o quê?" Peter pergunta, que estava encarando a Lily enquanto ele balança a cabeça dele rapidamente, como se quisesse sacudir a confusão no cérebro dele.
"Ele tirou a vida de alguém e deu, bem, parte dela, para mim."
"Como?" a pergunta do Sirius contem, na mente da Lily, quantidades iguais de curiosidade e cepticismo.
"Vamos esperar pelo Dumbledore." ela implora.
Quando Remus chega com o diretor algum tempo depois, ela relutantemente começa a contar a história dela. Ela conta praticamente tudo para eles; sobre Nagini, os duendes mortos, sobre Voldemort molestando o pobre Tom antes de matá-lo, dizendo que ela ainda poderia ser útil. Com uma vergonha crescente, ela conta como Voldemort tentou fazer com que ela se juntasse a ele (mais uma vez), e explica tudo sobre a pedra. Todos os olhos estão fixados nela. Ela não sabe a quem olhar enquanto fala, então ela fala a maior parte da história dela olhando para baixo, para os lençóis dela, os quais ela gira nas mãos dela, enquanto fala.
"Eu não sei como ele fez isso. Ele não somente matou o Tom, ele… ele arrancou a vida dele. Ele a manteve na pedra, e então ele..." ela pára, para controlar a respiração dela, e conter as várias emoções que se opõe, que ficam tentando interferir no discurso dela. "Então ele compartilhou comigo." ela finalmente termina.
"Qual foi a sensação?" vem a voz do Sirius. Ela não consegue dizer pelo jeito que ele disse isso, como que ele se sente com isso, o arrasto da voz dele mascara quase que tudo com indiferença, do mesmo jeito da Miranda Gasche. Ela ousa olhar para ele. Os olhos dele estão levemente apertados, em ponderação, mas algo desanimador brilha por baixo dos cílios dele.
Ela demora para responder, considerando as respostas variadas que ela poderia dar. Terrível, desprezível, horrível, repulsivo, maravilhoso… Como ela está muito envergonhada para responder o Sirius honestamente, ela não responde. "Eu realmente não quero falar sobre isso." ela responde. Essa é a maior verdade de todas. "Ele disse que eu me uniria a ele, por vontade própria ou não. Seja no exército dele, ou na pedra dele, e ele me deu até de manhã para decidir. Felizmente James e Sirius me encontraram antes disso."
Ela espera que os dois homens não tenham contado a verdade por trás da fuga dela para os outros. Julgando pela cara fechada atribulada idêntica de todos, e os olhares incrédulos, ela percebe que eles não contaram.
Ninguém quer contar esse segredo, o Sirius por ódio e pelo orgulho ferido. James, em consideração a Lily, e a Lily pela sua própria consideração.
Ela continua, "Depois que nós escapamos, eu caí no sono e revivi partes da vida do Tom."
"Você quer dizer, Tom, o trouxa que foi assassinado?" Dumbledore pergunta por clarificação.
"Sim." ela responde, levemente confusa. Sobre qual outro Tom que ela poderia estar se referindo? Ela não divulga o passado particular do pobre homem, as coisas que não tem influência nenhuma, a não ser na própria vida dele. Ela conta o que o homem passou, e como ele foi parar nos poderes do Lorde das Trevas nos subterrâneos das minas. O pobre homem esbarrou nos dementadores, e foi levado para ser utilizado como a primeira tentativa da pedra do poder. Ela não menciona a maldição cruciatus. O fato que o Voldemort torturou um trouxa não surpreenderia ninguém, mas não ajudaria ninguém, e somente faria os outros se sentirem mal por ela.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Depois que ela termina de contar tudo, ela pega a varinha dela da cabeceira da cama e coloca a ponta na têmpora dela. James fica surpreso em ver não a fumaça prateada de costume, e sim uma fumaça bem vermelha, grossa e palpitante. James fecha a cara. É quase nauseante olhar para isso.
"Algo pode ser feito com isso? Eu não quero isso na minha mente." Dumbledore retira a sua própria varinha e coloca ponta a ponta com a da Lily. Como se estivesse mastigando um espaguete de forma barulhenta, a coisa é absorvida pela varinha do Dumbledore, contorcendo durante todo o caminho.
