Olá peaple! Eu sei, eu sei. Me atrasei pra caramba. Eu também sei que tinha combinado postar sábado, mas foi impossível, porque acabei o cap ontem e betei-o hoje. Ninguém comentou sobre o vídeo que eu fiz para o cap anterior. Vocês não viram o link? Bom de qualquer maneira vou coloca-lo aqui novamente ( albums/x442/Jeamalo/?action=view¤t= 4)
Obrigada a Charlotte Schmit e Maibara PWM pelas reviews!
Bom a todos uma boa noite e uma ótima leitura.
LEIAM, COMENTEM E RECOMENDEM!
48 Talentos ocultos
Estava me alongando em meu estúdio de balé quando meu celular tocou. Eu havia obrigado meus pais a me darem um para poder ter mais privacidade em minhas conversas com Jake. Corri para atender e um sorriso satisfeito brotou em meus lábios ao ver quem era.
_ Jake! Que horas você vai chegar? Perguntei ansiosa, ele havia combinado de vir passar o fim de semana conosco.
"Hey Ness..." Não gostei do tom desanimado que tingia sua voz. Ultimamente ele estava sempre cansado, mas o desanimo que era visível dessa vez não parecia ter nada haver com exaustão, e sim com desagrado.
"Eu sei que eu disse que iria pra ai nesse final de semana, só que..."
_ Você não vem mais. Adivinhei já sentindo meus olhos se encherem d'água.
"Sinto muito princesa..." Disse com pesar.
Agora era sempre assim, Jacob estava sempre ocupado, eu não podia visita-los sobre hipótese alguma, pois iria me expor e atrapalha-lo, sem falar que minha aparição arriscava a expô-lo também. E com essa fecharia um mês que não nos víamos mais, apenas telefonemas e videoconferências, rápidas e apressadas. Ele estava sempre ocupado com algum trabalho, ou estudando para provas. Eu tentava fingir que não me importava com isso, inclusive acabava por acalma-lo, quando ele se digladiava por estar sendo um péssimo amigo por não vir me ver. Dizia que teríamos todo o tempo do mundo para nos ver, e no momento ele tinha responsabilidades mais urgentes a tratar do que eu.
Mas afinal nos não nos mudáramos para Chicago pra ficarmos mais perto dele? Humph, isso era uma daquelas ironias cruéis que a vida adora por sobre nossas cabeças. Quando morávamos em Eugene, eu o via mais do que agora, que ele estava praticamente na esquina!
"Ness? Ness tá me ouvindo?" Perguntou ele ansioso no outro lado da linha.
_ Ah, sim desculpe Jake, é que eu me distrai. Disse rapidamente e me enrolando toda.
"Só estava explicando que não poderei ir porque meu projeto de motor ecologicamente correto deu pau, e vamos ter que concerta-lo pra ontem! Por sinal já tá em cima da hora pra mim. Desculpe meu anjo, juro que vou te recompensar na semana que vem." Disse com um falso animo, pois estava embutido em sua voz que mesmo agora ele não tinha certeza se poderia cumprir sua promessa. "Eu te amo hoje e sempre meu bem. Falou agora com ternura e não pude evitar de sentir meu coração se apertar pela saudade."
_ Eu também Jake, hoje e sempre...
Ele desligou em eu fiquei encarando meu reflexo na parede de espelho a minha frente. Minha vista estava embaçada pelas lagrimas que ameaçavam transbordar e minhas bochechas estavam vermelhas dando os primeiros indícios do choro que estava prestes a começar.
Sozinha novamente, eu estava mais uma vez só.
Deixei que meus joelhos cedessem e me escorei na parede espelhada, escorregando até o chão de madeira lustrada. Meu peito doía e meu nariz estava fechado por causa das lagrimas, que a essa altura já manchavam meu rosto. Eu não podia mais. Eu deixara claro para mim mesmo quando tomara a decisão de manter um espaço entre nós, que aguentaria firme e não fraquejaria, mas era impossível! Simplesmente não podia mais! UM MÊS! Um mês inteiro sem vê-lo era doloroso demais, desesperador demais! Eu não aguentaria viver desse jeito. Eu me recusava a fazê-lo.
Sai do estúdio em velocidade de foguete e me tranquei na sala de musica pelo resto da tarde martelando as teclas do piano e enchendo o ambiente com a música de Jake. Eu não estava apenas mais uma vez deprimida, mas também com raiva. Sim RAIVA! Raiva por ter cedido, por ele ter cedido, por termos de nos submeter, por minha família não estar ajudando, mas principalmente... Raiva por ele não estar aqui, mais uma vez.
Ninguém me procurou ou me importunou por toda à tarde. Era provável que meu pai tenha ficado ciente de minha frustação e avisado a todos que me dessem um pouco de espaço, e por isso eu só podia ser grata. A última coisa de que precisava no momento era alguém em meu encalço tentando me animar, ou consolar.
À noite, só deixei meu reduto de sofrimento para jantar, e isso porque minha mãe me obrigou. Normalmente eu vibraria com o delicioso fettuccine de Esme com bolo de chocolate de sobremesa, mas hoje eu comeria carvão em brasa e não me importaria. Engoli cada pedaço da massa sem sentir o menor sabor e dispensei o bolo porque olhar para ele me fazia lembrar que Esme o fizera para ele, porque era o seu favorito.
Fui pra cama cedo, mas sabendo que obviamente não dormiria nada. Já devia estar revirando na cama a mais ou menos umas duas horas, quanto minha mãe deu uma leve batida na porta.
