Vou confessar, fiquei muito triste por não ter reviews no cap anterior. Mas tudo bem, sei que vocês me acompanharam até aqui e que vão me acompanhar até o final, esse é o penúltimo cap, o 51 é o último e depois um pequenino epilogo.

Ficarei esperando os reviews para me dizerem se gostaram, ainda assim obrigada.

Bjuss e desculpem os erros.

Capítulo 50 – guerreira e princesa.

Acordar, eu queria acordar, ver a cortina branca que envolvia minha cama, sentir a brisa gelada que vinha dos encantamentos em meu quarto. Mais ainda eu queria ver meus pais, sentir seus abraços, seus carinhos. Queria tanto os sorrisos de papai Harry antes de seus calorosos abraços e também os delicados e singelos gestos de carinho de papai Severus. Eu queria, queria muito, mas não podia, eu só podia correr o mais rápido que minhas pernas poderiam aguentar apenas para me forçar a correr mais. Eu tinha que fugir dela.

Eu não vi seu rosto, só senti sua escuridão e ouvi sua risada grotesca. Ela não disse meu nome, mas a sombra me perseguia, queria me sugar, me levar embora. Ela chegou mais perto e pude sentir suas garras se fechando em meu braço me fazendo correr mais. Eu estava exausta, com medo e desespero, nem mesmo sabia onde estava, mas havia árvores e raízes que prendiam em meu pé me fazendo cair. Ouvi um sussurro e jurei que era meu nome que ela falava. Com desespero me vi chegar a encosta de um penhasco onde não havia nada depois.

- Você não vai escapar.

Assim que ouvi sua voz olhei para trás e me arrependi. Ela era tão linda, um rosto perfeito que me intimava a ir até ela e lhe estender a mão, mas eu não podia fazer isso, pois quando olhei dentro de seus olhos azuis me recordei de que o perigo era ela. As sombras estavam quase me tocando e não havia nada entre os lindos olhos azuis e o nada. Ela chamou meu nome novamente e então fiz a maior loucura da minha vida. Eu pulei.

Quando acordei percebi que não estava naquele lugar estranho com aquela pessoa me seguindo e nem caindo de um penhasco, eu estava na minha cama, embaixo dos meus cobertores tentando controlar a respiração devido o susto do pesadelo, nem mesmo sei como não gritei. Respirei fundo novamente e me levantei afastando a cortina da cama. Meu quarto estava quente e escuro. Olhei para a janela e vi que a água do lago negro estava realmente muito escura, ainda devia ser noite. Não sei exatamente o que estava acontecendo comigo, mas algo dentro de mim estava completamente mexido após aquele sonho e principalmente após a chegada dela. Não sei como, mas eu soube quem ela era e agora que a verdade do que sou estava realmente ao meu lado eu via tudo com outros olhos.

Caminhei até a porta do meu quarto que foi deixada entreaberta para que uma réstia de luz entrasse iluminando meu quarto já que eu não gostava de dormir totalmente no escuro. Quando cheguei ao batente da porta estendi minha mão para a maçaneta prestes a abri-la, mas no ultimo instante parei, meus pais estavam na sala e sussurravam sobre algo que eu não deveria saber. Rapidamente voltei na ponta dos pés e peguei as orelhas extensíveis que tio George me deu. Joguei uma das orelhas para fora do quarto e coloquei a outra na minha própria orelha para abafar o som do que escutaria.

- E agora Severus?

- E agora o que?

- O que faremos? Ela é apenas uma menina.

- Sabe que não podemos fazer nada, ela está destinada a isso.

- Mas tem apenas quatorze anos. É uma criança, uma menina, nossa menina. Deve haver alguma coisa que possamos fazer. Sei lá, talvez atrasá-la um pouco.

- Você está me lembrando o velho Potter. Lesado.

- Não fale assim comigo.

- E como quer que eu fale? Você fica ai falando que deve haver algo que se pode fazer, algo que a ajude a sobreviver mais tempo. Acorde Harry, isso não é uma brincadeira que você começa quando bem entender. É uma guerra de eras.

- E você quer jogar nossa filha bem no meio dela. Como se fosse um pedaço de carne que os leões adorariam devorar.

As vozes deles ficavam cada vez mais alta, ambos gritavam e nem mesmo conseguia ouvi-los direito, mas ainda assim conseguir algumas coisas interessantes.

- Ela é minha filha também, acha que eu gosto disso? Acha que sinto prazer em pensar que a minha menininha poderá morrer por causa de uma raiva dos tempos em que o mundo não era nem mesmo criado? É claro que não. Só estou sendo racional já que sua mente imatura não consegue.

- Não se atreva a voltar a me tratar dessa forma, Severus.

