Capítulo Cinquenta e Três: O Dilema de Damien

"Poderia repetir isso? Eu não tenho certeza de que entendi."

Damien suspirou e olhou para o Auror de meia idade que o encarava.

"Que parte?" Ele perguntou rude. Já tinha explicado a mesma coisa umas quatro vezes.

"Tudo." O Auror respondeu, sem desviar o olhar da face do menino.

O moreno respirou fundo e repetiu e história.

"Como eu já te disse… Ron, Hermione, Ginny e eu estávamos andando no parque. Sabe, no mundo trouxa. Estávamos na casa de Hermione e decidimos sair para um ar fresco, mas quando saímos fomos parados por Comensais da Morte e capturados. Eles nos forçaram a aparatar e nos levaram para aquela horrível floresta. Ficaram falando sobre como iam nos matar e deixar nossos corpos para que os animais achassem." O menino disse e fingiu um suspiro.

"Os comensais estavam quase nos atacando, quando Harry apareceu e nos salvou. Mas tinham muitos deles e Harry não podia lutar contra todos sozinho, então fomos forçados a ajudá-lo. Fizemos o máximo que podíamos até a hora em que vocês chegaram."

Damien terminou e olhou para o Auror, que sentava quieto na cadeira. O homem o olhava intensamente e o garoto se recusava a desviar o rosto. Ele sabia que "olhos nos olhos" era uma coisa importante ali. Se ele desviasse o olhar, pareceria que estava mentindo.

O menino rezava para que Ron, Hermione e Ginny mantivessem essa versão da história. Eles tinham inventado tudo isso, enquanto escondidos atrás da rocha e apenas tiveram alguns minutos para combinar tudo. Damien olhou de novo para o Auror, esperando que o homem tivesse acreditado.

"O que eu não entendo…" O Auror começou a dizer e o menino sentiu seu coração dar um solavanco.

"… por que Comensais da Morte iriam querer levar vocês para uma vila trouxa e matar vocês ali? Isso não é algo comum nos ataques deles. Se quisessem matar vocês, por que não na hora da captura? Você disse que estavam no mundo trouxa, eles já podiam ter matado vocês ali. Não faz sentido passar por toda a problemática de sequestrar, se iriam assassinar do mesmo jeito."

Damien encarou o homem. 'Hora de abrir a torneira' pensou consigo.

"Olha, não sei porque eles fizeram isso. E-Eu não posso explicar o... o jeito deles de pensar. Estou apenas feliz de não ter morrido. Se Harry não tivesse aparecido a tempo… me arrepio só de pensar no que teria acontecido!" Ao dizer isso, seus olhos se encheram de lágrimas.

O Auror o encarou sem expressão, sem nenhuma reação, mesmo vendo o estouro emocional de Damien. O moreno esfregou os olhos e fingiu estar envergonhado por chorar.

"Desculpe, é que… estou muito balançado com tudo. Apenas queria ir para casa e dormir."

O homem pareceu amolecer ao ouvir isso e levantou, conjurando um copo de água para o menino.

"Apenas relaxe. Preciso de alguns minutos, já volto."

Damien assentiu, pegou o copo com água e assistiu o Auror saindo. Ele escondeu sua face entre os braços, não querendo que ninguém o olhasse. Sabia que a sala estava sendo observada. Sirius lhe havia dito que as salas de interrogação eram todas observadas. Seu coração martelou no peito só de pensar em seu pai olhando. Ele esperava que todo mundo acreditasse na história. Enquanto o Sr. e a Sra. Granger não fossem envolvidos, tudo ficaria bem.

A porta abriu e Damien olhou para cima, com o intuito de encarar quem era e pulou da cadeira ao ver seus três amigos. Hermione jogou os braços em volta do menino e o abraçou bem apertado.

"Você está bem, Damy?" Ela sussurrou.

Damien assentiu com a cabeça e esperava que os outros soubessem que estavam sendo observados e ouvidos naquele momento. Esperava que nenhum deles comentasse nada sobre o que verdadeiramente aconteceu, porque isso os entregaria na hora. Aparentemente, ele percebeu, os outros eram mais espertos do que isso.

Hermione começou a falar.

"Não consigo acreditar o quão próximo ficamos de morrer hoje. Se Harry não tivesse aparecido e nos salvado não sei o que teria acontecido. Estaríamos mortos agora." Hermione colocou a cabeça nas mãos e começou a chorar fraquinho.

O moreno achou uma boa atuação, tinha que dar os créditos. A garota estava colocando tudo o que podia em sua performance.

