someone to love you
capítulo 52
Dave Karofsky não estava apenas assustado. Estava aterrorizado. Seus dedos puxaram a gola de sua camisa, tentando em vão afrouxar o tecido desconfortavelmente apertado sem abrir o primeiro botão – um gesto que tinha sido expressamente proibido pelo pai. No carro, a caminho do tribunal, Paul tinha repetidamente expressado seu arrependimento com o comportamento do filho, enquanto dava conselhos rigorosos que, Dave sabia, ele teria que seguir se queria ter esperanças de salvar algo de uma situação que saíra tão terrivelmente de seu controle.
A partir do momento, quatro dias antes, em que a técnica Beiste anunciara que ele e Azimio estavam encrencados, as coisas foram de mal a pior. Ele rapidamente chegara à conclusão que qualquer esforço dedicado a salvar sua reputação destruída teria que esperar. Tinha preocupações maiores agora.
Ele ouvira, horrorizado, a ex-técnica explicar que uma testemunha anônima aparecera, colocando a ele e a seu melhor amigo no local do espancamento de Finn Hudson. Apesar de o incidente não ter acontecido nos terrenos da escola, ela sentira-se compelida, tanto por sua posição de autoridade quanto por seu dever como cidadã consciente, a relatar à polícia o que ouvira. Com o problema deixado nas mãos competentes deles, ela então comunicara o homem cujo escritório eles agora ocupavam. Tomando as rédeas da reunião e olhando diretamente para os dois jovens, o diretor Figgins informara, lamentando-se, mas firme, que, segundo a política escolar, havia consequências claras em situações como as deles. Apesar do que sentia pessoalmente, suas mãos estavam atadas. Os dois rapazes estavam expulsos, a partir daquele momento.
Dave lembrava-se, detalhadamente, da recepção que recebera quando chegara em casa pouco depois. Qualquer crença que alimentara de poder varrer para baixo do tapete foi competentemente eliminada ao avistar os carros de seus pais na garagem. Se eles tinham saído do trabalho para falar com ele, então estavam levando o problema muito a sério.
Sua mãe o atacou assim que ele passou pela porta, repreendendo-o em voz alta por comportar-se de um jeito que era um embaraço ao bom nome da família, questionando sua completa falta de bom-senso. Sua ladainha parecera ser eterna, até que ela finalmente disparara todos os insultos que podia pensar e decidira sair correndo da sala. Deixado a sós com o pai, Dave sabia que o pior ainda estava por vir. Sempre considerara fácil ignorar a mãe. Ela era esquentada e geralmente lhe dava uma bronca, mas suas palavras raramente conseguiam perfurar a casca dura que ele construíra ao longo dos anos lidando com os colegas de time de futebol e hóquei. O pai, por outro lado... A opinião dele lhe era importante, e não havia como desviar-se do fato que ele havia pisado feio na bola dessa vez. A decepção do pai era palpável, e o estômago de Dave contraiu-se em resposta.
Homem prático, depois de expressar seu desgosto com as atitudes de Dave e aceitar a desculpa dele, Paul tocou em assuntos mais importantes – descobrindo pelo que o filho seria indiciado e montando uma estratégia para lidar com as consequências.
Tais preparativos estavam provando ser inestimáveis agora. Em questão de minutos, Dave estaria de pé diante de um juiz, encarando acusações de agressão. Abençoadamente, ele o fazia com um advogado muito bem pago ao seu lado, o pai tendo usado um favor que tinha com um de seus próprios companheiros de hóquei. Como o homem informara-lhe asperamente, muito dependeria de qual juiz seria responsável por seu caso, mas o mínimo que ele podia esperar era condicional, combinado com serviço comunitário. O máximo? Bem, isso não era digno de se pensar.
Entrando no enorme e assustador aposento, Dave imediatamente avistou Azimio sentado com o pai na fila da frente, e ele se dirigiu ao amigo. Os dois homens mais velhos, que se conheciam brevemente por estarem ambos envolvidos com eventos relacionados a esportes, conversavam em voz baixa entre si enquanto os filhos faziam o mesmo.
"Oi, cara. Como está?" Azimio disse para cumprimentá-lo.
"Como você acha? Minha mãe confiscou todos os meus eletrônicos e está me forçando a fazer um monte de coisa na casa, no caso do juiz deixar de te dar uma lição!"
"Cara, que dureza. A minha mãe tá só morrendo de chorar, sem parar de falar como eu arruinei a minha vida. Graças a Deus o meu pai entende. Ele mesmo se meteu em um monte de problema na minha idade, e agora é bem-sucedido, então ele sabe que posso acabar me saindo bem".
"É, tem sido mais fácil de lidar com o meu velho também, a não ser pelas broncas constantes de como o desapontei".
"Também tenho ouvido essas. Provavelmente posso falar as coisas de cabeça".
