A Cada Outra Meia-Noite

Capítulo 52 - Juventude, Chama e Vergonha

"Eu achei que você estivesse aqui." vem uma voz, maravilhosamente calorosa e baixa.

Ela olha na direção do James, e então se vira sorrindo de volta para as estrelas. Talvez elas não sejam tão inúteis...

Como ele havia esperado, ela está lá. Com cuidado para não deixar a porta bater atrás dele, ele solta a porta lentamente, e caminha na direção dela.

'Bem, você finalmente realizou o seu desejo, velho garoto.' James pensa. Ele finalmente está sozinho com ela, então por que ele está tão inquieto? Talvez seja porque essa é a primeira vez em dias que ele está vendo ela sozinha, tem a oportunidade de conversar com ela sobre tudo que aconteceu, descobrir a verdade. Ele suspeita que ela deixou várias coisas desagradáveis de fora na história dela, e talvez seja o fato que ele vai tomar conhecimento dessas coisas desagradáveis que esteja deixando ele nervoso.

Agora é a chance dele aprender a verdade; e a verdade pode ser algo muito assustador.

Ele ouviu ela gritando na Ala Hospitalar, e não foi capaz de se impedir de lembrar da outra vez. Ele ainda pode ver o rosto da Bellatrix claramente na mente dele, relembrar perfeitamente de como a Lily se contorceu… ainda pode ouvir os gritos dela. Eles soam exatamente iguais. Ele queria passar o resto da vida dele sem ouvir aquele som novamente. Ele nunca queria que ela sofresse aquilo novamente, e o James fica aterrorizado em saber se ela sofreu ou não. Ele quase que não quer perguntar, mas mesmo assim ele não pode não saber.

Não tem nada que ele pudesse ter feito. Ele não pode protegê-la nas minas, ou no sono dela. Aquela desesperança é a pior sensação que ele teve que lidar. Não ser capaz se ajudar, ser inútil quando alguém com quem ele se importa está com dor ou em perigo, é de longe a pior sensação do mundo… não ter outra escolha, senão se sentar e ver uma pessoa amada sofrer.

"Nós todos estamos vivendo em uma época perigosa. Segurança completa não é algo que qualquer pessoa, nem mesmo um Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas pode dar realmente. O melhor que nós podemos dar é conforto..."

Sirius tem razão. Ele deve para de pensar, e somente estar presente para ela, seja qual for o jeito que ela precise dele. Se ela quiser conversar, ele vai ouvir, se ela quiser ficar em silêncio e parada a noite toda, ele vai manter vigília com ela, se ela quiser… galinha, bem, então eles iriam comer galinha.

Ela se senta, e envolve os braços dela em volta dos joelhos. "Que horas são?"

Ele automaticamente olha para o pulso dele, mas se lembra que o relógio dele parou. Por que ele ainda não consertou o relógio, ele não sabe.

"Eu não sei. 11?" ele diz, se sentando atrás dela, de tal forma que eles ficam um de costas para o outro. Automaticamente, eles se inclinam um para o outro.

"E como você está? Como você está de verdade?" ela pergunta. É uma pergunta sincera, e ela quer uma resposta sincera, mas ele não sabe como que ele está se sentindo de verdade.

"Isso depende." ele responde.

"Depende de quê?"

"De como você está."

"Mmm." ela suspira, e inclina a cabeça dela para trás, para apoiar no ombro dele.

Eles não falam nada por um longo tempo, somente ficam sentados, um tocando o outro, em uma empatia perfeita.

Depois de um longo tempo em silêncio, James não consegue suprimir um bocejo levemente barulhento, e a Lily se levanta e se vira para encarar ele, esticando as mãos para ajudar ele a se levantar. "Você está cansado."

Ele segura as mãos dela, e se puxa para cima. As pernas dele doem de ficar sentado nas pedras por tanto tempo. Eles ficam parados ali por um momento, até que a Lily coloque os braços dela lentamente embaixo do casaco dele, envolvendo a cintura dele, escondendo o rosto dela no peito dele. James a abraça apertadamente em resposta, respirando profundamente.

Ela murmura alguma coisa, mas ele não consegue entender o que é.

"Hum?"

Ela balança a cabeça. "Nada."

Ele levanta o queixo dela com um único dedo, o rosto dela se ergue para o dele mais voluntariamente do que havia no passado.

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É como se fosse o primeiro beijo deles novamente, poderoso, mas não é apressado, atencioso, mas levemente reservado. Ela havia visto e sentido a força das mãos grandes dele antes, mas ainda a impressiona sentir o quanto elas podem ser delicadas.

"E eu que estava achando que você estaria chateada comigo." James diz depois de algum tempo. Os braços dele estão envoltos confortavelmente na cintura dela, e os dela estão envolvendo o pescoço dele.

"Por que você estava pensando isso?" ela pergunta, genuinamente confusa. Ela perdeu alguma coisa? Ela deveria estar chateada com ele? Ela não consegue pensar em nada, mas ela não ficaria surpresa caso tivesse esquecido de algo, com tudo que aconteceu recentemente.

"Por não ter voltado para te ver, quando eu disse que eu voltaria." ele explica.

Ela ri levemente. "De todas as coisas idiotas… Você não acha mesmo que eu usaria aquilo contra você, não é? Você tinha coisas mais importantes para fazer."

Ela se inclina para beijá-lo novamente.

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James se afasta e estuda o rosto dela. Sim, ele está feliz que ela não está chateada, e ela sabe que ele não fez aquilo de propósito. É maravilhoso estar finalmente com uma mulher compreensiva, mas…

A mãe dele também era uma mulher compreensiva, e só porque ela compreendia não a impedia de se sentir machucada quando o marido dela sacrificava o tempo que poderia passar com ela e o filho dela, pelo trabalho dele.

James não quer ser que nem o pai dele. Ele não quer que a Lily pense que o trabalho é mais importante para ele do que ela própria.

"Você sabe que você é importante para mim, não é? Eu não… Eu queira voltar, mas…"

Lily o silencia com um dedo. "Eu sei. Mas você foi mais útil trabalhando do que seria caso tivesse me feito companhia. Algumas coisas são mais urgentes do que outras, e quando algo urgente aparece, você tem que ir. Eu ainda vou te amar quando você voltar."

James sorri. Ela disse novamente. Na primeira vez, ela disse tão baixinho que ele achou que tivesse imaginado, mas dessa vez não tem erro. Ela definitivamente disse.

Ele a beija brevemente. "Repete."

As sobrancelhas dela arqueiam em confusão. "Repetir o quê?"

"Repetir que você me ama."

Ela rola os olhos, e chega para trás, segurando as mãos dele enquanto ela o conduz pela porta. "Você já comeu?" ela pergunta, tentando mudar de assunto. James não vai aceitar isso.

"Vamos, diga."

"Você sabe que é verdade."

"Então diga." ele diz, com o sorriso ficando cada vez maior, enquanto ele se deixa ser conduzido.

"Você, senhor, é um bobo." ela afirma.

Ele sorri e balança os ombros. "Eu acho que vou ter que me contentar com isso."

"Nós vamos ter que ir para o seu quarto. Sirius está no meu."

"Eu já sabia disso, para falar a verdade."

"Hein?"

"Na verdade é um pouco embaraçoso. Eu entrei, vi uma pessoa debaixo das cobertas, e então deitei na cama pensando… bem… pensando em coisas que uma pessoa geralmente pensa quando vai deitar na cama com uma mulher."

"E o que exatamente seria isso?" ela pergunta, com uma sobrancelha levantada, em uma pergunta audaciosa.

"Coisas que eu certamente não teria pensado caso eu soubesse que era o Sirius na sua cama, e não você."

"Caramba." Lily diz, incapaz de esconder o sorriso que contem tanto alegria, quanto maldade.

"Foi muito vergonhoso quando eu percebi a natureza do meu erro."

"Quanto vergonhoso?" ela pergunta. James tem a impressão que ela está se divertindo muito com isso.

"Muito. Vergonhoso. Nós juramos nunca mais falar sobre o que aconteceu."

