Oi, oi! Curiosos com o futuro da Maldita e do Bobinho? Esse extra se passa alguns anos depois de a fic ter terminado. Espero que gostem!


Capítulo Extra Três - Swan Song

Inverno de 2017. Nova York.

Bella POV.

Olhando para a tela do meu laptop jogado no meio da minha cama vazia, eu tentei o meu máximo para não fazer meu típico biquinho, porém, como já era de se esperar, foi praticamente impossível e alguns segundos depois meus lábios tomaram suas próprias decisões e começaram a se contrair no mesmo bico de sempre. Os anos se passavam, mas nem tudo realmente mudava. E grandes aspectos eu ainda era a mesma Bella Swan de alguns anos atrás, todavia eu conseguia notar que meus pensamentos sobre muitas coisas já não eram mais os mesmos de outrora e haviam amadurecido bastante. Eu havia amadurecido bastante, para ser sincera. Sair do ensino médio e ter que enfrentar uma vida nova, com pessoas novas e em uma cidade também nova, era uma experiência um quanto tanto desafiadora e podia ser bastante assustadora também caso eu estivesse sozinha, mas este não era o caso. Ao meu lado nos últimos anos, eu sempre tive o apoio e o conforto do melhor e mais atencioso namorado de todos. Edward havia mudado para Nova York pouco tempo depois de eu ter chegado na cidade e havia sido uma reconciliação divertida. Ele certamente não esperava chegar no apartamento novo e me achar nua deitada na sua cama como um presente de boas vindas. Não que ele tivesse reclamado, é claro. Meu Bobinho adorava quando eu fazia a Maldita e deixava ele louco.

Balancei a cabeça levemente para sair dos meus pensamentos e voltei a atenção para a tela do laptop, encarando meu namorado que me olhava com uma expressão triste e preocupada. Segurei as lágrimas que queriam sair e senti meu biquinho se fechar mais um pouco.

- Por favor, linda, não chora… - Sua voz preocupada soou pelos autofalantes do meu laptop e eu desviei o olhar, sabendo que não conseguiria me segurar por muito mais tempo. - Você sabe que eu odeio ver você chorando.

- Desculpa - funguei, levando o punho coberto pela manga do meu suéter até meus olhos e esfregando um pouco. - É que eu estou com saudades.

Um sorriso radiante se abriu nos lábios perfeitos dele e eu acabei sorrindo um pouco, não conseguindo resistir quando ele me lançava aquele sorriso maravilhoso.

- Eu sei, linda. Eu também estou - disse. - Eu sinto muito por isso.

- Eu sei que não é sua culpa - murmurei puxando o laptop para mais perto. Eu sabia que Edward estava fazendo o impossível para voltar logo para casa, que ele faria tudo por mim, mas eu só… sentia falta dele. - É só que tudo tão frio aqui, sabe? A cidade, nosso apartamento, nossa cama… eu só queria você aqui comigo, me deixando quentinha… me tomando como sua. Eu sinto falta do seu toque, dos seus gemidos… de você me fazendo gemer. Meu vibrador não tem graça sem você por perto.

- Isabella - grunhiu baixinho e eu acabei soltando uma risadinha percebendo o que tinha falado. Desta vez minha provocação não havia sido intencional, o que era raro.

- Desculpa - murmurei com um sorriso pequeno, já me sentindo um pouco melhor apenas em falar com ele.

- Está tudo bem, espertinha - me garantiu, lançando mais um daquele sorriso matador. - E eu daria tudo por isso também.

- Daria?

- Você sabe que sim - suspirou e então sua expressão ficou séria de novo. - Eu estou fazendo o que eu posso para conseguir chegar antes, mas acho que não vou conseguir. Jasper ainda está preso em Chicago resolvendo os últimos detalhes de lá e eu estou resolvendo as coisas basicamente sozinho aqui até ele chegar.

Nos anos que passaram desde que havíamos mudado para Nova York, o escritório de arquitetura de Jasper e Edward havia progredido bastante. A cede em Nova York estava sendo um sucesso e meu arquiteto favorito já estava ganhando espaço e lugar na grande maçã e fazendo projetos para empresas e pessoas importantes. Atualmente ele e Jasper estavam em uma negociação para a expansão do escritório para a costa oeste da América, na Califórnia, em parceria com uma empresa de grande porte de Los Angeles. Esta seria uma negociação bem maior do que a de Nova York e possivelmente colocaria a M&W: Archdesign na lista das firmas de arquitetura mais lucrativas e maiores dos EUA. Por isso as negociações estavam demorando tanto tempo assim e eu estava sem meu namorado a praticamente um mês. Primeiro ele precisou viajar para Chicago por duas semanas, então ele teria a finalização do projeto em Los Angeles na semana seguinte, mas como o mundo me odiava, ele precisaria ficar mais uma semana lá.

- Hey - Edward chamou, me trazendo de volta a realidade. - O que você estava pensando?

- Nada demais - dei de ombros, deitando na cama e colocando o laptop do meu lado. - Só em como a M&W cresceu tanto nesses últimos anos.

- Eu sei - concordou. - É insano que já temos mais de cem arquitetos contratados e que agora teremos bem mais. Quem diria, uh?

- Eu sempre soube - disse petulante e ele soltou uma risada. - Você é o melhor arquiteto do mundo. O mais gostoso e bom de cama também. E o mais importante: meu.

- Todo seu - concordou, me lançando um daqueles olhares que me deixavam louca. Ugh. Eu estava quase pegando um avião para Los Angeles e me trancando num quarto de hotel com ele por pelo menos dois dias.

- Não me provoca - resmunguei, fazendo um biquinho.

- Eu? Você que começou com esse assunto de que eu sou bom de cama…

- Não estava falando nenhuma mentira - retruquei. - Mas talvez eu esteja errada, quero dizer… já tem tanto desde a última vez.

- Isabella… - grunhiu quando eu mordi os lábios e comecei a descer minha mão pelo meu decote. Bobinho. - Você é cruel.

- O que eu fiz? - perguntei inocentemente e ele maneou a cabeça. Soltei uma risadinha e ele riu de volta. - Ok, ok… parei. Por ora.

Edward soltou uma risada, dizendo que eu era impossível e ficamos conversando por mais alguns minutos sobre coisas banais. Eu adorava que a gente conseguia falar de coisas bobas e coisas sérias ao mesmo tempo. Que eu podia ficar horas deitada na cama com ele falando sobre alguma coisa completamente aleatória e ele não ficaria entediado. Ou que não precisava realmente ter um assunto entre nós dois para que pudéssemos interagir. Eu podia ficar falando com ele por horas e sequer perceberia.