A conversa dos garotos foi interrompida por seus respectivos advogados, que então os guiaram à mesa dos réus. Quando a juíza responsável acomodou-se, Dave ouviu o homem ao seu lado xingar em voz baixa. Claramente, ele precisava preparar-se para aquele máximo que estava evitando.
No que pareceu ser pouquíssimo tempo, a juíza revisara a evidência – o testemunho da Sra. Pillsbury-Howell fora particularmente prejudicial, mas a técnica Beiste também não poupara seus ex-alunos – e, juntando algumas pistas anônimas e o testemunho de um vizinho de Finn colocando a ambos no local do crime, havia uma forte evidência de sua culpa. Citando a importância da tolerância zero, a juíza estava a ponto de dar sua decisão no caso quando os dois advogados pediram permissão para aproximar-se de sua mesa. Tendo recebido autorização, Dave e Azimio se olharam com curiosidade, nenhum deles tendo ideia do que ia acontecer. Eles só precisaram de um minuto para descobrir. Quando se ergueram para saber seu futuro, eles adotaram uma expressão séria, disfarçando o nervosismo que ambos sentiam.
"Sr. Karofsky e Sr. Adams, ambos foram considerados culpados de agressão. Apesar de meu objetivo original era condenar ambos a dois meses de prisão domiciliar, seus advogados me deram uma sugestão, cortesia de seus pais, que tanto eu quanto o promotor consideramos adequada. Sr. Karofsky, a partir de hoje, você será colocado sob a custódia de seus avós paternos, que, pelo que sei, são responsáveis por uma fazenda de laticínios nos arredores de Dunkirk. Pelo resto do ano letivo, você será responsável por tudo que seus avós considerem adequado. Vai frequentar a escola local, a não ser que arranje problemas lá também, e nesse caso os seus novos responsáveis concordaram em dar-lhes aulas em casa. Está recebendo uma segunda chance, meu rapaz. Se eu souber que você violou esses termos, não terá tanta sorte na próxima vez. Está claro, Sr. Karofsky?"
"Sim, senhora", Dave respondeu, secamente.
"Quando a você, Sr. Adams, será transferido à Academia Militar Mound Street em Dayton, a partir de agora. Seu tio, que, pelo que sei, reside naquela cidade, concordou em assumir sua guarda".
Azimio não sufocou um grito. Virou-se para o pai e começou a fazer-lhe súplicas, desesperado para evitar o que considerava uma punição exageradamente rigorosa. Balançando a cabeça, o Adams mais velho levou rapidamente o filho para fora da sala de julgamento, ignorando todos os argumentos. Por sua vez, Dave respirou aliviado. Comparada à sentença dada a seu amigo, a dele parecia tolerável – até mesmo razoável. Não apenas lhe permitiria sair de McKinley no que prometia ser uma situação particularmente difícil, mas também lhe permitia recomeçar em um lugar onde ninguém lhe conhecia de verdade. Talvez nessa nova escola, ele podia finalmente ser ele mesmo, sem as expectativas de outras pessoas sufocando-o e forçando-o a usar a camisa de força de atleta que o prendia nos últimos anos. Além do mais, apesar de seus avós serem rigorosos, também eram justos. Os resultados desse dilema poderiam ter sido pior.
Dave foi arrancado de seus pensamentos ao sentir a mão do pai em seu ombro. Olhando para o homem de pé atrás de si, Dave deu um sorriso trêmulo.
"Obrigado por me defender, pai".
"De nada. Mas devia agradecer Scott. Foi ele que sugeriu que a juíza podia aceitar ter seus avós como guardiões temporários. E também agradeça a eles quando chegar na fazenda. Eles não precisavam concordar em te acolher, mas concordaram. Aproveite essa oportunidade para refazer-se e lidar com seus problemas, sejam eles quais forem".
"Vou fazer isso. Prometo".
Ainda faltava meia hora para o fim oficial do dia letivo, mas absolutamente ninguém em McKinley High estava fazendo alguma coisa. Com as duas semanas de folga há apenas minutos de distância, todos estavam conversando alegremente sobre seus planos para o tempo livre vindouro.
Distraída em seu cantinho próprio da sala, Rachel não pôde deixar de sorrir ao imaginar todos os maravilhosos eventos que aconteceriam ao longo do fim de semana. Assim que saísse da escola, ela encontraria Grace e Amy, que se ofereceram para pagar-lhe um doce pré-aniversário n'A Última Mordida. No sábado, ela viajaria para Nova York para ver Wicked, graças à generosidade dos pais. E no domingo, ela reencontraria Jesse, no que, ela tinha certeza, seria a melhor celebração de aniversário que ela já experimentara em sua vida. Ao reunir livros e fichários, esperando sair o mais rápido possível, ela surpreendeu-se com o repentino zumbido mudo de seu celular. Puxando-o de seu bolso, ela olhou rapidamente para a tela. Tendo achado que o novo SMS seria de seu namorado, ela arregalou os olhos diante do nome totalmente inesperado que aparecera. Acabara de receber um SMS de Dustin Goolsby.
