Espero que gostem! Demorou e doeu mais do que podem imaginar escrever isso!

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Harry – 17 anos – Lar, doce lar? – James POV

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Naquele dia tudo estava calmo. Não havia acontecido nada de diferente e sem Ron acompanhando os dois, o clima se tornava mais monótono. Hermione não abria a boca a não ser para compartilhar mais informações e Harry como um bom amigo não a forçava. Sirius e eu tentávamos fazer algumas gracinhas para tirar o clima tenso, e em algumas noites eu e ele deixávamos Lily de olho na dupla e saímos como animagos, só para correr e brincar. No momento, Lily estava sentado na beira do penhasco aonde estávamos. Ela tinha medo de altura, mas eu estava sentado atrás dela, com uma perna de cada lado. Sirius estava de sentado do nosso lado, observando a paisagem em fora de cão.

- Você acha que eles estão perto? – Lily perguntou olhando pro longe.

Eu olhei pra Sirius e ele virou a cabeça para olhar Hermione e Harry, que estavam dentro da barraca conversando. Sirius olhou pra mim mas voltou a olhar pra longe e eu suspirei.

- Gostaria que minha resposta fosse diferente, Lily, mas sinceramente? Acho que não. Quero dizer, dentro de sete Horcruxes, eles destruíram duas e tem uma pendente. E as outras não fazemos nem ideia do que sejam. E muito menos ideias de como destruir elas. Não acho que eles vão conseguir avançar com isso tão cedo...

Lily fechou os olhos.

- Por quanto tempo terão que viver assim, James? Escondidos? Em fuga? Com medo?

Eu a abracei mais forte e apoiei meu queixo em sua cabeça. Ficamos ali durante alguns instantes, então eu me pus de pé e lhe estiquei a mão.

- Vem, vamos entrar. – eu disse. Ela sorriu e veio comigo, com o enorme cão negro nos seguindo de perto. Entramos na cabana e Sirius pulou latindo uma risada na cama e deitou feito o preguiçoso que era. Eu sentei na mesa e fiquei observando Hermione que tentava desvendar alguma coisa no livro.

- Hermione? – Harry chamou de repente.

- Hum? – ela respondeu sem atenção.

- Estive pensando. Quero... quero ir a Godric's Hollow. – ele disse.

Foi como se um feitiço fosse lançado na barraca, pois Lily parou de andar e olhou pra Harry, Sirius parou de brincar e olhou pra Harry e eu parei de tentar ajudar Hermione e olhei pra Harry. Não nos entreolhamos nem sequer uma vez. Meu coração, se pudesse bater, teria falhado. Ele... ele queria ir pra casa?

- Sim. Sim, estive pensando nisso também. Acho que realmente devíamos ir – outro feitiço. Os olhos agora foram de Harry para Hermione. Harry imitava nossa reação, sem entender que a amiga havia confirmado o que ele havia dito. Harry tentou mais algumas vezes falar e pensar se ela estava mesmo concordando, mas então ela acabou mudando de assunto, falando que havia grandes chances da espada de Gryffindor estar lá. Harry fez uma careta leve e então ele se sentou ao seu lado e eles começaram a combinar a viagem. Nós três não dissemos mais nada. Nem sequer comentamos sobre isso quando voltamos a nos falar, 30 minutos depois do choque.


Quando eu dei a mão pra Lily e para Sirius naquela noite, eu tremia. Lily também. Quem nos segurou foi Sirius. Ele estava faiscando por dentro, mas por fora estava pacífico. Eu respirei fundo quando Lily segurou a mão de Harry e ele a de Hermione. Quando eles aparataram, eu me senti feliz. Extremamente feliz. Estava voltando pra casa. Mas também triste, pois fora aqui que tudo acontecera.

Não aparatamos exatamente na frente de nossa casa, mas sim no meio da rua. As luzes piscavam e a neve estava espalhada pelo chão. Eu olhei em volta com um sorriso. Era Natal. Olhei pra Lily e pra Sirius.

- Feliz Natal aos dois. – falei. Ambos sorriram e retribuíram. Começamos a andar até que Hermione comentou exatamente a mesma coisa.

- Harry, acho que é noite de Natal! – ela exclamou.

- É?

- Tenho certeza de que é – ela disse virando os olhos da igreja cujo encarava – eles... eles estarão lá, não? Sua mãe e seu pai? Estou vendo o cemitério paroquial.

O sorriso de Lily sumiu e eu acho que devo tê-la imitado. Olhei pra Sirius, a procura de conforto, mas ele estava pior. Seu rosto tinha uma feição forçada de estar tentando manter a calma. Apertei sua mão devagar.

- Pads? – perguntei baixinho. – tá tudo bem?

- Tá – ele começou – é só que... a última vez que vim aqui foi um pouco antes de me esconder no Largo Grimmauld. Não foi uma visita muito animada, sabe...

