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FEITICEIROS

Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa

Revisão: Rô Marques e Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 44

De Volta à China

Sakura saiu da casa de Touya, passando as mãos no rosto para secar as lágrimas teimosas. Não queria chorar na frente do irmão, então quando percebeu que não conseguiria mais se segurar, achou melhor dar um ponto final à conversa.

Ela entendia o lado do irmão. Ele não estava errado em ter receio pela segurança dela, mas a incomodava, e muito, que ele se negasse a dar a ela um voto de confiança, a sequer tentar entender, especialmente quando ela lhe contara a verdade, sem mentir.

Começou a caminhar devagar pela rua, secando as lágrimas, que ainda insistiam em rolar pelo rosto, com as mãos. Ouviu o celular tocar e considerou, por um instante, não atender.

Respirou fundo e pegou o aparelho de dentro da bolsa, olhando o display e vendo o número do namorado… marido. Do marido. Ela ainda não conseguia se acostumar a pensar nele como seu marido. Tentou se controlar para não atender com a voz chorosa.

'Sakura! Você está bem?' Ouviu a voz preocupada dele do outro lado da linha.

'Está tudo bem.' Ela respondeu devagar.

Ele ficou em silêncio por alguns instantes antes de responder. 'Eu estou indo me encontrar com você.' Ele declarou subitamente, assustando-a.

'Não precisa.' Ela falou, com a voz falhando. 'Eu vou ficar bem.' Sussurrou. Sabia que era mentira, mas não queria preocupá-lo.

'Eu a conheço, sei que não está bem. Estarei com você em alguns minutos.' Syaoran falou com o tom ainda de preocupação. 'Até daqui a pouco, minha flor.'

Quando ele desligou o celular, Sakura ficou olhando para o aparelho. Sorriu de leve e respirou fundo. Sabia que fizeram o certo. Como Syaoran mesmo tinha colocado: eles já eram casados e só não oficializaram antes por conta dos documentos dele que estavam com problemas, mas agora não existia mais esse impedimento.

Voltou a caminhar devagar pelas ruas e parou em frente ao parque do Rei Pinguim onde observou algumas crianças brincando. Secou novamente as lágrimas furtivas que teimavam em sair de seus olhos. Tinha sido doloroso demais brigar com Touya.

Esperava, sinceramente, que, quando deslacrasse o livro e Yue despertasse, o guardião lunar, de alguma forma, pudesse ajudá-la a convencer Touya da verdade sobre ela e Syaoran.

Sorriu de leve, olhando para as crianças e lembrando-se de que Touya e Fujitaka passeavam e brincavam com ela ali naquele parque quando era uma menininha. Não importando de qual das duas vidas ela se lembrasse, eles tinham sido uma família maravilhosa.

Respirou fundo e encolheu os ombros. Não queria mesmo cortar ligações com o irmão. Esperava de coração que, no final, tudo desse certo.


Syaoran desligou o telefone e levantou-se, já colocando o aparelho e a carteira nos bolsos da calça. Desligou o computador. Passou por Kurogane e bateu de leve no ombro do rapaz, chamando a atenção dele que estava compenetrado lendo algum contrato e fazendo modificações.

'Eu vou ter que sair agora. Não sei se volto hoje.' Explicou. 'Se meu primo me procurar, poderia pedir para ele entrar em contato comigo pelo celular, por favor?'

'Está tudo bem?' O altão perguntou, reparando o rosto tenso do rapaz.

Syaoran suspirou de forma pesada. 'Sakura foi falar com o irmão.'

'Hum…' Kurogane fez uma careta involuntariamente.

Conhecia a figura. O cara não era nem um pouco amigável. E olha que ele sempre se gabava de conseguir conquistar qualquer pessoa de forma diplomática, mas Touya Kinomoto era intragável, às vezes. Lançava-lhe olhares tão fulminantes que o constrangiam, e isso porque era apenas noivo de uma prima. Não queria estar na pele de Li, considerando que o rapaz havia se casado com a irmã do cara num impulso.

'Boa sorte.' Foi o que conseguiu falar. 'Vocês dois vão precisar.' Completou.

Syaoran agradeceu e caminhou rápido pela empresa. Sabia que o primo chamaria sua atenção por sair no meio do expediente, mas sentia a aura de Sakura instável. Muito. Franziu a testa. Era fácil, agora, para ele senti-la mesmo à distância, estava forte e firme. Justamente por isso, ficou preocupado quando percebeu que havia se alterado. Controlou-se para não sair correndo. Pegou um táxi para tentar chegar mais rápido e logo percebeu que ela estava no Parque do Rei Pinguim. Pagou a corrida e desceu.

Assim que ele saiu do veículo, ela se voltou para ele. Provavelmente também fora fácil para ela sentir a sua aproximação. Franziu a testa, reparando que ela secou o rosto e sorriu de leve, numa tentativa completamente frustrada de mostrar que estava tudo bem.

Caminhou devagar até ela e parou a sua frente, vendo Sakura morder os lábios com força, tentando mostrar-se forte. Lembrou-se de todas as vezes em que, quando garoto, gritou com ela falando que chorar não adiantaria de nada e se arrependeu. Nunca deveria ter gritado com ela. Levantou a mão, secando o rosto dela.

Ela fechou os olhos, deu um passo à frente, encostou a cabeça no peito dele e chorou. Syaoran a envolveu em seus braços e deu a ela o tempo que precisasse, como já tinha feito outras vezes.


Sakura abriu a porta de casa. Estava exausta depois de ter passado o dia todo ajudando no treino com as líderes de torcida da escola primária de Tomoeda. Além disso, ainda estava chateada por ter discutido com o irmão dois dias atrás. Tinha sido mais dolorido do que ela poderia supor.

'Já cheguei.' Falou, entrando em casa e tirando os sapatos. Estranhou a casa estar escura. Estava sentindo a presença de Syaoran no andar superior, não entendeu o porquê de as luzes estarem apagadas. Apertou o interruptor e arregalou os olhos, surpresa com a trilha de pétalas de flores no chão da casa. Não conseguiu conter o sorriso.

