N/a: Pra vocês não ficarem pensando que eu só posto capítulo atrasado!
Não consegui cobrir todos os assuntos que queria nesse capítulo, mas tudo bem. Sempre há o próximo.
Agradecimentos à super beta!

Larissa, sim, eles usaram. ;) Talvez eu mencione isso mais pra frente. Bethy, MIT é a sigla para Massachusetts Institute of Technology , uma universidade de renome. Fico feliz que o que eu escrevo a ajudou a relaxar, sweetie. Fraan Marques, você é perspicaz, é isso mesmo! Não se preocupe pelo atraso, obrigada por ter deixado a review! Mary-gwg, eu acho que o Hank sabe, mas não quer acreditar... hahaha Estou com umas ideiazinhas pra explorar isso, mas vamos ver o que sai. Viviane, eu também amo Hodgela! No momento ainda não sei quando eles vão voltar, mas fique tranquila que eles vão!


Brennan's Song

55. Dê o melhor de si

Eu estava sentada à lanchonete, sozinha. Booth havia combinado de encontrar comigo ali, mas ainda não havia chegado, então me distraí com o bloco de anotações em minhas mãos. Havíamos finalmente entregue o trabalho escrito do Projeto Cientista-mirim, e a apresentação seria em dois dias. Eu tinha certeza que Booth só havia me chamado até ali para que eu me distraísse.

-Olha só quem eu encontrei aqui!

Ergui os olhos assustada, e um homem puxava a cadeira vaga ao meu lado.

-Não fique com medo, só quero conversar.

Eu olhei à minha volta. Havia várias pessoas na lanchonete, ele não se atreveria a fazer algo contra mim na frente delas. Mas ainda assim, só de pensar que eu estava ao lado do mesmo homem que apavorara Booth por tantos anos... do homem que devia ter feito o papel que Hank fazia, mas que, no lugar disso, só machucara meu namorado.

-Meu filho até que tem um bom gosto para mulheres, hã? Disso não posso reclamar.

-O que você quer?

-Eu não entendo como eles acolheram você, uma completa estranha, e sequer atendem meus telefonemas. Quero dizer, família é para apoiar não é?

-Não acho que você entenda algo sobre famílias. Não famílias saudáveis. – disse, entre os dentes.

-A garotinha sabe ladrar... – disse ele, debochado – Escute aqui uma coisa. Eu preciso de dinheiro, estou passando por uma situação difícil. É a obrigação deles me ajudarem. Passe o recado.

-Por que ajudaríamos? – perguntei, erguendo o queixo. – Depois de tudo que você fez a Hank e aos meninos?

-Por que senão a vida de vocês vai virar um inferno, idiota! Eu ainda sou o pai dos garotos, posso muito bem tirá-los do avô.

-Você não se atreveria.

-Passe o recado para frente. Se tiver sorte, não vamos precisar mais conversar.

E se ergueu, saindo da lanchonete. Só então eu notei que minhas mãos tremiam. Aquele homem me apavorava.

Poucos minutos mais tarde, Booth entrava pela mesma porta que seu pai havia saído. E duas pessoas não poderiam ser tão diferentes quanto aqueles dois. Booth abriu um sorriso ao me ver e, assim que depositei os olhos na figura dele, me senti aquecida e feliz.

-Hey. - ele me beijou longamente, antes de colocar os braços sobre os meus ombros.-Bones, você está bem?

Eu nunca conseguiria esconder nada dele, não é?

-Seu pai passou por aqui. - disse, olhando para as ranhuras na madeira da mesa.

-O quê? O meu...? Ele viu você?

-Ele veio falar comigo. Disse que está precisando de dinheiro, que, como família, temos a obrigação de ajudá-lo.

-Eu não acredito nisso! Ele fez alguma coisa para você, Bones?

-Não, ele não se atreveria, não em um lugar cheio. Além do mais, eu sei me defender se for preciso.

-Mas por que ele veio falar com você?

-Não sei. Ele disse que ignoramos as ligações dele.

-O Pops não me disse nada... - ele esfregou os olhos - Bones, me desculpe por isso, você não devia ser envolvida nesse tipo de coisa.

