Capítulo 53
Os Campeões
Florence estava em casa, ela não tinha nada para fazer no castelo e não gostava de ter que se esconder para ir aos aposentos do marido. Ela também ficava a maior parte do tempo sozinha no castelo, então ela preferia ficar em casa com o filho Christopher.
Naquela noite, o três Campeões do Torneio Tribruxo seriam escolhidos. Florence estava na sala de TV, esperando pelo marido e ela já podia imaginar que algo havia acontecido pois ele estava duas horas atrasado.
Ela estava quase dormindo na frente da TV quando as chamas na lareira se tornaram verdes e, dentre elas, Snape apareceu.
– Então, me diga, o que foi que aconteceu desta vez? – perguntou ela.
Snape suspirou e retirou a capa coberta de fuligem.
– Há quatro Campeões. – disse ela.
– Ah, não! – exclamou Florence.
– Diggory, Krum, Delacour e Harry. – ele sentou ao lado da esposa no sofá.
– Como isso é possível? E a nova regra de limite de idade?
– Como todas as coisas que acontecem com o Harry, não sabemos explicar. Não fazemos a menor ideia de como o Cálice de Fogo sorteou o nome dele; era para sortear apenas três nomes, ele tem sorteado três nomes há séculos!
– Por que que nada pode ser normal na vida do Harry ao menos uma vez?
– Eu acredito que Dumbledore já tenha a resposta para isso tudo... de qualquer forma, eu sugeri que ele proibisse o Harry de participar, assim se ele falhar na primeira tarefa por não comparecer ele estará fora da competição. Mas Alastor Moody disse que este é um comportamento covarde e que Grifinórios não são como Sonserinos etc... e Barty Crouch disse que ter o nome sorteado pelo Cálice constitui um contrato mágico inquebrável, portanto, Harry não pode deixar de tentar.
– Isso é muito ruim, Sev. Essas tarefas são geralmente muito perigosas.
– E tem mais, Moody disse que há alguém no castelo que quer ver o Harry morto. Ele acredita que alguém enfeitiçou o Cálice de Fogo para que ele sorteasse quatro nomes e que tal pessoa garantiu, de alguma forma, que o último sorteado fosse o Harry.
– Isso é insano, mas previsível, vindo do Moody. Mas quem dentro de Hogwarts iria querer o garoto morto?
– Qualquer um diria que é eu, mas nós sabemos que eu não quero ver Harry morto. Então, eu não faço ideia. Mas acho que o Dumbledore sabe.
– Eu odeio Dumbledore. – murmurou Florence brava. – Meu pai é um filho da puta mas o querido Diretor as vezes é forte concorrência para ele.
Florence foi à Hogwarts naquela semana, pela manhã.
Ela caminhava pelos terrenos, a barriga de grávida escondida por um feitiço ilusório novamente. De longe ela podia ver que Hagrid estava em aula próximo às árvores e a turma do quarto ano passeava com algo vermelho e acinzentado, algo como uma cruza de enormes escorpiões e caranguejos compridos demais, mas sem uma cabeça reconhecível. Ela se aproximou.
– Ola, Hagrid! – cumprimentou ela.
– Florence! Que bom te ver aqui! – disse o meio-gigante bastante animado.
– Hagrid, aquilo são Explosivins?
– Sim. Parece que eles estão se divertindo um monte, não? – perguntou Hagrid feliz.
Florence pensou que ele estava se referindo aos Explosivins porque os alunos, definitivamente, não estavam se divertindo nem um pouco. De repente, houve um estouro alto e alguns gritos. Aparentemente, um dos Explosivins explodira e os outros animais se assustaram e começaram a correr, arrastando consigo os alunos que seguravam as guias.
– Hum... como está o Harry? – perguntou Florence.
– Nada bem. Os outros estão ignorando ele, sabe? O Rony não está mais falando com ele. E alguns estão zombando dele, também...
– Eu imaginei que não seria nada fácil. Quatorze anos e ele já é o-menino-que-sobreviveu e um Campeão Tribruxo... parece que tudo acontece com ele, né?
– É. – concordou Hagrid.
Florence saía da sala de Dumbledore, furiosa com o diretor.
"É óbvio que ele está escondendo algo! Ele sabe quem colocou o nome do Harry no Cálice. Ele sabe e não faz nada!"
Ela estava chegando às masmorras quando ouviu vozes no corredor à frente:
– Harry! – gritou uma voz feminina que Florence reconheceu como de Hermione.
– Anda, Potter, me ataca. – era a voz de Draco Malfoy. – Moody não está aqui para proteger você agora, me ataque, se tiver peito...
O corredor ficou silencioso por alguns segundos e Florence já sabia o que iria acontecer, mas não chegou a tempo de impedir.
– Furnunculus! – berrou Harry.
– Densaugeo! – berrou Draco.