James fica impressionado com isso. Absorver um sonho não é somente um tributo ao poder do Dumbledore, mas também da própria varinha dele. James olha para o bolso dele, e vê a ponta de madeira para fora. Ele duvida que isso possa ser feito com algo desse tipo. Ele sempre pensou que a perícia na magia tinha a ver completamente com o próprio bruxo. Nunca ocorreu para ele que uma varinha possa ser melhor, mais forte, mais capaz, do que outra.
Algo que o Olivander disse para ele há mais de uma década atrás volta a mente dele. "A varinha escolhe o bruxo, meu garoto. Não o contrário." James se lembra de querer uma varinha com um coração de dragão como núcleo, não a pena de fênix que lhe foi dada. "As varinhas combinam com os seus donos, Sr. Potter. A sua é uma varinha boa. Eu ouso te dizer que você vai ser excelente em Transfiguração..."
Na época, James (o pirralho mimado que ele era) queria levar as duas varinhas. Ele não ficou satisfeito em ouvir que a varinha dele era boa para transfiguração. Na época ele achou que isso não era legal. Agora, é claro, ele ama a varinha dele, e é extremamente orgulhoso dela.
Mas se as varinhas foram verdadeiramente criadas para se combinarem aos seus donos, isso significa que os bruxos mais poderosos ('ou bruxas', ele inclui em justiça a Lily e a Minerva) têm varinhas mais poderosas? Se isso for o fato, James imagina que a varinha do Dumbledore seria uma arma bem assustadora, não importa quem a utilize, e particularmente quando o seu próprio dono utilizar.
James sorri para si mesmo. O núcleo da varinha da Lily é um pêlo de unicórnio. 'Teria que ser.' ele pensa de forma divertida. Olivander deve estar certo. Salgueiro com pêlo de unicórnio, excelente para Feitiços, a varinha da Lily combina perfeitamente com ela.
De repente ele quer que todo mundo saia, para que ele possa ficar sozinho com ela, abraçá-la bem apertado contra ele, e nunca mais soltar, nunca mais deixar que ela faça algo perigoso novamente.
As palavras do Sirius penetram no cérebro dele, embaçado pelo amor, e ele sabe a verdade. Lily não é dele. Ela pertence a uma causa muito maior do que qualquer pessoa. Enquanto que isso seja um ponto levemente doloroso de se conceder, ele sabe que é verdade. Ele tem que estar preparado a abrir mão dela a qualquer hora. O único consolo dele é que ele jamais vai perdê-la para outro homem. Somente a morte pode fazer uma reivindicação nela tão forte quanto a do James.
Ela havia dito que ela vai morrer pela causa, e James começa a entender vagarosamente o que ela quis dizer, assim como ele sabe que ele vai morrer por ela. Ela é a causa dele. Ele somente espera que esse dia não chegue logo.
Ele foi egoísta em querer mantê-la só para si mesmo. Egoísta e estúpido. Mas ela não está lutando agora, então isso não deveria ser um problema…
"Aonde está o Hagrid?" ela pergunta. James balança a cabeça para limpar os pensamentos dele e responder, mas Sirius responde antes.
"Ele está trabalhando. O turno dele com a Marlene é hoje. Oh, e não se preocupe, eu me encontrei com o Euphrates e resolvi tudo. Dumbledore e Moody organizaram para alguém preparar um relatório semanal para você ler, você sabe, para proteger a identidade dos membros da ordem."
"Você se encontrou com Weyland? Que dia é hoje? A quanto tempo eu estou aqui?"
"Hoje é dia 9." Remus responde. "Você está aqui fazem 3 dias e 3 noites. Mas o Hagrid estava aqui, ele tinha acabado de sair quando você acordou."
"Oh." ela diz baixinho, não dizendo mais nada, enquanto Dumbledore sai e a Madame Pomfrey se vira para expulsar o restante. Depois que cada um deles deu um beijo na Lily, eles saem. Ela segura a manga do James e sussurra implorando, "Volte para mim. Use a capa ou alguma outra coisa, mas volte para mim."
Os olhos dela estão brilhando e ela aparente estar levemente preocupada, como se ela estivesse com medo que ele não voltasse. James ri.