Ron se aproximou e a abraçou, sussurrando palavras de conforto. Damien percebeu que o ruivo estava andando novamente, sua perna devia ter sido tratada por um dos curandeiros do Ministério.

"Ron, como está sua perna?" O menino perguntou olhando o amigo.

"Como nova." Ele sorriu, parecendo bem exauto. Damien abraçou Ginny e os quatro amigos sentaram na mesa.

Ninguém falou, apenas sentaram ali, perdidos em pensamentos. Damien sabia que a razão de estarem todos juntos era para dizerem algo que os entregaria. Ele se sentiu muito bravo com o Ministério. 'Harry está certo. Eles não são melhores do que os Comensais da Morte, fazendo todos nós sentarmos aqui desse jeito... Isso não está longe de ser tortura!' Pensou. O moreno abaixou a cabeça na mesa e fechou os olhos.

Damien imaginava se Harry estaria bem. Ele sabia que seu irmão estava machucado, mas não iria demonstrar suas dores. O menino também sabia que não poderia vê-lo por um tempo. O pessoal do Ministério os observariam se desconfiassem de algo.

A porta abriu e dessa vez Damien sentiu seu coração pular para a boca. Sirius e James entraram na sala, segudos pelo Sr. Weasley e os quatro Aurores que os questionaram.

O menino encarou o pai, mas, aparentemente, o homem não o olhava.

"Conversamos sobre algumas coisas e aparentemente não há mais nada para perguntar. Todos vocês podem ir pra casa. Espero que percebam a sorte que tiveram, não existem muitas crianças que podem duelar com Comensais da Morte e sobreviver para contar a história." O Auror disse olhando para os quatro. Damien não conseguiu impedir de perceber o olhar de admiração nos homens.

"Não era a gente que lutava. Harry fez a maior parte. A gente apenas ficou fora so caminho." Ginny disse baixinho.

Imediatamente os Aurores ficaram um pouco tensos e olharam para a ruiva. Até o Sr. Weasley parecia desconfortável.

"Sobre isso… tenho uma última pergunta." O Auror que esteve com Damien disse. O moreno grunhiu.

"Como que ele apareceu para salvá-los? É estranho que tal coisa tenha acontecido exatamente quando vocês estavam com probelmas."

Damien percebeu que essa era a razão pela qual os Aurores os manteram aqui esse tempo todo. Ele se recusavam em acrediatar que Harry tinha ajudado, mas teriam acreditado em um segundo que seu irmão tentara matá-los. Porém o fato do garoto tê-los salvado era muito fantasioso para os homens.

Damien sentiu um ódio tão grande por esses homens que teve que morder sua língua para não começar a brigar. Por que eles não podiam deixar Harry em paz?

"Não sabemos como ele soube que estávamos lá." O menino ouviu Ron dizer.

"Nós não tivemos a chance de perguntar pra ele. Vamos ser eternamente gratos ao que ele fez." Ron terminou.

O Auror olhavar Ron como se não acreditasse em uma palavra. Hermione encarou os homens com um estranho brilho em seus olhos e de repente falou para um deles.

"Na verdade, me lembro de algo bem estranho acontecendo entre Harry e os Comensais da Morte." Ela disse parecendo pensativa. A garota chamou a atenção de todos os Aurores.

"Eu realmente não entendi, mas quando Harry apareceu e impdiu aquele homens de nos machucarem, uma estranha conversa aconteceu. Um dos Comensais, acho que o líder, gritou com Harry sobre alguma coisa. Ele disse algo sobre Harry ser um traidor e ser responsável por destruir alguma coisa... uma... uma Horcrux. Sim, era isso, uma Horcrux."

Damien a encarou com os olhos arregalados, assim como Ron e Ginny. Devagar, a ruiva continuou.

"Verdade, eu lembro disso também. O que diabos é uma Horcrux?" Ela adicionou.

"Eu não sei, mas eles estavam bem irritados com Harry. Continuavam dizendo que Herry iria pagar por destruir, mas ele nem mesmo parecia com medo. Harry pegou um diário negro dos bolso e disse que aquela era a última Horcrux. Antes que alguém pudesse fazer alguma coisa, ele destruiu. Foi nessa hora que a briga realmente começou!" Hermione terminou.

Damien encarava tudo completamente surpreso. A garota era um gênio, ela tinha dado evidência o suficiente para que os Aurores soubesem que Hary destruira todas as Horcruxes, sem nem mesmo dar na cara de que estavam envolvidos.

