Oi gente, me desculpem a demora... Tenho esse cap pronto desde segunda, mas como foi meu aniversário fiquei meio ocupada com os preparativos pra festa e depois o site não queria postar de jeito nenhum... enfim, aqui está o cap, espero que gostem!


Doce de leite

Q: "Alguma vez já imaginou ser mãe?" – a pergunta desconcertou por completo a morena.

Rachel dirigia seu novo carro na companhia de Quinn e as duas pequenas que dormiam prazerosamente no banco traseiro. A visita ao museu foi acertada. As meninas passaram um bom momento entre dinossauros, mesmo que alguns haviam provocado algum tipo de medo. O melhor foi o espetáculo. Durante 15 minutos, o museu se encheu de marionetes realistas de dinossauros, as quais podiam tocar e observar como se comportavam em seu habitat natural. As quatro ficaram encantadas com a exposição.

Quinn voltava completamente emocionada, estar com as pequenas lhe devolvia essa ilusão que só a inocência da infância podia lhe dar. Rachel também se divertiu, mesmo que sentisse aquela pontada no peito toda vez que via Quinn interagindo com a pequena Bee, aproximações que eram produzidas com bastante frequência e cumplicidade entre ambas.

R: "Por que me pergunta isso?" – reagiu.

Q: "Porque te cai bem... teve as duas completamente embelezadas entre os dinossauros e a emoção de comer nesse restaurante de fast food." – sorria. "e tudo com o doce som de sua voz..."

R: "Bom... a música também tem seu mérito."

Q: "Não... a música surte efeito só se você canta... inclusive eu estive a ponto de me acomodar e dormir."

R: "Tem que ter recursos..."

Q: "Não me respondeu..."

Rachel voltava a se sentir estranha. Aquela planejamento sobre o futuro com filhos ao seu redor seria o ponto alto de sua felicidade, mas inevitavelmente tudo lhe fazia recordar Beth e a grande dor que sofreu Quinn ao ter que entregar sua filha.

R: "Não planejei... é algo muito importante para pensar assim rapidamente."

Q: "Sim... mas tudo mundo pensa nisso alguma vez... eu não sei o que pensava sobre isso antes do acidente... mas hoje em dia acho que encantaria em ter uma família."

Não podia. Não podia suportar. Escutar Quinn falar sobre filhos tendo a sua própria filha no banco traseiro do carro e não ser consciente disse era a brincadeira mais cruel que o destino poderia fazer.

R: "Agora tenho outros tipos de coisas em mente." – interrompeu, mudando de tema.

Q: "Tem razão... não te perguntei pela reunião. Como foi?"

R: "Mal..." – sentiu alívio ao mudar a conversa. "muito mal."

Q: "Como?... por que?"

R: "Digamos que fiquei sem trabalho."

Q: "O que?" – perguntou preocupada.

R: "Já ia acontecer... os produtores não acham graça que eu me relacione com o tema da homossexualidade e sair na Parada do Orgulho Gay foi a gota d'água para a paciência deles."

Q: "E o que tem de mal nisso?"

R: "Já sabe, eles querem que a ficção supere a realidade, eles adorariam me ver com meu companheiro de elenco, fazer as pessoas acreditarem que tudo o que assistem na tela é real."

Q: "Que idiotas." – foi direta, deixando a morena um tanto quando boquiaberta.

R: "Isso mesmo que eu digo..."

Q: "Sabe... agora poderia fazer alguma série de ambiente... seguramente que esses produtores fariam o que fosse para te ter."

R: "Sim... não estaria mal." – disse sorridente. "o ruim é que acho que não tem muitas séries desse tema..."

Q: "Pois material tem suficiente." – respondeu. "imagina uma série com Shane, Carmen, Bette, Tina, Molly... Ash, Spencer... Britt... San..." – olhou para a morena. "Rachel Berry... seria genial, não acha?"

R: "Não acho que as pessoas se interessem muito por nossas vidas..."

Q: "Acredite, eu que acabo de conhecer vocês, outra vez, estou completamente viciada nas histórias que me contam... o público também ficaria assim."

R: "Sim, de verdade?" – brincava. "e você não tem nenhum papel?" – perguntou ao mesmo tempo que parava o carro na calçada da rua.

Q: "Eu?... claro." – respondeu descendo do carro.

Rachel fez o mesmo e abandonou o banco do piloto disposta a ajudar a loira com as pequenas que ainda permaneciam adormecidas. Quinn optou por pegar nos braços a pequena Bee enquanto Rachel carregava Angie, que conseguiu descer do carro já acordada e por suas próprias pernas.

R: "Poderíamos ter deixado ela na casa de Bette." – disse enquanto Quinn entrava na casa.

Q: "Me disse que não ia estar lá, viriam pegá-las... além do mais, não sei aonde Bee mora, então é melhor que venham buscar elas."

R: "Ok." – deu o tema por finalizado ao escutar Quinn falando da casa aonde viviam Shelby.

Aquilo não lhe fez mais do que recordar que tinha que tratar de solucionar aquele conflito em que se via imersa.

Q: "O que vai fazer hoje?" – perguntou deixando a pequena no sofá.

R: "Tenho que solucionar um par de temas... por?"

Q: "Ah... não... não, por nada."

R: "O que você vai fazer?" – perguntou curiosa.

Q: "Nada... imagino que me sentarei no sofá com essas duas pequenas e..." – olhou para as meninas. "provavelmente irei dormir." – sorria.

R: "Quer que façamos algo logo?" – perguntou ao ver que Quinn desejava voltar a vê-la.

Q: "Se tem planos, não se preocupe... não quero te incomodar."

R: "Tenho que solucionar um tema agora... mas estou livre de noite."

Q: "De noite?"

