Capítulo XXXXXIV: Separação
Hermione abriu os olhos sentindo que havia um quilo de área dentro dele, o sono, a preguiça, o cansaço do corpo. Tudp estava ali e ela não sabia o porque, mas logo ao sentir seu rosto mais pesado do que o comum e seus olhos mais inchados do que o normal, logo percebeu que tudo aquilo era a ressaca do seu choro, que foi incontrolável até Severo a fazer beber a força uma poção para dormir, praticamente para apagá-la.
Novamente eles estavam naquele apartamento, mas Hermione estava no quarto de solteiro,onde Kate costumava dormir, logo se lembrou da briga que os dois tiveram quando aparataram com Kate e ela descobriu que havia muito mais do que uma morte ali. Ela suspirou e logo pensou em Ron, ele não tinha saído da sua cabeça, assim como as conseqüências da sua morte.
Ela jamais olharia para a família Weasley sem saber que o menino estava morrendo por ela. Ainda mais morrendo por uma mentira que ela tinha contado, se ela tivesse dito a verdade, seria muito melhor, ele certamente desejaria a sua morte e não a sua vida. Hermione se virou na cama, no limite de espaço que tinha, encostando a testa na parede e se cobrindo ainda mais com o edredom. Tinha o cheiro de Kate.
Hermione suspirou, tinha se envolvido psicologicamente demais com a menina, desde o dia que soube que ela estava trancada dentro de um quarto na mansão Black. Naquele dia ela só queria tirar uma menina frágil de lá e hoje ela estava encarando um dos piores sentimentos que poderia encarar, o pior que a morte era saber que uma pessoa era predestinada aquilo, ainda mais Kate, parecia que sua vida foi feita para aquele momento desde que sua mãe morreu.
Ela tinha tudo, mas de repente, como algo planejado ela tinha caído na guerra, antes mesmo de Sirius e Remus entrar em sua casa, mas sim quando sua mãe resolveu morrer sem proteger ela. Natalie podia escolher ficar ao lado da filha, mas preferiu morrer, talvez para proteger a filha de Voldemort, mas não do mundo que a esperava.
Era muitos pensamentos para a cabeça de Hermione, para Severo deveria ser ainda mais pesados, mas Hermione não poderia sair dali. Levantar seria encarar os fatos de frente e ela não estava preparada para isso e Severo sabia que seria difícil.
Ele não pregou os olhos de noite observando, mesmo com a neve lá fora, as ruas, buscando por algo, até mesmo uma solução. Sabia que entre seus problemas, que tinha uma pessoa que ele amava sofrendo dentro de um quarto, tinha uma família que tinha perdido um filho por causa de sua traição e tinha uma filha, morta ou bem pior que isso.
Severo percebeu na batalha que os comensais são instruídos a fazer ele sofrer, mas não a matá-lo e isso era um perigo para humanidade, principalmente porque seria um sinal de que Voldemort teria descoberto um dos segredos que Snape não tinha revelado para ninguém, mas isso seria só uma suposição, Voldemort ainda estava tentando abrir o tumulo.
Severo pegou sua varinha na mão. Observando-a, mesmo com todos acontecimentos haviam muitas coisas guardadas na sua cabeça, para serem contadas aos poucos, porque mesmo mudando de lado não poderia acabar com os planos, mas tinha que admitir que até ele se esqueceu algumas coisas e fez promessas em vão. Ilusões. Hermione estaria sofrendo agora e se antecipando para o que sofreria mais para frente. Ronald foi o primeiro dos seus amigos a morrer. Haveria outro. Haveria ele também.
Olhou para dentro do apartamento se lembrando que prometeu para Kate e Hermione que queria ser feliz e seria feliz, até se imaginou ali, sem guerra, sem problemas, sem vida dupla, com elas. Severo engoliu o seco e logo concluiu o motivo de Voldemort ser tão forte: ele não tinha este tipo de preocupação e ao mesmo tempo ser tão fraco: ele tinha Natalie em seus pensamentos.
Severo suspirou. Não podia ficar ali parado, observando o mundo e repensando em soluções, teria que encarar a vida, já tinha encarado o súbito plano de sua filha, que neste momento estava morta. Agora precisava encarar Hermione, a família Weasley e uma ordem da fênix que precisava dele e principalmente do apartamento.