Arrisquei uma olhada para a sala e vi meus pais de costas um para o outro. Papai Harry estava mais perto de mim, mas nem mesmo me viu, apenas permaneceu parado olhando para a lareira com um olhar chateado. Senti vontade de abraça-lo, mas me mantive distante. Papai Severus estava mais distante, segurava em suas mãos um copo com Firewhisky e tinha uma postura tensa. Eles estavam brigando por minha causa e eu não gostava disso. Estava prestes a ir até eles quando papai Severus virou-se e olhou para papai Harry na mesma posição. Devagar ele se aproximou por trás e o abraçou.

- Desculpe. Por favor, Harry, me desculpe.

- Tudo bem Severus, eu entendo que esteja frustrado por tudo, mas não desconte em mim, estou aqui para te ajudar, meu amor.

Eu nunca gostei de ver meus pais com muito carinho, eram meus pais e quase por regra aquilo era nojento, mas dessa vez eu precisava ver, precisava ver os carinhos que papai Harry dispensava acariciando o rosto pálido de papai Severus enquanto se curvavam para se beijarem. No fundo eu sabia que necessitava de alguma prova de amor para que acreditasse que o que deveria fazer valia a pena.

- Fala comigo Severus, você não falou quase nada desde que saímos do salão, fala comigo.

- Eu tenho tanta raiva Harry, tanta. Quando ouvi Lys contando que ela era a guerreira das sombras eu o senti querendo voltar.

- Ele não vai voltar, ele nunca mais vai voltar. Você o mandou embora e agora é uma pessoa melhor por isso. Não o deixe voltar.

- As vezes eu me sinto como um grifinório idiota e romântico que conheço. Acho que estou me perdendo.

- Não, você não está se perdendo, você se encontrou. Nós passamos por muita coisa, sofremos demais, brigamos demais. Mas vencemos, Severus, juntos, nós vencemos e agora não há mais comensais, Voldemort e nem trevas querendo te levar de mim. Você aprendeu como é bom ser apenas humano, apenas um bruxo que tem família e que ama. Você aprendeu a amar e ser amado, por isso que não é mais aquele homem frio e distante de antes.

- Eu sei, mas as vezes eu quero. As vezes eu apenas sinto que preciso dele para resolver tudo, como agora, eu queria me desligar, não sentir, só fazer, só sair por ai e ter sangue em minhas mãos para sentir que estou vivo que sirvo para algo.

Eu sabia muito bem de quem eles falavam, era sobre o comensal, a personalidade em que papai se transformava na época de Voldemort. Meu querido papa jamais conseguiu se recuperar completamente pelo que papai Harry diz. Ele sempre aparenta ser forte, mas na verdade era tão vulnerável como qualquer homem.

- Eu não quero perdê-la.

Ouvi a voz de meu papa com um toque de fraqueza e quis chorar. Chorar por mim e por eles, por eles por passarem por tanta coisa acreditando em mim e por mim mesmo sabendo que sou uma covarde. Puxei as orelhas extensíveis quando meus pais voltaram a se beijar, eu sabia onde isso iria dar e não estava nada afim de ver aquilo, já era amor demais. Voltei para minha cama e fiquei olhando o teto da cama. Eu queria dormir para esquecer tudo aquilo, mas tinha medo do que poderia ver se fechasse meus olhos. Por fim acabei adormecendo de cansaço e por sorte não sonhei com nada até acordar na manhã seguinte.

Fiquei apreensiva com o que poderia acontecer nos dias seguintes, mas para minha surpresa nada aconteceu, minhas aulas aconteceram normalmente e não houve nenhuma surpresa desagradável como alguém pulando sobre meu pescoço me estrangulando ou me lançando um Avada Kedavra pelas costas. A tal Morgan era uma aluna quieta, não falava nas aulas além do que os professores lhe perguntavam, pelo que percebi após algumas semanas ninguém ali se aproximou dela para fazer amizade. Acho que mal consegui ouvir sua voz. Tudo bem que eu também não tinha amigos na Sonserina, mas foi meio que por escolha dos outros e não minha, ninguém ali gostava de uma sonserina tão estranha como eu, mas Morgan fez por escolha própria. Os poucos que tentaram falar com ela tiveram a surpresa de serem deixados falando antes da primeira palavra.

- Você não acha estranho que a Morgan nunca esteja aqui no nosso salão comunal? - Perguntei para Jennifer, sonserina do mesmo ano que eu.

- Não me interessa onde aquela esquisita esta ou não, Snape. - Respondeu Jennifer me dando uma clara expressão de desdém.

- Só achei estranho, ela nunca aparece aqui.

- Por que está tão interessada assim? As tendências de seus pais começaram a aflorar em você/

- O que quer dizer com isso? - Questionei franzindo minha testa, seja lá o que ela quisesse dizer era ruim e era sobre meus pais.

