Pov Bella.

– Você perdeu os remos? – eu digo exasperada.

– Quem disse que eu perdi?

– Você é o único que estava balançando o barco.

– Eu estava entediado. – ele protesta. – Você é a culpada por me distrair.

– Como é que é?

– Não se faça de inocente. Você ficou me provocando com promessas de sexo somente para recuar segundos depois e em minha distração os remos escaparam.

Eu cruzei os braços, mal-humorada, e fiquei olhando para o lago, em um bote, sem os remos a vista. Pensando irritada em como eu cheguei a me colocar nessa situação.

Damon havia me levado para uma casa estilo fazenda com vista para o lago de Fell Church, com intenção de passear de bote no grande e magnifico lago a nossa frente.

Eu tinha visto cavalos quando chegamos e fiquei animada com a possibilidade de montá-los. Eu nunca andei de cavalos. E eu tinha tido essa vontade desde o sonho em minha primeira noite na casa dos Originais.

Eu queria sentir o vento acariciar meus cabelos e ver se eu podia sentir o mesmo sentimento de liberdade que o sonho havia me proporcionado.

Mas parece que Damon tinha outros planos e fez uma proposta que eu achei difícil recusar.

Ele havia dito que poderíamos conversar e nos conhecer melhor.

Pareceu uma boa proposta... Inicialmente.

Só que aparentemente eu tinha sido a única a falar sobre mim mesmo. Não que houvesse muita coisa a ser dito. Eu falei de minha infância com minha mãe, das férias com meu pai e os garotos Quileutes. De modo geral eu tinha tido uma infância feliz.

Deixei de fora os tempos difíceis com meu padrasto, uma vez que ele já conhecia esse fato... E algumas passagens que eu não estava disposta em compartilhar no momento. Como o fato das vozes que falava em minha mente e da mulher loira de olhos verdes que vez ou outra eu poderia vislumbrar em minha mente.

E então chegou a vez de Damon falar sobre si mesmo, e ele recusou.

Ele disse que o passeio era para me conhecer melhor para que ele pudesse me compreender e assim convivermos em harmonia e sem desavenças.

Irritada eu contemplo sua expressão tranquila e desonesta. Eu me sinto frustrada, irritada mesmo. Mesmo ao tentar persuadi-lo de falar qualquer coisa sobre ele, ele ainda recusou dizendo que o passado não era importante.

Ao escutar isso eu não me sentia mais culpada por ter omitido certos detalhes de minha própria história.

Eu olho em volta, para tudo, menos para ele. Eu não sei se o frio está emanando de mim, ou do meio ambiente.

– Por favor, Bella, não fique chateada. O que eu posso fazer para fazê-la se sentir melhor?

Diga-me sobre você. Diga que me ama.

– Por que você não quer falar sobre seu passado?

Ele suspira profundamente, fecha os olhos por um momento, e durante um tempo ele volta a ficar em silencio.

– Eu não quero sobrecarrega-la com o meu passado, Bella. Não é algo que eu quero compartilhar com você. Eu não quero que você sinta pena para mim.

– Você pensa tão pouco de mim?

– Você vai querer me deixar. – ele diz tristemente.

– Damon... Eu não acho que isso seja provável. Eu não posso me imaginar sem você. Sem qualquer um de vocês.

– Você quis deixar outras vezes e eu não quero que aconteça novamente.

Meu coração se aperta ao me lembrar de todas as minhas tentativas de fuga.

– Isso não vai se repetir. Por favor, fale comigo. – eu peço em um sussurro.

Ele apenas me olha por alguns segundos e desvia o olhar.

Eu espero.

Minha inquietação cresce em níveis alarmantes diante do silencio prolongado e eu me levanto e descubro tarde de mais que não foi o melhor curso de ação. O bote vira. Tudo acontece tão rápido. Em um momento eu vejo os olhos de Damon em pânico se encontrar com os meus e no instante seguinte minha garganta arde ao beber um grande gole de água ao cair no lago gelado.