Caminhou devagar acompanhando a trilha. Estava curiosa para saber o que o marido tinha aprontado. As pétalas levaram-na escada acima e seguiam pelo corredor. A ruiva balançou a cabeça de leve, sem conseguir fechar o sorriso, e ergueu uma sobrancelha vendo as flores chegarem até o quarto do casal. Empurrou de leve a porta e acompanhou com os olhos as pétalas se estenderem até os pés da cama dos dois.

Arregalou os olhos e levou uma mão à boca, observando que no meio da cama do casal repousava um ursinho cinza escuro, muito parecido com o que tinha ganhado de Syaoran aos 11 anos de idade. Sentiu o coração acelerar e uma sensação morna de felicidade invadiu seu peito.

O ursinho original havia desaparecido depois que voltara do Mundo das Trevas e começara a viver aquela nova existência. Caminhou devagar, sem tirar os olhos do ursinho e, ao se aproximar, viu uma caixinha de veludo à frente dele.

'Achei que você não se importaria se eu escolhesse as alianças.' Ela ouviu a voz de Syaoran e virou-se. Ele estava debruçado perto da janela com os braços cruzados, olhando para ela.

'Você o fez novamente.' Ela falou emocionada e pegou o ursinho nas mãos, observando-o sem conseguir fechar o sorriso.

Ele virou o rosto, corado, e encolheu os ombros. 'O outro que eu tinha feito não existe mais, não é?'

'Sim.' Ela respondeu ainda sem acreditar no que estava vendo.

'Não está muito bom porque eu estava com pressa. Quando era menor achei que fosse mais fácil.' Ele olhou para as suas mãos. 'Acho que porque minhas mãos eram menores.' Comentou rindo.

Sakura abraçou o ursinho, fechando os olhos. Lembrava-se de quando fazia isso na ausência do menino, numa tentativa de amenizar as saudades que sentia dele, na época que ele voltara para Hong Kong. Abriu os olhos e fitou Syaoran, realmente não havia imaginado que ele repararia naquele detalhe na nova existência deles.

'Está perfeito.' Ela falou.

Ele voltou-se para ela e sorriu de leve. Endireitou o corpo e se aproximou da cama, sentando-se e pegando a caixinha de joias em suas mãos. Brincou um pouco com ela, passando-a nervosamente de uma mão para a outra.

'As alianças...' Ele começou, mas reteve-se, respirando fundo.

Sakura o fitava atentamente ainda abraçada à pelúcia. Ele estendeu a mão e ela a segurou, entrelaçando os dedos e sendo puxada para que se sentasse ao seu lado.

'Eu sei que nosso casamento provavelmente não aconteceu da forma como você deve ter sonhado. Foi tudo muito seco, prático e apressado. Eu…' Desviou o olhar, apertando a caixa em sua mão. 'Eu sei que não sou muito romântico, Sakura. Sei que você merece mais do que geralmente faço, mas…'

Ela tinha um sorriso nos lábios, embora os olhos estivessem umedecidos. Ela queria dizer que ele estava enganado, que ele sabia, sim, como ser romântico e que não precisava fazer nada mais além de estar ao lado dela; além de compartilhar com ela os problemas e as vitórias, mas o maldito bolo que tinha na garganta roubava-lhe inteiramente a voz.

Syaoran voltou a encará-la decidido. 'Eu prometo me esforçar e fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que você seja feliz, porque a sua felicidade, vê-la sorrindo, é o que faz com que tudo, absolutamente tudo, valha a pena. Eu sei que está um pouco tarde, mas, ao menos uma vez, eu preciso acertar como fazer isso, então…' Ele abriu a caixinha, revelando duas alianças simples de ouro branco, muito semelhantes às que ela tinha visto na joalheria alguns dias atrás. 'Sakura, você aceitaria ser a minha melhor metade para o resto de nossas vidas?'

As lágrimas que estiveram se formando nos olhos da ruiva durante todo o discurso do rapaz finalmente transbordaram, escorrendo pelo belo rosto enquanto ela balançava positivamente a cabeça.

'Você já é minha a melhor metade. Sempre foi.' Ela disse com a voz embargada.

Ele sorriu. Soltou a mão dela e pegou a aliança menor da caixinha de veludo. 'Bem, então…' Parou por um momento, pensando qual seria a mão correta. Não era de reparar naqueles detalhes, mas agora tudo tinha que ser perfeito. A esquerda. Pensou, segurando a mão esquerda dela e colocando a aliança no dedo anelar da mulher da sua vida. 'Agora sim… todos vão saber que é minha esposa.' Falou, pegando a mão dela e a beijando de leve.

Sakura secou o rosto com a mão direita, sem conseguir parar de rir. Ele a fitou. Estava sem graça, dava para perceber isso, mas conseguia ser tão encantador. Ela balançou a cabeça de leve e pediu a caixinha que foi prontamente entregue a ela. Tirou a outra aliança, estava com as mãos levemente trêmulas, e pegou a mão esquerda dele, colocando a aliança no dedo anelar. Olhou para ele e sorriu.

'Agora, todos vão saber que é meu marido.' Ela falou e o viu confirmar com a cabeça. 'Eu amo você, Syaoran.' Falou, olhando-o seriamente.

'Eu também.' Ele levantou a mão, secando com o polegar o rosto lindo da mulher que sempre amou. 'Wǒ ài nǐ, wǒ de zhěnggè shēnghuó.' (Eu amo você minha vida inteira). Respondeu, antes de se inclinar e beijar os lábios dela.


Sakura estava deitada no sofá com os pés no colo do marido. Ela estava assistindo ao jornal local enquanto ele lia um livro com os pés apoiados na mesa de centro. Ouviram a campainha tocar.

Syaoran abaixou o livro e franziu a testa.

'Você está esperando alguém?' Ele perguntou e ela balançou a cabeça negando, enquanto puxava as pernas e se sentava corretamente no sofá.

Syaoran passou os olhos pelo relógio da sala e estranhou uma visita àquela hora da noite. Levantou-se, deixando o livro na mesa em frente a eles e caminhou até a porta. Não precisou nem abrir para saber quem era. Ouvia claramente a voz contrariada da prima falando com o marido.

Sorriu de lado, imaginando que realmente Meilyn não se aguentaria de curiosidade para conhecer a sua esposa-relâmpago e, com certeza, obrigou o marido a trazê-la na casa deles. Nem se perguntou como descobriram seu endereço, já que tinha acertado aquilo com o RH local durante a semana.

