Capítulo 46- De novo, outra vez…

Grávida! A palavra ressoava na mente de Ana-Lucia sem parar, sem lhe dar nenhuma trégua. Mais uma vez ela estava esperando um filho de Sawyer. Como isso poderia ser? Ela estava chocada, isso era verdade. Mas não estava triste. Ela tinha sido abençoada com mais um milagre. Tocou o próprio ventre e sorriu diante do espelho. Algumas lágrimas deslizaram por seu rosto.

"Vai dar tudo certo".- disse mentalmente e ficou repetindo aquelas palavras, tentando trazer energias positivas para aquela nova fase de sua vida. Não sabia se veria Sawyer outra vez, mas naquele momento Ana-Lucia não se importou consigo. Mais uma vez ela carregava uma vida dentro de si e faria tudo o que pudess para que aquela criança tivesse uma vida feliz junto com sua Érica. Foi com aquele pensamento que ela foi para a cama naquela noite, recostou a cabeça no travesseiro e dormiu profundamente pela primeira vez nos últimos dias.

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- Como assim você está levando a Clementine com você?- perguntou Kate fitando James com olhar de incredulidade.

O casal estava sentado à mesa jantando com Clementine e Betty a melhor amiga de Kate e sua sócia na boutique. Lara dormia tranquila em seu carrinho perto de Kate.

- Eu resolvi levá-la comigo porque pensei que seria bom pra ela.- James respondeu cortando o bife de filé em seu prato. Clementine lançou um olhar ao pai, mas nada disse. Ele a tinha instruído a ficar calada e não dizer absolutamente nada sobre o fato de que eles estavam planejando visitar Ana-Lucia e Érica em LA.

- E quando você pretendia me contar?- retrucou Kate se servindo de mais um pouco de salada césar. – A Clemen tem escola. Você me disse que vai ter que ficar em LA uma semana. Como é que a Clemen vai perder cinco dias de aula?

- Eu posso recuperar, Kate. Eu já sei tudo o que a professora vai ensinar.- disse Clementine. James lhe deu um olhar de advertência e a menina se calou novamente.

- Kate, eu já falei com a diretora do colégio e ela disse que não vai ter problema algum se a Clemen viajar comigo por uma semana. – falou James tomando um gole de seu refrigerante.

- Sim, e a minha opinião nao importa nada, né?- disse Kate, levantando-se da mesa muito zangada.

- Sardenta, não sei porque está fazendo tanto drama.- James se levantou da mesa e seguiu-a para o quarto. – São só alguns dias.

Assim que ele entrou no quarto, Kate apontou o dedo para ele, dizendo:

- Se você quer mesmo que eu seja uma mãe pra Clementine você não pode tomar essas decisões sobre ela sem me consultar, James. Isso não está certo!

- Me desculpe, amor. Eu pisei na bola.- ele tentou abraçá -la, mas Kate o afastou. – Eu devia ter te contado.

- James, tem alguma coisa muita estranha acontecendo com você.

- Ah lá vem você com essa história de novo, Kate. Não tem nada de estranho acontecendo comigo.

Kate levou a mão às têmporas e abaixou a cabeça num sinal claro de estresse.

- Se ao menos eu pudesse me lembrar de tudo o que aconteceu em LA. Eu conseguiria entender tudo o que está acontecendo.

- Kate, você vai se lembrar- James disse. – Mas precisa ter paciência. Não seja tão dura consigo mesma.

- Ah é?- ela retrucou. – Não se esqueça de que um golpista conhece o outro muito bem e nós não somos muito diferentes. Eu sei que você está escondendo alguma coisa de mim. Eu sinto, James!

James suspirou.

- Olha, Kate...

- Sai daqui, Sawyer!- ela falou. – Eu quero ficar sozinha.

James estava chocado. Kate não o chamava de Sawyer desde que eles tinham se casado. Ela tinha dito à ele que o nome Sawyer deveria ficar no passado junto com a ilha. Sem dizer mais nada, ele saiu do quarto e a deixou sozinha.

