Aviso: Inuyasha e Cia. ainda não me pertencem, ainda por que um dia pelo menos o Kouga!

The fury in the snow.

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Parte três: Kagome, a única.

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Nevasca de verão.

Do lado de fora do apartamento a temperatura provavelmente ultrapassava os 30°C, mas dentro dele a neve caia ininterrupta já a seis noites e sete dias, por isso não era de se estranhar que ali dentro Shippou precisasse usar suéter, luvas e gorro.

Ele continuava sem ter a menor idéia do que Madame Eleonor e seu irmão haviam conversado naquele dia, e embora o idioma russo fosse uma língua brusca e assustadora aos ouvidos do pequeno raposo ele, de alguma maneira, conseguiu identificar que os dois não estavam brigando, mas mesmo assim o tema daquela conversa havia deixado Madame Eleonor com um humor terrível desde então, prova disso era a neve que continuava caindo, e caindo, e caindo...

—Shippou. — Madame Eleonor chamou, franzindo o cenho ao entrar na sala. — O que esta fazendo?

Shippou ergueu os olhos, com as bochechas vermelhas de vergonha, a sua frente havia um boneco de neve de quinze centímetros de altura, com braços feitos de palitos de dentes.

—Eu...

—Na Rússia há uma antiga superstição de que se um casal fizer uma criança feita de neve eles ganharão uma filha. — comentou ao aproximar-se observando o bonequinho. — Sente falta de Rin?

—Eu? Sentir falta daquela chata? Imagina! — negou batendo descuidadamente com o pequeno punho no boneco de neve e o desfazendo — Opa.

Madame Eleonor sorriu com aquilo, e com um leve girar de pulso fez com que o bonequinho de neve se reconstruísse, ela parecia muito calma e muito tranqüila ali sentada com ele observando o bonequinho de neve em cima do tapete, mas a neve não a deixava mentir: estava furiosa, como Shippou nunca tinha visto antes.

Ele viu Madame Eleonor erguer a mão, com a palma para cima, e observar enquanto alguns flocos de neve pousavam nela sem se derreter, lá fora o sol ardia quente e brilhante.

—O frio o esta incomodando Shippou? — perguntou ainda observando os flocos de neve.

Shippou encolheu os ombros.

—Quase nada. — respondeu — Quando se é criado por uma Mulher das Neves a gente meio que se habitua ao frio.

—Se o frio começar ao incomodar é melhor me dizer. — avisou em tom de ameaça fechando a mão em um punho, e quando a abriu de novo havia ali uma minúscula bailarina feita de gelo com asas de anjo, que girou em sua palma duas ou três vezes antes de despedaçasse — Você sabia que a Rússia é conhecida como o país com as pessoas mais loucas do mundo?

Madame Eleonor sempre tivera o costume de falar de sua amada pátria Rússia, mas nos últimos dias, desde que a neve começara a cair, ela vinha falando com muito mais freqüência, fazendo o pequeno menino sentir um frio no estômago.

—Madame Eleonor. — chamou.

—Sim, Shippou?

—Por que seu irmão veio ao Japão?

—Ele veio a mando do senhor seu pai. — respondeu sem pestanejar, mas então franziu o cenho, parecendo perceber ter falado algo errado e corrigiu-se: — Nosso pai. Ele veio a mando do senhor nosso pai.

O pequeno raposo olhou para sua criada das neves, que o criara desde bebê, e mordeu o lábio inferior tomando coragem para lhe perguntar o que há uma semana já vinha querendo saber:

—E ele mandou seu irmão vir até aqui para levá-la de volta para Rússia?

Ele engoliu em seco diante a expectativa da resposta, não queria que Madame Eleonor fosse embora, ela era a única família que ele conhecia.

—Não. — a mulher youkai respondeu, para seu alivio, mas o alivio acabou durando pouco, pois logo ela completou: — Ele o mandou vir até aqui para obrigar-me a casar!

Por dois segundos a neve rodopiou com mais força em torno dos dois, e um punho pálido e gelado desceu com força sobre o bonequinho de neve, esmagando-o por completo, e então a neve voltou a tranqüilizar, e a mão gelada ergueu-se e sacudiu-se levemente para livrar-se da neve, e voltou a repousar no colo da mulher das neves, como se nunca tivesse saído dali.

Shippou ficou observando o montículo esmagado de neve por alguns segundos sem dizer nada antes de voltar a erguer novamente os olhos para a youkai.

—Madame Eleonor? — voltou a chamar.

—Sim, Shippou?

—O frio esta me incomodando agora.

