A Lei da Sexualidade por Rakina

tradução: Rebecca Mae
betagem da tradução: Ivich Sartre


Capítulo Cinqüenta e Seis: Sei como você se sente

Ponto de Vista do Severus:

Meus joelhos doem, o chão de pedra é frio e fiquei aqui tempo demais para obter conforto das minhas articulações de quase quarenta anos. Sabia que isso seria difícil e não fico surpreso de que ele não me deixe levanter, que queira minha humilhação. Até agora não recebi nenhum Crucio, e fico agradecido por isso, mas duvido seriamente que dure.

"Você consssegue ver como é desapontante para mim ler as notícias que eu deveria receber de você nas páginas do Profeta Diário? Isssso não é insssultante para mim, Severusss?".

Não respondo, já tentei e ele não gostou. Suponho que não posso culpa-lo, ele é meu mestre e eu falhei com ele. Era uma pegadinha na minha vida e eu permiti que ela se tornasse uma incoveniência para meu Lorde, que coisa burra de se fazer. Não sabia se deveria vir hoje, tentar – uma última tentative desesperada – fazer alguma coisa funcionar com esse homem, se ele ainda pode ser considerado humano. Vim tentar e mostrar qual era a situação durante mais um ano.

"E você não me deu razão alguma, Severusss, para o porquê de não ter pedido minha permissssão para se casar com Harry Potter. Devo acreditar, na falta de uma dessculpa, que foi porque você sabia que eu não permitiria".

"Não, meu Lorde", eu digo, minha cabeça curvada.

"Não? Acha que eu permitiria? Que o alvo da Profecia se casasse com você, meu ssservo?".

Sua voz está ficando aguda, alta e estridente, e não é um bom sinal.

"Se ele se casasse com alguém, afinal, seria comigo! Impertinência!".

"Meu Lorde, minha única preocupação foi alinhá-lo com as trevas, ele não pode me desobedecer agora, é meu vassalo e posso trazê-lo para nosso lado".

"Ele nunca ssserá sseu vasssalo, Severusss, ele ssserá meu! Você vai trazê-lo até mim! Imediatamente!".

"Meu Lorde, vou trazê-lo até você, mas seria melhor se tivéssemos a Poção de Realinhamento quando ele estiver aqui, sei que o senhor está ciente do quanto ganharemos dessa forma". Tento não deixar meu desespero mostrar-se mais que o esperado.

"Muito bem, é a última coisa que você vai poder fazer, tente consertar sua burrice! Faça esta poção, então o entregue a mim. Se falhar, esteja bastante certo de que você vai finalmente pagar. Você tem duasss luasss para se redimir e, ou eu o terei, ou mato você! E Severusss, ssaiba que estou muito desagradado com isso. Não tinha visto tanta imbecilidade em você antes, tanta tendência para agir sozinho. Eu me pergunto se o garoto teve mais influência em você do que você diz. Será melhor que ele fique em meu poder e você longe dele! Crucio!".

É claro que eu estava esperando: sempre acontece. Ainda estou ajoelhado, então a queda não é grande. Se ele não precisasse de mim por causa da poção e para trazer Harry aqui, duvido que eu sequer deixasse esse lugar, até mesmo no estado lastimoso que eu alcanço quando ele acaba. Ele sai do aposento sem uma palavras e me deixa, exausto, babando e me retorcendo, no chão frio de um porão na Mansão Malfoy.


Ponto de Vista do Harry:

Fico feliz de ficar aqui em Hogwarts por várias razões. Eu me mudei para o quarto de Severus nas masmorras, então nada mais de dividir um dormitório com quatro outros garotos, com os prós e contras disso. E agora que somos casados, toda a papelada assinada, somos livres para desfilarmos por aí como um casal respeitável. O diretor diz que vai manter um olho nos outros estudantes, só para garantir que eles não pensem que Hogwarts vai acomodar todos os casais. Estou consciente da ironia de que eu tenha me sentido atraído por Severus porque ele me tratava como um estudante comum e, agora, sou tratado como aluno especial de novo.