- Não se faça de retardada Snape, sabe muito sobre o que estou falando. - Jennifer se aproximou de mim e pude ver nitidamente as sardas em sua pele pálida, os olhos dela eram castanhos e pequenos e naquele momento estavam me encarando. - Com certeza você viu aquelas aberrações dos seus pais transando e quer experimentar como é fazer com alguém do mesmo sexo.

- Não fale assim dos meus pais!

- Eu falo do jeito que eu quiser, ou vai correr atrás do papaizinho querido para que ele a defenda?

- Não preciso que ninguém me defenda. - Disse vendo muitos alunos se juntando para ver nossa discussão.

Isso me deixava nervosa, eu jamais entrei em uma discussão assim com ninguém, jamais gostei de brigas, eu só queria ir para meu quarto nos aposentos de meus pais, mas sabia que jamais conseguiria me livrar de Jennifer, pois de uma hora para outra eu era um alvo apetitoso de todos ali. Finalmente pegaram a sonserina esquisita. Eu precisava me defender de alguma forma.

- Cai fora sua idiota. - Disparei para Jennifer sentindo o insulto queimar em minha língua. Eu jamais fui uma santa, mas sempre que algo ruim saia de mim eu me sentia péssima.

- Idiota é você sua esquisita, não sei porque o chapéu seletor te colocou na sonserina, você não merece ser dessa casa. Você deveria ser igual aos inúteis dos lufamos.

- Não fale assim deles.

- Está defendendo aqueles idiotas que não servem para nada? Aquele resto que não tem nada de especial e por isso são descartados pelas outras casas.

- Cala a boca.

- Vem calar, ou tem medo? Que foi? A filinha dos esquisitos tem medo de me encarar é. - Ela chegou mais perto de mim e eu podia sentir seu hálito de suco de abobora. - Eu te desafio. - Finalizou me empurrando.

- Não vou brigar com você Jennifer.

- Ah vai sim, eu vou te ensinar o que é ser uma boa sonserina.

Eu nem mesmo vi quando ela veio para cima de mim, só senti meu corpo bater no chão e minha cabeça arder de dor. Luzes estranhas pipocavam em meus olhos, mas não tive tempo de entender, pois meu rosto foi arranhado e meus dentes pareciam estar moles pelo soco que ela me deu. Eu estava apanhando, mas no fundo não liguei para isso. O que acordou a magia poderosa dentro de mim foram as palavras dela.

- Eu vou bater em você como deveriam bater em seus pais para aprenderem a deixar de ser aberrações e ficarem se comendo. Eles deveriam morrer.

- Não!

Eu não sei como fiz aquilo, eu só empurrei Jennifer com minha mão, só isso, provavelmente eu nem conseguiria move-la de cima de mim, mas a verdade é que a menina voou pela sala e bateu o corpo na outra parede caindo com um estrondo no chão, ela não se mexeu. Todos se afastaram de mim como se eu fosse um verme nojento de que tivessem medo. Eu fiquei olhando o corpo inerte da menina até que a porta do salão comunal se abriu e por ela passou a diretora McGonagall e meu papa. Ambos estavam com a varinha em punho e olhando de um lado para o outro esperando encontrar algo perigoso com o que precisariam lidar, mas só o que viram foi um bando de aluno encolhido uns nos outros fugindo de mim que estava no chão toda machucada e Jennifer no outro extremo da sala estatelada no chão sem se mover.

- Meu santo Mérlin! - Exclamou a diretora caminhando-se até Jennifer e a virando. - Senhorita Robsen, por favor, vá até a ala hospitalar e chame a Madame Pomfrey. - A menina assentiu e saiu correndo. - Quem foi o autor disso?

Eu ia abrir minha boca para falar, mas um dos meninos foi mais rápido do que eu.

- Foi a Snape, diretora.

- Lys? - Exclamou a mulher olhando para mim de uma forma tão surpresa que me senti pior do que estava. - Não consigo acreditar nisso. Você sempre foi uma menina tão doce com todo mundo, tão encantadora. Como você pode?

- Fui eu mesma diretora. - Respondi levantando-me devagar, minha cabeça estava doendo muito e tudo rodava um pouco, pensei que meu pai me ajudaria, mas ele apenas ficou parado ao meu lado me olhando, ele estava muito raivoso. - A Jennifer me provocou, eu tentei não revidar, mas ela disse coisas horríveis sobre... - Eu parei no meio da frase, não queria que meu pai soubesse o que falavam as suas costas.

- Sobre o que, senhorita Snape? - Perguntou a diretora, eu abaixei a cabeça e mexi nervosamente as mãos.

- Nada demais professora. - Menti sentindo novamente o ardor na minha garganta, a sala rodava e eu me sentia cada vez pior.

- A diretora lhe fez uma pergunta, senhorita. - Disse meu pai dirigindo-se a mim. - Acredito que ainda tenha o dom da fala ou será que virou mais uma acéfala que não consegue formar uma frase?

Eu senti vontade de chorar, não por levar uma bronca, mas por que os olhos de papai eram tão negros e frios que os senti me cortando por dentro.