Pareceu então à Shippou que Madame Eleonor diria algo, quando ouviu que alguém batia na porta e ficou imediatamente alarmado.

E se fosse seu pai?

Ele não podia de jeito nenhum ver o apartamento naquele estado, porque certamente demitiria Madame Eleonor!

Céus, o homem passava mais um ano fora e decidia voltar justo naquele dia?!

Era realmente muito azar!

Madame Eleonor levantou-se, parecendo não compartilhar dos temores do garoto.

—Resolverei este problema com a neve logo, mas primeiro atenderei à porta. — garantiu a Mulher das Neves.

—Madame Eleonor espere, é melhor livrar-se da... — mas em sua pressa de se levantar acabou tropeçando e caindo de cara na neve. —... Neve antes de...!

Tarde demais, pois Madame Eleonor já abria a porta.

Porém não se tratava do pai de Shippou, tal como o menino temera, e sim de Jokull, o irmão youkai cachorro de Madame Eleonor, mas ele parecia bem mais pálido e abatido do que da última vez.

—Jokull. — Madame Eleonor arqueou uma sobrancelha para o irmão — Você não me parece bem.

Afirmou em russo, Jokull sabia falar japonês suficientemente bem para se fazer ser entendido, mas obviamente se sentia bem mais confortável falando em sua língua materna.

—É apenas o calor Eleonor. — afirmou levantando uma mão para secar a testa — Deve estar fazendo mais de 30°.

—E mesmo assim olhe só para você ai todo engravatado! — ela girou os olhos.

Jokull olhou para a neve caindo acima da cabeça e ao redor dos ombros da irmã e percebeu o "paraíso de inverno" que se estendia dentro do apartamento logo atrás dela.

—Eleonor. — ofegou — Você vai me convidar para entrar ou não? Temos assuntos a tratar.

Madame Eleonor torceu levemente as feições.

—Sim eu imagino. — respondeu — Mas primeiro eu peço que, por favor, espere aqui por um momento.

Afastou-se um passo para trás fechou a porta e virou-se para Shippou, que estava no final do corredor, meio escondido, apenas escutando o que diziam, mas Madame Eleonor não sabia dizer o porquê, afinal o menino não falava uma palavra sequer em russo.

—Shippou. — chamou e em japonês claro disse: — Na ausência do senhor seu pai você é o mestre da casa, então gostaria de ter sua permissão para convidar meu irmão para entrar. Eu a tenho?

Shippou arregalou os olhos de forma surpresa, pois eram raríssimas às vezes em que Madame Eleonor se comportava de maneira tão formal, na verdade, seu jeito esnobe com um toque de impertinência de ser, lhe parecia de longe muito mais natural.

—É... É claro que sim Madame! — respondeu — Sim o convide para entrar, ele é um youkai do frio como você não é? Deve estar passando mal lá fora.

Madame Eleonor sorriu.

—Obrigada pequeno Shippou, você é um bom menino, Jokull foi nascido e criado na Rússia e embora já esteja acostumado a viajar freqüentemente, ele realmente não se da bem com o calor.

"Pequeno Shippou"? Era realmente estranho ouvi-la falar de forma tão formal, mas até que ele podia se acostumar com isso. Será que ele conseguia fazê-la chamá-lo de "pequeno senhor" ou "jovem mestre" ou qualquer coisa desse tipo, assim como Ryu e seu amigo Shinichi fazia com Rin?

Madame Eleonor voltou a abrir a porta para o irmão Jokull e disse algo em russo para ele que, pelos gestos, Shippou supôs ser algo como "entre logo de uma vez!", e ele entrou respondendo algo que podia ser tanto "obrigado" quanto "já estava na hora!" — sinceramente para ele o russo era uma língua tão brusca que parecia que os falantes estavam sempre irritados e brigando.

Quando Jokull parou em frente à Shippou após falar com Madame Eleonor por um momento, o menino percebeu o quanto o russo parecia lívido, ele nunca havia visto um youkai desmaiar antes, mas sempre podia haver uma primeira vez para tudo.

Jokull começou a tentar falar com Shippou em japonês, mas as palavras saiam parecendo um pouco bruscas e forçadas:

—Shippou. Eu querer a... Agra... Como diz?

—Agradecer. — Madame Eleonor ajudou.

Madame Eleonor não havia contado isso à Shippou, mas no inicio Jokull acreditara que Shippou era filho dela, e que essa era a razão para ele nunca ter voltado para a Rússia e para agora recusar-se a se casar, e ela levara muito tempo para convencê-lo de que na verdade era a criada de Shippou e não sua mãe, afinal ela era a herdeira de uma grande família japonesa e a segunda filha de um influente Daí Youkai russo, por isso era tão importante que tratasse Shippou tão formalmente na presença do irmão.

