Capítulo 54 - Lifetime Happiness

Pov Bella

"Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR."

(Carlos Drummond de Andrade)

- É muito bom ter filhos, Bella... - Charlotte falou com um sorriso no rosto, sentada ao meu lado no chão. - É emocionante, apavorante, irritante, desesperador... mas ao mesmo tempo é tão divertido... tão surpreendente.

- Às vezes é tudo isso de uma vez só. - ri, segurando um patinho de borracha e apertando-o, estimulando todos os sons possíveis para meu bebê. Anthony estava em um colchãozinho também no chão, atarefado com a imensidade de brinquedos que estavam por cima de sua cabeça naquele arco de brinquedo que vovô Carlisle tinha dado de presente.

Cada dia que passava eram experiências diferentes, e extremamente mágicas para mim. Agora, quatro meses depois de nascer, Anthony, além de ter um sorriso e um riso perfeitos totalmente condizentes ao seu segundo nome, também tinha se tornado um pequeno explorador de seu próprio corpinho. Meu bebê já brincava com as próprias mãos e pés, e ficava por horas a fio analisando um brinquedo, o que me tirava muitas gargalhadas. Quando eu o encontrava calado, no começo até me preocupava, mas assim que me aproximava, via que ele estava ali, no berço, analisando seus dedinhos do pé, ou colocando a mão na boca, e eu tive que praticamente me acostumar para não chorar cada vez que ele fazia isso. Era emocionante demais ver meu bebê crescer e descobrir coisas novas.

Charlotte estava fazendo uma de suas muitas visitas, que passaram a ocorrer depois da morte de Charlie. Esme achou necessário eu ter um acompanhamento psicológico, e então optei por ter pequenas reuniões com Charlotte. Eu já a conhecia, ela já sabia de muito da minha vida, e eu me sentia à vontade na presença dela. Conversávamos de tudo, mas naquele dia estávamos parcialmente caladas, apenas curtindo e brincando com Anthony. Até a hora em que ela resolveu falar.

- Como está Edward? - ela perguntou calmamente, enquanto seu dedo mindinho era puxado por meu girassolzinho, outra de suas novas manias. Qualquer coisa que ele pegasse ele simplesmente não queria mais largar.

- Está bem. - suspirei.

- Não sei porque, mas não senti nenhuma segurança nessa sua resposta. - ela levantou uma sobrancelha e resolveu tirar seus olhos de Anthony para me encarar.

- Ah, sei lá... - dei de ombros, mas muito pelo contrário, aquilo me preocupava bastante. - Ele está estranho, e diz que não está. A faculdade e o estágio estão tomando muito dele, e eu sei que ele queria passar um tempo com a gente, e não consegue... isso acaba meio que frustrando-o...

- Hum... - ela voltou seu olhar para Anthony. - É entendível. Edward é uma pessoa muito carinhosa, ele deve sentir falta de vocês dois.

- Sente. - respirei fundo. - Eu e Anthony também sentimos. É ruim não tê-lo por perto, principalmente quando Anthony faz alguma coisa nova... A Dra. Julie falou que eu podia começar a tentar dar suquinhos para Anthony, e eu não estou dando ainda porque quero que Edward esteja com a gente quando ele for a primeira vez... - entreguei o patinho a Anthony, - que o pegou com as duas mãozinhas, - e coloquei minhas mãos no joelho, sentindo um inesperado interesse em ficar olhando para meus dedos ao invés de encarar Charlotte e todas as verdades que viriam com nossa conversa. Me doía saber que Edward estava mal e ao mesmo tempo não ter idéia do que fazer para que aquilo melhorasse. - Eu até ia dar ontem, mas Edward chegou exausto da faculdade, e em pouco tempo dormiu... - passei minhas unhas pelo tecido da minha calça jeans, tentando de todas as formas impedir algumas lágrimas em meus olhos.

- E como você se sente em relação a isso? - com o patinho em mãos, Anthony acabou desistindo de puxar o dedo dela, deixando-a livre para colocar uma de suas mãos em cima da minha.

- Mal, né.. Eu não consigo pensar em algo que possa animá-lo... e quando conto coisas novas que Anthony tenha feito eu sinto que ele fica chateado... não sei bem o que fazer.