Damien encarou os Aurores, todos tinham suas bocas abertas e um olhar chocado na face. Eles perguntaram a Hermione se ela estava certa do que ouvira e depois da garota repetir a história novamente, eles se olharam chocados e excitados.

"Bem, você podem ir agora. Se lembrarem de mais alguma coisa, por favor, nos informem imediatamente!" Os Aurores disseram e saíram correndo da sala.

O abraçou Ginny imediatamente, passou um braços em volta de seu filho e os levou para fora da sala, sussurrando sobre a Sra. Weasley, que chorava no andar debaixo. Hermione foi abraçado por Sirius, este dizia que a levaria para a casa dos pais. Quando os dois saíram da sala, Damien viu seu pai. James nem mesmo havia se movido. Ele continuava encarando o filho com raiva. Vagarosamente, o homem saiu pela porta sem nem mesmo dizer alguma coisa. Damien sentiu seu coração partir. Todo mundo acreditou na história, menos seu pai. Ele não acreditara em uma palavra.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

A viagem de volta para Godric's Hollow foi a mais desconfortável que Damien já teve. Pai e filho sentaram no carro em completo silêncio. James ainda não dissera nada e o menino ficou sentado, não querendo abrir a boca. Ele não sabia o que dizer para amenizar a situação. Finalmente chegaram ao destino e Damien andou atrás do pai para entrar em casa

James nunca agira desse jeito antes, normalmente Lily que fazia essas coisas. Quando ele era malcriado o homem geralmente ria. A única vez que lembrava de ter visto seu pai bravo, foi ao descobrir que Harry tinha vindo entregar a Layhoo Jisteen. O menino se arrepiou ao lembrar. Ele esperava nunca ver seu pai nervoso outra vez.

James não tinha falado nada ainda, quando os dois entraram na sala de estar. Damien seguiu o pai em estado miserável. Ao entrar viu sua mãe tirando a cabeça da lareira, ela provavelmente tentava falar com alguém. Quando viu os dois, a mulher imediatamente se levantou.

"Damien! Oh, graças a Merlin você está bem!" Ela exclamou e abraçou o filho bem apertado.

O menino não disse nada, mas aceitou o cálido abraço. O fato do e de Sirius terem confortado os outros e seu próprio pai não ter feito nada, além de ignorá-lo, o estava chateando muito.

Ele olhou para sua mãe com um sorriso reconfortante e ela o escaneou para ver se estava ferido.

"Mãe, estou bem." O menino assegurou.

"Estou tentando encontrar vocês por mais ou menos meia hora. Estava falando com Tonks, mas ela disse que vocês já tinham saído de lá." Lily explicou e abraçou o filho mais uma vez.

"O que aconteceu? Como você conseguiu parar no meio dos Comensais?" Ela perguntou ao menino.

Damien não disse nada e olhou para seu pai. James estava de costas para eles e removia seu casaco. Quando o adolescente não respondeu, Lily olhou para o marido.

"James, o que há de errado? O que aconteceu? Você vai me contar o que aconteceu?" Ela perguntou ao olhar para os dois.

Damien decidiu confrontar o pai. Ele tinha que explicar as coisas e não aguentava mais o tratamento silencioso.

"Pai…" O menino começou, mas foi cortado.

"Não!" James disse baixo, mas as palavras pareceram encravar em seu filho. O adolescente encarou o pai, chocado.

"Não me chame assim! É óbvio que você não pensa em mim como seu pai. Se pensasse, nunca teria me tratado assim." O homem virou para encará-lo, seus olhos avelã mostravam mágoa e o incomodaram muito mais do que as palavras.

"James! O que você está dizendo?" Lily perguntou incrédula.

"Como você pode falar com Damy desse jeito?"

O Auror virou para encarar a esposa. Ira estampada em seu belo rosto.

"Estou dizendo o que sinto. Nunca fui tão magoado em toda minha vida! Nunca pensei que meu filho mentiria para mim!"

Damien ficou parado, deixando as palavras lhe cortarem o coração. Ele nunca quis deixar seu pai magoado, por nada.

"Não foi nada além de sorte que o fez sair livre hoje, Lily. Ele podia ter pego anos em Azkaban pelo showzinho que deu. Ele e o resto dos amigos!" James parou de falar e pela primeira vez, desde o Ministério, encarou Damien.

"Não sei o que você estava pensando, mas é muito sortudo pelo Ministério ter acreditado na sua história. Sabe o que eles teriam feito com você se descobrissem que estava realmente com Harry?" Ele perguntou com raiva.

"Pai, eu não estava…" De novo o menino foi cortado.