—Isso. Eu querer agradecer a hos... Hospi... Obrigado. Isso. Obrigado por... Receber-me em... Como diz? Casa.

Em seguida fez algo que Shippou jamais esperaria: ele o ergueu do chão e lhe deu um beijo em cada bochecha.

Quando foi colocado de volta no chão Shippou olhou de forma abismada para Madame Eleonor, que apenas encolheu os ombros e sorriu.

Madame Eleonor tinha razão, os russos eram mesmo um bando de malucos.

*.*.*.*

Inuyasha havia dito à Miroku sobre como ele prometera a Kagome que se ela ouvisse o que ele tinha a dizer ele a deixaria em paz de uma vez, mas, agora Miroku percebia isso, era obvio que a miko não pretendia facilitar em nadas as coisas para o hanyou, na verdade, parecia que ela pretendia dificultá-las ao máximo.

—Eu juro que ela faz essas coisas só para provocar. — Sango resmungou impaciente ao seu lado, olhando através da janela do carro para Kagome que saia pelos grandes portões da mansão Taisho acenando para os seguranças.

Miroku limpou a garganta.

—De certa forma ela é... Bem cruel, não acha? — perguntou cuidadosamente. — E eu que sempre ouvi dizer que mikos eram criaturas puras e bondosas.

—Ela é pura, bondosa e generosa. — Sango afirmou — Mas isso não a impede de também ser implicante, impertinente e, sim, até um pouco cruel também, ela é uma miko, mas ainda é humana, esse foi o equilíbrio que ela encontrou.

Kagome estava jogando conversa fora com os seguranças, Sango bufou.

—A história idealizou muito as antigas mikos. — afirmou desgostosa — A verdade é que as mikos, apesar de tudo, ainda eram humanas, bondosas sim, mas ainda suscetíveis aos mesmos erros que qualquer outro humano, só que a pressão era muito maior sobre elas para se mantiver sempre serenas e perfeitas, e nunca se deixarem serem corrompidas, mantendo assim sempre um tênue equilíbrio.

Miroku observou Kagome acenar uma última vez para os seguranças e finalmente começar a afastar-se dos portões.

—Vê-se logo que ela não sofre essa pressão.

—Ela mantém o próprio equilíbrio. — Sango contestou — Só que do jeito dela.

Kagome sempre fazia tudo do jeito dela, nunca escutava ninguém, era uma inconseqüente avoada, de certa forma parecia-se com uma criança que nunca crescia, e agora mais do que nunca.

Foi quando a dita Miko abriu a porta de trás do carro, e jogou-se ali de forma infantil, ostentando no rosto um sorriso que combinava com seus gestos.

—Desculpe tê-los feito esperar. — disse.

—Pra começo de conversa você nem deveria ter vindo até aqui. — Sango respondeu ranzinza.

—Rin me chamou, ela se sente sozinha aqui e, embora não queira admitir, sente falta da companhia de Shippou, eu não podia deixar de vir. — explicou toda inocente quando o carro se colocou em movimento — E o senhor Inutaisho disse que minha presença na mansão será sempre mais do que bem vinda, então por que eu não deveria vir?

—Você sabe por quê. — sibilou.

—Sei?

Sango suspirou levando dois dedos a testa, uma criança com certeza, mas uma de um dos tipos mais cruéis possíveis.

Miroku pigarreou.

—Sabe senhorita, eu também acho que você não deveria ficar vindo aqui para esfregar sal e vinagre nas feridas de Inuyasha.

—Mas eu não venho aqui por Inuyasha. — ela respondeu toda ela a imagem da inocência. — Além do mais não quero que Rin volte a pensar que a estou abandonando, então enquanto eu ainda não parti e ela me chamar eu virei.

Miroku suspirou.

—Muito bem. — disse — Então vou falar com Rin e pedir para ela parar de te chamar, e por mais teimosa que ela seja eu sei que ela vai me escutar, porque gosta muito do tio.

No entanto Miroku logo descobriria que isso não seria necessário, pois naquele exato momento os portões da mansão, que eles haviam deixado para trás há poucos minutos, voltavam a se abrir para permitir a entrada do carro do orgulhoso mestre Sesshoumaru que voltava de viajem.

E como sempre Rin saiu da mansão e desceu correndo de braço abertos ao encontro de seu mestre assim que ele colocou o primeiro pé para fora do carro.

—Mestre Sesshoumaru, o senhor esta de volta! — gritou contente.

