POV Jennifer
Quando Harry e Draco descobriram sobre meu relacionamento com Severo eu tinha certeza que uma nova tempestade estava prestes a cair em nossas cabeças, mas foram apenas medos tempestuosos, as palavras cruéis e maldosas de Draco ainda ressonavam em minha mente quando meus demônios interiores tentavam dominar minha mente; eu nunca assumi isso para ninguém, nem mesmo para Severo ou para Mah.
Draco havia se desculpado no primeiro momento em que me viu na manhã seguinte e repetiu por várias vezes dentro dos dias seguintes, mas meus medos e inseguranças não se apagaram com o perdão.
Não era culpa de Draco, era apenas algo que eu teria que trabalhar sozinha.
Após a descoberta dos meninos ambos passaram a estar mais próximos a mim, eles tentavam conciliar com seus demais amigos e nunca ao mesmo tempo, mas sempre estavam tentando me envolver em alguma atividade e as noites passávamos todos nos aposentos de Severo em agradáveis noites de jogos de xadrez bruxo ou discussões sadias sobre qualquer eventualidade.
Era bom ver que os meninos estavam agora confortáveis comigo e Severo, embora nós não demonstrássemos qualquer afeto na presença deles.
Tão logo era sexta-feira à noite e na manhã seguinte seria a grande final de quadribol entre Grifinória e Sonserina, estávamos os quatro nos aposentos de Severo, em meio a um jantar tranquilo, ambos os meninos embora muito ansiosos com a final, estavam em um esforço quase cômico para mostrar a Severo que o jogo não afetaria o relacionamento dos dois.
Severo sempre mantinha sua postura reservada e autoritária, mas eu podia ver em seu olhar a mesma diversão que sentia com os esforços dos meninos. Próximo as onze horas levantei-me pronta para retornar ao meu quarto.
-Você já vai, Jenny? – Harry perguntou.
Assenti em concordância. – Vou sim, - Sorri travessa. – Afinal amanhã Draco e eu temos um jogo para ganhar.
Harry riu. – Não se eu puder impedir.
Draco passou o braço pelos ombros de Harry, envolvendo-o em um meio abraço. – Viu só, Potter? Até mesmo Kimmel sabe que é uma vitória garantida, sugiro que você já se conforme.
-Vai sonhando Malfoy. – Harry respondeu bem-humorado se desvencilhando.
-Bom, vejo vocês amanhã, meninos! – Declarei me dirigindo a porta quando a pergunta mais inusitada da noite me fez parar.
-Porque você não passa a noite aqui Jennifer? – Indagou Harry.
Fiquei momentaneamente sem ação. Ficar lá? Passar a noite com Severo? Tendo os meninos no quarto do lado? Severo e eu nunca se quer conversamos sobre isso, embora agora os meninos soubessem nunca demonstrávamos nada na presença deles e de repente eles sugeriram...
-É Kimmel! – Draco concordou empolgado, totalmente inconsciente ao estado de choque de Severo e eu. – Potter e eu vamos passar a noite aqui e nos arrumarmos aqui, você poderia dormir aqui também, assim amanhã levantaremos juntos para nosso grande massacre contra a Grifinória.
-Ah... – Eu não sabia o que dizer. Encarei Severo procurando em seus olhos o que deveria responder. Ele estava visivelmente tão surpreso quanto eu com a sugestão dos meninos.
Parte de mim queria acatar a sugestão e poder passar a noite lá, foram pouquíssimas as vezes em que conseguimos tal feito e agora, com os meninos cientes do nosso envolvimento talvez houvesse uma vantagem real ali, mas eu jamais forçaria uma situação se fosse deixar Severo constrangido ou desconfortável.
-Eu acho... – Comecei a dizer, mas Severo me cortou.
-Se você assim desejar Jennifer, você é bem-vinda para ficar, - Uma breve pausa. – Sempre que quiser.
A surpresa fez minhas sobrancelhas arquearem. Severo estava bem com a minha presença em sua cama enquanto os meninos estivessem nos aposentos? Isso era... Surpreendente para dizer o mínimo.
Até mesmo os meninos pareciam surpresos por um instante antes de se recuperarem e sorrirem para mim, me incentivando a ficar. Meu peito se aqueceu ao mesmo tempo que meus olhos umedeceram o sentimento de acolhimento e inclusão foi intenso demais, talvez se eu não tivesse anos de auto controle e treinamento para esconder bem meus poderes eu poderia facilmente ter perdido o controle, mas me contive.
