45 O Guardião
Os estudantes estiveram incrivelmente distraídos e preguiçosos durante os dois primeiros dias de aula. Até mesmo durante o trabalho prático que exige maior atenção do que o habitual. Quando se tratava só de teoria, dormiam o quanto podiam, isto é, se eles não estivessem em classes com Snape ou McGonagall.
Pirraça foi novamente o anfitrião dos alunos, assediando-os, e Filch finalmente foi capaz de punir algumas das pessoas mais infelizes por crimes como "vagar pelos corredores" ou "rir muito alto", e dar rédeas à sua frustração crônica. Nick Quase Sem Cabeça se gabou a todos os alunos que encontrava, contando que o clube dos fantasmas sem cabeça se recusou novamente a aceitá-lo em suas fileiras, e por isso ele fundou seu próprio clube, os fantasmas quase sem cabeça, durante as férias, e convidou-os a, caso desejassem, se juntar a ele em um futuro próximo, isto é, daqui há alguns séculos, caso não tenham suas cabeças inteiramente cortadas, podia até mesmo oferecer ajuda profissional e aconselhamento, sobre "como cortar sua cabeça, de modo a não perdê-la" ou "como não perder a cabeça em apenas cinco cortes." Até agora, apenas Neville Longbottom se inscreveu no clube, pois acreditava que, com sua má sorte, tinha de estar preparado para tal evento.
A única pessoa que se esforçava tremendamente na sala de aula, era, naturalmente, Hermione e já nos primeiros dois dias, rendeu para Grifinória quase 30 pontos. Infelizmente, o resto dos grifinórias tinha perdido exatamente o mesmo, de modo que, em última análise, seu esforço resultou em nada.
Quando metade da escola, especialmente as gerações mais jovens, correu para o pátio na noite da segunda-feira vendo a neve branca e espumante em todos os lugares, começaram a inaugurar a luta de bola de neve do novo semestre, Harry foi até o portão para as masmorras. A batalha das bolas de neve era algumas das coisas que mais amava em Hogwarts, mas não tanto como o gosto e cheiro do pênis de Snape. Snape manteve a sua promessa, e quando Harry mal tinha entrado na sua sala, suas palavras foram sufocadas ao ser forçado a ficar de joelhos, e passou o resto da noite vendo tudo diante de seus olhos borrado por conta da velocidade com que Severus esteve martelando em sua boca e os espermatozoides que se espalharam em seus óculos. Felizmente, Snape não lhe tirou pontos por isso ...
Depois de ter retornado para a torre da Grifinória, e foi saudado com o olhar simpático de seus amigos, falando: "Nós estivemos nos divertindo tanto, e você não, oh, que pena, Harry ...", teve que abster-se de rir, e dizer-lhes que era exatamente o oposto. Não, nem mesmo a luta de bola de neve mais fantástica poderia se comparar com o que ele provou.
Naquela noite, durante algum tempo não conseguiu dormir, considerando cuidadosamente cada detalhe de sua detenção e depois de um tempo tirou de debaixo do travesseiro o Mapa do Maroto para ver o que Severus estava fazendo naquele momento. Não o viu, nem no escritório ou em sua sala ou no quarto. Ele não estava no banheiro. Ele suspeitava que provavelmente estava em seu laboratório, e fabricava uma mistura complexa. Ele estava prestes a fechar o mapa quando ele percebeu um movimento no canto da folha do mapa. Depois de dar apenas um olhar, seu coração se afundou.
Por um corredor que leva à saída das masmorras do castelo seguiam Severus e... Nott.
Mais uma vez!
Harry sentiu a ansiedade agigantar-se e o monstro, amarelo e venenoso do ciúme crescer nele novamente. Não, não devia dizer nada.
Fácil, devia apenas ficar em silêncio. Severus disse que dá aulas para Nott.
Mas, inferno, no meio da noite e fora do castelo? Os dois claramente estão movendo-se para a borda do mapa, para a parte da Floresta de Hogwarts, para a qual a mapa não tinha acesso.
Ou ... será que estão indo a uma reunião de Comensais da Morte?Não se surpreenderia se o pai de Nott puxou o filho para servir Voldemort.
Não! Confia em Snape! Certamente é só isso. Tem certeza de que tudo está em ordem. Deve estar! E se acontecer que seja isso, então ... ele tem que fazer algo sobre isso! Sim, só assim!
Nott vai lamentar do dia em que nasceu!
A quarta-feira passou um pouco mais rápido. Tonks presenteou-lhe alguns demônios cheios de tentáculos para que eles praticassem feitiços defensivos, o que acabou por ser um desafio e foram todos almoçar cansados, suados e quebrados. A aula de Feitiços também provou ser exaustiva, quando o Professor Flitwick disse-lhes para lançar o feitiço Incêndio Ártico, acabou no fato de Neville ateando fogo em uma peça de roupa, nas sobrancelhas de Seamus e Lilá Brown, Hermione quase teve o cabelo queimado.
Depois de todas as lições, que foram muito cansativas, rumaram para sua torre. Harry sonhava em atirar-se sobre a sua cama, mas ainda tinha uma detenção com Snape esperando por ele hoje. Não que ele não queria ir, porque não podia desejar nada mais do que isso, mas se sentia muito cansado. No entanto, quando a maioria dos alunos passavam através do buraco do retrato, e Harry, Ron e Hermione entraram na sala comunal, surpreendeu-se com uma pequena multidão em torno da lareira.
- ... não fique assim, você sabe que Snape é um idiota. Não se preocupe. Com certeza tudo vai acabar bem.
- Exatamente. Ele sempre tem um temperamento ruim. Você não deve se preocupar com o morcego velho!
Harry, Ron e Hermione se entreolharam e se aproximaram para ver o que estava acontecendo.
Metade do quinto ano da Grifinória estava em torno de Colin Creevey sentado, que abaixou a cabeça e parecia muito abatido. Gina se sentou ao lado dele, aparentemente tentando confortá-lo.
- O que aconteceu? - Ron perguntou, olhando para sua irmã. Colin levantou a cabeça por um momento, e Harry viu que ele tinha os olhos injetados de sangue.
- O filho da puta do Snape jogou Colin da aula e disse que ele nunca mais deveria aparecer sob as vistas dele - disse Gina com raiva na voz.