—Meu Deus, Sesshoumaru é assim que ela sempre se comporta? — Rin ouviu a voz da mãe de seu mestre perguntar em seu usual tom de reprovação de dentro do carro dele.

Rin parou hesitante ainda nos degraus da escadaria de entrada, sem saber direito como deveria se comportar na presença daquela youkai — pois ainda não havia esquecido como ela deliberadamente havia tentado separá-la de seu mestre assim que descobrira sobre sua existência.

Por que o mestre Sesshoumaru havia saído sozinho em viajem e voltado com aquela senhora?

Sesshoumaru pôde sentir a ansiedade e o desconforto de sua pequena protegida, e evitou um suspiro e ao impulso de ignorar a mãe, era certo que sua mãe nunca a aceitaria — em circunstancias normais uma reles garotinha humana não deveria ser digna nem sequer de um relance da atenção de Arina-hime — mas sendo Rin sua protegida, o mínimo que se podia esperar de Arina-hime era que ela tolerasse a criança, mas pelo visto isso também estava longe da realidade.

—Rin possui um espírito livre e alegre, tentar refreá-lo é simplesmente inútil, isso é tudo minha senhora. — disse por fim — Rin venha aqui.

Obediente mente a menina desceu os dois últimos degraus e parou em frente a seu mestre.

—Amo Sesshoumaru, seja bem vindo de volta. — disse solene.

Sesshoumaru colocou a mão sobre sua cabeça.

—Você foi bem tratada durante minha ausência Rin?

—Sim amo, eu sempre sou.

—Muito bem.

—Sesshoumaru. — Arina-hime chamou rispidamente — Sesshoumaru mostre algum respeito pela sua mãe, abra a porta desse carro e me ajude a descer! Será que não te dei nenhuma educação?

Sesshoumaru rosnou baixinho, poucas pessoas podiam irritá-lo tanto e viver para se vangloriar disso como Arina-hime.

Virou-se e abriu a porta do carro, curvando-se formalmente e estendendo a mão para ajudá-la.

—Seja bem vinda minha senhora.

—Obrigada. — agradeceu gelidamente, aceitando a mão que o filho lhe estendia.

Rin colocou as mãos sobre as cochas e se curvou quando os olhos da Senhora recaíram sobre ela.

—Senhora Arina-hime é uma honra...

Arina-hime passou reto por ela e entrou na mansão, como se Rin não existisse, mas pelo menos ser ignorada pela senhora era melhor do que receber palavras ferinas.

—Rin. — Sesshoumaru a chamou. — Apronte-se, iremos para casa ainda hoje.

—Sim amo. — respondeu.

E observou em silêncio enquanto o amo entrava na mansão Taisho, e engoliu em seco sentindo um aperto no peito, seu amo havia dito que mesmo depois de se casar nada mudaria e ela continuaria sendo a primeira e mais importante, mas e se a nova esposa do amo fosse tão ou até mais intransigente que a mãe dele?

—Você sabe o que geralmente acontece quando um youkai que tem uma protegida esta prestes a se casar? — Inuyasha perguntou aparecendo de repente agachado atrás de Rin.

—Ai tio Inuyasha! Da onde você saiu?! — a menina assustou-se, mas Inuyasha limitou-se a encolher os ombros. — O que... O que estava dizendo sobre youkais que têm protegidas e se casam?

—Ah sim. — ele levantou-se — Você sabe o que geralmente acontece com as protegidas de youkais quando seus mestres decidem se casar?

—Não... O que?

—Elas são mandadas para longe pelas madrastas.

—O que?!

—Geralmente para colégios internos, porque uma mulher youkai dificilmente aceita criar uma criança que não seja sua.

—Mas eu não quero! — Rin protestou — Não quero nunca ser mandada para longe de Sesshoumaru-Sama!

—Ah, você não precisa se preocupar tanto assim. — Inuyasha afirmou bagunçando os cabelos de Rin — Porque no seu caso eu acho muito mais fácil Sesshoumaru mandar para longe a mulher ao invés de você, porque se ele já gostou de alguma coisa, certamente foi de você. — porém antes que Rin pudesse suspirar aliviada ele completou: — Claro que não se pode ter muita certeza, porque eu não acho que Sesshoumaru ao menos saiba o que é gostar.

Rin franziu o cenho e afastou-se do tio com um empurrão.

—Tio Inuyasha, será que eu posso lhe dar um conselho?

Inuyasha arqueou as sobrancelhas.

—Se você quiser... Sinta-se a vontade.

—Obrigada. — ela limpou a garganta. — E o meu conselho é o seguinte: quando o senhor sentir que alguém esta pra baixo... Fique quieto, não tente ajudar, porque você só vai piorar tudo. E nem pense que vou te falar de Kagome agora!