Não confiando em minha própria voz apenas assenti em concordância, sorrindo. Os meninos se animaram, Severo deu um pequeno aceno com a cabeça, além de que, eu podia jurar que vi uma sombra de sorriso em seu rosto.
-Podemos assistir um filme! – Sugeriu Harry empolgado. Ainda me surpreendida a sua animação com seu convívio com Severo e Draco, parecia que todo o tempo que ele tinha disponível ele queria passar aqui, as vezes eu me perguntava se o relacionamento dele e de Gina estava bem.
-Acredito... – Severo falou imponente. – Que todos devemos nos recolher. Como vocês mesmos disseram, vocês têm quadribol amanhã cedo. – Sua voz não dava margem a discussões.
Era cômico ver como os meninos pareciam se intimidar e admirar Severo ao mesmo tempo, sem qualquer questionamento ambos se levantaram e após uma rápida despedida se recolheram em seus quartos. Só quando a porta deles estava fechada que Severo se levantou fazendo-me imitá-lo, em silêncio seguimos para o quarto.
Bastou adentrar os aposentos particulares de Severo para sentir toda aquela sensação intimidadora e acolhedora que sempre sinto quando venho aqui, o ar ludibriante uma mistura perfeita de colônia masculina e preparo de poções, aquele cheiro que eu tanto aprendi a amar. Vi Severo agitar sua varinha ainda em silêncio, provavelmente colocando algum feitiço silenciador no quarto, eu sabia melhor do que o interromper agora e lhe dizer que não tinha roupas para vestir.
Momentaneamente cogitei ir até o quarto dos meninos e conversar mais um pouco, mas sabia que não agradaria a Severo, embora eu duvide que ele diria alguma coisa sobre isso. Eu tinha ciência que não era nem nunca seria um tipo de autoridade ou qualquer coisa parecida com os meninos, mas agora eu estava envolvida com Severo, isso mudava tudo, era uma linha tênue que eu precisava tomar muito cuidado para não cruzar nenhum dos limites; bem ou mal, ainda tínhamos a mesma idade, estudávamos juntos e tínhamos os mesmos gostos.
Decidi seguir para a casa de banho, me preocuparia com a roupa mais tarde e se eu desse sorte, nem mesmo a roupa eu iria precisar.
A água quente era relaxante, fazia com que boa parte de toda a tensão que prendia meu corpo ceder, mesmo que fosse apenas um sentimento ilusório e temporário.
Eu não o ouvi se aproximar ou tão pouco retirar suas vestes, mas antes que eu me desse conta, as mãos de Severo envolveram minha cintura, abraçando-me por trás, sua masculinidade pressionando meu traseiro; seus lábios molhados tocaram minha clavícula e pescoço, deixando um rastro de fogo, fazendo-me gemer.
-Deus, Severo...
Senti o sorriso cálido contra a minha pele, ele nada falou, mas suas mãos logo se aventuraram por meu corpo, minha cabeça se inclinou contra seu peito e minhas mãos buscaram sua ereção sedenta por todo prazer que apenas Severo podia me proporcionar.
-Está com pressa, senhorita Kimmel? – A voz rudemente divertida dele ao pé do meu ouvido causou uma onda de arrepio por todo meu corpo.
-Eu quero você, Severo. – Gemi ao sentir suas mãos invadirem minha feminilidade. – Deus, eu preciso de você, Severo.
Eu não podia vê-lo, mas eu quase podia senti-lo sorrir mais ainda com a urgência que eu me apresentava.
Eu tinha certeza que ele me provocaria por mais algum tempo, tortura sexual era quase uma diversão a parte para Severo, mas não ali. Ele reclinou meu corpo, apoiando meus braços na parede, sua ereção logo estava pressionada contra meu traseiro novamente. Instintivamente separei minhas pernas, permitindo que ele me tomasse como quisesse, sabendo que ali ou em qualquer outro lugar, Severo sempre faria com que eu me sentisse a mulher mais afortunada do planeta.
Quando amanheceu, pela primeira vez em meses, não foi difícil me levantar, embora a fadiga ainda estivesse enfraquecendo-me eu sentia toda a disposição que aquela sensação de acolhimento e paz de estar ali com Severo, Draco e Harry me proporcionava.