Harry arregalou os olhos.
- O quê? Por quê? - Ele perguntou, visivelmente abalado. Snape sempre ameaçava, que iria jogá-los fora da aula, mas a ameaça nunca se concretizava, e isso sempre acontecia depois de alguns incidentes.
- Eu ... - Colin murmurou, fungando - ... estava preparando a Poção de sono sem sonhos, e coloquei o ingredientes errado .. tudo explodiu e... - Sua voz falhou e ele não pôde falar mais.
- E a metade dos alunos do nosso ano acabou no hospital com queimaduras - Gina acrescentou silenciosamente, e viu que os lábios de Colin começaram a tremer de novo, e corrigiu rapidamente. - Ninguém está dizendo que foi sua culpa, Colin! Todo mundo tem o direito de estar errado! Afinal, esses acidentes acontecem com muita frequência. E Snape é um professor e deve compreender, não quer dizer que você é " o maior imbecil, que já se viu na escola assim Longbottom" - Gina disse, imitando o tom do professor.
- Esse idiota é um porco desprezível ! Essa poção tinha que ter explodido na cara dele! Talvez ele seria menos desagradável - Ron agarrou. - Não se preocupe, Colin, Snape diz as mesmas coisas para as outras classes.
Colin e fungou.
- Se ele só disse ...
- Snape, em geral, se comportou ainda pior hoje do que o habitual - Gina murmurou. - Rasgou em nós toda a lição de casa, e nos tirou cerca de 40 pontos. Por nada. E depois, quando Colin explodiu sua poção... - A garota olhou para o amigo com compaixão.
- Ele disse que se eu sou tão cego que não posso distinguir o vermelho do pó da pele de Tritão do pó amarelo do ovo desidratado de Mantícoras, que deveria prestar atenção e mandar fazer óculos ...
O queixo de Harry caiu.
- ... E não quer me ver de novo em suas aulas, e se eu quiser, eu posso explodir a mim mesmo, pois isso traria alívio para toda a escola - Colin terminou e suspirou desanimado.
- McGonagall certamente vai intervir - disse Hermione. - Snape não pode jogá-lo fora assim, não pode excluir um estudante de sua classe, sem dar chances.
Ron olhou para Harry de pé e deu um tapinha no ombro dele.
- E você vai ter em breve uma detenção com o canalha. Fique tranquilo, Harry, vamos apoiá-lo em pensamento. Esperamos que saia dessa vivo.
Harry balançou a cabeça, muito chocado com todas estas revelações, para responder. Se Snape estava agora com um humor tão desagradável, agora realmente começou a temer a detenção. Mas ele sabia que às vezes ele pode ser imprevisível.
Aparentemente, esta noite prometia não ser tão agradável, pensou ...
Após o jantar, no qual Severus não apareceu, Harry saiu do Grande Salão, acompanhado por olhares compassivos de Ron, Hermione e alguns grifinórias mais jovens, e foi direto para as masmorras.
Bem, seria melhor encarar logo isso. Pode não ser tão ruim. Severus poderia agarra-lo pelo braço e jogá-lo porta a fora, não querendo sua presença hoje.
Quando ele parou na porta de seu escritório, ele sentiu seu coração batendo alto. Não é que tivesse medo de Severus. A ideia era que ele temia às vezes seus... humores. E basicamente o que ele podia fazer.
Ele respirou fundo várias vezes, tentando dispersar a massa densa de medo que desembarcou no seu estômago, e tocou a porta. Ele entrou no escritório e, novamente, ele parou, se perguntando se não seria melhor parar um pouco até que tivesse mais coragem. Mas, podia ser que a coragem fosse embora de vez.
O terceiro ano Grifinória, que também teve aulas com ele hoje, confirmou que Snape se comportou de modo muito terrível, mais do que o de costume. E agora Harry estava na porta de seus aposentos e ele sentiu como se tivesse acabado de chegar na cova do leão. Ou melhor, da serpente.
Não, estava indo ver Severus. Ele não fará mal a ele, mesmo que ele esteja realmente de mau humor hoje. Certo? Certo?
Ele fechou os olhos, respirou algumas vezes para adicionar mais coragem, e entrou.
Ok, deu dois passos e ninguém atirou nada nele, ainda não foi atingido por nenhum feitiço e não foi jogado ao chão. Está tudo bem.
Ele parecia perdido no crepúsculo da sala e viu Severus de pé e de costas para ele fazendo algo perto do bar.
- B-om-boa noite, S-Severus – rompeu o silêncio e fechou a porta atrás dele.
O homem não olhou para trás, apenas respondeu:
- Sente-se. O que você tem?
- Eu ... - Ele começou hesitante, sem saber o que dizer. - Quero dizer ... Se você não estiver se sentindo bem hoje, e não me quiser aqui. Podemos transferir essa detenção para amanhã.
Snape virou para ele medindo-o com olhos desconfiados.
- E você pode me dizer por que deveria fazer isso?
O homem segurava um copo vazio na mão. Não parecia que ia jogá-lo em Harry. Olhou como alguém que iria preenchê-lo e dar-lhe. Quer dizer ... parecia normal.
- Uh ... não, é que eu estava pensando ... Se você não tiver de bom humor. Eu posso ir e voltar amanhã. Não há nenhum problema.
Severus estreitou os olhos.
- O que é isso, Potter?
- Nada, absolutamente nada ... é só que se você tiver ... ocupado, eu volto depois - Harry respondeu rapidamente e caiu em uma cadeira, virando a cabeça em direção à lareira. - E eu ... ee ... Gostaria de água.
- Água? - Ele ouviu a voz assustada do homem.
- Sim, porque de alguma forma eu não quero álcool, porque ele ... ee ... - "Faz com que eu fique bêbado demais para me defender" - ... porque eu tenho dever de casa hoje.
Felizmente, Snape não comentou. Depois de um momento, o homem colocou um copo com líquido claro sobre a mesa na frente de Harry. O menino pegou o copo e bebeu metade de um só gole. Ele o colocou sobre o balcão e lambeu os lábios.
- Eu ... ele posso ... - gaguejou, sentindo os olhos do homem, mas ainda sem virar a cabeça dirigida para a lareira.