Inuyasha piscou surpreso, mas Rin já estava indo embora.

—Rin espera! — ele correu ao seu encalço. — Não foi o que eu quis dizer!

*.*.*.*

—Kagome! — Sango chamou, mas a outra nem pareceu ouvi-la — Kagome! Kagome aqui em baixo! Olhe aqui!

De repente dando-se conta de que alguém a chamava, Kagome olhou para baixo.

—Olá Sango! — disse sorridente. — O que faz ai?

Sango franziu o cenho.

—Sou eu quem devia perguntar isso! — afirmou — Por que esta aí em cima do telhado de novo?!

—Me sinto a vontade aqui. — Kagome respondeu encolhendo os ombros.

—Claro afinal quem não se sente mais a vontade com a possibilidade de cair e quebrar o pescoço? — Sango resmungou girando os olhos.

—Não é maravilhoso Sango?

Sango franziu o cenho.

—O que?

Kagome aspirou fundo e afirmou:

—Eu quase posso sentir o cheiro da sua preocupação.

—Ora Kagome, pare de brincar e venha já para dentro! — Sango reclamou entrando novamente em casa.

A cabeça de Kagome apareceu de ponta cabeça na janela.

—Não é brincadeira, eu realmente posso senti as suas emoções.

—Você esta mesmo falando sério Kagome?

—Claro que estou. Meus poderes estão se desenvolvendo cada vez mais a cada dia que se passa. — ela olhou de um lado para o outro. — E Miroku?

—Já foi.

—Ah. Então se afaste.

A cabeça de Kagome sumiu da janela, Sango franziu o cenho, mas afastou-se dois passos para trás, e no instante seguinte Kagome saltou para dentro fazendo Sango arquear as sobrancelhas.

—Você esta evitando o Miroku?

Kagome juntos as mãos nas costas e inclinou a cabeça de lado.

—Eu não.

—Então por que só entrou depois que soube que Miroku já tinha ido? — perguntou cruzando os braços.

Kagome mordeu o lábio inferior com um sorriso travesso.

—Bem eu...

Sango cerrou os olhos de forma desconfiada.

—Kagome o que você esta aprontando agora?

—Eu nada. — Kagome conteve o riso — Só estava pensando em deixá-los um pouco a sós.

—Kagome! — Sango exclamou arregalando os olhos.

—O que? — Kagome perguntou inocentemente. — Kirara pensou o mesmo que eu. Não é Kirara?

Kirara saltou para dentro de casa pela janela, sentou-se ao lado de Kagome e miou.

—Então ela estava com você?! — Sango apontou.

—Você a estava procurando? — Kagome piscou.

Há! Mas como ela era cínica, como se não tivesse ouvido Sango chamando a gata pela casa toda!

—Foi por isso que eu te chamei. — respondeu cruzando os braços — Eu queria perguntar se você viu Kirara.

Kagome suspirou internamente, ser uma miko era realmente uma tarefa difícil, porque quando se é um miko, você sente as coisas diferentes do que o resto do mundo sente, se é capaz de sentir até mesmo, por exemplo, o que as outras pessoas sentem, mas ainda não sabem ou até mesmo negam, e isso acaba acarretando em um forte impulso — quase incontrolável para Kagome, que era nova em tudo aquilo — de ajudar, o problema era que muitas vezes as pessoas não querem ser ajudadas, e irritam-se quando outras "se intrometem" em seus problemas, e isso era ruim, porque Kagome não gostava de receber aquelas "energias ruins" que as pessoas geravam quando se irritavam.

—Sango...

—E também. — Sango a interrompeu — Shippou te ligou.

Kagome parou, é claro que também havia um lado bom em seu uma miko: mesmo que muitos recusassem a sua ajuda, sempre haveria aqueles que a aceitariam.

...

Uma hora mais tarde Kagome surpreendeu-se ao ser atingida no rosto, em pleno verão, por uma lufada de ar gelado no momento em que a porta do apartamento de Shippou e Madame Eleonor se abriu.

—Mas que ar condicionado potente vocês têm aqui! — exclamou.

Normalmente sua entrada não seria permitida em um prédio como aquele, mas já estivera ali tantas vezes com a permissão de Sesshoumaru, por causa de Rin, que o porteiro já até conhecia-a e nem estranhava mais a sua presença.

—Não é ar condicionado. — negou Shippou — É Madame Eleonor.

—Ela realmente odeia o calor. — admirou-se Kagome — Mas isso não é de se surpreender, já que ela é uma youkai do frio...