Dois dias após a cerimônia, o Profeta Diário devotou sua manchete ao nosso casamento. Esperei isso. Embora Rita Skeeter tivesse pouca coisa positiva a dizer – delcarou que "foi realizada em particular e numa pressa quase vergonhosa pelo excêntrico diretor de Hogwarts", etc. -, ao menos admitiu que Severus "finalmente se tornou um homem honesto". Parece que a reputação dele melhorou por estar comigo e a minha não parece ter sofrido muito. Como se eu me importasse com o que eles publicam! Eu poderia até passar o resto da vida tentando agradar a imprensa, mas é impossível, e não sou tolo o bastante para tentar.

Estou feliz de deixar Sirius e Remus voltarem à quietude do Largo Grimmauld na companhia um do outro. Estavam tão felizes na cerimônia, quase incandescentes de alegria, que eu tenho certeza que querem passer algum tempo sozinhos. Mas vou voltar regularmente, já que Severus disse que vai me mandar para lá para encontros da Ordem, não importando se permitirem ou não, para que eu veja Sirius e Remus ao menos uma vez por mês.

O registro do casamento deles foi feito secretamente, como pagamento de um favor que uma pessoa que trabalha nos arquivos do Ministério devia a Arthur Weasley. A jovem bruxa foi encontrada com um batedor elétrico de ovos modificado, que ela usava para propósitos inomináveis (suspeito incluírem sexo) e o sr. Weasley acobertou tudo no Deapartamento de Artefatos Trouxas.

Outra vantagem de estar de volta a Hogwarts é que posso usar o campo de Quadribol! O Expresso chega amanhã, então eu posso aproveitar a oportunidade de treinar sem ninguém por perto. Severus está ocupado com as preparações do começo do ano letivo, então acho que ele gostaria de um tempo sozinho. Eu costumo distraí-lo…


É ótimo estar de volta ao ar, a onda de onda de adrenalina em acelerar e virar no ultimo momento, evitando colidir com as torres – é quase tão bom quanto sexo. Diferente, mas quase tão bom quanto.

Pratico por um tempo, aquecendo e me concentrando, para depois preparer uma Finta de Wronski. Quero sempre fazer o tempo melhor, durando sempre um segundo a mais, antes de mudar de direção. A primeira vez eu faço bem, mas acho que poderia fazer de um jeito mais íngreme - tenho certeza que ninguém em Hogwarts se compara. Estou subindo até uma boa altitude, para pegar uma boa aceleração na descida, quando começo a me sentir estranho. Quase a mesma sensação ruim que tive quando dementadores estavam ao redor de Hogwarts e não consigo deixar de olhar por cima do ombro, o que é ridículo, porque estou numa vassoura.

Será que existem dementadores invisíveis?, eu me pergunto estupidamente. Ou talvez um dementador numa capa de invisibilidade? Tento afastar a sensação, subindo mais e mantendo meus olhos em frente, mas não ajuda e estou quase doente de incômodo. Segui sempre meus instintos desde que entrei em Hogwarts, então paro de voar pelo campo e tento descobrir o que pode haver de errado.

Então, de repente, me atinge: uma onda de pânico, medo, uma dor que não é minha, desespero. Minhas mãos se contraem de pavor, mas isso me ajuda a segurar melhor a vassoura e não cair.

Severus! Aquele infeliz está com ele, eu sei! Raiva envolve os outros sentimentos e eu mergulho, a Finta mais rápida que já fiz, descendo e saindo do campo e dos terrenos da escola. Sinto que ele não está próximo e não sei para onde vou com tanta pressa, mas tenho que correr!

Dumbledore! Dumbledore saberia se Sev fosse chamado. Ele vai me dizer… Por que o próprio Severus não me disse? Que homem bobo, imbecil, orgulhoso e superprotetor!

Amaldiçoando a todos, especialmente Voldemort, eu me viro e olho para o castelo, procurando o diretor. Vôo pelas portas da frente sem desmontar da vassoura, subindo as escadas e atyravés da gárgula, onde eu finalmente desço da minha Firebolt.

"Doces com licor!", eu grito, sem me importar com quem pode estar passando e ouvir a senha.