R: "Aham... não te interessa?"

Q: "Sempre estou interessada em algum plano com você... consegue me surpreender sempre."

R: "Hummm... quer dizer que vamos nos ver... então tenho que te surpreender, né?"

Q: "Claro." – brincava.

R: "Ok." – se afastou da porta. "então... vá preparando seu melhor vestido de gala... porque vamos ter um jantar muito especial."

Q: "Vestido de gala?... eu?" – perguntou incrédula enquanto seguia os passos da morena.

R: "Aham... é isso que dar aceitar propostas de uma atriz de Hollywood." – sorria.

Q: "Seremos divas?"

R: "Mais do que nunca..." – brincou ao mesmo tempo que abria a porta para ir.

Q: "Mas... eu não tenho vestido de gala."

R: "Esse não é meu problema... as oito passarei pra te pegar."

Q: "Rachel, espera..." – tentou parar ela, mas a morena já cruzava o pequeno jardim indo direto para o carro. "De onde tiro um vestido de gala?" – murmurou.

Os pensamentos de Rachel já estavam postos em outro lugar. Há horas que havia planejado realizar aquela visita após com conselho de Judy. Talvez um pouco precipitado se apresentar ali, sem pedir um encontro, mas aquele assunto começava a sair de suas mãos. Cada dia havia mais conexão entre a pequena Beth e Quinn e ela não podia perder mais tempo.

Dr: "Rachel Berry, entre por favor." – o doutor Scholes lhe dava passagem para seu escritório. "me surpreendeu muito sua visita, nem sequer acreditei na menina da recepção."

R: "Oi doutor, me desculpe me apresentar assim, sem avisar... mas queria tratar de um tema bastante urgente com o senhor."

Dr: "Você disse para a recepcionista que é sobre a Quinn Fabray, certo?"

R: "Sim, é sobre ela de quem quero fazer... Judy Fabray me disse que o senhor me atenderia para resolver algumas dúvidas."

Dr: "Claro... mas esse tema é bastante complexo, eu gostaria de poder falar com muita calma com você, mas não disponho de todo esse tempo hoje."

R: "Não... não se preocupe, é algo rápido... só necessito que me responda uma pergunta."

Dr: "Bom... sente-se e me conte."

Rachel concordou em se sentar.

R: "Doutor... o que acontece se Quinn descobrir que tem uma filha?" – foi direta.

O doutor se surpreendeu diante a rapidez com que Rachel formulou aquela pergunta.

Dr: "Em primeiro lugar... pode me chamar de Robert." – disse com amabilidade. "e respondendo a sua pergunta te direi que não sei. O caso de Quinn, como já te disse, é bastante complexo. Segundo a Judy me comentou, Quinn parece que está recordando alguns detalhes, isso sempre será bom... o problema vem quando descobre coisas que não recorda e podem ser perigosas para sua saúde mental."

R: "Saúde mental?"

Dr: "Rachel, a perca de memória é consequência de um choque traumático. Como já explique, o cérebro tenta evitar que o trauma criado pelo acidente, possa influenciar de forma negativa na pessoa. Sabemos que está ali e que provavelmente saia à tona de alguma forma ou de outra, mas não podemos saber qual vai ser a reação dela se descobrir algo assim. Nesse caso se complica mais a situação, não é o mesmo dizer que tem uma filha que vive com ela ou um marido, do que explicar que tem uma filha mas que entregou para adoção. Quinn pode não assimilar esse conceito, porque não o viveu, melhor dizendo, não recorda ter vivido e não vai compreender porque o fez. Se não queremos perturbar seu estado, se queremos que Quinn esteja relaxada e não pense em problemas para que seu cérebro volte a funcionar sem medo algum, temos que evitar que saiba esse tipo de situação pessoal."

R: "Quinn descobriu que ela e eu fomos um casal e não se traumatizou." – disse tratando de escutar algo positivo.

Dr: "Não é o mesmo Rachel... é a mesma opção que te disse antes... se você diz pra alguém, essa é sua namorada e essa é sua casa, a pessoa começa a assimilar conceitos, trata de averiguar o que é que a une a essa pessoa e terminará compreendendo porque está com ela, porque está convivendo, está vivendo no presente... mas Quinn jamais vai compreender como foi capaz de entregar uma filha em adoção. Não vai compreender porque não estava lá para ver, não vai sentir a mesma sensação que teve quando fez isso e não vai saber quais são os motivos que levou ela a fazer isso. Se souber, teremos uma garota completamente obcecada por averiguar porque fez isso e se maltratando por ter feito."

R: "Robert." – disse com voz entrecortada. "Quinn está vendo sua filha sem saber."

Dr: "Como?"

R: "Quinn acostumava cuidar de uma filha de umas amigas em comum e há uns meses apareceu uma pequena, amiga da garota que ela cuida... e é ela, é sua própria filha."

Dr: "Mas... Quinn cuidava dela e não disse nada para sua mãe?... porque Judy me disse que fazia vários anos que não sabia nada dela."

R: "Não... Não tem nem ideia de que é ela, por isso vim falar com você, não sei como atuar, não sei se digo ou não..."

Dr: "Não... não, por hora não diga nada."

R: "Mas e o que acontece se souber?"

Dr: "Alguém mais sabe?"

R: "Não... só uma amiga em comum que não vai dizer nada e a mãe adotiva de Beth."

Dr: "E acha que ela guardará segredo?"

R: "Sim... imagino."

Dr: "Tem o telefone dela para eu entrar em contato com ela?"

R: "Sim, claro." – respondeu rapidamente tirando o mesmo cartão que Bette havia lhe entregado.

Dr: "Bom, não se preocupe, eu me encarregarei de adverti-la para que não pense em fazer nada."