"Eu já tinha planejado voltar mesmo." ele a reassegura baixinho. Madame Pomfrey está com um olho de gavião na ala, então ele abdica de beijar ela, e somente dá uma piscadela do jeito maroto para ela, antes de sair.
Quando James entra na sala comunal da Lily, ele encontra os 3 amigos dele ali, esperando por ele. Ele não indaga como que eles conseguiram entrar. A Lily disse a senha na frente deles no dia depois do Natal, a duas semanas atrás. Além disso, o Sirius devia saber antes disso mesmo. Ele se convence que esse fato não o preocupa, antes de cumprimentar todos.
Sirius e Remus tinham acabado de começar um jogo de xadrez trouxa, quando uma fênix prateada entra como um foguete no quarto, mandando que todos saiam imediatamente. Obviamente eles todos obedecem, encontrando a Minerva McGonagall.
"Acabei de ouvir do Hagrid. Marlene McKinnon não apareceu para o turno dela."
"Eu vou me encontrar com o Hagrid." Sirius se voluntaria imediatamente.
"Eu vou chegar a Marlene." James diz.
Dumbledore concorda, e fica decidido que Remus vai com o Sirius, e Peter vai com o James.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Eles sabem a razão pela qual a Marlene não apareceu no turno dela antes de entrarem na casa dela. A marca das trevas flutua sobre a casa dela, verde e malevolente, brilhante e sinistra. Da mesma forma que estava flutuando em cima da casa dele, há duas semanas.
Do lado de dentro está a evidência do que eles já sabiam. Marlene e a família dela estão deitados em fila, cada um deles com o mesmo olhar de horror congelado nos seus rostos. Uma varredura rápida na casa mostra que ele e o Peter são as únicas pessoas vivas na casa, os Comensais da Morte já saíram. O rosto do Peter está sombrio, e James pode dizer que ele está tentando se controlar. Mas ele falha, porque uma covinha aparece e desaparece, enquanto ele mastiga o interior da bochecha dele.
Por algum motivo, James não quer deixar os McKinnons sozinhos enquanto vão buscar os Aurores. 'Que besteira.' ele se pune. 'Eles não podem ficar mais mortos. Do que você pode protegê-los agora? Tolo.'
Ele coloca uma mão no ombro do Rabicho. "Eu vou para Londres. Você vai contar para o Dumbledore?"
Peter concorda, e some com um POP.
Quando ele chega no escritório dele, ele bate na porta do Moody, mas ninguém responde.
"Ele saiu." vem uma voz suave atrás dele. Ele se vira para encarar ela. "O que há de errado?"
"Eu preciso ver o Moody." ele diz simplesmente.
"Ele foi para Hogwarts. Eu achei que era para te ver. Está tudo bem?"
"Não. Nunca nada está bem. Tem sempre algo de errado o tempo todo." ele reclama. Ele bate (bem forte) na porta do Moody novamente, é claro que não em uma tentativa de convocar o auror chefe, mas simplesmente porque bater nas coisas o faz se sentir melhor.
Agatha coloca uma mão amável na costas dele, para acalmá-lo, mas isso somente o faz se retirar dela furiosamente, não porque ela está tocando nele, mas porque ela fez com que ele se sentisse melhor, e isso não está certo. Ele sabe quem ele realmente quer ver, mas ela está presa em uma cama de hospital… 'Ainda esperando que eu retorne embaixo da capa.'
Ele vai para a mesa dele, e começa a trabalhar.
XXXXXXXXXXXXXX
Dumbledore traz o Alastor Moody para vê-la alguns minutos depois, e infelizmente ela tem que repetir tudo novamente. Com a ajuda do Dumbledore, preenchendo os vazios, ela consegue contar a história de novo. Moody declara que ele vai voltar para o Ministério, e sai. Para a surpresa da Lily, Dumbledore não sai.
'Ah.' ela pensa, enquanto Dumbledore explica. 'É por isso que o James não voltou.' Ela espera que a Marlene esteja bem, mas ela está cheia de mau pressentimento. Parece que os outros não vão voltar tão cedo para vê-la…
XXXXXXXXXXXXXXXXXX
Crepúsculo. As cores se fundem belamente, e o Sirius poderia apreciar o pôr do Sol, caso ele não estivesse duelando. É uma atividade que distrai bastante. Ele não sabe aonde o Remus e o Hagrid estão. Ele espera que eles estejam melhores do que ele próprio. De cabeça para baixo e suspenso no ar, ele sofre a ridicularização.