- Potter ... Eu nunca pensei que diria isso, mas parece ainda mais estranho do que o habitual.
Harry piscou e olhou para Severus. Este olhou para ele com calma, mas com surpresa. Ele não olhou como se ele fosse rasgá-lo. Ele estava carregando o seu copo de uísque inseparável.
- Desculpe, eu tive um dia um pouco difícil hoje - disse Harry com cautela.
- E as aulas já estão deixando você nesse estado de miséria?- Perguntou o homem, o menino viu um sorriso torto nos cantos de seus lábios.
Snape brincou com ele. Pode alguém que está zangado com o mundo, fazer tais coisas?
Harry olhou para ele, muito surpreso ao descobrir que o humor de Snape não estava desagradável. Muito pelo contrário. Estava muito equilibrado.
- Você ficaria cansado, se você tivesse que lutar contra Tentáculos - respondeu calmamente, esperando por uma resposta.
Snape mergulhou sua boca no conteúdo do copo e olhou para as mãos arranhadas de Harry.
- A melhor maneira de lidar com Tentaculos é lançar Immobilus. Da próxima vez apenas lance esse feitiço sobre eles.
Agora, quando esse homem falava, parecia tão óbvio.
- Eu não acho - murmurou Harry, determinado a lembrar deste conselho.
Snape apertou os lábios com força, como se ele se abstivesse de comentar.
Harry estava cada vez mais espantado. Snape estava claramente sendo bom com ele. Isso mudou completamente o caráter das coisas. Ele caiu mais fundo em sua cadeira, se soltando. Você não vai se arriscar muito se você simplesmente ... perguntar.
- E como você passou o dia de hoje?
Mas ele achou que sua voz o traiu muito, porque Severus passou por ele um grande olho e disse:
- Ah, então é isso.
Harry corou ligeiramente.
- Bem, Potter ... como você provavelmente já ouviu falar, algum idiota causou uma grande cofusão para mim, e o resto de cabeças ocas não estão muito longe de seguir seus passos. Não há nenhuma lei proibindo-me de tratar essas pessoas como elas merecem.
- Mas ... mas supostamente expulsou Colin, é claro - Harry disse calmamente, olhando diretamente para os negros olhos. - Por quê?
- O nível de estupidez excedeu o padrão aceitável e por isso ele teve que deixar a minha turma - naturalidade respondeu Snape, e depois bebeu.
Ele franziu a testa.
- A...Quer dizer ... que algo aconteceu? Porque você esteve hoje furioso ao longo do dia. Para com tudo e todos. Eu pensei que talvez alguma coisa ...
- A intensidade da imbecilidade nesta escola, por vezes, é o suficiente para tirar-me fora de equilíbrio - o homem interrompeu-o. - Mas não vejo nenhuma razão pela qual você tenha que se preocupar. Afinal, não tem nada a ver com você.
Algo começou lentamente a se aclarar na cabeça de Harry.
- E ... Agora você não está com raiva? De nada?
Snape deu-lhe um olhar perplexo.
- E por que eu estaria?
- Eu só ...
- Não me diga que eles estiveram com medo de você se aproximar de mim por medo de que eu morda você, hein?
Harry sorriu fracamente, sentindo que ele estava sendo realmente estúpido.
- Bem, eu ouvi que você esteve com um humor ruim, pensei que para mim também ... quer dizer.
As sobrancelhas de Snape se levantaram.
- Com você?
- Não faria isso.
- E?
Harry sentiu na questão várias emoções diferentes, mas ele não poderia definir nada. Ele só sabia que ele se sentia como o último idiota. Mas desde que chegou ali, Severus não lhe deu nenhum motivo para considerar que ele estava de mau humor. Se comportou de maneira completamente normal em relação a ele o tempo todo e, poderia até dizer que, de forma gentil, e Harry ficou apenas esperando por um golpe, como se ele não tivesse confiança nele.
- Desculpe, fui estúpido. Eu não sei porque eu pensei isso- disse ele calmamente, com humildade em sua voz.
Severus olhou para ele pensativamente por um momento.
- Potter ... - Começou devagar, como se quisesse fazer Harry compreender cada palavra - ... você tem que entender que o que está acontecendo lá, do lado de fora ... não tem efeito sobre o que acontece aqui. Se eu tive um dia péssimo e tratei rigidamente metade da escola, isso não significa que ... Eu também farei isso com você. Bem, a menos é claro que você me dê uma razão - disse o homem, e desta vez os lábios realmente moveram-se em um sorriso torto.
Harry sorriu. Isso foi o suficiente para ele ter o clima perfeito para o resto da noite.
Falaram sobre muitas outras coisas, Snape deu a Harry alguns livros que ele irá precisar quando tiver que escrever um ensaio de poções na sexta-feira, e até mesmo apontou passagens importantes.
De fato, durante toda a detenção ocorreu apenas um incidente tenso. Quando Severus foi ao seu escritório e voltou, trazendo uma braçada de um pergaminho que jogou no colo de Harry, rosnando:
- Você pode explicar isso para mim, Potter?
Harry olhou para a letra escrita no papel. Parecia anotações de algum aluno. Mas não era a única. Por toda parte dos pergaminhos, escritos em formas diferentes, dentro ou fora de corações, duas palavras destacavam-se: Anastácia e Potter.
Harry fez um grande olho.
- O que é isso?
- Exatamente a mesma coisa que eu pergunto. Notei isso ao verificar o caderno de anotações dessa garota - Snape disse num tom desagradável, empurrando um olhar desconfiado para Harry.
- Mas eu não tenho nada com ela. Esta menina é louca!
- Você tinha que se livrar dela- o homem sibilou.
- Não posso fazer nada, eu a evito! Não posso impedir que escreva tais absurdos.-Harry murmurou, meio irritado, e meio que se divertindo com a situação. - Mas eu sei o que seria suficiente para convencê-la a me deixar em paz.
Severus levantou uma sobrancelha.
- Você pode dizer a ela que você é a minha cara metade e que eu pertenço somente a você. E se não parar de me perseguir, irá transformá-la em lodo fedorento. Tenho certeza que depois de tal aviso não chegará perto de mim, nem mesmo a cem metros - disse Harry, tentando manter uma cara séria, mas infelizmente ele não conseguiu isso, e sua boca esticou-se em um sorriso. - O que você acha, Severus?