Severo fez uma magia e de repente todas as fotos sumiram, vestígios de Kate, vestígios de Natalie, eram poucos detalhes, mas para Severo ficaria um vazio. Ele olhou para o sofá e se lembrou de Hermione encostada em suas pernas quando lhe disse que queria ser feliz com ela. Balançou a cabeça tirando as lembranças da sua cabeça, sua nova lembrança eram dos gritos histérico dela horas antes.
Ele abriu a porta do quarto que Kate dormia. Ela tinha deixado claro que não ia dormir com ele, que ficaria cem metros de distancia dele e ele tentou respeitar o momento de raiva, mas agora eles precisavam conversar com dois adultos.
Hermione ouviu o barulho e se sentiu mais pequena ainda em saber que ele queria conversar, ela não se movimentou, mesmo sentindo que ele tinha sentado na beira da cama e encostou suas mãos no cabelo dela. Ele percebeu que ela estava de olhos vermelhos e inchados.
- Hermione – Severo a chamou calmamente esperando ela falar alguma coisa, mas ela não se mexeu – Por favor, vamos ser um pouco mais amáveis e conversar como gente grande. Sem egoísmo.
- Olha quem está falando em ser amável, gente grande e sem egoísmo – Hermione bufou ainda na mesma posição. Não conseguia ter outra reação com ele, embora ela achava que só um abraço dele seria confortante.
- Hermione, não está sendo fácil para mim. Olhe, eu passei meses me olhando no espelho e me treinando para matar o meu melhor amigo, a única coisa pessoa que me compriendeu do começo ao fim. Passei outros meses sem olhar no espelho e encarar o que eu fiz. Passei anos vendo a minha filha de longe, e outros anos fingindo que ela não existia e este, mesmo assim, é um dos piores momentos da minha vida. E olha que eu não estou falando do passado, de Lillian, Natalie, marca negra. Por favor, seja um pouco mais sensata comigo e pelo menos se vire.
- Você não entende – Hermione virou começando a ficar nervosa
- Eu não vim pra brigar com você –Severo a cortou – Eu vim para ficar com você. Estamos, os dois, em uma situação complicada, mas vai passar, deixe me prometer que irá passar.
Severo estava mentindo. As coisas iriam piorar, mas era a única coisa que poderia oferecer para Hermione naquele momento. Ele já tinha iludido a garota uma vez, duas, três ou até quatro não fariam mais diferença. A ilusão tinha um gosto doce que fazia bem.
Hermione segurou as lagrimas até quando pode, mas não conseguiu mais ao ver os olhos caídos e a expressão abatida de Severo. Ele estava acabado como nunca tinha visto ele antes. Severo quis aproximar sua mão para limpar as lagrimas de Hermione, mas ela fez isso primeiro, se arrumando na cama e se sentando. Severo percebeu a frieza da menina, mas não quis forçar-la. Ela parecia muito jovem para seguir em frente ou ele muito acostumado com desgraças.
- O que vamos fazer? –Hermione o questionou
- Vamos trazer a Ordem para cá – Severo falou olhando para as suas mãos – Aqui é o único lugar seguro que eu posso pensar. Com Kate morta, Voldemort terá um ataque súbito em querer acabar logo com essa guerra, se eu conheço bem, ele vai querer matar cada bruxo envolvido nessa guerra
- Inclusive Bellatrix? – Hermione o questionou
- Embora Bellatrix tenha um amor incondicional por ele e ele a admire muito por isso eu acredito que a morte de Kate seja um bom motivo para ele lhe castigar, mas matar, jamais. Nunca se perde um aliado confiável. Ele já me perdeu, não tem muita gente tão louca do lado dele. A maioria dos comensais atualmente não tem uma idealização na cabeça e sim medo.
- E depois Severo? Nós vamos ter que esperar, não é isso?
- Hermione, eu não sei o que irá acontecer depois. Inicialmente vamos ver como estamos, a morte do Weasley pode ter afetado Harry e a Ordem. Com certeza eles estão loucos por uma vingança, o que é natural, mas eles não estão preparados para isso. Terei que segura-los.