R: "Doutor... acha que Quinn deve deixar de ver a menina?"

Dr: "Não... não e muito menos se tem uma boa relação... quanto mais afinidade tiver melhor."

R: "Se adoram mutuamente..."

Dr: "Pois melhor assim... desse modo podemos compensar o trauma, talvez a pequena faça com que Quinn se entregue a outras coisas e não em ficar obcecada por querer recordar."

Aquelas palavras não haviam solucionado nada para a morena. Em suas mãos seguia estando se dizia ou não para Quinn quem era a pequena. Com Beth, sua saúde corria perigo e ao mesmo tempo poderia ser benéfica.

Dr: "Relaxa Rachel." – disse a acompanhando até a saída. "Sabe o que tem que fazer? Entretê-la... faça ela pensar em coisas que nada tenham a ver com o acidente, que descubra coisas novas e se esqueça por completo do terror que sofreu, de acordo?"

R: "De acordo... obrigada por me atender."

Dr: "De nada... até a próxima vez..." – respondeu lhe entregando o cartão. "...me ligue diretamente, estou disponível, sempre que desejar."

Rachel agradeceu aquela atenção e após se despedir do doutro, voltava a ir rumo ao seu apartamento. Eram apenas 17 horas. Havia combinado com Quinn as 20 horas e supostamente ia ser um encontro muito especial. Tinha tempo suficiente para organizar tudo da melhor forma, tal como Quinn merecia.

Do outro lado da cidade, Quinn lutava contra as duas estilistas mais atrevidas que havia conhecido.

Q: "Não... não, esse vestido não."

A: "Por que?... vamos, não seja chata, é ideal."

Sp: "Ela tem razão Ash, esse vestido é muito atrevido..."

A: "Então prove esse..." – disse mostrando outro dos tantos vestidos que havia levado para a casa.

Quinn não sabia o que fazer para preparar para aquele jantar com a morena e só pode pensar em Ashley e Spencer para que lhe dessem uma mão.

Sp: "E esse também... eu vesti para um casamento... é ideal."

Quinn se lamentava. Talvez não tivesse sido a melhor ideia. Talvez só necessitasse um bom banho, colocar sua melhor cara e sair para jantar como havia feito dias antes, porém ali estava, rodeada de vestidos que provavelmente jamais se atreveria a vestir.

Q: "Provo isso e tiro... se não gostar de nenhum, desisto... vou de calça."

A: "Não seja muito queixosa e vá... prove eles que daqui a pouco teremos sessão se cabeleireiro e maquiagem..."

Quinn bufava ao entrar no quarto com ambos modelos. Spencer e Ashley esperavam impacientes na sala, sentadas no sofá e dispostas a dar o diagnóstico positivo ou negativo de sua vestimenta.

Havia provado 6 vestidos, 4 de Ashley e 2 de Spencer... nenhum deles a convencia e aqueles dois que levava em sua mão, tão pouco pareciam os adequados e nem gostava.

A campainha tocou enquanto a loira lutava para fechar o zíper daquele apertado vestido, o último que Ash lhe obrigava a provar. Nem teve tempo de assimilar quando Spencer entrava no quarto segurando uma caixa perfeitamente envolta em um papel de presente.

Q: "O que é isso?"

Sp: "Um entregador acaba de deixar para você."

Quinn se surpreendeu. Não esperava nada e muito menos um presente.

Q: "O que é isso?" – perguntou curiosa.

A: "Não sei." – interrompeu Ash. "se não abrir..."

Quinn tomou a caixa e colocou em cima da cama. As três permaneciam expectantes ao descobrir o que havia dentro.

Perfeitamente dobrado, envolto em um fino papel de sega que o protegia, um elegante e perfeito vestido preto.

Os olhares começaram a rondar pelo quarto.

Q: "De quem é isso?"

A: "Tem um cartão." – se apressou em pegar o pequeno envelope para entregar para a loira.

"Como vê, não sou tão ruim. Não posso deixar uma princesa sem seu vestido de gala."

Q: "Rachel?" – sussurrou.

Sp: "Rachel te enviou?... Oh Deus... é ideal!" – exclamou observando com determinação o vestido.

Quinn não dava crédito ao presente da morena e mais surpreendida ainda ficou quando vou que o vestido ficava perfeito nela.

Um modelo de sega preto, franzido no peito por um lindo laço da mesma cor, deixando um decote perfeito e os ombros descobertos. Subia apenas um par de centímetros acima dos joelhos. O efeito era o desejado, elegância.

O resto da tarde passou discutindo pelo penteado e o tipo de maquiagem. Spencer foi a ganhadora do penteado. O cabelo ligeiramente ondulado seguro por um simples prendedor preto que lhe dava um toque juvenil. A maquiagem foi coisa de Ashley. A morena se encarregou de deixar Quinn perfeita, mas ainda do que podia. Um suave tom rosado iluminava seus lábios e maçã do rosto, enquanto que seus olhos, perfeitamente delineados marcavam com uma forte sobre escura, mostrando um contraste surpreendente com a cor verde dos olhos da loira.

O último detalhe foram os saltos de agulha preto e uma discreta bolsa de Mao fazendo jogo.

Perfeita. Essa era a palavra mais utilizada durante todo o processo e perfeito era o resultado final.

Quinn se olhava surpreendida em um dos espelhos que havia no quarto. Estava tão diferente que nem sequer se reconhecia.

Eram as 20 horas em ponto quando a campainha tocou. Quinn correu através da sala procurando não cometer nenhum deslize com aquele altíssimos sapatos. Ashley e Spencer esperavam impacientes a chegada da morena e a mais provável surpresa ao descobrir Quinn, mas o desconcerto as invadiu quando atrás da porta, era um garoto que lhe esperava, perfeitamente trajado.

