Notas da Autora
Tights se surpreende, quando descobre que...
Novamente, Raditz a surpreende, quando...
Enquanto isso, Tights não compreende o motivo de...
Capítulo 53 - Raditz e Tights - Conforto
Então, a alienígena fala ao se aproximar da humana, que se encolhia contra a parede atrás dela, com a supervisora dos escravos, arqueando o cenho, pois achou estranho o comportamento da chikyuujin:
- Sua categoria mudou. Você é, agora, uma escrava pessoal. Portanto, tem muitas regalias, inclusive nas roupas. Venha, vou leva-la até onde irá comer.
Tights a segue sem contestar, passando a se acalmar, gradativamente, enquanto percebia que muitos escravos olhavam curiosamente para ela, no início, para depois demonstrarem raiva em sua face, no caso, as que usavam roupas que revelavam muita coisa, similares ao seu modelo e as outras, que eram poucas, que usavam o mesmo modelo que ela, que cobria tudo, sendo que olhavam com visível curiosidade na face, com um olhar que lembrava o de uma criança curiosa com algo.
Pelo menos, era o que tentava definir na aparência delas, pois, eram de fato humanoides, mas, a quantidade de pelos, escamas e outras coisas na pele, que dificultava o reconhecimento.
Então ela compreende porque a outra escrava havia falado: "É bonita, não entendo porque não usa uma roupa como a nossa".
De fato, somente escravas de aparência feia usavam tais roupas e que essas escravas tidas como feias, eram mais fortes que as raças mais belas e por causa disso, eram usadas, provavelmente, para trabalhos mais pesados e braçais, pelo que desconfiava.
Passa a olhar para a alienígena que a conduzia de características ferais e que acumulou o cargo de fiscal de escravos para o seu dono. Ela era uma escrava, também, mas, possuía um status maior do que as das outras e a outra, igual a ela, fiscalizava o harém, pelo que suspeitava.
- Por que estava encolhida contra a parede?
- Pensei que a senhora ia me punir.
A responsável pelos escravos nada fala, sendo que aponta para uma suntuosa porta e fala:
- Entre. Devo avisá-la que poderá requerer petiscos durante o dia, já que seu status é de escrava pessoal, sendo seu status similar ao meu. Portanto, eles terão que servi-la e ter o devido respeito por você, adicionando o fato que é a favorita do nosso mestre e em relação às punições, apesar de não poder puni-la, nosso dono pode punir você. Eu devo reportar qualquer comportamento contrário às regras dessa mansão para ele, em relação a você. Estamos de acordo?
- Sim, senhora.
Ela fala com medo na voz, pois, a aparência dela e forma de falar eram repletas de agressividade, embora notasse, ao observar mais atentamente, que era a forma dela falar, provavelmente, pelo treino em lidar com outras escravas para impor ordem e respeito, percebendo, mais atentamente, que o olhar era neutro.
- Se acostume com o meu jeito de falar. Fui treinada e condicionada ao longo da minha vida para agir assim. A única coisa que precisa temer de mim é caso faça algo contra as regras e eu acabe comunicando ao nosso mestre. De outra forma, não precisa temer-me. Se alguma escrava te destratar, deve avisar-me na hora, para que eu tome as medidas cabíveis nessa situação. Irei avisa-las de seu status e o que aconteceu agora a pouco, não irá se repetir. A escrava foi petulante.
- Por favor, não a puna... Eu imploro.
- A punição dela consiste em ficar de pé o dia inteiro em um cômodo estreito, que a obriga a ficar de pé, sem poder usar o banheiro e se sujar o cômodo, terá que limpar, após receber autorização para sair. Só usamos o chicote para aviso e elas foram treinadas para reconhecerem o som. Para punições mais severas é usada a coleira. Se for leve, a punição é de apenas dois minutos. Faltas graves, quatro minutos. Faltas acima disso, que compreende uma tentativa de fuga, são seis minutos de punição. Normalmente, sou eu que aplico. As escravas do harém estão com outra responsável e somente ela pode puni-las, sendo que nunca as puniu, pois, se demonstrarem qualquer desrespeito, elas irão perder qualquer benefício que o mestre deu e não são burras ou idiotas de tentarem fazer algo contra as regras.
Tights passa a mão na sua coleira e decide que não queria pensar na punição da jovem escrava, pois, seu apetite já diminuiu ao saber o destino da jovem alienígena e decide não saber de mais nada, senão, iria perder o apetite, novamente.