Kate se deitou na cama, sentindo-se pensativa. Tinha certeza absoluta que James estava escondendo alguma coisa dela. Ele não percebeu quando deixou o quarto, mas seu celular tinha ficado carregando na mesinha de cabeceira. O telefone vibrou e Kate ouviu. Pensando se tratar de seu próprio telefone ela agarrou o aparelho depressa. Mas esse não era o seu celular e sim o de James. Ela ficou surpresa com o nome da pessoa que estava ligando para seu marido. O visor piscava identificando a ligação de Jack Shepard.

- Jack?- Kate murmurou, confusa. Jack não estava preparado para ouvir a voz de Kate no celular. Assim que a ouviu, ele desligou.

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Quando James retornou à sala de jantar, Betty estava recolhendo os pratos sujos com a ajuda de Clementine.

- Obrigado, Betty. Pode deixar que eu faço isso.

- Não se preocupe. Já estou terminando- disse Betty se encaminhando para a veio atrás dela trazendo alguns copos.

James as seguiu. Assim que Clementine colocou os copos na lava-louças, Betty disse à ela:

- Hey Clemen, você pode dar uma olhadinha na sua irmã?

Clementine assentiu e retornou para a sala de jantar. Uma vez que estavam sozinhos, Betty disse à James:

- Você está escondendo alguma coisa.

- Como é que é?

- James, eu não sou estúpida. Quando você e a Kate saíram daqui não fazia muito tempo que ela tinha descoberto estar grávida. En ão cerca de algumas semanas depois ela volta pra casa com o bebê que nem sequer nasceu prematuro? Voce acha que eu engoli essa história?

- Mas é claro que não, Betty.- respondeu James com sinceridade. – Eu não subestimaria você.

- O que aconteceu co a Kate em LA? Ela perdeu o bebê no acidente de carro nao foi?

James nao respondeu mas Betty sabia que tinha acertado. Ela desconfiara da história desde o primeiro momento.

- Betty, você não pode contar nada pra Kate.- James pediu.

- James, de quem é essa criança? A Lara?

- Ela é filha de um amigo. Nós precisamos esperar que a Kate recupere a memória.

- Isso nao é justo, James, ela vai sofrer tanto quando souber da verdade...

- Betty, ela está doente! Estou tentando ajudá -la!

- Você só vai tornar as coisas piores.

- Escute, é por isso que estou indo a LA. Vou conversar com os médicos dela lá. Eu decidi que não vou esperar mais. A Kate precisa saber da verdade.

- E assim que ela souber da verdade, Lara sera devolvida?

James assentiu. Betty levou a mão à boca em choque.

- Oh Deus, James, isso é tão terrível.

- É terrível pra mim também. Como acha que eu estou me sentindo?

- Ok, entendo agora porque está mentindo. Mas por que vai levar a Clemen com você pra LA?

- Porque eu acho que vai ser bom pra Kate ficar aqui só com a Lara. Isso pode ajudar a memória dela.

- Está certo. Eu ficarei com ela conforme prometi.

- Muito obrigado, Betty. Eu sabia que podia contar com você.

- Ela vai me odiar, James.- disse Betty com a voz chorosa.

- Vai odiar a nós todos.- ele respondeu com pesar.

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Jack pousou o telefone celular no sofá e engoliu em seco. Se sentia estúpido por ter desligado o celular na cara de Kate. Ele deveria ter falado com ela. Agora ela provavelmente iria questionar Sawyer sobre o fato de estar ligando pra ele.

Sentindo-se frustrado, Jack levantou do sofá e foi até o barzinho na sala de jantar. Serviu-se de uma dose pura de uísque e começou a bebericar. O interfone tocou. Jack foi até a cozinha e atendeu o aparelho na parede.

- Pois não?- ele indagou ao ouvir a voz do porteiro do outro lado da linha que lhe avisava que ele tinha visita. – Ok, manda subir.- ele autorizou ao porteiro.

Cerca de cinco minutos depois a campainha tocou. Jack foi abrir, ainda segurando seu copo de uísque.

- Comecou a beber sem mim, brother?- indagou Desmond a porta dele.

Jack deu um pequeno sorriso e disse:

- Entra, brother.

