Título: Os Corações Da Questão

Autora: Lab Girl

Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, drama, romance

Advertências: Conteúdo adulto, com linguagem e situações muitas vezes inapropriadas para menores.

Classificação: NC-17

Capítulo: 53/?

Status: Em andamento

Resumo: Às vezes é preciso dois corações para se chegar ao âmago de uma questão.


Os Corações da Questão

por Lab Girl

Parte II: O Encontro dos Amantes


#53: Mais Do Que Palavras


O aroma salgado e o ruído das ondas lambendo a areia dominavam os sentidos dele. Isto e a mulher macia e quente em seus braços.

Observando a praia deserta no fim de tarde, o vento frio roçando o rosto, a mente de Seeley Booth estava cheia de lembranças. Uma, em especial. De uma tarde em família, naquele mesmo lugar.

Ele não havia dito à Brennan para onde estavam indo quando a puxara pela mão para fora de sua antiga casa. Ela tampouco fizera perguntas. Em silêncio, ela o seguiu, sem hesitar. Durante todo o percurso de carro até ali, a parceira não questionou a direção. Ele achava que, no fundo, ela desconfiava.

Após ler aquele trecho no diário de sua mãe, Seeley foi movido a ir até ali. E, naquele momento preciso, sentado junto com Brennan numa pedra a alguns metros do mar, com a paisagem e as memórias inundando sua mente e seu coração, ele descobria por que sentira o impulso de estar naquele lugar. Seu peito, que estivera apertado por dias, até horas atrás, no instante parecia leve e aquecido.

Exalando um suspiro, ele apertou Brennan um pouco mais em seu abraço.

As mãos dela acariciaram suavemente os braços dele. "É um lugar muito bonito. Posso imaginar que lhe traga boas lembranças."

Seeley beijou-lhe o topo da cabeça. "Sim." E Deus sabia o quanto lhe fazia bem deixar que as boas lembranças sobrepusessem as tristes agora. "E estar aqui com você torna tudo melhor."

Brennan virou-se um pouco nos braços dele, o suficiente para encará-lo, um pequeno sorriso nos lábios. A mão dela tocou o rosto de Seeley numa carícia bem vinda.

Os dois apenas se olharam em silêncio por alguns instantes, e ele fechou os olhos em seguida, simplesmente desfrutando o calor da mão dela em sua pele. Então, segurando de leve o pulso de Brennan, levou os dedos da parceiro até os lábios, beijando-os com carinho.

Por quanto tempo ele havia sonhado com um momento como aquele ao lado dela? Não exatamente nas atuais circunstâncias… mas, mesmo assim, ele tinha de agradecer aos céus por finalmente tê-la ao seu lado. Em seus braços. E em sua vida. Completamente. Sem reservas.

Abrindo os olhos ele foi agraciado pelo olhar de Brennan, que seguia a observá-lo.

Seeley beijou a palma da mão dela antes de começar a se levantar da pedra onde estavam sentados. "Está ficando frio. Vamos andando?"

Brennan meneou a cabeça e o acompanhou. Os dois foram caminhando lado a lado sobre a areia.

"O que você quer fazer agora?" ela cortou o breve silêncio com a pergunta.

Seeley olhou para ela, um sorriso se formando no canto dos lábios. "Continuar do seu lado."

Ela sorriu. Lindamente. Genuinamente. Feito uma menina. Fazendo seu coração vibrar com força e reafirmação. Ele a amava. Muito. Porém, resistiu ao impulso de dizer aquelas palavras no momento. Brennan já sabia disso. Ele só queria que ela se acostumasse com a ideia de amar e ser amada, o que levaria tempo. Ela havia passado os últimos anos tentando se convencer de que o amor nada mais era do que um conjunto de reações químicas, de que as ligações românticas nada mais eram do que uma maneira de dar vazão às necessidades físicas.

Porém, no fundo, Seeley a conhecia. Ele sabia que ela, como ele, ansiava por segurança e estabilidade. Por uma ligação profunda que sobrevivesse ao tempo e às adversidades.

Eles eram assim. E ele estava tentando provar isso a ela. Com calma, paciência e cuidado. Era assim que havia planejado agir desde a primeira e única noite de amor que passaram juntos. Seeley não queria pular direto para um relacionamento físico intenso, ele precisava trabalhar as questões de Brennan antes disso se queria mesmo que os dois dessem certo. E ele estava apostando todas as suas fichas nessa relação. Sua primeira jogada havia sido imprudente e precipitada, despejando uma declaração em cima dela sem que ela estivesse pronta - sem que nenhum dos dois estivesse.

Agora, passado o tempo, passadas as últimas experiências que os haviam unido ainda mais, Seeley estava melhor preparado para o desafio. E o abraçava por inteiro, da mesma maneira que a embarcava agora em seus braços, apertando gentilmente o corpo macio contra o seu, partilhando calor e coração. E ele esperava que ela sentisse isso. Ele não precisava verbalizar. E nem ela. Tudo de que precisavam estava ali. Entre os dois. Naquele abraço.


~.~


Temperance abrigou-se no abraço quente de Booth. Escondeu o rosto no peito firme dele, que vibrava com as batidas constantes do coração. A sensação era muito boa. Bem vinda. Especial.

Os dois ficaram ali, abraçados, a brisa fria roçando suas roupas e rostos expostos enquanto partilhavam um momento de fuga. De refúgio. Ela se sentia feliz por estar ali com ele.