- Responda!

- Eles estavam... estavam falando de... - Minha respiração falhava, meu pai chegou mais perto de mim e cerrou os dentes novamente. - Falavam do senhor e do papai. - Sussurrei por fim baixando a cabeça.

- O que disseram?

- Papa, por favor? - Pedi chorosa, dessa vez porque sabia que ele faria a imagem do pai durão, mas que ficaria chateado.

- Não ouse me desobedecer.

- Ela disse que você e o papai eram aberrações que mereciam apanhar e morrer por... por estarem juntos. - Eu chorava de cabeça baixa sem coragem de olhar para ele.

- E por esse motivo ridículo você acha que tem o direito de atacar os outros?

- Não, eu não fiz isso, papa acredita em mim. Ela me atacou e quando eu a empurrei nem pensei que conseguiria movê-la, mas ai ela, ela... - Minha visão ficou turva de repente e me senti cambalear, eu cairia no chão, mas papai me segurou. - Minha cabeça.

- Melhor levá-la para a ala hospitalar, Severus. Deixe as broncas para depois.

Vi papai assentindo e me erguendo nos braços, minha cabeça pendeu e abri meus olhos vendo meus colegas de casa ainda encolhidos apenas assistindo toda a cena. Entre todos aqueles adolescentes achei Morgan a um canto e seus olhos eram intensos em minha direção, sua testa estava vincada em clara duvida. Ela desconfiava de alguma coisa, eu só rezava para que ela demorasse mais um pouco para tentar me matar.

Papai me arrumou um pouco melhor nos braços, mas antes de sair virou-se para os sonserinos e lhes ameaçou como somente ele conseguia fazer.

- Não se atrevam a se mexer, teremos uma longa conversa quando eu voltar.

Enquanto Madame Pomfrey cuidava de Jennifer papai cuidava de mim. Minha cabeça estava cortada e sangue escorria pelo ferimento, mas foi rapidamente curada. Tomei uma poção para repor energia e o sangue perdido que só após a troca de roupa percebi que era bastante. Quando estava consideravelmente bem a cortina do meu leito foi fechada e abafada com um feitiço.

- Pai, por favor, me desculpa.

- Lys, não choramingue, eu odeio choramingos.

- Sim senhor.

- Você podia tê-la matado.

- Não foi por querer, ela me provocou, falou coisas ruins do senhor e do papai e também dos lufa-lufas. Eu queria defendê-los, mas ela se jogou em cima de mim, eu não queria machucá-la.

Eu estava sentada na cama com as pernas cruzadas e olhava para papai sem saber o que esperar. Papai nunca foi cruel comigo, mas ele estava tão transtornado que eu temia o que ele diria a seguir, queria que papai Harry estivesse ali para poder controlar a raiva dele, mas não estava então era somente eu e ele.

- Eu te disse que você não deveria dar atenção para nenhuma provocação deles e de ninguém, você não sabe a extensão de seus poderes, sua magia só não é sentida pelos outros alunos, pois nós a controlamos com poções poderosas, mas você é capaz de machucar seriamente uma pessoa como fez com aquela menina e pior, você se mostrou para a senhorita Morgan, se ela é realmente a guerreira então já deve saber de você. Você se pôs em perigo, agora terá que arcar com as consequências de seus atos.

Eu arregalei os olhos, meu coração chegou até a boca e voltou, os olhos negros de papai arderam de ira em minha direção, a raiva devia corroê-lo por dentro, eu tremi e baixei minha cabeça.

- O senhor vai... vai me bater? – Eu não queria perguntar, mas o medo era tamanho que queria estar pronta para qualquer coisa.

- De onde tirou essa ideia ridícula? – Escutei a voz surpresa de papai após alguns segundos.

- Ouvi alguns alunos comentarem no salão comunal que quando os pais deles estavam bravos eles batiam neles.

Ouvi meu pai suspirar e o barulho de quando mexe em seus cabelos colocando-os para trás. Devido estar olhando para o chão vi seus pés se aproximarem devagar, ele parou na minha frente e senti seu dedo levantar meu rosto, olhei para seus olhos e não havia mais raiva, só ressentimento.

- Olhe para mim. – Pediu quando eu ameacei baixar a cabeça de novo. – Lys eu jamais encostaria um dedo em você com má intenção. Jamais bateria em você. Quando disse que terá que arcar com as consequências eu quis dizer que terá que ficar em detenções por duas semanas e que a Sonserina perderá 50 pontos pelo que aconteceu.

- Então o senhor ainda me ama?

- Eu movi o mundo por você e por Harry desde antes de você nascer. Não há no mundo pessoas que eu ame mais do que vocês. Mas você não é mais uma criança Lys, precisa encarar a realidade.