- Já está bem tarde aí - Edward observou algum tempo depois e eu maneei a cabeça. Não queria desligar, esse tinha sido o maior tempo que ele tinha conseguido falar comigo desde que chegou em Los Angeles. - Você devia dormir um pouco.

- Eu não estou com sono - menti e quase que instantaneamente um pequeno bocejo saiu dos meus lábios. Droga. Edward arqueou as sobrancelhas e eu encolhi os ombros. - Ok, talvez só um pouquinho - murmurei, mostrando com a ponta dos dedos o quão pouco meu sono era, o que fez Edward rir.

- Você é uma péssima mentirosa, já te falei isso antes? Seus olhos estão pequenininhos, você está fazendo biquinho, está encolhida na cama e para completar sua voz está manhosa. É claro que você está com sono. Eu te conheço, Isabella.

- Mas eu quero continuar a falar com você - murmurei, de fato, com a voz manhosa.

- Amanhã eu prometo te ligar de novo, as coisas estão se acalmando por aqui e eu vou fazer o impossível para chegar aí a tempo, nem que eu deixe as negociações e pegue o primeiro voo - prometeu. - Agora a senhorita vai deitar e dormir, ok?

- Ok, papai - resmunguei em um to provocativo e ele trincou o maxilar. - Mas só se você prometer ficar comigo até eu dormir.

Edward rapidamente concordou e eu sorri radiante, dizendo a ele que eu só ia me preparar para dormir. Ele disse que ficaria quietinho ali e eu corri para o banheiro para escovar os dentes e passar meu hidratante; o frio de Nova York não fazia tão bem para minha pele como fazia para meu cabelo. Aumentei um pouco o aquecedor do quarto e pulei de volta na cama, ajeitando os cobertores e me deitando com o laptop próximo ao meu rosto. Edward, sendo o perfeito namorado que era também havia feito a mesma coisa e parecia que estávamos deitados na mesma cama. Sorri abobalhada para ele e me cobri, só então percebendo o quão cansada eu realmente estava.

- Prontinho - anunciei.

- Boa noite, linda - meu Bobinho disse, sorrindo para a câmera do skype. Gostoso.

- Boa noite - murmurei de volta, devolvendo o sorriso. - Te amo.

- Também te amo, linda. Bons sonhos.

- Seriam melhores se você estivesse aqui - balbuciei, fechando os olhos e antes que eu conseguisse dormir definitivamente, pude escutar Edward soltar uma risadinha e mesmo sem abrir os olhos sabia que ele estava maneando a cabeça.

Quando acordei no dia seguinte meu computador permanecia ligado ao meu lado, porém a janela do skype já não estava mais aberta. Segurei meu biquinho e peguei meu celular, tirando uma selfie e enviando-a para Edward com uma mensagem de bom dia. Eu sabia que ainda eram cinco da manhã em Los Angeles e por isso não esperei uma resposta. Pensei em dar uma olhada em meu e-mail para ver se tinha algo de novo ali, mas, sabendo que enrolaria ainda mais para levantar caso fizesse isso, fechei o laptop e me sentei na cama, decidindo que era hora de ser a jovem-adulta de vinte e três anos que era e começar logo meu dia. Fui logo para o banheiro, onde tomei um banho longo - aproveitando para lavar meu cabelo -, escovei os dentes e passei meu hidratante facial e corporal. Vesti uma roupa casual, já que não pretendia sair de casa por algumas horas e fui até a cozinha, levando meu notebook comigo.

Como de costume, liguei a cafeteira e coloquei a cápsula de chocolate quente para fazer, enquanto preparava algumas torradas com Nutella e picava alguns morangos para comer com mirtilo e framboesa. Coloquei tudo na bancada e abri meu notebook, decidindo que daria uma olhada rápida no meu e-mail enquanto comia para ver se tinha algo de novo ali, porém logo percebi que a maioria eram apenas promoções de lojas e coisas do tipo. Tomei um pouco do chocolate quente e comecei a selecionar os e-mails que apagaria, até encontrar o que eu estava querendo e abri-lo.

Tendo me formado no meio do ano em música - Beth estava certa e eu acabei indo para Columbia, me tornando uma Garota de Ivy League -, eu tomei os últimos seis meses da minha vida para começar a organizar a planejar o que eu queria fazer com o meu diploma. Na realidade, eu não precisava realmente ter um emprego. A herança que mamãe tinha me deixado havia sido entregue para mim no meu aniversário de vinte um anos, assim como o fundo fiduciário que meu pai havia feito para mim ao longo da minha vida, além do mais, eu sabia que poderia contar com Edward para tudo. Dinheiro definitivamente não era problema, porém, eu não pretendia viver o resto da minha vida apenas gastando dinheiro e passeando, por isso, nos seis meses que tinham se passado, eu havia decidido refazer o que minha mãe tinha começado e, infelizmente, não teve tempo de terminar: eu abriria uma escola de música para crianças carentes de Nova York. No começo não seria nada muito grande, eu ainda queria me acostumar com a ideia e tudo mais, todavia, assim que tudo estivesse em andamento eu pretendia expandir o projeto. Eu havia conversado com Edward sobre isso algumas semanas depois da formatura e ele obviamente havia achado a ideia incrível e logo se propôs para me ajudar. Nós começamos a procurar um lugar nas imobiliárias e logo eu tinha achado uma propriedade no Brooklyn que era perfeita: um estúdio de quatro andares, uma arquitetura meio antiga e com muito espaço. Edward então me ajudou a reformar o espaço, colocando o melhor design de interiores que a M&W tinha para redefinir e redecorar os cômodos. Quando as coisas já estavam um pouco mais evoluídas, eu decidi contar para meu pai e então Edward e eu voamos por um final de semana para Chicago. Dizer que meu pai ficou emocionado quando eu contei a ele era eufemismo, Charlie havia chorado e me abraçado por minutos, dizendo o quão orgulhoso ele estava da sua princesa. Me fez bem ouvir aquilo, saber que ele estava orgulhoso do primeiro passo importante na minha vida adulta. E é claro que sendo o pai maravilhoso que ele era, logo ele também estava me apoiando e me ajudando em tudo que podia.