- "Senhorita Fabray?" – perguntou o garoto.

Q: "Sim... sou eu."

- "Encantado, meu nome é Arthur e essa noite serei seu chofer." – disse educadamente.

Q: "Meu chofer?"

- "Isso mesmo, a senhorita Berry te espera no restaurante. Se a senhorita tão amável me acompanhar..." – levantou a mão para que ela segurasse.

Quinn olhava incrédula para o garoto e alternava o olhar com Spencer e Ashley que estavam igualmente ou mais surpreendidas ainda.

Q: "Meninas... tenho que ir!" – exclamo olhando para elas. "fecham tudo quando saírem, ok?"

Sp: "Claro... não se preocupe." – respondeu piscando um olho. "divirta-se."

Q: "Obrigada." – se despediu ao mesmo tempo que entrelaçava seu braço com o do amável chofer que lhe ajudou a percorrer a distancia que separava a casa do carro, um enorme e espetacular Audi A5, de cor preta que voltava a deixar um estranho e surpreso gesto na loira.

Q: "Aonde é o restaurante?" – perguntou se sentando na parte traseira.

- "Perto, não se preocupe." – disse sorridente.

Percorreram apenas 10 minutos quando o 617 de Olive St se apresentava diante ela. Uma espetacular fachada e o sorriso do chofer lhe fazia ver que havia chegado ao lugar e devia descer do carro, não sem antes observar como Arthur abria a porta para lhe ajudar a sair.

Jamais havia sentido essa sensação e supôs que isso mesmo era o que sentia os famosos quando chegavam a algum lugar importante.

Vários grupos de pessoas se reuniam na proximidade do restaurante e não puderam evitar lançar olhares indiscretos, procurando averiguar que celebridade se dispunha a descer daquele carro com chofer.

Sentia os olhares, os cochichos tentando averiguar quem era essa loira. Só o firme e seguro braço de Arthur lhe servia de apoio naquele estranho momento.

Q: "Rachel não chegou?" – lhe perguntou enquanto caminhavam até a entrada.

- "A senhorita Berry está em seu lugar, não se preocupe, só tem que dar seu nome para o recepcionista que te atenderá logo que você entrar."

Q: "Você não entra comigo?"

- "Não senhorita Fabray, eu só sou o chofer." – sorriu justamente na entrada. "Que tenha um agradável encontro." – disse convidando ela para entrar.

Quinn não duvidou, ainda com um pouco de nervosismo, conseguiu caminhar com firmeza. O glamour daquele lugar se deixava notar por qualquer canto. Um espetacular hall de entrada com um elegante mostrador, aonde um cavalheiro, vestido com o uniforme de gala lhe esperava sorridente.

- "Bem vinda ao Cicada Restaurant. Em que posso ajudar?" – perguntou com leve sotaque italiano.

Q: "Boa noite." – respondeu. "meu nome é Quinn Fabray... tenho uma reserva feita no nome de..."

- "Rachel Barbra Berry." – sorria. "me acompanhe por favor."

Quinn nem teve tempo de assimilar aquilo, quando se dispunha a ir para uma sala atrás daquele recepcionista.

Espetacular. Voltava a aparecer aquela palavra pela mente da loira ao contemplar o restaurante. Uma enorme sala, decorada com estilo clássico e dezenas de mesas perfeitamente repartidas, todas e cada uma delas iluminadas por precisamente duas velas. Uma impressionante luminária de cristal presidia no centro da sala. Percorrendo vários metros por um corredor central que dividia o lugar e de repente, a esquerda, após várias mesas repletas de casais e grupos que degustavam uma visivelmente maravilhoso jantar, apareceu ela.

Dois enormes olhos pretos que semi escondidos embaixo de uma pequena e divertida mecha de franja. Um enorme sorriso que desenhava perfeitamente duas covinhas. Uma espetacular morena, de espetaculares curvas e espetacular vestido, se levantava de sua cadeira para receber a chegada de Quinn.

Mas um momento sentiu que todas aquelas pessoas haviam desaparecido e naquela imensa sala só estavam as duas. O assombro no rosto de Quinn era equivalente ao que mostrava a morena ao descobrir Quinn, sua garota.

As imagens do acidente, os golpes no nariz e seu desastrado resultado, o desconcerto e a palidez da loira quando ficava doente... imagens que apareciam e desapareciam dando as boas vindas para Quinn Fabray.

Aquela deusa grega, como ela a definia, havia deixado de lutar com os mortais para voltar para o Olimpo convertida na deusa da beleza, naquela mesma noite. Talvez esqueceu de respirar, mas pode exclamar várias palavras ao encontro com a garota.

R: "Deus da minha vida."

Q: "Rachel." – disse acompanhada de um enorme sorriso.

R: "Oi... meu am... Quinn." – retificou.

O recepcionista se dispunha a separar a cadeira para que a loira se sentasse ao mesmo tempo que a morena também fazia isso.

- "Em seguida trago o menu." – disse antes de se afastar.

Q: "O que é tudo isso?"

R: "Minha nossa senhora Quinn!" – voltava a exclamar.

Q: "O que?" – perguntou confusa.

R: "O que?... já se viu?"

Quinn abaixou sua cabeça buscando aquilo que chamava tanto a atenção da morena.

Q: "O que foi?... tem algo errado?"

R: "Errado?... Meu Deus Quinn, qual vai ser meu castigo?"

Q: "Rachel... não entendo nada... a que se refere?"

R: "Suponho que os deuses terão algum castigo preparado para mim por te fazer vir essa noite e privá-los de você." – sorria.

Quinn se ruborizou diante aquele elogio.

Q: "Rachel, por favor... não me deixe mais nervosa do que já estou."

