Disclaimer: A maioria dos personagens e situações dessa história são de propriedade de J.K.Rowlings e WB. Esta fic não tem fins lucrativos de qualquer tipo.
Cap. 46 – Negociações
'A Mui Nobre e Antiga Casa dos Black', agora de Harry, estava um tumulto só.
Enquanto Severus explicava a verdade sobre Draco, Bellatrix e Lucius para um Harry muito zangado, Sirius estava em uma discussão acalorada com o retrato de sua mãe no hall. Entre os gritos de 'Por que você não está morto, seu miserável imprestável?' da Sra. Black, e 'Ele mentiu pra mim, o desgraçado! E você! Nunca deveria ter confiado em você!' de Harry, Severus já sentia uma enxaqueca violenta chegando. Ele sabia que a coisa só pioraria daquele momento em diante já que ele ainda tinha que contar a Harry sobre Johnson Smear e seu passado como o abusivo amante de Draco.
Severus estava preocupado com Draco, mas esperava que Lucius não tomasse medidas drásticas contra o filho. Pelo menos não ainda. Embora Lucius fosse um bastardo doente, Draco era seu único herdeiro. Pensando bem, Lucius havia deixado que Smear torturasse Draco.
Severus suspirou. Sentia-se culpado o suficiente por ter deixado Draco enfrentar Lucius sozinho sem que Harry o ficasse lembrando disso a cada segundo. Mas o que ele podia fazer? Sabia o quanto era importante para Draco lidar com aquele assunto em particular por si mesmo. Severus bem que tentara explicar aquilo para o Grifinório teimoso, mas ele não escutava.
O discurso enfurecido de Harry já estava lhe dando nos nervos. Aquilo aliado à briga da Sra. Black com Sirius o faria perder a cabeça de uma vez por todas.
- Sirius! – Severus gritou. – Você quer, por favor, calar esse maldito retrato?
- Não sei como! – Sirius gritou de volta. – Por que não vem até aqui e me ajuda? Acha que eu me divirto ouvindo essa velha rabugenta? Sei que sou masoquista por ter casado com você, mas ouvir minha mãe gritando nos meus ouvidos é muito pior do que ter que aturar você de mau humor!
Severus resmungou algo. A Sra. Black gritou algo sobre o que ela teria feito em vida para ter um filho tão ingrato, que além de tudo também era bicha.
Harry, que até aquele momento vinha andando freneticamente de um lado para o outro da sala desde que Severus começara a explicar toda a situação a ele, correu até o retrato da Sra. Black, apontou sua varinha para ela e lançou o feitiço que Draco lhe ensinara. Em poucos segundos caiu no sono e a casa ficou em silêncio.
Mas a trégua não durou muito. Harry rapidamente voltou para a sala para continuar com o seu discurso inflamado sobre a imprudência de Draco e a falta de coragem de Severus.
- Por que deixou que ele fosse sozinho à Mansão se sabia que as intenções de Lucius não eram boas? – Harry perguntou pela décima vez, fazendo com que Severus realmente considerasse a possibilidade de lhe lançar um feitiço.
- Já expliquei a você, Potter. Não vou ficar me repetindo.
- Mas deveria, seu idiota! – Harry o atacou sem um pingo de medo do olhar assassino de Severus. – Deveria tê-lo impedido! Deveria pelo menos tê-lo seguido!
- Está bem claro que você não conhece nem um pouco o orgulho de um Sonserino. – Severus retrucou. – Draco não queria que eu fosse, Potter. Ele queria enfrentar Lucius sozinho. Tente você impedir que um Sonserino faça o que deseja!
- Bem, você é um! Deveria saber como! Além do mais, isso é besteira! Você não queria se envolver, isso sim. Você falhou com ele!
- Ah, por favor! Não venha com essa conversinha pra cima de mim! Fui eu quem salvou Draco de uma vida miserável! Eu! Você não faz idéia do que ele passou, do que ele teve que agüentar no passado!
- Do que você está falando? O que aconteceu com ele que foi tão horrível?