O que o atual técnico do Vocal Adrenaline queria com ela? Mais importante, como ele conseguira seu telefone? A resposta à última pergunta atingiu-a como um raio. Shelby. Naquele breve espaço de tempo quando acreditara que ela e sua recém-encontrada mãe biológica podiam formar algum tipo de ligação, ela programara seu telefone no celular de Shelby. Se o técnico Goolsby quisesse contatá-la por qualquer inexplicável motivo, ele apenas precisava perguntar à mulher que o precedera.
Intensamente curiosa apesar de seus conflitos internos, ela abriu o SMS e rapidamente leu o que continha. Era conciso e direto.
Ligue-me às 15h45, hoje.
Ele finalizava o SMS com seu telefone. Nada de 'por favor'. Nem uma tentativa real de persuadi-la. Apenas uma exigência direta que ele claramente presumia que ela consideraria intrigante demais para ignorar. E tinha razão. Embora pudesse não confiar nele, tinha que admitir que estava morrendo de curiosidade de saber o que causara sua atitude.
Assim que a campainha tocou, ela saiu da sala como uma bala. Após parar rapidamente em seu armário para pegar seu casaco e sua bolsa, ela correu pelo estacionamento e acomodou-se no banco de seu carro precisamente às 15h44. Um sopro de hesitação repentinamente subiu por sua espinha, mas ela o sufocou, determinada a resolver o assunto. Digitando os números corretos, ela ouviu a ligação sendo feita, e recostou-se em seu assento para esperar que ele atendesse. Depois de apenas um toque, uma voz suave ecoou em seu ouvido.
"Dustin Goolsby falando?"
"Prof. Goolsby, é Rachel Berry".
"Olá, Rachel. Sua voz tem realmente um tom adorável. Sua voz é assim bonita quando canta?" Ele perguntou em voz alta, temporariamente surpreendendo-a. Ela recuperou-se rapidamente.
"Mais bonita", ela respondeu, decidida.
"Azar do Vocal Adrenaline então".
"É, sim. Mas tenho certeza que o senhor não me ligou para falar da minha voz".
"Na verdade, liguei sim. É diretamente relacionado a isso".
"Lamento, mas não entendo".
"Deixe-me explicar então. Sua mãe-".
Ela o interrompeu abruptamente.
"Eu preferia que você a chamasse pelo nome. Ela me deu à luz. Isso não faz dela a minha mãe".
"É justo. A Shelby me pediu um favor há duas semanas".
"Por que está me contando?"
"Porque é relativo a você".
"Deixe-me adivinhar. Ela queria que você me convidasse a deixar McKinley e transferir-me para Carmel, e você devia me oferecer um lugar garantido no Vocal Adrenaline – provavelmente o de cantora principal – como isca".
"Isso foi mencionado, mas no fim das contas ela decidiu que você não concordaria. Então não, não foi isso".
"Não foi?" Rachel não conseguiu esconder a surpresa genuína diante das palavras de Goolsby.
"Não. É algo muito mais interessante. Tenho certeza que você vai concordar".
"Estou ouvindo".
"Já ouviu falar em La Guardia Arts?"
"Se ouvi falar? Eu a adoro. Se eu vivesse em Manhattan, eu teria implorado aos meus pais que me deixassem fazer um teste lá".
"Posso fazer isso acontecer".
"Perdão?" Rachel encontrou-se pedindo desculpas por não conseguir seguir a linha de pensamento de Dustin. "Do que está falando?"
"A diretora da escola é uma amiga minha, íntima, e Shelby sabe disso. Ela queria que eu mexesse uns pauzinhos e lhe conseguisse um teste. E eu consegui".
"Mas... eu li tudo sobre a escola. Eles não aceitam novatos no último ano".
"Eu já falei que a diretora é uma amiga pessoal e íntima?"
"Falou. Não posso nem mesmo imaginar a intimidade que você precisaria ter com ela para ela considerar burlar as regras por mim".
"Digamos apenas que ela me deve um favor, e acaba por aí".
"Então está falando sério? Não é só conversinha? Você realmente me conseguiu um teste na escola de Fame?"
"Consegui. E é amanhã".
"Amanhã?" Esganiçou-se ela, repentinamente tendo dificuldade para respirar.
"É. Sei que é de última hora, mas essa é a melhor parte. Consegui que você fizesse o teste por Skype. Quero dizer, assim que a Shelby me lembrou que você não pode voar repentinamente para Nova York..."
"Na verdade, por uma coincidência de sorte, eu estarei em Nova York amanhã".
"Sério? Deve então ser o destino. Pode chegar lá às duas da tarde?"