-Eu sou da família, não sou? - disse suavemente.

-É claro que é!

-Toda família tem suas parte boas e ruins, Booth. Você não precisa se desculpar por isso.

-Está bem, vamos esquecer isso. Ele que arranje dinheiro em outro lugar, estou pouco ligando para isso.

-Ele disse que, se não o ajudássemos, ia transformar nossas vidas em um inferno. Que ele ainda poderia tirá-los de Hank.

Booth sorriu.

-Ele não se daria a tanto trabalho, estava blefando. Além do que, eu faço dezoito em duas semanas, lembra?

Eu baixei os olhos. Sim, eu lembrava. E não estava muito feliz com isso. E Booth percebeu esse fato, pois encostou a testa à minha têmpora, beijando levemente minha bochecha, e então mantendo o rosto ali, próximo. Era um daqueles momentos em que não precisávamos falar para nos entender.

~X~

Eu estava nervosa. Não havia dúvidas que eu estava nervosa.

-Você inclui os gráficos daquele livro antigo, que achamos de última hora? - a voz de Hodgins me fez focar a atenção nele, e no que falava.

-Incluí, eles entram logo antes da parte do Zack.

-As fotos da análise de materiais...

-Estão no terceiro e quarto slides do projetor.

-Certo, tudo em ordem. Ei, onde está o Zack?

-O Booth levou ele para pegar um café.

-O... Booth?

Eu concordei, vendo que Hodgins estava impressionado.

-O Zack está realmente nervoso.

Nervoso a ponto de Booth se compadecer dele e levá-lo para dar uma volta.

-Certo, o segundo grupo está saindo. - disse Hodgins, apontando a porta do auditório que havia acabado de se abrir. - Temos quinze minutos pra arrumar tudo.

Nós trocamos um olhar nervoso, mas confiante, e entramos no auditório.

Os quinze minutos passaram como se fossem cinco. Booth voltou com Zack, que organizou os slides no projetor, enquanto Hodgins abria os gráficos em tamanho grande que havíamos impresso. Booth se sentou em um lugar no meio do auditório e, em algum momento enquanto arrumávamos tudo, Angela se juntou a ele. Então cada um dos três professores, todos com mestrado na área da ciência ou tecnologia, tomou seus lugares à frente da sala. As luzes foram apagadas, e todos se aquietaram. Eu seria a primeira a falar.

Aquele seria o primeiro passo para eu alcançar meus objetivos, meu desejo de seguir carreira em pesquisa, em ciência. Esse pensamento fez minhas mãos tremerem, e respirei fundo, tentando me acalmar.

-Boa tarde. Somos o terceiro grupo, e vamos apresentar como tema "As principais causas de morte no Século XIX".

Alguns dos professores folhearam suas anotações, a sala no mais completo silêncio. Peguei a primeira transparência da pilha e coloquei sobre o projetor. Quando ergui os olhos para começar a explicação, as palavras fugiram da minha mente.

Aquela não era a transparência certa. Só havia metade de um texto, que estava riscado, e no restante da imagem, havia desenhos... bichinhos cheios de dentes. Monstros espaciais.

Vi a cara de desespero de Hodgins e Zack mas, em algum lugar dentro de mim, alcancei serenidade suficiente para sorrir e me virar para os professores.

-Me desculpem, peguei a transparência errada. Isso é o resultado de eu ter pedido a ajuda do meu namorado.

Os três professores começaram a rir. Eu já havia tirado aquela transparência e colocado a certa, a próxima da pilha. O clima pareceu melhorar na sala, e eu me senti bem mais à vontade. Antes de realmente começar a falar, eu olhei para Booth, e ele estava com uma expressão fingidamente chocada.

Me virei para a projeção, e de repente todo o conteúdo estava ali, claro para mim, e me pus a explicá-lo.

Zack e Hodgins foram extremamente bem em suas partes também, dominando tudo que falavam. Quando Hodgins mostrou a última imagem, o resumo de nosso trabalho com a conclusão final, ele sorria. E foi com sorrisos que os professores nos cumprimentaram, depois de encerrada a apresentação.