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Brian Gamble caminhava pelos antigos becos escuros de Londres. Era o mês de março e a primavera estava batendo à porta, no entanto as noites continuavam frias e úmidas no velho continente caracterizando o fim do inverno. Ele caminhou pelas ruelas estreitas e desertas àquela hora da noite até uma antiga taverna. A construção de pedra que deveria ter pelo menos uns quinhentos anos não possuía um nome na entrada. Mas Gamble sabia que aquele era o lugar certo.

Ele se aproximou da pesada porta de madeira e bateu com o punhos na superfície firme. A porta abriu-se imediatamente e ele entrou. O ambiente era escuro, iluminado apenas por velas que lançavam sombras fantasmagóricas nas paredes de pedra. A lareira crepitava no centro do salão. Algumas pessoas bebiam em pequenos grupos espalhados pelo antiga canção de Nico Fidenco "A Casa D'Irene tocava baixinho" ao fundo.

Benjamin Linus estava sentado em um canto mais escuro perto do bar. Ele bebia sozinho. Brian Gamble procurou-o com os olhos e Ben ergueu sua mão alto quando o viu adentrar a taverna. Gamble dirigiu-se à ele.

- Sente-se.- disse Benjamin.

Brian retirou o casaco que usava e o colocou no espaldar da cadeira antes de sentar-se.

- Escolha interessante de lugar.- comentou ele.

Benjamin tomou um gole de sua bebida e respondeu:

- Um lugar como qualquer outro, meu caro.

- É claro.- disse ele.

Ben tirou uma folha de papel dobrada do bolso e entregou para Gamble. Ele aproximou a vela que iluminava a mesa e abriu o papel, lendo-o. Quando terminou, ele perguntou à Ben:

- Por que só alguns nomes estão aqui?

- São as escolhas de Jacob.- Ben respondeu. - Quem sou eu para refutá -las?

Brian deu de ombros.

- Não importa. Contanto que eu pegue o meu.

Benjamin Linus sorriu. A vela que iluminava seu rosto o fez parecer mais sombrio do que Gamble se lembrava.

- Você é uma pessoa simples, meu caro. A gente dá o que você quer e você faz o seu trabalho. Não questionada muito.

- E por que eu haveria de questionar? Não é meu problema.- Brian retrucou.

Uma moça rechonchuda vestida com roupas fora de moda e carregando uma bandeja passou por eles. Brian gritou: - Ei, me vê uma dose de uísque, moça.

A mulher assentiu silenciosamente.

- Já que eu estou aqui, vou aproveitar pra me aquecer. Essa cidade é um gelo nessa época do ano.- ele disse a Ben.

- Acho que eu esqueci de mencionar- Ben disse. – Mas Jacob está conosco esta noite.

- Sério?- retrucou Brian. – Onde?- ele começou a procurar pelo salão escuro.

Nesse momento, a única vela que iluminava a mesa apagou-se e de súbito um homem barbado, todo vestido de branco estava de pé diante deles.

- Cruz credo!- Brian exclamou.

- Boa noite, cavalheiros.- saudou Jacob. - Posso juntar-me à vocês?

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- Eu tive um sonho.- contou Desmond a Jack. Os dois bebiam juntos na sala do apartamento dele.

- Um sonho ou pesadelo?- indagou Jack.

- Ambos, brother.- respondeu Desmond. – Eu vi a ilha.

Jack franziu o cenho.

- Des, você ainda pensa na ilha?

- Ás vezes.

- E por que faz isso? A ilha se foi. É coisa do passado. Não sabemos nem como encontrá -la e sinceramente para que iríamos querer isso? Já fiz as pazes com o meu passado, brother.

Desmond balançou a cabeca negativamente.

- Meu caro Jack, se lembra o que eu disse pra você no dia em que fomos resgatados?

Jack assentiu.

(Flashback)

Aquele era um dia de festa e renovação das esperanças. As pessoas na ilha não podiam acreditar que estavam finalmente sendo resgatadas. O grupo se enfileirava para entrar nos botes e seguir rumo ao barco onde ouviram dizer que médicos os examinariam e eles seriam alimentados apropriadamente antes de fazerem contato oficial via rádio com suas famílias.