Estava frio.

As roupas – pensei vagamente. Era esse o problema. Certamente não podia ser tão frio no ar como era na água.

Eram as roupas que fazia eu me sentir com tanto frio.

Comecei com os dedos entorpecidos a tirá-las. Primeiro retirei a blusa, que caiu no chão com um baque abafado, somente para ser seguido pela saia, agora... Agora eu precisava...

Eu sentia o vento gelado se infiltrando em minhas roupas molhadas, que agora consistia apenas em meu sutiã e calcinha pretos rendados e no momento seguinte ele estava bem atrás de mim bloqueando o vento gelado. Não, mais do que isso. Damon gerava um casulo de calor para mim.

O tremor em meu corpo parou. Pela primeira vez eu sentia que podia parar de me abraçar. No momento seguinte eu sinto um par de braços fortes me envolvendo. De repente o calor ficou muito mais intenso.

Damon estava atrás de mim, me abraçando e eu fiquei com muito calor.

Eu estava cansada de tentar conhece-los quando eles mesmos não queriam que eu o fizesse. Eu queria que eles falassem mais sobre eles mesmos sem ter que implorar para que isso fosse feito.

– Damon – comecei insegura. – não podemos só...

– Se conhecer meu passado é tão importante, então eu falo. – ele me surpreende com suas palavras.

– Por que agora... Tão de repente..? – eu olho para ele.

Suas mãos estão esfregando meu corpo para aquecê-lo.

Seus cabelos estavam molhados e para trás, e seus olhos azuis me fitava intensamente, exibindo um sorriso torto. Um sorriso malicioso e sacana.

Eu pisco para ele, com olhos arregalados. Ele sabe muito mais sobre mim do que eu dele. E os movimentos de suas mãos começam a despertar um calor em minha barriga que começa a me distrair.

Eu franzo a testa.

– Isso não é muito justo. Você não vai me dizer nada?

Ele fecha os olhos e me abraça apertado.

– Não, mas se você se comportar eu posso...

– Como eu devo me comportar? – eu pergunto seca me desvencilhando de seus braços.

Sua testa aperta.

– Do jeito que você quiser. Eu gosto de você impetuosa e impulsiva. Essa é a garota que eu me apaixonei.

Santo Deus! Minha boca cai, eu não esperava ele me dizer isso. O tremor em meu corpo parou.

– Mas tendo dito isso, eu também devo acrescentar que essa mesma menina me tira do sério pelas mesmas razões. – seus olhos brilham perversamente, e a alegria bruscamente se move para o sul, palpitando em minha intimidade úmida de antecipação.

Eu abro a boca para protestar em minha defesa.

Damon ergue as mãos em um gesto apaziguador.

– Eu não quero brigar. – ele diz em voz baixa.

Oh! Nós não estamos brigando... Estamos?

– Eu também não.

– Tenho uma proposta para você.

– Isso tudo começou com uma proposta.

– É uma proposta diferente. – ele diz pegando minha mão.

Ele tem uma proposta? E agora?

– Eu não quero perder você Bella. – ele beija meus dedos de forma carinhosa. Eu retiro minha mão um pouco relutante das suas e tento me concentrar no assunto em vez das sensações de meu corpo.

– A proposta?

Damon de repente parece determinado e sério. Puta merda! Seja o que for é muito importante. Eu escuto com atenção.

– Deixe-me perguntar algo primeiro. Você quer uma relação onde todos são abertos sobre sua vida, seus pensamentos e sentimentos e não apenas sexo lascivo?

Minha boca cai.

– Sexo lascivo? – eu chio.

– Sexo lascivo.

– Eu não acredito que você disse isso.

– Eu disse, agora responda.

– Eu gosto do sexo lascivo. – eu sussurro, sentindo minhas bochechas corarem.

– Eu pensei assim. Diga-me o que você não gosta.