Hermione ao ouvir sobre a morte de Ron abaixou a cabeça colocando as mãos segurando seu cabelo. A culpa,a saudades, a morte próxima, tudo se misturava na cabeça de Hermione. Era o sentimento mais intenso que ela tinha sentido na guerra. Severo pousou a mão no joelho de Hermione tentando passar algum tipo de paz para ela.
- Eu sinto muito pelo seu amigo – Severo falou quase falhando a voz
- Não sente – Hermione falou baixinho – Você não gostava dele
- Eu não desejo a morte para as pessoas, nem mesmo para alguém que nunca me importunou Hermione, ainda mais se essa morte vir por minha culpa, achei que você soubesse disso.
- Estou chegando a conclusão que eu não sei nada sobre você ou sobre mim
Severo engoliu o seco ao ouvir Hermione falando daquele jeito. Ela estava seria, ao mesmo tempo perdida, com a voz fraca.
- Eu me envolvi com você, deixei Ron para traz, eu gostava dele. Eu chorei boa parte do meu sexto ano por causa dele. Eu queria ficar junto dele e agora ele está morto. Morto porque eu mudei os planos. Morto porque eu fiz tudo errado.
Severo segurou o ar ao ouvir ela falando daquele jeito. Ela estava arrependida de se envolver com ele e agora se culpava pela morte do primeiro amor dela. Ela estava certa, eles perderam a noção entre eles, e mudaram os planos.
- Se você não tivesse me procurado eu não teria salvado Kate, estaria ao lado de Voldemort, Kate estaria com vocês, Ron estaria com vocês. As coisas seriam mais fáceis. Hogwarts seria um lugar mais prático de se invadir. De fato, você está certa.
- Mas não podemos mudar o passado professor – Hermione se sentiu estranha por falar daquele jeito com ele, mas ele era e sempre foi seu professor
- Mas podemos mudar o futuro Granger – Severo falou observando ela – Talvez seja melhor a gente ficar do jeito que sempre fomos, uma relação de aluno e professor. Não porque não nos gostamos e desejamos ficar juntos,mas para evitar conflitos, problemas e mortes.
- O que eu sinto é que tudo que eu queria é ficar ao seu lado – Hermione falou deixando as lagrimas rolarem pelo seu rosto – Mas isso nunca vai dar certo. Somos pessoas diferentes, vamos sempre brigar, vamos sempre pensar diferente e as pessoas poderão se machucar com isso.
- Sim – Foi tudo que Severo falou
Se ele queria dar mais ilusões para Hermione ou evitar se preocupar em criar ilusões para deixá-la sozinha, agora ele não tinha mais nenhuma dessas preocupações. Hermione estava se separando dele, não em uma briga, mas em uma conversa sensata, que ele sempre deixou claro: as pessoas que se relacionavam com ele sempre sofriam.
Ela sempre recuou e disse que queria ficar com ele, mas a morte do amigo foi o suficiente para ela desistir da história, da loucura, e do suposto amor. Severo que deu a idéia dos dois se separarem e era o que mais sofria, pois sabia que não haveria um amanhã para mudar a situação e nem um final feliz para ele.
- Eu realmente sinto muito Hermione – Severo se levantou da cama criando forças para esquecer de tudo aquilo - Estou te esperando na sala para encontrar a Ordem. Mesmo nós sendo professor e aluna temos que ir até eles. Você precisa encarar a situação, não há tempo para chorar.
- Me dê um abraço pelo menos – Hermione quase implorou
- Não Hermione, nós precisamos ser fortes pelo o bem de todos – Severo se virou saindo do quarto com vontade de quebrar tudo que estava na sua frente, mas a única coisa que fez foi limpar rapidamente a lagrima que estava caindo dos seus olhos.
Hermione e Severo foram até a mansão fúnebre dos Black. O silencio triste, as caras de choro e pensativas olhavam curiosamente para o casal que não era mais casal. Sirius que antes odiava Snape era o que estava mais preocupado com a situação. Principalmente com Harry que resolveu se trancar no quarto depois da morte do amigo e Sirius resolveu respeitar a situação,assim como Molly se retirou.