Abriu a porta, sorrindo e fitando o rosto vermelho da chinesa a sua frente. Ela estava com a cara emburrada que já conhecia. Ouviria um bocado, tinha certeza disso.

'Wǎn shàng háo, Mei Ling' (Boa Noite, Mei Ling). Syaoran a cumprimentou sorrindo de leve.

'Nada de boa noite, Xiao Lang.' A chinesa já foi falando para o primo com os olhos estreitos. 'Que história é essa de você se casar?' Ela foi direto ao ponto.

'Você não quer entrar primeiro? Ou prefere conversar na rua?' Ele perguntou, tentando manter a paciência.

Desviou os olhos dela e fitou o primo que estava logo atrás. Reparou que ele encolheu os ombros sem jeito, comprovando suas suspeitas de que tinha, literalmente, sido arrastado até ali.

Meilyn o empurrou para o lado, já entrando na casa com os passos duros. Parou assim que colocou os olhos em Sakura que estava em pé na sala olhando para as inesperadas visitas. Meilyn colocou as mãos na cintura encarando a garota que havia literalmente virado a cabeça do primo.

Sakura não teve como não engolir em seco, ela sabia muito bem como Meilyn era explosiva quando queria. Lembrava-se claramente dela a arrancando de cima de Syaoran quando o abraçou, sem pensar, no final da peça da Bela Adormecida após capturar Trevas e Luz. A chinesa quase a tinha estrangulado naquele dia.

'Wǎn shàng háo. Huānyíng nǐmen' (Boa noite. Sejam bem vindos). A ruiva cumprimentou sem graça.

Meilyn arregalou os olhos, observando a ruiva. Ela falava mandarim? O marido tinha dito que ela era japonesa. Olhou para Hyo Ling com olhar interrogativo e ele apenas deu de ombros, também não entendendo.

'Então sabe mandarim?' Meilyn perguntou e caminhou até ela, parando a sua frente.

'Wǒ huì jiǎng yìdiǎn zhōngwén.' (Falo um pouco de mandarim). Sakura respondeu encabulada. 'Estou ainda aprendendo.' Ela falava devagar e olhava para o marido discretamente para saber se estava pronunciando corretamente.

O rapaz mal conseguia parar de sorrir, vendo-a se esforçar para falar sua língua mãe.

Meilyn não se deixou impressionar, apesar da surpresa inicial. Olhou para ruiva e estreitou os olhos nela. 'O que você fez para virar a cabeça do meu primo desta maneira?'

Sakura arregalou os olhos, fitando a jovem chinesa a sua frente que a encarava com os olhos estreitos. Nesse momento, pensou em como Syaoran devia ter se sentido ao encontrar com Tomoyo, sendo tratado com tanta suspeita e hostilidade. Não pôde negar que era uma sensação muito ruim fitar a amiga de infância, com quem tinha convivido por um bom tempo, e receber um olhar de reprovação. Desviou os olhos de Meilyn e fitou o esposo que já se aproximava, caminhando em direção a elas e parando ao lado da prima.

'Mei Ling, não é assim que se chega à casa dos outros.' Ele falou com a voz dura.

Meilyn voltou-se para o primo. 'Você tem que me explicar direitinho essa história, Xiao Lang! Hyo Ling me falou que você casou na segunda-feira! Como assim você se casou?! Do nada?!'

'Eu não tenho que lhe explicar nada, Mei Ling.' O rapaz estreitou os olhos na prima. Ele respirou fundo, olhando rapidamente para a esposa e voltou a fitar a prima. 'Além disso, como você explica amor à primeira vista?'

Não tinha outra justificativa, mesmo que contasse a verdade, Meilyn não acreditaria. Nem valeria a pena tentar convencê-la de alguma coisa.

'Amor à primeira vista? Você?! O cubo de gelo ambulante! Nem vem com essa!' Meilyn falou, encarando-o.

Syaoran endireitou o corpo. 'Também não é para tanto. Já está passando dos limites. Abaixe o tom de voz.' Pediu agora de forma mais rígida e viu que a prima comprimiu os lábios.

Ela sabia que estava realmente passando dos limites, mas o gênio era incontrolável. Meilyn passou a mão nos longos cabelos numa clara tentativa de se controlar. Olhou sobre o ombro esquerdo à procura do marido, que estava de braços cruzados um pouco atrás dela. O rosto dele também era de reprovação, não só por estar ali, como também pelo rompante dela.

'Humph'. Ela murmurou.

'Eu acho que vou preparar um chá para nós.' Sakura falou incerta, olhando para Meilyn e depois fitou Syaoran. 'Devo?' Perguntou incerta e viu o rapaz concordar com a cabeça. 'Licença.' Ela falou, afastando-se e caminhando até a cozinha.

Sentia que a chinesa estava com os olhos cravados nas suas costas. Ainda lembrava bem da sensação de receber um olhar fulminante da amiga. Passou por Hyo Ling e o cumprimentou rapidamente com a cabeça antes de entrar na cozinha para preparar a bebida.

Quando chegou à cozinha, debruçou-se na pia e respirou fundo. Estava tensa; por alguns segundos, pensou que a amiga novamente pularia no seu pescoço. Balançou a cabeça e começou a preparar a bebida.


Syaoran encarava a prima agora com o semblante duro. 'Não está certo vir a minha casa a esta hora da noite e se comportar de maneira tão inadequada, Mei Ling.' Ele a repreendeu. 'Por favor, sente-se, controle-se e vamos conversar.' Falou e virou-se para o primo oferecendo o sofá para ele também se sentar.

O rapaz caminhou e cumprimentou o primo devidamente. 'Vamos embora amanhã e Mei Ling insistiu em conhecer sua esposa.' Ele esclareceu. 'Você também não nos apresentou adequadamente.' O rapaz observou e viu o primo concordar com a cabeça.

Syaoran esperava fazer isso na China. Gostaria de apresentá-la primeiro para a mãe, tentar seguir, pelo menos, aquele protocolo, mas realmente tinha que considerar o gênio da prima.

'Tive que aguentar sua mãe me enchendo os ouvidos por quase duas horas depois que você contou a novidade para ela.' Hyo Ling continuou antes de sentar ao lado da esposa. Olhou em volta, reparando na casa. 'É uma boa casa.' Comentou, Syaoran concordou.