Soltei um suspiro e terminei de ler o e-mail, era da organizadora do evento de abertura que aconteceria na semana seguinte. Ela estava fazendo o fechamento com alguns detalhes finais da abertura, como a imprensa e o bufê. O evento aconteceria, obviamente, na escola e seria apenas para amigos íntimos da família e para alguns contatos importantes e necessários para uma divulgação maior do projeto. Os convites já haviam sido enviados, o DJ contratado e a decoração escolhida. Era tudo tão novo, sério e excitante que eu mal estava conseguindo me conter. Eu sabia que ainda era nova para algo tão grandioso assim e era por isso que eu queria começar aos poucos e estava sempre buscando ajuda quando necessário. Até mesmo Carmen estava me ajudando, como ela agora cuidava da parte de ONG's e projetos voluntários e coisas deste tipo na empresa do meu pai, ela estava me aconselhando e me mostrando como fazer a coisa certa. Nesse mês que Edward estava viajando, ela veio para Nova York pelo menos umas três vezes para me acompanhar em algumas reuniões e me apoiar quando preciso. Com o passar dos anos nos aproximamos bastante. Eu sabia que nunca teríamos uma relação mãe e filha, nenhuma de nós estava procurando isso. Mas certamente tínhamos uma boa relação de cunhadas agora. E estávamos bem com isso.

Senti meu celular vibrar na bancada e sorri, vendo que se tratava de uma mensagem de Edward.

~ Bom dia, linda. Mais um dia acordando sem você nos meus braços. E um dia a menos até isso acontecer. Saudades. - Edward.

~ *suspiro* Te amo. Volta logo. - Bella.

~ Tb te amo. O que vc ta fazendo? - Edward.

Comecei a digitar uma resposta, mas antes que tivesse a oportunidade de enviar, meu celular começou a tocar e eu não pude conter o sorriso enorme que se abriu em meus lábios quando eu vi que se tratava de Edward. Amava quando ele me ligava aleatoriamente.

- Bom dia, linda - disse do outro lado da linha. - Ainda tenho um tempinho antes de sair e resolvi que seria bom começar ouvindo sua voz.

- Você devia parar de ser tão perfeito quando está longe de mim - anunciei. - Ugh. Isso me faz querer montar em você até ficarmos sem ar e infelizmente não posso fazer isso com você tão longe.

- Isabella - grunhiu. - E você devia ser proibida de me provocar quando não pode cumprir o que fala.

- Quem disse que não? - desafiei, arqueando a sobrancelha mesmo sabendo que ele não podia me ver. - Tudo que eu preciso é comprar uma passagem.

- Você sabe que não pode sair de Nova York agora - suspirou com pesar e eu fiz um biquinho. Ele estava certo. Com a inauguração tão próxima assim, eu precisava estar o mais perto possível caso algo acontecesse. - Enfim, o que você está fazendo?

- Tava conferindo meus e-mails. Angela estava me mandando sobre a escolha do bufê. As coisas estão fluindo bem, mas não posso deixar de ficar nervosa… quero dizer… e se algo der errado? - perguntei mordendo os lábios.

- Ei, ei… relaxa, nada vai dar errado - prometeu.

- Como você pode ter tanta certeza disso? E se eu não conseguir falar lá na frente e se eu n-

- Sabe por que eu sei que vai dar tudo certo e você vai conseguir que a noite seja perfeita? - me cortou e eu esperei por sua resposta. - Porque você é Isabella Swan e se eu não estou enganado... Isabella Swan sempre consegue o que ela quer, uh?

- Edward… - suspirei.

- Fica tranquila, relaxa e tudo vai dar certo. Eu acredito que consigo chegar aí sexta a noite ou sábado de manhã. Agora eu preciso correr pra reunião, tudo bem?

- Oks, vai lá - disse, tentando esconder o biquinho da minha voz. Eu sentia falta do meu Bobinho.

- Você está fazendo biquinho, não está? - perguntou com uma risada e eu estreitei os olhos. Idiota.

- Não estou não - menti, sentindo o biquinho aumentar.

- Mentirosa - acusou e eu bufei. - Deixa de biquinho antes que eu apareça aí só para mordê-lo.

- Sério? Hmmm… talvez eu deva te mandar uma foto então como incentivo - provoquei, segurando a risadinha quando ele grunhiu.

- Seja boazinha - pediu. - Mais tarde eu te ligo. Te amo.

- Também te amo.

E com isso desligamos e meu dia já estava bem melhor do que antes. Coloquei o celular de volta na bancada e terminei de comer enquanto checava meu facebook e conversava um pouco com Alice. Minha melhor amiga tinha acabado de voltar de um curso de um ano em Paris e eu estava mais do que ansiosa para vê-la e saber de todas as novidades que ela ainda não havia me contado. Eu sabia que ela e meu primo, Pietro, tinham ficado bem amiguinhos na estadia dela lá e algo me dizia que talvez possa ter rolado um beijo ou dois durante o período em que eles estiveram juntos. Mesmo que ela tenha jurado de pés juntos que ela e Pietro eram só amigos. Sei. Soltei uma risadinha e avisei a ela que iria me preparar para o dia. Queria dar uma passada no estúdio para ver os preparativos finais antes de tudo começar a ser montado. Eles estavam terminando de pintar e arrumar os espelhos nas salas do terceiro andar.

Coloquei a louça na pia para lavar depois e peguei meu celular, indo para o quarto e então para meu closet. Depois de dois anos morando no primeiro apartamento de Edward, nós decidimos que aquele era pequeno e imparcial demais para continuar sendo nosso e então começamos a procurar por outro e quando eu achei um perfeito próximo ao Central Park - o que era maravilhoso, já que mesmo com os anos que se passaram Edward e eu ainda gostávamos bastante de nos exercitar, e com o parque logo ali poderíamos correr e talvez fazer Yoga -, vendemos o outro e nos mudamos para esse daqui. Ele era ótimo, tinha uma pequena piscina na varanda, três quartos, uma cozinha enorme - a qual eu passava grande parte do tempo me aventurando com diversas receitas -, uma sala de jantar magnífica, um escritório para Edward e um para mim, uma sala de televisão, um banheiro social, um pequeno hall de entrada e uma sala especial onde ficava meus instrumentos musicais… incluindo meu piano. Não era o mesmo que eu tinha na minha casa em Chicago; aquele trazia emoções demais e eu não queria um clima assim em minha nova casa. O piano que eu tinha aqui havia sido um presente de Natal que Edward havia me dado no ano anterior.