Severus, no entanto, aparentemente não foi capaz de responder, porque os lábios estavam tão bem cerrados, como se, com dificuldade, segurasse o riso.
- Bem - Harry suspirou -, então cuidarei disso falando com seu irmão. Ele pode falar com ela e tratar de cuidar da sua sanidade mental. Pode ser?
O homem acenou com a cabeça. Aparentemente, ele conseguiu engolir a risada no final.
- No entanto, a primeira opção é a que mais eu gosto - Harry sorriu.
- Eu queria saber se ... eu poderia vir ver você no sábado? - Harry perguntou, no final da detenção, quando Snape estava arrumando seus papeis sobre a mesa.
O homem deu-lhe um olhar inescrutável.
- Mas no sábado é a viagem a Hogsmeade. Pareceu-me que a volta dos seus amigos amados fosse fazer você querer passar com eles cada momento possível...
Harry franziu a testa e olhou para o padrão do carpete.
- Eu não quero ir com eles para Hogsmeade. Mas eu suspeito que teria um grande momento em sua companhia - disse ele, incapaz de esconder a amargura em sua voz. - Provavelmente, em geral, não vão nem perceber que eu não estive lá.
Severus virou o rosto em sua direção. Entre as sobrancelhas escuras apareceram rugas profundas, os olhos do homem pareciam escaneá-lo como um raio-X, e Harry teve a impressão de que tudo o que sentia era claro como o dia.
- Então... Posso vir? - Ele repetiu, olhando Severus com a inscrição no rosto: "Basta dizer sim e não falar mais sobre isso."
Mas, aparentemente, o homem decidiu ignorar o seu pedido mudo e não permitiu que o pedido se encerrasse assim.
- Será que o Sr. Weasley e Granger estão olhando só um para o outro e resolveram excluir você de entre os seus membros?
- Não - Harry rapidamente negou. - Quero dizer ... Eu sei que eles têm o direito de estar juntos e tudo, mas mesmo assim para não incomodá-los. É ... diferente. – Sentindo o olhar divertido de Severus, acrescentou rapidamente: - Bem, eu sei que sou ciumento, mas ... eles sempre têm sido meus amigos e agora, quanto eu olho, como se abraçam ou acariciam juntos, isso parece tão estranho ... como se não fossem eles, como se alguém os tivesse trocado.
Severus observou-o por um momento com as mãos postas, e disse casualmente.
- Potter, e além disso, como você pode coloca "melhor", a mudança do comportamento deles?
Harry balançou a cabeça.
- Além do fato de que estão mais próximos um do outro, tentando dar-me a entender que preferem ficar sozinhos, ou dar-me quaisquer sinais de que eles querem que eu deixe-os sozinhos e vá embora?
Harry pensou sobre isso e, novamente, balançou a cabeça.
- Durante todos esses anos sempre se afastavam para cuidar de si mesmos?
Bem, Ron as vezes escandalizava-se com ele sem nenhum motivo, e Hermione era muito básica, mas no fim estavam sempre juntos ... iam aonde ele fosse, mesmo arriscando suas próprias vidas.
Ele balançou a cabeça.
- Então, você ainda acha que se você não ir com eles para Hogsmeade, eles vão se "divertir" e não se preocupar com a razão pela qual você não quis ir com eles e nem vão querer saber o que há se errado com você?
Harry pensou por um momento. Agora, quando ele olhava por esse ângulo, ele podia realmente ...
- E você não acha que, se finalmente encontraram algo que poderiam chamar de "felicidade" e senti-lo só os dois, seria egoísmo se afastar só porque você não se sente confortável com isso? Embora, como você disse, eles o tratem exatamente da mesma forma de antes e absolutamente nada mudou em relação aos seus "sentimentos" em relação eles, mudou? Por que, então teria que mudar sua abordagem para com eles?
Harry teve a impressão de que algo muito pesado caia em seu estômago e isso doía. O remorso escorreu para o coração e os pulmões de Harry. Ele mordeu o lábio, sentindo nojo de si mesmo.
Como ele podia ser tão egoísta? Como ele poderia pensar que eles ...?
- Você está certo - ele murmurou. Suspirou profundamente e olhou para o homem que estava olhando atentamente para ele. A gratidão, que corria em suas veias, era grande demais para ignorar. Deu alguns passos e encostou seu rosto no frio peito masculino, tocando o tecido áspero do casaco, sentindo seus braços em volta dele.
- Obrigado - ele sussurrou. - E você sabe o quê mais?
- Hmm? - Ele ouviu sobre ele.
- É tudo culpa sua que eu não venha vê-lo no sábado.
- Oh, de alguma forma eu sobreviverei, Potter. Estarei vivo no domingo.
Quando Harry chegou às dez da noite na sala comunal, a maioria dos estudantes estavam sentados perto das mesas, tentando dar conta de um monte de lição de casa. Parecia que os professores estavam tentando recuperar o atraso em atormentar seus alunos, que surgiu por causa dos feriados. Harry viu Ron e Hermione, e não perto do fogo, como de costume, mas em uma das mesas perto da janela. Ocupavam-se com livros, assim como muitos, não notaram a sua entrada. Adiantou-se e limpou a garganta e, em seguida, pulou para trás deles tão de repente, como se o que eles estavam fazendo fosse algo proibido.
Harry sentiu um arrepio longo de remorso na garganta. Mas antes que conseguisse perguntar a ele sobre qualquer coisa, adiantou-se:
- Eu ... Eu queria te dizer que eu estou muito contente por estar perto de vocês... todo esse tempo. Quero dizer ... - Tanto Ron e Hermione olhou para ele com os olhos arregalados. Harry suspirou. – Vocês são meus amigos e eu quero ... Quero que entre nós fique tudo bem, e se vocês estão felizes, então .. Eu aceito isso. Eu realmente fico feliz.
Quando ele terminou, ele não pôde nem respirar quando Hermione pulou da cadeira e se atirou em seu pescoço com um grito baixo:
- Oh, Harry!
Sentiu-se estúpido. Ele olhou rapidamente para Ron, mas o amigo apenas sorriu amplamente.
Bem ... Realmente não achava que suas palavras de aceitação fosse tão importantes, fazendo com que a confissão fosse recebida com tanta alegria.