A gárgula pula, obviamente impressiona pela minha urgência e eu corro escadas acima e baton a porta do diretor, que se abre imediatamente. Dumbledore está sentado atrás de sua escrivaninha e olha ansioso para mim quando vê o estado em que estou.

"Voldemort pegou Severus!", eu grito.

"Acalme-se, Harry, por favor", o diretor diz e abana a mão em direção à cadeira oposta a sua mesa. "Severus foi chamado, era de se esperar com a manchete do Profeta esta manhã".

"Você não entende! Ele está encrencada, eu sei!", eu grito, minha voz nenhum pouco quieta ou calma.

"Eu entendo sim, Harry", ele replica. "Poucos entendem melhor que eu, acredite. Severus faz o que acha que deve fazer, embora os risco sejam altos".

"Não…". Eu nego e caio na cadeira, com a cabeça nas mãos. Uma sensação de desesperança e impotência me envolve. Jurei que aquele infeliz não tocaria Severus de novo.

"Você consegue sentir Severus através dos feitiços?", ele pergunta.

"Eu acho… Estava voando, quando senti essa urgência, esse pânico sobre mim. Eu simplesmente soube que ele encrencado com aquele escroto!".

Percebi que andei xingando na frente do diretor, no escritório dele. Acho difícil de me importar. Ele não diz nada, embora uma leve tremedeira no ar me permita inferir que ele desaprova.

"E você pode senti-lo agora?", Dumbledore pergunta.

Não tentei, só entrei em pânico e reagi, tomado pela raiva. Agora eu não sei e tento me acalmar e sentir.

E o sinto! Ele ainda está lá, onde quer que seja. Acho que ele está sozinho e quieto. Com quieto, quero dizer exausto e sofrendo, sem a energia para fazer nada a respeito. Apenas deitado.

"Ele está só, exausto e em dor", eu digo.

O velho bruxo assente e parece triste. E daí que está triste? Ele não deveria ter deixado Severus continuar com isso! É só para impressioná-lo que Severus faz isso, afinal – tentar compensar qualquer mal que ele tenha feito em sua juventude. Mas ele não já pagou tudo? Meu ódio por Voldemort cresce e eu fico espantado como é possível. Alarmantemente, meu ressentimento pelo diretor se fortalece também, mas eu penso nisso depois.

"Sabe aonde ele foi?", eu pergunto, e minha voz parece insistente e fria.

"Suspeitamos da Mansão Malfoy. É um lugar imenso com muitas áreas particulares nas quais todo tipo de coisas e pessoas podem ser escondidas. Entretanto, sem saber com certeza se a vida de Severus está ameaçada, seria mais do que estranho simplesmente aparecer lá e exigir revistar o lugar".

É… Embora esteja exausto, eu não sinto perigo. Eu não sinto, mas como podemos sabe?

"Devemos ir buscá-lo", eu digo.

"Ele sempre aparata de volta, Harry, depois de um tempo. Às vezes, ele precisa se recuperar".

"Do Cruciatus, não é?".

Ele não responde, mas parece sério. É, e que ajuda isso é para Severus!

"Ele não vai pra lá de novo, está me escutando?". Eu termino gritando com ele. Mal consigo me controlar.

"Acho que esse sera o caso, Harry", ele diz calmamente.

Pode apostar que sim.


Dumbledore me disse que Sev aparata depois dos portões e passo meu tempo gastando energia em excesso voando ao redor deles, ansiando ver vestes pretas farfalhando. Fico excitado por uns quinze minutos quando vejo uma mancha escura à distância, mas é só Hagrid voltando da floresta. Eu digo a ele para manter um olho em Severus e ele sorri, assentindo. Acho que ele já deve ter visto o resultado das sucessivas (e sem sucesso) visitas a Voldemort antes.

Após quase duas horas de patrulhamento, preocupado de que eu possa não ter visto algum lugar e ele esteja desamparado e desacordado em algum lugar terrível, eu o vejo. Ele parece apenas uma pilha de roupa escura. Eu desço da vassoura rapidamente, atirando-a ao lado com uma falta de cuidado que normalmente eu não teria.

"Severus!".