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Ela não consegue mais segurar, e cai na gargalhada. Na verdade, ela ri tão forte que tem que limpar as lágrimas que, pela primeira vez em muito tempo, não tem nada a ver com tristeza.

"Ah, muito obrigada por isso." ela diz, quando recupera o fôlego.

Ela se sente mal por estar rindo tanto quando os McKinnon acabaram de ser assassinados, mas se eles não agarrarem os pequenos pedaços de felicidade quando e onde eles puderem, então não tem esperança nenhuma para eles.

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Ela chega para trás o suficiente para dizer para ele "Não tira." James fica confuso a princípio, e nenhum pouco inclinado a aceitar a sugestão dela, mas é claro que ele não está pensando apropriadamente. Quando ele decide que a idéia dela não é boa, e que a blusa dela deveria, é claro, que ser retirada, ele refaz a tentativa, colocando as mãos por baixo do tecido em questão. Ele se afasta repentinamente e culpado, quando ele a ouve chorar de dor. Ele as retira imediatamente. As malditas mãos ávidas dele tinham encontrado o caminho delas não somente por baixo da camisa dela, mas também por baixo das ataduras que ele havia esquecido que estavam lá. Agora elas precisam ser refeitas.

"Me desculpa." ele sussurra, se removendo completamente de cima dela. Ele tenta consertar o erro dele, mas ela empurra a mão dele para longe.

"Não." ela diz, puxando a camisa para baixo rapidamente, para que ele não possa ver. "Não é… agradável."

"Eu já vi." James diz, embora a visão tenha feito com que ele virasse para longe, nauseado.

"Oh." ela diz triste. "Eu esperava que você não tivesse visto."

"Por quê?"

"Porque," ela diz, saindo da cama e indo na direção do banheiro. "Não é agradável. O que você já sabe, eu acho." James assume que ela esteja refazendo a atadura sozinha, na privacidade do banheiro. Ele está grato que ela fez isso. Ele nunca vai dizer isso para ela, é claro, porque isso só vai deixá-la mais insegura ainda. Existem algumas coisas que as mulheres não precisam ouvir, e "Isso é absolutamente nojento." está bem alto na lista das coisas que jamais se deve dizer para uma mulher, quando se está referindo dela própria.

Na verdade, não é tão ruim, quando comparado com alguns dos machucados que ele já viu, ou sofreu. Foi o choque de tudo, e o fato que ele viu quando tinha acabado de ser arrancado novamente. Ele tem certeza que ele já viu o machucado dela no pior estado possível, mas mesmo assim ele não tem pressa em vê-lo novamente. Ele ainda tem curiosidade, como todos os homens são bem no fundo, que nunca conseguem se livrar daquele garotinho nojento dentro dele que não consegue se impedir de querer ver coisas nojentas. Mas a vontade daquele garotinho é superada pelo medo covarde do homem, e a culpa de ver a evidência de como que ele falhou com ela. Lily removeu as cicatrizes dele, então ele também faria, caso ele soubesse como. Mas se nem mesmo a Madame Pomfrey conseguiu, como que ele conseguiria?

Ela retorna um minuto depois, com os pés descalços batendo levemente no chão. Ela deita na cama, de lado.

"Isso dói?"

"Não, não desse jeito." Ela explica como que a Madame Pomfrey enfeitiçou as ataduras. Não dói enquanto elas estiverem colocadas. Ou melhor, colocadas corretamente.

"Desculpa." ele se desculpa novamente. Ela sorri para ele e balança a cabeça, como se dissesse, 'não se preocupe.' "Você está bem?" Ela acena que sim, como resposta.

James não sabe se esse pequeno interlúdio foi simplesmente um 'recesso' das atividades amorosas deles, ou se o jogo foi cancelado completamente. Ele espera que não seja a última opção.

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Com uma pontuação final de Evans - 2, Potter - 1, James é um perdedor generoso. Na verdade, ele tem orgulho de tê-la deixado (feito) ganhar. Afinal, é a coisa cavalheira de se fazer.

Ele sorri. Se ele conseguisse o que quer, ele vai admitir derrota alegremente todas as vezes, e quanto maior a pontuação dela, melhor.

Embaixo das cobertas e apreciando o prazer de uma perda satisfatória, James começa a imaginar se deve comentar ou não. Faz algum tempo que eles falaram qualquer coisa, e se ele não falar qualquer coisa logo, ela pode cair no sono e a oportunidade vai ser perdida. Ele vai aproveitar a proximidade do momento, esperando que ela se sinta segura o suficiente para falar.

"Eu estava querendo te perguntar uma coisa..." ele começa.

"Humm?"

Ele joga as cobertas encima dela, para que ela fique coberta completamente, completamente escondida da visão dele, sabendo que ela vai precisar disso.

"O que realmente aconteceu? Nas minas."

Ele sente ela se mover desconfortavelmente embaixo do cobertor, mas ele a abraça fortemente.

"Aconteceu do jeito que eu te contei." ela diz, evasivamente.

"Então o que é que você não está contando? Não pense que eu não sei."

"Não é importante. Não afeta nada."

"Afeta você, claramente."

"Mas isso não importa."

"Lily, você se lembra daquela noite que você me fez uma promessa? Eu falei sério naquela hora e especialmente agora. Eu não quero que você esconda nada de mim."

Lily suspira derrotada, e James a sente chegar ligeiramente mais para trás, colocando um pouco de distância entre eles.

"Eu gostei daquilo." ela suspira culpada.

"Gostou do quê?"

"Quer dizer, eu não gostei daquilo. Eu me arrependo, gostaria que nunca tivesse acontecido, mas a sensação foi tão..." ela suspira. "Eu estou tão envergonhada."

"Com o quê?" James pergunta, tentando ser paciente, mas a voz dele se aumenta acidentalmente, no desejo dele que ela simplesmente explique o que diabos ela está falando.

"A pedra, James. A pedra." Fica um silêncio por um instante, enquanto ela deixa a informação ficar clara. "Alguém foi assassinado. Eu estava roubando a vida dele, e gostando, por mais que eu não quisesse. É claro que eu jamais quero fazer isso novamente, e mesmo na hora eu resisti contra aquilo, mas… a sensação foi tão..." Ela tenta pensar em como descrever, mas só consegue chegar em uma palavra. "Linda."

"A vida é uma coisa linda." James justifica, ou tenta pelo menos. A idéia é estonteante, e simplesmente tentar imaginar como seria absorver uma vida o confunde e o intriga. Ele imagina que a sensação seria como um calor palpitante no peito, que preencheria todo o corpo e a mente com… bem, com vida. Deve ser uma coisa maravilhosa. Como que a vida não pode ser?

"Mas alguém morreu por aquela sensação! De tudo que aconteceu, isso é o que eu mais me arrependo. Eu me sinto tão culpada."

"Você sabe que você não foi a culpada."

"Eu sei, mas é tão injusto, interferir com a vida daquele jeito. Roubar a vida daquele jeito. É desprezível, e eu sou a ladra relutante desprezível"

James também se sente levemente envergonhado. Envergonhado porque bem no fundo ele está feliz que a vida dela foi estendida, mesmo que por pouco. Foi feito pelas artes das trevas, mas quanto mais tempo a Lily estiver no mundo, o melhor vai ser.

"É claro que você não é desprezível." ele diz. "E eu tenho certeza que o Tom preferiria que a vida dele fosse para você, do que para o assassino dele."

"Mesmo que isso seja verdade, não faz com que isso seja correto."

"É claro que não. Nada sobre isso é correto. É errado o que aconteceu com o Tom, e o que aconteceu com você. Coisas ruins podem acontecer com você." James rapidamente levanta o cobertor sobre a cabeça dele, e se une a ela embaixo dele; os rostos deles estão tão próximos, que eles estão quase que se tocando. "Mas isso não faz com que você seja uma pessoa ruim."