Charlotte ficou me olhando por um bom tempo, e aos poucos um pequeno sorriso de entendimento foi aparecendo em seu rosto. Eu não sabia ao certo o que aquele sorriso significava, mas esperava do fundo do coração que fosse alguma solução para todo aquele problema.

- Tem uma solução sim. Como está você e Edward? - ela perguntou.

- Eu acabei de responder, Charlotte... - fiz uma cara de quem não estava entendendo nada.

- Bella, você sabe muito bem o que eu estou falando. - ela me olhou debochada. - Você realmente tem dado atenção a ele?

Pensando por um lado, eu tinha que ser sincera e falar que não. Eu tinha a preocupação dentro de mim, e ficava chateada por ele estar chateado, mas Anthony vinha ocupando praticamente noventa por cento de todo o meu tempo e foco. Ter a leve noção daquilo me deixou mal. Meu peito chegou a apertar quando sacudi a cabeça negativamente.

- Não se sinta culpada, Bella. É normal. - Charlotte se aproximou um pouco mais de mim. - Quando foi a última vez que vocês transaram?

Por mais que eu quisesse ficar vermelha, algo em mim não me permitia mais. Após o nascimento de Anthony parece que eu me sentia ainda mais adulta e sabia que a minha vida sexual com Edward faria para sempre parte de mim, afinal tínhamos tido um bebê e ele era meu futuro marido. Não tinha porque ter mais vergonhas ao falar do assunto.

- Um pouco antes de Anthony nascer... - a única vergonha que eu sentia naquele momento era o de assumir que eu não estava tratando Edward do jeito que ele merecia. Eu o amava imensamente, e isso era algo que eu não tinha dúvidas, então como pude deixar chegar a esse ponto? Minha mente já começava a trabalhar desesperadamente, buscando os últimos meses de nossas vidas. Céus. Eu realmente não estava nenhuma dando atenção a ele.

- Anthony já está com quase cinco meses. - ela falou simplesmente.

- Charlotte.. como eu pude deixar isso acontecer? Eu sou tão má assim?

- Você não é má. Eu já disse. - ela sorriu. - Isso é normal com algumas mamães. É impossível não se apaixonar por seu bebê e se esquecer do resto do mundo, Bella. Não é só o fato de não estar acompanhando o crescimento que incomoda Edward. Ele deve estar se sentindo deixado de lado também. Mas pelo que conheço dele, garanto que ele fica calado, mesmo que isso o machuque de alguma forma. Você tem sorte. Acredite, existem maridos piores. Várias separações aconteceram logo depois do nascimento do primeiro filho, tem noção disso?

- Sério?

- Aham. - ela voltou sua atenção novamente para Anthony, que agora fazia alguns barulhinhos com a boca e começava a babar, provavelmente tentando chamar nossa atenção. Peguei a fraldinha de pano que estava em meu ombro e limpei sua boquinha. - Sabe o que eu acho? Que você e Edward devem fazer essa viagem a Monrovia sozinhos.

- Mas e Anthony? - parei de fazer tudo o que estava fazendo e a encarei. - Eu e Edward já tinhamos tido essa discussão há um tempo atrás, e eu me lembro dele comentando que também achava que Anthony não deveria ir... - Então parei tudo que estava falando. Agora de certa forma eu entendia. Só não sabia se seria capaz de deixar meu filho.

- Você e seu bebê são duas vidas diferentes, e você vai ter de fazer coisas longe dele, Bella. Você não o ama menos por causa disso e Edward também não. Ele só quer um tempo para vocês dois, afinal, quando foi a última vez que vocês aproveitaram uma noite sozinhos, sem gravidez, sem bebê e sem pais na cola? - ela me olhou com um tom debochado, mas eu sentia que ela estava fazendo aquilo para me ajudar então não me importei. - Você tem que aproveitar momentos em que não está no papel de mãe. Você também é uma mulher, Bella. É a companheira de Edward, a futura esposa dele. - ela pegou em minha mão, mostrando a aliança pesada que eu carregava em meu dedo.

Um silêncio tomou conta da sala, e a única coisa que quebrou ele foi uma risada de Anthony, o que me fez rir, porém sem muita vontade. Eu ainda não conseguia conceber como tinha "esquecido" de Edward daquele jeito, sendo que ele tinha sido tudo de melhor na minha vida.