"Antes que você diga que não estava com Harry, explique uma coisa para mim. Explique como foi possível os Comensais te levarem a força, enquanto esse pingente ainda está em volta do seu pescoço?!"

Damien instântaneamente colocou as mãos sobre a Layhoo Jisteen. Ele tinha esquecido completamente dela. Claro, ninguém do Ministério sabia sobre o pingente protetor. Ninguém, exceto seu pai. Foi assim que James soube, na hora, que ele estava mentindo. O homem sabia que enquanto a pedra estivesse em volta de seu pescoço, nada de mau poderia acontecer com ele. Os Comensais, especialmente, seriam jogados longe antes que conseguissem atacá-lo.

Damien não sabia o que dizer. Ele ficou ali sem jeito, em frente aos pais, sem conseguir olhá-los. Lily apenas o encarava, de boca aberta, chocada.

"Estou grato de que o Ministério tenha acredita em você, caso contrário..." James parou e respirou fundo, obviamente ainda se recuperando do choque. Damien esteve bem perto de receber uma sentença em Azkaban.

Ele olhou para o filho e se aproximou. O menino respirou fundo e o encarou.

"Vou apenas perguntar isso uma única vez, Damien. Nem mesmo pense em mentir para mim." James disse em frente ao filho.

Damien apenas assentiu miserável. Ele sabia o que o pai iria lhe perguntar.

"Você planejou em ir com Harry hoje, não foi? Você vem mantendo contato com ele regularmente?"

O adolescente respirou, olhou o pai novamente e soube que seria inútil mentir.

"Sim." Ele respondeu baixo e nem mesmo se atreveu olhar para a mãe.

"Há quanto tempo isso vem acontecendo? Quando você começou a encontrá-lo?" James perguntou. Sua voz trémula de tanto segurar a raiva.

O menino considerou mentir, mas mudou de idéia. Se ele iria ter problemas, melhor entrar sem nenhum remorso.

"Uns três meses." Respondeu.

O homem não respondeu e ficou ali olhando o filho. Ele já tinha percebido que Damien estava em contato com Harry regularmente, mas nunca pensou que fosse por três meses e ainda por cima sem contar nada.

James ficou ali, com a mandibula cerrada e com as mãos fechadas em punhos. Todo esse tempo ele passou procurando, desesperadamente, pelo filho mais velho no mundo trouxa... procurando por 'Alex'. Preocupando-se com a segurança do garoto e rezando para que estivesse bem. Todo o tormento pelo qual passou com Lily… E Damien esteve se encontrando, secretamente, com Harry. James mal conseguia conter a ira no momento.

"Saia." Ele sibilou para o menino.

Damien deu um passo para trás, chocado.

"Pai?"

"Saia! Saia daqui, Damien, antes que eu faça algo de que me arrependa. Saia da minha frente!" O homem gritou para o menino aterrorizado.

Lily ficou em frente ao filho rapidamente.

"James!" Ela parecia chocada com o comportamento dele.

O Auror não disse nada, mas se afastou e saiu tempestivamente da casa, batendo a porta da frente tão forte que a fez se soltar de uma das dobradiças.

Damien chorava, ele nunca havia sido tratado desse jeito pelo pai. Sempre soube que não importasse o quão bravo o homem ficasse, ele nunca levantaria a mão em sua direção, mas a cólera nos olhos dele o assustou.

Ele olhou para a mãe, a mulher também tremia. Se era de raiva ou de choque, Damien não sabia.

"Mãe." O adolescente conseguiu dizer entre soluços.

Lily olhou para o filho. Ela queria abraçá-lo, mas também estava incrédula pelo fato do menino ter escondido tal coisa deles.

"Acho que você deveria ir lá pra cima." Disse com dificuldade.

Damien sentiu como se alguém tivesse lhe dado um tapa bem forte e ficou ali boquiaberto. Depois de alguns momentos acabou obedecendo e foi silenciosamente para o quarto, apenas ali deixou as lágrimas correrem livremente.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Não houve melhora naquele dia. James voltou tarde para casa e não estava com humor para conversar com Damien. Àquela noite foi a primeira vez que o menino ouviu seus pais discutirem.

No dia seguinte, apenas Lily falou com ele. Mesmo estando furiosa com o menino, não conseguia tratá-lo do mesmo modo que James. O homem se recusava até mesmo a olhar para o filho. Damien tentou conversar com o Auror, mas desistiu ao não haver resposta. Ele estava quase dizendo ao pai o quanto ele se parecia com Harry, quando este estava mal humorado, mas decidiu que não seria inteligente de sua parte fazer isso. Seria como jogar sal dentro de uma ferida aberta.