R: "Nervosa?" – perguntou justamente quando o garçom lhe entregava o menu.

Q: "Nervosa é pouco... me explica de onde tirou esse vestido?" – perguntava tratando de folhear o menu.

R: "O que importa..." – sorria. "está espetacular."

Q: "Eu?... você já se viu?"

R: "Hummm... sim, mas não tem como comparar."

Quinn lançou um desafiante olhar, para voltar a se perder no menu.

Q: "Morena espetacular, cabelo brilhante e com pequenas ondas, olhos de dar infarto que acompanham um sorriso que derrete até mesmo o diabo, vestido azul escuro de renda, que deixa ver zonas bastante insinuantes de um perfeito corpo e tampa o necessário para deixar ver umas vertiginosas e tonificadas pernas, acompanhadas de uma elegante sandália..." – levantou o olhar sobre o menu. "acha que os deuses vão estar em desacordo com esse jantar?"

Rachel ainda tentava assimilar aquela detalhada descrição que a loira havia feito de seu traje.

R: "Uau... apenas me olhou por uns segundos e não perdeu nenhum detalhe."

Q: "Vale a pena..."

R: "Gostou da surpresa?"

Q: "Qual delas?"

R: "Hummm... todas."

Q: "Até há uma hora e meia, estava histérica, discutindo com Ashley e Spencer dobre vestidos... a chegada de seu vestido fez com que desistisse da ideia de vir com calça jeans e camiseta." – sorriu. "Arthur tão pouco esteve mal, mas o mais espetacular foi isso."

R: "Gosta do restaurante?"

Q: "Sim... mas não me refiro ao restaurante... falo de você."

R: "Deveria parar de me elogiar..." – disse diante a iminente chegada do garçom e provocando um leve sorriso na loira.

Q: "Não tenho nem ideia do que pedir aqui." – murmurou fechando o menu.

R: "Não se preocupe, eu me encarrego." – respondeu enquanto chamava o garçom.

Após uns breves minutos de conversa com o garçom, o pedido do jantar foi confirmado.

R: "Como te ocorre pedir conselho sobre vestidos para Ash?... de Spencer até que vai, mas de Ash... nunca."

Q: "O que quer que eu faça?... você se foi sem me dizer nada mais e em meu armário não havia nada tão elegante como isso."

R: "Tem poucas coisas tão elegantes como um Valentino."

Q: "Como?... Isso é um Valentino?" – se olhou surpreendida.

R: "Claro... pensa que vou te enviar qualquer coisa?"

Q: "Isso é demais Rachel... isso te escapa das mãos..."

R: "Que seja... de fato é muito mais barato do que o meu."

Quinn a questionou com o olhar.

R: "Christian Dior... conhece?"

Q: "Está louca... teria que ter feito caso a Ashley e colocar um dos vestidos dela..."

R: "Um dos vestidos roqueiros dela?"

Q: "Sim... não posso permitir que sempre que saímos gaste tanto dinheiro."

R: "Quinn, não se preocupe... e se alguma vez quiser algum conselho sobre moda... me pergunte ou a Bette."

Q: "A você?"

R: "Sim... para mim." – respondeu.

O garçom chegou com o jantar que haviam pedido e o olhar de Quinn ficou mais confuso ainda quando o enorme prato com a metade de uma pequena abóbora rodeada por vários tipos de verduras e uns palitos de batata caramelada que a atravessava igual agulha de tricotar. Uma fina linha feita com um espesso molho alaranjado dava cor ao prato.

Quinn pegou o guardanapo um tanto confusa, tentando averiguar como se comia aquilo diante o divertido olhar da morena.

R: "Por que estranha que me peça conselhos sobre moda?"

Q: "Não sabia que gostava... além do mais, não te vi muito preocupada pela moda."

R: "Não gosto, nem me preocupa... mas sei de algo."

Q: "E de que estilista são esses suéter de rena e essa saia pregueada que você tanto gosta?"

Rachel olhou surpreendida para a loira.

R: "O que?... como sabe disso?"

Q: "É o que utilizava no colégio, não?"

R: "Se lembra?" – voltava a perguntar aturdida.

Q: "Não." – sorriu. "mas vi fotos..."

R: "Como que viu fotos? Que fotos?"

Q: "Lembra que me disse que lá em casa havia álbuns de fotos?" – sorria com travessura.

R: "Oh Deus..."

Q: "E tem mesmo... e muitos... com muitas fotos interessantes."

R: "Que classe de fotos?"

Q: "Do colégio..."

Rachel ficou pálida. Não lembrava quais eram essas imagens e não sabia se poderia existir alguma dela grávida de Beth.

R: "Sim... mas como são?"

Q: "Tem muitas em uma sala... imagino que é o coral que pertencíamos, porque tem instrumentos e um grupo de garotos."

R: "Sim... isso é o Glee Club."

Q: "E também tem algumas de líder de torcida... que por certo, tenho que admitir que o uniforme de caia perfeitamente bem." – brincou. "não sei... também tem algumas com garotos... não sei como se chamam e nem quem são, imagino que algum deveria ser meu namorado."

Rachel relaxou.

R: "Como são esses garotos?"

Q: "Havia um louco, muito... lindo." – sorriu ruborizada.

R: "Sam."

Q: "Sam?"

R: "Sim... foi seu namorado." – respondeu.

Q: "Nossa... tenho bom gosto com os garotos também." – sorria.

R: "Não duvide."

Q: "Havia outro com uma espécie de moicano e cara de travesso."

R: "Noah... Noah Puckerman... mais conhecido como Puck e também foi seu namorado e meu."

Q: "Como?... não se supõe que nós havíamos compartilhado um tal de... Finn?"

R: "Sim... também aconteceu com Puck."