"Não é tão engraçado agora, não é, Black!" o oponente dele sibila furiosamente. O inimigo dele está muito ocupado sendo amargo que o Sirius tem tempo para contra atacar, o pegando de surpresa. Ele cai no chão, e tem tempo suficiente para se levantar, antes que bloqueie outro bombardeio de maldições.
XXXXXXXXXXXXXXXXXX
"Vai você, você é mais rápido. Não espere por mim. Conte ao Dumbledore." Sirius diz ao Hagrid. O meio gigante apressa o passo, e passa rapidamente pelo Sirius.
Os comensais da morte saíram quando o próximo turno chegou, deixando-os em um número inferior. Remus foi ao Ministério para falar com o Moody.
No momento que o Hagrid sai de vista, ao entrar no castelo, Sirius pára de correr e olha em volta para ver se tem alguém por perto. Como ninguém pode ver, ele se permite a mancar. Ele imagina se tem algum osso no corpo dele que não esteja machucado.
Severus Snape. Sirius tem mais certeza do que nunca da opinião dele sobre esse aquele oleoso. Ele é o culpado por todos os membros doloridos do corpo do Sirius. Lily uma vez disse que o fato do Snape amá-la não o transformava em uma pessoa boa, e isso é certamente verdade. Snape, ele sabe, é um canalha sorrateiro, e ele deve ter enganado uma Lily jovem, inocente e pura, para pensar que ele não era uma pessoa estragada. E como a criatura inocente e estúpida que ela era, ela acreditou nele. Essa é a explicação. Tem que ser. Esse pensamento somente deixa o Sirius mais furioso. "Maldito seja o Severus Snape."
Ele está caminhando na direção da Ala Hospitalar sem perceber, e está com vergonha de si mesmo, até que ele vê a Lily ali, e percebe que ele tem uma desculpa legítima por ter vindo. Ele somente está visitando a Lily, ele não quer e nem precisa de atenção médica para si mesmo.
"Noite, Cariad." ele cumprimenta, com o sorriso carismático firme no lugar.
"Você está de volta!" ela diz, saindo da cama até ele. Madame Pomfrey olha de cara feia para ela, mas a Lily responde com outra. "Obrigada pela sua ajuda, Madame Pomfrey, eu estou saindo agora." ela declara. Ela cruza os braços com o Sirius e sai da Ala Hospitalar. "Eu estava esperando por um motivo para sair." ela confessa. "Como você está?"
"Excelente." ele responde. "Nunca estive melhor."
"E como foi?"
"Ah, nada muito excitante." ele responde facilmente. "Esperamos por horas e horas. Os comensais da morte finalmente apareceram, mas é claro que nós fomos vitoriosos." Embora tenha sido uma vitória muito sofrida, na opinião do Sirius.
"Oh."
Sirius não gosta muito quando ela responde desse jeito. É um som muito ambíguo e ele tem dificuldade em interpretá-lo. "Oh?"
"Bem, eu tinha esperanças que você soubesse algo sobre a Marlene."
"Não, o Pontas que foi responsável por verificá-la. Ele não voltou ainda?"
Lily balança a cabeça tristemente.
"Ah." Sirius pega o espelho. "Pontas."
O rosto exausto do amigo dele aparece. "Oi, Almofadinhas."
"Você está bem?"
"Sim." Sirius suspeita que o James esteja tão 'bem' quanto ele, mas ele não continua com esse assunto na frente da Lily.
"E a Marlene?"
"Morta. O resto da família também. Estou em Londres agora."
"O Aluado chegou bem aí?"
"Sim, ele está com o Moody agora. Já ouvi a história. Você está bem?"
"Sim."
"Certo então. Eu vou deixar você ir. Eu tenho que voltar ao trabalho. Eu quero terminar aqui o mais rápido o possível."
"Falo contigo mais tarde."
"Obrigado, Almofadinhas."
Depois que o Sirius guarda o espelho, Lily diz a senha da sala comunal dela. Quando os dois estão do lado de dentro, ela pergunta. "Obrigado pelo o quê?"