Eu engoli em seco e apertei sua mão de novo antes de seguir com Harry, Lily e Hermione em frente. Hermione guiando o grupo estacionou na praça, na frente do obelisco. Assim que passaram por ele, ele começou a se transformar em, por surpresa de todos, nós três. Nossa família. Eu, Lily e Harry. Ela sorria e segurava o bebê no colo, um bebê sorridente. Eu dei um passo pra trás para olhar melhor a estátua. Harry encarava nossos rostos sem saber exatamente o que sentir, mas Lily se aproximou e leu a legenda da estátua:

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James e Lily Potter, segurando

O Menino Que Sobreviveu

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- Vamos – Harry disse. Eles começaram a seguir na direção do cemitérios e instintivamente, os três mortos ficarão pra trás. Estávamos amedontrados com a situação, creio eu. O cemitério estava parado e sem movimentação, mas eles começaram a olhar os túmulos. Sirius estava olhando pra baixo e eu olhei pra ele. Ele sabia aonde ficava o nosso, mas não quis perguntar nada.

Harry e Hermione procuravam separados, assim como Lily e eu e Sirius.

- Harry? – Hermione chamou mais ao longe – eles estão aqui... bem aqui – ela disse.

Olhei pra Sirius que me olhou com um certo nível de pena e segui Harry, que agora se encaminhava para o túmulo recentemente encontrado. Lily estava ajoelhada na frente, sem deixar cair uma lágrima.

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James Potter, nascido 27 de março de 1960, falecido 31 de outubro de 1981

Lily Potter, nascida 30 de janeiro de 1960, falecida 31 de outubro de 1981

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- "Ora, o único inimigo que há de ser aniquilado é a morte" – ele leu os dizeres embaixo. Franzi o cenho. Não fazia ideia de quem os havia colocado ali. – essa não é a ideia dos dementadores? Por que está ali?

- Não significa aniquilar a morte como os dementadores querem, Harry. Significa... entende... viver além da morte. Viver após a morte. – Hermione o confortou.

Eu, Lily e Sirius nos encaramos. Isso era alguma piada ou era coisa do destino? Eu ia comentar alguma coisa, mas Sirius me cutucou. Olhei pra ele antes de seguir seu olhar, que era em Harry, que agora chorava. As lágrimas que vieram para mim, Lily e Sirius também não demoraram segundos para aparecer. Hermione segurava sua mão com força, tentando lhe transmitir força, mas ele nem sequer a olhava. Estava ocupado demais sentindo a nossa falta. Hermione puxou a varinha e dela fez aparecer uma coroa de heléboros, cujo Harry pegou e depositou ali a seus pés. Harry se pôs de pé, abraçou Hermione enquanto andava pra longe. Lily se levantou enxugando o rosto e seguiu Harry, parando no meio do caminho ao notar que eu não estava atrás dela.

- James? – ela chamou.

Eu respirei fundo e me agachei. Puxei a varinha do bolso e fiz surgir, em cima de onde o corpo de Lily estava, um lírio. Branco, delicado e invisível a todos os outros. Sirius me puxou pelos ombros, e fiquei contente que Lily não tivesse visto o que eu fiz ali. Era algo pessoal, mesmo que fosse pra ela. Nós os seguimos até voltarmos as ruas das casas, aonde Hermione continuava implicando que alguém estava observando-os. Eu olhei em volta e parei, segurando Lily pelo pulso.

- O que foi? – ela me perguntou. Sirius também parou.

- Olhe em volta – falei.

Lily olhou. Os olhos se franzindo em certa casa ali, ou na maneira que a arvora na esquina se entortava para a direita, ou como os arbustos eram posicionados. Até então que arregalou seus olhos.

-... O que acha Harry? Harry? – ouvimos Hermione. Olhamos para frente e Harry estava encarando algo distante.

- Olhe... olhe aqui Hermione – ele falou correndo.

Nós os seguimos e paramos de frente com a nossa casa destruída, já com o Feitiço Fidelius desaparecido. A sebe crescera nos dezesseis anos, e o capim que crescia ali estava na altura da cintura. A maior parte da casa estava de pé, apenas o antigo quarto de Harry sem as paredes.

- Por que será que ninguém a reconstruiu? – perguntou Hermione.

- Talvez não possa ser reconstruída. Talvez seja como os ferimentos produzidos pelas Artes das Trevas, incuráveis. – ele disse pondo a mão no portão. E isso bastou. Até eu e Lily nos assustamos, mas Sirius agia normalmente. Eu teria que lhe fazer algumas perguntas depois. Uma placa se erguera perto do portão feita de madeira, com os dizeres:

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Neste local, na noite de 31 de outubro de 1981,

Lily e James Potter perderam a vida.

Seu filho, Harry, é o único bruxo

a ter sobrevivido a Maldição da Morte.

esta casa, invisível aos trouxas, foi mantida

em ruínas como um monumento aos Potter

e uma lembrança da violência

que destruiu sua família.

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Em volta do texto escrito em dourado haviam vários rabiscos, cujo eu mesmo forçando os olhos não consegui ler. Prazer, essa é a sensação de um míope. Eu dei dois passos para ler o que ali estava e encontrei nada mais nada menos que saudações e mensagens carinhosas gravadas ali por bruxos que gostariam de deixar uma mensagem. "Boa sorte, Harry", "Aonde quer que esteja garoto, estamos contigo", "Viva Harry Potter", "James e Lily deixaram saudades e esperanças a todos nós!".

Harry sorriu, não se importando com os rabiscos. Lily ainda chorava, mas olhava pro filho, agora do seu tamanho. É... as vezes, o único inimigo a ser realmente aniquilado era a morte.

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hey peops. Desculpem pelo sentimentalismo, okay? Sou assim.

Nos vemos logo - Ang.