Q: "Nossa... quer dizer que tive três namorados e dois deles compartilhados com você..."

R: "Sim... mesmo que meu namoro com Puck não tenha sido nada... nem sequer saímos juntos."

Q: "Ahhh... e o meu com esse garoto foi mais sério?"

R: "Bastante... de fato acho que chegou se apaixonar por ele."

Q: "Rachel..." – deixou o guardanapo sobre a mesa. "sei que é um pouco rude te perguntar isso assim, de repente, mas... necessito saber."

A morena sentiu como um nó agarrava em sua garganta e lhe cortava a respiração.

Q: "Co quantos garotos... eu estive?"

R: "Que esteve?" – perguntou confusa.

Q: "Sim Rachel... já sabe, com quantos... eu..."

R: "Manteve relações?"

Q: "Aham..." – disse se ruborizando.

Rachel tentou manter a calma. Não gostava muito de falar daquele assunto em concreto, mas não tinha porque evitar.

R: "Que eu saiba... só com um."

Q: "Um?... Finn, né?"

R: "Eh... não."

Q: "Como?... me disse que Finn tinha sido meu único namorado formal."

R: "Sim... mas com o único que manteve relações foi com Puck... o garoto do moicano."

Q: "Não entendo... e o que aconteceu com Finn?... quanto tempo estive com ele?"

R: "Quase dois anos..."

Q: "O que?... dois anos com um garoto e não mantive relações?... mas que classe de garota eu era?"

R: "A presidente do clube de celibato."

Q: "Não... não posso acreditar, presidente do clube de celibato?... mas que classe de pessoas se unem a um clube assim?"

R: "As pessoas como eu." – respondeu aguentando o riso.

Q: "Você?... estávamos juntas no clube?"

R: "Não é que estivéssemos juntas... é só que estávamos você e eu..." – terminou sorrindo.

Q: "Mas espera... você também teve namorados... e imagino que..."

R: "Quinn... eu não mantive relações com ninguém."

Q: "Não acredito."

R: "Acredite... de fato estava convencida a não fazer até cumprir os vinte e cinco anos..."

Q: "Não... como vai querer isso?"

R: "Eu queria... naquela época só estava interessada na música, em cantar e ganhar concursos para que meu currículo fosse importante... mas então você apareceu... e meu propósito caiu por terra."

Q: "Eu?... um... um momento." – gaguejou. "não manteve relações com ninguém antes de..."

R: "Quinn." – a olhou nos olhos. "você foi minha primeira vez."

O silencio inundou as duas. Por um instante o ruído do restaurante se dissolveu por completo e ambas ficara hipnotizadas.

R: "Escute..." – disse rompendo o silencio. "acho que tudo isso é uma... chateação, não acha?"

Q: "Pensava que não ia dizer nunca... levo uma hora tentando saber como demônios se come isso." – apontou para seu prato aceitando de bom grado a mudança de conversa. "não entendo como pode fazer isso frequentemente."

R: "Não... não, eu não venho aqui sempre, só tive um par de jantares assim em minha vida e foi com os produtores..."

Q: "Então, por que me trouxe aqui?"

R: "Não sei... queria te surpreender... já te disse."

Q: "Teria me surpreendido da mesma forma com um pote de sorvete e um filme em casa." – brincou.

R: "Sorvete... hummmm... tenho uma ideia."

Q: "Outra?"

R: "Sim... temo que nós vamos tomar a sobremesa em outro lugar." – sorriu ao mesmo tempo que chamava um dos garçons para pedir a conta.

Apenas 10 minutos depois, já dentro do carro, tomavam as duas de Hollywood dispostas a terminar o encontro de uma forma mais amena.

Q: "Aonde estamos?"

R: "Primeiro venha..." – disse segurando a mão da garota e cruzando a calçada da avenida Fountain. Um pequeno trailer ambulante era o primeiro objetivo da morena.

- "Senhorita Rachel." – um cavalheiro de enorme sorriso e sotaque latino cumprimentava a morena, atrás daquele quiosque.

R: "Oi Manuel." – respondeu em perfeito castelhano.

Quinn permanecia em suas costas. Diante ela se estendia um pequeno frízer com dezenas de baldes cobertos de sorvete.

- "Faz muito tempo que não a vejo, como está?"

R: "Muito bem Manuel." – respondeu completamente sorridente. "eu vim para que essa garota tão linda prove seus deliciosos sorvetes."

- "Perfeito... me diga princesa, que sabor gosta?" – se dirigiu para Quinn.

A loira permaneciam um tanto quando desconcertada. Rachel havia passado de estar jantado em um dos restaurantes mais caros de toda a cidade para tomar a sobremesa em um pequeno quiosque situado no meio da rua, abarrotada de latinos que entravam e saiam de diferentes locais. Aquela era Rachel Berry, a garota que conseguia surpreendê-la mesmo sem querer.

Q: "Não sei... pode me surpreender?" – disse lhe dando um leve sorriso.

- "Perfeito... pelo seu doce sorriso e esses olhos que tem, não falta mais remédio do que provar o sorvete de doce de leite... desde os arredores argentinos até as ruas de Hollywood para terminar em seus lábios!" – exclamou de forma poética.

Rachel sorria até não poder mais. Lhe encantava aquele senhor mais velho, de pele morena e luminoso olhar que dava para todo mundo um sorriso.

- "Chocolate belga para minha querida Rachel?"

R: "Claro." – respondeu.

Após aquele encontro, ambas desfrutaram como meninas pequenas seus cones de sorvete. Quinn se surpreendia ao provar o seu.

Q: "Deus... Rachel... isso é de matar!" – exclamava ao mesmo tempo que saboreava o sorvete.

R: "Manuel nunca falha..."

Q: "De onde conhece ele?"