- Edward precisa de atenção como homem, Bella. - ela continuou. - E ele quer você. Eu te entendo, você não tinha se tocado, ainda é muito nova para discernir essas coisas, tudo caiu de para-quedas na sua vida e você ainda não sabe manobrar muito bem. Mas eu estou aqui para te ajudar no que você precisar e tenho certeza também que com o tempo você vai aprender a perceber tudo isso.

- Eu devo desculpas a Edward, não? - falei de cabeça baixa.

- Não é questão de desculpas. Eu garanto que ele vai te entender de qualquer forma. Apenas faça isso que eu te falei. Vá sozinha com ele para Monrovia. Relembre o tempo bom que vocês tiveram juntos, onde o amor de vocês nasceu, onde vocês tiveram suas primeiras experiências como casal... vocês dois merecem um descanso disso depois desse ano mais do que conturbado que vocês tiveram... não acha?

- Acho. - sorri. - Obrigada pela ajuda, Charlotte.

Mas apesar de minha amiga e psicóloga garantir que eu não precisava pedir desculpas a Edward eu me sentia na necessidade de me desculpar milhares e milhares de vezes, quantas vezes fosse preciso. E assim que ela saiu e eu fiquei sozinha com Anthony em casa, pensei em como começar a conversa com o papai dele no momento em que chegasse da faculdade.


Quando estava terminando de colocar o suquinho de pêra dentro da mamadeira, ouvi o barulho do carro de Edward na garagem. A sensação de vê-lo após a conversa com Charlotte meio que me dava falta de ar. Eu estava extremamente ansiosa e ao mesmo tempo com um medo terrível. Não é fácil assumir seus erros, ainda mais um erro tão imbecil quanto esse, o de não dar atenção à pessoa que te ama incondicionalmente e nunca mede esforços para isso. Por mais que tivesse milhares de explicações, eu ainda não conseguia entender porque tinha agido dessa forma. Era certo que eu amava meu filho, mas eu amava Edward tão intensamente quanto.

Segurei a mamadeira com força, e fui até a sala, esperando ele entrar pela porta. Assim que me viu, Edward abriu um sorriso, colocou a mochila no chão e veio andando em minha direção enquanto tirava o casaco de frio.

- Boa noite, meu sorriso. - ele deu um beijo em meus lábios, e depois um bem de levinho na testa. - Como foi seu dia e o de Anthony? - sua voz soava exausta, assim como em todas as noites que ele chegava da faculdade. Ele jogou o casaco em cima do sofá e voltou sua atenção para mim.

- Foi bom. Recebemos a visita da vovó, de Alice e de Charlotte.

- Que bom. - ele acariciou meu rosto e me olhou nos olhos. Eu ainda via o mesmo Edward de sempre, porém as olheiras o deixavam com um aspecto completamente diferente. Eu tinha sido uma idiota de não ter percebido antes que só o que ele precisava era um pouco de atenção do jeito que Charlotte tinha dito; como homem. Como namorado. Como futuro marido.

- Eu estava morrendo de saudades. - circulei seu corpo com meus braços e apoiei minha cabeça em seu peito.

- Eu também meu amor. - ele suspirou e deu um beijo em minha cabeça.

- Podemos conversar mais tarde? Depois do jantar? - levantei meu rosto.

- Claro.. - ele então se afastou. - Mas.. porque? Aconteceu alguma coisa? - ele me olhou com estranheza enquanto segurava meus ombros.

- Não, nada. - dei um sorriso. - Só conversar mesmo. - mostrei a mamadeira para ele. - Estava esperando você. Anthony vai tomar suquinho pela primeira vez.

- Vai? - seus olhos iluminaram e ele sorriu novamente.

Apenas assenti.

Edward segurou meu rosto com as duas mãos e me deu um beijo mais forte nos lábios.

- Eu te amo. Obrigado por ter me esperado.


- Eu juro, ele nunca tinha feito isso! - falei, ainda com a mamadeira na mão, completamente chocada. Assim que eu e Edward entramos no quartinho de Anthony, ele estava de barriga para baixo. Tinha se virado sozinho, sem ajuda de ninguém.

- Promete, Bella? É a primeira vez? - Edward me olhou com os olhos marejados.

- É, meu amor... - passei minha palma por seu braço. - É a primeira vez.