Ela abre a porta e vê uma mesa imensa com bastante comida, ainda e avista Raditz, que estava sentado na ponta, beliscando algo, sendo que havia vários ossos ao seu lado e ao vê-la, ele a chama:
- Venha Tights.
A humana se aproxima ressabiada, sendo que estava faminta, enquanto que orava para que o seu dono não tomasse muito o tempo dela, para poder ir comer com os outros, antes que desmaiasse de fome, já que estava se sentindo fraca.
Ao se aproximar dele, ele indica uma cadeira:
- Sente e sirva-se.
Ela fica estarrecida, processando o pedido, julgando que ouviu errado, pois, ela era escrava e ele o seu dono. Além disso, era ofensivo um escravo sentar-se junto com o dono na mesa, a menos que ele quisesse ter alguma diversão sexual antes da comida, sendo que testemunhou escravas que eram obrigadas a fazer sexo oral ou ter relações sexuais, enquanto o dono estava sentado, inclusive com visitas e frente a esse pensamento, ela sente o sangue gelar.
Como se lesse os pensamentos dela, ao vê-la ficar assustada, ele fala:
- Não é nada disso que você está pensando, pois, tenho uma noção do que passou em sua mente. Você vai sentar na cadeira a minha frente, para me fazer companhia. Será assim em todas as refeições em que eu estiver aqui e mesmo que eu não esteja aqui, você vai comer nessa mesa. Entendido?
- Sim, mestre.
Então, ela senta, para depois olhar para a comida, começando a pegar algumas coisas, enquanto que sabia que o ódio das outras escravas por ela somente iria aumentar ainda mais e que, por causa disso, ninguém iria querer ser sua amiga, enquanto que sentia falta de conversar com outra pessoa, que não fosse o seu dono.
Nisso, ela começa a se servir, para depois levar o prato para a sua frente, assim como pegava um copo que identificou como sendo uma espécie de suco.
- Percebi que está cabisbaixa.
Então, ela senta e ao ver o cenho dele arqueado, responde:
- É que sinto falta de conversar com alguém, mestre.
- Está conversando comigo.
- Mas, somente converso direito com o senhor, mestre... Queria com outra escrava ou então...
- Entendo.
Ele sorri, enquanto congratulava a si mesmo por sua ideia de leva-la para conversar com outra de sua espécie, de mesmo status, pois, seu irmão mudou o status de sua escrava para pessoal naquela manhã, ao ver a nova categoria de escravos, assim como ele fez.
Afinal, a escrava cadastrada nessa categoria, somente cozinharia para o seu dono e cuidaria de todas as necessidades do mesmo em vários sentidos, não possuindo uma definição própria ou limitação de tarefas, sendo que tal categoria tinha um status um pouco melhor que as demais.
Então, ele olha para a quantidade de comida e fica estarrecido, para depois exclamar:
- Só isso?! Tudo bem, que vocês comem pouco e são, portanto, bem econômicos... Mas, isso já é exagero! É muito pouco!
Tights olha para o prato e acha que até pegou demais, mas, ao vê-lo e ficar perto dele, sentiu a sua fome voltar como mágica, enquanto que não compreendia a sua reação, pois, deveria ser o contrário.
- Até acho que foi demais...
- Isso é demais?
O saiyajin ainda está embasbacado e a humana adorou vê-lo com essa face, no mínimo estarrecida, enquanto que controlava a vontade de rir.
- Sim... Ontem eu não jantei.
- Como assim não jantou? – ele arqueia o cenho.
- Com tudo o que ia acontecer comigo a noite, não senti fome. Fiquei tão estressada e nervosa, que não senti fome e me esqueci de comer.
- Nunca mais faça isso. Coma todas as refeições. Vocês são uma das raças mais fracas que existem. Cuide de sua saúde, inclusive da alimentação.
- Sim, mestre... Eu estava nervosa.
- Eu irei questionar se você comeu, antes de termos a minha diversão... Ou melhor, nossa, já que não sou egoísta.
Ela cora, intensamente, quando se lembra do que fariam a cada três dias e ele confessava que adorava vê-la corar, pois, ficava simplesmente linda e ao se lembrar dela deitada placidamente na cama, com os cabelos dourados como o sol, esparramados nos lençóis, sendo que se recorda dos gemidos dela, que eram música para os seus ouvidos, ele sente seu membro ficando ereto, enquanto que se amaldiçoava e se levanta, falando:
- Vou tomar um banho e irei encontrá-la na sala.