R: "Há umas semanas tive um encontro com a equipe e terminamos nesse bar que vamos agora... eu não aguentava mais os caras da produtora então vim até esse quiosque do Manuel para tomar sorvete... e me encantei. Desde então sempre que passo perto, eu paro... e compro sorvete."

Q: "Pois ele ganhou mais uma cliente... de verdade, é genial..."

Rachel parou. Em frente a elas, na outra calçada, um local chamado La Floridita.

Q: "O que fazemos aqui?"

R: "Terminar de comer o sorvete..." – sorria tratando de evitar que Quinn intuísse que o seguinte passo seria entrar naquele local para dançar salsa.

Q: "Vai acabar logo..." – disse enquanto seguia imersa no pequeno cone de sorvete. "não penso em deixar nada." – sorria. "me deixa provar o seu?"

Rachel sorriu diante o gesto infantil que a loira mostrava e lhe entregou o sorvete para que provasse.

Não sabia se eram suas pernas ou realmente o chão tremeu. Mas o calafrio que sentiu ao ver como Quinn afundava seus lábios sobre a pequena bola de sorvete a deixou completamente hipnotizada.

Q: "Hum... está muito bom também... mas fico com o de doce de leite." – disse ao mesmo tempo que voltava a saborear seu sorvete.

R: "Me deixa provar o seu?"

Q: "Claro... toma." – entregou o cone.

Mas Rachel não estava afim de tomar diretamente aquele sorvete e sem dar tempo algum para a loira, rodeou com sua mão o pescoço dela e atraiu ela para lhe roubar um sensual e provocador beijo nos lábios.

R: "Hum..." – sussurrou. "tem razão... está delicioso."

Q: "Me pergunto como é o gosto dos dois juntos." – murmurou sem se afastar da morena.

R: "Isso é o melhor... juntar ambos sorvetes é o êxtase total."

Q: "Provamos?"

Rachel voltava a tomar um pouco de seu sorvete ao mesmo tempo que Quinn tomava o seu.

Dessa vez não houve fator surpresa e o beijo não foi roubado, foi dado.

Novamente aquele calafrio, mas dessa vez no corpo da loira que havia esquecido por completo o sabor do sorvete e se dedicava única e exclusivamente em manter o máximo de tempo possível os lábios da morena sobre os seus.

R: "O sorvete vai derreter." – sussurrou.

Q: "Prefiro isso mil vezes..." – voltava a tomar os lábios da morena.

Porém aquele beijo não ia durar muito mais. Um pequeno reboliço se aproximava delas e Rachel descobriu vários fotógrafos que corriam dispostos a tirar fotos.

R: "Oh... oh... vamos... temos que ir!" – exclamou tomando a mão da loira e deixando para trás o pequeno reboliço.

Tiveram tempo apenas de tomar o sorvete quando entraram dentro do local. A música latina invadia tudo e as pessoas dançando na lotada sala, dificultava o caminhar das duas. Rachel parou e sem tempo de reagir, começou a dançar se deixando levar pelo ritmo da música.

Quinn a olhava desconcertada.

Q: "Rachel... o que faz?"

R: "Dançar... pra isso que eu vim, né?"

Q: "Dançar?... achei que estávamos escapando desses paparazzi..."

R: "Não... esses paparazzi seguiam outra pessoa... você e eu viemos dançar aqui."

Q: "Não... eu não danço."

R: "Dança sim." – disse segurando a mão da garota.

Q: "Rachel... não sei dançar isso."

R: "Claro que sabe... veja, só tem que mover o quadril... assim." – indicou colocando ambas mãos de Quinn sobre seu próprio quadril.

O movimento que a morena marcava começou a hipnotizar a loira, que cada vez tomava mais posse do pouco especo que as separava.

R: "Tem que se aproximar... se te virem sozinha, virá algum cara e te tirará para dançar sem que possa negar..." – sorria.

Q: "Não quero dançar com desconhecidos..."

R: "Pois se aproxime de mim." – sussurrou enquanto seguia o ritmo.

Quinn começou a se desinibir e o movimento da morena foi também a invadindo.

Um movimento que cada vez era mais sensual e magnético.

Q: "É a primeira vez que danço salsa?" – perguntou.

R: "Acho que sim..."

Q: "Faço bem?"

R: "Não está nada mal... até poderia receber nota de Jennifer Lopez."

Q: "Quem é Jennifer Lopez?"

R: "Olha aquela tela." – apontou para uma das paredes do local aonde se projetavam um vídeoclip da artista latina em uma grande tela.

Q: "Uau... se move muito bem." – sorriu.

R: "Olhe para sua direita... é melhor ver ela ao vivo."

Quinn se virou rapidamente e descobriu a artista a escassos metros dela, dançando provocativamente com um homem enquanto algumas pessoas olhavam para ela sem descrição alguma.

Quinn parou sua dança e ficou completamente petrificada observando a estrela.

R: "Te disse que valia a pena... não que terminaria babando por ela." – interrompeu Rachel ao ver o gesto da loira.

Q :"Eh... não... não estava babando." – se desculpou.

R: "Estava com a boca aberta."

Q: "Tenho sede..." – disse. "vou pedir algo... você quer?"

Rachel negou mostrando um travesso sorriso enquanto continuava com aqueles bailes que não fazia mais que enlouquecer a loira.

Demorou apenas um par de minutos para voltar para a pista, segurando um pequeno copo e com o gesto mais calmo.

R: "Espero que não leve álcool."

Q: "Nada... quer?"

R: "Não... todo para você."

Quinn sorriu e sem duvidar deu um grande gole naquele copo. Um gole que não eliminou a sede que sentia, mas que provocou outro tipo de sensação mais desagradável.