Edward riu e aproximou-se rapidamente do bercinho, pegando Anthony no colo. Ele o segurou no ar e deu um beijo em sua testa, e aquela cena foi tão linda que tive que me conter tamanha fofura. Ainda mais inesperadamente, ao ouvir o barulho dos lábios do papai estalando em sua testa, nosso bebê resolveu rir. E a gargalhada foi tão gostosa, que acabou causando lágrimas tanto em mim quanto em Edward.

- Quem é o garotinho do papai? - Edward deu um beijo na barriguinha dele, causando ainda mais gargalhadas. Ele ajeitou Anthony em seu colo e o abraçou, segurando sua cabecinha e encostando-a no vão do pescoço. - Ele é tão perfeito, Bella.

- Ele é nosso, por isso que ele é perfeito. - estendi a mamadeira a ele. - Quer dar as honras de ser o primeiro a dar suquinho?

- Eu posso? - ele olhou a mamadeira ainda em minhas mãos.

Revirei os olhos. - Óbvio que pode, papai. Estávamos esperando você justamente pra isso.

Edward deu um sorriso torto, pegando a mamadeira de minha mão e sentou-se na poltrona, colocando Anthony sentadinho em seu colo. Sentei no braço da cadeira e fiquei acariciando a nuca de Edward enquanto ele passava o bico da mamadeira nos lábios de nosso bebê.

- Será que ele vai tomar de primeira? - ele olhou rapidamente para mim.

- Provavelmente não. - respondi. - Mas vamos tentando.

Anthony ameaçou pegar o bico, mas ao notar que era de borracha logo largou. Ele apenas mamava em meus seios, eu não tinha dado mamadeira a ele, e de acordo com Dra. Julie era muito importante que ele aprendesse outros meios de se alimentar, caso eu não tivesse como fazer. Ele provavelmente teria que aprender até o dia em que eu e Edward fôssemos a Monrovia, então eu estava mais do que torcendo para que ele pegasse logo.

- Vamos filhão.. - Edward continuou tentando. - É gostoso. Foi mamãe que fez, e ela é craque em fazer sucos, acredite em mim. Foi uma das primeiras coisas que me conquistou. - ele riu e eu ri. Anthony ficou olhando para nós dois ameaçando rir também, mas ainda sem o mínimo interesse na mamadeira.

E a falta de interesse durou por mais de uma hora. Edward cantou, eu cantei. Tentamos distraí-lo e dar o suco de qualquer forma, mas nada adiantou; Anthony não bebeu, e acabou dormindo no colo de Edward.

- Não se preocupe, eu já sabia que ia ser difícil. Vamos tentando todos os dias. - passei a mão por seu cabelo desnivelado, lembrando do quanto eu achava aquele penteado estranho e como agora eu fazia questão que ele nunca penteasse.

- Eu posso tentar junto com você?

- Claro. - respondi sorrindo. - Vamos fazer assim, todo dia quando você chegar da faculdade nós tentamos. Está bem?

Ele abriu um sorriso imenso para mim.

- Está bem. Obrigado, meu sorriso.

Anthony segurou um pedaço do tecido da camisa de Edward enquanto dormia. Apenas respirou fundo e voltou a seu soninho. Nós dois ficamos que nem idiotas babando nosso filhote por mais alguns minutos até que Edward falou.

- Meu chefe descobriu hoje minha ficha criminal. - ele falou baixo, ainda com Anthony em seu colo.

- Ficha Criminal? Você não é nenhum criminoso, Edward. - falei tentando não aumentar a voz e acordar nosso bebê.

- Bella, o fato de eu ter tirado você do seu pai foi crime sim. E está fichado na polícia, mesmo que tudo tenha ficado em panos limpos depois da morte dele e de meu pai ter pego sua tutoria.

- Mas eu fui com você porque quis... será que é tão difícil dos outros entenderem isso? - me ajeitei no braço da poltrona e encarei-o.

- Meu anjo, eu te conheço. - ele olhou para mim e depois voltou seu olhar para Anthony. - Eu sei que você foi comigo porque quis. Mas a opinião de uma menina de dezesseis anos não conta muito. Eles vão achar eternamente que induzi você a ir comigo para irritar Charlie.

- E o que seu chefe disse quando soube?

- Eu expliquei tudo a ele, e ele disse que confiava em mim. Mas sei lá, não foi legal passar por isso. Tenho medo de no futuro isso acabar influenciando em alguma coisa. Tenho que falar com meu pai se existe alguma forma de limpar minha ficha antes que eu me meta em mais alguma confusão por conta disso.