"Meu voo chega ao meio dia, então duas da tarde é possível".
"Ótimo. Bem, já cumpri o meu papel. Quebre a perna, menina".
"Obrigada". Um novo pensamento a atingiu, e ela o chamou para impedi-lo de desligar. "E quanto à autorização? A inscrição não requer um formulário assinado? E uma espécie de taxa para teste?"
"Não se preocupe. Sua-" Ele impediu-se antes que Rachel pudesse objetar. "Shelby cuidou de tudo isso. Você só tem que aparecer e impressioná-los".
"Eu, ah... não sei o que dizer".
"Voce já me agradeceu, então não tem mais o que dizer. A não ser... não pise na bola, certo? Coloquei minha reputação em risco por você, baseado na opinião que Shelby tem de seu talento. Sinceramente espero que ela não tenha exagerado suas habilidades baseada em alguma patética vontade que você goste dela".
Sem avisar, Rachel começou uma apresentação improvisada de Don't Cry For Me Argentina. Quando ela terminou, o assobio baixo de Dustin não deixou dúvidas de sua opinião da performance dela.
"Tem certeza que não posso persuadi-la a entrar no Vocal Adrenaline? Não há ninguém no time que chegue perto de seu talento", ele admitiu, lastimoso.
Rachel não conseguiu evitar o sorrisinho satisfeito que apareceu em seu rosto diante do elogio do técnico. Agradou-a infinitamente que ele obviamente a considerasse superior a Sunshine Corazon. Talvez mandar a intercambista à boca de fumo não tivesse sido necessário, afinal. Mas pensando bem, o time de Carmel recompensava o talento. Prof. Schue e New Directions tinham uma postura diferente. Ainda assim, com a perspectiva de uma escola nova-iorquina diante dela, Carmel não estava nem mesmo em seu radar.
"Agradeço a oferta, Prof. Goolsby, mas minha resposta é não. Mas obrigada pelo elogio".
"Devo lhe dizer que raramente faço elogios de qualquer tipo. Você é uma das poucas pessoas que conseguiram me impressionar, o que é quase impossível de se fazer. Aposto que você vai longe, Rachel Berry".
Depois que agradeceu mais uma vez, ela desfez a ligação e ficou sentada, em um silêncio aturdido, tentando processar essa mais recente revelação. Fora-lhe oferecida a chance de um teste para uma das escolas artísticas mais prestigiosas do país – uma oportunidade que lhe fora dada graças à mulher que repentinamente decidira que errara ao rejeitá-la antes e agora queria ser parte de sua vida. Tinha que admitir que Shelby definitivamente estava fazendo valer sua promessa de fazer o que precisasse para cair nas boas graças da filha. E, enquanto Rachel não tinha certeza do que sentia quanto a isso, ela tinha que admitir que esse gesto em especial rendera à mãe biológica vários pontos positivos.
La Guardia Arts. Rachel mal podia conter seu entusiasmo. Caso se saísse bem, podia logo frequentar uma escola na qual, em vez de torná-la uma excluída, sua ambição e determinação seriam aceitas. Para não mencionar o fato de que ela estaria em Nova York, com o rapaz que ela amava profundamente.
Espere um minuto! Uma vozinha ergueu-se em protesto. Seus pais deixaram perfeitamente claro que viver em Nova York com o Jesse, ou mesmo sozinha, não era uma opção que eles estariam dispostos a considerar!
Balançando a cabeça, ela ignorou seus pensamentos negativos. O mais importante primeiro. Antes que qualquer coisa acontecesse, ela teria que arrasar em seu teste. Se tivesse sucesso, então poderia descobrir um jeito de persuadir os pais a deixá-la ir quando chegasse o momento. Ela era o orgulho e a alegria deles, afinal. Certamente eles cederiam à sua vontade.
Enquanto começava a formular um plano de ação para o dia seguinte, ela manobrou o carro fora do estacionamento de McKinley e dirigiu-se à Última Mordida, o sorriso nunca saindo de seu rosto.
Amy e Grace entraram no café e examinaram os arredores. Quando teve certeza que Rachel ainda não tinha chegado, Amy sacou o celular e discou o número que a ligaria à casa dos Berry.
"Alô?"
"Sr. Berry? É Amy Howell".
"Oi, Amy. A Rachel já tá aí?"
"Não, mas vai chegar a qualquer minuto. Quanto tempo precisa que a mantenhamos aqui?"
"Bem, vamos ver", Leroy pensou em voz alta. "Todos a não ser pelo Noah e a namorada dele já estão aqui, então acho que vocês não vão ter que se prolongar. Bebam algo quando ela chegar, então inventem algo para partir. Enquanto tomarem aquela via alternativa que conversamos, vão chegar aqui antes dela".
"Parece bom. Ou a Grace ou eu vamos ligar quando estivermos a caminho".