O fato de vocês decidirem o que é melhor para mim sem me consultar, esconder coisas de mim e não levar minha opinião em consideração, de não conhecê-los em tudo e de sentir medo...

– Vocês não são muito abertos sobre vocês mesmo.

– O que significa isso?

– Eu nunca sei o que eu posso ou não dizer antes de ultrapassar alguma linha arbitrária. Não é como se houvesse alguma regra prescrita.

– Você quer regras? – ele pergunta surpreso.

– Eu não quero um conjunto de regras.

– Nenhuma? – ele pergunta vagamente divertido.

– Não, sem regras. – eu balanço a cabeça, mas meu coração está em minha boca. Aonde ele quer chegar com isso?

– Mas você não se importou de ter sexo antes sem saber sobre nosso passado. – ele diz próximo a mim. Eu me contorço desconfortavelmente sentindo sua respiração bater em minha pele enviando um arrepio em minha espinha de prazer antecipado.

Malditos hormônios!

– Não, eu não me importei. – eu digo amaldiçoando internamente o rubor que sobe ao meu rosto.

Ele sorri para mim.

– Então o que você está tentando dizer é que você gosta do sexo, mas quer a oportunidade de nos conhecer melhor... Ou apenas meu passado especificamente?

Eu dou de ombros.

– Eu suponho que de todos. Mas você pode falar somente do seu, se preferir.

Onde é que ele está indo com isso?

O meu nível de ansiedade disparou a níveis alarmantes ao olhar sua expressão compenetrada, perdido em pensamentos.

– Acredito que eu possa falar mais sobre mim mesmo. Eu posso começar, em seguida, uma vez que você confie mais em mim, você pode ser mais honesta e dizer mais sobre si mesma e, talvez possamos voltar a fazer o que eu gosto.

– Que seria? – eu pergunto subitamente com a boca seca.

– Levá-la ao ápice a ponto de esquecer o próprio nome. – ele diz com um sorriso sacana.

Eu fico olhando para ele atordoada, sem pensamentos em minha cabeça como em uma pane em um computador.

Ele olha para mim ansioso e depois de um tempo ele pigarreia fazendo com que eu volte ao presente.

– Ok, você pode começar. – eu digo engolindo em seco.

Ele senta encostado em uma árvore e eu me sento de frente para ele. Não acho que seria possível me concentrar em suas palavras se eu o tocasse agora.

– Eu vou contar a você o que me levou até Esther...

* Lembranças de Damon on *

Minha vida a partir de uma idade muito jovem... Toda a minha vida, de fato, era controlada pela besta de meu pai.

Lembro que era Outubro, e as folhas eram de um marrom dourado e profundo, espalhado pelo piso como um grosso cobertor, agitando-se com o vento que soprava através da compensação. Eu estava parado, em cima de meu cavalo, Veritas. Um belo garanhão negro.

O silencio me cercava, e meus olhos estavam fechados, sentindo o ar quente de outubro acariciar minha bochecha, sussurrando em meus ouvidos que meu pai chegaria nesse dia. E eu o odiava. Odiava-o com uma paixão tão intensa que ameaçou incendiar o ar em torno de mim.

A floresta era um lugar de calma, de tranquilidade... Até que uma voz se fez ouvir.

– Damon, onde você está criança?

Meus olhos se abriram lentamente ao reconhecer a voz familiar que flutuava por entre as árvores. Robert, o estribeiro de nossa casa, estava a poucos metros de onde eu me encontrava.

Ele era alto e magro e possuía profundos olhos castanhos que parecia muito mais sábio e mais velho do que seus anos. Ele tinha sido em minha família por quase um ano.

Minha família – eu penso um pouco amargo, atípico para minha tenra idade.

Eu vivia com minha mãe em uma casa de veraneio em um vilarejo onde as pessoas não deixavam de comentar e sussurrar sobre nós.