- Me desculpa. - falei junto com um suspiro.

Edward olhou para mim novamente, de forma questionadora.

- Tudo isso foi por minha culpa, Edward. - falei baixo.

- Pode até ter sido. - ele sorriu levemente. - Mas eu faria quantas vezes fosse preciso se o resultado disso tudo fosse o momento que estamos tendo agora. - ele olhou para Anthony e acariciou seu cabelinho, tão desarrumado quanto o do pai. - Isso aqui não tem preço.

- Você está feliz?

- Se você não tivesse me dito eu já adivinharia que Charlotte veio aqui hoje. - ele riu baixo, sacudindo a cabeça. - Toda vez que ela vem você fica cheia de perguntas e dúvidas pra cima de mim. - ele se levantou, deu um beijo de leve na testa de Anthony e o colocou novamente no berço. - Bella, você e Anthony me fazem o homem mais feliz do mundo. - ele segurou minha cintura com firmeza. - Eu só estou realmente cansado, o estágio e a faculdade estão tomando muito de mim. Minha única alegria é saber que vou ver vocês quando chegar em casa.

- Mas... - brinquei com os botões de sua camisa, sentindo uma súbita vergonha de me expor daquele jeito, com medo de estar interpretando Edward de forma errada. - Você não me parece bem, amor.

Ele riu baixinho, e aproximou seus lábios de minha cabeça.

- Já falei. É só cansaço. - senti um beijo entre meus cabelos. - Vou tomar um banho, depois desço para jantarmos e termos nossa conversa, ok?

- Hmhum. - assenti, fechando os olhos e sentindo o calor que Edward emanava perto de mim. Ainda estava me sentindo muito culpada, mas eu ia redimir tudo isso. Hoje era só o começo de tudo.

Me aproximei de Anthony e dei um beijo em sua testa, pegando a babá eletrônica e rumando para o banheiro onde Edward estava tomando banho. O chuveiro já estava ligado, e a primeira coisa que senti quando abri a porta foi o vapor quente tomando conta de meu rosto. Eu só ouvia o barulho da água e dava para distinguir quando ela atingia o chão ou quando ela pegava no corpo dele. Por conta do vapor, só consegui ver sua silhueta e sem nem me questionar, comecei a me despir. Livrei os botões e o zíper de minha calça jeans, tirei minha camiseta, lingerie e entrei silenciosamente no box, encontrando Edward de costas para mim, lavando seu cabelo.

Ele não notou minha presença. Ou ele estava muito cansado para perceber ou eu realmente tinha sido bem silenciosa. Cheguei a sorrir ao olhar suas costas molhadas, tão torneadas e cheia de pintinhas, marquinhas. Aquele era o meu Edward, o meu amor, e depois de me tocar como estava sendo negligente com ele, eu nunca mais ia deixar isso acontecer. Eu nunca mais o deixaria de lado, nunca mais dificultaria aproximações, nem nada parecido. Eu era dele, e para sempre seria assim.

- Bella? - ele virou-se para trás, passando as mãos nos olhos, tentando tirar o shampoo. - O que você está fazendo aqui, meu sorriso?

- Não posso tomar um banho com meu marido? - falei baixo, lutando com todos os meus ainda bloqueios internos e tentando soar sexy. Acho que deu certo. Edward terminou de tirar o shampoo dos olhos e me olhou, nua e em frente a ele. Abriu um sorriso que ficaria marcado para sempre na minha mente.

Em poucos segundos eu estava em seus braços. Suas mãos estavam todas por sobre mim, meio escorregadias por conta do sabonete e do shampoo. Mas cada canto do meu corpo foi visitado por seus dedos, pela palma de sua mão, e ao fechar os olhos eu sentia a sensação aumentar infinitamente mais, fazendo todo meu corpo se entregar a um estupor tão imenso, que me fazia perguntar o porque de não fazer isso todos os dias.

- Ouvir você me chamando de marido é tão... - Edward falou entredentes, enquanto caminhava com seus lábios por meu pescoço. - Excitante...

- Você é meu marido. - fiz questão de falar. - O que vale é o que sinto aqui dentro. - peguei uma de suas mãos e levei até meu seio esquerdo, com o intuito de mostrá-lo meu coração, mas eu sabia que ele interpretaria também de várias outras formas e deixaria a mão por ali. Meu mamilo logo ficou duro assim que sentiu sua palma molhada. - Só um papel e uma aliança não vão mais fazer diferença, Edward.