—Não é só isso. — interrompeu Shippou — Desde a semana passada que Madame Eleonor tem estado irritada.

—Esta me dizendo que há uma semana ela esta congelando o apartamento de vocês?! — assustou-se.

—É...

—Por quê?!

—Porque o irmão dela veio da Rússia para vê-la...

Claro que Kagome não deixou passar despercebido que Shippou havia dito "irmão" ao invés de "irmã", e isso significava que ou Madame Eleonor fora adotada, ou a mãe dela tivera a ousadia de se envolver com homens, algo pouco comum aos costumes das Mulheres das Neves, foi por pouco que Kagome pôde conter um sorriso irônico, afinal era realmente uma surpresa que alguém tão rígida e fria como Madame Eleonor — que sequer se permitia soltar os cabelos — fosse filha de uma "rebelde".

—Isso não deveria deixá-la feliz ao invés de zangada?

—... Para obrigá-la a se casar.

—Ah.

—É. — olharam-se desconfortáveis por alguns segundos até que Shippou finalmente convidou: — Você quer entrar?

Kagome franziu o cenho.

—Terei que tirar meus sapatos?

—Se você quiser que seus dedos congelem e caiam... — Shippou encolheu os ombros. — Fique a vontade.

Ele mesmo tinha suas pequenas patinhas de raposa protegidas por botas de frio.

Kagome sorriu e entrou, ela só gostaria de ter colocado meias antes de sair de casa...

—E então, por que me chamou? — quis saber — Será que eu deveria ter trazido Rin junto comigo?

Shippou ficou imediatamente vermelho.

—E quem aqui falou daquela chata?! — respondeu agressivo demais.

Kagome riu e ergueu as mãos.

—Não esta mais aqui quem falou! — jurou. — Mas então, por que me chamou? Quer que eu descongele seu apartamento? Porque não sei se posso fazer isso.

—Não, se o gelo descongelar agora o irmão da Madame vai passar mal, deixa que depois ela arruma isso. — ele respondeu — É só que...

—Sim?

—Madame Eleonor esta ocupada, então não quis incomodá-la, mas... — sua barriga roncou.

—Já entendi. — Kagome sorriu. — Vamos lá, eu também não comi ainda.

Shippou sorriu agradecido e pulou para seu ombro.

E conforme se aproximava pelo corredor, Kagome comprovava a verdade das palavras de Shippou: Madame Eleonor realmente estava extremamente irritada, pois uma energia fria e sinistra espalhava-se pelo apartamento, tão pesada e espessa que Kagome quase podia tocá-la — na verdade, mais um pouco e talvez aquele ambiente se tornasse até mesmo nocivo a humanos — e concentrava-se principalmente na sala, onde a mulher das neves encontrava-se sentada, ouvindo calada e com os lábios comprimidos as palavras bruscas e carregadas de um Inu youkai russo.

Há! Um Inu youkai! Isso quase fez Kagome rir, será que gora ela estava sendo perseguida por essa raça ou o que?

O youkai estava de pé em frente à Madame Eleonor, falava com os braços cruzados a altura do peito e sem desviar os olhos dos olhos da irmã, mas Kagome supôs que a brusquidão e dureza das palavras incompreensíveis, por ele ditas, fosse uma característica do próprio idioma russo, já que não sentia nele qualquer sinal real de irritação.

Kagome e Shippou ainda procuravam uma maneira de ir para cozinha sem que os irmãos youkais na sala os notasse, quando Madame Eleonor por fim falou, mas o que ela disse foi um punhado de palavras russas e, portanto, obviamente nenhum dos dois compreendeu o que ela disse, e a resposta do irmão foi mais um punhado de palavras igualmente desconhecidas para ambos.

Exceto por uma.

Taisho.

Kagome franziu o cenho, ele realmente havia dito "Taisho" ou penas alguma outra palavra similar do dialeto russo?

Madame Eleonor pareceu ter sido atraída pela mesma palavra.

Ela levantou-se.

Kagome nunca desejou tanto entender russo — na verdade nunca tinha desejado até então — quanto quando Madame Eleonor começou a falar, especialmente depois de ter reconhecido "Taisho" e "Taisho Sesshoumaru" entre o punhado de palavras estrangeiras dela.

—Você entende o que eles dizem? — Shippou perguntou em seu ouvido, quando percebeu a concentração de Kagome nas palavras dos irmãos.

—Quem me dera! — Kagome cochichou de volta, tomada pela curiosidade, e frustrada reclamou: — Por que japonês e russo tem que ser tão diferentes?!

A conversa entre Madame Eleonor e seu irmão cessou imediatamente.