Severus sentou-se no sofá e suspirou cansado. Deveria contar tudo a Harry? O garoto parecia ansioso para saber mais. Severus sabia que Draco queria contar ele mesmo sobre Smear. Mas Draco não estava lá. Era importante que Harry soubesse a verdade. Seu amor por Draco seria colocado à prova, mas era necessário.
Sem se demorar muito, Severus jogou o jornal do dia anterior na direção de Harry. Conforme Harry passava os olhos nele, Severus preparou-se para ouvir mais gritos e acusações, mas ficou surpreso por não ouvir nada.
- O que foi, Harry? – Sirius perguntou preocupado.
Severus fitou Harry e seu coração amoleceu um pouco. Não pela primeira vez na vida, sentiu pena do garoto. O Harry nervosinho, que havia entrado naquela sala gritando palavras de vingança, estava agora completamente em silêncio. Suas bochechas, que até então estavam vermelhas de raiva, agora estavam pálidas.
Severus podia imaginar os sentimentos do rapaz. Harry provavelmente estava terrivelmente confuso e sentindo-se traído. Severus esperava apenas que o amor de Harry fosse mais forte do que tudo, porque Draco precisava daquele amor. E se Harry não fosse capaz de superar aquilo, então ele não merecia Draco.
- Harry? – Sirius chamou preocupado, indo ficar ao lado do afilhado e lendo a notícia por sobre seu ombro. Seus olhos se arregalaram, e ele exclamou: - Mas que merda! Do que eles estão falando? Severus! – Sirius olhou para o marido à procura de uma explicação razoável. – O que é isso? Draco foi um...
Severus suspirou.
- Garoto de programa? Sim, por um curto período de tempo.
Harry ficou ainda mais pálido. Severus teve a impressão de que ele vomitaria a qualquer momento. Sirius ofegou.
- Mas o artigo conta apenas mentiras sobre o que aconteceu com ele. – Severus continuou. – Potter, você tem que entender que... POTTER! – Severus gritou para que Harry acordasse. – Você está me ouvindo? O artigo de Hagen é uma completa bobagem! Draco não se vendeu porque quis! Seu ex-namorado o forçou a isso. Johnson Smear, que o atacou recentemente, foi muito charmoso no começo do relacionamento deles, e ele conseguiu atrair Draco até sua teia de mentiras. Naquele tempo, Draco passava por uma fase difícil. O mundo bruxo lhe havia virado as costas porque ele era um Malfoy. Draco não podia voltar à casa dos pais, e nem queria, porque eles não o aceitavam. E o mundo Trouxa era completamente estranho para ele. Draco foi criado para desprezar os Trouxas. Ele não sabia nada sobre eles. Por isso ele pensou que Smear fosse sua salvação. Infelizmente, Smear lhe mostrou um outro tipo de inferno...
Severus esperou que Harry retrucasse, mas este permaneceu calado. Parecia que sua alma havia sido sugada para fora do corpo. Nem Severus nem Sirius fizeram nada para confortá-lo. Sirius bem que tentou, mas Harry balançou a cabeça em negativa.
- Continue falando. – disse Harry finalmente, num tom de voz baixo e rouco.
Severus admirou sua coragem.
- Draco era muito jovem. Ele estava com medo, sozinho e desesperado. Então Smear apareceu lhe prometendo mundos e fundos. Draco só caiu no conto porque estava ansioso para sentir o calor de outro ser humano. Mas ele foi idiota. Logo ele percebeu que Smear não era um bom homem. Ele até tentou largá-lo quando os problemas realmente começaram. Mas Smear se tornou violento e abusivo. Ele trancou Draco e o fez vender seu corpo para seus clientes ricos. Smear tinha um prostíbulo na Travessa do Tranco. Draco era sua mercadoria mais cara.
Harry sentiu-se nauseado. Queria que Severus parasse de falar porque ele não queria ouvir mais nada. Mas sua boca estava fechada. Sabia que teria que ouvir a história toda, não importava o quão dolorosa fosse. Por isso, deixou que Severus continuasse.
- Draco não se entregou tão facilmente. Ele lutou o quanto pôde. Smear começou a drogá-lo para que ele se tornasse mais submisso.
As palavras feriram o coração de Harry. Ele sentiu-se sem ar.
- Severus… Acho que já é o bastante. – disse Sirius preocupado com a palidez do afilhado.