"Por checar, eu acho." ele diz, balançando os ombros. "Bem, você pode descansar em paz, sabendo que ele está bem."
"E quanto os McKinnons?"
"O que tem eles?"
"Sirius, eles acabaram de serem assassinados!"
"Exatamente, então não tem exatamente muito que nós possamos fazer, certo?"
"Eu acho que você está certo."
"O quê?" Sirius pergunta, confuso. "Você não deveria dizer 'eu acho que você está certo', você deveria começar a ficar furiosa por eu ser tão insensível com a morte deles, e tentar me dar uma lição de moral sobre sentimentos apropriados." ele diz, enquanto ela coloca um cobertor em volta dele, e ajeita os travesseiros. Ele nem mesmo se lembra de ter deitado na cama. Como que ela faz isso?
"Eu acho que você também está certo sobre isso." Ela está mexendo no armário dela, e volta com uma garrafa com alguma coisa dentro, que ela entrega para ele.
"O que é isso?"
"Para a dor."
"Eu não estou com dor." ele mente descaradamente. Ele não quer que ninguém saiba que ele perdeu em um duelo contra o Snape. Isso seria mais doloroso do que o desconforto atual dele. Mas estar deitado em uma cama realmente é maravilhoso. É difícil manter os olhos abertos, muito mais argumentar com ela. Difícil, mas certamente não é impossível. Ele vai continuar a fazer ambos até que a Lily acredite nele. Ela dá uma olhar maternal desaprovador.
"Então vai te fazer dormir." Sirius sabe que ela não pode ser confiada. Ela vai dizer algo que vai fazer com que ele beba isso. Bem, ele não vai beber. Isso seria admitir algo vergonhoso.
"Eu não estou cansado."
"Muito bem." ela diz, colocando a garrafa na cabeceira da cama, e deitando em cima das cobertas, ao lado dele. "Eu devo te contar uma história?"
"Por que você está fazendo isso?"
"Fazendo o quê?"
"Me tratando como uma criança. Eu estou bem, Evans." Ele começa a tirar as cobertas, e se levantar, mas ela coloca uma mão no braço dele, para impedí-lo. Ele não sabe o porque, mas isso funciona. É somente um toque leve, nem chega perto de ser o suficiente para mantê-lo aqui, caso ele quisesse sair, mas parece ser um gesto simbólico poderoso, que mantém o Sirius no lugar aonde ele está.
"Desculpa. Eu não sei o que fazer comigo mesma. Só faz com que eu me sinta como se estivesse ajudando. Só por um pouco, e então eu te deixo em paz. Eu não vou continuar depois disso, eu prometo."
Sirius estuda ela por um tempo, e deita de volta. Parece algo que ela diria. Ela tem o tipo que tem satisfação em tomar conta dos outros. "Você está bem?"
"Desculpa."
"Não precisa se desculpar." ele diz automaticamente, antes de perceber que ele provavelmente cortou o que quer que ela fosse dizer.
"É só que… bem, Moody e Dumbledore me disseram o que aconteceu, e eu estava presa na Ala Hospitalar o dia inteiro não podendo fazer nada, exceto me preocupar. Eu não pude ajudar você em nada, e agora que você voltou eu só queria… Eu não sei… ser útil em algum jeito. Além do que, você esperou por mim por três dias. Você foi bondoso o suficiente por ver o Weyland por mim. E eu nunca te agradeci o suficiente por me tirar das minas."
"O Snape que fez isso."
"Você teria feito eventualmente, caso ele não tivesse." Verdade, Sirius pensa, eles chegaram no mesmo momento que o Snape chegou. Se tivesse sido outra pessoa, ou caso o Snape não tivesse libertado ela, ele e o James com certeza teriam libertado ela. Ela começa a brincar com as pontas do cabelo dele. "Obrigada."
Sirius não sabe como responder. Ele soaria superior e condescendente em responder "Está tudo bem. Disponha."? Ele pensa que pode soar sim, não que ele tenha se importado em soar superior e condescendente no passado. Parece que não é adequado agora. Seria um pouco ridículo tentar agir presunçoso quando se está com dor, deitado de barriga para cima, com uma mulher brincando com as pontas do cabelo dele.