Mesmo que eu tivesse estudando música na faculdade, o piano ainda era uma ferida para mim e graças da Deus meus professores entendiam isso e nunca tinham me forçado a tocar no instrumento. Mas com meu último ano se aproximando eu comecei a comentar sobre isso com Edward e ele me incentivou a tentar e a seguir em frente. Eu ainda não tocava sempre, é claro, mas com certeza tinha meus momentos. Eu sabia que Edward queria muito me ouvir tocar, mas eu ainda não me sentia pronta e confortável tocando na frente de qualquer outra pessoa, por mais que esta pessoa fosse Edward. E é claro que sendo o namorado perfeito que ele era, Edward me entendia e nunca tinha me forçado. A única coisa que ele tinha falado era que quando eu tocasse piano para ele em casa, iríamos recriar a cena de Uma Linda Mulher e que eu devia tomar isso como um incentivo.

Soltei uma risadinha e tirei os shorts e a regata que eu estava usando, sorrindo maliciosamente quando vi meu reflexo no espelho. Decidi que talvez Edward estivesse precisando de alguma distração, então parei na frente do espelho e fiz uma pose fofa: levei uma das minhas mãos até a alça do meu sutiã, dobrei uma das pernas e mordi o lábio inferior, enquanto lançava meu olhar por baixo dos cílios com a sobrancelha franzida para a câmera do celular que estava em minha mão. Enviei a mensagem sem me preocupar em escrever nada e deixei o celular de lado, pegando uma roupa quente e a vestindo. Com o inverno chegando em Nova York, eu tinha que sair de casa cada vez mais empacotada do que antes. Eu sentia falta de poder sair andando pelas ruas de saia e blusas fininhas. Fiz um biquinho e coloquei a meia calça grossa, antes de colocar a saia de veludo vermelha e a camisa de manga comprida creme de bolinhas. Calcei meus sapatos de salto, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e fiz uma maquiagem leve, peguei meu casaco preto, minhas luvas e minha bolsa.

Antes de finalmente sair de casa, peguei meu celular e ri com a resposta de Edward falando que ele sentia que morreria em breve caso eu continuasse com isso. Até parece, ele vinha falando a mesma coisa desde quando nos conhecemos e já estávamos juntos tinha cinco anos. Meu Bobinho era forte e amava ser provocado. Respondi isso para ele e saí do apartamento. O dia passou lentamente, entre trocas avulsas de mensagens com Edward e terminar de organizar as coisas finais para a abertura da escola de música, eu me vi chegando em casa a tempo de conversar um pouco com Edward no skype e logo já estava dormindo. E assim seguiram os próximos dias, até que na sexta-feira de manhã, um dia antes da abertura, eu fui surpreendida quando o porteiro interfonou avisando que tinha uma entrega para mim. Ainda sonolenta, me enrolei no meu robe e prendi meu cabelo em um coque frouxo indo até a porta. Fui surpreendida com um enorme buquê de rosas vermelhas e uma sacola dourada da Godiva. Agradeci o entregador e voltei com os presentes para dentro do apartamento, suspirando apaixonada sabendo que aquela entrega só podia ser de uma pessoa. Coloquei as rosas em cima da cama e peguei a sacola e passei a língua nos lábios ansiosa, mas fiz um biquinho quando vi que se tratava de uma caixa de trinte e seis trufas maravilhosas e não os morangos que eu estava esperando. Não que eu estivesse reclamando, quero dizer, por mais que eu preferisse mil vezes os morangos cobertos de chocolate da Godiva, eu sabia que as trufas também eram perfeitas. Só não era uma escolha comum de Edward.

- Oh, um cartão! - murmurei animada para o quarto vazio e rapidamente peguei o pequeno envelope.

Isabella,

Eu sei que você provavelmente está se perguntando por que eu escolhi te enviar trufas no lugar dos morangos que você tanto ama e bom, eu conheço a senhorita perfeitamente bem para saber que enviar morangos para você quando eu não estou presente significaria muitas fotos provocativas, das quais eu não poderia fazer nada a respeito. Em qualquer situação, isso seria aceitável, mas meu nível de saudades está muito alto no momento. Por isso guardarei os morangos para quando eu chegar aí amanhã, ok? Enquanto isso, comporte-se.

Com amor,

Edward.

Soltei uma risadinha e revirei os olhos. Meu Bobinho era muito bobo. Ele já devia saber que eu o provocaria de uma forma ou de outra. Mandei uma mensagem para ele agradecendo as flores e em seguida mandei uma foto minha fazendo um biquinho, sabendo que mesmo não tendo o mesmo efeito que uma foto com o morango teria, ele ainda ficaria louco. Deixei o celular de lado por alguns segundos e retirei as flores que estavam na jarra dentro do meu closet, colocando o buquê de Edward no lugar. Bati uma foto disso para ele também e fui dar uma olhada no meu facebook e e-mail. Fiquei tanto tempo no meu computador que assustei quando vi que já tinham se passado quase duas horas. O que também me fez estranhar o fato de Edward ainda não ter respondido minha mensagem. Fiz um biquinho e mandei outra.

~ Ocupado? - Bella.

Esperei alguns minutos para ver se ele respondia, mas quando ele não mandou nada, imaginei que ele estava em alguma reunião e então dei de ombros, decidindo tomar um banho antes de começar meu dia. Eu tinha que passar na loja para pegar meu vestido e meus sapatos para amanhã e talvez mais tarde encontraria com Alice para comermos algo, já que ela chegaria hoje a noite e Edward só chegaria, infelizmente, amanhã cedo. Entrei no banheiro e tirei minha roupa, ponderando se tomava uma ducha ou se relaxava um pouco na banheira, mas sabendo que caso eu escolhesse a segunda opção tinha uma uma grande chance de eu acabar dormindo, acabei indo até a ducha mesmo e tomei um banho rápido.

Quando terminei me sequei rapidamente, soltei os cabelos, escovei os dentes e então passei meu hidratante favorito no corpo todo. Ele tinha uma fragrância leve de baunilha com framboesa e deixava a pele bem macia. Ainda apreciando o cheirinho gostoso que agora emanava de mim voltei para o quarto e soltei um grito quando vi a figura parada em cima da cama, com uma trufa na mão.

- Você voltou mais cedo! - berrei, correndo até onde ele estava deitado na nossa cama e e me jogando em cima dele, cobrindo-o de beijinhos.