Por causa da disposição da armadura, ela pode notar o membro ereto dele e cora, vários tons de carmesim, sendo que o saiyajin percebe e fala, se aproximando ela, enquanto sussurrava roucamente:
- Se orgulhe... Somente você consegue fazer esse Raditz agir como um saiyajin que acabou de amadurecer e não como um adulto.
Então, solta um hálito quente na curva do pescoço dela, ficando satisfeito ao sentir o arrepio da humana, principalmente quando beija o ombro da chikyuujin, para em seguida sorrir de canto, se afastando, após afagar uma mexa do cabelo dela, que está em choque pela reação de seu corpo, para depois lançar um olhar mortal ao mesmo, sendo que em seguida, bufa aborrecida, virando o rosto de lado e flexionando os braços na frente do seu tórax, ao ver que ele se afastava, rindo.
Quando percebe que o saiyajin subiu as escadas, murmura:
- Idiota pervertido.
Tights volta a comer, adorando a comida, assim como a espécie de suco, para depois se levantar da mesma, indo até a sala, para esperar pelo seu dono, conforme as ordens que recebeu.
Após meia hora, ela estava sentada no espaçoso sofá, enquanto suspirava, novamente, pois, pelo horário, ele havia se atrasado, pelo menos, quinze minutos.
"Ele é seu dono e pode se atrasar. Se fosse eu que me atrasasse, iria ser castigada, com certeza".
Ao pensar em castigo, ela não pode deixar de arquear o cenho e no fundo de seu ser, tinha a esperança que se fosse castigada por algo, seria uma punição como ficar de pé ou algo assim por horas ou trancada em algum lugar ou então, fazendo alguma atividade exaustiva por horas a fio, do que usarem a coleira nela.
Ela tivera uma coleira semelhante e já havia sofrido punições de choque e de queimadura, sendo que não teve uma única vez em que não perdeu o controle dos esfíncteres, quando a punição passava dos dez minutos e sabia que a visão do escravo sujo com urina e fezes divertia quem aplicava a punição, pois, além da dor, havia a vergonha e a humilhação, sendo que sofreu isso algumas vezes, ao contrário de sua irmã que sofreu muito mais, devido ao fato de ser rebelde por natureza, ao contrário dela, que não era tão rebelde.
Estava tão imersa em suas reminiscências, tocando a coleira, que não percebeu Raditz, que se aproximou dela, estranhando o olhar perdido e repleto de dor, assim como de tristeza, sendo que exalava a medo e fica surpreso ao ver uma lágrima solitária brotando de um de seus orbes ônix.
Naquele instante, Tights se lembrava do preço amargo que sua amada imouto pagou por sua rebeldia e que os castigos não conseguiram fazer, sendo o efeito de tal punição, imediata. O estupro consecutivo até a morte da mãe delas, com Bulma sendo obrigada a assistir tudo até o final, sobre ameaça de fazerem isso com a irmã dela, enquanto que faziam questão de culpa-la pelo o que aconteceu com a sua mãe, por horas a fio.
No final da punição, quando soube do ocorrido, nada mais restava de Bulma, além de um olhar opaco, sendo que a rebeldia e o brilho nos olhos desapareceram por completo, enquanto que se encontrava em estado de choque, sendo que ela só tinha dez anos, quando perdeu o que restava de sua inocência ao presenciar tal ato sórdido e brutal, juntamente com a culpa que fizeram questão de incutir nela e que sempre a martirizava.
Inclusive, desconfiava que ela tivesse pesadelos a noite e não poderia culpa-la.
Seu pai ficou destroçado, inclusive ela, Tights. Eles haviam ameaçado dar o mesmo destino a querida irmã mais velha de Bulma, se ela ousasse agir com rebeldia e petulância, novamente, sendo que tal ameaça era desnecessária.
Afinal, a sua irmã morreu, juntamente com a mãe delas, naquela sala e ela era apenas alguém submissa, covarde e amedrontada, assim como aterrorizada, sem qualquer rebeldia no corpo, coragem ou ousadia, sendo que agradecia a Kami-sama por eles terem morrido na invasão dos saiyajins em Ryuushiro, pelo que suspeitava e acreditava.
Agradecia por eles terem morrido, pois assim, eles estariam livres da dor e do sofrimento, principalmente a sua imouto, que era afligida pela culpa e dor, sendo que ela não sabia que o seu pai e imouto estavam vivos e que eram escravos cientistas do imperador.