- Não. – disse Harry sem saber de onde tirara forças. – Preciso saber de tudo.
- Acho que já ouvimos o bastante, Harry. – Sirius retrucou. – O que mais você quer saber? Os detalhes?
- Claro que não! Mas eu sei que tem mais. Certo? – Harry olhou para Severus com tal intensidade que o homem hesitou por um momento.
- Realmente. – disse Severus, evitando o olhar de Harry.
O que ele tinha a dizer demandaria demais dele. Ele também precisava se preparar para a possibilidade de ser atacado de verdade por Harry. O moreno certamente ficaria furioso ao saber que Severus deixara Draco encontrar Lucius sabendo que Lucius havia sido responsável por todas as atrocidades que Draco sofrera.
- O que eu tenho a dizer foi o que mais magoou Draco. Ele descobriu depois que seus pais haviam pagado Smear para que o violentasse repetidamente como uma maneira de curá-lo de sua doença... Eles acharam que Draco voltaria para casa após uma experiência tão horrível. Mas aconteceu o contrário. Draco jurou nunca mais vê-los de novo. – Severus deu uma risada amarga. – Como eu odiei Lucius quando ouvi tudo isso. Não esperava que ele fosse capaz de algo assim contra o próprio filho... Draco estava destruído quando eu o socorri. Achei que ele nunca se recuperaria da dor e da humilhação que Smear o havia feito passar. Mas Draco é forte. Ele conseguiu se curar mais rapidamente do que eu pensava. Deixe-o com os Weasleys por um tempo. Ele ficou melhor a cada dia. Até mesmo começou a trabalhar. Tenho muito orgulho do meu afilhado, Potter. E se você o machucar mais, eu vou matá-lo.
As últimas palavras de Severus foram ameaçadoras. Se Harry ousasse falar mal de Draco, ou mesmo pensar algo ruim sobre ele, Severus iria defender o afilhado como se este fosse seu próprio filho. Mas sua expressão dura amoleceu mais uma vez quando ele viu as lágrimas silenciosas escorrerem pelo rosto de Harry.
Harry estava arrasado, mas Severus notou que seus olhos brilhavam perigosamente. Preparou-se então para o golpe que certamente viria em sua direção. E não estava errado.
- COMO VOCÊ PÔDE? Quando sabia que Lucius havia feito algo tão horrível contra o próprio filho! Como pôde deixar que Draco o encontrasse sozinho? – Harry gritou, tentando bater em Severus. Sirius o segurou rapidamente. Embora entendesse a dor de Harry, Severus era seu marido. Ele teria o prazer de torturá-lo depois.
- ME SOLTE, SIRIUS! – Harry lutou para escapar das mãos firmes de Sirius sem sucesso. – Não posso acreditar que esteja do lado dele!
- Não estou do lado dele! Mas por favor, acalme-se! Não ajudará Draco em nada desse jeito! Precisa se controlar! – Sirius tentou apaziguá-lo. – Severus estava errado, mas ele tentou impedir Draco! Você o ouviu! Draco estava determinado a ir não importa o que acontecesse.
Os olhos de Harry brilharam de raiva. Ele olhou com fúria para Severus e Sirius.
- Ok. Sei como aquele idiota pode ser teimoso...
Severus queria adicionar um "olha quem está falando", mas decidiu ficar quieto. Harry estava no limite. Uma palavra errada e ele perderia o controle sobre seus poderes mágicos.
- Mas ainda acho que você estava errado. – Harry terminou fazendo um esforço enorme para controlar a raiva.
Severus sabia muito bem daquilo. Sabia que havia falhado com o afilhado. Merecia a fúria de Harry e mais. A única desculpa que podia dar era a de que ainda não havia feito nada porque Sirius havia lhe pedido que esperasse a volta dos dois. Não que Severus precisasse de ajuda. Ele só achava que era a coisa certa a fazer já que nem Sirius nem Harry sabiam exatamente o que estava acontecendo na vida de Draco.
- Me leve até a Mansão. – Harry ordenou.
- Farei isso. Mas Potter... Há algo que preciso saber.
- O que? – Harry rosnou.
- Você ama Draco?