Uma mulher solteira com um filho pequeno e mais outro a caminho sem um marido era considerado um sacrilégio e condenável aos olhos de todos.

Minha mãe usava uma aliança em seu dedo com esperança de que os cochichos abrandassem, mas fica difícil se passar por casada quando não há um marido presente e visível para autenticar sua história.

Meu pai nunca vinha de modo que os habitantes locais pudesse perceber sua presença. E a verdade era que ele não era o marido de minha mãe, mas seu amante. Ele já era casado. Eu havia descoberto isso em sua última visita há um ano, ao escutar mais uma de suas discursões onde minha mãe exigia saber quando ele iria largar a esposa e ficar com ela.

Suas desculpas eram recitadas com precisão. Eu não posso, é complicado. Tente entender. Tenha paciência.

Nem eu mesmo com apenas seis anos acreditava mais nessas palavras e naquele dia meu pai ficou muito zangado ao notar que pela primeira vez ela estava irredutível em suas exigências.

Foi nesse dia também que ele passou a ser Mikael em meus pensamentos, quando bateu nela pela primeira vez.

As coisas pioram de um ano para cá. Minha mãe não sorria mais. Não brincava mais comigo. Era como se ela tivesse desistido de viver. Mikael tinha sido seu mundo e nem mesmo eu poderia tirar sua tristeza. Eu tentei alegrá-la. Mas ela apenas me olhava com desinteresse.

Em minha inocência eu perguntei a ela se ela não me amava mais e sua resposta me abalou. Não, por que eu deveria? Você vai crescer e ser igual ao seu pai.

* Lembranças de Damon off *

– Ah Damon! Você não é igual ao seu pai. – eu disse apertando levemente sua mão. Ele sorriu para mim, um sorriso triste e seus olhos brilham vulneráveis.

Oh merda! Meu pobre Damon. Meu coração aperta e torce. Que diabos eu fiz com ele? Eu não deveria ter forçado ele contar alguma coisa quando ele sequer estava pronto para isso. Lágrimas picam meus olhos.

Por que eles têm que ter um passado tão fodido?

Eu quero meu Damon arrogante e confiante de volta.

Ele abre a boca e eu coloco meus dedos silenciando ele.

– Você não precisa me contar mais nada agora.

Ele afasta meus dedos, beijando cada um antes de voltar a me fitar.

– Eu quero.

Eu apenas aceno e fico em silencio, prestando atenção em suas palavras e por sua expressão eu sei que nada de bom vai vim dela.

*Lembranças de Damon on. *

Os olhos de Robert pousaram nos meus, momentaneamente aliviado para logo ser substituído por impaciência.

– Filho, seu pai convoca você... E você olha como um animal que rolou na lama. – ele engasgou diante do que via. Eu mesmo olhei para mim. Tinha folhas secas grudadas em minha camisa e um pouco de barro em minhas calças devido ter molhado meus pés nas margens do rio mais cedo. Eu queria nadar, mas eu não queria aborrecer minha mãe ao chegar muito tarde. Não quando ela esperava o "marido". E eu tinha esperança de que ela fosse gostar de mim novamente, caso eu me comportasse bem.

Eu galopei para casa em um trote preguiçoso. Eu não estava particularmente ansioso em falar com Mikael. Todas as vezes que ele nos visitava, ele sempre me ignorava, apenas poucas palavras eram ditas em minha direção como se ele se lembrasse de minha presença. Eu não poderia dizer que ele era um pai carinhoso ou ansioso para seu filho. Pelo menos ele não era comigo.

Eu ficava imaginando se ele era assim com os outros filhos. Das conversas que eu havia presenciado eu sabia que pelo menos eu tinha dois irmãos mais velho.

Acho que o nome de um era Niklaus. Eu não tinha certeza, pois quando mencionado ele apenas resmungava sobre o mesmo.

Aumentei o galope, querendo sentir o vento em meus cabelos e a liberdade que isso me proporcionava.