Severo ainda estava dormindo assim como eu acreditava que os meninos também estavam, era bom saber que a mente de todos estava tranquila o suficiente para lhes proporcionar uma noite de sono tranquila. Silenciosamente, me levantei e vesti um robe preto de seda que estava na cadeira próxima, foi impossível não sorrir ao me lembrar da doce surpresa que for sair do banho e saber que Severo havia providenciado vestes de dormir e meu uniforme de quadribol para ali.
Eu estava disposta a preparar eu mesma um bom café da manhã para os três, eu sabia que Draco e Harry já haviam dormido varias vezes nos aposentos de Severo, eu mesma já havia amanhecido ali algumas vezes, mas esta era a primeira vez que estaríamos todos juntos.
Um café da manhã em família? Só o pensamento em si me fazia sorrir e corar. Eu amava Severo e os meninos eram grandes amigos, eu tinha um carinho especial pelos três. Poderíamos não ser uma família de verdade e eu poderia ser a única a olhar desta maneira, mas eu ainda queria que aquele café da manhã fosse especial.
Não mais que uma hora depois que eu estava de pé, Severo apareceu na cozinha, suas vestes de professor intactas como se nunca tivesse saído de seu corpo e sua expressão embora neutra, parecia mais suave ao me observar.
-Bom dia Severo. – Sorri enquanto colocava mais uma remessa de waffles na travessa. Me aproximei e beijei seus lábios.
Severo, como um homem de poucas palavras que sempre foi, nada respondeu, mas suas mãos em minha cintura e seus lábios aprofundando meu beijo foram o melhor bom dia que eu poderia receber.
-A que devemos a honra deste banquete logo pela manhã? – Perguntou ele quando finalmente me afastei para voltar ao fogão.
Dei de ombros, o sorriso nunca deixando meus lábios. – Eu apenas queria que tivéssemos um café da manhã especial. Hoje é um grande dia.
Vi ele assentir em concordância. – Os elfos teriam trazido de bom grado uma refeição para nós se era seu desejo fazer nosso desjejum aqui.
-Sei que sim. – Coloquei o café na mesa e os pães. – Mas eu gosto de cozinhar e queria fazer isso para vocês. – Senti minhas bochechas corarem, mas ignorei arrumando desnecessariamente a travessa de frutas. – É importante pra mim.
-Então devo acordar os meninos antes que eles percam o horário e não tenhamos tempo para este café da manhã. – Assenti em concordância. – Eu gostaria que você se arrumasse antes que eles saiam do quarto.
Meu sorriso aumentou, Severo de sua maneira própria e imponente demarcava seu território e isso era motivo o suficiente para me sentir especial. – É claro. – Concordei roçando meus lábios nos seus, antes que o beijo se aprofundasse voltei ao quarto para me arrumar.
Quando retornei, já vestida com o uniforme da Sonserina e o cabelo preso em um rabo de cavalo alto, os três estavam sentados a mesa degustando do café e conversando animadamente, exceto Severo que comia em silêncio e em sua compostura usual, embora atendo a conversa dos meninos.
-Bom dia! – Declarei fazendo minha presença conhecida, sentei-me entre severo e Harry e logo comecei a me servir.
-Bom dia! Obrigado pelo café, Jennifer, está tudo incrível. – Harry agradeceu com um sorriso radiante, seu olhar tinha um brilho intenso e emotivo, eu arriscaria que aquele pequeno café da manhã entre todos nós significava para ele também um "momento em família", ele nunca expressou isso tão pouco eu.
-Não há de que. – Respondi com um leve sorriso.
-Está pronta para nossa grande vitória hoje, Kimmel? – Draco provocou Harry.
-Não será tão simples assim, Malfoy! – Harry me impedir de responder cedendo a provação. – A Grifinória vai esmaga-los como todos os anos.
-Temos Kimmel agora, vocês não têm a menor chance.
Revirei os olhos e encarei Severo, o qual observava tudo sutilmente, mas parecia pacífico, era um café da manhã agradável para ele também.
-Que tal uma aposta, Potter? – Draco sugeriu fazendo um arrepio percorrer minha espinha. Essa era uma péssima ideia. Eu quis salvar os meninos de se meterem em confusão, mas Draco insistiu. – Em cerca de um mês terá a final mundial de quadribol, quem perder vai pagar as entradas para assistirmos.
-Draco... – A voz profunda de Severo foi o suficiente para Draco perceber o quão estupido era oferecer aquela aposta à Harry, ao menos na frente de Severo. – Pensei ter sido claro que não queria rivalidades entre vocês dois.
-É apenas uma disputa saudável, eu juro!
Gemi internamente, isso estava prestes a se tornar um completo desastre. Eu tinha que intervir.