A pergunta pegou Harry de surpresa e o confundiu por um momento.
- Por que você...?
- Você o ama? – Severus insistiu. A resposta àquela pergunta era muito importante.
Harry engoliu em seco.
- Amo.
- Mesmo sabendo sobre Smear e o resto?
Harry assentiu sem titubear.
- Não foi culpa dele, certo? È bom mesmo que Smear esteja morto ou eu o teria matado!
Severus acreditou nele.
- Só perguntei porque Draco já sofreu o bastante.
- Snape, Draco e eu temos um passado complicado, portanto não posso prometer que nunca vou magoá-lo. Ele me magoou por não confiar em mim o suficiente para me contar sobre o que aconteceu...
- Você não entende, Potter! Não vê como é difícil para ele manter um segredo desses de você? Ele...
- Não me importo! – Harry o interrompeu. – Isso é entre eu e o Draco. O que importa agora é descobrir o que Lucius fez com ele. O resto pode esperar.
Severus concordou, mesmo que contra sua vontade. No entanto, não gostava de receber ordens de Potter.
- Certo, vou levá-lo até a Mansão. Vou te dar meu apoio.
- Não preciso de apoio. Posso lidar com Lucius com os olhos fechados!
Severus fez uma careta.
- Você e Draco realmente se merecem... Vocês são teimosos e cabeçudos!
- Harry, vamos com você. – disse Sirius decidido. – Isso é um fato. Então vamos lá, pessoal! Mexam-se! Temos um salvamento para fazer!
- Você vai ficar aqui, Sirius. – disseram Harry e Severus ao mesmo tempo.
Sirius os olhou com incredulidade.
- Até parece!
- Ninguém sabe que você está vivo, seu imbecil! – Severus exclamou. – Não concordamos em manter isso em segredo? Você sabe que ainda há pessoas querendo te matar.
- Não vou deixar meu afilhado lutar sozinho! Não sou você! – Sirius o atacou.
Severus resmungou.
- Você é um... Já se esqueceu que o seu comportamento irresponsável no passado o fez cair no véu? Não ajudou Potter! Só lhe trouxe mais dor! Quando vai aprender, Sirius? E não estou dizendo isso apenas para feri-lo, mas porque não vou agüentar perdê-lo de novo!
Os olhos de Sirius vacilaram. Chegou perto do marido e lhe deu um forte abraço.
- Severus... Eu também te amo, seu velho idiota.
Por um lado, Severus sentiu-se desconfortável por deixar que Harry presenciasse aquela cena patética. Mas por outro, havia sentido muito a falta de Sirius para se importar com o que o pirralho pensava dele. Era a primeira vez que Sirius o tocava desde que voltara.
Longe de pensar que a cena era patética, Harry ficou muito tocado. Aquilo o fez sentir ainda mais a falta de Draco.
- Sirius, pode vir com a gente se quiser. – disse Harry, fazendo com que Severus lhe lançasse um olhar sombrio. – Mas você e Snape terão que me esperar do lado de fora da Mansão.
- Está agindo como Draco. – apontou Severus com uma careta.
Harry encontrou forças para sorrir.
- Acho que é por isso que somos almas gêmeas.
Severus lhe sorriu de volta.
- Certo, Potter. Vamos salvar a sua dama.
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Harry esperava encontrar vários feitiços protetores ao redor da Mansão Malfoy, mas surpreendentemente ele não encontrou nenhum. O lugar todo parecia deserto com a exceção de um elfo-doméstico chamado Trinity que parecia não ter notado a presença de Harry. Trinity estava assustado com Hermione Granger e seu discurso sobre o F.A.L.E.
Harry ficou muito surpreso ao vê-la. Snape não havia dito nada a mais ninguém sobre Draco.
- Hermione! – Harry a chamou.
Hermione virou-se e sorriu largamente quando viu o amigo.
- Harry! – ela correu em sua direção e lhe abraçou com força. – Sentimos tanto a sua falta! Quando você chegou?
- Essa manhã, após uma longa viagem. Não esperava encontrar você aqui. Então você já sabe...
- Não, ela não sabe de nada. – interrompeu Lucius do topo da escada de mármore. – Eu a convidei a vir aqui para discutir algo relacionado a Draco. Ela não sabe que eu o tenho em meu poder.