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Lily não consegue deixar de pensar no Remus, e em como ela disse quase que a mesma coisa para ele, somente a duas semanas atrás. Ela sabe que o James está certo, assim como ela estava quando falou com o Remus. Sim, o argumento é lógico, ela sabe disso na mente dela, mas isso não muda como que ela se sente. Ela duvida que as palavras dela mudaram os sentimentos do Remus também. A culpa não é governada pelas regras lógicas.

Nada é tão ilógico como a lógica; usar regras arbitrárias para tentar racionalizar coisas irracionais; fazer sentido em coisas que não tem nenhum sentido.

Mas mesmo assim, a proximidade dele a reassegura. O calor dele a conforta. A voz dele a acalma.

"Sabe de uma coisa?" ela pergunta, enquanto se aconchega nele.

"O quê?"

"Eu sei que eu não sou muito boa para dizer isso, especialmente quando você quer que eu diga, mas sim. Eu te amo. Mais do que eu consiga colocar em palavras."

Está muito escuro para que ela consiga enxergar, mas ela não precisa de olhos para sentir o sorriso dele.

James beija o ombro dela. "Eu sei." Ela percebe que dessa vez ele foi cuidadoso para evitar o anel em volta da cintura dela, enquanto ele a puxa para ela.

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Na manhã seguinte, Sirius acorda cedo em um lugar estranho. Ele caminha até o banheiro da Lily e não consegue impedir de para em frente ao espelho para se inspecionar.

Nada mal, considerando tudo. Ele ainda não está aos pés do seu padrão glorioso, mas pelo menos ele não está sentindo dor. Um fato que ele está bem disposto a apreciar. O cabelo despenteado e o começo arranhado de uma barba (já que ele não se barbeia fazem 2 ou 3 dias) lhe dão uma aparência bagunçada, impressionante. Pela primeira vez na vida dele ele está com uma aparência áspera bonita. Mas ele não quer fazer disso um hábito. 'Áspero' não é uma imagem que ele queira transmitir.

Ele passa a mão pelo cabelo, para colocá-lo em ordem novamente, e joga um pouco de água no rosto, para revigorar a pele dele. Ele fecha os olhos e suspira, quando ele percebe que não é a pele dele que precisa ser revigorada, e sim a expressão no rosto dele.

Colocando o seu sorriso vencedor seguramente no lugar, ele abre os olhos mais uma vez. Agora sim, lá está o Sirius Black que todos conhecem e amam.

Ele bufa para o homem no espelho.

"Jogador."

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Ele está retirando algumas poucas imperfeições imaginárias da capa dele, enquanto sai pelo retrato, e ouve duas vozes familiares ficarem mais distantes. Lily e James estão na frente dele, com certeza indo tomar café da manhã. Sirius não os cumprimenta, e sim segue atrás, a uma certa distância.

"E isso tudo depende somente do Moody, e aonde quer que ele queira ou precise te colocar na hora. Provavelmente você vai ficar na minha seção; nós estamos sempre precisando de bons dueladores, já que nós que somos chamados para efetuar as prisões."

"Mas daqui a dois anos e meio as coisas podem ter mudado."

"Provavelmente terão sim, mas você não vai ter que esperar dois anos e meio. O Moody vai te colocar em um treinamento acelerado de cinco meses. Pelo o que eu ouvi, é bem intenso."

"Bom."

"Começa em Julho, e em Novembro você já está trabalhando, que é quando o treinamento para os normais começa."

"Eu achei que começassem em Setembro."

"Os primeiros dois meses são somente aulas para eles."

"Ok. Bem, isso é uma ótima notícia, então por que você só está me dizendo isso agora?"

"Eu só ouvi isso ontem a noite. Alastor me contou, depois de… tudo."

Os dois viram na direção do Salão Principal, então Sirius vai para a cozinha. Enquanto ele toma o chá, ele tenta não ficar com ciúmes.

No final, somente James se tornou auror, e ele relutantemente admitiu que somente o James merecia ser um. Sirius queria por causa da aventura, da adrenalina, e secretamente porque era o que o James queria fazer. Sirius não vai admitir isso, óbvio, mas na época quando eles tiveram que escolher qual carreira eles iriam seguir, ele não tinha nenhuma aspiração própria particular, e simplesmente seguiu o que o amigo dele queria. Remus queria ser um auror para retribuir a dívida que ele imaginava dever à sociedade. Entretanto, James tinha uma vocação, assim como a Lily.

Sirius não tem uma vocação, mas ele sabe que ele preferiria estar fazendo aquilo do que o que ele está fazendo agora. As coisas são diferentes agora, mas ainda assim nada mudou. Ele realmente gostaria de poder ser um auror, mas isso não muda o fato que eles ainda não o aceitam. Isso quer dizer que ele vai ficar editando reportagens sobre poções para cabelos, e escrevendo baboseiras como "15 Maneiras de Enfeitiçar o Bruxo dos seus Sonhos?" pelo resto da vida dele?

Não. Ele tem a Ordem. Só porque ele não vai ser um Auror, como Lily e James, não quer dizer que ele não esteja fazendo algo útil. A Ordem é útil. Além do que, as mulheres precisam saber como tratar do cabelo delas. E Sirius Black é um verdadeiro guru de cuidados capilares.

Suspirando, ele engole o último pedaço de salsicha e sai. Os elfos domésticos falam alguma coisa, mas ele não ouve. O que eles podem possivelmente dizer, que vale a pena ser ouvido?

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Remus acorda sozinho na casa. Ela deve ser uma mulher extraordinária, se o Sirius ficou a noite toda. Mesmo assim, depois da batalha de ontem de tarde, Remus achou que o Sirius voltaria para discutir.

Ele se descobre e rola para fora do sofá. Ele ignora o estômago dele, que está roncando. Ele não vai comer se o Sirius não está aqui para comer também. Não é justo somente pegar a comida dele. Mas mesmo assim, ele não quer ir a uma entrevista de emprego de estômago vazio. E se roncar no meio da entrevista, e acharem que fosse ele que estivesse fazendo o barulho, e não o estômago dele? Eles o chamariam de monstro, e o fariam sair imediatamente. Ou isso, ou eles mesmo sairiam, fugindo do terror do lobisomem.

Essas coisas tristes são o tipo de pensamento que passam constantemente pela mente do jovem Remus Lupin. Eles nunca param.

Depois de um banho e de se barbear muito bem (ele não quer parecer nenhum pouco 'cabeludo'), ele vai para a cozinha e pega um pedaço de pão, e enfia na sua boca, se sentindo culpado. Tomara que isso dure a entrevista toda. Pelo menos ele vai jantar bem hoje a noite, ele se lembra desse fato. A Ordem vai se encontrar, e isso vai dar a oportunidade para ele tirar vantagem dos elfos domésticos e da comida magnífica deles.

Ele se observa no enorme espelho do Sirius, que está pendurado no corredor da frente. A capa dele (que na verdade é o velho uniforme de Hogwarts dele, que somente teve o brasão da escola removido) é muito grande para ele. Ela fica muito abaixo do ombro dele, e aumenta muito na região da cintura, mais do que a moda de hoje em dia. Não foi a licantropia dele que o fez perder peso. Foi o desemprego.

"E em pensar," diz o lobisomem ressentido para o reflexo dele. "que isso é o melhor possível."

Ele balança a cabeça e sai.

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O prédio é velho, de madeira, e necessita ser pintado desesperadamente. 'Estranho,' pensa Remus, 'um fazedor de velas ter um local tão inflamável.' Quando ele entra, ele percebe que a decoração do interior combina com a do exterior. Móveis velhos, empoeirados e dilapidados estão espalhados de uma forma esparsa pelo aposento. Ele se sente estranhamente em casa.

Ele pigarreia. "Hmmm… Sr. Bright?" Não tem nenhuma resposta. "Sr. Bright?" Ele chama mais alto ainda.

Os ouvidos deles se mexem (ou teriam se mexido, caso ele estivesse em sua forma de lobo), quando a audição dele 'mais acurada do que o normal' detecta um som distante; passos lentos, suaves e irregulares no piso de madeira ruidoso. Eles estão se aproximando. Óbvio que são os passos que se aproximam, não o piso.