O belo garanhão galopava veloz, tão indomável quanto eu gostava de pensar em relação a mim, ouvi meu pai chamando ao longe, pelo seu tom de voz, ele estava furioso.

Sorri. Meu pai estar furioso não era novidade. Algo corriqueiro. Vi quando ele passou a mão em seus cabelos frustrado pelo fato de não o atender de pronto.

A contra gosto, parei o garanhão próximo ao meu pai e saltei para ir ao encontro dele. Seus olhos azuis fitavam-me irritados.

– Fico feliz de ter me honrado com sua presença, Damon. – eu me encolhi diante de seu tom. Apesar dele nunca ter demonstrado fazer questão de reconhecer minha existência, eu não poderia dizer que ele tinha sido em algum momento violento ou agressivo comigo.

Mas algo em sua postura me fez ficar calado, esperando pacientemente suas próximas palavras.

– Pegue suas coisas. De hoje em diante você estará indo viver comigo.

Eu olhei para ele tentando entender suas palavras. Noto pela primeira vez uma mulher desconhecida a alguns passos segurando firmemente em seus braços algo embrulhado em uma coberta.

Um choro de criança ecoa fraco. Eu franzo a testa.

– O Bebê já nasceu?

– Sim, seu irmão nasceu alguns minutos antes. – responde a moça que mais tarde eu descobriria que chamava Ayana, chegando mais perto e se abaixando de forma que eu pudesse ver o bebê que ela segurava.

Ele era... Estranho. Com a pele toda enrugada como se tivesse ficado na agua por muito tempo e sua pele estava bem vermelha... Imagino que seja por está chorando.

Eu olhei em volta.

– Onde está mamãe? – eu pergunto, olhando para os lados esperando ela surgir sorrindo com as boas novas. O bebê tinha nascido e finalmente nós estaríamos indo morar todos juntos e finalmente seriamos uma família de verdade.

A mulher a minha frente apertou os lábios e olhou para Mikael. Pânico começou a se formar em meu peito e eu corri para dentro de casa, ignorando os gritos de comando de meu pai.

Mikael entrou logo depois e segurou meus ombros e disse que minha mãe tinha nos abandonado. Esse não era o tipo de vida que ela havia sonhado e não queria dois filhos, era muita responsabilidade. Essa tinha sido suas palavras ao me explicar à ausência de minha mãe.

*Lembranças de Damon off*

Seus olhos estão fechados bem apertados, mas ele não se move.

Eu me aperto contra ele.

– Eu estava determinado a odiar e fazer a vida de Esther um verdadeiro inferno. De forma tortuosa eu a culpava.

Eu nada disse, apenas esperei suas próximas palavras.

– Quando coloquei meus olhos nela, eu simplesmente não pude. Esther me recebeu com carinho e aceitação e me tratava como um de seus filhos. Mesmo quando eu ficava arredio pelos cantos. Ela nunca perdia a calma com minhas travessuras e falava comigo com o mesmo tom que usava com Niklaus e Jasper. – ele sorriu nostálgico. – Não muito tempo depois eu passei a chama-la de mãe. Eu fiquei um tanto assustado quando falei pela primeira vez, mas ela apenas sorriu para mim. Esther se tornou a minha mãe... Eu... Eu não consigo lembrar-se do nome de minha mãe biológica.

Ele fez uma pausa. Parece perdido nas lembranças e fantasmas de seu passado. Eu o beijo suavemente em seus lábios, tentando transmitir que eu estava ao seu lado já que eu não conseguia coloca-la em palavras devido ao nó que aparentemente havia se formado em minha garganta.

– Mais uma vez. – ele sussurra, e eu me inclino e o beijo de novo, e de novo.

Ele geme alto, e de repente seus braços estão a minha volta, e sua mão está em meus cabelos, puxando minha cabeça dolorosamente para que meus lábios se encontrem com sua boca insistente. E nós estávamos nos beijando, meus dedos agarrado a seus cabelos.