- Eu te amo, Isabella... - ele subiu os beijos por meu maxilar enquanto sua mão ainda massageava meu seio. - Você foi e sempre será a minha mulher. Só minha.

- Só sua. - repeti soltando um gemido involuntário. - Para sempre sua, Edward.

Ele soltou um grunhido e em poucos segundos senti a parede de mármore encontrar minhas costas. O corpo de Edward imprensou o meu e percorri minhas mãos por seu peitoral, apertando de vez em quando pedacinhos de seu corpo e ouvindo gemidos como resposta Aquilo estava se tornando um círculo vicioso. Era delicioso ouvir Edward gemer ao mesmo tempo que mordiscava minha orelha.

Resolvi descer minha mão. Seu maxilar logo tencionou só com a proximidade de meus dedos abaixo de seu umbigo. Ele me encarou, me olhando penetrantemente nos olhos e resolvendo deixar toda vergonha que ainda restava em mim, fechei minha mão em torno de sua ereção.

- Hmmm... - ele falou em meu ouvido junto com um suspiro relaxado. - Bell..

- Shh.. - sussurrei, fechando os olhos e continuando o movimento com minha mão, sentindo a pele macia em meus dedos. Edward tentou me ajudar, mas peguei em sua mão com a minha esquerda e as entrelacei. Essa noite seria somente eu, me tornando a mulher que ele precisava que eu fosse. Hoje eu estaria no controle.


- Sobre o que você queria conversar? - Edward disse enquanto passava a toalha em meu cabelo, sem tirar aquele sorriso maravilhoso do rosto. Nosso momento no chuveiro tinha sido simplesmente incrível, e se não tivéssemos um pequeno precisando mamar em pouco menos de vinte minutos, ainda estaríamos lá, embaixo da água, curtindo um ao outro.

- Ah.. - continuei passando a toalha por seu peitoral, demorando o máximo de tempo possível. - Eu estive conversando com Charlotte hoje... - sorri, e ele tambem sorriu, revirando os olhos. Era bem óbvio que ele sabia que Charlotte tinha conversado bastante comigo. - E... acho boa a idéia de irmos sozinhos para Monrovia... Digo, sem Anthony.

Edward respirou fundo, e passou a secar as pontinhas de meus cabelos com todo o cuidado do mundo.

- Bella, eu não quero que você fique achando que estamos abandonando nosso filho, é só que...

Coloquei minha mão em sua boca.

- Eu entendo. - falei rapidamente, não querendo ouvir o resto. Edward começou a beijar a minha mão o que me fez rir. - Eu quero que a gente tenha um tempinho só nosso mesmo... me desculpa por não ter te dado tanta atenção esses últimos meses..

- Não precisa pedir desculpa. Anthony é a coisa mais preciosa de nossa vida, e eu entendo o porque de você ter ficado assim.

- Entende?

- Bella... - ele respirou fundo, segurando a toalha e olhando em meus olhos. - Espero que não fique chateada com o que eu vá te falar agora, mas... você infelizmente não teve atenção dos seus pais... você foi abandonada por eles, e quem ficou com você não te deu valor... acho que de alguma forma você transmite isso para seu sentimento com Anthony. Você quer assegurar a ele que ele nunca vai ser abandonado, que a mãe dele estará sempre ao lado dele... - ele segurou meu rosto, passando seus polegares por minha bochecha ainda parcialmente molhada. - Porque eu ficaria chateado com você? Você está sendo a melhor mãe do mundo, está cuidando de nosso bebê com todo o carinho que pode... eu tenho é que te agradecer. Só isso.

E mais uma vez ele tinha toda a razão do mundo.

- Edward... larga de ser perfeito... - falei sorrindo.

- Hmmm, lá vem aquele sotaque delicioso... - ele riu, inclinando-se em minha direção e mordiscando meu maxilar. - Vou adorar nossa viagem juntos, meu anjo.

- Eu também... não vejo a hora. - acariciei seus braços ainda também molhados. Seria uma coisa boa. Estar com ele lá, relembrando os momentos que tivemos juntos quando descobrimos que estávamos apaixonados, ia ser uma válvula de escape para todas as memórias dolorosas, - e com certeza teriam muitas.