Damien passou o resto do dia em seu quarto, recusando a sair e almoçar. Ele queria falar com Harry desesperadamente. Se conseguisse convencer o irmão a voltar para casa, tudo se resolveria. Seus pais até o perdoariam. O adolescente esperava que o irmão aparecesse, já que a missão estava completa. A imortalidade de Voldemort fora destruída, não havia mais Horcruxes restantes. De acordo com Sirius, Harry prometera voltar quando tudo tivesse acabado. Sendo assim, seu irmão poderia estar a caminho de casa naquele momento.

Alguém realmente veio à Godric's Hollow, mas não foi Harry. Remus e Sirius vieram ver como estavam se saindo após toda a situação com os Comensais da Morte e com o Ministério. Depois de escutarem gritos irados, Remus passou a tarde tentando acalmar James e ajudar Lily, já Sirius silenciosamente subiu as escadas, atrás de seu afilhado mais novo.

Depois de algumas lágrimas, Damien se abriu e contou tudo ao padrinho.

"Eu só queria ajudá-lo, tio Siri. Eu sabia que se contasse a papai aonde Harry estava ele iria forçá-lo a voltar. Harry não queria isso. Eu sabia que meu irmão fugiria novamente e então nós nunca conseguiríamos ajudá-lo! Eu só tentei ajudar. Por que meu pai não entende isso?" Damien perguntou, emocionalmente e foi confortado por Sirius.

O homem olhou para seu 'filhote' com compaixão.

"Você não fez nada de errado, mas precisa entender como suas ações pareceram na visão de James. Você sabe o quão desesperado ele esteve procurando por Harry. Você pode não perceber que seu pai não comeu, dormiu ou mesmo relaxou nesses meses. Damy, seu pai está sofrendo e no momento está muito preocupado com Harry. Tudo o que ele quer é o filho asalvo. James não deixará ninguém machucá-lo. Você sabe aonde Harry estava nos últimos três meses e teve meios de se comunicar com ele, mas manteve a informação para si mesmo. Todo esse tempo, seus pais lutavam contra tudo e todos para encontrar seu irmão. James se sentiu traído por você. Ele pensou que você confiaria nele o suficiente para trazer Harry para casa e deixá-lo em segurança."

Damien abriu a boca para retrucar, mas Sirius levantou a mão para aquietá-lo.

"Eu sei que você não quis isso, que você nunca magoaria James. Sei também que seu pai sabe disso, mas está chateado no momento. Ele vai se acalmar e então você poderá explicar tudo." O homem confortou o menino.

Entretanto, James não se acalmou. A semana inteira passou e o Auror ainda se recusava olhar para o filho. Lily peguntou ao menino se ele podia entrar em contato com Harry. Com um olhar hesitante para o pai, ele respondeu que sempre fora o irmão que entrava em contato. Ele nunca disse nada sobre o celular e queria continuar com o aparelho caso Harry quisesse falar. Damien estava ficando cada vez mais nervoso, devido ao fato do irmão ainda não ter ido para casa e nem mesmo mandado uma mensagem de texto peguntando se tudo estava bem.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Damien tinha ficado feliz por ter vindo. Ele não podia ficar em casa sozinho, portanto estava na casa de seus amigos. O menino ficou eternamente grato por seus pais não terem envolvido os Weasleys e os Grangers nessa bagunça. Os Weasleys ainda achavam que os adolescentes foram abduzidos pelos Comensais e que Harry os salvou. Já o Sr. e a Sra. Granger não tinham idéia do perigo em que sua filha se meteu. Damien percebeu que seus pais estavam com medo da reação dos outros se a verdade viesse a tona. Tinham medo do Ministério se envolver novamente.

Os adolescentes ficaram muito mal, quando Damien terminou de contar a situação que se passava.

"… e agora ele nem mesmo olha pra mim. Ele não falou comigo desde aquele dia. Eu apenas queria que ele olhasse pra mim, até que me encarasse bravo, isso já seria suficiente."

Hermione ficou imediatamente ao lado do amigo e o abraçou de leve.

"Tenho certeza de que ele vai se acalmar e perdoar você. Ele não pode ficar bravo pra sempre." Ela sussurrou para acalmá-lo.

Damien balançou a cabeça.

"Tem uma coisa me incomodando, Harry ainda não entrou em contato. Eu sei que ele se machucou na batalha, mas não foi tão ruim assim. Agora estou apenas pensando no que aconteceu com ele. Harry nem mesmo me mandou uma mensagem para perguntar se estamos bem." O menino falou.