Eu trago as mãos para seu rosto bonito, e nesse momento, sinto as lágrimas.

Ele está chorando... Não. Não!

– Damon, por favor, não chore. Eu te amo. Eu sempre te amarei não importa o que aconteça. Sinto muito que tenha passado por tudo isso.

– Meu passado, é meu passado. É um fato. Não posso muda-lo. Mas vejo agora que eu não tinha controle sobre isso e eu não poderia fazer nada para muda-lo. E agora meu passado e meu futuro estão colidindo em uma maneira que eu nunca imaginei ser possível. – ele para de repente, como se ele tivesse ultrapassado algum limite.

– Eu sinto muito, eu não queria fazê-lo lembrar de coisas dolorosas e fazê-lo desconfortável. – eu digo sincera. - Eu quero fazê-lo feliz.

– Eu quero fazê-la feliz, também. – ele murmura acariciando meu rosto. – Você é o meu futuro. Eu nunca pensei que haveria alguém para mim. Você me dá esperança e me faz pensar em todos os tipos de possibilidades.

– Bem, eu estou feliz que tenha me dito de qualquer maneira.

– Eu também. – ele diz com um pequeno sorriso. - Você quer saber mais um pouco? – ele pergunta hesitante.

– Não, acho que foi o bastante por agora.

Sua postura relaxou visivelmente e eu me permitir fazer o mesmo. Isso serviria por agora. Nós nos sentamos e eu me aninhei em seu colo, descansando minha cabeça em seu peito, sentindo sua respiração próxima ao meu ouvido sob o céu aberto.

Um silêncio confortável pairou sobre nós.

– Quando você percebeu? – ele me olha interrogativo e eu explico. – Quando percebeu que estava apaixonado por mim?

– Naquele dia em seu quarto, quando eu atendi seu celular.

Eu me lembrava. Foi no dia que Matt havia me ligado e Damon havia ficado furioso querendo saber de quem se tratava. E para distrai-lo eu o havia beijado e ele tinha ficado imóvel por mais de vinte minutos.

– No dia que você virou uma estatua? – eu pergunto divertida ao relembrar a cena.

Ele pareceu confuso e então uma luz de compreensão brilhou em seus orbes azuis.

– Eu estava com medo. – confessa, para minha surpresa.

– Por quê?

Ele balança a cabeça, sua expressão é seria.

– Você estava convencida que não nos queria em sua vida. Por alguns segundos terríveis, eu pensei que poderia te perder.

Eu o abraço firmemente.

– Eu não posso imaginar minha sem você, Damon. Sem nenhum de vocês. Eu os amo tanto que me assusta.

– Minha vida seria vazia sem você. – seus braços me apertam e seus lábios roçam minha testa. – Passei toda minha existência evitando qualquer emoção extrema. Mas você... Você desperta em mim sentimentos em mim que são completamente alheios. É muito... – ele franze a testa. – Inquietante.

– Isso é ruim?

– Pelo contrario, é libertador. E eu nunca vou deixa-la ir. Meus irmãos e eu nunca deixaremos você ir para longe de nós.

E lá estava meu Damon dominador e possessivo. Ele não podia está muito longe, mas nesse momento eu não me importo.

– Eu não quero ir a lugar algum. – eu beijo seu pescoço, e ele se inclina e beija meus lábios suavemente, se afasta, e apenas fica me encarando enquanto minhas mãos deslizam em seu peito e para onde deveria bater um coração.

Eu deposito um beijo cálido em sua boca, em seguida, refaço a minha jornada em seu peito com minhas mãos.

Ele está mais relaxado, como se de algum modo um peso tivesse sido tirado de cima de seus ombros.

Eu olho para ele, que me espreita com os olhos semicerrados e anseio sensual.

Humm. Eu gosto desse visual.

Eu mordisco seu queixo, ele geme e empurra seus quadris de encontro ao meu. Eu posso sentir a rigidez de seu membro. Ah, sim! É tão excitante.