Harry cerrou os punhos. Seu maior desejo era apontar a varinha para Lucius e enfeitiçá-lo pra sempre. Toda a raiva que havia sentido ao ouvir o que ele fizera com Draco se multiplicou por cem. Mas antes de destruir Lucius como queria, precisava saber onde Draco estava preso.
- Hermione, esse monstro raptou Draco! – Harry disse entredentes. – E eu estou aqui para libertá-lo.
Lucius lhe sorriu com sarcasmo.
- Estou muito feliz por vê-lo, Potter. Ou será que devo chamá-lo de genro? Por que não vem até aqui e dá um abraço no seu novo 'pai'?
- Irei só para apunhalá-lo pelas costas. – rosnou Harry.
- Ah, já está falando como um Malfoy! Estou emocionado.
- Corta o papo furado, Malfoy. Cadê o Draco?
- Ele está em seu quarto e me disse que não quer sair de lá... – disse Hermione, surpreendendo ambos. – Ele está se comportando como um idiota, pra variar...
- Como você sabe? – Lucius perguntou.
- Ao contrário do que pensa, Senhor, eu sei o que está acontecendo. Draco me ligou e me disse que ele não iria trabalhar porque estava preso na casa dos pais. Ele também estava drogado, pelo que pude perceber. A voz dele parecia arrastada demais para o meu gosto. Claro, sendo um Auror, ele podia muito bem lutar contra os efeitos da droga e escapar da sua prisão de ouro. Mas surpreendentemente, ele não quer. Disse que precisa ficar e descobrir quais são os seus planos.
- Ele ligou pra você? O que mais ele disse? – Harry perguntou ansiosamente.
- Bem...
- Bobagem! Como ele pode ter te chamado? Eu confisquei sua varinha! – exclamou Lucius.
- Você esqueceu de confiscar o telefone celular dele também. – disse Hermione feliz. – Sabe o que é isso? Aquele aparelho Trouxa... Ah, espere um pouco! Você não sabe! Afinal de contas, esteve preso todo esse tempo. Não só isso, mas você também não se importa com nada que venha dos Trouxas, não é mesmo? Melhor pra nós. Graças à sua ignorância, Draco conseguiu me chamar sem usar mágica! Que tal isso como ironia?
Harry sorriu. Nunca havia sentido tanto orgulho da atitude confiante de Hermione como naquele momento. Lucius, por outro lado, estava muito zangado.
O Malfoy mais velho franziu o cenho.
- Não pense que me venceu, sua sangue-ruim. Ainda tenho Draco comigo, não se esqueça!
- E você não se esqueça de que ainda estamos de olho em você. Pode ter comprado sua liberdade, mas há pessoas no Ministério que acreditam na justiça e só estão esperando por uma oportunidade para colocar as mãos em você de novo. Se eu fosse você, teria cuidado. – ela disse sem hesitação. Harry sentiu vontade de lhe dar um beijo. – Por que me chamou aqui?
- Na verdade, você era minha segunda escolha. Só a chamei aqui porque Potter parecia estar fora de alcance. Precisava de você para lhe dar uma mensagem. Mas não preciso mais de você. Não sabe como dói ter que sujar essas paredes com sua presença.
- É a sua família que suja essas paredes, não ela! – Harry exclamou furioso, apontando sua varinha para Lucius. – Agora me leve até Draco!
- Por quê? Você ouviu sua amiga sangue-ruim. Draco quer ficar aqui. – disse Lucius com um sorriso desagradável.
- Não me importo! Vou levá-lo comigo! Não tente me impedir ou vai sentir minha fúria. – Harry o ameaçou.
- Palavras fortes as suas. Está preparado para me matar pelo meu filho? Você o ama tanto assim?
- Amo! – Harry respondeu sem titubear.
- Ah, mas se me matar vai direto pra prisão. – Lucius apontou.
- Eu testemunharei em sua defesa. – Hermione disse rapidamente. – Direi ao tribunal que foi legítima defesa.