- Eu sei da minha realidade, sei quem sou e porque estou viva. – Confessei ainda encarando seus olhos negros. – Mas estou com medo, eu sou fraca, sou medrosa, como posso encara-la de frente, lutar com ela?

- Acho que você deveria conhecer Longbottom, se surpreenderia em como as pessoas mais fracas e medrosas podem ser a chave para vencer. – Me disse com um sorriso de canto. – Só não o deixe saber que falei isso.

- Eu queria ser igual ao senhor.

- Não queira isso, minha filha. – A voz dele era melancólica e parecia que estava relembrando de quando ainda era comensal, das coisas ruins que fez. – Se tiver que se espelhar em alguém que seja em Harry, não em mim.

- Não gosto quando fala assim.

- Estou ouvindo o barulho da porta. – Ele mudou de assunto de propósito, papai nunca gostou de falar de si mesmo, muito menos de seu passado. – Deve ser Madame Pomfrey, vou deixá-la te examinar, não esqueça que tem detenção.

- Sim, pai.

- Você nunca me chamou assim antes. – Disse papai com a testa vincada.

- Você disse que eu não sou mais criança, pensei que não queria que eu o chamasse mais de papa.

- Pode ser criança para isso.

Eu sorri antes dele abrir a cortina e ir em direção a maca onde se encontrava Jennifer, pelo que me contaram ela teve uma concussão, mas ficaria bem, eu tentei me explicar novamente, mas a diretora apenas me mandou ficar quieta para a Madame Pomfrey me examinar, o que era inútil, meu pai já havia me curado e eu estava ótima, ainda assim passaria a noite na ala hospitalar.

Papai Harry apareceu uma hora mais tarde, ficou preso no Ministério devido alguns bruxos que saíram da linha. Quando chegou foi direto para minha cama e me abraçou, eu gostei, papai, apesar da aparência ainda jovem, era um homem formado com barba rala e óculos redondos transmitindo a sabedoria de um homem mais velho que ainda guardava no olhar a magia da adolescência. Só dormi após papai me paparicar muito e papai Severus o expulsar da ala hospitalar. Quantos aos outros alunos que riram de mim na sala comunal, fiquei sabendo que eles terão muitos trabalhos difíceis e banheiros para limpar. Ninguém mandou mexerem com a filha do morcego das masmorras.

Dessa vez não precisei da poção sono sem sonhos para dormir e não ter os pesadelos de sempre, apenas adormeci após meus pais se despedirem. Eu poderia ter uma belíssima noite de sono se não fosse a estranha sensação de que alguém me observava e realmente observava.

- O que está fazendo aqui? – Perguntei quase pulando na cama quando abri os olhos e encontrei Morgan me encarando, ela não respondeu, apenas deu a volta na cama. – Responda ou chamo Madame Pomfrey.

- Você não chamará. – A voz dela era de sino, linda e doce.

- Como sabe?

- Não chamará porque assim como eu você também está curiosa.

- Curiosidade não é algo legal, não estou curiosa com nada, quero apenas dormir. – Tentava ao máximo não provocá-la e não dar-lhe pistas de quem eu era.

- O sono já te deixou há muito tempo. – Disse Morgan agora sentando-se ao meu lado na cama, me afastei, ela não se moveu. – Eu vi o que você fez.

- Todo mundo viu.

- Sim, mas não com meus olhos, eu sei que você tem alguma coisa diferente dos outros, eu posso sentir.

- Não sei do eu você está falando, não tenho nada de diferente.

- Tem sim.

Os olhos dela eram de um azul tão irritante que eu queria que ela os fechasse, seus cabelos loiros balançavam com a leve brisa que entrava na sala e apesar de ser nitidamente pintado eram belíssimos. Sua pele parecia absorver toda a luz da lua e o sorriso brotado em seus lábios era perfeito. Eu me senti um lixo com meu corpo alto demais, minhas gordurinhas acima do peso, os olhos que em nada chamavam a atenção e os cabelos negros até os olhos escorridos como cortinas. Tá, eu sempre gostei de como sou, nunca liguei para nada dessas coisas e sempre amei meu cabelo por ser igual ao de papai Severus, mas naquele momento eu queria enfiar minha cabeça dentro da terra e sumir. Ela era linda demais.

- Seus olhos são muito bonitos. – Ela disse como se tivesse acabado de ler minha mente. – É difícil encontrar alguém com os olhos verdes escuro como os seus. Acredito que seja uma mistura dos seus pais.

- Humm, obrigada pelo elogio, eu acho.

- Estou falando sério, já conheci muitas pessoas e dificilmente vi um par de olhos tão diferentes.

- Até parece que você viajou o mundo.

- Eu viajei, desde meus nove ou dez anos, já nem me lembro, eu viajo pelo mundo procurando uma pessoa.

- Que pessoa? – Perguntei engolindo em seco.

- Alguém especial, alguém que está no meu destino, mas que eu ainda não encontrei.