Sr. Reginald Bright é o velho dono do velho negócio de família 'Velas Brilhantes', que foi criado em 1403. Velas são coisas que o mundo bruxo de hoje em dia tem como natural. Somente quando Remus ficou interessado em trabalhar aqui, que ele começou a pensar sobre esse assunto. Bright é o maior fornecedor de velas de cera (se é que existe de outro tipo) da população bruxa da Inglaterra. Somente Hogwarts pode manter o Bright trabalhando com um pedido de milhares de velas por ano, mas com todos os outros estabelecimentos bruxos que compram velas seja para iluminação, ou para revenda, Velas Brilhantes é um negócio muito lucrativo, embora não se possa dizer pelo estado do prédio.

Uma luz suave brilha do corredor, e Remus sabe que seu possível futuro chefe está se aproximando. O homem aparece, e Remus não consegue deixar de sorrir um pouco. Reginald Bright é um homem muito idoso, que sem dúvida já passou da grande marca dos 150. O rosto do homem aparenta ser tão modelável quanto as velas que ele vende.

"Sr. Bright." diz Remus, estendendo a mão. Embora fosse rude não ter estendido, ele preferia não que não tivesse. A mão do homem tem uma aparência tão frágil que Remus tem medo de apertar e esmagar os ossos delicados. "Eu sou Remus Lupin."

"Sim, sim, Lupin." A voz dele é tão suave, lenta e trêmula quanto os passos dele. "Fico feliz que alguém finalmente respondeu o anúncio..."

Remus só pode ficar grato que tão poucas pessoas leiam o Profeta Diário hoje em dia, ou que, aqueles que ainda lêem, nunca passam das histórias pavorosas para verem os anúncios de procura-se na seção de Empregos.

Bright mostra o local para o Remus, e explica o que ele vai ter que fazer. Para a alegria do Remus isso não parece ser uma entrevista, e sim uma sessão de treinamento. Ele deve ousar ter esperanças de ter conseguido o emprego? (Imaginando que ele não tenha nada contra monstros assassinos cabeludos, é claro...)

O salão principal, onde maior parte do trabalho é feita, fica no subterrâneo. Está incrivelmente escuro, mas pelo o que o Remus pode ver, a câmera é gigantesca. Ele imagina porque colocá-la embaixo da terra, quando você teria que gastar a sua própria mercadoria para ver o que está fazendo, mas fica surpreso e impressionado com o que o homem faz em seguida.

Com a ponta da varinha acesa, ele a coloca em um castiçal, de tal forma que a luz que brilha por ela fique apontada diretamente ao espelho no teto, que está apontado para outro, que por sua vez aponta para outro. Na verdade, a parede está completamente coberta de espelhos, e o aposento se acende instantaneamente.

Agora que ele pode enxergar, o lugar não é tão grande o quanto ele havia pensado anteriormente, talvez seja do tamanho de uma sala de aula de Hogwarts. Os reflexos haviam dado uma profundidade maior do que realmente existia.

É um trabalho bem simples. Nada acima de Transfiguração e Feitiços do quarto ano. Transfigure a cera, derreta, fixe, adicione o pavio, deixe resfriar. Precisa somente de um bruxo para fazer todo o processo, que Reginald demonstra usando a própria varinha dele, que ele retira da capa dele. Remus fica sabendo mais tarde que a que ele utilizou para acender os espelhos pertenceu a sua falecida esposa.

"Isso, eu acho, é tudo." diz Reginald no final da explicação dele. "Para atingir o objetivo diário, leva geralmente 7 a 9 horas, dependendo da umidade e do tempo necessário para secar. Se você quiser vir de 9h as 17h, 12h as 20h, ou de meia noite até de manhã, eu não me importo, contanto que o trabalho seja feito."

"Senhor," Remus interrompe. "Antes que você me contrate, você deveria saber que eu… eu sou um lobisomem..." Tem uma pausa breve, e ele adiciona outro "senhor." para concluir a frase mais favoravelmente. Ele não quer deixar uma palavra tão depreciativa persistir indefinidamente no silêncio.

"Então você não vai trabalhar nas luas cheias? Você vai ter que fazer horas extras no restante do mês. Não podemos ficar para trás, temos muitos pedidos para atender, você entende." diz o homem, balançando a cabeça destraidamente, perambulando. Remus pisca. E então ele pisca mais algumas vezes. Ele achou que estivesse pretendendo muito, esperando por entendimento, ele nem mesmo se permitiu sonhar em algo tão maravilhoso como apatia.

"Sim, senhor." ele responde, despertando e finalmente seguindo. "Obrigado."

Ele oferece um quarto para o Remus que fica no andar de baixo, caso ele queira. Não é muito, mas também não custa nada. Ambos satisfazem o Remus perfeitamente.

"Aonde você mora, Sr. Bright?"

"Eu tenho uma casa na cidade, mas aparatar na minha idade..." ele faz um barulho com a língua dele, enquanto balança a cabeça. "A compressão é muito apertada. Nauseante. Coloca uma dor nos meus ossos. Eu fico aqui. Não saio muito. O meu neto me visita, e me traz o pouco que eu preciso. Henry vai tomar conta dos negócios quando eu finalmente me extinguir."

'Analogia apta.' Remus não consegue deixar de pensar. O nome não lhe é estranho, mas ele não consegue se lembrar aonde ou como ele conhece. Henry Bright. Bem, quem quer que ele seja, ele é um homem muito sortudo em herdar isso tudo.

Eles não assinam nenhum contrato, e o salário também não é mencionado. Remus não se importa. Pedintes não podem ser seletivos. Ele tem um quarto, um emprego, e um salário (tão baixo quanto possa ser). Enquanto que ele tenha o suficiente para se alimentar, ele está feliz. Ele tem a sua independência… por agora, pelo menos. Na verdade, não é bem a independência que ele almeja. Ele almeja finalmente libertar os amigos dele da dependência dele neles. Ele não vai ser mais o fardo de ninguém.

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Para aqueles que não tinham o conhecimento até a hora da reunião da Ordem, ver o restante em cores de luto com certeza foi uma dica infeliz do que vai ser anunciado.

Existiram reuniões da Ordem melhores. Mais produtivas.

Fica tristemente confirmado que a maior parte dos membros não puderam participar do enterro da Marlene e da família dela, porque qual desculpa que eles teriam para tal? Somente quatro ou cinco, incluindo Dumbledore conheciam a Marlene fora da Ordem, e portanto, somente esses puderam participar.

Eles têm uma pequena cerimônia para a memória dela no escritório do Dumbledore, cada um acendendo uma vela que eles vão manter acesa durante toda a noite. Embora cada um vá para lugares diferentes, todos vão participara nessa estranha versão mágica de um velório secreto.

Lily e os quatro marotos vão para a sala comunal dela depois que a reunião chega ao fim, somente para verem a Lily se retirar no momento que o retrato se abre.

"Eu volto já." ela diz e vai embora.

"Aonde ela está indo?" Remus pergunta.

"Ala Hospitalar." James responde facilmente. Eles haviam discutido mais cedo sobre o tratamento que a Madame Pomfrey quer fazer, já que os métodos usuais falharam.

"Mas ela está bem, não está?" Peter pergunta.

"Sim, sim." James assegura enquanto se joga casualmente em uma cadeira. A vela dele está flutuando ao lado dele, cintilando no canto da vista dele, o lembrando para não ficar tão casual e tranqüilo.

O fato que ele tem que ser lembrado o torna uma pessoa ruim? Ele acabou de voltar do memorial dela, e mesmo assim ele não consegue ficar triste como deveria. Eles estão sentados juntos, como sentaram milhares de vezes antes. Como que ele deve ficar infeliz, quando ele tem os amigos dele em volta dele?

"Desculpa, Almofadinhas." Peter diz, com uma aparência solene.

"O quê? O que foi?" Sirius pergunta, mas o que é exatamente, logo fica aparente. O rosto do Peter se contorce, enquanto ele luta para manter a expressão solene e sincera. As sobrancelhas do Sirius se unem em confusão, e então ele fecha os olhos forte, em alarme.