- Às vezes, você age como um completo idiota - Ron murmurou, quando Hermione finalmente liberou Harry do abraço.
- Não, provavelmente eu seja assim - Harry respondeu, sorrindo.
- Você quer adiantar lições com a gente? - Hermione perguntou. - Nós trouxemos as suas anotações e Ron ainda tentou começar a escrever o seu ensaio sobre a História da Magia, mas com o tempo, parou.
- Obrigado. E eu desviei caminho para a biblioteca e peguei emprestado alguns livros que poderia usar na aula de Poções.
Hermione exclamou.
- Fantástico, Harry! Espetacular! Talvez eu não tenha lido ainda.
Ron sentado atrás dela olhou para Harry, revirou os olhos e riu. Ele sentiu como se um enorme peso saísse de seu coração, e finalmente, podia ser capaz de respirar. Tudo agora era tão bom como antes.
Harry ainda tinha que falar com Gina e perguntar a ela se poderia levá-lo a Greg, porque tinha um assunto importante para falar com ele. Ele encontrou-se com ele a sós, após o jantar na quinta-feira e explicou exatamente qual era o problema. Ele não queria falar com ele com a irmã de Ron por perto, porque ele suspeitava que ela iria tentar defender Anastácia e explicar que não era culpa dela o fato de estar apaixonada, e que Harry estava exagerando. Mas a menina não entendia algumas coisas. Gregory prometeu tentar explicar para a irmã que ela não deveria se comportar assim e se desculpou por isso. Não prometeu o impossível, mas disse que faria tudo em seu poder. E Harry esperava sinceramente que fosse o suficiente.
Era muito bom que Snape sentisse ciúmes dele, mas às vezes exagerava um pouco, e Harry não queria que isso um dia deixasse Severus realmente bravo a ponto de expulsá-lo de suas aulas sob alegação de algum pretexto trivial. E Harry sabia que ele seria capaz de fazer isso.
Na sexta-feira, aconteceu de novo.
Harry se sentou olhando para o mapa, viu os dois pontos em movimento além de Hogwarts e ficou rangendo os dentes de raiva impotente. Nott e Snape saíram do castelo e se embrenharam nos prados.
Já era exagero, talvez até mesmo as reuniões de Comensais da Morte não aconteciam tantas vezes! Aqui deve haver outra coisa, e ele vai querer saber sobre isso!
Durante a aula de Poções hoje, observou atentamente Nott, não notou nada de especial em seu comportamento, exceto que ele parecia um pouco cansado e irritado. Mas a bile no estômago de Harry quase ferveu quando Severus, inclinando-se sobre o caldeirão do Sonserina e apertou a mão em seu ombro.
Não que ele não confiava em Severus, mas era óbvio que não se tratava de qualquer tutoria. E se Snape queria que Harry confiasse nele, ele também deve confiar em Harry e dizer a verdade!
E, se tratando de confiança, Harry quase riu quando Snape devolveu seus testes e viu que a resposta certa era presas de demônios aquáticos e não olhos. O longo olhar admirado que Severus lhe deu ao entregar seu teste, disse tudo. Mas no final, ficou claro que Severus preferia ser estrangulado, a lhe entregar a resposta correta, e Harry poderia se orgulhar de si mesmo por não ter se deixado enganar.
Ele se deitou de bruços e inclinando o seu rosto, olhou para o mapa deitado sobre o travesseiro até que quase adormeceu. Nott e Snape ainda não tinham retornado. Ele não tinha ideia de quanto tempo havia passado desde que ele tinha pegado um cochilando, mas eventualmente ele levantou os olhos e viu. Eles voltavam para o castelo caminhando às margens do lago. Seu coração saltou de excitação.
Oh não! Desta vez não deixaria passar essa chance! Ele deve saber da verdade!
Ele pulou da cama, pegou o Mapa do Maroto, atirou a capa de invisibilidade em si e, silenciosamente, deslizou para fora do dormitório, tentando não acordar Rony e Neville imersos em seu sono.
Sair da sala comunal não foi difícil, os problemas começaram quando ele passou no terceiro andar porque a Madame Norra estava por lá, e tive que andar um pouco mais cuidadosamente. Ele parou perto de uma armadura e olhou para o mapa. Nott e Snape estavam quase nas masmorras. Ele devia se apressar!
Ele correu os últimos pisos, e se dirigiu para as masmorras. Ele caminhou na ponta dos pés para se mover o mais silenciosamente possível. E quando passou da esquina, ele os viu. Duas figuras altas, escuras, deslizando através da escuridão no fundo do corredor. Eles andaram muito rápido, tão rápido que Harry teve problema para alcançá-los e teve que correr para não perdê-los. Quando chegaram à frente do escritório do Mestre de Poções, eles se separaram.
Harry deu um suspiro de alívio quando viu que Nott não tinha intenção de entrar nas câmaras de Severus, apenas foi direto para o seu dormitório. Ele esperou um momento até que Snape desaparecesse atrás da porta do seu gabinete, e o sonserina desaparecesse em torno do canto do corredor, em seguida, caminhou até a porta e parou com uma mão estendida em direção à madeira. Cada movimento seu era forte, mas ele não podia se livrar da vibração de nervosismo nas veias. Finalmente, lembrou-se, como costumam terminar suas visitas não anunciadas a Severus. Definitivamente não de forma muito agradável.
Mas ele estava ali e tinha que fazer algo. Ele foi longe demais. A primeira vez, ele poderia ter deixado ir, mas desta vez ele não ia fazê-lo. Sentia como tudo nele tremia de raiva, e o estômago encher-se de algo e extremamente pesado e agitado. Ele rangeu os dentes e decidiu. Ele abriu a porta com um toque, enquanto deslizava a capa de si.
Ele temia a reação de Severus, quando o homem o visse ali. Não. Ele estava cheio de raiva e determinação para saber a verdade, isso era mais forte e o guiou, não permitindo que ele parasse nem por um momento e muito menos pensar sobre o que ele fazia. Ele só queria descobrir a verdade. Isso era tudo o que importava.
Portanto, quando a peça de madeira pesada, se afastou com um ranger silencioso, Severus que procurava algo em suas prateleiras, virou-se rápido, alcançando sua varinha e apontando-a para Harry, o menino nem sequer tremeu, só fechou a porta e disse baixinho:
- Boa noite, Severus.
