Eu não poderia deixar que nosso casal terminasse aqui sua jornada. Fui em busca de algo, nas obras de Tolkien que me permitisse dar a Thórin e Frigga outro final. Partilho da fé de Tolkien na vida eterna e no grande dom de Ilúvatar. Por isso, o final verdadeiro de nossa história não poderia ser outro que não O Último Despertar.
"Como fossem surgir na época em que Melkor prevalecia, Aulë fez os anões resistentes. Por isso, eles são duros como a pedra, teimosos, firmes na amizade e na inimizade, e conseguem suportar fadiga, fome e ferimentos com mais bravura do que todos os outros povos que falam; vivem muito, bem mais do que os homens, embora não para sempre. Antigamente dizia-se entre os elfos na Terra-Média que os anões, ao morrer, voltavam para a terra e a pedra da qual eram feitos; no entanto não é esta a crença entre eles próprios. Pois dizem que Aulë os acolhe em Mandos em palácios separados; e que declarou a seus antigos Pais que Ilúvatar os abençoará e lhes dará um lugar entre os Filhos no Final. Então seu papel será servir a Aulë e auxiliá-lo na reconstrução de Arda depois da Última Batalha."
(Silmarillion – De Aulë e Yavanna)
Thórin se sentia estranho. Seu corpo repousava sobre lençóis macios, enquanto sua mente buscava compreender o que lhe ocorria. Percebia, aos poucos, que os movimentos de seus membros se restabeleciam, quando se deu conta de que ainda estava de olhos fechados. Sentia-se diferente. Não sabia exatamente por quê. Não era mais ele mesmo. E era. Temia abrir os olhos. Ressabiou-se. Nunca em vida entregara-se a temor algum, contudo algo o estava incomodando. Buscou em si as explicações de por que estaria ali, não sabia onde, deitado a mercê do que quer que fosse. Demorou um pouco, mas seu espírito encontrou o caminho de volta e as imagens da batalha lhe vieram à mente. Havia sido ferido. Mortalmente ferido. Fora salvo? Onde estaria? E Frigga? Quedara-se em Ered Luin, aguardando sua mensagem. Esta, provavelmente, nunca chegara. Não da forma que planejaram. Dáin fora em seu socorro. Teria ele sobrevivido? Estaria em Erebor? Thórin começava a se desesperar diante de todas essas perspectivas. Então, uma voz firme, mas amiga chegou a seus ouvidos.
- Levante-se, Thórin Escudo-de-Carvalho.
Ele conseguiu abrir os olhos e sua boca se entreabriu diante da visão que se impôs. Havia luz e beleza. Uma canção que não lhe chegava aos ouvidos e sim à alma.
- É a canção dos Ainur – esclareceu a voz.
Thórin sentou-se e seus olhos percorreram os arredores em busca de seu anfitrião. Porém não viu ninguém.
- Desperte, meu filho – disse outra vez.
O anão se levantou, vislumbrando a paisagem inédita. Uma beleza terrena aperfeiçoada ao extremo, porém, parecia irreal.
- É um projeto – explicou a voz.
- Um projeto? – repetiu Thórin.
- Sim, reservado a nós por Ilúvatar desde o início dos tempos.
- Nós? – arguiu – Quem é você?
A personagem enigmática finalmente se apresentou diante do khuzd.
- A você e a mim, meu filho – respondeu Aulë, entregando a Thórin um machado prateado.
Ele não sabia como, mas aquele não podia ser outro.
- Mahal?
Aulë sorriu.
- Sempre desconfiado. Também pudera, eu os criei assim. A culpa é minha.
Thórin piscou.
- O quê...?
- Acalme-se, meu filho, há muito a ser compreendido e não será em alguns instantes que isso se dará.
- Estou morto?
Aulë riu.
- Não, claro que não. Ouso dizer que nunca esteve tão vivo. A dádiva de Ilúvatar é apenas um outro caminho a ser seguido. E você o seguiu em sua busca por Erebor. Porém, tudo isso é passado. Como disse antes, é chegada a hora da reconstrução do mundo e muito trabalho nos espera. Esse é meu ofício, minha parte na Grande Canção, por isso, Thórin Escudo-de-Carvalho, você despertou e todos os meus filhos despertaram – disse Aulë, apontando para a multidão ao longe – O Último Despertar dos khazâd. Meus filhos foram corajosos em vida. Cada um a seu modo. Receberão agora seu quinhão por terem suportado o fogo do dragão, as espadas do inimigo e o os sofrimentos do corpo com bravura.