"AHH, Rabicho!" Sirius diz, chegando para trás e afanando o cheiro desagradável para longe do nariz dele. "Eu já vi pus de tubérculo estragado que não cheirava tão ruim. Vai para perto da janela!" ele ordena, cobrindo o nariz com uma mão e apontando mandatoriamente com a outra. Peter sorri enquanto caminha para longe do seu amigo sofredor, e Sirius olha para James e Remus desesperadamente.

"Ele parece uma bomba de bosta humana."

"Eu consigo sentir o cheiro daqui." Remus reclama. "Eu aguento o pêlo e as presas, e me tornar em um monstro, tudo bem. Mas a pior parte em ser um lobisomem é o olfato aguçado. É uma tortura com vocês por perto."

Isso faz com que os outros três caiam na gargalhada. Sirius então uiva, imitando um lobisomem que ronda ameaçadoramente os 'moradores'. Remus e James, agindo como os personagens deles, correm dramaticamente para as montanhas (que nesse caso é o outro lado do sofá). O lobisomem continua a morder e rosnar, até chegar perto do Peter, e então dá uma cheirada, e cai no chão imediatamente.

James joga a cabeça para trás, enquanto ri sem parar. Parece que eles estão de volta a escola.

"Espera, eu estou sentindo o cheiro de alguma coisa."

"Nós sabemos, nós sabemos." Peter diz.

"Não, não é uma piada. Eu realmente estou sentindo o cheiro de alguma coisa."

"Eu juro por Merlin, Rabicho, que se você peidou de novo, eu vou..."

"Não é o Rabicho." Remus intervém. "Tem cheiro de… cabelo queimado."

Completamente tranqüilo, James pára de rir enquanto a sua cabeça se levanta novamente. Ele apalpa a cabeça dele e retira as pequenas faíscas que permanecem em um único cacho. Ele esqueceu aquela vela mais uma vez. As três velas dos amigos dele estão flutuando ao lado da porta, escorrendo cera no tapete da Lily. Ele vai limpar isso mais tarde.

O cabelo dele ficar em chamas faz com que os amigos dele caiam em novas gargalhadas, mas dessa vez James não se une a eles.

Quantos anos a Marlene tinha? Somente 26? 27? Mesmo assim, muito jovem. Ele olha para os amigos dele. O quanto eles ainda são jovens. Olha como eles riem do mesmo jeito de quando eram garotos em Hogwarts. Eles realmente amadureceram desde então? Ele não tem tanta certeza agora. Eles se formaram, e entraram no 'mundo real'. James achava que tinha se tornado um adulto repentinamente, no momento que ele entrou no treinamento de auror. Depois de todas as coisas que ele viu e fez nessa profissão difícil, ele pensava em si mesmo como mais velho, mais sábio, mais maduro. E ele é, comparando com o estúpido que ele era quando estava na escola, mas…

Ele é atingido subitamente pela realização que ele é jovem demais para todas as coisas sérias que estão acontecendo. Todos eles são. Somente 23, 24, nem um quinto de vida vivido. Por que as pessoas como o Dumbledore estão deixando coisas tão importantes para pessoas tão, bem… pretensiosos como eles? Isso é exatamente o que eles são, ele pode ver isso agora; eles são a verdadeira definição de pretensiosos; jovens não importantes, mas ofensivamente presunçosos.

Esquecendo de dizer adeus para os amigos dele, ou até mesmo de dizer que ele estava indo embora, ele sai… ele sai para fazer essa mesma pergunta para o diretor.

"Como que você pode confiar algo tão importante para pessoas tão jovens? O futuro! A segurança do mundo está em risco, e você coloca nas mãos de pessoas que ainda acham flatulência engraçado! Com certeza isso é um sinal de aviso! Como que nós podemos estar prontos, se nós… Eu quero dizer… Eu ainda coleciono cartões de Sapos de Chocolate!"

"James, sente-se." o diretor se dirige ao garoto aflito na frente dele. James faz o que lhe foi ordenado e se senta, respirando profundamente para compensar por toda a gritaria que ele não percebeu que estava fazendo. "Primeiro, o futuro sempre está nas mãos das crianças. Segundo, as crianças são tão capazes quanto os adultos em fazer coisas grandiosas, e mostrar coragem extraordinária, assim como os adultos são tão capazes como as crianças, em relação a errar e aprender com os próprios erros. Terceiro, você é um bruxo inteligente e capaz, e eu confio em você para fazer as decisões corretas quando a situação aparecer, e quarto..." ele pausa para respirar. "Todo mundo acha flatulência divertido. Você só não é permitido admitir isso depois dos 30."

"Sério?" James pergunta, sem ter certeza se ele está se relacionando ao limite de idade dos 30, ou a todas as outras coisas. Mesmo assim, ele está mais aliviado.

"James, o que é que você tem realmente medo?"

"Eu… não sei." James diz, dando voz a realização quando ela o atinge. "Eu vou pensar sobre isso, eu acho." ele diz envergonhadamente. "Desculpa pela… interrupção."

'Interrupção' soa muito melhor do que o tão verdadeiro 'pequeno colapso mental no seu escritório'.

Dumbledore sorri e indica o James para fora do aposento. Enquanto ele caminha de volta para o quarto da Lily, ele imagina do quê exatamente ele tem medo. Bem, ele tem medo de muitas coisas, para começar, perder a Lily e os amigos dele. Mas ele acha que está começando a entender porque ele reagiu daquela forma. Ele se sentiu culpado por estar rindo, e isso o assustou. Será que ele não vai mais poder rir? Eles podem rir? Se divertir? Serem felizes em uma época tão sombria, onde todo mundo está assustado e miserável? Será que os poderosos Marotos vão se desintegrar?

Ele se sente como se o som da menor risada fosse desrespeitoso a Marlene, e a todos os outros que já faleceram. Se ele rir, isso quer dizer que ele não está levando as coisas a sério?

Dois lados do James Potter estão em um conflito rígido. Ele é um Auror, ele quer lutar contra a injustiça. Mas ele também é um Maroto; ele quer vida, risada, e se divertir.

Isso faz ele ser um adulto irresponsável, ou uma criança? Ou simplesmente o faz ser humano…

XXXXXXXX

"Bem, pelo menos a coloração está melhor," Madame Pomfrey comenta enquanto inspeciona a cintura da Lily, embora Lily possa dizer que a curandeira está alcançando, tentando encontrar algo positivo para dizer. "Talvez você deveria..."

"Deveria o quê?" ela pergunta, ansiosa para ouvir qualquer sugestão que a Pomfrey possa ter. Ela vai tentar qualquer coisa para se livrar daquelas queimaduras horríveis.

"Não. Não vai melhorar nada."

"Mas pode." Lily diz esperançosa. "Eu tento qualquer coisa."

"Então talvez você devesse evitar certas… situações."

Lily não sabia o que a Madame Pomfrey ia dizer, mas ela tem bastante certeza que não era 'situações'.

"Eu trabalho arduamente em Defesa Contra as Artes das Trevas, mas quando a parte da defesa termina, a cura começa." Que verdade, Lily pensa. Isso deveria ser parte do currículo de Defesa Contra as Artes das Trevas, não o resultado da matéria.

"Eu quis dizer..."

"Eu sei o que você quis dizer." Lily diz, cortando a curandeira. "Mas falando sobre algo ligeiramente diferente, você se lembra da nossa conversa no mês passado, sobre incluir aulas de cura no currículo?"

"Eu acho que é tão improvável agora, quanto era..."

"E se fosse parte de outra matéria?" Lily interrompe.

"Você quis dizer..."

"Sim." ela a corta mais uma vez. Não permitir que a curandeira fale, aparentemente é um mau hábito que a Lily adquiriu. "Eu ainda não elaborei tudo exatamente, mas você estaria disposta a participar?"

Madame Pomfrey fica com uma expressão cuidadosa. Lily sabe que ela não está indisposta, somente incerta.