Sirius recepcionou Snape com um abraço. Algo inédito e raro no mundo bruxo, que para quem conhecia os dois daria uma ótima capa do Profeta Diário. Snape aceitou o abraço, tinha que se manter firme. Hermione observou a situação e suspirou, Severo iria viver sozinho e ela também. Fleur a amparou e ela buscou com os olhos Molly.
- Black, só estou aceitando o seu abraço porque não estou nos meus melhores dias
- Eu só estou lhe dando um abraço por este motivo – Sirius falou
- Estão todos aqui?
- Praticamente, estávamos quase indo atrás de você. Pensamos que você tinha feito algo.
- Algo do tipo – Aberforth entrou na conversa – Ter ido atrás de Bellatrix
- Ainda não meu caro – Severo falou confiante – Mas a hora dela está próxima.
- Eu sei que está – Sirius falou confortando o agora amigo
- Sirius, reúna todos. Vamos ter que sair daqui.
- Não temos para onde ir – Sirius falou – Ainda mais na situação que Harry, Molly e Tonks se encontram
- Temos sim. Nós vamos para o meu apartamento trouxa, aquele que você foi fazer uma visitinha. Ele é o único lugar que eu confio por enquanto – Snape falou olhando para Aberforth – E você, volte para a sua casa. O plano de Hogwarts não morreu com Kate.
Minerva apareceu no corredor, com os olhos vermelhos e com um alivio de observar Snape. Ela que era uma mulher forte e tradicionamente inglesa, foi até ele o abraçando.
- Eu sinto muito – Minerva falou com uma voz baixa
Severo revirou os olhos. Ela estava com pena dele, mas naquele dia até ele mesmo estava com pena de si mesmo. Tudo tinha ido para água baixo. Minerva deve ter falado outras coisas, mas ele não pensou nisso, pensou onde estaria Molly Weasley, ele precisava se desculpar com ela, assim como falar com Harry.
- Minerva, se recomponha – Severo falou com sua voz autoritária – Estamos em guerra. Sirius reúna os outros, eu vou conversar com a senhora Weasley e com o Potter.
Sirius ia dizer alguma coisa, mas ele não deixou e logo subiu. Monstro apareceu no seu caminho com uma cara curiosa para Severo Snape. Logo quando o viu se encolheu em um canto, com medo dele, de olhar para os seus olhos
- O que foi? – Severo falou de um jeito como se estivesse de mau humor.
- Nada senhor – Monstro falou saindo correndo pelas escadas
- Monstro – Severo o chamou e ele parou no mesmo lugar que estava – Volte aqui
- Sim – Monstro voltou como um cachorro que fez coisa errada – O que acontece?
- Monstro não pode falar – O elfo estava praticamente se torturando
- Não fale, apenas diga que está tudo bem
- Esta tudo bem senhor – Monstro falou se encolhendo na parede – Se não tiver o monstro foi instruído em procurar o senhor.
Severo não sabia se ficava aliviado ou com mais medo do que estava acontecendo, mas não deveria pensar nisso agora, cada problema em seu tempo, primeiro falaria com Harry e depois com Molly.
Quando ele abriu a porta do quarto observou Harry deitado na cama no quarto do seu padrinho, olhando para o teto, o quarto todo enfeitado com símbolos de Hogwarts, Grifinoria. Severo percebeu a foto dos Marotos, de Sirius com Lily entre outras no quarto, mas o que Harry se entretia era com os céus de estrelas conjurado em cima da cama.
- Potter – Snape falou quase sem coragem – Posso entrar?
Severo se sentia um idiota em fazer aquele tipo de pergunta
- Não sabia que você tinha voltado – Harry quase deu um pulo na cama
- Eu acabei de chegar – Severo falou suspirando se aproximando dele – Precisamos sair daqui
- Achei que tinha ido atrás de Bellatrix – Harry falou aliviado – Seria injusto da sua parte
- Guarde essa raiva para mais tarde – Severo ainda odiava o senso de heroísmo que estava em Harry – Agora temos que nos focar em como entrar em Hogwarts e nas horcruxes,mas antes disso, nós vamos passar a noite fazendo alguns testes de oclumencia, como nos velhos tempos.