O homem olhou para ele como se ele o visse pela primeira vez na sua vida. A surpresa que desarmou seu rosto nos primeiros segundos, lentamente, começou a dar lugar à ira.
- O que você está fazendo aqui, Potter? - Resmungou, baixando a varinha e enterrando-a no bolso do casaco. E então Harry viu. O material no braço esquerdo do homem estava quase completamente rasgado, e sobre a pele exposta havia uma longa linha, um ferimento comprido e sangrento, na sua mão havia comprimida, uma igualmente longa, presa afiada.
E então, de repente, os olhos de Harry se arregalaram quando ele compreendeu, e as peças do quebra-cabeça encaixaram-se aos seus lugares.
Lembrou-se que Hagrid lhe falou que estavam matando animais na floresta, que os assassinos entravam pelo caminho que apenas professores conheciam e que provavelmente os animais estavam sendo mortos durante o treinamento de algum novo Comensal da Morte, lembrou-se das longas presas dos Cracovinos, e em um momento, tudo ficou claro.
- É você - disse ele, incrédulo. - É você e Nott ... Você está treinando-o na Floresta Proibida ...
- Não é da sua conta, Potter - Severus sussurrou, virando novamente para as prateleiras obstinadamente à procura de algo sobre elas.
- Como não é da minha conta? Sei o que você está fazendo! Você está ensinando feitiços das Trevas para ele... - Harry não era capaz de controlar o tremor da voz e o sentimento de traição que lhe cobriu o estômago. Ele não conseguia decidir o que sentia. Alívio por não ser o que ele pensava, ou, amargura por Severus estar escondendo alguma coisa dele? Mas muito rapidamente, o foco principal lhe puxou para uma sensação completamente diferente. Venenosa e peçonhenta. E Harry não podia deixar de pesar nisso quando ele sibilou entre dentes: - Você ensina a ele... e a mim, não?
Snape parou a busca e olhou para ele com espanto. Ele não parecia muito bem. Seu rosto estava muito pálido e parecia como se cada movimento que ele fazia necessitasse de mais e mais esforço. Mas Harry estava em tal estado que quase não podia ver isso.
- Você disse que não ensinava Magia Negra para alunos debaixo do nariz de Dumbledore! - Queimava, lembrando as palavras do homem. - Eu me lembro! E agora você está fazendo isso! - Harry cerrou os punhos, tentando se acalmar. Não era sobre o que Nott e Snape estavam fazendo na floresta. A ideia era que ... que ...
- Dumbledore sabe disso - murmurou Snape, lançando a Harry um olhar queimando de raiva. - E você não deve ficar bisbilhotando num caso que você não compreende. - Depois dessas palavras, ele fez uma careta de dor e agarrou seu braço esquerdo. Parecia que o sangue escorria mais e mais.
Essas revelações eram chocantes. Harry estava tão atordoado, incapaz de pronunciar uma palavra e viu Snape começa a vasculhar as prateleiras novamente. Sua cabeça estava girando. Ele não tinha ideia do que pensar sobre tudo isso. Como é que "Dumbledore sabe sobre isso?" Por que deixou? Ele não tinha ideia do que fazer. Ele sentiu que sua cabeça estava prestes a explodir a partir do volume de pensamentos e emoções, que não poderiam ser conciliadas.
Ele ergueu a cabeça só quando Severus se virou para ele com uma pequena garrafa na mão. Seu rosto estava coberto de suor. Parecia que ele piorava a cada minuto. Então a gravidade da situação bateu na mente de Harry.
Cracovinos! Inferno, afinal, eles eram venenosos!
Em um momento ele esqueceu tudo sobre o que o levou ali. O sofrimento, a raiva, as perguntas, que se aglomeraram na sua boca e a amargura, que agarrou sua garganta. Tudo de repente, evaporou-se, sob o peso de algo muito maior e mais profundo, algo que cravou suas garras geladas em torno de seu coração. Com medo.
Ele correu para Severus, que se arrastou para a sala e caiu molemente em uma cadeira perto do fogo. A dor era visível no rosto contorcido do homem e parecia que a cada momento a dor estava piorando. O suor escorria por sua pele, os lábios estavam cerrados tão apertado que se tornaram quase brancos.
Severus virou a garrafa e ele tinha colocado em seus lábios quando algo na cabeça de Harry gritou.
- O que é isso? - Ele perguntou, apontando para a garrafa.
- Potter ... - Severus, disse numa voz rouca de dor - ... você não acha que este não é o melhor momento para aprender Poções?
Harry avançou para ele, tremendo todo.
Severus poderia morrer! Só que agora ele estava ali! Os Cracovinos atacaram Hagrid uma vez, e quase terminou de forma trágica, mesmo sendo Hagrid um meio-gigante, e por isso tendo uma resistência muito melhor do que as pessoas comuns!
- Diga-me o que é! Eu tenho que saber!
- Decocção de ovas de sapo.
Os olhos de Harry se arregalaram. O sangue correu em suas veias a uma velocidade vertiginosa.
- Não vai funcionar! - Quase gritou, e o homem olhou para ele com surpresa. Harry se virou e olhou ao redor da sala. Trechos da conversa que teve com Hagrid chegavam na mente dele como uma névoa, tentando atravessar o barulho do sangue correndo nos ouvidos e o coração batendo no meu peito.
O que era? Como se chamava? Algo de um ouriço ... Agulhas, lembre-se! Lembre-se!
Ele apertou as mãos à cabeça e cerrou os olhos.
- Agulha ... agulhas de mieloma! Sim! É isso aí! Severus! - Ele virou-se bruscamente para o homem que já estava metade deitado na cadeira. - Eu preciso de várias agulhas!
- O que você está falando, menino? - Cada palavra de Snape estava ficando mais calma e mais lenta. - Não se esqueça ... Eu sou o Mestre de Poções. Sou perfeitamente capaz de lidar sozinho com isso. E você ... não devia estar agora em seu dormitório? - Depois dessas palavras, mais uma vez colocou a garrafa na boca, mas Harry, em um movimento rápido, bateu-lhe na mão. A garrafa caiu no chão. - O que você está fazendo, caramba? – Severus sibilou, mas não tinha a força e o poder habitual nessas palavras.