_ Posso entrar? Perguntou ela com sua voz suave de sinos e mesmo sem resposta ela já estava sentada na cabeceira de minha cama. _ Você está bem querida?
Não é obvio? É claro que eu não estava. Mas não a respondi ao invés disso me arrastei até ela e me encolhi em seu abraço acolhedor. Ela não tinha culpa pelo que estava acontecendo. Fizera o possível para facilitar as coisas para nós dois. Porém agora isso não significava nada.
_ Sinto muito querida. _Disse ela contra meus cabelos. _ Tenho certeza de que se ele pudesse estaria aqui, mas ele deve...
_ Mãe, por favor, não vamos falar disso. Pedi.
_ Tudo bem querida.
_ Mãe?
_ Sim?
_ Pode cantar pra mim?
_ Claro que sim.
Ela então cantarolou minha musica de ninar até eu cair no sono. Contudo apesar de alcançar a inconsciência não consegui descansar. Tive uma noite insólita de pesadelos terríveis, com Jake me deixando. Parecia que isso seria uma sombra eterna pairando sobre minha cabeça. Na verdade isso até que fazia bastante sentido. Afinal eu era um monstro não merecia de fato a plenitude de da paz, ou a completude que Jake me dava. Eu não o merecia, não merecia seu amor.
Acordei me sentindo ainda pior. Aquela situação terrível não podia continuar.
Tomei meu habitual café da manhã e decidi dar um passeio. Correr era sempre um bom exercício para o corpo e a mente. Meus pais bem que tentaram se oferecer para me fazer companhia, mas eu recusei terminantemente. Precisava pensar em paz e ter alguém fuxicando minha cabeça a todo segundo não seria de ajuda alguma. Prometi me manter dentro dos arredores da propriedade, e isso pareceu bastar para ter a permissão de sair sozinha.
Corri por um tempo indeterminado até alcançar um velho cedro que ficava bem na divisa das terras. Eu gostava dele mais do que dos demais justamente por sua velhice. Seu tronco não era forte nem as folhas tão vistosas quanto às outras, mas ela ainda estava lá. Devia ter mais de cem anos e se manterá viva apesar de tudo. E mesmo passado tanto tempo ainda era um belíssimo exemplar da espécie.
Sentei-me sobre sua sobra fresca me deliciando com a brisa leve. Eu não estava cansada pelo esforço, em dias normais percorreria todo o terreno umas 30 vezes e ainda teria energia para um jogo de futebol com meus tios, mas hoje. Não tendo dormido nada a noite, não me sentia muito motivada a correr em círculos por aí. Depois de um tempo decidi escala-lo e cheguei ao topo bem a tempo de vislumbrar um belíssimo por do sol em tons de purpura, laranja e rosa rei. Uma imagem impossível de se esquecer sem duvida, mas... Minha cabeça não estava muito boa para belas imagens.
Lembranças de sorrisos fáceis e caçadas no fim de tarde encheram minha mente, e novamente senti um aperto no peito. Quando novamente estaríamos assim? Só nos dois nos divertindo livres nas florestas verdes de Forks. Só eu e meu lobo.
Dei um longo suspiro.
Não tão cedo se dependesse de sua agenda cheia...
Mas isso... Bem, podia mudar não?
Sim era essa a resposta! Eu podia mudar isso. Bastava apenas mover as peças de forma certa. Calcular as probabilidades e estar pelo menos cinco passos a frente. Sim eu podia fazer...
Mil ideias se passavam por minha cabeça, mas eu tinha de ser cuidadosa. Quando se tem um leitor de mentes, uma vidente e um manipulador de emoções em casa tem-se que ter muito atenção com o que tem em mente. Aproveitei então que estava fora do alcance deles para planejar tudo com o máximo de cuidado, não podia deixar nenhuma ponta solta, caso contrário, seria minha cabeça a ir para a bandeja.
Quando tinha tudo muito bem orquestrado voltei para casa não me esquecendo de ligar a cerca e manter minhas emoções amenas, mas também não tanto, seria suspeito se eu tivesse me acalmado tão cedo. Fui recebida por mais uma comida cuidadosamente preparada para mim com todo o esmero de Esme. Dessa vez comi com um pouco mais de entusiasmo, primeiro porque estava tentando passar que estava melhor do que na noite passada, e segundo, porque de fato estava. Uma empolgação ascendente crescia em meu peito pelo plano que traçara. Era quase impossível conter a ansiedade, mais era crucial que o fizesse para que tudo desse certo.
No dia seguinte, enquanto fazia meus desenhos ouvi meus pais discutindo novamente sobre uma viagem de caça. Meu pai já estava fazendo esses planos algum tempo, mas minha mãe estava evitando porque embora não comentasse em minha presença não queria se afastar de perto de mim. Enquanto eu estivesse deprimida.
_ Talvez semana que vem querido, podemos nos resolver por aqui. Disse ela a meu pai, o qual assentiu desanimado, mas compreensivo como sempre.
_ Não deixem de fazer o que querem só por minha causa. Falei sem dirigir minha atenção a eles, mas isso os fez me encararem.
_ Não é por isso querida. _Apressou-se ela em dizer._ Só que não é o momento. Não precisamos ir tão longe quando há abundancia de alimento aqui perto.
Bufei. Ela achava mesmo que eu cairia nisso? Deixei que meu pai ouvisse esse pensamento apenas para que entendesse minha indignação.
Virei-me para eles e os encarei com determinação.