Sakura se aproximou com a bandeja e deixou-a na mesa de centro, abaixando-se e começando a servir. Ofereceu as xícaras para os inesperados visitantes. Hyo Ling aceitou, agradecendo e, apesar do olhar fulminante que Meilyn ainda lhe lançava, a chinesa também acabou aceitando.

Serviu para o marido que agradeceu e se sentou ao lado dele. Estava tensa. Era estranho vê-los agora a encarando de forma atravessada quando se lembrava dos dois, naquela mesma sala, rindo e conversando de forma alegre anteriormente. Olhou de esguelha para o marido, pensando que foram os dois que primeiro chamaram atenção deles para o fato de estarem praticamente casados.

'Agora que está mais calma, Mei Ling.' Syaoran falou, observando a prima que desviou os olhos de Sakura para fitá-lo. 'Esta é minha esposa, Sakura.' Ele falou de forma calma. 'Sakura, estes são meus primos: Hyo Ling e Mei Ling.'

Ela sorriu para eles. 'Hěn gāoxìng rènshì nǐ (Muito prazer)… Li-san e Meilyn… -chan…' Olhou para o marido não sabendo como deveria falar com a prima dele. Se seria "senhora Li" ou se poderia chamá-la pelo primeiro nome como estava acostumada. Droga! Aquilo era difícil.

Ele segurou a mão dela e sorriu de leve para lhe passar confiança, tinha ideia de como ela estava se sentindo estranha. Ainda tinha que se controlar na frente de Kurogane para não se referir a Tomoyo pelo nome. Sorriram rapidamente um para o outro e, depois, ele voltou-se para os primos que os observavam.

'Então vocês vão voltar para a China amanhã?' Syaoran falou, tentando começar uma conversa.

'Como vocês dois se conheceram?' Meilyn perguntou, apontando de um para o outro e ignorando completamente a pergunta do primo.

Os dois se entreolharam novamente e Syaoran rodou olhos. Sakura mordeu de leve o lábio inferior, não sabendo exatamente o que responder.

'Fomos apresentados na Torre de Tókio quando fui avisar para Kurogane e Daidouji que vocês se atrasariam.' Syaoran começou de forma arrastada, não gostava muito de mentir, mas ponderou que seria melhor se manter fiel à história que Kurogane e Tomoyo conheciam.

'Tomoyo-chan é minha prima. E…' Sakura explicou com um sorriso. 'Eu estava com ela em Tókio naquele dia para ajudá-la com alguns detalhes do casamento e…' Ela fez uma pausa, pensando no que mais poderia dizer.

'E nos apaixonamos.' Syaoran completou, mexendo a mão levemente à sua frente. Sentia-se como se estivesse contando uma história absurda ou um conto de fadas para sua sobrinha. 'Foi isso.'

'Então era ela quem estava com você no seu quarto no sábado?' Meilyn foi direta e Sakura abaixou os olhos, envergonhada.

Syaoran franziu a testa, estreitando os olhos na prima. 'Isso já não é da sua conta.' Foi duro. 'Ela é minha esposa.' Falou devagar, encarando a prima.

Hyo Ling pigarreou, sentindo o clima tenso. 'Vocês estão casados no Japão, mas já deram entrada no resto da papelada?' O chinês perguntou, fazendo o primo tirar os olhos de Meilyn para fitá-lo.

'Já está tudo encaminhado. E vamos para a China no final do mês para eu fazer as apresentações adequadamente.' Syaoran respondeu.

Hyo Ling concordou com a cabeça, aprovando a atitude dele. 'Sim. Será o melhor. Você precisa apresentar sua esposa para sua família.'

'Exatamente.' Syaoran concordou.

Hyo Ling voltou-se para Sakura. 'Você é sobrinha da senhora Daidouji, não?'

Sakura sorriu de leve. 'Na verdade, minha mãe é que era prima dela. Estudei com a Tomoyo desde menina, por isso nos consideramos tão próximas.'

'A senhora Daidouji a considera muito.' Ele falou.

Syaoran franziu a testa. Era claro que Hyo Ling já tinha feito o levantamento completo da esposa.

'Ela e minha mãe eram muito amigas, antes da mamãe se casar.' Ela respondeu, olhando para Li que fazia um gesto para ela continuar. Apenas corrigindo uma ou outra pronúncia.

'E você está trabalhando como professora de Educação Física na mesma escola em que estudou, não?' O chinês falava observando a esposa do primo, queria ver até onde a jovem realmente poderia ir. Pelo que averiguara, ela não deveria saber mandarim. 'Deve ser bem interessante trabalhar no mesmo local onde estudou por tanto tempo.'

Ela sorriu. 'Sim. Eu gosto muito de dar aulas. Ainda sou professora auxiliar, mas logo serei efetivada.'

'Trabalhar com crianças deve ser gratificante.' Ele comentou.

'Realmente é. Crianças sempre nos surpreendem.'

'Eu imagino que sim.' Ele falou e Sakura arregalou os olhos de leve, desviando os olhos dele para fitar a chinesa que ainda a observava.

Lembrou-se da dificuldade que Meilyn tinha de engravidar. Voltou-se novamente para o esposo e não sabia direito o que falaria agora. Syaoran franziu a testa de leve, sentindo que a mão dela estava suada, tinha voltado a ficar tensa.

'Acho que crianças são irritantes ao extremo.' Meilyn falou, fazendo pouco caso, enquanto cruzava as pernas e levantava o queixo de leve.

Sakura conhecia a amiga e sabia que ela só falou aquilo para se defender. 'Crianças são sempre crianças.' Sakura comentou e respirou fundo. 'Elas são capazes de amar independentemente de qualquer coisa. É só oferecer carinho e amor que elas nos devolvem de forma potencializada o que damos a elas.' Falou pausadamente, fitando a chinesa que arregalou de leve os olhos.

Meilyn olhou para o marido, que se ajeitou melhor na poltrona em que estava sentado, sentindo-se desconcertado com o que a japonesa tinha falado. Meilyn novamente passou a mão nos cabelos, mostrando-se ainda nervosa. 'E você dá aulas para crianças de que idade?' Ela perguntou com a voz mais suave.

'Crianças de sete a treze anos.' Ela respondeu.