- Hmm... – Lucius acariciou a ponta da sua bengala pensativo. – Realmente. Mas já comecei uma campanha de difamação contra Potter e Draco. Vi a pesquisa do Profeta Diário. As pessoas são completamente contra o relacionamento deles. Além disso, eles acham que Draco está tentando tomar o meu lugar e controlar meu império, o que significa que Potter também está envolvido nesse esquema horrível. Se me matar, seus amigos poderão até ajudá-lo a não ir pra cadeia, Potter, mas o público irá ficar contra você. Você será tratado como um criminoso. O engraçado sobre as pessoas é que elas têm a memória muito curta. Era de se esperar que elas fossem ficar agradecidas ao seu precioso herói pela vida toda. Mas quando as coisas melhoram, elas tendem a se esquecer das coisas ruins do passado. Agem como se nada nunca tivesse acontecido. As pessoas são assim, Potter. Elas não ficarão ao seu lado, nem mesmo por matarem um criminoso como eu. – Lucius parou para saborear o efeito de suas palavras em ambos.
- O que você quer? – Harry perguntou quase rosnando.
- Como disse sua amiga, há pessoas contra mim no Ministério. As que estão do meu lado estão hesitantes em completar a minha sentença. Quero minha liberdade, e quero meu nome limpo.
Harry franziu a testa.
- E daí? O que isso tem a ver comigo?
- Quero que você me ajude com a Suprema Corte. Use sua influência para me libertar mais rapidamente.
- O que? De jeito nenhum! – Harry quase riu Lucius realmente achava que ele podia conseguir algo daquele porte com a Suprema Corte? Mesmo se fosse possível, ele nunca o faria.
- Nem mesmo por Draco? – Lucius perguntou, bancando o advogado do diabo. – Estou desapontado. Pensei que amasse meu filho.
- Eu amo! Mas...
- Você prefere escolher o que é certo, o que é justo. – Lucius o interrompeu com escárnio. – Isso é tão nobre, Potter. Prefere sacrificar seu amor pelo bem da nação. É muito poético. Sinto até lágrima nos olhos.
Harry cerrou os punhos com mais força. Amaldiçoar Lucius não seria o suficiente. Ele teria que usar a força física pelo menos uma vez.
- Não conheço ninguém na Suprema Corte. – Harry rosnou. – Não tenho nenhuma influência no Ministério.
- Muito bem. – Lucius se empertigou e sorriu. – Draco fica então. Para ser honesto, qualquer que seja a resposta, eu saio ganhando, Potter. Quero minha liberdade de volta sem dúvidas. Mas ter Draco de volta é um ganho e tanto. É algo que eu venho querendo desde que fui preso. Fui muito bonzinho com ele no passado.
Harry não pôde acreditar em tal mentira. Lucius apenas sorriu ao continuar:
- Enquanto estava na prisão, fiquei pensando que uma pessoa tão teimosa como Draco precisa de um pulso mais firme. Cheguei à conclusão de que ele precisa ter a memória alterada. Nunca tentei isso antes. Talvez eu não o cure de sua homossexualidade, mas com certeza pode fazer com que ele se esqueça de você.
- Seu bastardo doente! – Harry gritou, furioso. – Pode fazer o que quiser com minha reputação! Não me importo! Mas vou levar Draco comigo! Tente me impedir se puder! Nada me dará mais prazer do que acabar com a sua raça!
Os olhos verdes lançaram faíscas de fúria na direção de Lucius que o fizeram estremecer.
- Não vou matá-lo, mas vou torturá-lo o bastante que você vai desejar estar morto. – Harry continuou.
Lucius agarrou a varinha com as mãos trêmulas e a puxou para fora da bengala.
- Se eu fosse você, deixaria Draco ir sem muito alarde. – sugeriu Hermione. – Porque quando Harry perde o controle, é difícil pará-lo.
- Draco prefere ficar aqui. – disse Lucius.
- Duvido. – Harry retrucou.
- Só o que tem a fazer é me ajudar, Potter. Então Draco será seu novamente, e eu deixarei vocês em paz.
- Ou... – Harry apontou sua varinha na direção de Lucius. – eu poderia simplesmente estuporar você, levá-lo para o Ministério e acusá-lo de não só raptar o próprio filho mas também ameaçar um civil e também uma funcionária do Ministério!
