Capítulo 56 – A escada cujo número de degraus muda – Hana Murasame
"Segundo Mistério da W Gakuen – A escada cujo número de degraus muda"
"Todas as escadas da W Gakuen foram construídas para ter doze degraus por lance. Não há nenhuma escada em todo o colégio que fuja dessa regra...
Exceto uma que insiste em mudar seu número de graus.
Vá até o segundo andar e procure a escadaria norte. Suba os dois lances e conte os degraus: doze, doze.
Agora desça, e conte mais uma vez: doze, treze.
Ninguém sabe o porquê, mas cuidado: nem sempre o décimo terceiro degrau aparece. Sempre haverá histórias de gente tropeçando na escadaria norte. Ou porque não contaram com o décimo terceiro grau e lá ele estava, ou porque contaram e ele não estava mais lá..."
- Mas essa escola não tem terceiro andar, que raios de mistério sem solução é esse?
Dessa vez, a Elisa-san me fez sair do quarto com ela. Já faz uma semana e meia que estamos dormindo no mesmo quarto, mas é a primeira vez que isso acontece: Liechtenstein-san, Elisa-san e eu, juntas no saguão.
Nós três havíamos acabado de chegar e, após enfrentar uma grande fila, conseguimos nossos exemplares do jornal.
- Thompson-san - disse Liechtenstein-san, – como você chama este andar em que estamos?
- Térreo, oras!
- Ah, compreendi. Thompson-san, a maioria de nós chama este andar de "primeiro andar".
- Ah! Então a escada que esse mistério fala é a escadaria entre o primeiro e o segundo andar? Por que não usam o inglês britânico de uma vez?!
Elisa-san estava revoltada.
- A propósito – Elisa-san continuou, – não foi dessa escada que a companheira de quarto da Malory caiu e torceu o pé? – nem eu nem Liechtenstein-san compreendemos, então Elisa-san explicou. – Sabe, aquela dos boatos que estão correndo por aí.
- Ah! Acho que pode ter sido essa escada sim.
- Bom, desde que eu me encontrei com a Malory no domingo, eu já dei umas cinco topadas com meus dois dedos mindinhos do pé, já queimei meu almoço duas vezes e já tive que aturar o Inglaterra por mais tempo do que eu gostaria. Não estou afim de visitar essa escadaria!
Pedi licença às garotas e dirigi-me à minha primeira aula do dia, História, na minha sala que ficava no terceiro andar. Para evitar tumulto, subi pela escadaria sul. O problema é que a minha sala era a que ficava mais próxima da escadaria norte, então eu não consegui escapar tanto quanto eu queria.
- Doze! – uma garota exclamou ao subir o último degrau. – Agora, vamos descer!
Ao contrário do que eu pensei, não havia tantas pessoas na escadaria. Talvez a maior parte dos alunos tenha medo de coisas assim. Havia ali apenas duas garotas que eu não conhecia.
- Treze! – a garota berrou para a amiga, da base da escada.
- Sério?
A segunda garota desceu correndo as escadas.
- Doze!
- Quê? Por que você só contou doze, e eu treze?
As garotas subiram e contaram de novo. O resultado foi o mesmo.
- Espera... Vamos trocar de lado?
As garotas fizeram isso: a que subia pela esquerda passou para a direita e vice-versa. Eu nem sei bem por que estou aqui as observando fazer isso...
- Realmente, desse lado a escada tem treze degraus!
- E desse lado só tem doze!
- Que medo! – elas berraram juntas, antes de saírem correndo.
Admito que, depois disso, fiquei curiosa. Desci as escadas devagar, contando os degraus, tentando lembrar qual dos dois lados era o que tinha o degrau a mais.
- Ai, meu pé...
A voz que disse isso não era minha. Nem podia ser; meu pé não estava doendo. Eu já havia descido um dos lances da escada, e estava me preparando para descer o outro, quando olhei em volta para ver quem estava falando. Era o Canadá, na base da escada. Desci as escadas rapidamente. Só contei até doze.
- Ah, olá, Murasame-san – ele me cumprimentou.
Eu acenei para ele.
- Você sabe por que todo mundo está vindo para cá?
Eu entreguei para ele minha edição do jornal.
- Ah, essa escada... Tem um mistério? Eu nunca tinha percebido antes... – Ele me devolveu meu jornal. – Eu vou pegar um para mim depois, quando não tiver mais ninguém lá.
- ... Seu pé?
- Ah, você me ouviu? – o Canadá ficou vermelho. – Várias pessoas pisaram nele enquanto eu estive aqui... Não é muito legal...
Eu inclinei a cabeça, esperando mais explicações.
- Eu gosto desse lugar... – ele sorriu. – A janela na plataforma entre os lances de escadas tem uma vista muito bonita...!
Pegando o Kumajirou-san (que esteve ali o tempo todo, atrás dele) com o braço direito, o Canadá avançou para a janela me puxando pelo meu punho direito com sua mão esquerda. Mesmo passando várias vezes por aquela escada, eu nunca tinha olhado pela janela tão atentamente.
- Olha! É a cidade inteira! – ele me mostrou com um sorriso.
- Quem é? – perguntou o pequeno Kumajirou-san.
- Hana Murasame... – eu respondi.
- Não, Murasame-san... O Kumabukurou-san está perguntando quem eu sou. Poxa, Kumasuke-san... Sou eu, seu dono, o Canadá...
Não pude deixar de sorrir ao ver aquela cena. O Canadá ficou vermelho outra vez e tentou desconversar.
- Eu venho aqui ao menos uma vez por dia – ele disse. – Para apreciar a vista... Mas... Sempre que tem alguém descendo as escadas, eu me encolho no canto antes de subir, para ninguém esbarrar em mim... Mais ninguém para nessa janela, então eu estou seguro uma vez que consigo subir o primeiro lance de escadas...
- As pessoas... Sempre pisam no seu pé? Aqui?
- Sim! – ele respondeu, frustrado, mas de uma maneira muito fofa. – Não importa o quanto eu me esconda, elas sempre pisam no meu pé... A maioria até tropeça e se machuca... E ainda assim, nenhum deles me vê...
Eu não sabia o que dizer a ele, então coloquei minha mão sobre seu ombro em um gesto de empatia e afeição.
- Algumas pessoas me veem, sabe... O América-nii-san, o França-san, a Thompson-san, você, Murasame-san... Mas eu nunca tenho a sorte de encontrar nenhum de vocês nessa escadaria... Tenho certeza de que nenhum de vocês pisaria no meu pé...
Então, não havia escada misteriosa com degraus mutantes. Era apenas o pobre Canadá, cujo pé servia de décimo terceiro degrau para desavisados... Pobre Canadá.
E o terceiro mistério é... "O ladrão de comidas"! Esse eu demorei para entender qual era a verdade por trás...