- Então porque parou aqui em Hogwarts?

- Instinto. Algo me chamou aqui, algo me disse que aqui eu encontraria minha inimiga.

- Inimiga? Você tem apenas quatorze anos, não pode ter inimiga.

- Não? – Riu-se Morgan erguendo uma sobrancelha. – Você acabou de arrumar dezenas de inimigos na sala comunal hoje.

- É diferente. – Disse estranhando a forma como me sentia confortável falando com ela. – Eles são uns idiotas que vão pregar uma peça em mim algum dia. Você fala como se quisesse matar essa pessoa.

Ela não respondeu, apenas sorriu de canto e se aproximou um pouco mais me observando e me deixando completamente nervosa, pois minha varinha estava na mesinha ao lado e se ela fosse fazer alguma coisa eu não teria tempo de me defender.

- Olha eu agradeço a visita, mas preciso descansar.

- Claro. – Respondeu se levantando e mais uma vez me observando me cobrir.

- Por que está me olhando tanto?

- Ainda não me decidi se o que penso ou o que sinto é o certo. Estou um pouco confusa e preciso ter certeza.

- Certeza de que?

- Nada tão interessante. Durma, precisa descansar, usou uma quantia de magia considerável hoje.

Assenti e me virei na cama, mas sabendo que não conseguiria dormir, não depois dessa visita estranha. Peguei minha varinha na mesinha e segurei firme em minha mão aguardando o momento em que ela me lançaria o feitiço, mas para minha surpresa ouvi a maçaneta abrir e antes que a porta se fechasse ouvi nitidamente o sussurro dela que o vento trouxe para mim.

- Durma bem princesa.

Não dormi aquela noite e quase não consegui me concentrar nas aulas, até minha detenção estava decepcionando os professores. Papai sempre me dava um sermão quanto a isso, mas nada adiantava, eu estava com a mente em Morgan, no que ela faria, falaria, qualquer coisa que ela fizesse eu queria ficar sabendo. Mas ela não fez nada, agiu como sempre agia, com indiferença a todos a sua volta como se nada fosse interessante. Esperei por qualquer sinal vindo da parte dela, mas novamente fiquei de mãos abanando. Aquilo me deixava com raiva porque eu sabia que ela sabia de mim e por isso me preparei para o que pudesse vir a acontecer. Dormia com minha espada ao lado da cama, andava sempre com a varinha firme em minhas mãos e a adaga de prata no cós do jeans.

- O que você tem filha? – Perguntou papai Harry ao vir me acordar e me encontrar já arrumada sentada na cama. – Anda estranha esses dias, quase não fala conosco. – Comentou ele sentando-se ao meu lado.

Eu olhei para os olhos verdes de papai e senti vontade de chorar, ele sempre está ali preocupado comigo, querendo saber o que eu tenho para poder me ajudar, mas eu não poderei pedir ajuda para ele e nem para papai Severus, nem para nenhuma outra pessoa. Aquela batalha era minha e eu tinha que perder o medo de fazer o que tinha que fazer. Eu deveria ser corajosa e forte como meus pais.

- Não é nada, papai. – Menti e novamente senti o ardor na garganta. Por ser quem sou a mentira causava me dor para lembrar a benção da verdade. Eu achava aquilo uma maldição, quem nesse mundo vive sem mentiras? O fato é que eu realmente menti. – Estou nervosa com os testes da próxima semana, sabe que eu não sou um gênio como a Tia Mione.

- Tem certeza? Não tem nada haver com a senhorita Kematian?

- Claro que não papai. – Levantei me e cruzei os braços diante do peito. – Já concordamos que se ela não fez nada até agora é porque não deve ser a guerreira das sombras.

- Então é por outro motivo? – Disse papai se levantando também, porém evitando me olhar, suas bochechas ficaram vermelhas. – Quem sabe algo sobre algum amigo da escola.

- O que quer dizer?

- Ah, você sabe filha, sobre coisas da sua idade, entende? – Acho que devo ter feito uma cara muito estranha porque papai respirou fundo e despejou tudo de uma vez. – Garotos, estou falando de garotos.

- Ah, ta, isso.

Confesso, fiquei vermelha também. Claro que não sou nenhuma puritana, já dei meus beijinhos em alguns meninos quando fui visitar a vila perto da casa do vovó Molly, mas nunca mencionei isso aos meus pais, se bem que papai Severus evitou me olhar por dois dias após esse acontecido e tenho quase certeza que ele leu minha mente naquele dia. Também não sou desinformada, a Madame Pomfrey já me passou todas as devidas informações que eu deveria saber sobre a puberdade e os troços estranhos que aconteceriam comigo quanto ao sexo. Então nunca teve necessidade de papai me explicar qualquer coisa.