Lucius apertou a varinha com mais força.
- Então é assim que as coisas vão ser...
- É exatamente assim que as coisas vão ser! – Harry disse rispidamente.
- E você não se importa com o que pode acontecer a Draco. – Lucius apontou maldosamente.
- Se ficar algo com ele, juro que te mato sem piedade! – Harry gritou com raiva. – Você tem uma escolha! Se entregue e eu lhe pouparia a vida. Mas não terei piedade nenhuma se usar seu filho como escudo!
Lucius sorriu.
- Muito bem, Potter. Você não me dá escolha a não ser fazer algo que eu já deveria ter feito há muito tempo.
Num movimento rápido, Lucius lançou uma maldição na direção de Harry. Embora Harry estivesse fora de forma, ele conseguiu se desviar um segundo antes de ser atingido. Hermione procurou abrigo atrás de um grande pilar Grego, enquanto Harry se escondeu atrás do outro.
O Hall de entrada da Mansão Malfoy transformou-se num campo de batalha, com feitiços e maldições voando para todos os lado sem poupar nada pelo caminho. Lucius não pareceu se importar com as conseqüências de suas ações. Estava cego pelo ódio e só queria ferir Harry a qualquer custo.
- Draco ficará muito feliz em saber que você não o ama, Potter. – gritou Lucius, jogando uma maldição na direção de Harry. O raio de luz atingiu uma das paredes perto da porta de entrada e deixou um grande buraco em seu lugar.
- Isso não tem nada a ver com o meu amor pelo Draco, seu maldito! Eu o amo! E lutarei por ele até que fique sem nenhuma energia no corpo! – Harry gritou de volta, lançando um feitiço em Lucius e atingindo um retrato no topo da escada. O homem que ali residia fugiu para o retrato ao lado gritando.
A chegada de Sirius e Severus chocou Lucius por um momento.
- O que é isso? Um fantasma? – perguntou ele com a testa franzida.
Sirius sorriu seco.
- Realmente. Voltei do mundo dos mortos para assombrá-lo!
Severus puxou Sirius para o lado antes que ele fosse atingido por uma maldição de Lucius. Harry grunhiu algo. Severus o olhou com uma carranca.
- O que você queria que eu fizesse? – Severus perguntou.
- Sei lá! Mas devia ter feito alguma coisa! Hermione e eu temos tudo sobre controle aqui! – Harry disse.
Severus olhou em volta e sorriu com escárnio.
- Claro, posso ver isso claramente. Está lidando tão bem com a situação que a casa está aos pedaços!
Harry pensou em replicar, mas o grito de Hermione chamou sua atenção.
- Hermione! – gritou para ela. – Você está bem?
- Estou! – ela assegurou do outro lado do Hall. – Foi só um arranhão... Um maldito arranhão!
- Droga! – Harry suspirou. – Somos quatro contra um e ainda assim não conseguimos derrotá-lo!
- Isso não é nada. O pior é que você é o Grande Harry Potter. – disse Severus. – E pensar que foi você quem derrotou Lorde Voldemort.
Harry fez uma careta. Sabia que estava fora de forma sem que as pessoas tivessem que lhe apontar o fato.
- Proponho que o ataquemos todos de uma vez. – sugeriu Sirius com os olhos brilhando de excitação.
Severus e Harry o olharam com uma carranca.
- O que foi? – Sirius perguntou, irritado com os olhares.
- Você é um caso perdido, Sirius. – disse Severus. Sirius apenas deu de ombros.
- Certo, Potter! Vamos fazer o seguinte! – gritou Lucius de repente. – Eu vou fugir, e levarei Draco comigo. Você nunca o verá de novo. Que tal? Ainda assim se recusa a me ajudar?
- Você não vai a lugar nenhum! – Harry gritou de volta.
- Certo! Seu desejo é uma ordem! Eu vou… Ugh!
Eles ouviram um estampido e a Mansão ficou quieta. Harry franziu o cenho. Cuidadosamente, relanceou na direção de Lucius e o viu caído com a cara no chão no topo da escadaria. Lucius havia sido atingido. Harry olhou para Hermione imaginando se ela fora capaz de estuporá-lo, mas sua amiga parecia tão confusa quanto ele.