"Eu não mandei uma mensagem, nem nada pra ele também. Não sei se ele está se escondendo ou o que aconteceu. Não quero arriscar ninguém o capturando por minha causa." Damien adicionou.

Antes que alguém pudesse responder, o menino deu um pulo assustado e colocou a mão no bolso de sua jeans.

"Damy, o que…?" Ginny começou, mas parou ao ver o amigo pegar seu celular, entusiasmado. Ele tinha pulado por causa do alerta vibratório.

O moreno rapidamente leu a mensagem e seus olhos avelã se arregalaram surpresos.

"O que! O que está escrito? Ele está bem?" Hermione perguntou, enquanto Damien lia a mensagem, em silêncio, várias vezes.

"É, é só que... Eu não sei se isso está certo?!" Ele parecia confuso e ficava olhando para fora da janela.

"O que? O que não está certo?"Ginny perguntou e foi até a janela.

"Aqui diz que Harry espera a gente lá fora." Damien disse.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Os quatro saíram do quarto, esperando não serem pegos por ninguém. Eles abriram a porta da frente e rapidamente foram para o lado de fora. De acordo com a mensagem, Harry os esperava no quartinho em cima da garagem. O mesmo quarto em que ficou quando se recuperava de sua transferência mágica e do ataque dos Comensais da Morte.

Todos eles seguraram as varinhas em frente ao corpo. Era estranho Harry vir à Toca. Normalmente, ele os chamariam para encontrá-lo no mundo trouxa. Entretando, Damien estava feliz. Ele não achava que conseguiria escapar e encontrar o irmão devido ao seu castigo.

Eles abriram a porta do quartinho vagarosamente e respiraram fundo ao verem Harry sentado na cama. O garoto olhou para dos quatro para as varinhas e sorriu.

"Pelo menos vocês aprenderam alguma coisa." Ele disse ainda sorrindo e se levantou.

Damien foi o primeiro a correr até o garoto. Ele jogou os braços em volta do irmão e o apertou como se o moreno de olhos esmeralda fosse sua razão de viver.

"O que há com os abraços?" Harry brincou ao se afastar de Damien.

O menino não respondeu, mas ficou perto dele. Os outros entraram no cômodo e trancaram a porta. Harry parecia estar curado de todos seus ferimentos. Seu rosto estava um pouco magro, mas de resto, tudo certo.

Depois de perguntar a todos se tudo estava bem, ele e os outros sentaram nas duas camas do quarto. Harry ouviu os adolescentes contarem sobre o Ministério e suspirou ao ouvir que todos conseguiram sair sãos e salvos.

"Você não deveria ter vindo até aqui desse jeito. Sabia que tem um reunião da ordem acontecendo lá embaixo? Dumbledore e todo mundo estão há apenas alguns passo de você." Ron disse preocupado.

Harry apenas sorriu de lado e respondeu.

"Eu sei."

"Sabe?" Ginny perguntou.

"Sei. Percebi que esse seria o melhor momento para ver vocês. Eles não vão ter a mínima idéia de que vocês estão 'desaparecidos'."

Todos encararam o moreno, ele realmente tinha um jeito peculiar de pensar.

"Ok, então o que acontece agora?" Ron perguntou um pouco excitado.

"O que você quer dizer?" Harry perguntou.

"Bem, as Horcruxes estão destruídas. Nós destruimos. Voldemort é mortal como todo mundo." Havia um grande sorriso na face do ruivo ao dizer isso.

"Nós conseguimos! Quero dizer, você conseguiu! Você destruiu todas elas, mas nós ajudamos. Juntos conseguimos acabar com todas. O que faremos agora? Acabaremos com os Comensais da Morte? Qualquer coisa que você esteja planejando, queremos fazer parte." Ron disse excitado.

Harry sorriu, mesmo sem perceber. Ele estava feliz, pois todos sobreviveram ao ataque, mativeram a palavra e não contaram nada.

"Não pensei sobre o que o futuro nos reserva." Ele disse baixo.

Damien o interrompeu imediatamente.

"Eu te falo. Você tem que vir pra casa e me libertar do tomento que mamãe e papai me colocaram."

Harry ficou um pouco chocado e sentou quieto, apenas escutando seu irmão contar sobre o que aconteceu desde a volta do Ministério. Ele ficou surpreso com as ações de James. Não era culpa de Damien ele não ter voltado para casa.

"... então, tá vendo, até que você volte pra casa, mamãe e papai continuarão deixando minha vida desconfortável." O menino terminou de contar.