_ Olha mãe eu já estou bem grandinha para ser um estorvo na vida de vocês não acha não? _ Seus olhos dourados se esbugalharam em sinal de espanto._ Se vocês querem viajar vão, não deixem de viverem suas vidas só por minha causa. Eu vou ficar bem aqui com os outros. Já estou conformada com o fato de Jake não poder vir essa semana. Estou bem serio. _ afirmei convicta_ Não deixem que o meu desânimo e aparente apatia seja um motivo para deixarem de fazer suas coisas. E isso serve para todos. Estão sempre tão preocupados em me manter segura sobre suas asas, como se a qualquer segundo um Volturi fosse sair de trás de uma moita e me pegar. Eu não sou mais um bebê, não preciso que fiquem de olho em mim 24 horas por dia. Porque não vão viver suas vidas só pra variar ao invés de ficarem vigiando a minha?
Na sala reinava um silencio perturbador. Uma bola de feno poderia passar empurrada pelo vento, como em um faroeste e ninguém notaria, porque todos estavam muito chocados encarando a mim.
Suspirei longamente e dei de ombros e subi para meu quarto. A isca fora jogada, agora era só esperar que eles pegassem.
Mais tarde naquela mesma noite minha mãe veio conversar comigo.
_ Podemos conversar? Pediu ela parecendo abatida.
_ Não há o que falar. A senhora vai querer dizer que as coisas não são como eu acho, só que não vai me convencer porque sei como elas são.
_ Querida você não é um estorvo para ninguém...
_ Então porque parece que todos estão parados no tempo? E não me venha dizer que é porque somos vampiros, porque não é disso que estou falando. Estou falando do fato que desde antes de deixarmos Forks todos pairam a meu redor esperando que eu cresça logo para que possam seguir com suas vidas!
_ Mas de onde tirou essa ideia louca?
_ Da realidade, eu vejo isso todo santo dia. Sempre fazendo as mesmas coisas, sempre preocupados comigo, buscando maneiras de me entreter e me ocupar. Todos vivendo ao meu redor como se eu fosse uma missão que devem cumprir.
_ Querida isso é um absurdo! Todos te amam aqui. Para nós é um prazer poder vê-la se desenvolvendo a cada dia. Se ninguém voltou para escola foi por escolha própria, porque era mais importante para cada um estar aqui e poder acompanha-la, e não por uma obrigação. Disse ela parecendo ultrajada e torcendo a ultima palavra.
_ Se de fato fosse assim, então você e o papai poderiam ir ter sua caçada sem ficar com medo do que poderia acontecer comigo. Falei agora ressentida.
Ela fechou os olhos deu um longo suspiro e assentiu.
_ Eu sou sua mãe, sempre estarei preocupada com sua segurança. Mas se isso a faz sentir melhor, então... Nós iremos.
Sorri satisfeita e a abracei.
_ Sei que gostam de estar comigo, mas precisa pensar em você também, e no papai...
Ao dizer isso a senti endurecer, ela se afastou e me encarou com o olhar culpado.
_ Ele nunca vai admitir, mas sei que está com saudade da senhora. De estarem juntos sozinhos, sem mim como tópico de 100% das suas conversas.
_ Ele não..._ Bufou_ Nunca diria nada.
_ Não, porque ele nunca a faria escolher entre mim ou ele, porque ele mesmo também está muito preocupado comigo. Mas vocês não são apenas meus pais. Vocês também são marido e mulher. Eu posso não entender muito disso ainda, mas sei que vocês merecem um tempo só de vocês.
Ela sorriu e eu lhe devolvi um sorriso torto.
_ Você é uma monstrinha muito esperta sabia disso? Disse ela se movendo lentamente em minha direção. Sorri com o que sabia que estava para acontecer. Em um movimento imperceptível para olhos mortais ela estava me enchendo de cocegas. Eu ri até meus olhos se encherem de lagrimas e implorar que ela parasse. Passamos ainda um bom tempo conversando amenidades até eu pegar no sono, só podia esperar que meus sonhos não entregassem meus planos. Caso contrário, estaria perdida.
No dia seguinte meus pais saíram em viagem, com o programado para se ausentarem por uma semana. Era mais tempo do que eu precisava. Esperei ainda mais um dia para ter certeza de que eles estariam longe o suficiente para colocar meu plano em pratica. Convenci minha avó a ir fazer compras como um jantar nada simples, o que a mandaria para o outro lado da cidade por um bom tempo. Tio Emmett e Jasper foram até uma loja de construção para comprarem material para mais uma das obras de Alice que ficava em mais de 6 horas de casa. Isso também os matéria longe. Carlisle estava de plantão o que me garantiria 48 horas dele longe. E Alice e Rosalie saíram para fazer compras no shopping o que tomaria a tarde toda.
_ Você está com todos os telefones na discagem rápida?_ perguntou Esme repassando toda a lista de segurança, pela milésima vez. Ela era ainda piro que meus pais..._ Sabe o que fazer em caso de incêndio, ou terremoto? Caso...
_ Ok, ok vovó. Não que eu ache que essas coisas vão acontecer, a casa é feita para resistir a nós, então acho que um terremoto não vai fazer os vidros nem tremerem. Tem sprinklers em cada cômodo e eu sei o telefone de cada um daqui até ao contrario.
_ Certo, acho que estou sendo paranoica. Assumiu envergonhada.
_ Que bom que a senhora notou. Disse a fazendo rir.
_ Vai ficar bem mesmo?
_ Vão ser só algumas horas, sem falar que a qualquer momento os rapazes, ou as garotas estarão de volta. Vou ensaiar um pouco, tenho uma nova composição que quero terminar e talvez caminhe um pouco. _ dei de ombros_ Ficarei bem.
_ Ok, então tchau querida. Disse me dando um rápido beijo na bochecha e saindo apressada para a garagem.