Jack estava na fila atrás de Michael que contava a Walt tudo de maravilhoso que o filho iria ver em Nova York. Interessante, Jack pensou. Naquele momento todos voltavam a ser civilizados. Ninguém queria lembrar ou falar das ameaças que sofreram, ou das injúrias que tinham acontecido. Tudo parecia estar perdoado. Ele observou Kate e Sawyer conversando alguns pessoas à frente dele. Suspirou. A vida tomaria novo rumo e por algum tempo ele pensou que eles permaneceriam naquela ilha para sempre.

Naquele momento, Locke estava sendo carregado para o bote diante de seus protestos. Os militares o tinham colocado numa camisa de força para forçá -lo a ser resgatado. Jack sentiu pena dele. De certa forma ele compreendia que na vida do lado de fora daquela ilha nenhum deles era herói. Tudo voltaria a se como era antes. Até que ponto Jack queria que isso acontecesse?

Desmond aproximou-se dele.

- Você acredita que finalmente está acontecendo? Que finalmente estamos sendo resgatados?- indagou o escocês a Jack.

- Acredito- respondeu Jack.

- Mas assim sem mais nem menos?- retrucou Desmond. – Você acredita que a ilha vai apenas nos deixar ir?

Jack balançou a cabeça.

- Desmond, isso é apenas uma ilha cheia de pessoas criminosas e loucas que nos forçaram a viver aqui tempo demais.

- Você sabe que esse lugar é mais do que isso. O Locke disse que a ilha ainda o terminou com a gente, brother. Ele pode estar certo.

(Fim do Flashback)

- Desmond, o Locke estava louco!- disse Jack. – O pobre coitado fantasiou tanto sobre ser o grande caçador e líder da nossa comunidade naquela ilha que quando isso foi tirado dele, ele simplesmente pirou!

- Ou é mais fácil pra você pensar assim, brother.- ele fez uma pausa para servir-se de mais uísque da garrafa que estava pousada sob a mesinha de centro da sala. – Posso te fazer uma pergunta?

- É claro.- respondeu Jack, também se servindo de mais uísque.

- Com quantos sobreviventes do 815 você tem se relacionado desde que saiu da ilha nesses últimos anos?

- Bom, além de Claire que é minha irmã e do Charlie que se casou com ela, tenho visto vários deles recentemente.

- E voce acha que isso é uma coincidência?

- Claro que sim. Afinal todos nós temos uma ligação com LA. Essa cidade não é tão grande assim. E você? Com quantos sobreviventes têm falado todos esses anos? Você voltou pra Inglaterra e eu não te via há pelo menos uns cinco anos antes de aparecer aqui. Não sabia nem que estava na cidade, Desmond.

- Verdade, brother. Mas eu não sou um sobrevivente do 815.

- Desmond, me diz a verdade. Por que você está em Los Angeles?

- Porque eu tive um sonho, brother.

- Então você saiu de Londres só pra vir aqui me contar que teve um sonho?

- Um sonho não, brother. Melhor chamar de aviso.

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Ana-Lucia colocou o olho direito na mira. Ela avistou o alvo e puxou o gatilho. A bala nem ricocheteou, foi direto no centro do alvo. Ela abaixou a arma e colocou a trava de segurança antes de prendê-la de volta no coldre. Atrás dela seus companheiros da SWAT aplaudiram o tiro. O sargento Hondo tocou no ombro dela num gesto de encorajamento.

- Muito bem, Cortez!- disse ele. Ana-Lucia sorriu.

- É, acho que ela está melhorando.- falou TJ invejoso.

Street balancou a cabeça negativamente ao ouvir o comentário do colega.

- Belo tiro!- ele disse aproximando-se de Ana.

- Agora é a minha vez, meninas!- anunciou Boxer, preparando a arma.

- Aposto vinte dólares que ele erra o alvo.- disse Elena chegando de repente.

Todos riram. Boxer franziu o cenho.

- Qual é? Você é minha irmã! Você nem trabalha na minha divisão. O que está fazendo aqui?- Boxer retrucou.

- Bora lá!- exigiu TJ.

Elena fez um gesto para que Hondo a acompanhasse. Hondo se afastou dos outros e a seguiu.