'Elas devem exigir muita energia.' Meilyn comentou.

'Sim, elas têm muita energia. O esporte é uma ótima alternativa para que gastem essa energia e se concentrem melhor nas outras aulas.' Respondeu sorrindo.

Syaoran sorriu de leve para a esposa.

Hyo Ling reparou no primo e franziu a testa. Syaoran não era de sorrir daquela maneira. Ele convivia bastante com o primo para perceber a mudança no semblante dele só por estar ao lado da jovem.

Desviou os olhos, fitando a esposa e pensando que, no momento em que colocou os olhos em Meilyn, quando criança, também tinha sido amor à primeira vista. Talvez o primo não fosse tão maluco assim. Impulsivo, sim. Mas Syaoran nunca gostou de seguir as regras, sempre gostava de desafiá-las e questioná-las.

'Sua mãe já sabe que você irá para a China no final do mês?' Hyo Ling perguntou, olhando para o primo.

'Avisei quando falei com ela.'

'Você sabe que vai ter problemas, não?' O primo foi sincero, já haviam lhe contactado, pedindo para investigar aquele casamento inesperado.

'Eu realmente…' Syaoran deu de ombros. 'Não me importo.'

'Que tipo de problemas?' Sakura voltou a falar em japonês em tom de alerta.

Endireitou a postura, franzindo a testa de leve. Olhou para Syaoran para confirmar se tinha entendido corretamente. Ele segurou mais forte a mão dela.

Meilyn suspirou profundamente e fitou a japonesa. Sorriu um pouco sem graça. 'O Clã é muito tradicional.' Ela falou e Sakura conseguiu perceber o tom chateado dela.

Sakura olhou para Syaoran e depois para os primos dele. 'Tradição, muitas vezes, serve apenas como pretexto para manipulação.' Falou de forma firme.

Hyo Ling arregalou de leve os olhos, estreitando-os em seguida na jovem. Naquele momento, chegou a pensar que, talvez, Yelan é que teria problemas, não a jovem esposa do primo.


Sakura observava pela janela do avião que patinava pela pista de aterrissagem do aeroporto internacional Norman Foster, em Hong Kong. Soltou um suspiro e não teve como não pensar que, da última vez que esteve no país, visitara o túmulo de Syaoran e quase morreu tentando colocar em prática seu plano de fazer um kyonshi. Fechou os olhos brevemente, lembrando-se que saiu dali com ele ao seu lado.

Olhou rapidamente para o marido que observava os passaportes dos dois, esperando a autorização da comissária de bordo para se levantarem e saírem do avião. Era estranho estar, agora, chegando ao país com ele ao seu lado. Aquela seria a terceira vez que estaria ali.

'Você…' Ela começou a falar, chamando a atenção de Syaoran que se virou para ela. 'Você se importa se formos pegar as Cartas primeiro?' Ela pediu.

Ele franziu a testa de leve. Não era bem isso que tinha sido combinado anteriormente. Ele gostaria de apresentá-la a mãe o quanto antes.

'Estou com saudades delas e, bem… Não temos como entrar em contato com o Tao-san, então, talvez seja bom irmos logo até lá. Assim, caso não o encontremos, teremos mais tempo para procurá-lo…' Ela falou devagar.

'Bem…' Ele falou pensando. 'Teríamos que pegar um outro voo agora para ir até a residência dos Tao. Eles ficam, se não me engano…'

'Na Província de Qinghai, próximo à nascente do Rio Yangtzé'. Sakura completou.

Syaoran observou a jovem com atenção. 'Nós levaríamos um dia inteiro para irmos e voltarmos de lá. Você tem certeza que quer fazer isso agora?'

'Sim. Eu realmente preferiria pegar as cartas o quanto antes.' Ela respondeu séria.

Ele concordou. 'Está bem. Vamos descer e tentar pegar outro voo até lá.'

Ela voltou-se para a janela do avião que já estava parado. 'Se tivéssemos Alada, seria mais fácil. Como foi da outra vez.' Ela comentou. 'Apesar de ter sido bem desgastante.'

Syaoran observou a esposa com cuidado, sentia que ela estava tensa. Aquela viagem para a China estava sendo mais difícil para ela do que ele podia imaginar. Inclinou o corpo e beijou o ombro dela, chamando a sua atenção novamente. Viu-a claramente tentar forçar um sorriso.

'Vai ficar tudo bem, Sakura.' Ele falou.

'Eu sei… Você está aqui comigo agora.' Ela falou e beijou o rosto dele.

Ele sorriu e depois suspirou. 'Se a gente tiver sorte, ficaremos por pouco tempo no aeroporto até conseguirmos o voo para lá, está bem?'

'Tomara.' Ela desejou.

A comissária de bordo liberou o desembarque e o casal caminhou para buscar as malas na esteira. Syaoran foi até o saguão e parou, tentando pensar em onde poderia comprar as passagens para Qinghai. Estava de mãos dadas com Sakura que olhava para as pessoas passando por eles apressadamente.

Ela arregalou os olhos surpresa ao ver seu nome de solteira numa das inúmeras plaquinhas que estavam erguidas em frente ao portão de desembarque. Puxou a mão de Li e apontou para o rapazinho que tinha nas mãos os dizeres: "Senhorita Kinomoto".

Syaoran franziu a testa, trincando os dentes. 'Que palhaçada é essa?'

'Será que tem outra senhorita Kinomoto?' Sakura ainda ponderou. 'Pode ser, não?'

'É palhaçada do Tao.' Ele respondeu, já caminhando duro até o rapazinho. 'Você avisou a ele que a gente vinha?'

'Syaoran… Acabei de dizer que não tenho o contato dele.' Sakura falou. 'Deve ser outra senhorita Kinomoto. Não existe apenas uma família Kinomoto no mundo.'

'Tem o brasão da família Tao na parte superior da placa.' Ele explicou finalmente para ela.

'Mesmo?' Ela ainda falou incerta.

Syaoran parou em frente ao rapazinho com cara de poucos amigos. 'O que foi?'

'Hã…' O rapaz falou um pouco incerto, voltando-se para Sakura. 'O senhor Tao pediu para recepcionar a senhorita e avisar que o jatinho da família a está aguardando para levá-la até a residência oficial, em Qinghai.'