Saímos do Instituto confiantes, mas sabendo que seria uma tortura esperar mais uma semana pela divulgação das notas.

-Todo mundo lá para casa, certo? - disse Booth, quando chegamos ao estacionamento. - Vamos comemorar.

Foi exatamente o que fizemos, nós cinco nos sentando à mesa de metal do deck. Hank e Jared ainda não haviam chegado em casa, e eu e Booth abrimos a despensa atrás de algo para comer. Não havíamos ido ao mercado naquela semana, então tivemos que nos contentar com pipoca e refrigerante.

-Quando o Pops chegar em casa a gente pede pra ele fazer algo decente para comermos. - disse meu namorado, trazendo os copos.

-Isso está ótimo. - respondeu Angela, sorrindo - Bem festivo.

-Ei, vocês dois combinaram o lance dos desenhos? - perguntou Hodgins para nós.

-Eu não sei como aquela transparência foi parar no meio das outras! - disse, me sentando.

-Você manejou muito bem a situação, querida. Quebrou o gelo logo de cara. - disse Angela.

Zack concordou.

-Eu não ia saber o que fazer se fosse comigo.

-E se algum dia vocês disserem que eu não dei nenhuma colaboração nesse trabalho vai ser muito injusto. - disse Booth.

-Devíamos ter colocado o nome dele nos créditos! - disse Hodgins, rindo - Arte gráfica - Seeley Booth.

Todos começaram a rir, e Booth se fingiu de ofendido, dizendo que eles não sabiam apreciar a arte de seu trabalho.

Alguns momentos depois que havíamos parado de rir, ouvimos passos. Jared nos cumprimentou rapidamente, e Hank parou à porta.

-Pelas expressões de vocês, a apresentação foi boa.

-Eles arrasaram, Pops.

-Como não poderia deixar de ser. Parabéns, meninos. - ele se aproximou da mesa, vendo o que comíamos - Vocês dois nem para oferecer um lanche decente, que ótimos anfitriões.

-Não se incomode com isso, estamos bem. - disse Angela.

-Vou fazer uns cachorros-quentes, o que vocês acham?

-Eu não vou me opor! - disse Booth feliz.

Hank estava voltando para a cozinha, quando se lembrou de algo.

-Seeley, fale sobre seu aniversário.

Hank saiu, e Booth lançou um olhar para mim.

-É seu aniversário? Quando? - perguntou Hodgins.

-Em duas semanas. O Pops realmente gostou de vocês, disse que, não importa o que eu faça, tenho que chamá-los. Ele fica repetindo isso, não é Bones?

Eu concordei com um meneio.

-Estávamos pensando em fazer um churrasco no final de semana, vocês estão convidados.

-Por que você está falando isso como se não fosse algo bom? - perguntou Angela meio incerta, a voz baixa.

Eu olhei para Booth. Nós dois sabíamos o que significava ele ter dezoito anos. E até aquele momento não havíamos compartilhado isso com eles.

-O Booth vai se alistar. E como eu e Hank não ficamos exatamente felizes com isso, o aniversário dele virou um assunto sensível aqui em casa.

Vi Booth lançar um olhar firme à mim, como se eu tivesse falado demais. Mas eram meus amigos, e eles iriam acabar descobrindo, de qualquer forma.

Por alguns segundos ninguém soube o que falar, e a mesa se manteve em silêncio.

-O grandão de uniforme vai ficar algo realmente interessante de se ver. - disse Angela, e naquele momento eu fiquei agradecida à ela por quebrar o gelo, mesmo que fosse proferindo que ela achava meu namorado bonito.

-Cara, isso é ótimo. - disse Hodgins, olhando para ele - Admiro a sua determinação, eu quero fugir do alistamento assim que puder.

Booth sorriu, e Hank nos chamou da cozinha, ordenando que fôssemos buscar os pratos para pôr a mesa. Isso nos distraiu do momento mas, quando levantava, senti Angela tocar levemente meu ombro, e me dar um sorriso que eu tinha certeza, era para me confortar.