Aulë não pode deixar de notar que os olhos de Thórin correram desesperados em busca de seus entes queridos. A reação era sempre a mesma.
- Não se preocupe, Thórin, em breve os encontrará.
O anão lançou um olhar de súplica ao seu criador, implorando uma graça especial.
Aulë ergueu as sobrancelhas. 'Frigga'.
- Sabia que me pediria isso, contudo terão a eternidade de Arda para compensar a curta ausência a qual foram submetidos. Venha, Thórin – solicitou o Valar – deve agora se juntar aos seus na reconstrução do mundo. O trabalho é grande e precisarei de todos os machados que criei.
- E quanto a Frigga? – Insistiu.
Aulë sorriu.
- Ela também tem muito trabalho a fazer, Thórin. Para nós, o trabalho pesado, para as filhas de Aulë, a inspiração das formas, cores e tamanhos de nossa obra. Têm muito em que pensar e suas habilidosas mãos estarão bastante ocupadas. Você a encontrará depois, junto a minha esposa, Yavanna, que também tem muito trabalho a fazer. Aqueles que foram julgados dignos de tamanha empreitada merecem braços que acolham seus corpos cansados. E Frigga estará à sua espera ao final de cada dia.
Thórin baixou os olhos. Mahal percebeu.
- Algum problema, meu filho?
- Foram tantos erros, meu Pai. Tantas tolices que cometi. Tanta fúria e ambição. Como pude ter sido julgado digno de... – silenciou, mirando o machado prateado em suas mãos.
Aulë se aproximou, ajoelhando-se antes de passar as mãos pela terra nova aos pés de Thórin. Imagens surgiram. Sem compreender exatamente como, o khuzd vislumbrou passagens de sua vida. Viu a si mesmo. Cada queda. Cada vitória.
- Este é o livro de sua vida, Thórin. Ilúvatar consegue ver o que não vemos. Apresentei diante dele todos os meus filhos e o livro da vida de cada um deles. Quando mostrei seu livro, o Único não me perguntou por nenhum porquê de suas ações. Não falou de ambição ou ira. Não enfatizou suas quedas.
- Mas elas existiram, meu pai, e foram muitas! Essa honra – comentou mirando novamente o machado – não me pertence.
- Erga a cabeça, Thórin – disse Aulë – não o criei para se lamentar! Jamais se entregou a isso em vida! Por que o faz agora? Desde o início eu os fiz com uma fibra que os fez resistir firmemente a qualquer dominação. E embora pudessem ser mortos ou destruídos, não podiam ser reduzidos a sombras escravizadas por outra vontade.
- Contudo eu me deixei escravizar, meu pai. Fiquei cego pela ganância...
- Não por muito tempo. Pensa que não vimos?
Thórin silenciou e Aulë prosseguiu.
- Conversamos muito, Ilúvatar e eu, sobre sua vida, repleta tanto de quedas quanto de vitórias.
O anão paralisou-se diante das palavras de seu criador.
- Conversaram?
- Sim.
- E o que Ele disse? – Indagou Thórin com a voz trêmula.
- Fez-me apenas uma única pergunta a seu respeito.
Thórin hesitou por um instante. Não estava certo de que realmente queria saber.
- E qual foi ela?
Aulë suspirou.
- 'Ele aprendeu o que realmente importa na vida?'
Thórin congelou por dentro. Um frio cruel e sinistro. O que Mahal poderia ter respondido? Seus últimos atos foram em meio à guerra, uma guerra provocada pela busca insana de um tesouro perdido, onde muitas vidas foram sacrificadas.
- Minha vida, do começo ao fim, foi repleta de imperfeições. Meus últimos atos... – principiou.