- Oi pra você também - Edward respondeu com uma risada abafada, enquanto me abraçava apertado e fazia um carinho nas minhas costas, mas se afastou brevemente para me olhar. - Se eu soubesse que você ia me recepcionar com essa visão maravilhosa tinha voltado mais cedo - completou e então eu olhei para beijo, soltando uma risadinha quando notei que havia acabado saindo do banheiro completamente nua.

- Ops - disse, soltando uma risadinha e ele maneou a cabeça, antes de puxar meu queixo para cima e me dar um beijo longo.

Eventualmente, o beijo ficou cada vez mais intenso e quando eu dei por mim, já estávamos nos esfregando um no outro e Edward já tinha tirado a camisa social que ele usava e agora eu estava lutando para fazer o mesmo com a calça. Bufei baixinho e saí do colo dele, abrindo o zíper e puxando a calça juntamente com a boxer para baixo. Mordi os lábios quando olhei para sua forma completamente nua na minha frente e voltei para meu lugar de origem: em seu colo.

- Eu adoro isso... - murmurei com a voz carregada de desejo e ele me olhou com a sobrancelha arqueada, pegando minha cintura.

- Isso o quê?

- Que você não é relaxado e cuida do seu corpo, mesmo com o passar dos anos. Eu adoro essas dobrinhas que você tem no abdômen, adoro senti-las pressionando contra meu corpo nu. Adoro passar a mão nelas... - mordi os lábios e comecei a dedilhar seu abdômen lentamente, fazendo-o fechar os olhos e soltar um suspiro alto. - Você é tão gostoso. Dá vontade de te morder todo.

- Isabella… - ele meio que suspirou, meio que grunhiu e eu abri um sorriso rápido antes de me inclinar para ele novamente e então tomar seus lábios nos meus, no mesmo instante em que segurava sua ereção e o colocava dentro de mim.

- Ugh - gemi, aproveitando a sensação. Quase um mês longe dele tinha quase me feito esquecer do quão bom era sentir ele dentro de mim. - Tão bom.

- Sim - concordou, apertando minha cintura e me ajudando a movimentar dentro dele.

Não muito depois nossos movimentos começaram a ficar mais urgentes e então Edward me virou na cama, levando uma das minhas pernas até seus ombros, enquanto ele investia mais rápido e mais fundo em mim. Arranhei suas costas e soltei um gemido alto quando meu orgasmo me atingiu e algumas estocadas depois foi a vez de Edward abafar seus grunhidos em meu pescoço enquanto ele gozava. Por alguns segundos ficamos naquela mesma posição, mas quando minha perna começou a doer, Edward se afastou um pouco e deitou na cama, me puxando para deitar sobre ele.

- Oi - murmurei com um sorriso gigante, enquanto dava uns beijinhos no peitoral dele e olhava diretamente parar seus olhos agora preguiçosos, mas que certamente tinham um brilho ali..

- Olá - respondeu com uma risada. - A gente acabou fazendo uma bagunça.

- Desvantagens de sexo sem camisinha, eu suponho - disse dedilhando as dobrinhas do abdômen dele.

- Que tal a gente se limpar e então podemos comer algo? - sugeriu.

- Mas eu pensei que você tivesse acabado de me comer, quero dizer, de comer algo - provoquei e ele maneou a cabeça, dando um tapa na minha bunda e me fazendo soltar um gritinho histérico.

- Vamos logo, espertinha.

E foi assim que eu me vi tomando outro banho menos de uma hora depois do primeiro. É claro que este tinha sido muito mais divertido e longo, já que eu tinha meu arquiteto maravilhoso ao meu lado. Quando saímos do chuveiro, Edward e eu comemos algo e então passamos o resto do dia na cama apenas sendo nós dois e matando a saudades. A noite eu liguei para Alice, me desculpando por não poder me encontrar com ela e ela apenas soltou uma risada, dizendo que entendia e que estava tudo bem. Como passamos o dia todo gastando nossas energias, acabamos indo dormir bem cedo, mas eu não me importei muito, já que além de precisar esta descansada para amanhã, eu tinha o bônus de dormir ao lado do meu bobinho novamente e de também acordar ao seu lado. Não que a segunda coisa tivesse acontecido, no entanto, pois logo pela manhã quando acordei, notei que a cama estava completamente vazia e se não fosse pelo leve ardor entre minhas pernas eu diria que tinha imaginado a volta de Edward.

Sentei na cama e puxei os lençóis para cobrir meus seios, fazendo um biquinho e tentando adivinhar onde ele tinha ido, todavia minha resposta foi logo respondida quando vi meu namorado perfeito e maravilhoso entrar no quarto usando nada mais do que uma calça de moletom cinza e segurando uma enorme bandeja de café da manhã. Por que ele tinha que ser tão fofo e sexy? Eu mal tinha acordado, mas já queria montar nele todo. Ugh.

- Posso saber o motivo do biquinho? - perguntou, colocando a bandeja na cama e me dando um selinho rápido.

- Estava tentando adivinhar para onde meu namorado maravilhoso tinha ido.

- Hmmm… bom, como pode ver eu estava preparando um café da manhã para a futura empreendedora mais linda de Nova York,

- Só de Nova York? - perguntei fazendo manha e ele soltou uma risadinha, mordendo meu lábio inferior e se afastando.

- Do mundo todo.

Satisfeita com sua resposta, abri um sorriso gigante e ele maneou a cabeça sentando-se ao meu lado na cama e logo começamos a comer enquanto programávamos nosso dia. E depois fomos tomar um banho juntos. Como eu não tinha ido buscar minhas coisas nas lojas no dia anterior, precisaria fazer isso agora e depois eu conversaria com Angela para saber se tudo estava perfeito como planejamos e então só precisaria me arrumar e comparecer ao lugar. Edward não tinha muita coisa para fazer, agora que seu projeto em expandir para Los Angeles já estava certo, então ele passou o dia me acompanhando. Almoçamos juntos no nosso restaurante favorito, tivemos nossa reunião com Angela e então voltamos para casa para nos arrumar. Sabendo que eu queria estar perfeita e que não podia ter distrações, Edward avisou que depois de confirmar que tudo estava certo com a nossa família e o hotel que tínhamos reservado para eles, ele iria tomar banho e se arrumar no banheiro do quarto de hóspedes. Agradeci ele com um beijo longo e corri para o quarto.