Rachel notou o gesto contrariado da loira ao beber do copo. A palidez começou a inunda-la por completo e sem dizer uma palavra, se afastou da pista indo direto para a saída.

A morena reagiu um pouco mais tarde e seguiu seus passos, chocando entre os grupos de pessoas que havia no local.

R: "Quinn!" – exclamou ao sair na rua.

A loira havia saído velozmente se encontrava vários metros afastada do local, apoiada sobre uma isolada parede e com a cabeça baixa.

R: "Quinn... o que foi?... o que te passa?" – perguntou assustada ao chegar até a garota.

Q: "Não se aproxime Rachel." – murmurou sem levantar a cabeça e dando as costas para a morena.

R: "Quinn... o que foi?" – ignorou o comentário e se aproximou.

Q: "Rachel não... acabo de vomitar." – disse visivelmente deteriorada. "não quero que me veja assim."

R: "Não seja imbecil Quinn." – a recriminou ao mesmo tempo que segurava o ombro da garota e a ajudava a se reincorporar. "o que foi?"

Q: "Não sei." – respondeu com o gesto completamente contorcido. "bebi um pouco disso e meu estomago ficou estranho."

Rachel tomou o copo e sem duvidar deu um pequeno gole e não notou nada estranho no sabor...

R: "O que tem?" – perguntou desconcertada.

Q: "Não sei... me disseram que são coquetéis sem álcool... acho que me disse algo de coco e nozes... não sei."

R: "Nozes?... que foda Quinn!" – recriminou.

Q: "O que?"

R: "É as nozes... não te cai bem..."

Q: "Não... não acho que seja isso... acho que é a cabeça, está doendo todo o dia."

R: "O que?" – perguntou incomodada. "por que não me disse?"

Q: "Por que não é algo novo... não fique histérica."

Esse foi o último que pode dizer antes de voltar para o carro atrás da morena e voltar para Ohio Ave.

Q: "Não tínhamos que voltar... Rachel, eu estou bem."

R: "Quinn... não dê desculpas... você vai para a cama, agora." – disse no carro.

Q: "Me acompanha?" – perguntou com o gesto apenado.

R: "Não faça essa cara..." – recriminou. "Quinn, não acho que seja hora de acordar a Judy."

Q: "Minha mãe não está... pedi a ela que ficasse no hotel com Cathy, já sabe que não passam por seu melhor momento..."

R: "Está sozinha?"

Q: "Sim... além do mais, minha mãe aceitou ir somente porque eu disse para ela que... você... dormiria aqui." – disse sem olha-la nos olhos.

R: "Não... não posso acreditar..."

Q: "Eu fiz isso para o seu bem." – respondeu tentando dissimular o sorriso.

R: "Tá... para o meu bem... anda, vamos... desça do carro."

A loira concordou feliz de ter conseguido seu propósito e não duvidou em avançar até a casa após pegar Arthur que havia esperado impaciente a decisão de ambas.

Rachel seguia seus passos. Duvidava. Não sabia se o que estava fazendo ia trazer consequências.

Q: "Vou tirar essa estúpida maquiagem..." – disse uma vez dentro de casa.

R: "Está bem... se não se importa... vou pegar emprestado um dos seus pijamas..."

Q: "Claro... escolha o que quiser... estão no armário da direita..."

R: "Tá... eu sei aonde estão." – disse com um leve sorriso.

Quinn entrou no banheiro e Rachel fez o mesmo no quarto, minutos mais tarde o encontro se produziu no meio da sala. Quinn se dispunha a colocar o pijama dessa vez e Rachel pretendia ir ao banheiro tirar a maquiagem.

A loira não pode evitar lançar um olhar sobre a morena e seu pijama. Lhe fez sorrir.

Suas forças iam minguando, a dor de cabeça e o mal estar daquele estúpido coquetel havia derrubado ela e se deixou cair sobre sua cama, tratando de recuperar um pouco sua saúde.

Rachel demorou bastante em aparecer na porta. A cena lhe produziu ternura. Quinn repousava sobre a cama com a cabeça apoiada sobre seus braços com os olhos fechados.

R: "Dói muito?"

Q: "Eh..." – se assustou com a interrupção. "não... não... quando fecho os olhos passa." – disse de forma pausada.

R: "Então feche-os e durma... se necessitar de algo me chame, ok?"

Q: "Como?..." – se reincorporou um pouco. "aonde vai?"

R: "Para o quarto de visitas." – disse.

Q: "Ah..." – desiludiu. Por um momento pensou em obrigá-la a dormir junto dela mas as pontadas em sua cabeça eram cada vez mais fortes e só desejava fechar os olhos. "Está bem..."

R: "Boa noite Quinn." – murmurou.

Q: "Boa noite princesa." – sussurrou com um fio de voz. "por certo... prefiro te ver de pijama que com mil vestidos Dior."

Rachel esboçou um rápido sorriso diante o comentário e a situação em que se encontrava lhe provocava tanta doçura que se deixou levar pelo coração e deixando para trás a racionalidade, avançou até o lado oposto da cama para entrar embaixo do fino lençol que já cobria a loira.

Abraçou a cintura da loira ficando em suas costas, sentindo o calor dela e uma grande necessidade de abraça-la.

Q: "Obrigada." – disse ao sentir o corpo da morena atrás dela.

R: "Durma princesa!" – sussurrou deixando um beijo sobre a cabeça dela e se acomodando no travesseiro.

Abraçando sua garota como havia feito durante dois anos, sentindo o perfume de sua pele tal como recordava, escutando o som de sua respiração ao seu lado, como tanto havia almejado.


OBS. 1: História original escrita por CARMEN MARTIN na fanfic 2 NUEVOS CAMINOS ( s/7412103/1/2_Nuevos_Caminos)