LII — Coruja.

(...)

— Você tem certeza de que isso é necessário? — perguntou Renée, ainda sonolenta, enquanto Charlie terminava de vestir o uniforme policial. — Acho que você está sendo radical demais. Não foi culpa de nenhum dos dois que Jessica se machucou.

— A culpa pode não ter sido deles que a alienada da Jessica despencou da pista de dança. Mas com certeza foi daquele moleque por levar a sua filha a um ambiente com bebidas alcoólicas. Talvez até mesmo droga. Anfetaminas é o que mais têm nessas festas de jovens sem cérebro!

— A nossa Bella é mais inteligente do que isso, para cair tão fácil, Charlie. Ainda acho que você está sendo precipitado. Proibi-la de se encontrar com o namorado não impedirá que eles se vejam na escola, ou qualquer outro lugar em que você não possa vigiá-la — disse com sabedoria, enquanto rolava na cama para sentar-se.

Charlie não deu importância ao alerta da esposa, terminando de se vestir e marchando para fora do quarto. Ao ficar sozinha, Renée rolou os olhos. Cobriu-se com um sobretudo de seda enquanto seguia até o quarto da filha, para acordá-la. Bateu na porta duas vezes e ao não receber resposta, ela girou a maçaneta e adentrou no aposento de Isabella.

Bella estava completamente embrulhada em um lençol com desenho de uma sereia, Ariel; e seu peito subia e descia conforme a respiração ritmada. Renée caminhou a passos largos até o leito da menina, afundando o cochão ao se sentar na beirada. Afastou alguns fios de cabelos que estavam colados na testa. Pegou uma grande quantidade de mechas e apartou do rosto da menina, quando percebeu algo diferente no pescoço da garota. Eram marcas vermelhas no colo, garganta que desciam e se perdiam no vale dos seios. Afastou o lençol e, como ela vestia uma camiseta decotada, pôde ver que as marcas continuavam sobre os seios.

Tapou a boca com as mãos ao perceber o que aquilo significava. Controlando-se ela tocou os ombros de Isabella para acordá-la. Bella se remexeu na cama e murmurou algo incompreensível.

— Você precisa acordar — disse, sem impor à sua voz a sua indignação. — Vamos, Bella. Acorde! — sacudiu os ombros da menina que, assustada, trepidou as pálpebras para descerrá-las em seguida. Piscou algumas vezes até se acostumar com a claridade que adentrava em seu quarto e focalizou a figura de sua mãe, ainda cobrindo a boca com a mão e fitava-a de modo insondável.

— Mãe? — perguntou com a voz rouca de sono.

— Eu acho bom você ter uma ótima desculpa para explicar essas marcas vermelhas em seu pescoço e seios, Isabella! — Renée praticamente gritou. Por sorte Charlie já estava bem longe, seguindo rumo à casa de Carlisle Cullen, que não pôde ouvir a exclamação furiosa da esposa.

Demorou alguns instantes até que Isabella compreendesse sobre o que a sua mãe falava, e quando a realização do fato inundou a sua mente, ela se cobriu com o lençol até o pescoço tentando ocultar da mãe as marcas em sua pele — mas Renée já havia visto tudo. E certamente estava pensando coisas sobre o seu significado e como elas foram parar ali. Já fazia dois dias e as manchas estavam sumindo. No dia anterior estava mais perceptível, mas conseguiu ocultar de todos as marcas — menos de Alice e seus olhos de águia que perceberam a maquiagem em sua pele.

— Mãe... — começou Bella com uma voz fraca, enquanto sua face era manchada por grossas lágrimas de medo e vergonha.

— Espero que você tenha uma ótima explicação sobre o que significa isso em sua pele. E não me venha com a desculpa de que um bicho te mordeu, porque eu não nasci ontem! — o tom de voz sempre de calmo de Renée estava sendo substituído por uma "raiva" desconhecida. Era contra o modo antiquado de Charlie em algumas situações, mas ela ainda não era "moderna" o suficiente para ter consciência de que a sua filha de apenas dezesseis anos não era mais virgem.


Obrigada por todos os comentários, meninas! Vocês alegram o meu dia com tanto carinho *aperta* Antes que surjam dúvidas, Bella NÃO perdeu a virgindade (ainda) embora tenha essa conclusão precipitada de Renée. É justamente isso. Até breve! Beijos.