Como tinha bastante tempo até precisar ficar pronta, tomei todo o tempo preciso relaxando na banheira. E então comecei a me preparar. Primeiro, como de praxe, hidratei meu corpo e depois de vestir minha lingerie comecei a fazer a maquiagem. Como eu queria um visual mais natural para a noite, não fiz nada muito forte, apenas os olhos esfumaçados com um tom dourado clarinho e um marrom mais escuro, muita máscara nos cílios, um pouco de blush nas maçãs do rosto e um batom rosa claro nos lábios. Já o meu cabelo eu passei um pouco de modelador nele, deixando-o com cachos grandes e depois passei uma escova para diminuir o efeito e então joguei ele para o lado. Gostando do resultado, caminhei até o quarto e peguei a meia calça cor de pele que estava em cima da cama, vestindo-a rapidamente e então peguei o vestido. Ele era bem fofo, um tecido mais grosso e armado numa cor vermelha bem bonita, ele era sem manga e decote dele era decorado com várias pedras em tons de vermelho e ele marcava bastante a cintura, abrindo a parte de baixo como se fosse uma saia rodada. Consegui subir o zíper sem muita dificuldade e então calcei meus sapatos de salto, um par de Jimmy Choo preto. Me declarando pronta após passar meu perfume, colocar algumas jóias e escolher qual bolsa de mão eu levaria, respirei fundo tentando acalmar meus nervos e saí do quarto.

- Estou pronta - anunciei indo até a sala e encontrando Edward pronto e sexy como o inferno me olhando intensamente. Mordi os lábios pela forma que ele me olhava e parei, deixando que ele caminhasse até onde eu estava e me envolvesse pela cintura. - O que foi?

- Apenas tentando imaginar o quão sortudo eu sou por ter você na minha vida - respondeu e eu soltei um suspiro, me inclinando para cima e dando um beijo rápido nos seus lábios perfeitos.

- Somos dois sortudos então - respondi sorrindo e ele maneou a cabeça, me dando mais um beijinho antes de se afastar.

- Vamos? - Edward perguntou, me entregando meu casaco e pegando o dele. - Charlie acabou de me mandar uma mensagem falando que basicamente todo mundo já está por lá.

Assenti, sentindo um frio na barriga, mas que rapidamente desapareceu quando Edward segurou firme em minha mão e me guiou até o elevador. O caminho até o Brooklyn não foi muito longo e pouco tempo depois já estávamos virando na rua onde a tão sonhada fundação estava. Do lado de fora eu já podia ver a iluminação perfeita e soltei um suspiro vendo o letreiro gigante escrito Fundação Canto do Cisne. A escolha do nome tinha sido um pouco complicada. Meu primeiro instinto tinha sido colocar o nome da minha mãe, mas ao mesmo tempo eu não conseguia sentir que isso era a coisa certa a fazer. Apesar de ela ter sido a grande inspiradora em tudo, tanto na minha paixão pela música quanto na minha decisão deste projeto, eu não queria expor algo tão íntimo assim, então eu me lembrei de uma história que ela costumava me contar quando eu era pequena. Uma história sobre o Cisne Branco que passava sua vida inteira mudo, mas quando estava perto de morrer ele era capaz de proferir um som maravilhoso, uma canção. Logicamente eu sabia que era apenas uma lenda, os cisnes brancos nasciam e morriam mudos, mas por trás daquele nome havia um significado e uma metáfora maior. Começar aquele projeto era quase como se eu estivesse deixando uma parte minha para trás, para focar em outra. Eu era uma Isabella Swan que estava se deixando entrar na vida adulta, que estava amadurecendo, crescendo… se transformando. E era por isso que o canto do cisne tinha sido a escolha perfeita.

Respirei fundo e balancei a cabeça, notando que Edward já tinha parado o carro perto do manobrista e estava abrindo a porta para mim. Aceitei a mão que ele estendeu e abri um sorriso.

- Você está maravilhosa e tenho certeza que tudo vai dar certo - murmurou dando um beijo na lateral da minha cabeça.

E ele estava certo. Assim que pisei no salão de festas da fundação, que ficava no quarto e último andar, e fui recebida por todas as pessoas que mais importavam na minha vida, me parabenizando e dizendo o quão orgulhoso eles estavam de mim, todo o meu nervosismo desapareceu e eu só consegui focar do quão feliz estava. Meu pai, Carmen e minha Nonna foram os primeiros que vieram me abraçar e me dar os parabéns. Eu ainda estava surpresa pelo fato de que minha Nonna tinha vindo para a inauguração, já que eu não tinha muita certeza se ela conseguiria ou não, e a abracei bem apertado, segurando o choro quando ela murmurou palavras doces sobre estar orgulhosa de mim. Logo em seguida, foi a vez de o meu pai me abraçar eu podia ver nos olhos do meu pai como ele estava transbordando orgulho de mim e isso me fez a pessoa mais feliz do mundo.

- Você, meu bem, é um dos maiores orgulhos da minha vida - ele sussurrou, ainda me abraçando apertado. - Eu fico imensamente feliz em saber que minha princesa tenha se tornado nessa mulher madura e maravilhosa que você é. Tenha certeza de que se Renée estivesse entre nós, ela seria a mãe mais orgulhosa do mundo. Assim como eu me sinto o pai mais orgulhoso.

- Obrigada, papai - funguei, tentando segurar as lágrimas. - Eu te amo muito, obrigada por tudo.

- Eu também te amo, princesa - murmurou e eu sorri. Mesmo nos meus vinte e três anos de idade, meu pai ainda me tratava como se eu fosse sua princesa e eu não me cansava de ouvi-lo me chamar assim. Por mais que o tempo passasse, eu continuaria sendo sempre a princesa dele.

Quando a sessão de quase choros acabou, cumprimentei algumas pessoas que estavam ali para apoiar o projeto, posei para algumas fotos ao lado de Edward, da minha família e também sozinha, cumprimentei outras pessoas, Beth, Anthony… alguns amigos de longa data, incluindo Jasper que estava mais bonito e maduro do que eu jamais tinha visto antes. Os anos tinham feito bem ao melhor amigo do meu namorado. Jasper agora em seus 33 anos era completamente diferente do Jasper que eu tinha conhecido cinco anos atrás e pelo que Edward havia me falado, ele não havia encontrado ninguém ainda. É claro que eu sabia que ele tinha alguns rolos aqui e ali, seu último namoro sério havia sido com uma modelo amiga daquela sua prima nojenta que queria roubar Edward de mim, mas não havia durado muito mais do que seis meses e logo cada um tinha seguido sua vida. Eu tinha uma suspeita que mesmo depois de tanto tempo, ele ainda tinha algo pela minha amiga, pois sempre que seu nome era mencionado em alguma conversa e ele estava presente, eu podia ver que seus olhos imediatamente ficavam mais atentos. Eu ainda me lembrava da última vez que eles tinham se encontrado cara a cara… Alice estava fazendo os planos para viajar para Paris e naquela época ela estava namorando um tal de Jared que ela havia conhecido na faculdade, enfim, era uma festa da empresa do meu pai para arrecadar fundos para uma instituição de crianças com câncer e Alice havia levado Jared com ela e por alguma razão, Jasper ficou completamente puto e quase acabou com a noite de todos quando resolver beber mais do que o esperado.

