Capitulo 41

Volta à Vida

"Só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame, não significa que este alguém não o ame com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem demonstrar ou viver isto"

Observei por entre as lágrimas Scorp recobrar a consciência pouco a pouco. Suspirei aliviada. Dera certo.

- Lily. – sussurrou ele.

Abracei-o com força e comecei a chorar em seus ombros.

- Lily. – repetiu ele mais preocupado – O que houve?

- Me desculpe. – choraminguei – Me desculpe, Scorp. Eu só queria te salvar, eu juro...

- Lily? – disse ele confuso – O que aconteceu?

- Você foi beijado por um dementador, garoto. – disse tia Mione.

Os olhos azuis que eu tanto amava se arregalaram surpresos.

- Como...?

- Scorpius! – gritou Astoria correndo em direção a ele – Oh, graças a Merlin! Scorpius, meu filho!

Ela o abraçou com força e chorou no ombro dele. Foi então que ele viu. Viu o corpo sem vida do pai caído no chão em uma poça de sangue.

- Papai! – exclamou correndo na direção do cadáver – Papai!

Assisti, com lágrimas nos olhos, ele balançar o corpo inerte do pai. Tia Mione sussurrou que lamentava à Astoria e desaparatou. Ela não tinha mais nada a fazer ali.

Meu pai me olhou com pena, fez um sinal que iria caminhar, mas que voltaria para que pudéssemos desaparatar juntos.

- O que aconteceu? – perguntou Scorp friamente – Quem fez isso?

Me aproximei do loiro que eu tanto amava e lhe dei a resposta que eu sabia que o faria me odiar para sempre.

- Eu fiz. – respondi.

Ele me encarou incrédulo. Seus olhos embaçados e confusos.

- Por que? – perguntou.

- Era o único meio de salvá-lo. – respondi.

Então, Astoria explicou ao filho sobre as almas gêmeas, explicou como seu pai se dispusera sem hesitar e de como eu me obriguei a... a... sacrificá-lo.

Scorp olhava o vazio em volta tristemente.

- Ele se sacrificou por mim. – sussurrou – Ele se sacrificou por mim.

Me aproximei do loiro. As lágrimas ainda banhando meu rosto.

- Me desculpe. – sussurrei colocando a mão em seu ombro.

- Não há o que desculpar. – disse ele para meu alívio – Eu faria o mesmo por você... É só que... Ele era o meu pai.

- Eu realmente lamento muito, Scorp. – murmurei o abraçando pelas costas – Eu não queria que tivesse sido assim.

Ele permaneceu calado e realmente não havia o que dizer. O pai dele estava. Morto. Eu o havia matado.

- Seu pai o liberou da promessa. – disse Astoria secando as lágrimas.

- E também disse que o amava. – sussurrei – Foram suas últimas palavras.

Isso pareceu afetar tanto mãe quanto filho.

- O que? – perguntou Scorp.

- Seu pai disse que o amava. – respondi.

- Ele nunca havia me dito isso. – falou o sonserino – Nunca...

- Só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame, não significa que este alguém não o ame com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem demonstrar ou viver isto. – disse Astoria.

- Quem disse isso? – perguntou ele – Merlin?

- Não. – respondi – Um escritor trouxa chamado William Shakespeare. O mesmo que escreveu Romeu e Julieta.

- Esse cara sabe das coisas. – sussurrou Scorp.

- Lilian. – falou Astoria – Por favor, leve Scorp para o quarto e faça companhia a ele. Eu vou... vou me despedir do meu marido.

Obedeci à senhora Malfoy e puxei Scorp pelo braço, guiando-o até seu quarto.

- Foi a coisa mais difícil que já fiz. – sussurrei – Mas eu não me arrependo, Scorp, eu sinto muito por ter acontecido assim, mas eu não me arrependo. Eu sei que isso é muito egoísmo... Merlin! Eu tirei a vida de alguém porque não suportava te perder... Eu devo ser a pessoa mais egoísta do mundo! Eu sou hipócrita! Eu sou filha de Harry Potter, o maior representante da luz e ainda assim tem um pouco de trevas dentro de mim... O que eu fiz foi imperdoável, foi errado, foi egoísta, mas não consigo me arrepender porque foi pra te ter de volta, foi pra te ver respirando... Eu... Eu...

Desabei no choro.

- Shhhhhh. – disse ele limpando minhas lágrimas e beijando minha testa – Você não é má, Lily. É a pessoa mais pura que já conheci. As "trevas" que tem dentro de você só provam que é humana. Você não sabe o que são as verdadeiras trevas. Você pode ter enfrentado a cruciatus e um dementador, mas isso foi depois de já ter a certeza da diferença entre o certo e o errado. Você não viu as verdadeiras trevas quando não passava de uma criança e nem sabia com o que estava lidando. Eu vi. Eu sou o filho de Draco Malfoy, um dos maiores representantes das trevas, mas você fez nascer uma luz dentro de mim. Você me salvou. Eu não a culpo. Você só fez o necessário. Culpo a mim mesmo por ter sido tão fraco. Culpo a mim mesmo por ter deixado Nott ganhar...

Abracei o loiro por traz e murmurei:

- Não é sua culpa, nem minha. Não é culpa de ninguém. As coisas são como são, Scorpius.

- O que aconteceu com os Nott? – perguntou Scorp.

- Os aurores acharam inúmeras cartas espalhadas pelo castelo. Eram provas mais que suficientes para mandar a família inteira para Askaban. – respondi – É onde estão os miseráveis agora. Os aurores descobriram... descobriram que Lucio Malfoy nunca saiu de Askaban. Ele está morto a meses. Nott Avô fugiu, o matou e nos fez pensar que foi o contrário.

- Lucio e Draco estão mortos. – sussurrou – Eu sou o último Malfoy.

- A sua mãe... – comecei.

- É uma Greengrass. – completou ele – Meus pais se separaram logo depois do Natal. Acho que ela tinha intenção de voltar com ele, o amava, mas não teve a chance.

- O meu pai era o último Potter com apenas um ano. – falei – E olhe como ele está hoje. A nossa família é enorme e... Um dia nós dois construiremos uma família assim, querido.

- Eu tenho algo para te mostrar. – disse ele erguendo a varinha – Expecto Patronun.

Uma belíssima fênix prateada irrompeu da varinha, voou alto e veio pousar no parapeito da janela e então se extinguiu.

- Expecto Patronun. – falei pensando em todos os nossos momentos juntos.

E da minha varinha surgiu um escorpião gigante, ele deu duas pinceladas de brincadeira na minha perna e desapareceu.

Beijei a minha alma gêmea. Eu o amava mais do que tudo, mais do que minha própria vida. E eu sabia que ele me amava da mesma forma.

- Eu te amo, Lily, meu lírio, minha fênix.

- Eu te amo Scorpius, meu escorpião.