Ele quase não está consciente, o choque de aparatar tendo exaurido suas últimas forças. Seus olhos se viram para mim e sei que ele pode me ouvir.

"Está tudo bem, Sev", eu digo. "Vou levitar você até a Madame Pomfrey, sei que não devo te tocar. Li sobre os efeitos pesteriores de um Cruciatus". E senti também, é claro.

Quero gritar com ele, gritar que ele é um idiota! Como pôde? Mas estou tão feliz de vê-lo aqui, ao meu lado de novo, que não consigo. Quero explodir em lágrimas, mas não há tempo. Atos primeiro, lágrimas depois.

Eu o suspendo, numa gentil combinação de feitiços amortecedores e levitadores. Uso minha varinha, com muito cuidado, para ter precisão e não o machucar. Subo de novo na vassoura e o levito até a ala hospitalar. Seria perigoso para um bruxo comum, mas meus novos poderes o fazem sem esforços.

Madame Pomfrey está pronta para nós, ficou alerta desde que eu dei o alarme. Eu o coloco na cama no quarto ao lado que ela me indica.

"Oh, Merlin, quantas vezes fui obrigada a ver isso, Harry! Cada vez se torna mais difícil fazê-lo superar. Ele tem que parar com isso", ela murmura e gosto do jeito como ela me trata, como um adulto, como o marido de Seveus.

E eu concordo com ela, de todo o coração.

Ela começa a conjurar feitiços diagnosticadores e eu pergunto se ela quer despi-lo, então ajudo usando o Divestio nele. As roupas são removidas e ela agradece. Quero tocá-lo, bem de keve, mas vejo seu corpo sobressaltando-se quando está em contato com a cama e me detenho. Em vez disso, eu o levito um pouco e ajudo a tirar as vestes de debaixo dele, então o desço de novo. Sinto-me inútil conforme Pomfrey faz seu trabalho, meu entendimento de feitiços curadores é muito pobre e fico determinado a me informar mais depois. Depois de um tempo, vejo Severus começar a parecer mais relaxado.

"Preciso dar a ele esta poção", ela diz, indicando um frasco na prateleira aqui perto. "É formula dele mesmo, normalmente o faz melhorar rápido".

Eu apanho o frasco, tiro a tampa e entrego a ela, que o vira nos lábios dele, os lábios finos, gentis e tão espertos. Lábios que falam com tanta sabedoria, com tanta esperteza, que falam uma quantidade de palavras que eu desconheço com minha inexperiência. Lábios que algumas vezes se retorcem de desprezo, mas também de prazer – com muito mais freqüência agora. Quero sentir esses lábios em mim, quero vê-los sorriem, quero tanto. Caramba! Não quero começar a chorar agora, porque não vai ajudar.

Uma vez que a poção foi administrada, Pomfrey o cobre com um lençol de algodão e diz, "É melhor o deixarmos dormir agora, Harry. A poção vai garantir que ele repouse. Seu corpo sara sozinho, só pecisa de tempo agora. Você pode ficar, mas fique quieto. Ele deve dormir o dia inteiro, então você escolhe".

"Eu vou parar com isso, Madame Pomfrey", eu digo, "Não vou deixar que isso aconteça de novo. Não vejo que bem pode fazer!".

"Eu não sei nada sobre essa última parte", ela diz, "mas concordo que deve parar. Medicalmente, ele tem pouca resistência restante a essa maçdição. Bruxos mais fracos estariam mortos ou loucos agora. Do jeito que está, el epode demonstrar efeitos permanents, mas não temos como saber agora".


Volto ao Salão Principal para jantar com os funcionários. Estou mesmo com fome, como se fosse um efeito de passar o dia inteiro vigiando a escola e depois quase morrer de choque. Eu me sinto um pouco culpado de deixar Severus, mas ele dormiu o dia inteiro, então acho que seria muito azar ele acordar justo agora.

"Já se arrumou em seu quarto novo, Harry?", Dumbledore pergunta, com uma ruga entre os olhos.

"Sim, mas acho que vai ser estranho sem Severus lá, se ele tem que ficar na ala hospitalar".