Sakura não conseguiu evitar de rir da expressão da Syaoran. Abaixou o rosto tentando se controlar para não atiçar mais o lobo.

'Jatinho da família?' Ele perguntou, encarando o rapaz que deu um passo para trás.

'Sim, senhor.' Falou incerto. 'O senhor Tao pediu para providenciarmos a viagem mais confortável possível para a Senhorita Kinomoto e… acompanhantes.'

Senhora Li!' Syaoran gritou no rosto do rapaz.

Sakura puxou a mão dele de leve, fazendo-o voltar-se para ela. 'Ele só está passando o recado, Syaoran.'

'Ele fez isso para me provocar.'

'Você está com mania de perseguição.' Sakura falou. 'Ele só foi simpático e prestativo.'

'Ele é gente boa, né?'

'Exatamente.' Ela concordou, tentando passar serenidade para o esposo. Ela voltou-se para o rapaz com um sorriso. 'Muito obrigada. Acompanharemos você.'

Em meia hora, estavam dentro do jatinho já voando em direção a Qinghai.

Sakura olhava para o marido a sua frente que mantinha o rosto fechado e os braços cruzados sobre o peito. Respirou fundo, pensando que teria que tentar controlá-lo para que não brigasse com Tao. Ela não queria confusão.

E o marido também deveria reconsiderar sua opinião com relação ao outro chinês. Se não fosse ele, ela nunca conseguiria descobrir como sobreviver no mundo das trevas. Foi graças a Ren Tao que conheceu Anna Asakura e os outros xamãs. No final, foram eles quem, efetivamente, apoiaram-na para ir atrás de Syaoran.

Uma jovem se aproximou, oferecendo champanhe para Sakura e Syaoran já foi respondendo que não era para ela beber nada, deixando-a completamente desconcertada com a grosseria. Sakura estreitou os olhos no marido, reprovando-o pela atitude.

'Vai que tem alguma coisa na bebida.' Ele esclareceu sua atitude.

'Claro…' Ela rodou os olhos.

Respirou fundo e fechou os olhos. Engraçado como agora era fácil perceber a presença de Ren Tao; estava mais forte do que se lembrava. Ou talvez, depois de tanto tempo, perdeu um pouco a referência.

Sorriu mais abertamente, começando a perceber a presença das Cartas. Elas a estavam esperando.

'Está sorrindo, por quê?' Syaoran perguntou quase rosnando.

Ela abriu os olhos e fitou o rapaz. Não gostaria de mentir para ele, mas não era bom cutucar o lobo com vara curta. 'Estou sentindo a presença das Cartas.' Falou parte da verdade.

'Certo. Vamos pegá-las e ir embora.' Ele declarou.


Sakura observou a entrada da residência dos Taos. Franziu a testa de leve pensando na última vez que esteve ali. Respirou fundo. Não foi muito legal, pensando de forma fria, o que tinha feito na época para tentar trazer Syaoran de volta à vida. Analisando agora, realmente constatou que estava bem perturbada.

'Está tudo bem?' Ouviu Syaoran perguntar, parando ao seu lado. Ela voltou-se para ele e tentou sorrir de leve. Tentativa bem frustrada.

'Está.'

'Sei…' Ele murmurou, observando a residência. 'Isso aqui me dá calafrios.' Não teve como não soltar o comentário.

Sakura estranhou. Realmente, da primeira vez, sentira calafrios, mas agora não os tinha mais. Talvez já tivesse se acostumado à energia xamã.

'Vamos pegar as cartas para ir embora logo.' Syaoran falou já se encaminhando a entrada principal.

Sakura foi atrás dele. Assim que chegaram perto da imensa porta, ela se abriu. Sakura controlou o riso ao perceber que Syaoran quase deu um pulo para trás. Ele realmente não gostava daquela energia que circulava a residência.

'Já falei que não gosto disso.' Falou entre os dentes, entrando logo na residência.

Estava louco para sair de lá. O ambiente estava iluminado, mas, mesmo assim, era assustador para quem estivesse ali pela primeira vez.

Sakura observou a sala ampla e se lembrou de como ela tinha ficado destruída depois da luta entre ela e Ren. Encolheu os ombros, sentindo-se envergonhada. Tinha realmente descontado toda a raiva que sentia no rapaz. Nunca tinha se visto daquela forma antes.

Syaoran observou o local. 'Humph.' Murmurou. 'Isso aqui é próprio dos Tao. Onde está aquele cabeça de chifre?'

'Syaoran…' Sakura o chamou. 'Estamos aqui para pegar as Cartas. Não comece uma briga desnecessária.'

Ficaria se sentindo mal se, assim que encontrasse com o jovem Tao, Syaoran resolvesse brigar com ele. Ela desviou os olhos do marido e observou a escada por onde Ren descia devagar, observando os dois.

Estava com o sorriso mais debochado que o normal e Sakura supôs que era por Syaoran estar com ela. Pensou que talvez devesse ter vindo pegar as cartas sozinha, mas sabia que Syaoran jamais concordaria. Seria apenas motivo de briga entre eles. Sinceramente, não conseguia entender aquela rixa entre os dois. Eles eram parecidos demais!

Ren parou em frente aos dois e sorriu para Sakura. 'Que bom que conseguiu voltar de lá, Kinomoto.'

'Li!' Syaoran falou, fazendo o rapaz voltar-se para ele e encará-lo. 'Senhora Li, entendeu?'

Ren sorriu de lado e voltou-se para ela. 'Então realmente se casaram. Não vou parabenizá-la por isso.'

Sakura sorriu, sabia que era só provocação, mas também teve a impressão de que aquilo não era novidade para ele. 'Obrigada por mandar nos buscarem.' Ela agradeceu.

Ele meneou a cabeça. 'Imaginei que, se estava vindo para a China, seria para buscá-las.'

Syaoran pigarreou. 'Como é que soube que estávamos vindo?'

Ren voltou-se para ele e sorriu de lado. 'É fácil perceber a aproximação dela.'

Ele não gostou, deu um passo a frente, encarando o rapaz. 'Ela é minha esposa, entendeu?'

Ren levantou as mãos. 'Cada um escolhe a cruz que carrega.'

Sakura segurou o braço do marido. 'Hei… fica frio.' Ela pediu novamente. Era melhor ser rápida ou os dois trocariam mais farpas. 'Viemos buscar as nossas cartas.'

