Chapter 55:

- Milord. - disse tentativamente Severus.

O pequeno Harry tinha cumprido em um ano fazia em vários meses e ainda que não tinha podido o ver sequer, Dumbledore tinha comentado esse trinta e um de Julho que o bebê se via saudável. A vida de Severus tinha-se voltado uma rutina esmagadora e implacável: ser professor de Poções no colégio Hogwarts. Não é como se adorasse sua profissão, mas estando cerca de Dumbledore o Lord devia descarregar seu frustração em outro para que não se notassem em suas classes as consequências do abuso.

Mas, claro, isso não significava que ele sempre se ia de rosinhas. O Lord girou sua varinha nas mãos, olhando a seu servo fincado no solo e decidindo quando parar o castigo. A Severus não lhe tivesse importado que continuasse o castigo por horas, desde que o outro espião, emboçado, não estivesse a olhar. Ainda lhe ficava algo de orgulho. Seu Senhor voltou a alçar a varinha contra ele e lhe calou inesperadamente.

- Bem, Severus, como ia dizendo antes de que me interrompesses. - Severus manteve-se ajoelhado e sem olhar-lhes a ambos, mas pôde escutar o riso do outro convidado amortecida. -Já tenho tomado minha decisão: irei esta mesma noite a matar aos Potter.

- Mas senhor… Eles não… - se conteve de dizer algo mais e o Lord se inclinou sobre ele:

- Parece-me lamentável que baseie sua fé em mim em dependência do futuro da família Potter. - a voz cortou o ar e Severus não tentou o negar: quiçá não era sua fé senão sua confiança, mas não via por que ser hipócrita nesses momentos. - Se não fosse pelo contrato que fizemos você e eu, Severus, poderia estar a pensar que me está a trair.

Severus ficou em silêncio: quando aceitou aprender do Lord em pessoa teve que lhe jurar fidelidade absoluta e incondicional. Não se arrependia disso; Dumbledore tinha mostrado suas duas caras sempre. Quando falava com Severus tudo girava em torno de sua segurança e a confiança e esses sentimentos mais próprios de gryffindor. Depois falava com McGonagall, sua eterna confidente, e tudo se resumia em simples necessidade e no útil que era o espião. E McGonagall olhava-lhe com curiosidade e lástima sem saber que o Diretor tinha acabado se engolindo suas mentiras e ele não.

- Mas, senhor, eles fizeram um encantamento fidelio. - sentiu que o Lord sorria enquanto dizia:

- Ah, sim, disse-lhe a Dumbledore sobre minhas suspeitas. Mas meu espião ali foi-me quase tão útil como você. - Severus sorriu enquanto o riso do emboçado cortava-se inesperadamente: apesar de todo o ocorrido, o Lord ainda lhe tinha em consideração. - É o guardião dos Potter. - de modo que Black tinha-lhes traído a todos, pensou Severus. - Uma verdadeira sorte, não cries, Peter?

Severus elevou a cabeça um pouco. Peter Pettigrew? Esse inútil era o guardião dos Potter? Evitou suspirar pensando no ilusos que eram os gryffindor. Para um que lhes tinha traído, resultava ser o que mais sabia. Não disse nada enquanto o Lord se levantava com uma tranquilidade pasmosa. Ele mesmo se ia. Se ataviou a capa com lentidão enquanto Severus seguia prostrado. Não tinha sua permissão para se levantar. Fez um último esforço e suplicou:

- Faz favor, milord, reconsidere. - o Lord girou-se para ele um momento antes de abrir a porta.

- Não há nada que discutir, Severus. - fechou a porta por trás dele.

Severus apoiou sua testa no chão, deixando que seus ombros se afundassem. Que devia fazer agora? Devia seguir lhe e seguir insistindo? Devia dá-lo por perdido? Não, nunca. Levantou-se mecanicamente, olhando a Peter adiante dele. Em um alarde de sua ambição e mesquinhez tinha-se sentado no lugar que ia ocupado o Lord e lhe olhava com superioridade em seus olhos pequenos. Severus observou-lhe durante um instante dantes de agarrar-lhe da frente da túnica, com inusitada violência e fúria.