Feixes de luz saíram de cada varinha, colidiram em pleno ar e ricochetearam em ângulos diferentes, – o de Harry atingiu Goyle no rosto e, o de Draco, Hermione. Goyle berrou e levou as mãos ao nariz, de onde começaram a brotar furúnculos enormes e feios – a garota, chorando de dor, apertou a boca.
Harry se virou e viu Rony tirando a mão de Hermione do rosto. Não era uma visão agradável. Os dentes da frente da garota – que já eram maiores do que o normal – cresciam agora a um ritmo assustador, a cada minuto a garota se parecia mais com um castor, pois seus dentes se alongavam, ultrapassavam o lábio inferior em direção ao queixo – tomada de pânico, Hermione os apalpou e soltou um grito aterrorizado.
Florence foi até a menina. Todos a olharam, reconhecendo-a e estranhando que estivesse no castelo.
– Acalme-se querida, Poppy dará um jeito nisso. – disse Florence, abraçando Hermione, que escondeu o rosto contra seu peito. – Quanto a vocês... – começou ela, se dirigindo aos sonserinos.
– Mas que barulheira é essa? – perguntou uma voz suave e letal.
Snape chegara, passando os olhos pela cena, vendo a esposa ali, mas não demonstrando nada. Os alunos começaram a gritar tentando dar explicações. Snape apontou um dedo para Draco e disse:
– Explique.
– Potter me atacou, professor... – disse o loiro.
– Atacamos um ao outro ao mesmo tempo! – gritou Harry.
Florence sentiu aonde aquilo ia dar: mais injustiças para Harry. E ela não poderia fazer nada.
– ... e ele atingiu Goyle, olhe... – continuou Malfoy.
Snape contemplou Goyle, cujo rosto agora lembrava a ilustração de um livro doméstico sobre cogumelos venenosos.
– Ala hospitalar, Goyle. – disse o professor calmamente.
– Malfoy atingiu Hermione! – disse Rony. – Olhe!
Florence retirou o rosto da menina que se escondia em seu peito e a fez mostrar os dentões para Snape.
– Não vejo diferença alguma. – sibilou ele.
Florence sentiu vontade de espancar o marido naquele momento. Mas ela sabia que ali, na frente dos alunos da Sonserina, ele tinha um papel a desempenhar.
Hermione deixou escapar um lamento e seus olhos se encheram de lágrimas. Florence a abraçou e caminhou com ela para a Ala Hospitalar.
Foi uma sorte, talvez, que Harry e Rony tenham começado a gritar com Snape ao mesmo tempo, sorte que suas vozes tenham ecoado tão forte no corredor de pedra, porque, na confusão de sons, ficou impossível o professor ouvir exatamente todos os nomes dos quais o xingaram. Mas ele captou o sentido.
– Vejamos... – disse Snape, na voz mais suave do mundo. – Cinqüenta pontos a menos para a Grifinória e uma detenção para cada um, Potter e Weasley. Agora, entrem ou será uma semana de detenções.
24 de Novembro de 1994
A Primeira Tarefa
Florence aguardava o retorno dos campeões na barraca de primeiros socorros, junto com Pomfrey que a proibira de assistir à Tarefa devido à gravidez.
– Dragões! – exclamou a medibruxa, com a voz desgostosa, puxando Harry para dentro da barraca. – No ano passado foram os dementadores, este ano são os dragões, que é mais que vão trazer para a escola? Você teve muita sorte, Harry... o corte é bem superficial, mas será preciso limpá-lo antes de fechar...
Ela limpou o corte com uma pelota de algodão molhada em liquido púrpura que fumegava e ardia, mas depois tocou o ombro dele com a varinha e o garoto sentiu o corte se fechar instantaneamente.
– Agora se sente quieto um minuto, sente-se! – Pomfrey o empurrou na maca. – Depois pode ir receber a sua nota. – a enfermeira saiu apressada da barraca e ele a ouviu entrar na barraca vizinha e dizer: – Como é que você está se sentindo agora, Diggory?
Então Harry percebeu que não estava sozinho na barraca. Florence estava ali.
– Tudo bem com você? – ela perguntou.
– Acho que sim. – murmurou Harry, olhando para ela e tendo novamente aquela impressão de que já a conhecia; mas antes que pudesse perguntar se já a conhecia ou não, os amigos dele entraram na barraca.
– Harry, você foi genial! – exclamou Hermione em voz alta e fina. – Você foi fantástico! Realmente foi!
Mas Harry tinha os olhos em Rony, que estava muito branco e olhava fixamente para o amigo como se visse um fantasma.
– Harry – disse o ruivo, muito sério –, quem quer que tenha posto o seu nome naquele cálice, eu... eu reconheço que estava tentando acabar com você!
E Florence deixou os três amigos sozinhos e seguiu até onde o marido estava.