- Seu último ato foi um pedido de perdão e reconhecimento de amizade e lealdade, Thórin. Suas últimas palavras foram: Adeus, meu bom ladrão! Vou agora para os salões da espera, sentar-me ao lado de meus antepassados, até que o mundo seja renovado. Já que abandono agora todo ouro e prata, e vou para onde eles têm pouco valor, desejo partir com a sua amizade, e retiro minhas palavras e ações junto ao Portão… Há mais coisas boas em você do que você sabe, filho do gentil Oeste. Alguma coragem e alguma sabedoria, misturadas na medida certa. Se mais de nós déssemos mais valor ao lar, a comida e música do que a tesouros, o mundo seria mais feliz.
Thórin sentiu uma fisgada no peito ao ser recordado do que dissera a Bilbo, lamentando-se pelo tardio reconhecimento de sua amizade. Contudo ainda se punia por seus erros.
- Isso não basta para redimir uma vida inteira. No final das contas sei que minha dívida é impagável.
- Contas? Quer entender de contas mais do que Ilúvatar? Thórin, Thórin... Eru conhece os pesos e as medidas de cada ato. Você viveu e morreu com honra. Minha resposta ao Pai de Todos foi 'Sim, ele aprendeu o que realmente importa'.
- Está certo, meu Pai, que o senhor e o Único leram o livro de minha vida com a devida atenção?
Mahal sorriu.
- Sim, tenho certeza. E dentre tantos capítulos, houve um em particular que O fez sorrir.
- Qual? – Indagou Thórin corroído de ansiedade – Só pode ter sido o que o senhor mencionou. O pedido de perdão a Bilbo!
- Não. Esse foi o capítulo definitivo, sem dúvida alguma, e selou a decisão do Único de lhe conceder a participação na Grande Canção, mas não foi esse que abriu um sorriso na face de Ilúvatar.
Thórin baixou os olhos.
- Foi quando pedi perdão aos meus amigos por ter me deixado levar pela ambição do ouro e pedi que me seguissem uma última vez?
- Ah! Esse foi muito bom, mas, não. Ainda não foi esse.
Thórin abriu os braços.
- Então foi quando salvei Frigga, após engolir meu orgulho por amor diante dos elfos?
Mahal meneou a cabeça.
- Eu desisto, meu Pai. O que mais poderia ter sido?
Mahal sorriu, estendendo novamente a mão e folheando o livro.
- Deixe-me encontrá-lo... aqui... este... no exílio... após a queda de Erebor...
Os olhos de Thórin brilharam. Não podia ser! Algo tão pequeno! Suas mãos quase podiam alcançar aquela realidade passada que agora se fazia tão presente...
Frigga amassava a mistura de água e farinha vigorosamente. A massa seria destinada ao forno logo que o dia amanhecesse. A noite já ia alta, na verdade, e havia mais massa do que o necessário para o início do dia.
- Quer nos engordar, minha princesa? – Comentou o simpático Balin – Nunca a vi fazer tantos pães assim...
- Assumi a quota de Dis por hoje, mandei-a descansar. O bebe não a deixou dormir na noite passada. Estava inquieto com o frio que se aproxima – respondeu sem olhá-lo.
- Não o culpo. Essas cabanas não nos fornecem o calor necessário – lamentou o antigo conselheiro, lembrando-se das grandes fornalhas em Erebor, que os aqueciam tão bem. Todavia, evitou o comentário.
- Bebes sempre dão trabalho para dormir...
- No entanto – disse Balin, aproximando-se – vejo que Dis não é a única que está tendo dificuldades para conciliar o sono.
- Infelizmente, no meu caso, estou cada vez mais certa de que minhas insônias jamais terão uma causa tão pura quanto um bebe.
Balin sentiu o amargor nas palavras de Frigga.
- Tenha paciência, minha princesa. Mahal sabe o que faz.
- Pare de me chamar assim, meu amigo. Não sou mais princesa há muito tempo.
- Você e Thórin são iguais neste ponto. Esquecem-se de que a realeza depende mais de honra do que de coroas.
Ela suspirou, desviando ligeiramente o rosto a fim de fugir dos olhos atentos de Balin.
- Frigga?
- Não é nada, Balin – respondeu, intensificando a força dedicada ao trabalho com a massa.