"Ótimo! Até logo!"
Quando Amy jogou o celular na bolsa, Grace cutucou a prima, que olhou para a entrada a tempo de avistar Rachel entrando. As duas Howells se puseram de pé e se alternaram abraçando a amiga calorosamente.
"Que bom que você chegou!" Comemorou Amy. "Faz tanto tempo!"
"Concordo. Fiquei radiante quando vocês sugeriram uma reunião para comemorar antecipadamente o meu aniversário. É muito importante pra mim que vocês tenham se lembrado".
"E por que não nos lembraríamos?" Perguntou Grace, genuinamente intrigada.
"Vamos apenas dizer que minha experiência passada não é boa", Rachel admitiu em voz baixa.
"Então você obviamente precisava de amigos melhores", declarou Amy. "Para sua sorte nós aparecemos".
"Concordo completamente", declarou Rachel, abraçando cada jovem antes de acomodar-se na cadeira mais próxima e deixar escapar um suspiro contente.
"Tenho certeza que sei o que – ou melhor, quem – está na sua cabeça agora", provocou Grace.
Um leve rubor assomou ao rosto de Rachel diante das palavras da amiga, mas ela não rebateu a conclusão.
"As próximas duas semanas vão ser tão estupendas", festejou ela. "Começarei meu fim de semana de aniversário com vocês, vejo Wicked amanhã e então celebrarei com o Jesse no domingo. E ainda tem a festa do seu tio no domingo, e o réveillon... para não mencionar um belo e longo feriado sem o Sr. Schue e o glee. Talvez ele finalmente decida montar um setlist durante as festas", acrescentou ela com uma ponta de sarcasmo na voz.
"Não me surpreende que você não queira estar lá por esses dias", retrucou Amy. "Mas fico surpresa que tenha demorado tanto para chegar a essa conclusão".
"Não sou de desistir", começou Rachel, "e me sinto responsável pelo clube desde que provoquei a missão do Sr. Ryerson. Estava disposta a aceitar os maus tratos dos colegas, porque achei que era o único jeito de mantê-los no grupo, e queria que tudo desse certo. Mas finalmente comecei a acreditar que mereço coisa melhor. A maior parte deles me trata pessimamente, e a votação para me expulsar foi a última gota. Não os abandonarei completamente, mas até que eles levem a sério os ensaios para as regionais, provavelmente vou fugir de mais ensaios".
"Já era hora que você se defendesse contra aquele povo", Grace assentia, aprovando.
Enquanto bebericavam seus cafés, a conversa fluía facilmente entre as três. No que parecia pouquíssimo tempo, Grace e Amy declararam, lastimosas, que precisavam ajudar nos preparativos da grande festa de domingo. Assim que se despediram, Amy deliberadamente dirigiu-se à casa de Carl até que ela e Grace estivessem certas que não podiam ser vistas por Rachel. Executando uma curva perfeita, a Howell mais velha acelerou rapidamente, habilmente encontrando o desvio combinado à residência dos Berry.
Rachel não estava particularmente com pressa. As ramificações da oportunidade que Dustin Goolsby lhe apresentara antes naquele dia ribombavam por sua mente e, já que ela planejava não divulgar ainda essa incrível novidade aos pais, precisava controlar seus sentimentos antes de chegar em casa.
Normalmente, teria ligado imediatamente para Jesse para pedir sua opinião nessa nova oportunidade, mas por algum motivo que não podia entender, hesitara antes, e agora, tinha certeza que queria esperar para lhe contar. Sabia que ele a encorajaria, que sem dúvidas ele teria uma boa visão de como ela deveria apresentar-se e que música usar para seu teste, mas havia uma parte dela que queria – não, precisava – fazer isso por conta própria. Não admitiria isso a ninguém, mas as zombarias constantes dos colegas, combinadas com a constante dispensa do Sr. Schue às suas ideias e a desvalorização de seu talento, haviam prejudicado sua confiança. Sim, o amor e o apoio incondicionais de Jesse haviam ajudado muito a restaurar sua autoconfiança, mas era vital que ela provasse a si mesma que era capaz de ser bem-sucedida por mérito próprio. Se pudesse, abriria um mundo de possibilidades, dando-lhe a chance de escapar do Ohio... de começar a viver seu sonho nova-iorquino.. e de passar o máximo de tempo possível com a pessoa que ela sabia, sem sombra de dúvida, ser o maior amor de sua vida.
Consumida por pensamentos do que a esperava no dia seguinte, ela parou diante de casa, inocente ao fato de que vários carros que ela normalmente reconheceria estavam estacionados diante das casas vizinhas, e ao longo da quadra. Pegando sua bolsa e jogando-a no ombro, ela dirigiu-se lentamente pela calçada, debatendo silenciosamente opções de músicas – e passando-lhe completamente despercebido o leve movimento da cortina da frente, que, tendo sido puxada de lado, voltava silenciosamente a seu lugar.