Soltei uma risadinha e decidi aproveitar e ver se eu encontrava tal amiga, já que eu estava aqui tinha quase uma hora e nem sinal da maldita.

- Procurando por mim? - A voz inconfundível soou atrás de mim e eu segurei o gritinho que queria soltar, quando joguei os braços ao redor de Alice e a abracei apertado.

Eu sabia que além de estar feliz pelo meu projeto, Alice também estava feliz por me ver depois de tanto tempo, assim como eu estava feliz por vê-la. Mesmo com ela agora morando em Chicago novamente, não era sempre que conseguíamos nos ver pessoalmente. A vida de adulto nem sempre era livre e maravilhosa e cada uma de nós tinha suas obrigações. Quando finalizamos o abraço, rapidamente engatamos em uma conversa sobre os últimos acontecimentos. Sobre como havia sido Paris, sobre a ruiva que Alice pegou saindo do quarto de Pietro na última semana dela lá, sobre os planos dela agora que tinha voltado. Falamos também sobre minha vida em Nova York - ela ainda tinha uma esperança de que eu fosse voltar para Chicago, mas com a fundação abrindo agora ela sabia que era algo muito improvável de acontecer.

- Será que eu posso roubar a atenção da minha prima por alguns segundos?

- Pietro! - comemorei, abraçando-o apertado e então olhei séria pra ele. - Que história é essa de ficar pegando qualquer ruiva que vê pela frente, uh?

- Você é tão fofoqueira - ele disse se virando para Alice, que apenas deu a língua pra ele. - Você continua me mostrando essa língua, Petit, que um dia eu vou acabar mordendo ela.

- Até parece - Alice revirou os olhos e eu soltei uma risada. Até parece que eu ia acreditar que nada tinha rolado com os dois em Paris. - Só se for pra eu morder a sua bem forte em troca.

- Você sabe que eu gosto das violentas, Petit - provocou e eu dei um tapa no braço dele, ao mesmo tempo em que Alice repetia a ação. - Porém não estou no clima de começar uma briga no meio da inauguração da minha priminha.

- Ainda bem que voc-

- Não seja convencida - ele disse rindo e cortando Alice. - Não estou com medo de você. Mas certamente não queria provocar outro ataque de Jasper.

- Jasper? - minha amiga perguntou tentando esconder a surpresa, mas falhando miseravelmente.

- O próprio - riu. - Ele já não parava de olhar pra cá antes de eu chegar e agora ele está praticamente voando em mim, tudo isso porque você está rindo pra mim.

- Eu não ia falar nada não, mas… - divaguei e Alice estreitou os olhos. - Qual é, Alice? Vocês dois tão nessa por anos, até quando vão esconder isso?

- Eu nunca escondi nada. Além do mais, não estou muito feliz com Jasper. Ainda me lembro da última vez que a gente se viu. Ugh.

- Eu só acho que talvez você devesse ir conversar com ele, sei lá - sugeri. - Ou então tentar esquecer ele de vez e seguir em frente. Não dá pra vocês dois ficarem nessa pra sempre… E eu ainda achei que vocês fossem se resolver antes de Edward e eu.

- E a gente iria, se ele não fosse tão banana.

- Banana? - Pietro riu, cutucando a barriga dela. - Você tem vinte e três anos e isso é o melhor que consegue?

- Vai se foder - estreitou os olhos e saiu andando.

- Também te amo, Petit - disse mais alto e eu segurei a risada quando vi o olhar de Jasper quase matar meu primo, enquanto Edward ria do lado dele.

- Se eu fosse você, eu corria - avisei. - Jasper não parece nada feliz.

- Vou dar um oi pra Nonna... e para aquela loira maravilhosa que está conversando com ela e o Tio Charlie - disse balançando as sobrancelhas e eu revirei os olhos, vendo que ele estava falando de Angela.

- Boa sorte.

Maneei a cabeça quando ele me lançou aquele sorriso de quem não precisava de sorte, mas sim de usar seu charme irresistível e andei em direção a Edward, que também estava vindo em minha direção. Mordi os lábios quando vi ele sorrindo para mim e ele soltou uma risada, me pegando pela cintura e me dando um beijinho.

- Finalmente - murmurou. - Pensei que fossem te ocupar a noite inteira.

- Bobo - murmurei de volta, aceitando seu abraço.

A inauguração seguiu de forma tranquila e aos poucos as pessoas começaram a ir embora. Como tinha sido um evento que começou ainda a tarde - quero dizer, tinha começado apenas às cinco horas da tarde -, Edward havia feito uma reserva em um restaurante que eu adorava, para que eu pudesse comemorar esse novo passo ao lado da minha família e amigos. A reserva havia sido feita para às nove horas e como já eram quase oito e meia, todos começaram a fazer seu caminho. Meu pai, Nonna e Carmen vieram dizer que se encontrariam com a gente no restaurante e eu sorri, dizendo que assim que estivesse livre, chegaríamos lá.

- Olha só aquilo - Edward murmurou, indicando com a cabeça para a saída do salão e eu soltei uma risada, vendo Alice e Jasper saindo junto. Se tudo desse certo os dois decidiriam a história deles ainda hoje.

- Espero que eles se acertem logo, sério - disse e Edward concordou, falando algo sobre não aguentar mais ouvir Jasper perguntando indiretamente sobre Alice pra ele.

Ao poucos fomos despedindo das pessoas e logo só restava Edward, eu, Angela e alguns funcionários do evento. Disse a Angela que ela podia ir para o restaurante que já estávamos indo e ela assentiu, me agradecendo novamente pelo convite. Antes de sair definitivamente daqui eu tinha uma surpresa para Edward e queria mostrar pra ele.

