"A sua avó faleceu ontem."
Foi como se ela me tivesse batido com toda a força no peito. Uma dor instalou-se imediatamente na zona do meu coração. A minha visão ficou turva com as lágrimas. Eu inspirei para tomar algum ar, mas isso aumentou a dor aguda no meu peito. Eu gemi, não sei se da dor que senti ou de tudo o que estava a acontecer. Eu perdi a minha avó… a mulher mais importante da minha vida.
"Como?" Eu gemi.
"Um cancro grave."
Isso só me fez chorar mais. Eu senti as mãos do Ezra a tentar confortar-me. Eu caí para ele, eu não tinha muito mais força. Ele manteve-me perto do seu peito enquanto eu só conseguia pensar nela. Ela parecia bem quando se foi embora com o meu pai. "O meu pai?" Eu consegui perguntar.
"Ele está a tratar de tudo para o funeral. O seu pai não quer que vá no seu estado." Ela diz.
Eu agarrei-me com mais força ao Ezra. "Obrigado."
"Se a fizer sentir melhor… ela foi enquanto dormia, não estava em dor nessa altura."
Eu apenas concordei e recebi o lenço que o Ezra me deu.
Eu ouvi passos. "Com licença." Ouvi-a dizer e sair.
"Porquê?" Eu deixei as lágrimas ir e ser tomada pela dor. "Isto dói tanto Ezra."
"Shhhh… vai ficar bem eu prometo. Ela está bem agora, já não sente dor e está em paz."
"Eu não posso aceitar…" Eu senti a Amora bater no meu vestido para atenção.
"Aria…" Ele confortou-me mais perto dele, mas não estava a resultar… eu não encontrava o conforto habitual.
"Eu quero ir ao funeral." Eu disse.
"O teu pai não te quer lá. Tens de pensar no bebé, não te podes enervar Aria." Ele beijou o meu cabelo. Ele tinha razão eu não podia fazer uma cena e perder o bebé… seria duro demais perder logo 2 pessoas da minha vida mesmo que uma ainda não esteja realmente aqui. Eu nem quero pensar nisso.
Mesmo que não esteja ainda nos meus braços eu amo este bebé mais do que tudo, eu serei a sua mãe e tenho de cuidar dele. Eu sempre colocarei a segurança dele em primeiro lugar. Tal como a minha mãe fez comigo.
"Eu sei que te custa não estar lá, mas leva o teu tempo Aria. Eu vou estar sempre aqui para ti." Eu concordei e tentei me recompor, peguei a Amora e ela começou a tentar lamber o meu rosto. Eu dei-lhe um curto sorriso. Ela sabe que eu preciso de miminhos.
"Eu acho que vou para o quarto, não me sinto bem aqui."
"Eu levo-te." Ele agarrou-me ao colo e levou-me para o nosso quarto. "Queres alguma coisa? Eu sei que isto é uma pergunta estúpida, mas sentes-te bem? Fisicamente quero dizer." Ele diz.
"O bebé está bem, eu não sei se posso dizer o mesmo. Tenho aquela dor no peito, dá-me dificuldade a respirar."
"É melhor chamar o médico."
"Eu acho que ele não vai conseguir ajudar, mas obrigado." Ele deixou-me sobre a cama com a Amora que não tinha saído do meu colo. Eu vi-o afastar-se até ao espelho. "Desculpa-me por manchar a tua camisa." Eu disse. Mas ele tirou algo da parte de trás. "O que é isso?"
"Algo da tua avó." Diz o Ezra. "Ela pediu para te dar quando fosse a altura."
Eu estava um pouco confusa, mas abri o envelope com a carta. Mais lágrimas apareceram com o reconhecimento da sua caligrafia. Forcei-me a ler mesmo que fosse difícil.
Eu sabia que quanto mais cedo lhe desse a carta melhor. Eu não sei o que tem nela, mas talvez a ajudasse a superar. Eu sentei-me ao lado dela para a suportar, ela riu algumas vezes enquanto lia, mas a tristeza estava a vencer. "Tu sabias?" Ela olhou para mim, não sabia ao certo qual o sentimento dentro dela. "TU SABIAS QUE A MINHA AVÓ ESTAVA DOENTE E NÃO ME CONTASTE?" Ela perguntou com raiva e um pouco alto de mais.
"Aria…"
"NÃO… Sai!" Ela foi dura quando falou.
"Apenas ouve…" Toquei-lhe no braço.
"Apenas vai… eu quero estar sozinha um tempo."
"Mas Aria…"
"O QUER QUE TENHAS PARA DIZER NÃO VAI MUDAR NADA!" Ela estava nitidamente a sofrer. "Vai embora… quero ficar sozinha."
Eu levantei-me derrotado. "Não te esqueças que te amo." Ela soluçou e cobriu o rosto com as mãos. "Chama-me se precisares." Eu sai do quarto e encostei-me na porta. Eu ouvi-a chorar mais alto e isso fez-me sentir ainda pior.
Eu abri a porta com cuidado, o quarto estava mais escuro e reconheci a silhueta da Aria sobre a cama. Eu aproximei-me, deixei o prato de bolo que ela tanto gostava sobre a mesa de cabeceira e voltei-me para ela. A mão dela descansava no estômago proeminente e a outra sobre a Amora que adormeceu com a cabeça no ombro da Aria.