"Não é nada que você não teria feito por mim." ele diz, e então continua rapidamente. "Por qualquer um de nós." Ela está passando as unhas dela gentilmente pelo couro cabeludo dele. Oh, maravilhoso.
Ela começa a murmurar, e o Sirius se sente cair no sono. Maldita seja ela por tentar fazer com que ele caia no sono. Mulher sorrateira, mas ele não sabe dizer se ela tem o interesse dele ou dela em mente. Não que isso importe. Vai terminar do mesmo jeito mesmo.
"Cariad, você está fazendo isso de propósito?" ele pergunta. Ele é perfeitamente capaz de ficar acordado, e ter um debate com os olhos fechados, então ele não vê nenhum motivo pelo o qual ele deva resistir.
"Aham." ela responde, antes de continuar com a melodia dela.
"Muito bem. Não vai funcionar, sabia. Eu só estou fingindo em participar, só porque você me pediu."
"Eu sei. Você é um amor, obrigada." Surpreendentemente, machuca o orgulho dele muito pouco, saber que a Lily sabe perfeitamente que ele está mentindo. Pelo menos ela tem a decência de ignorar isso. Ele imagina se ela trata o Pontas desse jeito. Não, ela provavelmente o trata de algum jeito que combine mais com o Pontas. Ela provavelmente trata todo mundo do jeito que eles querem secretamente serem tratados.
Quando ele acorda algumas horas depois, ela se foi. Ela provavelmente está no quarto do Pontas com ele. Ele olha para o relógio, mas está bloqueado da vista dele pela poção que a Lily tentou fazer que ele bebesse. Ele tira a garrafa do caminho. Somente 10 horas; ele não está dormindo faz muito tempo. Ele resmunga pensando no trabalho e a lista de coisas crescente, que ele vai ter que fazer amanhã. Rolando os olhos para ele mesmo, pelo o que ele está prestes a fazer, ele abre a garrafa e bebe a poção. Ele sente os músculos dele relaxarem mais ainda e a dor esquentar e lentamente sumir, enquanto ele cai no sono novamente.
XXXXXXXXXXXXX
Na torre da astronomia, a Lily divaga. Se Voldemort absorveu o Tom, será que ele também vai possuir os aspectos da vida e da memória do Tom? Parece que sim. Ou talvez ele saiba como bloquear os pensamentos não desejados. Isso parece ser mais provável.
Uma pena que ela não saiba.
Marlene.
Quantos mais deles vão terminar do mesmo jeito? Por que todo mundo parece morrer? Ela sabe que é um jeito tolo de se pensar. Todo mundo morre eventualmente. As pessoas estão sendo assassinadas todos os dias. Mas a sensação é sempre pior quando você conhece a pessoa. E a Marlene era membro da Ordem. Um membro do time deles se foi. Perdido. Ela não conversou muito com a Marlene, exceto pela festa dos Prewitt, há duas semanas, mas ela sente a perda. Mas ela não consegue chorar por isso. Com cada morte, parece que ela está ficando mais fria ao mundo exterior, e mais quente aqueles que ela tem por perto. A área entre o círculo interno dela e o mundo exterior parece ficar maior e maior. Ela quer manter os que estão por perto mais perto, e manter os outros mais distantes. Ela coloca os braços em volta dela para se aquecer, e deseja que o James estivesse com ela agora.
Ela está deitada de barriga para cima, e considera as estrelas que brilham inocentemente. Elas estão no céu, do mesmo jeito de sempre. Essa é somente outra noite para elas, brilhando lindamente e ouvindo pacientemente a todos os pedidos que milhares de crianças estão fazendo para elas, completamente incapazes de realizarem os pedidos.
"Eu achei que você estivesse aqui." vem uma voz, maravilhosamente calorosa e baixa.
Ela olha na direção do James, e então se vira sorrindo de volta para as estrelas. Talvez elas não sejam tão inúteis...
XXXXXXXXXXXXX
A/N: Aí está! Mais um capítulo para vocês!
Hoje é meu aniversário e estou dando um presente para vocês! Que tal me darem um em retorno? Gostaria de chegar a mil reviews! Vamos conseguir?