-Porque nós não apenas damos o nosso melhor hoje e vamos todos a final de quadribol independente de quem ganhe? – Forcei um sorriso.
Sabiamente ambos os meninos pareceram entender e não mais insistiram no assunto. Antes mesmo que eu percebesse já estávamos prontos e seguindo nossos caminhos para o jogo.
Harry foi encontrar o time na torre da Grifinória, Draco retornou para a salão comunal da Sonserina e eu apenas me dirigi diretamente para o campo, ciente que Severo faria o mesmo utilizando um caminho diferente e provavelmente dando-nos uns minutos de diferença, não sem antes de relembrar a importância de me manter discreta e não utilizar meus poderes novamente, independentemente da situação, ele e os demais professores estariam cuidando dos alunos.
Embora o cansaço estava consumindo minhas energias eu me sentia animada e feliz com a partida que estava para acontecer, eu sabia que independente do resultado eu ficaria feliz, se fosse a Grifinória seria por Harry e se fosse a Sonserina seria por Draco e quanto a mim, eu só estava feliz por jogar era quase como se sentir completa.
-Bom dia, minha querida. – A voz de Dumbledore trouxe-me de volta a realidade. Virei para encontra-lo e sorri.
-Bom dia.
Sua expressão desmoronou e ele me encarou por trás dos óculos. – Você está bem, Jenny? Parece debilitada.
Neguei com a cabeça tranquilizando-o, voltamos a caminhar juntos em direção ao campo.
-Estou bem, é apenas o cansaço do final de ano.
Dumbledore assentiu. – Por favor não descuide de sua saúde, criança.
-Eu não vou.
-Você nunca recuperou seu peso daquele incidente. – Observou ele.
Suspirei desanimada. – Eu vou me cuidar melhor, eu prometo.
Caminhamos alguns metros em silêncio até Dumbledore novamente se pronunciar. – Este ano teremos modificações no baile de encerramento do ano letivo. - Encarei-o surpresa, eu não estava animada com o baile, não era como se eu pudesse ir com Severo ou ao menos ter uma dança com ele. – Acredito que a guerra causou muitos danos e isolou muitos alunos então pensei que talvez devêssemos aproveitar o baile para nós unir novamente.
-O que tem em mente, diretor?
Dumbledore sorriu e deu de ombros. – Logo você saberá criança, agora você deve ir, a partida logo vai começar. – Ele me encarou com um sorriso travesso por trás dos óculos. – Espero que a Sonserina ganhe este ano.
Sorri divertida, Dumbledore passava por cima de seu amor por sua casa para torcer pela casa que eu estava jogando. Severo tinha razão, no final das contas, meu pai estava tentando se redimir.
A partida de quadribol passou mais rápido do que eu poderia ter imaginado, eu mal tive tempo de olhar Harry e Draco antes que ambos sumissem pelo campo em busca do pomo, então tive minha atenção totalmente focada no jogo.
A Grifinória começou abrindo vantagem no placar, colocaram três alunos colados em mim que me dificultaram fazer qualquer movimento ou prestar atenção em muito mais coisa do que eles.
-Vocês não vão conseguir acabar com a minha brincadeira logo. – Garanti para ninguém enquanto impulsionava a vassoura para cima, fugindo dos grifanos. A partida transcorre com uma marcação serrada em cima de mim, mas não o suficiente de me fazer marcar alguns pontos pela Sonserina.
Poucas vezes vi Harry ou Draco voando pelo campo, mas me concentrei em garantir o maior número de pontos possível para a Sonserina, aquele era meu ultimo jogo e eu não cederia a vitória tão fácil.
-Misck – Gritei para a batedora. – Me cubra! – Pedi apontando para os grifanos na minha cola.
Não precisei olhar para trás para saber que eu tinha os batedores atentos a me ajudar a marcar alguns pontos. Assumi a formação de ataque e em poucos minutos já havia marcado um número considerável de gols.
Eu estava feliz, independente se Draco conseguisse ou não pegar o pomo, eu estava dando o meu melhor e isso era tudo que me importava, a demais, a cara de raiva que Rony Weslaey fazia a cada gol que perdia era impagável, quase uma diversão a parte.
-O que você está querendo provar, Kimmel? – Gritou ele quando marquei o quinto gol. Sua raiva era palpável.
Levantei uma mão em rendição. – É apenas um jogo, Rony. – Gritei de volta, sorrindo. – Nada pessoal eu juro.