"Não é o seu dever mudar o currículo da escola."

"Bom, como você sempre reclama, eu geralmente me meto aonde eu não deveria. Mas nesse caso, eu estou dentro dos meus deveres. Como monitora chefe, eu posso fazer sugestões. Na verdade, qualquer aluno ou professor pode fazer sugestões. Eu posso perguntar aos Professores Dumbledore e Potter, mas se você não estiver disposta, então não tem o porquê."

"Se o diretor e Potter aceitarem, então eu aceito."

Lily sorri com uma determinação séria, enquanto coloca a camisa dela de volta. Não tem como parar a maldição da morte, a Marlene teve poucas esperanças; mas se eles soubessem como curar, pelo menos os colegas de classe dela estariam mais preparados para ajudar a si mesmo, assim como aqueles que eles amam, depois de saírem de Hogwarts.

Ela sai da Ala Hospitalar com um passo decidido. Ela tem toda a intenção de falar com o Dumbledore nesse momento, mas quando ela pára para deixar a vela dela alcançá-la, ela muda de idéia.

Lentamente, ela se vira e caminha de volta, na direção do quarto dela, em um passo distintamente mais lento. Na verdade, isso é uma grande mentira, já que ela para de andar completamente, e se senta em um dos degraus, no meio da escada que leva do quarto para o quinto andar.

Ela decide que isso pode esperar até domingo. O enterro vai ser hoje a tarde. Ela não vai atribular Dumbledore com qualquer coisa até depois disso. Ela imagina que horas são agora. Deve passar da meia-noite. O pensamento a faz sentir saudades do Mercúrio.

"Que bom te encontrar aqui."

"Oh, James, você me assustou."

"Você deveria ter me ouvido."

"Não estava ouvindo."

"Obviamente. O que esse degrau tem de tão intrigante que te fez sentar nele? Estava esperando por mim?"

"Esperando por você? Eu nem mesmo sabia que você tinha ido a algum lugar."

"Dumbledore." ele diz, apontando na direção do escritório do velho bruxo.

"Por quê?"

James balança a cabeça. "Nada. Nenhum motivo mesmo."

"Eu mesma estava indo para lá, para falar a verdade."

"Algo te desviou foi? A escada é interessante demais para ser rejeitada?"

"Decidi que o meu assunto pode esperar até mais tarde."

"E então você decidiu esperar aqui até mais tarde chegar, não é?"

Lily balança os ombros. "Eu nem mesmo percebi que eu tinha feito isso."

"Bom, vamos encontrar algum lugar um pouco mais cômodo para descansar os nossos traseiros, ok?" ele pergunta, oferecendo a mão para ela. Ela aceita, e ele a puxa para cima. Ela sorri para si mesma, quase que envergonhadamente. Ela não consegue deixar de perceber o quanto ele é lindo. Ainda é. Ela sabia disso antes, é claro, mas algumas vezes ela esquece de olhar para ele do jeito normal. 'O amor não olha com os olhos,' e toda essa baboseira. Ela sorri, se lembrando que Helena é o nome de uma das vassouras do James.

Ela freqüentemente só o vê como James, uma presença, uma onipresença que a completa, a permite existir. É estranho para a Lily pensar dele como somente um homem, quando ele é muito mais do que isso para ela.

Ele levanta uma sobrancelha, com um sorriso malandro acendendo os olhos dele, e escurecendo as feições dele. Uma máscara modelo para malandragem.

"O quê?" ela pergunta.

"Você está fazendo aquela cara de novo."

"Que cara?"

"A minha favorita… mas infelizmente os rapazes estão esperando."

"Eu não estava fazendo nenhuma cara." ela diz, inconfortavelmente ciente de quanto esforço que ela precisa fazer para não fazer biquinho.

James sorri. "A sua fisionomia, minha querida, é tão expressiva quanto é linda." Ele segura a mão dela para beijar o pulso dela.

"Eles voltaram!" Sirius anuncia quando James e Lily caminham de volta para a sala comunal.

James o saúda dramaticamente, antes de mover a Lily, dançando valsa com ela, pelo aposento, e jogá-la afobadamente no sofá, aonde ela se senta corretamente, mais por necessidade do que por uma vontade verdadeira.

"Bons passos de dança, cara." Peter comenta. Isso lembra a Lily das responsabilidades dela. Ela se levanta novamente. Não vendo nenhum pergaminho ou pena a mão, ela vai para o quarto dela para pegar.

Um instante depois ela se senta de volta em frente a lareira, e coloca um pedaço de pergaminho novo na frente dela. Girando a pluma entre o dedão e o dedo indicador, ela tenta chegar a uma decisão.

"Quem é melhor, 'Libidinous Lycanthropes' ou os 'Dung Beetles'?" ela pergunta a todos no aposento.

As respostas do James e do Sirius são imediatas. "Dung Beetles", eles dizem exatamente ao mesmo tempo, com tons idênticos de certeza inabalável.

"Remus? Peter?"

"Eu gosto dos dois." Remus diz balançando os ombros. "Mas eu não sou expert em relação a música, e a minha opinião pode ser um pouco induzida, considerando."

Lily então olha para Peter, que olha para Sirius e James, antes de voltar a olhar para Lily para responder. "Dung Beetles."

Ela olha suspeitosamente para Peter, e a sinceridade questionável da resposta dele, mas ela decide deixar para lá, e diz, "certo então." e escreve a carta dela. É curta, e ela a manda rapidamente.

"Por que a pesquisa de opinião repentina, Cariad? Não que eu me importe."

"Eu estou preparando uma atividade escolar para Hogwarts, e estava tentando escolher uma banda."

"Desde quando nós vamos ter uma 'atividade'?" James pergunta.

"Desde que o Dumbledore disse que vamos. Ele acha que um baile seria um bom jeito de levantar a moral dos alunos. Eu estava pensando no sábado, dia 16, depois do dia dos Namorados."

"Que romântico..." Remus diz com uma pitada de complacência.

"As crianças amam esse tipo de coisa. Além do que, eu quero que eles tenham algo para se excitarem, mas sem terem que esperar muito tempo."

"Você tem um tema?" Sirius pergunta.

"Ainda não. Eu estou tentada a dizer vistam o que quiserem, sejam capas de baile chiques, fantasias, ou pijamas."

"Seria melhor escolher um." Sirius sugere sarcasticamente. Lily abre a boca para dizer algo, mas Sirius a corta. "E com isso eu quero dizer que você poderia escolher um que não envolva fantasias ou roupa de dormir." Ela fecha a boca de novo, e ele continua. "Fantasia, enquanto divertidas quando se tem 8 anos, não são aptas para um baile chique. Isso vale em dobro para roupa de dormir." Ele balança a cabeça de um modo desapontado com ela, e dá um olhar 'você deveria saber isso'.

"Qual é a graça de usar vestidos de gala se as pessoas vão ficar dançando ao som do Rock do Dung Beetles?" ela pergunta.

"Porque você não começa com o Dung Beetles." ele diz com mais paciência do que ele geralmente utiliza com esse nível de estupidez. "Você começa com música clássica instrumental, e então você libera os Beetles." ele explica, rolando os olhos.

"Bem," Lily retruca. "Já que você está fazendo tudo, você vai escolher o tipo e a cor do meu vestido também?"

Sirius olha ela de cima para baixo, recebendo um tapa do James. Ele ignora o amigo e diz, "Se você soubesse o que era bom para você, você escolheria."

"O que você quer dizer com isso?" James pergunta. Se ele não tivesse perguntado, a Lily teria, porque ela está pensando a mesma coisa.

"Quero dizer que eu sei mais sobre ser uma garota do que a Lily sabe."

"Mas eu sou uma garota." ela responde desnecessariamente.

"Sim, e isso faz tudo ser mais triste."

"Ei!" ela grita, ofendia. "O que é mais triste, uma garota que não sabe ser uma garota, ou um cara que sabe!"

"Ooh, boa!" Peter diz.

Sirius balança os ombros, não afetado. "Certo, mas não venha me procurar chorando no dia da sua pequena dança, implorando para eu te mostrar como se usa o delineador."

