N.A.: Esse capítulo foi escrito ao som de The Show Must Go On, da OST Moulin Rouge. Dá pra ter idéia de como ficou, não?
Trice, valeu por betar.
Pessoas que comentaram e seguiram a fic até agora, muito obrigada mesmo.
Boa Leitura!
.prometido.
Draco abriu a porta da Mansão Malfoy e entrou nem vendo mesmo mais aquela casa como sua. Desde que Harry falara aquelas duas palavras, ele simplesmente se esquecera de aquela era sua casa, de que vivera ali por tantos anos, e que já se fazia dois dias que não voltava. A noite passada fora ótima, conversaram sobre a festa por algum tempo, e então Draco voltara para dentro de Harry, dessa vez sem tamanha pressa, aproveitando, descobrindo, aprendendo.
E essa manhã quando acordara e vira que o moreno ainda estava dormindo, o observou por alguns minutos antes de sair para vir pegar suas coisas. O moreno estava coberto até a cintura, o peito subia e descia devagar, respirando tão levemente após ter respirado tão rapidamente duas vezes naquela madrugada. E os míseros raios de sol que já entravam pelas frestas da janela encontravam o colchão no chão e iluminavam a pele marcada dele.
Malfoy não tinha idéia de que Harry tinha aquele tanto de cicatrizes. Algumas maiores, outras pequenas, mas eram várias. Realmente, a Guerra mostrava-se por todo o corpo do outro, e ele tinha certeza de que aquilo o perseguiria pela vida toda. Mas se tivesse alguém ao lado dele, alguém que pudesse fazê-lo querer seguir em frente, talvez Potter conseguisse deixar aquelas marcas para trás, ganhando um motivo para ser mais feliz outra vez.
O hall da Mansão estava extremamente silencioso, e quando subiu as escadas ouviu vozes na sala de visitas. Desceu os degraus que já subira, indo naquela direção, escutando cada vez mais alto as vozes. Mesmo com as portas fechadas Draco conseguiu distinguir a voz baixa e séria de Narcissa, que falava com um homem. Não era Lucius. Lucius não mais saia do quarto, então só poderia ser outra pessoa. Por um momento temeu abrir a porta, encontrar Blaise sentado em seu sofá de visitas a dar as últimas notícias sobre a vida de Draco.
Mas então uma terceira voz se fez audível e o temor de Draco tornou-se maior. Ele conhecia aquela voz, ele tinha idéia de quem estava dentro da sala. E só existia agora um porém, o que poderia estar acontecendo ali e porque aquelas pessoas estavam juntas, logo de manhã? Respirou fundo, encostou as mãos nas maçanetas e empurrou a porta, abrindo-a e vendo que no amplo cômodo adornado de prata estavam quatro pessoas.
A primeira pessoa que viu foi Narcissa, sentada sozinha em um sofá, o menor, de couro negro. Logo à frente dela estava a pequena mesa de centro, e no sofá à frente estavam três pessoas. Duas pessoas ele conhecia das festas que deram na Mansão Malfoy em quase todos os anos, e de outros eventos, uma, entretanto ele conhecia muito melhor: Astoria Greengrass. E então pelos olhos frios de Narcissa ele compreendeu o que acontecia.
-Draco, venha até aqui.
A voz de Narcissa não deixava espaço para contestações, e o loiro aproximou-se devagar, os olhos fixos nos de sua mãe. Não era possível que ela estivesse fazendo aquilo. Ele simplesmente não conseguia entender o porquê de tudo aquilo.
-Lembra-se dos Greengrass? – Draco assentiu, virando-se brevemente e observando os três no sofá oposto ao de Narcissa.
-Está tornando-se um belo homem, Draco. – a matriarca disse, batendo de leve com a mão no joelho da filha que estava a seu lado. E o temor de Draco tornando-se ainda maior.
-Estávamos a finalizar o acordo, de sua união com Astoria. – Narcissa declarou, fazendo o pescoço de Draco virar com tamanha rapidez e força na direção da mulher, que ele sentira os músculos esquentarem e formigarem.
-União? – sua voz baixa fez os olhos de Narcissa inflamarem de fúria, e a mulher levantou-se, como se estivesse calma e apenas fosse dizer a Draco alguma banalidade.
-Sim, sua união com Astoria. – novamente a voz que não deixava base para contestações. – Assim como seu pai sempre desejou. A união de nossa Família com a Família Greengrass.
Draco engoliu em seco, a mulher a sua frente estava decidida, e se ele a contestasse, se falasse algo agora, poderia ser seu fim. Narcissa tinha um olhar assassino que lhe deixava saber que ele deveria ficar em silêncio. O mundo poderia ruir, mas Draco deveria permanecer em silêncio.
Astoria levantou-se do sofá, os olhos claros atentos aos movimentos de Draco, e então aproximou-se dele, observando seu rosto com atenção, sorrindo e tentando extrair algum sorriso, mesmo que mínimo dele. Mas só o que viu foram os olhos frios e sem vida do loiro, aquelas íris de metal a fitarem Narcissa com certa raiva.
Não era o sonho dela ter um casamento arranjado, estava odiando essa situação tanto quando ele. Porém, tinha idéia do que lhe aconteceria se discordasse de seu pai. Ainda tinham o escândalo, acobertado, de Daphne. Sua irmã mais velha jogara o nome da Família na lama, e esse casamento seria uma ótima oportunidade para que tivesse o poder e orgulho da Família Greengrass restaurado. E Astoria faria qualquer coisa para que isso acontecesse.
Por um momento Draco ouviu que tudo que sentia quebrava-se. Ele realmente achara que sua vida fosse ser diferente? Que seu sangue-puro, que sua Família tradicional e arcaica realmente não iria interferir em seu futuro? Ele pensara que seria diferente de seu pai? Que poderia muito bem escolher o caminho que queria e simplesmente seguir? Olhou dentro dos olhos de Narcissa, o desespero e a fúria se fundiam. Essa era a mulher que fizera de tudo para que ele não fosse morto, que tivesse a vida salva mesmo se fosse um covarde e não conseguisse terminar a missão que lhe fora dada.
Olhando dentro das íris azul dos olhos de Narcissa, Draco viu que ela apenas estava salvando-lhe outra vez. De um jeito louco, desesperado e doentio, mas que ao seu ver, era a continuação da Família Malfoy. E Draco quebrou. Aquela mulher fora seu mundo, lhe dera a vida, e poderia muito bem virar as costas e impedir que ela comandasse sua vida, que ela ditasse seu caminho. Mas então, ele seria diferente de seu pai? Ele seria diferente de Lucius se virasse as costas quando alguém que o amava, fosse da forma que fosse, estivesse a esticar a mão e sofrer por ele?
Engoliu em seco e fechou os olhos. Narcissa estava esticando a mão e pedindo que Draco fosse seu filho, apenas mais uma vez. Que ele continuasse e fizesse o que ela pedia, para que então pudesse ser Draco Malfoy e continuar a família que ela fizera sem querer, que fora forçada a começar. E Draco sabia, que se abrisse os olhos e se virasse, a imagem que veriam seria a de Lucius Malfoy, abandonando mais uma vez quem o amava e precisava dele.
Draco se recusava a ser Lucius. Abriu os olhos, a tempestade cobrindo suas íris. Entrelaçou sua mão com a de Astoria. Selou seu destino.