Não ouvi sua resposta, já alavancando a vassoura para seguir a goles pelo campo, mas não tardou até sentir uma forte pancada na cabeça antes de tudo escurecer.
A escuridão parecia aos poucos se afastar enquanto uma dor latente em minha cabeça aumentava.
Puta merda, que dor. O que diabos aconteceu?
Forcei meus braços a se mexerem tentando alcançar minha cabeça e minimizar a dor latente que sentia.
-Ela está acordando. – Uma voz ansiosa estava perto de mim. Meus olhos estavam pesados desencorajando-me a abri-los, mas me forcei, eu precisava de uma poção ou um remédio que acabasse com aquela dor infernal. – Jenny?
Grunhi uma resposta; tapei meus olhos tentando evitar a claridade eminente. -A senhora pode diminuir um pouco a luz? – Perguntou outra voz. Não ouvi uma resposta, mas logo meus olhos não doíam mais com a luminosidade.
Quando finalmente consegui focalizar percebi que próximo a mim estava Harry com Hermione logo atrás dele, ambos com uma expressão preocupada no rosto.
Comecei a me sentar, Hermione e Harry me ajudaram. - O que houve? – Minha voz estava rouca com a garganta seca. Logo um copo de água foi estendido para mim, imediatamente tomei um gole. – Obrigada. – Ao levantar meu olhar novamente observei que o diretor e a professora Mcgonagall se aproximando, ambos com olhares ansiosos no rosto.
-Jennifer. – Hermione chamou em um tom doloroso. – Eu sinto muitíssimo pelo comportamento do Rony, eu...
Franzi as sobrancelhas e fiz sinal para que parasse. – Espere, o que Rony fez?
-Você não se lembra? – Indagou ela. Neguei com a cabeça.
-Rony roubou o taco de um dos batedores e acertou um balaço na sua cabeça. – Harry explicou sem inflexão na voz, mas seu olhar entregava sua raiva.
Minhas mãos foram para minha cabeça. – Isso explica a dor de cabeça.
-Madame Pomfrey assegurou que apesar da pancada não houve danos sérios e você está sem dor dentro de dois dias, querida. – Dumbledore se manifestou. Assenti em concordância.
-A atitude indesculpável do senhor Weasley será gravemente penalizada senhorita Kimmel, eu lhe asseguro. – Professora Macgonagall estava irritada. Reprimi um suspiro, Rony precisava superar essa aversão a mim, nitidamente só estava criando problemas para si mesmo.
-Posso ir para o meu quarto? – Perguntei desviando o assunto, não ansiosa para aumentar a revolva dos grifanos.
-Você teve uma concussão, Jennifer. – Hermione estava escandalizada com a minha ideia, aparentemente. – Precisa ficar eu observação.
Suspirei. Deus, como eu odiava hospitais e enfermarias. Eu sabia que ela estava certa, mas também sabia que só havia uma maneira de conseguir burlar qualquer regra.
-Pai, por favor? – Pedi em uma voz manhosa e olhos pedintes. – Eu só quero ir para o meu quarto.
Pelo olhar de culpa no rosto do diretor eu sabia que tinha conseguido. Deus, eu adorava estar na vantagem. Reprimi o sorriso.
-Diretor, você não pode estar considerando liberá-la sem a autorização de Madame Pomfrey. – Professora Macgonagall estava tão inconformada como Severo tinha ficado quando pedi ao diretor para jogar quadribol depois do meu descontrole.
-Vou garantir que Jennifer fique bem, Minerva, fique tranquila. – Garantiu Dumbledore tentando passar confiança. Não precisei ouvir mais nada e logo retirei as cobertas de minhas pernas e me levantei rápido demais pois minha visão escureceu e minhas pernas fraquejaram.
-OW, - Harry me segurou. – Fácil, agora.
-Sim, - Professora Mcgonagall era sarcástica. – Posso ver como a senhorita Kimmel está perfeitamente bem.
Não pude evitar sorrir, era divertido vê-la desdenhando do diretor.
-Minerva não seja tão dura, Jennifer só precisa de repouso. – Dumbledore se justificou. – Harry você poderia acompanhar Jenny até seu quarto? – Vi Hermione abrir a boca, provavelmente para dizer que também nos acompanharia, mas o diretor foi mais rápido. – Senhorita Granger, preciso que, como monitora chefe, garanta que ninguém do time da Grifinória deixe a torre até que Minerva e eu estejamos lá para falar e direcione o senhor Weasley para meu escritório por favor.