"Ela chegou!" Hiram falou num falso sussurro, vendo a filha aproximar-se da varanda. "Escondam-se, todos!"
Os convidados presentes todos obedeceram à sua instrução, escondendo-se atrás de portas, abaixando-se por trás de móveis. Um silêncio de expectativa caiu sobre eles, que coletivamente prenderam sua respiração, esperando que Rachel entrasse. Quando ela abriu a porta, o pai moveu-se para recebê-la.
"Oi, querida. Como foi seu dia? Divertiu-se com a Grace e a Amy?"
"Oi, papai. Foi ótimo vê-las de novo. Falamos sobre todas as nossas novidades, e nunca vai adivinhar o que elas planejaram para a recepção de casamento do tio".
"Provavelmente não vou. Por que não ficamos na sala para que você possa me contar?"
"Ah, claro", respondeu ela, franzindo levemente a testa diante da repentina formalidade do pai.
Mal dera um passo para entrar na sala quando esta explodiu com gritos de 'surpresa!', pois dez pessoas pularam de seus variados esconderijos e correram a rodear a perplexa aniversariante, cujos olhos repentinamente brilharam, marejados de lágrimas. Piscando rapidamente, ela olhou ao redor, vendo os rostos sorridentes que a cercavam, sorrindo para cada um. Quando seus olhos pararam em Amy e Grace, ela fingiu estar ultrajada.
"Vocês me enganaram!"
A expressão de Grace era de completa inocência, enquanto Amy respondeu com um sorriso triunfante.
"E nos saímos muitíssimo bem, se posso dizer".
"Saíram mesmo", admitiu Rachel. "Não suspeitei de nada".
Virando-se para os pais, ela os examinou cuidadosamente, tentando determinar qual deles era responsável por este evento inteiramente inesperado, mas profundamente feliz. Conscientes da pergunta implícita, eles responderam sacudindo a cabeça.
"Não foi minha ideia", Leroy disse.
"Muito menos minha", confirmou Hiam.
"Então quem? Qual dos meus amigos organizou tudo?"
"Alguém que não pôde estar aqui", seu pai lhe informou.
Ela instantaneamente entendeu, e foi por pura força de vontade que conseguiu controlar as lágrimas dessa vez. Justamente quando achava que não era possível amá-lo mais do que já o amava, Jesse a encantava com um gesto grandioso que inundava seu coração.
"Jesse..." Ela disse em voz alta.
"Isso. Ele me ligou, delineou o plano e deu a lista de convidados", explicou Leroy.
"Ele queria que esse aniversário fosse extra especial pra você, e achou que começar o fim de semana com todos os seus amigos seria o começo ideal", acrescentou Hiram. "Então vá curtir a sua festa".
Rachel não precisou de mais estímulos. Estava tentando escolher com quem falar primeiro, quando Noah apareceu ao seu lado, efetivamente decidindo por ela. Depois de abraçá-la rapidamente, ele foi direto ao ponto.
"Ei, Berry, quem é aquela gostosinha?"
Seguindo o olhar de Puck, ela deu um gemido interno quando percebeu que a única garota cujo namorado não estava presente na festa fora quem chamara a atenção do mais notório playboy de McKinley.
"Ela tem dono, Noah".
"Não to vendo uma aliança no dedo dela".
"Ela namora o Nate, melhor amigo do Jesse. E você não está com a Lauren? Cadê ela, por falar nisso?"
"Ela não pôde vir. Acho que disse algo sobre um evento beneficente do time de luta livre para o banco de sangue", Puck disse, distraído, sem tirar os olhos de Julia. "E eu to só olhando. Olhar não tira pedaço".
"Não, Noah", Rachel murmurou em advertência.
Ele enfaticamente ignorou-a, cruzando a sala com um gingado planejado que raramente passava despercebido às garotas. Rachel estava a ponto de tentar distraí-lo, mas viu-se impedida por Kurt e Blaine, que estavam à espera de uma oportunidade de lhe falar desde que ela chegara.
"Felicíssimo aniversário!" Kurt disse, claramente de bom humor.
"Parabéns, Rachel", completou Blaine, vindo abraçá-la.
"Fico feliz pela presença dos dois, e adoraria conversar, mas agora preciso impedir o Noah de fazer uma burrice", soltou ela.
O par virou-se na direção de Puck, curiosos para verem a que Rachel se referia. Imediatamente entenderam a situação, que fez ambos resmungaram de reprovação.
"Ele está traindo a Lauren!" Kurt queixou-se, indignado.
"O Noah provavelmente diria que eles não estão num relacionamento sério", retrucou Rachel.
"Mas ele está querendo roubar a namorada de outro cara!" Revoltou-se Blaine. "Não era ela que estava com o amigo do Jesse naquele dia que eles foram te ver nas seletivas?"