- Não precisa mentir para mim, Frigga – comentou, pondo a mão no ombro da jovem e fazendo-a desmoronar.
- Oh, Balin – rendeu-se, abraçando o amigo.
- Eu sei, eu sei... – acalentou-a, dando tapinhas em suas costas.
Frigga derramou algumas lágrimas, antes de interromper o abraço e confessar ao conselheiro.
- Eu jamais imaginei que ele reagiria daquela forma, Balin. Pensei que entenderia.
-Acalme-se, Frigga. A verdade é que ainda não sabemos exatamente qual é a opinião dele.
- Como não? Depois que lhe contei sobre a venda da pulseira, ficou parado como uma estaca na minha frente, antes de sair sem dizer para onde ia! E já se vão três dias, Balin, três dias! – disse, enfatizando com os dedos a quantidade declarada.
- Passa mais tempo fora, quando consegue algum trabalho – contrapôs o anão.
- Sim, mas ele havia acabado de chegar!E se tiver tentado algum desatino? Se tiver matado alguém ou...
- Eu sei, eu sei – comentou o conselheiro, ciente da ineficácia de seus argumentos – confesso que também estou preocupado – concluiu, sentando-se em um banco próximo.
Frigga suspirou.
- A criança estava doente...
- Eu sei, Frigga...
- Precisava do remédio do curador dos homens...
- Não precisa se justificar para mim, minha princesa.
- Eu só tinha a pulseira...
- ...
- Por que ele não entendeu, Balin?
A pergunta de Frigga ficou pairando no ar, sem resposta, pois a porta da pequena cabana foi aberta, interrompendo-os.
Thórin entrou. Parecia cansado. Fechou a porta atrás de si e cumprimentou discretamente o conselheiro. Balin correspondeu, levantando-se em seguida e deixando o casal sozinho.
Ele tirou a capa de viagem, depositando-a em um apoio fixo na parede, antes de se aproximar de Frigga. Thórin tomou a mão dela delicadamente na sua, enquanto retirava de dentro da camisa o objeto inaudito.
A pulseira reluziu aos olhos da senhora, que permaneceu com a boca entreaberta, enquanto questionava com olhar.
Thórin nada disse, recolocando a joia de volta no lugar onde sempre estivera e fora do qual o príncipe não conseguia imaginá-la.
- O que você fez? – indagou a princesa em um sussurro, receando que o marido houvesse cometido algum desatino.
- Fui em busca do curador – disse, baixando os olhos e caminhando em direção à cama. Sentou-se, sem deixar de olhar para o chão. As mãos sujas e estendidas revelavam os ferimentos que não permitiam que fossem fechadas com facilidade.
- Suas mãos...- principiou, buscando pelos olhos que se recusavam a olhá-la.
Frigga se aproximou, ajoelhando-se diante dele.
- Olhe para mim – disse ela.
Ele não acatou o pedido, permanecendo com o olhar vazio em direção ao chão.
- Olhe para mim, Thórin! E diga-me o que fez!
O silêncio gritava aos ouvidos da princesa.
- Por Mahal, meu esposo! Você o matou?
Thórin finalmente ergueu os olhos, fitando-a.
- Não precisa se preocupar, Frigga. Não fiz nada de mal àquele aproveitador.
- Então, como...?
Um breve silêncio ergueu-se entre ambos, antes que o príncipe se decidisse, após um longo suspiro, a revelar o ocorrido.
- Já disse que não precisa se preocupar. Ofereci a ele meus préstimos, em troca da pulseira – prosseguiu – não matei ninguém, apenas baratas.
Frigga virou-se de uma vez, ante o comentário inesperado.
- Baratas?
- Sim, havia muitas naquele porão sujo onde ele me enfiou.
Ela se aproximou novamente do esposo. Pela sonoridade da voz dele, Frigga sabia que seu marido estava mais machucado por dentro do que por fora. Ajoelhou-se, tomando o rosto dele entre as mãos ainda sujas de farinha.
- Que tipo de trabalho prestou àquele homem?
- Todo tipo de trabalho – respondeu, antes de virar o rosto – durante três dias, fiz de tudo um pouco.