- Linus foi visto em Londres.- ela disse.

- Quando?- perguntou Hondo.

- Dois dias atrás. Uma camêra de segurança o captou na Queen Street.

- E o nosso contato? Ele vai cooperar?

- Depois da minha última conversa com ele, creio que sim.

- Bom- disse Hondo. – Vejo você mais tarde.

- Sim, senhor.- ela respondeu.

Hondo caminhou de volta até o seu grupo. Todos riam porque Boxer tinha acertado uma bala no muro ao invés do alvo.

- Mas o que vocês estão aprontando?- questionou Hondo.

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Kate entrou no bar escuro procurando por Sawyer. O avistou no balcão. Começou a caminhar até ele, mas parou quando viu uma mulher se aproximar dele. Ela tinha longos cabelos negros e usava calça jeans rasgada e botas de couro. Sawyer sorriu quando a viu. A mulher tocou o rosto dele e eles se beijaram. Kate finalmente a reconheceu.

-Ana-Lucia!- exclamou. -Sawyer como você pôde?- gritou, mas ele parecia não se importar com ela.

Kate correu até eles para confrontá-los. Mas Jack surgiu de repente na frente dela e a agarrou.

- Kate,não vai, por favor! Não vai!

- Jack? O quê?

Naquele monento ela ouviu um som de carros se chocando. O barulho era ensurdecedor. Ela tentou tapar os ouvidos. Jack desapareceu. Ela olhou para o chão e viu uma poça de sangue se formar ao redor dela.

- N ãooo! Nãoo!- gritou.

Ela ouviu uma voz às suas costas.

- Kate, você está bem?- indagou Benjamin Linus surgindo atrás dela. – Espero que estejam te tratando bem.

- Ben?!- ela exclamou.

- Sinto muito pelo seu filho.

- Meu filho?- ela retrucou.

Ben desapareceu e a escuridão a tomou.

- Meu filho!- ela gritou. – Onde está o meu filho?

Ela começou a ouvir o som de um bebê chorando. Abriu os olhos. Estava em seu quarto em Bexar County. Lara chorava alto no berço ao seu lado. Kate tocou seu rosto. Estava recoberto de suor frio. Ela respirava com dificuldade. Fechou os olhos de novo e forçou-se a levantar da cama. Retirou Lara do berço e a abraçou. O bebê continuou chorando. Kate começou a chorar também. Um choro tão forte que sacudiu seu corpo inteiro.

- O meu filho.- murmurou. – Perdi meu filho!

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O táxi estacionou em frente á casa de Ana-Lucia. James respirou fundo. Clementine tocou sua mão e perguntou:

- E se ela não quiser falar com você, papai? Ela não atendeu o telefone.

- Ela vai falar com a gente, querida. Não se preocupe.

James pagou a corrida e retirou a bagagem do táxi. Ele andou até a porta de Ana. Clementine o seguiu segurando sua boneca preferida.

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Ana-Lucia tinha acabado de chegar em casa e preparava um banho de banheira para Érica. A menina pulava afoita no banheiro segurando sua boneca sereia.

- Mamãe por que você vomitou depois do jantar?- ela perguntou sacudindo sua boneca no ar.

- Não foi nada demais, chiquita. Provavelmente algo que eu comi no quartel hoje.

- Mãe, posso fazer bolhas de sabão na banheira?

- Pode.- Ana respondeu adicionando um pouco de sabonete líquido na água. – Só não exagere, tá? Da última vez tinha bolhas de sabão até na cozinha.

Érica riu empolgada. A campainha tocou.

- Será que a Lupita esqueceu alguma coisa?- Ana perguntou a si mesma.

- Posso entrar na água, mamãe?

- Pode, mas a banheira já está cheia o suficiente. Não encha mais.

- Tá!

Érica entrou na banheira.

- Mamãe vai ver a porta. Volto num minuto!- disse Ana saindo do banheiro.

Ela abriu a porta sem olhar no olho mágico e quase caiu para trás ao ver Sawyer e Clementine.

- Estou de volta, Lu.- disse ele com um irresistível sorriso no rosto.

Continua