"Usar o quê?" ela pergunta. Sirius ergue as sobrancelhas, pensando se ela está falando sério ou não. Convencido de que ela é, na verdade, ainda mais ignorando do que ele havia pensando anteriormente, ele se vira para o James.

"Me desculpa, Pontas, ela é um caso perdido. Larga ela agora, antes que seja tarde demais."

Agora é a vez do James balançar os ombros sem ser afetado. "Tarde demais. Eu acho que nós vamos ter que perseverar sem o delineador, minha querida." ele diz para a Lily. Ela vai até ele e se senta no colo do simpatizante dela, e os braços dele envolvem a cintura dela. Ela dá o olhar 'bem feito' mais maduro que ela consegue fazer. Não é uma tarefa fácil.

Um canto da boca dele se levanta em um sorriso sagaz. "Nós conversaremos mais tarde." ele promete. Parece mais uma declaração de guerra para a Lily, e ela não está muito confiante na habilidade dela de ganhar aquela batalha particular. Sirius é um homem de gostos superiores, e ela realmente respeita a opinião dele nas coisas que ele obviamente tem mais conhecimento. Ele é um modelo rico, bem nascido (melhor, raça pura). Ele tem conhecimento de beleza e estilo. Ela é uma nascida trouxa pobre, que não reconheceria classe se chutasse ela no traseiro. Ele está certo, o que ela sabe? Ela realmente nunca prestou muita atenção para a aparência dela. Será que o Sirius está tentando dizer alguma coisa para ela?

Ele agora está olhando a estante de livros dela. Quando encontra um que interessa a ele (Uma Descrição Histórica da Evolução dos Feitiços desde a Idade Média), ele se senta na cadeira oposta a eles, e começa a folhear. Depois de alguns minutos de leitura, a sobrancelha dele se arqueia e ele pergunta, "Por que você sublinhou essa parte sobre 'feitiços caseiros e suas variações'?"

"Você realmente acha que eu preciso usar delineador?" Sim, ela sabe que o assunto já foi esquecido há muito tempo, e isso não responde a pergunta dele de jeito nenhum, mas ela não consegue deixar de perguntar. Sirius nem mesmo olha para ela.

"Querida, você sabe que eu acho que você é linda." Ele vira a página. James abraça ela mais forte.

Isso não é somente nenhum pouco convincente, mas também não combina com o que ele havia dito mais cedo. "Então o que foi todo aquele papo sobre 'eu não saber como ser uma garota'?"

"Aquilo não foi nada, Cariad. Esqueça o que eu disse. E para que serve essa anotação aqui no canto? Essa sobre o estatuto do sigilo..."

XXXXX

Agora ele foi longe demais, Sirius pensa. Parte do charme dela é que ela é em certa parte nenhum pouco feminina, e agora ele tinha que deixar ela insegura. Ele não pode dizer a verdade para ela em frente ao James; que ela tem uma aparência perfeitamente gostosa sem delineador, porque isso o deixaria com uma azaração muito terrível vinda da varinha flexível de Mogno de 11 polegadas, que está apontando para fora do bolso do Pontas. Ele também não quer deixar o assunto dessa forma, com a Lily duvidando de si mesma.

Que grande tolo que ele está se tornando. Aqui esta ele, tentando andar nas pontas dos pés pelas tulipas, para evitar magoar os sentimentos de uma garota. Com a exceção que são lírios, e não é exatamente qualquer garota. O que ele pode fazer? Não querendo ficar em silêncio por muito tempo, ele diz qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, para impedir que essa conversa fique estranha pela falta de resposta dele. É claro, que como é o Sirius, ele tem que dizer algo bem idiota.

"Você vai responder a minha pergunta?"

"E você vai responder a minha?"

"Eu perguntei primeiro," ele responde, não gostando do tom infantil do argumento dele.

Ela cruza os braços e diz, "O que Hodder descreve como feitiços caseiros dos anos 1500 é verdade, eles não mudaram, mas o que consiste em um feitiço caseiro mudou. Você não sabe como depenar uma galinha, não é?"

Sirius aparenta repugnado. "Claro que não."

"Eu sei." Peter comenta.

"Oh, não, você não sabe." Sirius diz.

"E a mesma coisa se aplica para a segurança e o estatuto do sigilo. Pronto, respondi as suas perguntas."

"Obrigado."

Tem um momento onde a Lily espera com esperanças pela resposta que Sirius está relutante em dar. "Bem? Você não vai responder a minha?"

"O quê?" Sirius pergunta, fingindo que ele havia esquecido momentaneamente. "Oh, o delineador? Não, os seus olhos já se destacam o suficiente desse jeito."

"Então por que você mencionou isso?"

"Foi a primeira coisa feminina inútil que eu pensei. As mulheres estão sempre obcecadas com essas bugingangas estúpidas que elas são enganadas a achar que precisam. O seu toque feminino está completamente ligado ao seu lado cuidadoso e maternal, mais do que poções capilares e maquiagem."

"Então o que você quis dizer foi..." os dois tem que pensar no início da conversa, para se lembrar o que começou essa confusão toda. "Você vai me ajudar a planejar esse baile porque eu não tenho a mínima idéia do que eu estou fazendo, e você tem?" Soa como uma admissão e um desafio, ao mesmo tempo. Ela, admitindo que não sabe, e desafiando ele a dizer que sabe. Ele não vai, claro que não.

"Você está pedindo a minha ajuda?"

"Eu não preciso da sua ajuda." ela retruca.

"É claro que não. Lily Evans não precisa da ajuda de ninguém com nada." ele diz sarcasticamente. Vendo que a garota murcha visivelmente com isso, ele adiciona pacificamente. "Eu sei que você não precisa da minha ajuda, mas você quer mesmo assim? Me daria algo para fazer, eu não estou fazendo muito hoje em dia." Isso é uma mentira descarada, é claro, mas dificilmente é a primeira que ele já disse, e com certeza não vai ser a última.

XXXXXX

Os papéis estão revertidos dos da noite anterior, ela percebe. Era ele quem precisava da ajuda dela, embora relutante (e recusando) em admitir isso, e agora aqui está ela na mesma posição. Ela não gosta da nova posição, mas ela acha que isso coloca ela e o Sirius de volta no mesmo patamar. Mesmo assim, tem algo a mais aqui, algo por trás dessa oferta 'generosa' de paz para ajudar. Ela vai até ele, e se inclina para que eles fiquem cara a cara, ela encara ele com cautela.

XXXXX

"Você está planejando alguma coisa, Black." ela acusa suavemente. "E eu vou descobrir o que é."

"Não, você não vai." ele diz com confiança. Até mesmo a Lily coração de ouro não iria pensar que Sirius está fazendo algo só para ser bonzinho. A própria acusação dela prova isso. Ele não sabe se está magoado ou aliviado. Na verdade, sim, ele está. Ele está muito aliviado. Ele tem que começar a controlar mais firmemente os impulsos bons dele; eles vão deixá-lo em apuros com certeza. "Mas você está convidada a tentar descobrir." ele continua, dando um tapa condescendente na cabeça dela, só para ser bonzinho. E por 'só para ser bonzinho', ele quer dizer 'só para irritar ela'.

Ela dá um sorriso que tem desafio aceito escrito nele, e então volta para se juntar ao James. Ela acaba de se sentar quando um pássaro, uma coruja, para ser exato, entra voando.

"Está endereçada a Lily." Peter diz. Remus, sendo o cavalheiro que é, vai pegar a carta da coruja para dar para a Lily, mas ela o morde violentamente.

"Maldita..." Remus xinga, sem terminar o xingamento apropriado, enquanto gotas de sangue escorrem pelo seu dedo.

"Nossa." Lily diz, se levantando para inspecionar a pobre mão mordida. Sem pegar a varinha, ela cura ele antes de virar para o animal de temperamento doentio, que tem a carta dela. Ela está bem relutante para tentar.

"Eu pego." Sirius oferece, fazendo uma tentativa. A ave grita alto e ataca com as garras.