Acompanhei o carro de Esme sumir no horizonte e sorri satisfeita ao ver como meu plano estava dando incrivelmente certo. Naquele dia sobre o cedro eu tomara uma decisão. "Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé." Se Jake não podia me vir me ver, e ninguém iria me levar até ele, eu mesma iria, por minhas próprias pernas.
Corri até meu quarto para pegar minhas coisas. Minha primeira experiência em um ônibus foi interessante e em vinte minutos estava no aeroporto Internacional O'Hare. Pegar um voo da forma convencional seria um pouco improvável, mas isso já estava contabilizado. Fui até o terminal e verifiquei horário, o avião sairia em uns 15 minutos. Desci até a plataforma de embarque e com minha super velocidade entrei no avião. Era um espaço pequeno que tinha um cheiro estranho. Podia ouvir que ainda tinham algumas pessoas limpando e arrumando-o para a decolagem. Corri para me esconder no banheiro. Mas não achei seguro o suficiente, afinal alguma aeromoça podia vir verificar. Desci até o bagageiro que ainda estava aberto e homens colocavam coisas lá. Esgueirei-me até um canto escuro e fiquei. Depois do avião levantar voo e se estabilizar subi novamente para a parte comum e me sentei em uma cadeira perto da porta na classe econômica.
Tudo estava indo como o programado, conseguira pegar o avião e a viagem seria bem curta, com sorte eu conseguiria ir e voltar sem ser pega. Mas tinha uma coisa que não estava em meus cálculos. E isso me apanhara como um soco na cara.
O cheiro.
O odor concentrado de sangue humano quente era inebriante e convidativo. Eu estava meio desorientada e respirava a pequenos fôlegos. Era como estar passando uma fome de dias e de repente entrar em uma churrascaria. Minha boca salivava e eu suava frio. Agradeci por haver um ar condicionado a meu lado empurrando o ar carregado para longe.
Quando o avião aterrissou no aeroporto de Logan me levantei de um átimo, e assim que a aeromoça abriu a porta eu estava passando por ela. Andei apressada com o máximo de discrição que podia até um ponto de ônibus. Por sorte não tive de esperar muito e logo já estava a caminho para Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Já não cabia em mim de tanta euforia. Ficar sentada quieta em meu acento era simplesmente impossível, eu ficava quicando no banco ansiosa demais para chegar logo.
Assim que o ônibus parou no ponto sai em disparada em direção ao alojamento de Jake. Andei com o máximo que a velocidade humana me permitia. Ao chegar na entrada parei ansiosa e fiquei esperando a sombra de uma árvore. Era um dia em que o sol ia e vinha, mas eu não podia me arriscar a ser pega por um raio de sol forte que evidenciaria minha pele luminescente. Puxei a gola de meu casaco e ajeitei melhor o boné que usava para me proteger da luz. Jake não precisaria me ver para saber que eu estava lá. Lembrei-me de me manter contra o vento, assim, quando ele passasse pela entrada dos dormitórios, não teria como não sentir meu cheiro.
Por sorte minha espera não foi longa. Depois do que pareceram uns dez minutos, vi a enorme figura morena acompanhada de mais umas seis pessoas cruzar uma rua lateral e ir em direção do prédio de dormitórios. Reconheci o rapaz chamado Andrew falando animadamente com ele, e também a saliente da Beth, que ria de forma exagerada de algo que meu Jake acabara de dizer. Senti minhas unhas afundarem no tronco da árvore que usava como esconderijo ao ver aquela... Aquela oferecida se pendurar no pescoço de Jake.
Quem ela pensava que era? Quem dera a ela intimidade para andar agarrada a ele como se fosse... Como se fosse sua namorada... Um frio cortante perpassou minhas costas e senti meu coração perder uma batida.
Não! Isso não poderia ser possível! Ele nunca... Quer dizer, ele não podia... Ou será que podia? E-eu não conseguia compreender! Isso devia ser impossível!
Tentei me acalmar e dizer a mim mesma que tudo aquilo era invenção de minha cabeça. Que Jake não tinha nada com aquela cara de macarrão aguado. Eles eram amigos não? Amigos andam abraçados, eu já vira na tv isso.
É, mas namorados também. Disse uma vozinha maligna em minha cabeça.
NÃO! MEU JAKE NUNCA ME TRAIRIA!
Sacudi a cabeça com força afastando de vez aqueles pensamentos malignos.
Quando recobrei minha atenção no que interessava pude ver a tempo o momento em que Jake captou meu cheiro e sua cabeça que olhava para frente virou e procurou por mim, e quando enfim me viu me encarou com confusão. Levantei o boné para que ele me visse com clareza, seus olhos se esbugalharam e sua boca se abriu em um O de surpresa, apenas para ser substituído por um sorriso do tamanho do sol.
Ele assentiu para mim, e fez sinal para que eu esperasse por ele. Tratou logo de se livrar daquele monte de estranhos que o circulavam e veio em minha direção em passadas longas. Meu coração dava pulos de emoção por estar revendo-o. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele me puxou para um abraço de urso, ou melhor, lobo.
Eu ri e retribui o abraço até seus ossos estalarem.
_ Como você veio parar aqui hein monstrinha? Perguntou ele nós separando e me encarando com um misto de euforia e confusão. _ Sua mãe está em algum lugar que eu não tenha visto? Ele olhou em volta procurando por ela e pareceu estranhar o fato de não vê-la.
Engoli em seco. E se ele não gostasse da verdade?
_ Na verdade, eu... Eu fugi. Disse me encolhendo.
_ O que? M-mas c-como-mo?