- Por que? – Harry perguntou rapidamente
- Porque você precisa disso e vai precisar muito mais daqui em diante. Você pode não sentir dores na sua cicatriz, mas você precisa fechar qualquer informação que tenha na sua cabeça.
- Eles, os comensais nos encontram por causa dela não é mesmo?
- Não Harry, se não eles teriam nos encontrado naquele apartamento. Que será lá que nós estaremos, mas agora,Voldemort voltará a lhe perseguir e usará sua mente mais do que nunca e ele não poderá saber de algumas coisas que estarão ai daqui em diante.
- Que coisas?
- Segundo minhas fontes, você sonhará com elas – Severo estava irritado com o que estava falando para o garoto – Olhe Potter, também é uma grande loucura para mim. Se apronte
Severo se levantou, mas Harry não queria que a conversa terminasse assim
- Professor, eu não queria que tivesse acontecido tudo isso e nem que Kate tivesse em perigo, se eu tivesse levado-a para casa depois que a resgatei nada disso estaria acontecendo.
Severo se virou para Harry. O garoto estava se culpando, sendo nobre, como a mãe dele. Severo voltou e se sentou na cama ao lado dele, com vontade de lhe dizer o que estava acontecendo, mas se segurou, ele ainda não estava preparado.
- É muito bom saber que Lily deixou um herdeiro – Severo falou seus pensamentos em voz alta – Não se culpe Harry, sinta a dor de perder seu amigo, mas não se culpe pela Kate. Pessoas tem suas escolhas e ela fez a dela.
- Por isso ela me segurou e me disse todas aquelas coisas. Ela tinha planejado tudo – Harry sussurrou
- Você tem seu padrinho para conversar sobre seus sentimentos Harry, mas seja lá o que ela tenha lhe dito, com certeza é verdade e foi verdadeiro. Em anos de observação, eu nunca vi os olhos dela daquele jeito perto de algum homem, o que para mim era muito bom até aparecer você. Quando você tiver filhos, você entenderá. Não precisamos ser presentes, para ter vontade de matar qualquer pessoa que os façam mal.
- Você irá matar Bellatrix
- Com toda certeza do mundo – Severo estava convicto disso – E irei para Askaban muito feliz
Harry tentou dar um meio sorriso enquanto Severo se levantava, antes de abrir a porta Severo observou Harry olhando para ele e se lembrou do primeiro dia que viu o garoto em Hogwarts, ele já não tinha mais nada de garoto, era um homem.
- Eu não culpo pela morte do Ron – Harry falou antes que ele saísse – Nem você nem Hermione
- Isso já não está mais em questão Harry – Severo falou com uma dor no peito aquilo e saiu antes que voltasse para aquela cama e desabafasse com o filho do Potter. Já estava satisfeito de humilhações para aquele dia. Tinha que guardar o resto de sua paciência para Molly Weasley
Quando Severo abriu a porta desejou não ter aberto e voltado para baixo e buscado um outro momento para falar com ela, ele poderia simplesmente não falar, mas o seu ego de homem precisava se desculpar com ela. Ela perdeu o filho, por causa dele, e era o mínimo que ele poderia fazer.
Ela estava alisando uma das blusas que ele achava ridículas que ela fazia para os Weasley. Parecia que aquela tinha algo especial, com certeza era de Ron. Era o segundo filho que ela tinha perdido na guerra, e como o pensamento de Severo era certo: cada filho que ia embora era uma dor pior,talvez Ron por ser o homem caçula era muito pior do que ele poderia imaginar.
- Severa Weasley – Severo a chamou
- Severo – Ela ficou surpresa dele estar ali ainda mais o vendo abrir a porta e a fechá-la – Te mandaram aqui para me dar uma bronca como um professor e me fazer descer?