Harry olhou para o corpo de Lucius de novo e viu Narcissa Malfoy elegantemente vestida num vestido azul turquesa todo de seda e coberto de pequenos diamantes, carregando sua varinha em uma mão e uma mala na outra.
Ela jogou a mala sem cuidado nenhum perto dos pés de Harry e disse:
- Achará evidências suficientes nessa mala para colocar meu marido atrás das grades por um bom tempo. Em troca, quero ser deixada em paz. E eu quero a memória de Lucius alterada para que ele nunca descubra que fui eu quem o traí. – Ela se virou para Hermione. – Não quero ver Lucius novamente nessa casa por pelo menos uns 60 anos. – Voltou-se para Harry novamente. – Quanto a você, Draco está no quarto. Pode levá-lo daqui. Não quero mais aqui.
- Por que está fazendo isso? – Hermione perguntou curiosa.
Narcissa suspirou impaciente.
- Não que isso seja da sua conta, mas eu me acostumei a ficar no comando enquanto Lucius estava na prisão. Digamos apenas que eu esteja cansada de ficar recebendo ordens a todo o momento. Tenho meus próprios planos agora. Além disso, ele matou minha irmã. Não posso perdoá-lo por isso.
- Por mim tudo bem! – Sirius exclamou, ignorando o choque de Narcissa ao vê-lo correr na direção de Lucius para prendê-lo.
- Você está vivo! – ela exclamou com desgosto.
- Sim, querida prima. Estou vivo. – Sirius sorriu.
Hermione, que até então estivera chocada em vê-lo também, correu para perto de Sirius após se recuperar do susto. Perguntaria a Harry sobre ele depois. O trabalho vinha em primeiro lugar.
- Farei o que disse. – disse Hermione a Narcissa. – Mas não antes de checar se o que há na mala é mesmo o suficiente para prender Lucius novamente ou não. Sinto muito, mas terei que levá-la até o Ministério comigo. Eu prometo que Lucius não vai saber que você esteve lá, ou que nos ajudou.
Narcissa não ficou nem um pouco satisfeita com o acordo, mas como eles eram quatro contra uma, acabou concordando.
- Certo. Mas não serei colocada em uma cela imunda!
- Então vai nos deixar em paz. – disse Harry olhando para ela. – Promete que vai desaparecer de nossas vidas e nunca mais vai incomodar Draco quando Lucius for novamente para a prisão?
Os olhos frios e azuis de Narcissa, que lhe lembravam os de Draco quando este ainda era um pirralho mimado, lhe trespassaram.
- Sim, Potter. Eu prometo. Draco deixou de ser meu filho quando resolveu se entregar aos seus impulsos primitivos. Ele é todo seu. Trinity irá levá-lo até ele.
O elfo-doméstico se inclinou ante a presença de Harry. O moreno ainda olhou uma vez mais para Narcissa antes de seguir a pequena criatura pelos longos corredores da Mansão.
- Tome cuidado, Harry! – gritou Sirius.
- Tomarei! – disse Harry.
Não encontrou problemas no caminho. Trinity tirou uma chave de ouro de seus trapos e destrancou a porta do quarto de Draco. Então se inclinou novamente e deixou Harry sozinho.
O coração de Harry começou a bater mais forte ao avistar Draco dormindo na cama. Lutou contra a urgência de pegá-lo nos braços e apertá-lo com força. Draco parecia tão frágil que ele temia quebrá-lo no desespero de senti-lo. Sentou-se ao lado do loiro e lhe acariciou o rosto ternamente. Seus dedos tremeram ligeiramente ao tocar Draco de novo. Havia sentido tanta falta daquela pele perfeita. Inclinando-se para frente, beijou os lábios de Draco. O loiro abriu os olhos lentamente.
- Harry? È mesmo você? O que está fazendo aqui? O que aconteceu? – Draco perguntou tonto.
Harry o beijou mais uma vez e disse:
- Não se preocupe, meu amor. Tudo vai ficar bem. Estou aqui pra te levar pra casa comigo.
Continua...
Mais dois capítulos e... o fim! Obrigada pela paciência!