Ele parecia meio transtornado. Ok, eu não pensara nessa parte.
Ele me encarou incrédulo, fechou os olhos e os apertou com força e sacudiu a cabeça em negação.
Eu estava ferrada.
_ Mas você é uma mostrinha impossível mesmo não? Falou abrindo os olhos e meneando a cabeça. Bem, ele não pareia prestes a explodir.
_ Está zangado?
_ Não, claro que não. É impossível me zangar com você, minha pequena travessa. Disse mostrando novamente aquele sorriso lindo e me puxando para mais um super abraço e rodopiando comigo nos braços. _ Estou muito feliz em te ver novamente minha linda. Estava morrendo de saudades, e muito perto de jogar tudo pro alto e ir atrás de você.
_ Não poderia deixar que você fizesse isso._ disse me desvencilhando dele_ A última coisa que iria permitir era que se prejudicasse por minha causa. Aprecei-me em falar, antes que ele resolvesse fazer uma besteira.
_ Valeria a pena se fosse por você. Falou acariciando meu rosto.
Fechei os olhos e aproveitei a sensação. Fazia tanto tempo que não podia estar assim junto dele. De sentir seu cheiro, o calor que emanava de sua pele, olhar para seus olhos negros e profundos e ver seu sorriso. Nunca me cansava daquele sorriso.
_ Então fujona, já que está aqui o que pretende?
_ Não vai me levar de volta pra casa? Perguntei receosa.
_ Bom você veio até aqui não? E com certeza já deve estar bem encrencada, então vamos aproveitar o tempo que ainda temos. Disse piscando o olho esquerdo.
_ Certo. Então... Um sorvete?
_ Um sorvete. Confirmou-o e me pegou pela mão e fomos pegar o "incrível".
Ele me levou até a sorveteria que fomos à última vez que eu e minha mãe havíamos visitando-o. Pedi o maior sorvete que tinha naquele lugar. Não comia nada desde o café e ainda não me recuperara completamente de minha estada no avião, junto de todo aquele sangue. A cobertura de framboesa teria que ter algum efeito psicológico sobre minha sede até que pudesse caçar de verdade. Jake pedira o mesmo que eu mais ele o enchera com tudo que tinha de opção.
_ Então mocinha vai me contar como conseguiu fugir? Perguntou ele com humor. Não sei ao certo, mas ele parecia estar gostando mais de minha fuga do que deveria.
_ Bem, acho que poso dizer que usei de meus talentos ocultos para conseguir deixar o caminho livre. Falei tentando esconder o sorriso de satisfação, por meus planos terem dado certo, e tão facilmente.
Ele riu.
_ Tenho certeza disso. Você é uma monstrinha muito esperta e manipuladora. _Disse ele fazendo graça. _ Nem quero ver o que vai acontecer quando seus pais descobrirem.
Senti um arrepio só em considerar a possibilidade de ser pega.
_ Isso não vai acontecer se seguir com meus planos. Disse com convicção.
Ele assentiu seriamente.
_ Bem, mas mudando de assunto... Por que aquela garota estava agarrada em você como uma cobra prestes a dar o bote? Inquiri-o sem consegui me controlar. Não conseguia engolir aquela garota e toda aquela intimidade que cismava em ter com ele.
Jake pareceu não entender a principio do que eu estava falando, mas minha expressão de desgosto deve ter sido o indicio que faltava para ele chegar à resposta. E para minha irã começou a rir.
HAHAHAHAHAHA...
_ Aíaíaí Nesss... Serio que você está com ciúmes da Beth? Ah por favor, Nessie, ela é só uma amiga.
_ A Alena também era, mas ela te beijou! Acusei irritada por ele ter tido a coragem de rir de mim.
_ Disse bem, ela me beijou. Você sabe disso tão bem quanto eu. Disse sem demostrar qualquer vestígio de significância para aquilo.
De fato eu sabia disso, porem não diminuía a raiva que eu estava daquela oferecida. Fechei a cara e resolvi dar-lhe uma fria.
O clima tenso que se instalara entre nós não durara muito, pois logo estava ele estava fazendo caretas e me provocando e não pude resistir. Tomamos nosso sorvete entre risos e uma conversa animada, na qual matávamos as saudades. Perdemos completamente a noção do tempo, e quando fomos ver o sol já estava se pondo e eu me apavorei.
_ Oh não!
_ O que foi? Perguntou ele assustado olhando para os lados e procurando pelo motivo de meu susto.
_ Já é tarde eu perdi meu voo. Falei em pânico.
Era isso, eu estava perdida. Senti meu coração descer para a barriga, o super sorvete de meio litro que tomara se revoltava em meu estomago e ameaçava voltar, o gosto ácido do vomito que ameaçava a sair já queimava meu esôfago.
_ Nessie, você está bem? Jake perguntou com a voz preocupada.
Eu não conseguia responde-lo, estava em uma luta árdua para manter a comida dentro do estomago.
_ Você está verde... Ele comentou apático.
Encarei-o sentindo o suor frio e pegajoso tomar meu rosto, pescoço e mãos. Eu estava bem perto agora de um desastre.
Ele então se levantou de supetão e sacou o celular do bolso.
_ Acalme-se, vou resolver isso. E ao dizê-lo saiu como um raio me deixando sozinha e completamente apavorada com o que poderia acontecer quando eu voltasse.
Foram os cinco minutos mais longos da minha vida, porque quando ele voltasse minha sentença seria dada.
Ele voltou com uma carranca seria e se sentou novamente em sua cadeira. Depositou o celular sobre a mesa, deu um longo suspiro e me encarou.