- Acredite filha, não é fácil para mim vir aqui te perguntar isso, muito menos para Severus, ele não consegue aceitar que você possa ter esse tipo de sentimento e sensações, você ainda é a garotinha dos olhos dele, a menininha que nós precisamos proteger. Mas a verdade é que você já é uma garota mais alta que eu. – Ele me disse acariciando meu rosto. – E você é linda, extremamente linda, principalmente por querer se parecer tanto com Severus, seja no corte do cabelo ou nas roupas pretas que você usa. Qualquer menino dessa escola olharia para você e eu sei, por experiência própria que quando sentimos aquela coisa aqui dentro tudo se complica.

- É muito engraçado vê-lo falar sobre isso papai. – Sorri para ele. – Mas pode ficar tranquilo e tranquilizar o papa, eu não tenho ninguém em vista para sequer uma amizade colorida. – Ouvi nitidamente o suspiro de alivio vindo da sala. Ri alto por papai Severus estar escutando atrás da porta. – São só os exames mesmo. Vou indo para o café da manhã.

Coloquei minha capa e rumei para fora do quarto pegando minha mochila no sofá. Papai Severus estava sentado na poltrona e fingia ler um livro antigo. Sorri de canto e me aproximei por trás abraçando-o fortemente e beijando sua bochecha. Ele postou a mão sobre meu braço e apertou levemente.

- Ainda sou sua menininha, seu bobo. Eu te amo.

Depois disso sai dos aposentos e fui em direção ao salão principal, alguns alunos já estavam devidamente sentados em seus lugares, mas Morgan não estava ali, ela rumava para fora do castelo. Ao chegar a porta de entrada vi que tomava o caminho que levaria em direção a Floresta Proibida. Não havia tempo para pensar, era agora ou nunca, era tudo ou nada. Seguindo meus impulsos, deixei a mochila ao lado da escadaria e rumei atrás de Morgan que já entrara na floresta. Sabia muito bem que ali tinha muitos perigos e que era loucura ir atrás da menina, mas precisava fazer isso. Talvez agora entendesse o impulso que sempre levara Harry Potter a fazer besteiras, ainda assim segui o caminho de meu pai, mas talvez esse caminho não tivesse volta e isso me amedrontava.

- Lumus.

A varinha se acendeu iluminando algumas árvores a minha frente, suas raízes eram grandes e me atrapalhavam na caminhada, mas ainda assim continuei sem parar um único momento, precisava encontrá-la e saber o que estava aprontando. O caminho ficava cada vez mais escuro e fechado. Temia que não conseguisse encontrá-la e acabasse perdida naquele local tão estranho e repleto de criaturas ruins. Tive que usar a adaga para cortar alguns galhos que me atrapalhavam, quando minha capa prendeu nas raízes de uma árvore achei melhor deixá-la por ali, depois voltaria e pegaria de volta se conseguisse encontrar o mesmo caminho. O suor já descia por meu rosto quando finalmente encontrei Morgan em meio a uma clareira fracamente iluminada.

- Então você veio mesmo.

Ela sorriu e olhou para mim, seus olhos agora eram cruéis e estranhos, traziam uma frieza que jamais vi em alguém. As vestes da escola estavam jogadas ao lado e ela vestia algum tipo de armadura negra que encaixava perfeitamente em seu corpo. Ela tinha em suas mãos a varinha e uma espada tão negra quanto sua armadura.

- O que está acontecendo? O que você está fazendo? – Perguntei sentindo meu peito arder de medo.

- Que tal pararmos com essa brincadeirinha idiota de que não sabemos quem somos?

Me aproximei dela e tentei ao máximo não demonstrar estar com medo, mas falhei miseravelmente, eu estava quase borrando minhas calças e minhas pernas tremiam visivelmente.

- Por que precisamos fazer isso? – Questionei. – Podemos mudar isso, não precisamos lutar.

- Não precisamos? Está louca? – Ela perguntou me circulando com uma postura invejável, a espada apontava para baixo, mas a varinha seguia o caminho do meu peito. – Eu nasci para te destruir, eu fui treinada por anos para acabar com você, esse é o único caminho que conheço.

- Não, não é não. Eu sei que tem alguma coisa a mais, tem que ter, uma pessoa não pode ser de todo ruim, não pode simplesmente ser feita de ódio e rancor.

- Meu pai foi. Lord Voldemort, acho que conhece a história dele.

- Sim conheço. – Respondi tentando ganhar tempo para pensar em uma alternativa, um modo de me afastar dela. – Eu sei de toda a história dele, meu pai me contou tudo e eu sei que até mesmo ele foi amado.

- Amado?

- Sim amado, a mãe dele...

- A mãe dele foi uma porca imunda que o abandonou naquele orfanato cheio de trouxas nojentos.

- Mas ela o amou, ainda assim ela o amou, pois passou por todas as dificuldades que fosse e ainda assim deu a luz a ele, fez o possível para deixá-lo com saúde o suficiente para nascer e viver. Ele foi amado.