"Querida!" Eu chamei com suavidade. Eu sei que ela não me quer por perto, mas ela ainda se tem de alimentar. Ela piscou e limpou os olhos antes de os abrir. "Trouxe algo para comeres."
Ela olhou para o bolo em cima da mesa. "Não tenho fome." Diz.
"Ficar sem comer não vai trazer nada de bom, o bebé precisa de alimento." Eu tentei mostrar-lhe o lado racional.
"Eu já como." Ela diz.
"Precisas de mais alguma coisa?"
"Não obrigado." Ela estava mais calma pelo menos.
"Eu vou então."
"Espera." Ela pede. "Desculpa. Não me queria descontrolar, nem queria gritar contigo. Eu senti-me mal."
Eu sentei-me na borda da cama e peguei a mão dela. "Eu pedi-lhe para contar, ela não queria. Não era a minha posição dizer-te algo contra a vontade dela, não era o meu segredo. Eu fiquei a saber por acidente."
Ela concordou. "Desculpa fui tão irracional."
"Eu também me ia sentir magoado na tua posição." Eu suspirei. "Agora come."
"Não tenho mesmo fome."
"Bom… vai ficar aqui para quando quiseres. Ainda queres ficar sozinha?"
Ela negou. "Fica comigo." Tirei os sapatos e deitei-me na cama atrás dela. Abracei-a e esperei alguma reacção. Ela apenas deixou uma mão sobre a minha que estava sobre o nosso bebé. A respiração dela estava tranquila. "Eu não acredito que nunca mais a verei." Ela diz e pouco depois soluçou.
"É uma triste realidade que temos de aprender a aceitar." Eu senti que ela estava a chorar. "Chora e limpa a tua alma, eu sei que agora dói no coração, mas um dia ficaram as lembranças boas."
"Eu sei, mas é tão difícil agora."
1 mês depois (5 meses e meio)
"Aria! Cheguei." Digo quando abri a porta do quarto, ela já não saía para tomar ar, ela mal comia e só o fazia porque a obrigava. Eu não a senti melhor, ela mal se levantava e a sua fragilidade está a preocupar-me. Se ela deixar de conseguir andar tudo foi em vão. Eu acho que está mais do que na hora de termos uma conversa séria.
"Ezra." Ela deu-me um pequeno sorriso da cadeira onde ela estava sentada junto à janela. "Como foi o teu dia?"
"Estou cansado, mas correu bem. O teu foi como?"
"Normal… tudo igual." Ela afagou o pêlo da Amora que estava no seu colo.
Eu estava preocupado com a sua saúde. "Nós precisamos conversar."
Ela olhou para mim atenta. Eu podia claramente perceber as sombras no seu rosto que indicavam que ela estava mais magra, mas a sua barriga estava cada vez maior. O bebé estava a sugar a pouca energia que ela tinha. Ela deve fazer 6 meses daqui a 2 semanas. "O que se passa?"
"É sobre ti."
"Outra vez a mesma conversa?" Ela suspirou.
"Não… eu tenho tentado ser compreensivo e apoiar-te, mas eu acho que não está a resultar."
"O que isso quer dizer? Tu… tu vais deixar-nos?" Ela pergunta receosa.
"Claro que não, que pensamento tolo… nunca te dei um motivo para pensares nisso."
"Eu sei, perdoa-me."
"Ouve… eu estou preocupado contigo. Não sais, quase não andas mais e estás muito mais magra. Estás lentamente a perder o brilho Aria e eu tenho medo de te perder e ao bebé também."
Ela mexeu-se insegura. "Eu nunca faria algum para magoar o nosso bebé. Eu não ando tanto porque tenho medo de cair e o magoar." Ela colocou a mão sobre o grande inchaço.
"Podes andar ao meu lado, eu nunca te deixarei cair. E a partir de hoje eu venho almoçar aqui contigo e as birras para comeres vão terminar." Ela fez cara feia. "Não reclames. Eu consigo sentir os teus ossos e o teu rosto tem sombras que antes não existiam."
"Eu estou bem." Ela diz.
"Não, não estás! Estás a ficar mais fraca a cada dia, o bebé pode estar bem, mas como esperas colocá-lo neste mundo se continuares por este caminho?" Eu percebi-a tremer. "Eu preciso de ti forte e ele também Aria, está na hora de avançar."
Ela concordou. "Eu não sei como." Ela sussurrou.
"Eu estive a pensar. Gostavas de ajudar a minha mãe na pastelaria?" O meu pai acabou por comprar uma casa e a loja por baixo dela e a minha mãe fez o negócio de grande sucesso. A Aria adorava os doces da minha mãe, mas até isso ela parou de comer.
"Achas que sou capaz?"
"Claro que sim, não precisa de ser algo complicado. Tu apenas tens de sair, divertir-te, falar com pessoas e esquecer o que tanto pensas o dia inteiro. Está a levar-te para baixo Aria e eu prometi cuidar de ti mesmo que seja algo que não queres."
Ela mordeu o lábio inferior. "Eu vou fazer. Por todos nós, principalmente o bebé."
Eu beijei-a na testa. "Amo-te!"
"Também te amo Ezra, tive saudades tuas."
(shanalystuff. tumblr. com) Publiquei as imagens deste capítulo!
Muito obrigado EzriaBeauty! ;)
Espero que tenham gostado! Muito obrigada por lerem e pelo apoio! Até ao próximo capítulo! Beijinhos!