_ Eu liguei para sua casa, e falei com uma Esme muito preocupada, uma Alice histérica, uma Rosalie furiosa, e um Carlisle bastante estressado. _ A cada menção de um membro de minha família e meu peito e apertava ainda mais, e eu me encolhia ainda mais em minha cadeira._ E também liguei para seus pais..._ parei de respirar._ Não vou mentir eles estão furiosos, não fazia ideia de que Bella conhecesse tantos palavrões, quanto os que usou ainda pouco comigo. _ agora quase podia notar uma ponta de humor em, mas se realmente o fez, foi muito sutil._ Eles não estão nem um pouco felizes com o que você fez, mas acho que você não previa ser pega não é mesmo.
Não fora uma pergunta e apenas pude me encolher ainda mais.
_ Não podemos mais adiar o inevitável. Eles querem que você volte para casa o mais rápido possível, e sua mãe disse, abre aspas "se ela não estiver em casa em segurança quando chegarmos lá, você será um lobo morto Jacob Black". _ fechei meus olhos com força e o abri sentindo-os lacrimejar_ Eu não sei você, mas eu não quero morrer tão jovem e bonito. _ falou e piscou para mim_ Então estaremos no próximo voo para Chicago e rezemos para que seus pais não arranquem muito meu coro né?
_ V-vai c-comigo? Perguntei com um fio de voz. O enjoo já estava sob controle, mas agora eram as lágrimas que ameaçavam irromper por meus olhos.
Ele pareceu surpreso e confuso com minha pergunta, e tratou logo de reponde-la.
_ Mas é claro que sim. Acha mesmo que eu deixaria você enfrentar as feras sozinha? Humph! Mas nem pensar. _ pegou minhas mãos nas suas, elas pareciam tão ridiculamente pequenas perto das deles, e então olhou-me seriamente._ Vou estar lá ao seu lado pro que der e vier. Nem que seja só para ser o saco de pancadas dos seus pais._ completou em uma ineficiente tentativa de humor. Mas o contato entre nossas mãos e o fato de saber que ele estava lá comigo eram confortos maiores do que eu tinha o direito de pedir.
Assenti pare ele agradecida. Uma mistura de vergonha mortificante e culpa sufocante se apoderavam de mim de tal jeito que até respirara era difícil.
Ao chegarmos ao aeroporto não foi surpresa haver duas passagens de primeira classe para o próximo voo até Chicago nos esperando. A excepcional eficiência Cullen agia nos garantindo caminho livre até em casa. Por mais de uma vez me peguei desejando que o avião caísse e que eu morresse carbonizada, mas ao me lembrar que Jake e as outras pessoas provavelmente morreriam também eu me apressava em afasta a ideia da cabeça.
Agradeci internamente por terem reservado assentos na primeira classe para nós. Além das cadeiras serem bem maiores e confortáveis, tinha muito menos gente, fazendo que não chegasse a ser uma dificuldade em ficar naquele espaço diminuto com humanos. Não me movi nada, exceto para verificar as mais de 100 chamadas perdidas dos telefones de minha família e ir ao banheiro para por o sorvete para fora. Durante toda a viagem nos mantivemos no silencio mais cadavérico possível. Nenhum de nós tentou puxar conversa, não havia assunto para ser discutido, nem muito menos clima. A não ser que fossemos combinar um testemunho para a hora do julgamento. Mas para que? Há essa hora todos já sabiam do meu crime.
Eu matara J. F. Kennedy! Pronto falei! Tranquem-me em uma sela infecta e joguem a chave fora!
Não, melhor me mandem direto para a cadeira elétrica. Nesse meu curto período de vida já cometi crimes demais para sair em pune, eu mereço a pena capital por ter nascido!
Deus, eu estava com muito ódio de mim!
Eu não me arrependia por ter revisto Jake, não, eu ainda tinha um resquício de felicidade por estar ao seu lado de novo. Mas por conta de minha infantilidade egoísta, e minha irresponsabilidade sem noção eu não apenas estava enrascada, como também arrastara Jake para o buraco junto comigo. Porque ele já deixara bem claro que iria ficar do meu lado quando o chumbo grosso viesse. E era evidente que pelo estado de espírito que minha mãe devia estar ninguém seria poupado, muito menos a razão para minha fuga... Onde eu estava com a cabeça? Ah sim claro, em Jake.
Ao passamos por nosso terminal em direção ao saguão avistamos Carlisle com uma expressão cansada e esmaecida que parecia completamente errada com sua figura sempre tão gentil e cortes. Pela primeira vez ele parecia realmente velho.
Meu avô e Jacob trocaram um rápido cumprimento e apenas me mandou um olhar que perpassava a pena e o desapontamento. Mas também parecia realmente aliviado. Como um condenado que já aceitou seu destino e esperava ansiosamente apenas para ouvir o veredicto que já conhece.
Deus eu não sairia viva dessa. Entramos os três no carro dele e em poucos minutos já estávamos passando pela entrada florida de nossa casa. Normalmente passar pelo corredor de pessegueiros, com suas flores cor de rosa suave era algo que sempre me passava uma incrível sensação de paz e era o que eu mais gostava nessa nova casa, mas hoje as pétalas que se desprendiam e caiam sobre o vidro do carro pareciam cinzas que vinham anunciar um terrível desastre.