Ele acenou com a cabeça e foi até um dos móveis da sala de onde tirou o livro. Olhou para ele e sorriu de leve, antes de se virar e caminhar em direção a ela, estendendo-o. 'Elas foram muito úteis.' Ele comentou.

Sakura abriu um imenso sorriso. 'Fico feliz em saber que cuidou delas.' Ela respondeu, pegando o livro e abraçando-o contra o peito. Levantou o rosto, fitando-o. 'Obrigada.'

'Eu sabia que o devolveria para você.' Ele falou, sorrindo de leve e estendendo para ela a chave da estrela.

Sakura a pegou, apertando-a na mão.

'Teria devolvido antes, mas…' Deu de ombros. 'Talvez tivesse que pedi-las emprestadas novamente.'

'É, eu lembro que me procurou.' Ela falou e reparou no rosto contrariado do marido ao seu lado. 'Eu não lembrava de você.' Tentou ser objetiva.

'O que aconteceu?' Ren perguntou, franzindo a testa de leve e olhou de esguelha para Syaoran. 'E por que este aqui não está mais com a presença esquisita?'

'Humph.' Syaoran murmurou. 'Com este cabelo, não tem como falar que ninguém é esquisito.' Retrucou.

'Syaoran…' Ela o repreendeu, olhando para o rapaz que soltou um suspiro, cruzando os braços, ainda encarando Tao. Sakura olhou novamente para Ren. 'Não sabemos ainda o que aconteceu.' Ela falou, encolhendo um pouco os ombros. Desviou os olhos para um ponto qualquer. 'A conexão com Khala'a se rompeu…' Ela mencionou e Ren franziu a testa.

'Não tinha como você sobreviver lá sem a incorporação.' Ele falou de forma firme.

'Eu sei.' Ela falou e fechou os olhos. 'Nós só precisávamos atravessar a última brecha antes que ela fosse destruída, mas não conseguíamos nos mexer. Era tão injusto. Termos lutado tanto, sofrido tanto e morrer a alguns metros do nosso objetivo.'

'Você não aceitou morrer, não foi?' Ren disse suavemente, fazendo-a abrir os olhos para encará-lo. 'E o que mais queria era uma "vida normal"…' Ele franziu a testa, pensativo e olhou para o livro nos braços dela. 'Mas, ao mesmo tempo, não conseguiu dar as costas para elas. Esquecer que elas existem seria muito doloroso, então, ficou no meio do caminho.'

'Do que você está falando?' Syaoran perguntou, sem conseguir esconder a curiosidade.

Por que tinha a impressão de que Tao sabia exatamente o que havia acontecido?

'Dos problemas de se ganhar um poder sem o devido treinamento…' Murmurou, balançando a cabeça. 'Ah, de algum jeito, tudo se acerta.' Ergueu as mãos levemente e sorriu de lado.

'Acho que sim… no final…' Sakura encolheu os ombros, sorrindo. 'Tudo termina bem.'

'Exatamente.' Ele concordou.

Syaoran olhou de um para outro. 'E como é que você se lembra da gente se todo mundo parece ter esquecido de tudo?' Estreitou os olhos nele. 'Você realmente é bem estranho.'

Ren virou-se para ele. 'Humph… vai ver os Li não são tão poderosos quanto pensam, não?'

'Você realmente é muito convencido.'

Ren deu de ombros. 'É constatação.' Depois respirou fundo. 'Nossas magias são diferentes… o que aconteceu com todos não afetaria os xamãs…' Ele finalmente explicou. 'Os xamãs desenvolvidos.' Completou com sarcasmo.

'Humph'. Syaoran murmurou novamente, cruzando os braços. Estava realmente tentado a dar um soco em Tao, mas havia prometido à esposa que se controlaria.

Sakura respirou fundo e mordeu os lábios de leve. 'Hã…' Olhou para Syaoran. 'Vou libertá-las…' Falou, vendo-o concordar com um gesto. 'Estou com saudades delas.'

Olhou para Ren que fez um gesto para ela se sentir à vontade. Sakura caminhou até uma mesa onde colocou o livro e pegou a chave. Respirou fundo, destrancando-o. Este começou a brilhar e, logo, Kerberus surgiu em sua forma falsa. O bichinho abriu seus olhos e fitou o rosto sorridente de sua mestra.

Sakura abaixou o corpo ficando com o rosto na altura dele. 'Como vai, Kero-chan?'

O bichano franziu a testa. 'Por que me lacrou, Sakura!?' Ele perguntou e cruzou os braços. 'Foi para ir atrás daquele kozou, não é?'

'Você sabe que sim.' Sakura respondeu.

'Mas… De certa maneira… Foi um período bem interessante.' O guardião solar falou, sorrindo. 'Estou feliz que tenha voltado.' Disse sinceramente, fitando sua mestra.

Ele desviou os olhos e fitou os dois rapazes atrás dela. Reparou que a aura do moleque tinha voltado ao normal e, por mais que não quisesse admitir, sentia-se aliviado por isso. Franziu a testa, observando a aura do outro e sorriu de lado.

'Ah, então este é o "chefinho".' Falou, sorridente.

Sakura franziu a testa e olhou para trás, observando surgir atrás de Ren o espectro do grande guerreiro chinês.

'Chefinho?' Syaoran perguntou, olhando de esguelha para Ren, rindo-se.

'Humph'. O outro chinês, cruzou os braços e começou a resmungar. 'Você fala demais, Bason.'

'Oh, grande fera de olhos dourados!' Bason falou, aproximando-se de Kero por trás de Sakura. 'É bom vê-lo novamente.'

Kero voou até o guerreiro em posição imponente. 'Esta é minha mestra, Bason!'

'Ah, sim! A moça bonita que brigou com o chefinho.' Bason falou corando. 'Eu lembro dela.'

Ren bateu uma mão no rosto. 'Que lástima.'

Sakura voltou-se para o espírito guardião de Ren. 'Vocês se conheceram?'

'Ah, sim… O Magnânimo Kerberus foi um grande companheiro durante nosso treinamento.' O guerreiro falou, fazendo Kero estufar mais ainda o peito.

Syaoran franziu a testa, vendo a esposa falando com o nada e, pelo jeito, a bola de pelo também compartilhava daquela loucura. Ajeitou o corpo, sentindo um calafrio.