- Esse lenga lenga está me dando enjoos. Que tal irmos para o que é realmente importante? – Perguntou Morgan me olhando de uma forma terrível como se eu fosse uma presa deliciosa para seu banquete. – Deve saber, princesa, que devemos lutar de igual para igual, sendo assim. – Ela fincou a espada fortemente no chão enterrando metade dela no solo. – Teremos apenas nossas varinhas para duelar, apesar de achar um tanto quanto chato.

- Não vou duelar.

- Vai sim. Eu e você nascemos para isso, eu vou vingar As Trevas, a derrota de minha ancestral e você irá lutar comigo até que eu veja a luz de vida deixar você.

Eu estava apavorada, precisava pensar rápido. Andávamos em circulo sempre olhando dentro dos olhos uma da outra. Eu via nitidamente a felicidade dela crescer e sabia que estava completamente ferrada. Eu morreria naquele dia, naquele momento. Então a única coisa que fiz foi tentar desligar meus pensamentos de tudo, não queria lembrar de ninguém mais, não queria pensar em mais nada além daquele minuto, pois se eu pensasse doeria mais.

Fechei meus olhos, mas abri no instante seguinte ao ouvir o alto barulho de cascos em minha direção. Morgan também ouviu, pois apontou a varinha em outra direção, exatamente para onde uma manada de centauros galopavam. Quase cai quando caminhei para mais dentro da clareira. Os centauros nos cercaram e batiam as patas com força no chão, estavam irritados.

- Quem é o culpado pela desordem? – Perguntou um deles. – Respondam.

- Do que estão falando? – Perguntei tentando me segurar enquanto ficava tonta pelos centauros que corriam de um lado para o outro. Nem mesmo reparei que estava costas a costas com Morgan.

- Saiam daqui, seus idiotas. – Disse Morgan. Quase lhe dei um chute por insultar aquelas criaturas, mas nem mesmo tive tempo.

- É ela, ela é a causadora do caos. Essa é a espada forjada pelo negror. Ela é a culpada. Matem-na.

- O que? – Gritei quando os centauros avançaram.

Nem mesmo vi o que estava acontecendo, me joguei para o lado e me arrastei em direção as raízes de uma árvore próxima que poderia me proteger. Dali consegui ver que Morgan tirara a espada negra do solo e lutava contra todos aqueles centauros. Era loucura, eu pensei, ela morreria, mas para minha surpresa ela estava indo bem, na medida do possível. Sua espada rasgava o ar atingindo os centauros que caiam. Não tive tempo de sofrer por eles, eu só sabia que tinha que tirar Morgan de lá, primeiro por ela poder matá-los, segundo porque ouvi os barulhos de outros centauros vindo em sua direção. Ela também morreria e por algum motivo eu não poderia permitir isso.

Me levantei no exato momento em que Morgan libertou uma carga de sua magia e lançou dezenas de centauros pelo ar. Realmente ela era muito mais forte do que eu, sua magia era negra e intensa, muito mais palpável e mortal. Não liguei para isso, não naquele momento. Apenas corri em sua direção e me joguei em cima dela bem no momento em que um centauro, aproveitando a distração dela, ergueu sua espada pronto para fincá-la em seu corpo. Agarrei Morgan com forma pela mão e corri pela Floresta sem pensar em nada mais do que sair daquele lugar.

- O que está fazendo? – Gritou Morgan.

Não respondi, nem em mesma sabia o que estava fazendo. Eu poderia dizer que estava salvando a vida dela ou salvando a vida dos centauros. Não sei, a única coisa que eu sabia era que não estava salvando a minha.

- Acho que agora estamos bem. – Eu disse quando larguei sua mão. Chegamos em outra clareira, mas dessa vez com as arvores mais espaçadas possibilitando ver o campo de quadribol ao longe. Era possível também ver o castelo. Olhei para Morgan, ela estava curvada tentando respirar. – Precisamos sair daqui.

Aquelas foram as ultimas palavras que eu disse. Não havia dado nem mesmo três passos quando senti algo bater em minha cabeça com força. Estrelas apareceram diante de meus olhos quando meu corpo caiu na terra. Não tive forças para pensar. Senti a varinha ser arrancada de minha mão e meu rosto apertado por dedos finos. As estrelas diminuíram um pouco e quando consegui enxergar vi os olhos azuis de Morgan diante do meu, eu conseguia até mesmo sentir o hálito dela de tão perto que estava. Havia tanto ódio emanando dela que fiquei com falta de ar e as arvores ao redor morreram. Eu sabia que meu destino era ficar igual a elas. Eu morreria. Fechei meus olhos e tentei pensar em meus pais, mas não encontrei os rostos deles, só encontrei o negror que antecede o inconsciente.

- Você é minha. – Ouvi ao longe enquanto me deixava cair no abismo da morte.

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