- Não, claro que não – Severo parecia envergonhado sem saber como escolher as palavras certas, mas ela estava fazendo isso por ele
- Severo, acho que eles não conseguem nos entender – Ela começou a falar olhando para a blusa do filho – É difícil explicar o que é perder algo tão próximo de nós. Ron era o filho mais tímido, o mais apegado a mim,o que mais precisou de atenção e carinho. Ele não saia da minha saia até os nove anos de idade. Como vou entender que ele não está mais aqui? Você deve saber disso, você viu sua filha crescer de longe e de repente ela estava próxima de você
- E se foi – Severo completou a frase com angustia – Molly, minha dor não é igual a sua, eu realmente sinto muito pelo Ronald, não como professor, mas como uma pessoa que entende o que é uma perda e também por um ex comensal que sabe como as coisas funcionam e que ele morreu por uma fatalidade.
- Eu sei que ele morreu por uma fatalidade. Artur me contou o que aconteceu – Molly falou olhando para Severo pela primeira vez – Mas espero que pelo menos vocês façam valer a pena
Os olhos inchados daquela mulher com os dele fizeram Severo viajar um pouco em seus sentidos até perceber o que ela tinha falado, tentou assimilar, tentou compreender, mas não conseguiu formular algo interessante, a não ser a idéia de que ela sabia o motivo da morte.
- Não me olhe com essa cara, não era difícil de saber o que estava acontecendo entre vocês dois e de como, mesmo você com essa fama de mal e detestável, tinha medo de como as pessoas reagiriam ao saber. Mas estava na cara desde o principio e você vindo aqui só comprovou isso.
Severo estava com vontade de se enterrar ali mesmo.
- Não fique com vergonha de seus sentimentos. A sociedade nos julga de qualquer jeito e mesmo assim devemos viver, não devemos perder tempo com isso. Artur também sabe, e saiba que ele não lhe culpa também, porque sabemos que no fundo Ron sabia o que estava fazendo.
- Não, não sabia – Severo falou perdendo a voz em um tom desesperador – Na mesma noite Hermione tinha desmentido para ele
Severo se pegou também se sentindo culpado pela morte do garoto.
- Com palavras a gente diz o que quiser, mas os olhos e as atitudes nos desmentem e embora o senhor acredite que o meu filho não era uma das pessoas mais inteligentes e sabias de Hogwarts, não precisa ser nenhum expert em relacionamentos para saber o que era verdade nessa história.
- Eu realmente sinto muito – Severo estava sem palavras, do mesmo jeito que entrou lá
- Eu realmente sentirei muito se a morte do meu filho for em vão. Severo, pessoas morrem todos os dias, não foi o meu primeiro filho, eu estava preparada para isso, pelo menos estou tentando me enganar sobre isso. Minha família não será repleta de felicidade, haverá saudades, sempre, mas pelo menos, eu vou ver em vocês que algo bom meu filho fez. Alias, algo bom ele já fez, morreu por um sentimento nobre.
Severo apenas concordou com a cabeça. Na hora pensou no que tinha acontecido com Hermione a pouco tempo antes e teve vontade de chorar, mas agora tinha percebido o motivo dela ser tão amada, ele que deveria estar a consolando e não ela.
- Não sei o que aconteceu com a sua filha, não sei se ela realmente com a chance de poder escolher a sua morte se ela escolheria nos deixar agora, mas sei que você esta passado por muita coisa Severo. Não deixe se abater, nós precisamos de você, independente do que aconteça.
- E eu estarei aqui – Severo falou assumindo a sua responsabilidade de um jeito que nunca tinha assumido – Obrigado Molly
- É muito bom saber que existe um coração ai dentro Severo – Molly sorriu para ele – Eu sempre confiei no talento de Dumbledore em escolher os seus companheiros, sem dúvidas sempre existiu um sentimento nobre dentro de você para que ele tenha sido tão fiel.
Severo já não era um homem das trevas, ele tinha luz em volta dele. Coisa bem diferente do que estava acontecendo com Voldemort.
Depois de saber o que tinha acontecido na floresta, ele já tinha torturado, humilhado, batido com suas próprias mãos em Bellatrix, mas nada fazia o seu ódio passar.