Harry não sabia o que dizer, mas virou e colocou uma mão contra o ombro do irmão para confortá-lo.

"Tenho certeza de que com tempo eles te perdoarão. Não podem ficar bravos com você pra sempre."

Damien sentiu como se um balde de água fria fosse derramado sobre sua cabeça. O menino sentou e analisou as palavrras do irmão. 'Com tempo', o que aquilo queria dizer?

"O que você quer dizer? Você vai vir pra casa, certo?" Damien perguntou temerosamente.

Harry olhou para o irmão com pesar e então pareceu não querer encará-lo.

"Damy, você sabe que as coisas só irão piorar se eu voltar pra casa. Não é tão simples assim, voltar pra casa e esperar que o Ministério ou a Ordem não percebam."

Harry falava, mas Damien não conseguia mais escutá-lo devido a quantidade de sangue passando por seus ouvidos. Seu irmão não estava voltando, ele nunca planejou em voltar.

"Mas, você prometeu pro tio Siri que iria voltar pra casa. Você disse que quando tudo terminasse voltava pra casa." Damien disse, lutando contra suas emoções.

Harry olhou para o irmão de modo sombrio.

"Algumas promessas são feitas pra serem quebradas."

Damien pareceu perdeu o controle de suas emoçoes e levantou encarando o timão gelidamente.

"Você não pode fazer isso! Você não pode dar esperança a alguém desse jeito e depois destruí-las. Você não tem o direito de fazer isso!"

O moreno de olhos esmeralda ficou quieto, enquanto o irmão gritava. Os outros ficaram desconfortáveis ao verem a cena.

"Por que você veio então? Por que se importou em nos encontrar? Foi pra..." Damien parou ao perceber porquê seu irmão estava ali. Porquê Harry tinha se arriscado tanto vindo até a Toca, enquanto a Ordem estava reunida.

"Você veio pra dizer Adeus." O menino sussurrou ao cair sua ficha.

O olhar na face de Harry confirmou sua afirmação. Essa era a última vez em que o veriam.

"Você não pode ir desse jeito! Não vou deixar. Eu não fiz tudo isso para que você nos deixasse de novo!" Damien gritou. O mais velho ficou ali, enquanto seu olhar calmo endurecia.

"O que você vai fazer? Diga! Vá em frente, Damy, a Ordem inteira está lá embaixo. Por que você não vai e diz que estou aqui!"

Damien encarou o irmão, querendo nada mais além do que bater nele.

"Talvez devia ter feito isso. Talvez eu devesse ir agora e contar a papai que você está aqui. E então arrastar você pra casa pelo cabelo se precisar. Não me importo!" O menino respirava dificilmente e parecia quase chorar.

"Mas se fosse fazer isso, deveria ter feito há séculos atrás. Eu prometi pra mim que não deixaria ninguém te machucar ou obrigar você a fazer algo que não queira. Eu apenas nunca pensei que você não fosse querer voltar pra casa!" Ele gritou amargo.

"Eu não sei mais o que fazer!" Harry gritou de volta. Todo mundo estava em silêncio devido ao clima.

"Eu não sei como melhorar as coisas. Só sei que se for embora, todo mundo ficará melhor." O garoto continou mais gentil.

Damien olhou para ele, com mágoa nos olhos e se recusou a dizer qualquer coisa.

"Olhe, nós fizemos o que queríamos. As Horcruxes não existem mais. Nós acabamos com elas! É o fim. Nós ganhamos." Harry tentou explicar que seu propósito terminara e que tinha de ir agora.

Damien o observou, lágrimas brilhavam em seus olhos.

"Não, eu perdi. Como posso ter ganhado se perdi você no fim? Eu não te ajudei porque queria derrotar Voldemort, ajudei porque queria você de volta na minha vida. Na esperança de que talvez um dia, quando tudo acabasse, nós poderíamos ser uma família. Se você for agora, eu perdi e Voldemort ganhou."

Dito aquilo, o menino saiu pela porta sem responder os gritos do irmão.

Os outros três ficaram ali, tensos. Ninguém sabia o que dizer. Harry parecia extremamente mal devido à saída do irmão. Não era como ele queria dizer adeus.

O moreno parecia desconfortável.

"Olhe, eu só queria dizer que... que nunca disse a vocês como apreciei a ajuda. Nunca teria terminado isso tão rápido se vocês não estivessem comigo, então... eu só queria dizer isso."

Hermione sorriu ao ouvir o estranho agradecimento.

"De nada, Harry." Ela respondeu gentilmente.