Harry não sabia o que lhe deu. Ele só sabia que devia salvá-lo a todo custo, ainda que Severus o odiasse por toda a vida.
- Você não sabe ... Ovos de sapo não funcionam. Hagrid me disse. Eu o ajudei com a criação de Cracovinos. Eu sei. Agulhas de mieloma. Só elas podem te ajudar! Não há tempo, diga-me onde estão! Rápido! - Vendo que o homem estava olhando para ele em dúvida, acrescentou, quase histericamente: - Por favor, Severus, confie em mim!
Severus respirou fundo e olhou como se fosse crescente a dificuldade em falar. Seu cabelo já estava preso em sua testa. O sangue na ferida havia se tornado quase preto e grosso como um muco. O homem lentamente levantou a mão direita e apontou para a porta aberta para seu escritório.
- No canto esquerdo. A prateleira superior.
Harry saiu da sala e correu para o escritório. Pegou um pilão no caminho, alguns pesos de bronze em uma das prateleiras, e depois de alguma pesquisa ele encontrou em um frasco longo de cerca de 10 centímetros, as agulhas ligeiramente brilhantes. Ele agarrou-o, destampou e verteu algumas agulhas no pote do pilão, e começou a esfregá-los com tanta força que ele tinha a impressão de que tão cedo não seria capaz de usar a mão direita. Aos poucos, continuando a amassar as agulhas, ele voltou para a sala e caiu de joelhos ao lado de Severus. As agulhas verteram um suco e quanto patia a mistura, mais mole ficava e começou a desmanchar. De vez em quando olhava ansiosamente para Severus, cuja dificuldade para respirar aumentava. Suas pálpebras fechadas tremiam um pouco, e sua boca mal consguia pegar um pouco de ar. O pulmão quase não inflava e da ferida começou a vazar algo verde. Seu rosto estava ainda mais pálido do que o habitual, e gotas de suor escorriam sem parar.
Ele devia se apressar! Não pode demorar! Caso contrário, Severus ... caso contrário ...
Ele colocou ainda mais força na mão direita que tremia com o esforço, dores corriam ao longo de seus ombros, os músculos tensos se recusam a cooperar.
Aí está! Última agulha quebrou-se e se misturou com o suco, criando uma pasta densa, marrom brilhante e verde. Harry reuniu uma quantidade nos dedos, tremendo e suavemente, colocou a mão na ferida. Severus chiou e sacudiu seu ombro, mas não retirou-o. Harry engoliu em seco e colocou outra parte, que o mais gentilmente possível passou sobre a ferida. Ele tentou fazê-lo com a maior precisão possível, espalhando ao longo do corte feito pelos caninos venenosos. No momento em que a pasta verde tocou o sangue, começou a assobiar e evaporar como se ela estivesse derretendo. Harry passou o resto da pasta no corte e ficou observando o ferimento, criando lentamente uma crosta, de leve espessura. Ele colocou a pasta no chão, delicadamente pegou a mão do braço ferido de Severus e deitou a cabeça sobre os joelhos do homem, olhando esperançosamente para seu rosto.
...
...
Nada!
Nenhuma reação!
Harry nunca na sua vida sentiu tanto medo. Ele sabia que ele devia estar tão pálido quanto o homem sentado na frente dele. Sua mão tremia tanto que suas vibrações faziam todo o seu corpo vibrar, como se ele sofresse da doença de Parkinson.
"Eu imploro, eu imploro, eu farei qualquer coisa ..."
Ele nunca se dirigiu com tanto fervor e paixão a todos os bons espíritos ao seu redor em busca de ajuda.
E quando o pânico quase tomava conta dele e começava a lhe rasgar de desespero, ele viu ...
Na face de Severus, em vez de sofrimento, havia ... suavização do relevo das rugas de dor, e um suspiro escapou da boca do homem. Como se a dor estivesse lentamente se afastando. O rosto branco como o papel começou a tomar cor, a respiração foi se tornando mais profunda e regular, movendo o corpo puxando-o para cima.
Harry sacudiu a cabeça e ergueu os olhos arregalados e olhou para o rosto de Severus.O homem levantou os olhos lentamente. Nos nebulosos olhos negros, uma luz apareceu.
Harry prendeu a respiração, quando os olhos escuros repousaram sobre ele. Ele abriu a boca, mas ele sentia solavancos tão fortes na garganta que não conseguiu dizer uma única palavra. Seu coração ainda estava batendo como um louco e não conseguia se acalmar. Severus apertou sua mão e engoliu em seco.
- Dói-lhe alguma coisa? - Ele perguntou em voz baixa. Severus meneou a cabeça. Harry sentiu o alívio drenar a opressão que o dominava.
"Funcionou. Eu realmente fiz isso! Obrigado, obrigado!"
- Você não sabe o quanto eu tive medo de que ... - Gaguejou e olhou para a ferida. A pomada secou sobre a pele e seus fragmentos secos viraram pó e caíram no chão. Ele aproximou, sua mão segurando a mais mole. Ele se inclinou e deu um beijo nela. Então deu o próximo. E o seguinte. - Eu não quero mais sentir tanto medo por você. Foi horrível ...
Severus estava vivo. Tudo estava bem. Ele o salvou.
- Eu estou tão feliz - ele murmurou, entre beijos. - Eu não sei o que eu faria se eu te perdesse. Eu não posso ... Eu não posso ... Por favor, tenha cuidado da próxima vez. Cuidei dos Cracovinos com Hagrid e eu sei o que eles podem fazer. Por favor, me escute pelo menos uma vez. Se você tem que ir lá, sempre leva consigo a essência de tomilho. Eles odeiam o cheiro. Eles ficarão longe de você e nunca mais ... vão te machucar. Eu não quero me preocupar toda a noite com a ideia de que eles possam atacar você. E se acontecer alguma coisa, então me envie uma mensagem através da pedra. Prometa-me que você fará! Severus? - Ele olhou para cima, e fitou o homem silencioso.
Severus olhava para ele como se Harry falasse em um idioma diferente. Parecia um pouco atordoado, e Harry pensou que ele ainda não podia estar totalmente recuperado. Em seu rosto havia surpresa e consternação.