E saber que Booth apreciava sua companhia, que ele somente queria estar com ela, sem exigir nada… era o bastante. Ela não se lembrava de ter se sentido assim antes. Tão segura, tão protegida. Tão amada.

Era isso. Tratava-se de permitir-se. De se deixar levar pelo que estava sentindo. Algo que ela nunca gostara de fazer. Até então. Porque a deixava vulnerável. Em perigo. Com Booth, no entanto, era diferente. Ela estava disposta a tentar. A testar essa hipótese e lidar com os resultados. Porque, no fundo, sentia que tinha mais a ganhar do que a perder.

As palavras de Suzanne, então, voltaram à atravessar sua mente… Nem todos são iguais. Deixe o Booth lhe provar isto...

Temperance sabia. Ele era o melhor homem que ela algum dia conhecera. Diferente de todos. Ele lhe provava isso dia a dia. Por exemplo, ela entendia agora que se ele ainda não a havia procurado intimamente de novo, depois daquela primeira noite no apartamento dele, era justamente porque queria demonstrar que a queria além do físico.

Não que ela se importasse em se deixar levar pelo desejo que Booth despertava em seu corpo, mas ela o admirava ainda mais por atitudes assim. Que lhe demonstravam a veracidade dos sentimentos dele. Não eram apenas palavras. E ela não precisava ouvi-las para saber que ele a amava.

Erguendo a cabeça do peito musculoso do parceiro, ela o encarou. E viu tanta coisa no rosto, nos olhos dele… coisas que fizeram seu corpo se sentir amolecido, seu coração batendo mais depressa.

"Eu te amo" a afirmação escapou dos lábios dela antes que pudesse prever.

E Temperance, olhando dentro dos olhos escuros de Booth, percebeu que nunca teve tanta certeza do que dizia. Não eram apenas palavras.

Ele estava parado, no entanto, aparentemente assimilando o que acabava de ouvir. Ela tinha a impressão de que, talvez, Booth não a tivesse escutado realmente, ou que o tivesse surpreendido com a declaração.

Bem, a verdade era que ela própria estava surpresa. Poucas horas atrás, estava pensando em como não queria se precipitar e dizer uma coisa como aquela sem ter absoluta certeza.

Porém, o fato era que ela tinha certeza. Uma certeza calada, que tinha muito medo de admitir mas que, por alguma razão, justo naquele momento se fizera mais forte e criara voz própria. Eu te amo… Ela o amava, sim. Era verdade. E as verdades não se podia esconder por muito tempo.

Depois de minutos em silêncio, os dois se encarando, ainda abraçados e envoltos pelo vento que assanhava levemente os cabelos dela, Temperance pensou em repetir o que dissera, mas Booth finalmente reagiu.

"O dia de hoje é uma mistura estranha… de melancolia e felicidade" ele murmurou, erguendo uma das mãos para tocar o rosto dela. "Talvez o dia mais triste e o mais feliz da minha existência, se é que você consegue me entender."

Temperance sorriu de leve, meneando a cabeça. "Acho que sim."

"Ainda bem" Booth lambeu os lábios. "Por que eu não saberia como explicar o que estou sentindo agora em palavras."

"Então, não use palavras" o sorriso dela aumentou.

E ele correspondeu, sorrindo amplamente antes de fechar a distância entre seus rostos.

Um beijo suave resumiu o encontro de seus lábios, roçando um no outro inicialmente. Apenas uma carícia, uma reafirmação dos sentimentos que partilhavam.

Logo, porém, a ternura foi dando lugar a algo um pouco mais intenso e suas bocas abriram-se, tomando posse uma da outra. Clamando um contato maior e aquecendo seus corpos.

Temperance deixou as mãos correrem pelas costas firmes de Booth, deleitando-se no contato, mesmo por cima da jaqueta que ele usava.

Booth, por sua vez, ousou levar as mãos para baixo do casaco que ela vestia, os dedos longos incendiando a pele arrepiada por baixo do tecido de algodão da blusa. Temperance gemeu de leve no beijo. De imediato ele inclinou a cabeça para o lado, o que permitiu um aprofundamento no contato de suas bocas.

Agarrando-se ao couro da jaqueta de Booth, ela sentiu o desejo por ele aumentar. Mas, ao mesmo tempo, sabia que aquele não era o momento nem o lugar para dar vazão ao que ele estava despertando em seu corpo.

Relutantemente, ela foi se afastando, rompendo o beijo quente. Booth ofegou, as mãos ainda apertando sua cintura.

"Vamos embora daqui" ela disse com o fio de voz que conseguiu encontrar.

Booth meneou a cabeça com firmeza. "Vamos" ele respondeu, rouco.

Os dois sorriram e deram-se as mãos de novo, deixando a praia quase escura e o vento salgado para trás.


...


Quero agradecer as palavras de força e conforto de vocês nos comentários do capítulo passado. Sintam-se abraçadas.

Vou continuar me esforçando para escrever coisas que nos levem a sonhar, a mundos cheios de magia e encantamento, trabalhando os sentimentos e elementos de uma forma lúdica e que nos faça sempre sorrir ao final da história. Como deve ser sempre, na vida ou no sonho. Porque tudo vale a pena se a alma não é pequena, já diria o eterno Fernando Pessoa.