"Madame Pomfrey raramente consegue detê-lo, Harry. Duvido que você fique sozinho depois que ele acordar. Ah, sua coruja chegou antes, de Sirius. Ela está no corujal agora".

"Oh, que bom. Bom, vou cuidar dela, depois que cuidar de Severus", eu digo a ele. A coruja deve ser mais fácil.

Depois do jantar, eu volto ao hospital, e Severus está começando a se mexer. Imagino que está com muita fome também, Merlin sabe quando ele comeu da última vez!

"Harry?", ele grunhe, sua voz fraca e soando como se alguém tentasse estrangulá-lo.

"Tudo bem, estou aqui", eu digo e não sei se devo tocá-lo ou não. Quero segurar a mão dele.

Ele olha para mim, seguindo minha voz. Acho que consegue me ver, embora pareça que leva algum tempo para registrar minha presença, então sorri. É um sorriso fraco, mas o mais bonito que vi em anos. Deus, eu quero beijá-lo, mas não quero aumentar sua dor.

"Está doendo?", eu pergunto.

"Dolorido…". Ele consegue dizer. "… O corpo inteiro".

Filho da puta! Sua cobra nojenta e traiçoeira! Vou matar você, você merece. Estou chocado com a ferocidade do ódio que passa por mim e estou certo de ter rosnado. Severus franze o cenho, confuso.

"Vou chamar Madame Pomfrey", eu digo e, antes que ele possa objetar, porque sei que ele vai, saio em busca da medi-bruxa.

Nós o ajustamos de novo, depois de dosar a poção analgésica. Depois de um tempo, ele parece mais relaxado e eu tento tocá-lo. Sua mão segura meus dedos e ele aperta, não com firmeza, mas determinação. A angústia que senti o dia inteiro se esvai com esse toque, dando lugar ao alívio de ter certeza que ele está aqui e não vai a lugar algum.

"No que você estava pensando? Ver aquela cobra terrível? Sev, ele poderia ter matado você!".

Ele apenas balança a cabeça.

"Severus! Escuta o que estou dizendo! Nunca mais, você não vai de novo, entendeu? Não posso perder você agora!".

Ele está tão pálido quanto as cobertas. "Eu tinha que tentar, Harry, tentar um pouco mais... Você precisa de tempo para se preparar. Se eu pudesse manter as coisas como estavam…".

Balanço minha cabeça com raiva. "Você, um sonserino, honestamente pensou que nada mudaria depois que nos casássemos? Depois de o Profeta ter publicado?".

"Não", ele sussura, "é claro que não. Mas tive esperanças de que ele visse motivo em esperar um pouco mais".

"Então por que você está vivo, mas punido?", eu pergunto.

"Ele quer que eu leve você até ele, logo", ele diz, sua voz um mero suspiro agora.

É claro que quer. Eu não teria acreditado em outra coisa.


Depois de dormir a noite inteira, Severus está muito mais vívido na manhã seguinte, como dá pra perceber em sua insistência de voltar para as masmorras. Madame Pomfrey tenta resistir, mas sei que ela o conhece bem e sabe que suas tentativas não darão frutos.

Severus se veste e anda pelos corredores de volta a nossos quartos. Faz uma pequena concessão e aceita o braço que ofereço, de modo que se apóia em mim. Conforme nos aproximamos do quarto, esforço-me e digo mentalmente a senha, os feitiços de proteção se abrindo. Severus olha para mim, mas não diz nada.

Eu o faço se sentar em frente à lareira em sua poltrona favorite e chamo um elfo doméstico para que nos traga chá. Sento junto a ele e bebemos. Eu digo, "Por favor, não faz isso de novo, Severus".

Ele olha nos meus olhos e vejo o carvão dali resplandecer quando ele assente.


Ponto de Vista do Severus:

O Lord das Trevas me deu duas luas. Duas luas sem preocupações para preparar a poção mais complexa que um mestre pode tentar. Duas luas para ver o que Harry tem na manga além da varinha.