- Está tudo bem? - ele perguntou, notando o meu nervosismo.

- Sim, vem comigo - pedi, puxando ele para o andar de baixo, onde as salas de música ficavam.

- Isabella? - ele perguntou novamente, quando me viu entrando numa sala com um grande piano no centro.

- Shh… - pedi, tentando me concentrar. - Eu só quero te mostrar algo.

Ele imediatamente assentiu e eu respirei fundo, levando a ponta dos dedos até as teclas brancas e comecei a tocar ainda de olhos fechados. Eu sabia que ele estava me observando, então tentei me concentrar ainda mais para não começar a chorar ou para errar as teclas. Por meses eu vim me preparando para algo assim. Aquele seria meu canto do cisne, seria eu me despedindo da outra Bella, dos outros medos e anseios. Seria a Bella seguindo, finalmente e completamente, em frente. Dedilhei as teclas, sentindo meu coração inflar na medida em que as notas tomavam conta do ambiente e finalmente me permiti abrir os olhos, vendo Edward com os seus olhos verdes presos em mim. Respirei fundo e terminei de tocar as últimas notas e me afastei do piano, parando na frente de Edward, que ainda tinha aquele olhar. Por alguns segundos nenhum de nós dois falou alguma coisa, eu podia sentir meus olhos se enchendo de lágrimas com toda a emoção do momento,as tentei me segurar.

- Eu, hm, e-

- Isabella - ele sobrou, cortando minha fala nervosa e eu olhei pra cima, encontrando seus orbes verdes me olhando intensamente. - Você tem noção do quão orgulhoso eu estou de você? Do quão feliz eu estou por você me deixar fazer parte da sua vida? Eu sempre imaginei que você tocasse maravilhosamente, mas nada nunca teria me preparado pra isso... ver você tocar traz uma paz, uma sensação de conforto - ele então segurou minhas mãos e deu um beijo nelas, antes de grudas nossas testas e segurar meu rosto com a outra mão livre. - Você, Isabella Swan, me faz o cara mais feliz do mundo. E eu mal consigo acreditar que aquela menina sexy como o inferno e toda provocadora que eu conheci cinco anos atrás ia se tornar nessa mulher madura, responsável, decidida e, claro, ainda sexy e provocadora… que você se tornou.

- Edward… - murmurei, sentindo as lágrimas descendo.

- Hoje você está dando um passo para seu futuro, hoje você está começando mais uma etapa na sua vida, e eu espero estar ao seu lado para fazer parte de cada uma delas - disse seriamente e eu assenti. É claro que ele iria. Ele estaria comigo pra sempre. - Eu não pretendia fazer isso agora ou hoje, eu estava planejando fazer isso quando fôssemos passar o Natal na Itália onde declaramos nosso amor pela primeira vez, mas, sinceramente, eu estou cansado de espera - disse então se ajoelhou, me fazendo ofegar. - Isabella Marie Swan, você é sexy, provocadora, você me deixa louco e você me faz o homem mais feliz do mundo. Eu prometo passar o resto dos meus dias tendo certeza de que você experimente toda a felicidade e amor que eu sinto todos os dias. Você aceita se casar comigo?

Ele estava me pedindo em casamento. Em casamento! Ai meu Deus! E ele estava falando as coisas mais bonitas do mundo, como ele sempre fazia. Eu queria beijar ele todo, e então montar nele. Ali mesmo naquele chão. Escutei ele coçar a garganta e pisquei rapidamente, notando que ele ainda me olhava ansioso e percebi que ainda não tinha dado uma resposta pra ele.

- É claro que eu aceito! - murmurei meio gritando e o puxei para cima, o abraçando apertado. - É claro que eu quero me casar com você, seu bobo.

- Por alguns segundos pensei que você fosse sair correndo - brincou, dando vários beijos pelo meu rosto e eu soltei uma risadinha.

- Como se eu fosse mesmo capaz de fazer isso - maneei a cabeça e capturei seus lábios. - Bobinho. Agora me deixa ver meu anel!

Ele soltou uma risada, como se só agora tivesse percebido que tinha esquecido deste fato e então tirou uma caixinha de veludo do paletó, revelando o anel mais bonito que eu já tinha visto em toda a minha vida. Não era um clássico anel de diamantes com uma pedra solitária. Era um anel delicado, trabalhado em várias pedrinhas de diamante e um maior no centro. Soltei um suspiro apaixonado e Edward rapidamente colocou-o em meu dedo.

- A gente vai se casar - murmurei abobalhada.

- Sim, a gente vai - concordou. - Futura Sra. Masen.

Eu… casando. Bella Swan… casando. Quem diria que isso ia acontecer um dia? Eu já podia imaginar meu pai praticamente pirando com a notícia de que sua princesa ia se casar. Ou então Beth, Carmen, Alice e Nonna pirando e querendo arrumar cada coisinha do casamento para que ele fosse o mais perfeito de todos. Casamento. Ai meu Deus, eu ia me casar. Com Edward. Com o meu Bobinho. Com o meu romance que um dia já foi proibido. Quando foi que eu tinha me tornado tão sortuda? E daqui a sabe-se lá quantos meses eu não seria mais Isabella Swan, eu seria Isabella Masen. Bella Masen.

E eu mal podia esperar.


N/A: Wow que saudadinha que eu tava de ABM, da Maldita, do Bobinho *sigh* Parece que sempre tenho alguma ideia nova pra eles, mas definitivamente eu tenho um carinho especial por esse aqui. Gosto de ver a Bella jovem-adulta formada na faculdade e mais madura, do Edward expandindo cada vez mais seus negócios… do relacionamento dos dois tão maduros. E ai meu Deus, Bobinho e Maldita vão casar! Socorro? Anyways, espero mesmo que tenham gostado desse extra, desse pedacinho(ão) do futuro dos dois e, por favor, não deixem de comentar me contando o que acharam. Obrigada pelo carinho de sempre. Beijos e, quem sabe, até a próxima por aqui! :)

N/B: Ai Meu Deus como eu estava com saudade da Maldita e do Bobinho! Tenho um apego enorme por esses dois, pelos personagens no geral. E ver eles evoluindo assim é tão bom. Bella amadureceu, não é mais uma adolescente caprichosa, mas continua sendo a Maldita que deixa o Edward maluco. E tev Pietro, todo meu, meu amor, saudades! Bem, comentem porque a Brenda merece por esse extra maravilhoso. Beijos xx LeiliPattz