O coração de Frigga quedou-se dilacerado. Seu marido, o futuro Rei do Povo de Dúrin, reduzido a ... fechou os olhos, buscando pelo equilíbrio, caso contrário, a situação apenas se agravaria. Thórin precisava de apoio, não de companhia para lamúrias.
- Não precisava ter feito isso... – foi só o que conseguiu dizer.
Ele voltou o rosto para ela, com o olhar intenso.
- Precisava. E não apenas pela pulseira. Por meu povo. Se para salvar a vida de outra criança eu precisasse fazer tudo outra vez, eu o faria.
A princesa engoliu seco.
- Estou aqui para você, Frigga – prosseguiu o anão – e para meu povo. Jamais os abandonarei. Nunca mais me esconda qualquer necessidade, sua ou de qualquer outro. Da próxima vez, basta me dizer.
Frigga não saberia expressar direito o que sentia. Nunca deixava de se surpreender com as atitudes de Thórin, tão nobres quanto inesperadas.
- Lamento apenas – prosseguiu ele – que minhas mãos estejam sujas demais para lhe fazer um carinho.
Frigga segurou as mãos dele nas suas, olhando-o com firmeza.
- Suas mãos nunca estiveram tão limpas.
Ele aproximou o rosto, permitindo que sua testa encostasse na dela, antes de depositar um beijo casto em seus lábios.
- Estou exausto. – sussurrou.
- Descanse. Vou lhe preparar um banho morno.
Thórin assentiu. Frigga levantou-se, caminhando em direção à lareira, contudo, um ruído na cama chamou sua atenção. Ao se voltar, percebeu que ele havia se reclinado para o lado. Não conseguira resistir ao sono.
Ela sorriu, voltando a se aproximar. Tirou as botas dele e o máximo de vestimentas que pode. Não o despertaria. Tirou o próprio calçado e o vestido, deitando-se ao lado do esposo e abraçando-o pelas costas.
Thórin despertou, tomando a mão dela nas suas, sem abrir os olhos e percebendo a presença da joia. A pulseira estava de volta. Julgara-a perdida, porém, encontrara um meio de que retornasse, ainda que muito lhe tenha custado.
Sim, as coisas sempre voltam ao lugar ao qual pertencem. Eles pertenciam à Montanha Solitária. E um dia retornariam. Por Mahal que retornariam!
O anão permaneceu em silêncio, enquanto mirava as mãos que seguravam o machado.
- Sua esposa estava certa, Thórin – comentou Aulë – suas mãos nunca estiveram tão limpas! Tudo foi lavado pelo seu arrependimento.
Os olhos de Thórin estavam marejados de lágrimas. O líquido percorreu o rosto do Khuzd, fazendo Mahal sorrir. Thórin sentiu o gosto salgado nos lábios, estranhando o fato.
- Eu não sabia que mortos podiam chorar – comentou o anão.
- Eu disse a você: Nunca estiveram tão vivos. E de fato você tinha razão sobre a pulseira, sobre Erebor... "as coisas sempre voltam ao lugar ao qual pertencem". Vocês pertencem a esse lugar – disse, enquanto mostrava o projeto do Último Despertar – pertencem ao sonho de Ilúvatar. Filhos adotivos d'Ele, que os acolheu.
Thórin fitou-o, surpreso. Mahal compreendeu.
- Sim, eu os criei, mas Ilúvatar foi quem deu força às minhas mãos, existência a minha mente e soprou em vocês o sopro da vida. São filhos d'Ele tanto quanto são meus filhos.
Olhar trocado. Compreensão firmada.
Após o que, uma canção se fez ouvir e os corações dos khazâd ficaram inquietos, ansiosos, como seu criador, para executar a obra de Ilúvatar.
E em meio aos horrores da batalha em Erebor, Thórin pensara que a vida havia chegado ao seu final.
Enganara-se.
Sua vida havia começado ali, naquele instante, no momento de seu último despertar.
Nota da Autora: Agora sim terminamos. Já há uma nova história sobre os Khazâd sendo escrita. Podem aguardar mais um pouco de Thorin em breve!
Mas, por enquanto, deixo aqui uma recomendação de primeira: Outono, by Soi. Não lê-la, para aqueles que amam os khazâd, seria um desonra!