Madame Eleonor virou-se, braços cruzados, olhar arrogante.

—Shippou. — chamou — Será que não lhe ensinei a não espiar conversas alheias? Achei que o havia educado melhor.

Shippou escondeu-se atrás do ombro de Kagome.

—Não, eu não estava espiando vocês, eu estava apenas passando por aqui, só isso... — tentou explicar-se. — E também eu não teria porque ficar escutando, já que não entendo o que vocês dizem quando começam a falar em russo...

O irmão de Madame Eleonor — que estava com os olhos fixos em Kagome — disse alguma coisa, mas pareceu lembrar-se de que não estava na Rússia quando percebeu que Kagome não o compreendeu, e refez a perguntando, dessa vez arriscando-se no japonês:

—Quem você? Não. Quem ser você? — olhou para a irmã — Ser assim que se diz Eleonor?

—Quase. — Madame Eleonor respondeu em japonês, para que o irmão praticasse — Mas você chega lá.

Ele acenou e voltou a olhar para Kagome.

—E então, mulher?

Kagome colocou as mãos sobre as cochas e curvou-se, quase derrubando Shippou de seu ombro.

—Sou Higurashi Kagome. — apresentou-se se endireitando novamente — Amiga de Shippou.

—Ser Jokull Vladimirich Serov. — apresentou-se Jokull — Parente de Eleonor. Como diz aqui?

—Irmão. — Eleonor respondeu.

—Isso. Eu, irmão de Eleonor. — Jokull fungou — Você humana.

—Ou pelo menos é isso o que ela diz. — Madame Eleonor girou os olhos.

Kagome franziu o cenho, embora Shippou dissesse que Madame Eleonor não tinha nada contra humanos ou hanyous, a sua rispidez quanto a Kagome era visível, na verdade a rispidez de Madame Eleonor contra Kagome só se comparava a rispidez de Sango por youkais — na verdade ela era ríspida com qualquer um que não fosse de sua família ou Kagome, mas o era especialmente com youkais — e isso as tornava tão parecidas que a miko só podia pensar que algum dia a exterminadora e a mulher das neves seriam ótimas amigas... Ou então inimigas mortais.

—Eu achar que proibir humanos aqui. — observou Jokull.

—Kagome é uma peculiar exceção, mas isso é uma longa história. — respondeu Madame Eleonor — Shippou, por que a chamou aqui sem me informar antes?

Shippou encolheu-se atrás do ombro de Kagome.

—Eu...

—Ele estava com fome, por isso me chamou. — relatou Kagome — Como eu ainda não comi, decidi que seria bom vir.

Madame Eleonor arqueou uma sobrancelha.

—Fome? Entendo isso significa que negligenciei meus deveres. Sinto muito. — começou a se encaminhar para cozinha — Kagome, já que você é convidada do jovem Shippou eu não posso fazer nada, então, por favor, sente-se, prepararei algo logo.

—Na verdade eu ia...

—Cuidar de Shippou é meu serviço. — Madame Eleonor a cortou friamente — Jovem Shippou, por favor, faça a sala para meu irmão durante minha ausência.

—Sinceramente, acho que lá no fundo ela ainda tem uma paranóia de que eu vou tentar te envenenar. — Kagome comentou sentando-se com Shippou no sofá.

Shippou concordou.

Jokull trincou os dentes, aquilo era algo que ele não podia suportar: ver sua irmãzinha mais amada atuando... Como a simples serva de um filhote de raposo!

Mesmo que ela não quisesse se casar, bastava que retornasse para casa Mizuno ou, o que era muito mais preferível, para a casa Serov e teria a vida de princesa que nascera destinada a ter.

Como então ela podia preferir aquilo a viver como uma senhora?!

Era aquele filhote, mesmo que Eleonor negasse, ele era a razão para ela manter-se presa ao Japão.

Kagome franziu o cenho de repente sentindo a presença de uma segunda energia hostil no apartamento, diferente e ao mesmo tempo parecida com a gélida energia sinistra que Madame Eleonor emanava, e aparentemente Shippou a estava sentido também, porque se encolhera como uma bola em seu colo, mas foi só quando ergueu os olhos que a miko deu-se conta da origem daquela energia opressora: era Jokull que encarava Shippou fixamente.

—Hã... Algum problema?

—Não. — Jokull piscou, percebendo o que estivera fazendo. — Eu apenas... Licença. Precisar sair.

Desconversou afastando-se quando percebeu o celular vibrando em seu bolso.