"Era. Ela e o Nate estão tentando um relacionamento à distância, mas, de acordo com a reação dela ao Noah, parece que para ela está sendo mais difícil".
"Longe dos olhos, longe do coração", opinou Blaine.
"Mas não se aplica a eles. Eles usam SMS, telefone ou Skype para se falarem diariamente, exatamente como eu e o Jesse fazemos. Mas acho que a Jules está sofrendo para lidar com a distância física". Tirando o telefone do bolso, ela apressou-se a apertar a discagem rápida do número do namorado. "Vou ligar para o Jesse e ver se ele pode falar com o Nate. Talvez um sinal de vida do cara que ela diz estar muito interessada possa cortar pela raiz o que o Noah está tentando começar".
"Ótima ideia", declarou Kurt. "Enquanto isso, creio que eu e o Sr. Puckerman temos que bater um papinho".
Arrastando Blaine atrás de si, um Kurt muito determinado dirigiu-se cheio de propósito a Puck, que agora estava escancaradamente flertando com uma Julia obviamente encantada. Rachel manteve uma cautelosa vigília no quarteto enquanto esperava que Jesse atendesse. Quando temia que fosse cair na caixa de mensagens, ouviu sua voz reconfortante.
"Oi, minha gata. Não estava esperando um telefonema seu agora. Não está ocupada?"
"Se está falando da festa surpresa que meu maravilhoso namorado organizou para mim, então sim, estou nela nesse exato momento, e vou expressar adequadamente minha gratidão depois. Agora, preciso da tua ajuda".
"Fique à vontade. Com o quê?"
"A Jules e o Noah".
"Perdão? Dá pra repetir?"
"O Noah veio solteiro, e está nesse exato momento dando em cima da 'gostosinha', que foi como ele a chamou".
"E ela está...".
"Aparentemente adorando o charme Puckerman".
"Merda".
"Pode falar com o Nate? Achei que se ele telefonasse ou mandasse SMS, poderia esfriar o encanto do Noah tempo suficiente para evitar um desastre".
"Ele está aqui. Vou contar a ele".
"Tá. Valeu. Entro no Skype quando a festa acabar".
"Estarei como no dia que nasci em sua honra", prometeu ele, fazendo com que o desejo borbulhasse dentro dela.
"Outro comentário como esse e vou mandar todo mundo embora cedo", ela ameaçou, rindo.
"Paciência, Rach. Curta a antecipação", encorajou ele em voz baixa.
"Já estou curtindo", admitiu ela, "então é melhor eu desligar antes que esqueça que estou rodeada de amigos e família".
"Faça isso. Tenho mesmo que conversar com o Nate. Falo com você depois. Te amo".
"Também te amo".
Quando guardou o celular no bolso, ela mordeu o lábio, preocupada quando a risada de Julia explodiu no ar. A interferência de Nate não podia vir em melhor momento – embora Rachel não tivesse certeza que o dano ainda não tivesse acontecido. Perdida nos próprios pensamentos, sobressaltou-se ao sentir uma mão em seu ombro. Erguendo os olhos, viu Vince ao seu lado, os olhos castanhos do rapaz refletindo a preocupação claramente visível nos olhos dela.
"Achei que ela tivesse superado a fase de querer um bad boy", ele resmungou, amargo. "O Nate é um grande cara, mas a Jules não é muito paciente".
"Não pode fazer nada?" Rachel perguntou, em tom de súplica.
"Posso desafiar seu amigo grandalhão para uma briga, mas isso arruinaria a sua festa, o que seria péssimo. Além do mais, se a Jules não tem maturidade para perceber a sorte que tem, então talvez seja melhor que o Nate descubra isso o quanto antes".
"Mas eles dois pareciam tão felizes! E os seus pais também gostam dele!"
"Ele é, honestamente, a melhor coisa que já aconteceu a ela. Infelizmente, ela adora ser elogiada, e sinto que aquele carinha ali está enchendo a bola dela. Como é mesmo que ele se chama?"
"Noah. Noah Puckerman".
"Bom, o Noah parece saber dar em cima de uma mulher", Vince comentou secamente.
"Você não sabe da missa a metade", Rachel murmurou em voz baixa.
Jesse mal largara o telefone quando Nate começara a enchê-lo de perguntas.
"Sobre o que você precisa conversar comigo? Não era pra Rachel estar na festa dela? Por que ela ligou?"
"Calma, Steadman. Prepare-se".
"Ai, meu Deus. São más notícias".
"São, sim, e não vou fazer rodeios. O Puckerman está solteiro hoje, e está dando descaradamente em cima da Jules, e aparentemente ela está correspondendo".
"Aquele filho da puta! Eu sei que ele está te ajudando a proteger a Rachel, mas nesse exato momento eu o encheria de porrada e na maior alegria! Os ferimentos do Hudson seriam fichinha perto dos dele!"