Ele ficou desagradado e irritado com minha visita ao Lord das Trevas. Esperei isso. O que não esperei foi a fraqueza excessive da qual estou sofrendo agora. Normalmente, consigo tolerar bem o Cruciatus. Não facilmente, é para doer, afinal, mas tão bem quanto possível. Dessa vez, meu corpo parece evitar a recuperação total das forças. Há um tremor nos meus braços e mãos; não acho que seja visível para um observador casual, mas dá para sentir. Deve ser muito incoveniente para um mestre em Poções. Alguém poderia pensar que o Lord das Trevas consideraria isso e pensaria numa punição diferente, mas não, tinha que usar o Cruciatus mais forte que sabia fazer!

Apesar da minha condição enfraqueceida, Harry e eu precisamos praticar magia e descobrir exatamente quanto poder ele tem e como pode controlá-los. Vou falar com Hagrid a respeito dos monstrous amanhã.

"Severus, Hedwig chegou do Largo Grimmauld. Está no corujal. Quer que eu mande Tetchy para lá também?".

"Xenophon", eu rosno, numa raiva fingida.

Harry não se engana e ri.

"Não, tem um poleiro no outro quarto. Quer trazer Hedwig para cá?".

"Posso? Seria ótimo! Odeio ficar longe dela quando não preciso. Ela é um doce e andou me preocupando ultimamente".

Eu assinto, tentando não corrigir o palavreado dele, não pareço ter força mental para isso hoje. Ele pula e me abraça, beijando-me ternamente nos lábios. Fico feliz com seu cuidado, ainda sinto minhas terminações nervosas superestimuladas e muito sensíveis a dor, toda vez que tento sentir prazer. A perda do carinho de Harry seria insuportável e espero sara mais rápido. Ele sai pela porta em seu caminho ao corujal antes que eu possa dizer qualquer coisa.


Ponto de Vista do Harry:

Severus ainda parece cansado, mas é de se esperar. Eu sei como é o Crucio e não o invejo.

Estou animado de trazer Hedwig para baixo e corro ao corujal para buscá-la. Ela está sentada sozinha, a cabeça sob a asa de novo, mas quando a chamo, ela voa direto para mim. Eu a acaricio e digo palavras gentis, conforme ela se inclina para minha mão, parecendo agradecida.

"Está um pouco cansada também, não é garota?", eu digo. "Você e Severus vão me me matar de preocupação, sabe?".

Quando volto às masmorras com minha coruja no braço, percebo que não tenho poleiro para ela, ainda está no Largo Grimmauld. Caramba!

"Severus, não tenho poleiro para ela. Tenho que transfigurar alguma coisa?".

"Não precisa, Harry, ela vai ficar bem junto com Xenophon's mammoth, sempre foi grande demais para ele".

Eu solto um grunhido cético. De alguma forma, duvido que Xenophon seja do tipo que divide. Vou ao amarzém e lá está ele, uma beleza também: cada pena fina e brilhando no lugar, encarando os intrusos com seus olhos pretos e luminosos.

A cabeça de Hedwig gira e seus olhos de âmbar se fixam na bela ave. Ela pia levemente. Xenophon pia mais e Hedwig voa para ele. Para minha surpresa, ele a deixa fica no poleiro com ele, sem interferência, e pia baixinho de novo quando ela se acomoda.

"Bem, não é tão implicante!", eu digo.

Fico ali e assisto aos dois se olharem, receoso de que ele possa mudar de idéia e atacá-la, mas ele apenas a observa. Tão parecido com seu dono. Hedwig se remexe um pouco, como se não estivesse muito confortável e chega mais perto dele. Ele a observa, Hedwig toma mais um passo, e ele finalmente se aproxima.

Eu volto para Severus, sorrindo.

"Sem problemas?", ele pergunta.

"Nenhum, eles parecem se dar surpreendentemente bem", eu digo.

E é verdade. Quando vamos checá-los de novo, antes de dormir, estão perto um do outro e Xenophon está dando bicadinhas no pescolo dela, bem pequenas e os olhos dela estão quase fechados, presumivelmente de alegria. Então! Minha garota estava sofrendo com os hormônios. O que precisava era de um macho implicante para ocupá-la! Sei exatamente como ela se sente... Sorrio e vou confortar um pouco o meu próprio macho implicante, que, de fato, precisa de um pouco de carinho.