Lá estava ele na mesma posição de sempre, observando o mundo por uma grande janela. Pensando em tudo que havia acontecido, embora Bellatrix alegasse que ela não era sua filha e sim uma traidora que estava tentando lhe enganar, seus olhos e principalmente uma parte do seu corpo que ele raramente usava diziam ao contrario, dizia que ela era fruto de algo dele com Natalie. Algo, que ele poderia chamar até de amor, pois isso foi o suficiente para que a menina jamais tivesse medo dele. Ela o respeitava, entendia sua parte, seus conceitos, falava sem medo. Voldemort se lembrou que ela se preocupou com ele quando a primeira vez que o viu.
Mas agora tanto importava. Ela estava morta. Morta porque ficou do lado errado, porque a levaram para o lado errado e ele nunca conseguiu mudar isso. Talvez esse seria o plano de Natalie, o deixar longe da filha deles para que ela não se machucasse com a guerra, mas agora a Ordem da Fênix a colocou nisso e ela estava morta.
- Milord, me chamou? - Peter, como sempre covarde, ia conversar com o Lorde das Trevas mais encolido de medo do que qualquer outro comensal
- Coloque ela na prisão por enquanto - Voldemort olhou com desdem para o corpo quase desacordado de Bellatrix
Narcisa neste momento entrou na sala e ficou chocada com o estado da irmã. Logo pensou no que tinha acontecido e encarou o mestre
- Ela a matou - Voldemort falou fitando os olhos de Narcisa - Por causa da Ordem, daqueles benditos bruxos.
- Não conseguiram pegar o Snape novamente?
- Eu ainda não me interesso por ele. Apenas pela menina, quero ela para mim. Mas não agora, no momento certo - Voldemort se aproximou de Narcisa - Narcisa, você se monstrou uma comensal muito fiel a mim, aos nossos propositos e isso é importante para a nossa causa, mas não há mais tempo para esperar. Vou a Hogwarts buscar aquela varinha.
- Milord - Narcisa ficou assustada - Não acha que é muito exposição para o senhor?
- Está na hora de me expor - Ele falou pausadamente e pensativo - Narcisa, por que Natalie fez tudo isso?
Narcisa tinha medo de qualquer pergunta relacionada a Natalie, principalmente depois de ver o estado que ficou o corpo da sua irmã
- Milord, ela era uma mulher muito justa e que admirava o senhor, com certeza ela não faria nada de mal, pelo menos não pensaria
- Ela foi embora - Ele falou - E sabia que isso seria algo de mal
- Milord - Narcisa ia falar algo arriscado. Odiava saber demais desta situação - Talvez ela não queria lhe decepcionar, vendo por este lado em relação ao Snape
- Ele era um idiota na vida dela - Voldemort respondeu rápido - Mas você está certa, é óbvio que ela se sentiu acuada, achou que eu faria algo de mal para ela. Ou que não aceitasse a criança.
- Ou que ela ficasse sozinha no caso do senhor ser preso ou morrer - Narcisa o atropelou em seus pensamentos - O senhor sabe que ela gostava muito do senhor e tinha medo que algum dia isso acontecesse, mulheres grávidas ficam deste jeito, mais sensiveis, fugir seria o melhor remédio.
- Acredita que este filho seja meu?
Narcisa poderia contar a verdade para o mestre, dizer tudo que tinha passado na mão da Ordem inclusive de Snape. Falar que Natalie era realmente apaixonada por Snape, mas que guardava um amor enorme por Voldemort por tudo que ele fez por ela e que sim, talvez no fundo, se ele fosse um homem bom eles estariam juntos, mas se lembrou de seu filho, da guerra, da sua história. Se houvesse uma esperança no mundo seria as fraquezas de Voldmort e não a luta insana de Harry Potter.
- Senhor, pelo o que eu percebi da menina. Ela sem dúvidas é a sua filha.
- Era - Ela falou com raiva - Era a minha filha. Agora ela está morta, junto com a sua mãe
- Eu sinto muito senhor - E ela realmente sentia
- Eles também vão sentir - Voldemort falou em um tom ameaçador
Capítulo overdose de Snape e um pouco de Voldemort. Atualizei super rápido, viu só como reviews ficam são legais?
Bom, claro que ninguém gostou da morte de Kate e todo mundo esperava a de Ron. Acontece,mas como disse seria necessário.
Reviews! No final de semana eu volto.
Beijos