"Não o culpo por isso, mas essa reação não é das mais práticas. A Rachel sugeriu que você ligasse pra Jules. Corte o que ele está armando".
Quando Nate não se mexeu para pegar o próprio telefone, Jesse olhou intrigado para o amigo. Este suspirou, levantou-se e começou a andar de um lado para o outro, antes de finalmente encarar Jesse de novo.
"E se eu pisar na bola?"
"Bom, eu diria que é ela que está pisando na bola, Steadman, não você".
"Mas é disso que estou falando. Não estou puto só com ele. Estou louco de raiva dela também, e tenho pavor que eu vá gritar algo para ela na hora de raiva, algo que eu não possa retirar depois. Sempre fui fã dos relacionamentos casuais. Caio fora diante do primeiro sinal de problemas. Não estou acostumado a ficar e ter DRs".
"E quer isso?" Jesse perguntou em voz baixa.
"Quero".
"Então não ligue. Mande um SMS em vez disso. Vai ser mais fácil controlar-se, e terá tempo entre as respostas para pensar no que dizer".
"Você é bom nisso".
"Tenho mais prática. E meu relacionamento com a Rachel não é recente, então tive que bolar soluções viáveis".
"Obrigado. Importa-se se eu fizer isso daqui? Posso precisar dos seus conselhos no meio do caminho".
"Ficarei feliz em ajudar. Vá em frente. Lembre a ela suas qualidades superiores – e que vocês vão se ver em alguns dias. Isso pode ajudar".
Pegando o celular, Nate começou a digitar urgentemente. Depois de várias idas e vindas, decidiu-se por uma mensagem curta de duas palavras, que lhe rendeu uma expressão surpreendida da parte de Jesse.
"Isso é sério, cara. Tem certeza?"
"Já faz um tempinho que eu quero dizer. Acho que apenas precisava do incentivo certo para dizer em voz alta".
"Tem certeza que não é o desespero falando? É sério mesmo?"
"Tenho".
"Então mande bala".
Satisfeito que seu breve SMS tinha o selo de aprovação St. James, Nate apertou enviar, sentou-se e esperou.
Kurt e Blaine tinham se instalado estrategicamente entre Julia e Puck. Apesar dos olhares de irritação que o atleta lhe mandava, Kurt manteve sua posição e começou a tagarelar sobre a enorme mesa de comida que os pais de Rachel estavam arrumando a um lado da sala. Concluindo que o ex-colega de escola não ia ceder, Puck estava a ponto de sugerir à fascinante garota à sua frente que saíssem para respirar ar puro quando a atenção dela foi desviada pelo toque de seu celular. Assim que ela viu o nome na tela, apressou-se para um canto tranquilo sem nem olhar para Puck, que ficou decididamente frustrado diante da inesperada interrupção.
Há poucos metros de distância, Rachel suspirou aliviada quando viu a postura de Julia mudar por inteiro; seu repentino sorriso era tão radiante que Rachel não pôde deixar de perguntar-se o que exatamente Nate dissera para causar uma reação tão intensa. Estava a ponto de ir satisfazer sua curiosidade quando Grace e Vince aproximaram-se, de mãos dadas. Uma pergunta que a corroia veio à tona, e ela deu sua atenção à mais jovem das primas Howell.
"Como foi que chegaram aqui antes de mim? Nós saímos d'A Última Mordida ao mesmo tempo, e você e a Amy iam na direção oposta".
"Seu pai nos deu alguns atalhos e nos mandou pisar fundo", Grace ria. "Até tínhamos um plano B. Se você chegasse primeiro, eles lhe mandariam comprar sorvete. Eles são bem espertos".
"São mesmo", concordou Rachel, com um sorriso afetuoso curvando-lhe os lábios. "Também são, sem dúvida, os melhores pais do mundo".
Amy esgueirou-se pelo corredor do andar de cima, agradecida que o barulho da festa pudesse sufocar qualquer som que ela fizesse. Depois de assegurar-se que Rachel estava total e devidamente distraída por Grace, ela decidira realizar o pedido que Jesse fizera-lhe no começo daquela semana. Abrindo a porta do quarto da amiga, ela sorriu, cúmplice, ao ver a mala de Rachel, aberta e parcialmente arrumada, exatamente como Jesse dissera que estaria. Agora, só precisava achar a peça de roupa que ele lhe descrevera com riqueza de detalhes e escondê-la na mala, de modo que Rachel não a notasse até que chegasse ao hotel. Quando a segunda gaveta que abrira revelara exatamente o que estava procurando, ela deu um gritinho de triunfo. Sua felicidade foi breve, contudo, pois uma voz baixa quebrou o silêncio e a fez gelar até os ossos.
"O que está fazendo aqui?"