- Onde está a casa dos Potter? - demandou saber. A ponta de sua varinha fincou-se na jugular de Wormtail, que pareceu indeciso por um momento. Severus pressionou. - Diz-me, Wormtail. - lembrou-se repentinamente do mote grotesco que o garoto levava com orgulho. Isso pareceu lhe fazer reagir e finalmente disse trémulo:

- No Vale de Godric, passando a praça e a igreja, é a última casa da fileira da direita.

Severus soube exatamente como chegar. Já tinha estado ali mais vezes, de modo que só precisava a indicação de Wormtail para aparecer nas ruas do Vale de Godric. Percorreu a rua tentando esconder nas sombras, abafado, e chegou à praça. A um lado estava a igreja e no outro tinha um escritório de correios e um bar quase vazio. Rodeou a praça e continuou adiante chegando até a última casa. Todas as vezes que tinha ido ali tinha utilizado um caminho mais curto, mas nesse momento não se percebeu disso.

A casa, um chalet de dois andares, tinha as luzes acendidas. A porta da rua estava entreaberta, deixando que as primeiras neves entrassem no recebedor. Severus correu até ali, desejando não ter chegado tarde, entrou no recebedor e se pôs entre Voldemort e James. O primeiro tinha a varinha alçada e a ponto de lançar o feitiço mortal e o segundo, desarmado, se aferrava à parede utilizando seu corpo como uma barreira contra o Lord.

- Severus, aparta-te. - disse com voz suave o Lord. Pela primeira vez em toda sua vida, Severus alçou a vista e disse claramente:

- Não. - seus joelhos dobraram-se e caiu ao chão como se lhe tivessem lançado um cruciatus. E enquanto mordia-se a língua para não gritar, Severus recordou que no contrato que o Lord e ele tinham selado incluía o não desobedecer nunca uma ordem direta. E acabava de fazê-lo. - Faz favor, milord, nunca tentaria a trair.

- E seu… Querido James? Não posso me arriscar. O menino é um perigo. - Severus tentou levantar-se, enquanto a dor remetia. James adiantou-se e ajudou-lhe enquanto dizia com a cara pálida:

- Unirei a ti se com isso não mata a Harry. - essas palavras fizeram o efeito esperado em Voldemort. Ter a alguém como James de seu lado, vigiado constantemente, e com o pequeno Harry cerca dele. Qualquer movimento em falso de um dos três e o menino estava morto, pensou o Lord imaginando um futuro próximo mas não real.

- Aceitaria ser meu comensal, Potter? - perguntou Voldemort enquanto a varinha baixava lentamente. James pareceu descolocado.

-Comensal? - perguntou a sua vez. Seus olhos passaram do Lord a Severus, que lhe olhava com certa ansiedade. A vida do filho que ambos tinham estava em jogo, pensou estressado. - Não… Não sei.

- James, faz favor. - sussurrou Severus, apanhando do braço. James apartou a vista e Severus propôs. - Só lhe marcar, nada mais.

- Nada mais, só sua lealdade incondicional. Nada de participar ativamente. - concretou o Lord. James olhou duvidoso ao homem e finalmente, assentiu desesperançado. Faria o que fosse para proteger a seu pequeno Harry. O Lord sorriu, baixando definitivamente a varinha enquanto Severus descolava-se dele e lhe sorria com tristeza. Tomou-lhe a mão durante um momento, mas antes de poder conseguir algo mais de intimidem, o Lord avançou e fechou seu braço ao redor da cintura de Severus possessivamente. Depois lhe beijou em frente a James, que começou a entender tudo. O outro candidato a ser o pai de seu filho…

- Traidor! Como tem podido, James?! - os três giraram-se a olhar ao piso do primeiro andar.

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Nota tradutor:

Nossa que loucura!

Vejo vocês nos reviews

Ate breve

Fui…