"Melhor a gente ir ver ele." Ron gesticulou para a casa. Harry apenas assentiu.

Antes de sair, Hermione parou e sussurrou para o garoto.

"Antes de ir, você precisa se despedir direito de uma pessoa."

Os olhos do moreno pararam na ruiva que estava em pé ao lado da porta. As lágrimas que brilhavam em seus olhos castanhos foram percebidas. Ele assentiu com a cabeça.

Ron e Hermione sairam em silêncio, dizendo adeus e boa sorte. Eles não pareciam felizes com ida de Harry, mas não sentiam a necessidade de pará-lo.

Ginny ficou ali parada, ela queria sair também, mas suas pernas não obedeciam.

O moreno se aproximou, fechou a porta e a encarou. Harry sabia exatamente o que Ginny sentia por ele. Damien deixara escapar várias indiretas sobre ela estar 'loucamente apaixonada' por ele, mas o garoto sempre esqueceu a situação. Harry não estava preocupado com os sentimentos dos outros por ele naquela época e enterrou aqueles que tinha por Ginny. Sempre disse para si mesmo que os dois não tinham futuro. Ele não deveria dar esperanças a alguém, quando não havia futuro.

O moreno olhou para a ruiva, sem saber exatamente o que falar.

"Suponho que você queira dizer que eu não devo ir." Harry disse depois de alguns momentos.

Ginny o olhou com um sorriso triste.

"Faria diferença para você?" Ela perguntou baixo.

Harry apenas a olhou, sua resposta estampada claramente nos olhos esmeralda.

"Se você já se decidiu em ir, não pedirei para ficar."

O garoto ficou surpreso com isso.

"É assim que você se sente?" Ele perguntou, sem saber porquê queria saber.

"Não importa como me sinto. Não importa o que eu quero. Nunca pedi nada a você, Harry... Não pretendo pedir agora." Ela disse e suas lágrimas escaparam, descendo por sua face. A menina não as limpou.

"Ginny, você sabe que meu futuro não é claro. Eu nem sei por quanto tempo estarei aqui. Eu sei como você se sente e gostaria de dizer que você não deveria perder seu tempo. Você tem um futuro, eu não. Não o desperdice." Harry disse calmo, resistindo a vontade de limpar as lágrimas do rosto dela.

A menina sorriu de novo e olhou para ele, perdendo-se nos olhos esmeralda.

"Nunca pedi para você retornar os sentimentos que tenho por você. Portanto, você não pode me dizer para parar de amá-lo. Não me importo com o meu futuro. O único futuro ao qual me importo é com o seu."

Ginny encaminhou-se até a porta e a abriu. Ela voltou para olhá-lo e um sorriso brincou em seus lábios.

"Sabe, Harry... se você tivesse dito que não me ama, ao invés de pedir para eu não te amar, eu poderia ter ouvido você. Porém, o fato de você dizer que não temos futuro de modo tão lamentável, me deu a resposta que eu queria tanto saber."

Harry apenas a encarou. Ela conseguiu descobrir o que ele tanto escondeu. A ruiva o observou pela última vez e murmurou.

"Nunca te esquecerei, Harry."

O garoto sorriu quando ela foi embora. Ele ficou parado no quarto vazio, tentando impedir seu coração de quebrar."

"Nem eu, Ginny." Sussurrou para si mesmo.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

N/T: Outro chap!

Rafaella Potter Malfoy: Parsel realmente é mais bonito, mas estou tentando me adequar melhor a tradução. Você não gosta da Ginny?! Sei lá se gosto dela, pelo menos nessa fic eu gosto. Me encanta tanto [a fic]. Poutz, se você soubesse o quão difícil foi traduzir a cena da luta... Pfffw! Que bom que você curtiu a "Incorrigible Infatuation"! Me encantei por ela também.

Aninha Uchiha: Que bom que você deixou uma review! Fiquei feliz... Estou tentando acelerar as traduções.

Shakinha: Você viu que luta legal!!! Deu mó trabalho pra traduzir, mas acho que valeu a pena. Nossa, eu nem lembro se acontece alguma coisa com o Lucius, acredita?! Terei que ver nos próximos capítulos.

Patty Carvalho: Pronto, gostou de mais um chap?! : )

Lilyzinha: Tentei se rápida mesmo. Espero você tenha curtido esse chap!

Camila Lopes: Continuarei postando sim, pode deixar!

Thamis: Que bom que esteja gostando da fic. Fico feliz!

Bom é isso pessoal. Até o próximo. Beijos Brielle!