—Não sei por que ele se afasta para atender ao telefone, nós nem sequer entendemos o que ele diz quando ele fala em russo... — comentou Kagome observando-o tirar o celular do bolso e sair para varanda.

—Eu também não, mas que bom que ele foi. — respondeu Shippou.

—Deixando isso de lado, onde é que Madame Eleonor guarda as cobertas? — Kagome levantou-se carregando Shippou — Eu estou congelando aqui...

Mas Jokull se afastara porque sabia que quem estava lhe ligando era certa arrogante dama youkai japonesa, e estando em seu país era importante falar seu idioma — embora aquela dama em especial fosse tão arrogante que até mesmo obrigara Jokull e seu pai a conversarem com ela em seu próprio idioma, mesmo estando no país deles.

—Estou ouvindo. — atendeu à maneira russa — Aqui Jokull.

Jokull-san, é Arina-hime. — identificou-se a dama. — Meu filho esta de acordo com o casamento, e concorda que o contrato será proveitoso para ambos os lados.

—Muito bem. — Jokull cerrou o maxilar — Só que Eleonor se... Como diz? Recusar.

O que?!

—Eleonor recusar aceitar o casamento.

Foi nesse momento que o telefone trocou de mãos.

Aqui é Taisho Sesshoumaru. — identificou-se a segunda voz.

—Eu ser Jokull Vladimirich Serov. — apresentou-se formalmente em resposta.

Embora o ideal mesmo fosse conhecer pessoalmente o pretenso futuro noivo de sua irmã, e não por telefone.

Prazer. — uma pausa — Já discutiu com sua irmã quais seriam os termos de nosso contrato de casamento?

—Ela recusar. — respondeu em definitivo — Ser Mulher da Neve, e gostar dependência, não, independência. Isso. Independência.

E você já mencionou meu nome com Madame Eleonor?

—Sim, Eu já falar.

Então tratarei, eu mesmo desse assunto.

Não passou despercebido a Jokull que Taisho Sesshoumaru não empregou o título de "Hime" a Eleonor — como era comum empregar naquele país, a todas as damas youkais, jovens ou não — e sim o titulo de "Madame".

É claro que Eleonor obrigava a todos, inclusive seu minúsculo mestre raposo, a tratá-la por madame, mas disso só sabiam aqueles que a conheciam previamente.

E também havia o fato de Eleonor expressar, logo antes daquela humana Kagome aparecer, certo conhecimento sobre a família Taisho e seu principal herdeiro, Sesshoumaru.

—Você já, como diz? Conhecer. Isso. Achar que ser isso. Você já conhecer Eleonor pre... pre... preeeeeviaaaamente. Não é?

Por que aquele idioma tinha que ser tão difícil?!

Sim. — Sesshoumaru respondeu. — Por isso avise-a de que esta noite Jaken irá buscá-la, para que possamos tratar do assunto em particular em meu escritório residencial.

—Eu avisar. — Jokull concordou.

A ligação foi encerrada.

*.*.*.*

Pronto desde 18/06/2015 será que é muita coincidência eu ter terminado esse no mesmo dia em que começaram minhas férias?

Eu queria passar minhas férias digitando loucamente para compensar o meu ultimo sumiço, mas fica difícil escrever entre bloqueios criativos e crises histéricas em brigas com Serpente.

Querem sabe o que aconteceu de mais emocionante até agora?

Eu tive (morrendo de nojo) que tirar três lagartas gordas da Arruda do Serpente que estavam acabando com a plantinha.

Sobre "Gêmeos no Divã" aqui o link: .br/historia/628992/Gemeos_no_Diva/

Respostas as review's:

Leticia: O encontro eu deixei para o próximo capitulo porque sou má. :D

Que bom! O link esta lá em cima no final das notas finais!

Hum... Só se demorar tanto que você esqueça? Acho que por pouco eu não passei por isso aqui.

Veraozao: Até a próxima.

Yogoto: Pois é, não sei se é impressão minha, mas o FF parece estar ficando cada vez mais parado.

Hum acho que esse aqui também foi focado neles, e metade do próximo também, mas depois disso acabou, a história volta aos seus eixos originais! :D

Uau quantas idéias para especiais você tem! Mas a que mais me chamou atenção foi fazer um especial do Sota verdadeiro.

joh chan: Ah eu sei, estou sempre ouvido piadinhas assim de que vou "vender minha alma" para a faculdade. ^^'

Bem parece que todo mundo curtiu o shipper isso é ótimo!

Ah, eu já planejei cada final aqui... Um mais trágico que o outro, mas mudo constantemente, vamos ver qual fica.

Sinto te dizer, mas... Minha Donzela só vai te partir cada vez mais o coração.