- Tights?
Ela ouve a voz preocupada de seu dono, algo que estranhou, enquanto secava as lágrimas com o dorso de suas mãos.
- Sim, mestre?
- O que houve?
- Me recordei de algumas lembranças pesarosas... Apenas isso.
Então, a chikyuujin ergue-se do sofá, com o saiyajin notando que ela estava longe de estar bem, pois, havia alguns odores que eram imperceptíveis aos humanos e muitas outras raças, menos para os saiyajins, por terem um olfato apurado, graças à forma oozaru deles, sendo que Raditz agradecia por terem tal olfato.
- Vamos subir. Vou pegar algo.
Ela olha com o cenho arqueado, sendo que estava levemente receosa e ele fala:
- Vamos sair. Meu plano não mudou. Apenas me siga. Além disso, eu prometi para você que teríamos um intervalo de três dias.
"Além disso, não sentiria prazer ao ver você nesse estado, sendo que detesto tal ideia, assim como o fato de ter tanta consideração".
Ele completa em pensamento, sem ousar pronunciar tais palavras, pois, sentia vergonha de como agia, por não ser condizente com o comportamento de um saiyajin orgulhoso e passa a ter receio que tenha herdado algo de sua genitora.
Orava para que não fosse isso, pois, era algo inconcebível.
Quando chegam ao quarto dele, ela fecha timidamente a porta, para depois perceber que ele se aproximava dela, sem usar a armadura, sendo que usava, apenas, uma espécie de cueca, já que não trajava o macacão colante de corpo inteiro.
Frente a tal visão, a chikyuujin recua alguns passos, até que as suas costas ficam encostadas na porta, sendo que ele aproxima seu nariz da curva do pescoço dela, se aproximando da marca, enquanto a retinha pela cintura e sem perceber, sua cauda envolveu a cintura dela, grudando o corpo delicado da humana ao seu, com Tights sentindo as reentrâncias dos músculos dele, assim como o calor dele.
O nariz de Raditz roça em sua pele e ele leva uma de suas mãos à marca dele, afagando com um dedo, fazendo o corpo dela, reagir, sem qualquer controle, com Tights fechando os lábios, enquanto que sentia o seu coração batendo fortemente, enquanto que a dor e tristeza pareciam diminuir, gradativamente, independentemente de sua vontade, enquanto sentia prazer, sendo que ele auxiliava ainda mais a dispersar tais sentimentos dolorosos e igualmente pesarosos.
- Por que estava chorando na sala?
Ele pergunta roucamente, sem tirar seu rosto da curva do pescoço dela, inspirando o seu perfume, enquanto acariciava, carinhosamente, com a ponta dos dedos o braço dela e com a outra mão, a marca dele na nuca da chikyuujin, fazendo a humana sentir que se acalmava, gradativamente, sem qualquer controle e por mais estranho que fosse tal pensamento, Tights se sentia segura e amparada nos braços dele.
- Lembranças de minha vida em Ryuushiro, mestre.
- Quais?
- Apenas lembranças.
- Não para mim. – ele inspira profundamente o odor dela e fala – Seus olhos, seu corpo e os odores que sinto, gritam para mim dor e tristeza, de uma forma alarmante. Sinto que a sua mente está imersa em dor e que estranhamente, sente-se culpada. É algo profundo. Eu percebo. Eu sinto.
A chikyuujin fica surpresa, pois, parece que ele havia lido, de certa forma, os seus pensamentos, enquanto que não compreendia os atos dele.
Já, Raditz, não sabe o motivo de se importar com a humana, sendo que ele fica estarrecido ao testemunhar o quanto a preocupação para com ela era influente, quando ele baixava as suas defesas e não cultivava o seu orgulho, embora que tinha uma teoria e orava para que não fosse verdadeira, pois, a seu ver, seria vergonhoso demais, uma vez que Tights era uma escrava e não uma saiyajin.
Por algum motivo que a humana não conhecia, ela o abraça, afundando o seu rosto no tórax musculoso dele, o surpreendendo, enquanto chorava e contava tudo o que martirizava ela, inclusive o que aconteceu com a sua mãe e com a sua amada imouto e o fardo da culpa que carregava por não ter procurado alerta-la melhor, mais do que já fazia, para que ela domasse o seu gênio e temperamento desafiador. Acreditava, que se tivesse sido mais energética, nada daquilo teria acontecido.