Edward suspirou, soltando um grunhido baixinho.

- Quem sabe, Dona Isabella... não passamos naquele drive-in e repetimos o que fizemos àquela noite?

É... eu não via a hora mesmo.


Algumas semanas se passaram, e depois de passar quase duas horas me despedindo de Anthony com lágrimas nos olhos, eu e Edward entramos no avião. Ele fez questão que pegássemos a primeira classe para que a viagem fosse mais confortável, só que a poltrona era tão grande que eu me via perdida sentada ali. Ele entrelaçou seus dedos nos meus, e riu quando tive um dejavú assustador, lembrando da primeira vez que entrei em um avião, com Alice, quando estava indo para Nova York morar com os Cullen.

Contei a ele todas as minhas trapalhadas. De como eu fiquei revoltada de pegarem minha mala e jogarem naquela esteira, de como perguntei à comissária de bordo quando que custava as bebidas e os aperitivos, e ao me lembrar eu ficava muito envergonhada. Como pude ser tão bobinha?

Edward continuou sorrindo por um bom tempo, mesmo quando eu já tinha terminado de contar tudo. Ele encostou a cabeça no apoio do assento e ficou olhando sem parar para mim.

- O que foi? - falei, tentando evitar olhar pela janela. As nuvens me faziam lembrar que estávamos a muitos e muitos pés do chão. E isso não era legal.

- Tudo isso que você me contou... - ele olhou para nossas mãos ainda entrelaçadas, e fez carinho em minha pele com o polegar. - Eu já sabia disso tudo, sabia?

- Sabia? - franzi o cenho. - Como?

- Alice me contou quando foi me visitar no centro de correção.. - ele continuou rindo.

- Então porque diabos você me fez contar toda essa história de novo?

Ele deu um sorriso torto que por pouco não me fez virar geléia. Eu adorava momentos assim com Edward. Eu me sentia livre, me sentia menina, mulher... eu podia ser o que eu quisesse quando eu estava ao lado dele.

Ele pegou um pedacinho de minha bochecha entre seu polegar e seu dedo indicador.

- Porque com você contando é bem mais bonitinho. Você fica linda quando se envergonha com essas memórias...

- Eu sou boba demais... - sacudi a cabeça.

- Minha, minha bobinha.. - ele beijou meu ombro, apoiando sua cabeça. - Minha adorável, linda e perfeita bobinha.

Era como se eu estivesse me apaixonando novamente.

A viagem não durou muito. Não sei se foi porque conversamos por todo o trajeto, mas quando menos esperei, estávamos chegando em Indiana. Uma sensação gelada em meu estômago surgiu assim que respirei os ares daquela cidade. Eu não podia acreditar que eu estava aqui, sendo que a última vez em que pisei nesse chão minha vida era completamente e extremamente diferente.

Edward alugou um carro no saguão do aeroporto, e fomos para o estacionamento procurá-lo. Colocamos as malas no bagageiro, e assim que entramos no automóvel, demos de cara com um guia, onde tinham todos os mapas que fossem necessários para rodar em Indiana.

- Se importa de procurar o trajeto para mim, meu anjo? - ele olhou para o guia em minhas mãos. - Eu não conheço muito as estradas daqui.

- Não, de forma alguma. - abri o guia e comecei a folhear, sentindo meu coração batendo muito forte. Ele literalmente parou de bater quando avistei um pontinho bem pequeno em uma cidade muito pequenininha no meio do nada.

Era inacreditável. Eu ia pisar em Monrovia novamente.


Girls!

Então, o capítulo ficou gigantesco e eu tive que dividi-lo em dois!

Voltei de viagem e morri de saudades de postar pra vocês! Espero que continuem gostando da história, tenho muito medo de não atingir a expectativa de vocês!

Bella e Edward estão tomando um novo rumo no relacionamento deles agora... o que vocês acham disso?

Muito obrigada por todo o carinho e todos os comentários fofos. Desculpa por não poder mandar spoiler por email e por mensagem essa semana, voltei ao trabalho segunda feira e a semana meio que foi um caos pra mim! Espero que entendam!

Um grande beijo e tenham um ótimo final de semana! Semana que vem tem os dois pombinhos em Monrovia. Se quiserem spoiler, já sabem! ;)

Dani