_ Por favor, Nessie... _ disse meu avô chamando minha atenção e me olhando pelo retrovisor_ Todos estão muito abalados com o que houve, então eu lhe peço que tome cuidado e seja breve em sua explicação. Sua mãe... ela tem um gênio difícil, e quando se trata de você... Bem, ela pode ser bastante... instintiva. _ Ele pôs as palavras com cuidado. Obviamente as escolhendo muito cuidadosamente, mas deixando claro que as coisas não estavam boas para meu lado, e que minha mãe devia estar a beira de um colapso. _ Pode fazer isso Nessie? Pediu ele ainda me encarando pelo retrovisor.
Assenti para ele e senti quando o braço de Jake se fechou a minha volta em sinal de força.
Quando o carro parou na frente da casa me senti travar. Cada osso, cada musculo e terminação nervosa do meu corpo estava completamente paralisada. Jake pegou minha mão e apenas mexeu a boca em um "estou com você" mudo. Sim, ele estaria comigo, e isso apenas piorava tudo, porque estilhaços das balas sobrariam para ele.
Assenti para ele tentando passar uma confiança que não tinha e sai do carro. Os degraus da varanda nunca pareceram tantos e tão altos. Eram apenas cinco, mas para mim parecia que eu estava subindo a Muralha da China. Cada passo era dado com a dificuldade de um recém-nascido, e era como eu me sentia. Frágil, descoordenada e perdida. Jacob estava ao meu lado firme e forte como prometera e Carlisle assumiu a dianteira abrindo a porta para nós.
Puxei o ar longa e demoradamente, levei ainda mais tempo para libera-lo de meus pulmões. Além de toda a culpa eu ainda me sentia completamente miserável por ser tão covarde. E novamente ele estava lá para pegar em minha mão e dar um discreto sorriso de lado, que apesar de singelo e quase imperceptível estava dizendo "estou aqui, e não vou a lugar algum". E foi só o que precisei para dar o próximo passo.
Mas logo em seguida paralisar novamente.
Meus familiares estavam dispersos pela sala de estar, um com a cara pior que a outra. Iam desde preocupação e ansiedade de Emmett, o estresse e receio de Jasper, aflição e frustração de Alice, o medo e raiva de Rosalie, o temor e zelo de Esme, até chegar a desolação e apatia em meus pais. Eles estavam sentados no sofá que ficava virado para a entrada principal pela qual passávamos agora. Meus pais parecia ser a única coisa que mantinha minha mãe inteira. Ele a abraçava de forma protetora e acolhedora. Ao se darem conta de que estávamos lá todos os olhares se dirigiram á nós.
O olhar de desespero, raiva, frustação, mas principalmente, decepção de meus pais e família era algo que eu jamais esqueceria. Aquilo me ferira mais do que qualquer palavra, grito ou punição seria capaz. Eu preferiria ser espancada até a morte a ver a desilusão estampada nos belos rostos daqueles que eu mais amava. Eu me sentia a pior das criminosas. Eu queria ser tragada pela terra e passar a eternidade lá do que ter de olhar para seus rostos mais um segundo se quer.
Mas não haveriam chances daquilo ser amenizado. O ferro em brasa já marcava minha pele para sempre. Como uma tatuagem em meu lobo frontal.
Por um segundo minha mãe pareceu não acreditar que eu estava realmente ali. Seus olhos que estavam opacos pelo choro sem lagrimas tinham dificuldades para processar minha chegada. Mas aos poucos o reconhecimento a alcançou e ela não parecia mais perdida, mas sim muito, infinitamente magoada...
Durante todo o processo de desenvolver e executar meu infalível plano de fuga, eu não me sentira nem um pouco culpada por estar mentindo e ludibriando minha família. Talvez porque eu estivesse muito cega pela saudade na hora e tenha simplesmente preferido ignorar as consequências de que aquele ato implicava. Ou, porque não contasse com a possibilidade de que alguém descobrisse, não que isso minimizasse o que eu fizera, mas pelo menos, não haveria porque ser punida por nada. Mas agora diante da inevitável punição, e vendo em primeira mão o que meu sumiço causara em minha família, bom, eu só queria que minha sentença fosse dada logo para que aquele show de horrores acabasse e tudo pudesse voltar ao normal.
_ Vocês poderiam... Poderiam nós dar licença? Pediu meu pai com a voz seca, como a de alguém que chorou tanto ao ponto de acabar com qualquer líquido corpóreo. Ele assim como Carlisle parecia muito mais velho e cansado.
Todos trataram de se retirar com o máximo de discrição possível, exceto por Rosalie que por um segundo enviou até meu pai um olhar ultrajado de indignação, por ser excluída, mas ele se manteve firme e Esme foi logo até ela a guiando para cima.
_ Chamem se precisarem. Disse Carlisle, mas antes de subir ele me mandou mais um olhar pedindo cuidado.
Minha mãe se precipitou em um movimento impossível de ver por olhos humanos estava parada bem na minha frente. Seu olhar duro, mas sofrível me feria demais, e eu só queria encontrar minha voz para poder pedir desculpas. Eles então tremeram e em mais um rápido movimento ela me tinha em seus braços.
_ Oh meu bebê! Minha Renesmee... Falou ela com uma voz embargada.
Abracei-a de volta um pouco receosa, não podia ser tão fácil assim. E não foi. Se em um segundo ela estava me abraçando desesperada e amorosa, em meio eu estava de volta do chão e ela estava gritando comigo.
_ Renesmee Carlie Cullen como pode fazer uma coisa dessas conosco? Faz ideia do que passamos? Do que poderia ter acontecido com você andando sozinha por aí? Podiam ter machucado você! Podiam ter sido descoberta!
A cada palavra proferida eu me encolhia mais. Logo eu faria parte da decoração da sala como mais um dos tapetes persas de Esme.