Depois de um tempo ele levantou a mão direita e, sem mudar o estranho olhar que lançava para Harry, tocou seu rosto e acariciou-o.
- Não há necessidade de ... se preocupar - ele sussurrou com voz ligeiramente rouca, e Harry teve a impressão de que a última palavra foi pronunciada de tal forma como se ele nunca a tivesse usado. Pelo menos não em relação aos outros. - Eu vou ficar bem.
- Claro - respondeu Harry, deixando sua boca esticada em um sorriso gentil. – Farei isso, pois é tão fácil quanto me pedirem para parar de respirar, então deixo de respirar. Ouça ... se alguém ou algo magoar você... estará me machucando. Eu não posso explicar isso. Mas eu sinto isso também. Você é meu tudo e eu não posso suportar a ideia de que ... que ... você sabe o que eu quero dizer?
Mas o rosto de Severus não era de quem sabia o que Harry estava falando. Ele ainda olhava para ele com o mesmo olhar atordoado, mas Harry podia ver em seu rosto uma espécie de confusão. E o menino pensou que talvez era hora de encerrar.
- Eu só ... Prometa que você fará isso, como eu disse, quando você tiver que ir. Prometa-me. - ficou surpreso com o desespero em sua voz.
O homem ainda o observava, enquanto continuava a acariciar seu rosto, como se ele fizesse isso de forma inconsciente.
- Eu prometo - disse ele no final com uma voz tranquila e profunda, e Harry sorriu. Ele sentiu que seu coração iria pular fora do peito de alegria.
Tudo foi muito bom! Realmente!
Ele ergueu a mão direita para tocar a mão de Snape, que estava acariciando seu rosto, mas ele fez uma careta de dor quando ele tentou fazê-lo. Algo aconteceu com os seus dedos. Ele não podia movê-los. Ainda estavam dobrados, como se eles ainda tivessem o pilão com o qual esfregou as agulha.
Severus deslizou a mão de sua bochecha, e descansou em sua mão levantada.
- Desculpe, eu não posso endireitar os meus dedos - ele disse baixinho, tentando parecer despreocupado, embora ele ainda sentisse a dor aguda nos músculos tensos. - Provavelmente exagerei um pouco ...
A mão do homem envolveu em torno dos dedos dobrados de Harry e levou-os direto para os seus lábios entreabertos, que aplicaram-lhes um beijo quente.
O menino olhou com os olhos arregalados, como Severus apertava seus lábios à sua mão. Parecia que não ia deixá-la ir, e Harry sentiu o coração quase derreter e fluir para o chão, aquecendo todas as partes do corpo.
Ele apertou o rosto na direção da mão ferida e Severus fechou os olhos.
- Potter - ele ouviu uma voz pequena logo acima dele, quando os lábios quentes se separaram da sua mão, mas não deixando-a ir. Ele podia sentir o hálito quente e agradável deslizar por seus dedos dormentes. - Você deve ...
- Eu sei - Harry interrompeu-o, sem abrir os olhos, e sem deixar de aconchegar-se para a mão ferida. - Estou indo. Em um momento ...
Só um momento, e ele irá. Ele realmente irá. Só um momento.
Os lábios finos novamente se prenderam à sua mão.
Bem, talvez ... mais do que um momento.
CDN
Alma Frenz:
DreYuki-Chan, fico muito feliz por você estar gostando do Desiderium Intimum e do meu esforço para oferecer a tradução dos capítulos da melhor maneira possível!
Anonymous (Fran), a mente de Severus é um tesouro que nos encanta pela complexidade e , principalmente, pela profundidade em que os tesouros estão enterrados. Ele enterra tão fundo o que de fato ele pensa e sente, que se torna muito difícil definir se uma dada conclusão sobre seu contortamente é correta ou, se mais uma vez, ele nos está enganando... Também gosto da possessividade de Snape, mas me derreto toda quando ele é carinhoso... depois de dezenas de capítulos, Severus está um pouco mais solto, já faz algumas declarações, afirma algumas coisas que ele jamais afirmaria no começo, tipo confirmar que gosta do sorriso de Harry. Ele não diria isso, capítulos atrás, nem debaixo de Cruciatus! Mas mesmo um poupo mais solto, ainda paira a dúvida sobre o que de fato ele pensa e sente.
Anonymous, que bom que você se animou para me mandar um comentário, fico contente! Me agrada muito o seu desejo de participar ativamente da sessão de comentários, aguardo você mais vezes por aqui.
O retorno das aulas realmente foi um tanto estraga prazer (literalmente!), também compreendi a sensação de abandono que o pobre Harry sentiu ao saber que os amigos estavam juntos e que, passaram parte das férias namorando e nem comunicaram a ele! Coitado! Que decepção... mas ele não suporta ficar longe dos amigos, não ia poder "dar um gelo" neles por mais do que algumas horas. Bom pelo menos, ele ainda tem Severus.
Infelizmente, não pude ler uma parte do seu comentário, o conteúdo que foi para meu e-mail estava pela metade e, lamentavelmente não havia nenhum link guiando para o restante, entrei no site procurando pelo restante do seu comentário e não encontrei, não compreendo o que pode ter acontecido com o registro do final, pois normalmente quando recebo um comentário longo (que eu amo), eu vou direto para o site para ler na íntegra, mas o seu eu não consegui encontrar... me senti como alguém que ficou sem peças importantes de um jogo de xadrez... cada palavra dos comentários são muito importantes, gosto de ler todas. Eu ainda vou descobrir o que aconteceu.
Ana Scully Rickman, de fato Hermione acabou por descrever o que acontece com Harry em relação a Snape, é impressionante isso não? Quanto mais você detesta uma coisa, mais viciado se torna! É sob essa máxima que a relação deles está construída, a irritação mútua os segura um perto do outro,parece até engraçado olhando assim por cima, mas é tão... deixa prá lá... vou acabar dizendo o que não é pra dizer...
Eu uri muito da sacanagem dos dois no corredor, aquilo de fato foi muito atrevimento de Harry, quase tirou Snape da linha, mas o homem foi mais forte, e deu a volta por cima. A parte em que Snape arruma as roupas para esconder o seu estado um tanto animado demais, foi hilário, não? E mais engraçado, foi eles na sala de aula, esses dois estão cada vez mais safados!