Bason voltou-se para trás e sorriu para Ren e depois olhou para Syaoran. Virou-se novamente para Kero. 'Então aquele deve ser o insuportável kozou.'

'Este mesmo.' Kero falou. 'Ele não conseguiu ainda reconhecer a minha grandiosidade como guardião solar.' Falou com pesar. 'Além de ter iludido minha mestra.'

Sakura deu um cascudo em Kero. 'Já está falando besteira.' Ela o recriminou. 'Estamos casados.'

'O quê?!' O guardião exclamou em choque. 'Você… Você se casou? Com ele?'

'Rá!' Ren soltou. 'Então não sou só eu que acho que ela fez um péssimo negócio.'

Syaoran bateu a mão no rosto, resmungando. 'Aguentar esta bola de pelo novamente vai ser uma droga.'

'Kero-chan!' Sakura o repreendeu, estreitou os olhos no seu guardião. 'Ele agora é seu mestre também.'

'O QUÊ?!' Kero gritou. 'Nem pensar! Isso não está em discussão aqui.'

Syaoran endireitou o corpo, sorrindo de forma irônica. Gostou da colocação agora.

'Então… você volta a morar com o Yue-san.' Sakura falou, sorrindo de leve.

Bason olhou para o bichano e sorriu. 'Oh, grande Kerberus, você poderia morar com a gente. Eu e o chefinho, com certeza, adoraríamos.'

'Bason!' Ren chamou a atenção. 'Cala a boca.'

Kero desviou os olhos de Bason e fitou Ren. 'Seria trocar um moleque por outro... prefiro ficar com o que eu já conheço.'

'Ótimo!' Sakura falou. 'Já que está tudo esclarecido aqui, então comporte-se.' Ela deu um passo para trás e fechou os olhos, concentrando-se.

A mandala surgiu aos seus pés brilhando de forma esplêndida. Sakura pôde sentir a magia fluindo em seu corpo e pensou que sentira mesmo falta daquilo.

Kero voou até Syaoran com cara de poucos amigos, mas ficou pairando ao lado do rapaz, observando sua mestra.

Syaoran sorriu de leve, observando a aura da esposa expandir, passando de róseo para o multicolorido que ele admirava tanto. Ren estreitou os olhos nela também.

As Cartas saíram do livro, voando em torno de sua mestra por alguns segundos até, uma a uma, ficarem em suas formas originais ao redor dela.

Sakura abriu os olhos e sorriu abertamente ao vê-las. Que saudades que ela tivera de todas.

Espelho se aproximou, parando em frente a Sakura. 'Que bom que voltou para nós.' Declarou abrindo um sorriso. 'Que vocês dois voltaram para nós.' A Carta se corrigiu, olhando para Syaoran por cima do ombro de sua mestra. 'Estávamos com saudades.'

Syaoran deu um passo a frente com um sorriso nos lábios.

Sakura voltou-se para trás, fitando o marido rapidamente e virou-se para as cartas. 'Nós também.'

Continua.

Notas Específicas:

Kozou – é como o Kero se refere ao Syaoran. Na dublagem em português acabou virando "moleque" também, mas, literalmente, está mais para "delinquente".


Notas das Autoras:

Kath: Mais um capitulo atualizado! Espero que tenham gostado. Eu sou péssima em cenas românticas, então os créditos para a cena do Syaoran e da Sakura é totalmente da Yoru. Eu realmente sou horrível em cenas românticas hahaha. Por mim, eles já estariam rolando na cama e coisa e tal… enfim… como termina a cena cada um usa a sua imaginação, né? hahahaha

É isso, então, estou tão ansiosa para postar o próximo capítulo que nem sei direito o que falar nas notas finais deste!

Obrigada a todos que estão acompanhando a história.

Yoru: Oh, Céus… Eu fui promovida! Como assim? Estou chocada, gente… Espera aí! Isso significa que eu ganho uma vaga no estacionamento? Eu quero uma vaga para poder estacionar meu mamute voador! Resolve isso aí, produção…

ahem! O que falar deste capítulo? A Kath exagera quando fala que o crédito da cena das alianças é meu… eu só mexi no finalzinho… mas é uma das cenas mais fofas… EVER! Meilyn sendo Meilyn foi uma cena bem divertida, também. Eu fico imaginando que a situação de S&S não deve ser nada fácil, também...

E eu adoro o Ren saradinho! Muito debochado aquele chinês! Provocando o Syaoran daquele jeito. A Sakura está certa. Esses dois chineses são realmente muito parecidos, mesmo que nunca admitam. Uhm… sobre como o Kero conheceu o Bason, isso é uma outra história, literalmente… Mas não faz muita diferença no grande esquema das coisas.

É isso aí, gente… Mais um capítulo publicado.

Até a próxima semana!

Notas da revisora:

Rô: Vamos lá... Hoje terá momentos bons e momentos ruins.

Vou começar pelos bons;

Syaoran seu fofo, vem ser romântico aqui em casa. Ele foi muito gracinha, mesmo achando que não sabe fazer as coisas românticas... Foi meigo, delicado, e disse tudo certinho. Ficou linda a troca de alianças.

Syao gritando "É senhora Li!"... kkkkk… tão a cara dele.

O que n gostei, mas eu sou meio protetora em relação a esse personagem, então, relevem... Desde o capítulo anterior... Touya sendo obtuso... Eu não gosto dele sendo assim, meio estúpido, e dono da verdade, só o que ele acha é q tá certo... Volta às origens meu rapaz, e sai desse corpo que não lhe pertence (são os gatos ainda)... Mas eu acredito piamente, que mais para frente as coisas irão mudar com a entrada dos personagens fofos... Ele vai cair de quatro? Literalmente... (eu não sei, estou supondo)... Kath, faça uma revisora feliz... Please!

Eu não gosto do Kero... Eu não gosto, me processem, não gostava no anime e não gosto nas fics... Sempre dou um jeito de tirá-lo das minhas... Ele é irritante... Pronto falei (de novo, porque eu já falei isso várias vezes)... As coisas vão bem melhor quando ele não está por perto.

Ok... Vou tentar olhar o próximo hoje, porque fiquei curiosa quanto a uma coisa…

Bjs