_ Tem ideia de se algo acontecesse com você... _ Sua voz falhou e todo o corpo dela tremeu como se pensasse na possibilidade de me perder._ Você NUNCA MAIS SE QUER PENSE EM FAZER ALGO ASSIM ENTENDIDO?
Assenti temerosa e envergonhada.
_ ENTENDEUU? Perguntou ela me sacudindo.
_ Hey, calma lá Bella! _ chamou Jake me puxando e nos separando.
_ Não se meta nisso Jacob não te desrespeito. Alias! Isso é tudo culpa sua!
_ Minha?
_ Sim! Tenho certeza de que tem mão sua nessa história toda. Afinal ela fugiu para ver você! Acusou ela enfurecida pela intromissão dele.
_ O que? Mais é claro que não! Não seja absurda Bella!
_ Não é? Por que eu acho meio difícil uma criança de 3 anos conseguir sair do estado e enganar a todos nós, sem o auxilio de ninguém!
_ Bom isso prova que você não conhece sua filha muito bem Bella. Caso contrário, saberia que ela é capaz de coisas inacreditáveis. Retrucou Jake com ironia que só piorou as coisas.
_ O que está querendo insinuar? Que eu não conheço minha filha?
_ Eu não estou insinuando nada, é você que está dizendo.
De repente a bronca que eu estava levando de minha mãe, se tornou uma briga entre ela e Jake. Como isso acontecera? Simples, ele viera em minha defesa como sempre, e agora estava sendo responsabilizado pela minha escapada.
Eles se xingavam e acusavam mutuamente, trocando palavras chulas as quais com certeza se arrependeriam depois. A discussão estava esquentando, leves tremores perpassavam pelo corpo de Jake e minha mãe já lhe mostrava os dentes, não demoraria muito e logo eles estariam brigando de verdade. E isso era a ultima coisa que qualquer um ali iria querer.
Mandei para meu pai um olhar pedinte. Até então seu rosto expressava apenas cansaço e ressentimento, com uma pitada de outra coisa que eu não conseguia identificar, mas parecia algo como... Culpa?
Por que ele sentiria culpa? Eu cometera o crime e não ele. Ele não sabia de nada, eu me garantira disso, então por quê?
Nosso olhar se manteve preso um ao outro por mais um instante, e eu podia jurar que ele me pedia desculpas silenciosas. Eu queria questiona-lo do porque daquilo, mas antes que tivesse chance um rosnado alto de minha mãe encheu a sala me chamando para a realidade.
Ela e Jacob encontravam-se agachados em posição de ataque, bem perto de se lançarem um sobre o outro. Todo o corpo de Jake tremia em espasmos que anunciavam a transformação iminente.
Meu pai se precipitou em sua direção.
_ Acalme-se Jacob você não quer machucar ninguém. Disse ele tocando em seu ombro, mas essa não foi uma decisão sabia. Jake estava já em seus últimos fios de alto controle, e assim que o toque aconteceu ele explodiu em lobo lançando os móveis aos pedaços e fazendo meu pai atingir e quebrar a parede.
Isso foi o que bastou para minha mãe perder seu controle e se lançou sobre ele. Os dois arrebentaram a parede da sala de estar indo atingir a grama do quintal traseiro. E aí toda a minha família estava lá para tentar interver na briga.
Tudo era uma grande confusão de mãos, pés, braços e pernas. Um grande murundu de pessoas tentando apartar a briga, mas nem minha mãe, nem Jake pareciam dispostos a pararem com aquilo.
O desespero asfixiava-me e paralisava-me. Eu tinha que para-los antes que algo irreversível acontecesse. Nenhum dos dois se perdoaria depois se ferissem realmente um ao outro. Mas o que eu podia fazer? O que?
Não parei para pensar realmente, apenas segui meus instintos. Comecei a correr na direção da luta. Vi quando meu pai e Carlisle notaram minha aproximação, o primeiro tentava conter minha mãe e o segundo chamar ambos a razão. Ambos gritavam para que eu me afastasse, e Carlisle pediu a Esme para ir até mim. Ela correu em minha direção, mas graças aos muitos jogos de futebol americano com meus tios eu me tornara uma excelente running back, nunca era pega. Desviei de Esme e quando estava bem perto deles e me lancei entre eles gritando com toda a força de meus pulmões.
"PAREM!"
Como uma vez em um passado recente, não saíra apenas de minha boca, mas eu lançara aquela palavra em suas mentes. E fora bem a tempo de minha mãe ir contra a jugular de Jake. Minha ação os paralisou instantaneamente, no entanto eles já haviam se lançado no ar e agora continuavam em movimento indo um na direção um do outro, e eu estava bem no meio deles. Seria eu a levar todo o impacto do choque, mas por mim tudo bem. Eu começara aquilo, nada mais correto do que eu receber as consequências.
Porem sem que eu pudesse ver e apenas sentir, meu pai se lançou sobre mim me tirando dali bem a tempo. Ele deixou que seu corpo amortecesse o impacto sobre a terra que levantou muita fumaça e fez um grande buraco.
Minha mãe e Jake se chocaram com força, mas apenas isso. Os dois caíram na terra também levantando uma alta fumaça, mas diferente da última vez eles ainda não se mexiam. Eles pareciam...
PARALIZADOS!
Os olhares vidrados e os músculos completamente retesados na mesma posição em que haviam se precipitado. Eu não compreendia como podiam ainda estar imóveis.
_ Nessie... _ chamou meu pai com a voz atônita_ O que você fez?
Eu? Não fazia a mínima ideia, mas parecia que meus talentos ocultos iam muito além do que eu estava escondendo deles. Iam além do que eu mesma tinha consciência...