Seus olhos ardentes, subitamente, travam com os meus. Ele se lembrou de algo.

– Você disse que me ama! – ele exclamou com os olhos brilhando de realização. Eu poderia ter rido com sua alegria infantil, mas ele agarra minha cintura, me puxando para ele e me beijando de forma selvagem.

Suas mãos descem pela lateral de meu corpo, afagando com mãos firmes, chegando a minha intimidade onde seus dedos passam a explorar com movimentos cadenciados e provocativos. Sua boca é implacável, deixando-me sem fôlego.

A outra mão está no meu cabelo molhado, segurando-me no lugar enquanto eu suporto toda a força de sua paixão desencadeada. Escuto o tecido de minha calcinha sendo rasgada. Seus dedos se movem dentro de mim.

Um suspiro de prazer escapa em minha boca.

Suas mãos vão para meu traseiro, levantando-me.

– Enrole suas pernas em minha cintura, princesa. – minhas pernas se dobram em sua cintura, e minhas mãos se agarram em seu pescoço. Ele me abraça contra a árvore e para, olhando para mim.

– Olhos abertos, - ele murmura - Eu quero ver você.

Eu abro meus olhos e pisco, meu coração martelando, sentindo o fluxo de sangue correr mais rápido em minha veia e o desejo desenfreado surgindo através de mim.

Então, ele entra em mim, oh, tão lentamente, enchendo-me, pele contra pele. Eu empurro para baixo contra ele, que geme alto e gutural. Uma vez, que ele se encontra totalmente dentro de mim, ele pausa, o rosto tenso.

– Eu te amo. – ele sussurra.

– Eu também te amo.

Damon sorri vitorioso e se move, me fazendo suspirar. Ele se inclina para baixo, capturando minha boca com a dele, e começa a se mover... Lentamente. Eu fecho meus olhos e inclino a cabeça para trás, enquanto arqueio meu corpo, presa em seu ritmo lento e inebriante.

Seus dentes passam pelo meu maxilar, meu queixo e pelo meu pescoço, quando ele pega o ritmo todo pensamento coerente se desfaz de minha mente, perdido no mundo de sensações luxuriantes.

Mal registro a dor em meu pescoço presa em um orgasmo catártico que me faz gritar seu nome, enquanto lágrimas correm pelo meu rosto.

Ele me aninha em seu colo, minhas pálpebras estão pesadas e se recusam a abrir. Estou sonolenta, mas me recuso a ceder ao sono.

– Desde que eu pus os olhos em você, eu a amei. Mas foi o pior tipo de amor. – ele me segurou firmemente em seu colo quando fiz menção de olhar para ele, me mantendo na mesma posição. Eu fiz o meu melhor para relaxar entendendo que havia mais a ser dito. – Veja quanto tempo eu levei para entender. – Damon sussurrou na cavidade de meu pescoço e logo depois depositar um leve beijo e prosseguir com suas palavras. – Eu levei tempo para perceber que o tipo de amor que eu queria... – eu senti seu sorriso de encontro a minha pele. - Que eu precisava, não era algo que poderia ser imposto. Amor é algo a ser dado livremente e não imposto, percebo agora. Eu sinto muito.

A última frase saiu em um sussurro, quase doloroso. Como se tivesse sido arrancada dele, mas nem por isso menos sincero. Eu tinha para mim que Damon não era de pedir desculpas e o fato de fazê-lo me fez sentir por mais tolo que podia aparecer especial e querida. Eu apertei sua mão, incapaz de achar as palavras adequadas para o momento, mas desnecessária já que meu simples gesto pareceu fazê-lo relaxar.

– Obrigado! – ele sussurrou em meu ouvido, me fazendo estremecer ao sentir seu hálito bater em minha orelha. – Devemos voltar. Jasper está nos aguardando. – eu o escuto falar antes de derivar para o sono.