-Sim senhor. – Ambos responderam juntos. Reprimi um sorriso e comecei a calçar meus sapatos, ainda com os braços de Harry me apoiando. Dumbledore era genial, acionar a função de monitora chefe de Hermione justificava perfeitamente porque ele colora Harry, mesmo sendo um garoto, para me acompanhar ao invés de Hermione.
Assim que eu estava pronta para ir e Harry com todos os meus acessórios do uniforme. – Vou enviar alguém para cuidar de Jennifer assim que possível, enquanto isso se puder fazer companhia a ela... – Ele nos encarou por cima dos óculos meia lua com aquele olhar indecifrável.
-Claro senhor. – Concordou Harry. – Não vou perde-la de vista.
Sorri calidamente, Dumbledore era um excelente manipulador para que as coisas saíssem exatamente como ele previa. – Vou me trocar. – Avisei a Harry enquanto pegava minhas roupas e puxava a cortina para ter privacidade.
Não muito depois, Harry estava me ajudando e me deitar no conforto do meu quarto. – Obrigada. – Sorri quando ele puxou a coberta para meu colo.
-Como está a cabeça?
-Doendo. – Passei a mão pelo ponto dolorido. – Mas vou viver.
-Eu realmente sinto muito Jennifer. –Sua voz era repleta de remorso. Harry se sentou ao meu lado. – Ainda não consigo acreditar que Rony fez isso.
-Não se preocupe. – Sorri fracamente. – Essas coisas acontecem.
-Você sabe que não foi uma fatalidade. – Harry retrucou irritado.
Dei de ombros. – Não importa, isso é passado agora, Harry.
-Você perdoa muito facilmente. – Seu sorriso era fraco. – Seria uma excelente lufana.
Ri abertamente. – Acho pouco provável, mas obrigada Harry. – Era bom estar na companhia de Harry, mesmo quando o silencio se estendeu.
-Achei que professor Snape mataria o Rony quando ele te acertou. – Harry trouxe-me de volta a realidade. Levantei as sobrancelhas em surpresa.
-É verdade, como acabou o jogo? – Como eu poderia ter me esquecido da grande final?
Harry encarou-me cético. – Você está mais preocupada com o resultado do jogo do que com a sua saúde?
Dei de ombros, não interessada em seguir aquele rumo da conversa. – Quem ganhou?
Harry suspirou frustrado. – A Sonserina ganhou. – Meu queixo caiu em descrença. Nós realmente havíamos ganhado? Isso era... – Era por isso que Draco e o professor Snape não estavam na enfermaria com você, uma vez que uma vitória dessas veio e eles garantiram seu bem-estar não havia razão plausível para continuarem na enfermaria principalmente porque seu pai estava lá; mas o professor Snape me fez prometer que não deixaria seu lado até que ele estivesse de volta. – Harry fez uma pausa, pensado. – Tenho certeza que logo algum deles virá aqui ver como você está.
Sorri sentindo o calor aquecer meu peito. Era bom me sentir cuidada, mesmo que nossas rotinas impedissem o contato imediato, era bom saber que eles se preocupavam.
-Você não precisa realmente ficar aqui Harry. – Tentei livrá-lo das obrigações que Severo havia imposto.
Harry negou com a cabeça. – Mesmo que Snape não tivesse me pedido nada, eu não deixaria você sozinha, eu me preocupo com você.
Sorri, Harry era incrível. – Obrigada.
-Não precisa me agradecer. – Garantiu ele. – Por que você não tira um cochilo, tenho certeza que vai se sentir melhor quando acordar.
Eu não queria deixar Harry sozinho, sem ninguém para conversar, mas sabia que ele tinha razão, minha cabeça parecia latejar cada vez mais tornando a dor realmente incomoda até mesmo para alguém como eu. – Eu acho que vou seguir seu conselho, por favor sinta-se à vontade para ficar confortável no quarto.
Harry sorriu assentindo. – Eu vou. – Ele se levantou e com um aceno com a varinha as luzes ficaram mais fracas, tornando o ambiente muito mais aconchegante, quase que convidando meus olhos a se fecharem.
-Obrigada por tudo Harry. – Sussurrei antes que o sono me vencesse.
-Só quero que fique bem, Jenny. – Foi a ultima coisa que consegui escutar antes de me entregar a escuridão sem sonhos.
Bom dia Queridos!
Mais um capítulo, espero que vocês tenham gostado!
Não deixem de comentar.
Beijos,
Marry Black.*