"Merlin!" ele grita. "Essa é uma ave muito afetada!"

Sirius não sabe em qual ponto James se levanta e se une a eles, mas ele está parado ao lado da Lily, examinando a coruja com curiosidade. "Talvez só deixe a Lily pegar a carta." ele sugere. "Vai, tenta."

Lily olha de forma confiante para James, e então de volta para a ave. Sirius imagina se ela seria convencida em se aproximar de um animal louco como esse, caso fosse qualquer pessoa sem ser o James que sugerisse isso.

Com medo, ela caminha na direção da ave, estendendo a mão com cuidado para tocar nela. Ela não está mirando na carta, e sim nas penas da ave, que ela acaricia. Parece acalmar tanto a garota como a ave. Quando ela retira a carta da perna da ave, ela levanta vôo imediatamente. Claramente não espera, ou quer, uma resposta.

Curiosamente, os quatro homens a circulam para ver o que é, e quem mandou essa carta. Ela olha para todos eles um pouco nervosa, e eles chegam para trás, pigarreando, olhando para longe em todas as direções, fingindo que não são os curiosos abelhudos que realmente são.

Lily abre o papel; todos os olhos estão olhando (atentamente) ela. Ela olha para a carta por um instante, como se fosse uma charada, antes das sobrancelhas dela se levantarem como se tivessem chegado a uma compreensão repentina, surpresa. Ela voa para dentro do quarto, fechando a porta.

Os marotos olham uns para os outros com expressões de misturas variáveis de curiosidade e perplexidade.

XXXXXX

James resolve entrar atrás dela, quando ela sai correndo para fora do quarto, com o mesmo pedaço de pergaminho na mão. Ela imediatamente vai até a lareira, e joga a mensagem nela. James, e com certeza os outros marotos também, querem impedir que a carta pegue fogo, com as suas curiosidades não satisfeitas ainda, mas é claro que ela tem o direito de fazer o que quer que ela queira com a carta dela, com a lareira dela, e no quarto dela. Ela vai para a janela e olha para fora.

"Lily, o que você..." James começa. Lily se vira para ele, segurando as duas mãos dele. O sorriso dela é nervoso, mas sincero, assim como a confusão do James.

"Parece que o Hagrid ainda está acordado. Que tal visitarmos ele?" ela pergunta.

"É..."

"Mercúrio está lá fora, eu o vi da janela."

"É..."

Segurando as mãos dele, ela se vira para encarar os outros. "Alguém quer vir comigo visitar o Hagrid? Sirius, você nunca viu o Mercúrio."

"Não, eu vou, eu vou." James insiste. Lily se vira de volta para ele, sorrindo completamente. Antes que ele perceba, ele está sendo empurrado para fora do retrato, e olhando confuso de volta para os amigos dele, que o seguem, também confusos.

XXXXXX

Lily olha para o que está escrito no papel, reconhecendo a letra. É o mesmo rabisco ilegível que cobre as margens do livro de poções avançadas dela. Somente duas palavras estão escritas, e leva mais um instante de surpresa estonteante para ela finalmente entender o que elas podem significar.

Correndo para dentro do quarto dela, ela arranca a camisa e as ataduras dela no instante em que a porta se tranca. Olhando rapidamente para pergaminho mais uma vez, para ter certeza que ela se lembra das palavras corretamente, ela aponta a varinha dela tremendo para a queimadura na cintura dela. Esperando que isso seja o que ela imagina, ela sussurra o feitiço.

Um segundo se passa, e ela fica desapontada e com medo que ela não fez isso corretamente, ou pior, que isso não seja um feitiço de cura afinal. Depois do próximo segundo, entretanto, todas as dúvidas dela somem com uma sensação de formigamento quase que dolorosa circula o torso dela.

Pulando nervosamente, Lily trinca os dentes, e os músculos abdominais, e espera isso terminar. Demora mais tempo do que ela gostaria. Quando o formigamento estranho finalmente cessa, ela corre para o banheiro e se inspeciona.

Sumiu. Sumiu completamente. Ela poderia gritar de alegria, mas é óbvio que ela não grita. Mesmo assim, ela está carregada com uma energia eufórica, e rapidamente aplica o mesmo feitio para os tornozelos dela, e os pulsos.

Sem querer contar aos marotos, especialmente ao Sirius, sobre isso, ela recoloca as ataduras em volta dela, para não chamar atenção a falta de queimaduras repentina e suspeita.

Ela não tem mais uma aparência nojenta. Não está mais queimada e deformada. Esses pensamentos felizes predominam os mais obscuros e conflitantes, que ela diz que vai tratar deles mais tarde. Ela está quase que tremendo agora. O que ela quer fazer é se transformar em uma corça e correr sem parar por uma hora ou duas, gastar toda a energia extra que ela parece ter subitamente. Ela vai para a janela para olhar para os terrenos que ela sabe que não pode visitar. Ela está confinada ao castelo, exceto se ela conseguir levar os outros com ela.

Bem, considerando quem os outros são, não é tão menosprezante. É muito mais fácil convencer esses jovens homens aventureiros a ir para os terrenos no meio da noite, do que seria com qualquer outra pessoa.

Se esticando para ver se tem fumaça saindo da chaminé do Hagrid, para ver se ele está acordado, ela fica surpresa a ver um vulto prateado.

"Mercúrio." ela diz em voz alta, pulando mais uma vez, ainda excitada. Ela manda um patrono para baixo, para falar para ele esperar por ela ali, que ela vai descer em instantes.

XXXX

Sirius acha que ela pode ter errado a mão em um feitiço da alegria, pelo jeito que ela pula quando sai, implorando para o James sair com ela. Será que a carta era do Hagrid, fazendo com que ela queira visitá-lo? O que ela está planejando? Pontas aparenta estar tão confuso quanto ele se sente, embora o Sirius tenha certeza que ele não esteja mostrando a confusão tão estupidamente no rosto dele, quanto o amigo dele está.

Balançando os ombros, Sirius os segue até a cabana do Hagrid. Como parece que ninguém vai perguntar, ele pergunta.

"Então Lily, porque a mudança de humor repentina? Você parece uma pessoa que acabou de ter a varinha polida pela primeira vez."

Lily olha para ele com uma cara ligeiramente feia, com a metáfora grossa dele, mas deixa passar, sem responder. Sirius tenta mais uma vez. "Carta interessante?"

James, Peter e Remus olham para ele como se fosse a coisa errada a dizer. Talvez tenha sido. Talvez ele não deveria ter dito isso. Talvez ele tenha sido grosso, e invadido a privacidade dela.

Talvez ele não se importe.

"Ah, aquilo." ela diz, balançando a mão no ar como se não fosse nada. "Não, eu só vi o Mercúrio pela janela, e eu realmente quero me encontrar com ele. Faz tanto tempo. Você vai gostar dele." ela diz com segurança.

"Mas ele não vai gostar dele." James avisa, baixinho.

Sirius está céptico com a resposta dela a princípio, pensando que isso não é um motivo suficiente para a excitação nervosa dela, mas a dúvida se desfaz.

Levemente estonteado pela visão do unicórnio de aparência impressionante, cavalgando na direção deles. Sirius continua observar o jeito que o unicórnio e a Lily se relacionam. James não aparenta estar tão impressionado quanto os outros. Mesmo o Sirius não consegue ficar impassível. Tem alguma coisa nos unicórnios que simplesmente impressionam uma pessoa em uma admiração reverente. Depois de um momento profundamente especial, compartilhados somente entre a garota e a criatura, Mercúrio se vira e reconhece o James. E para o Mercúrio, reconhecer quer dizer cutucar ele com a ponta do chifre dele. Mas não deve ter sido forte, porque o James ri levemente e diz, "Olá, rapaz." em uma resposta casual.

É estranho pensar em qualquer pessoa estar em termos tão pessoais com algo tão… não-humano. Com qualquer outra coisa seria estranho, ou até mesmo vergonhoso, mas como é um unicórnio, ele só pode ficar tocado. Não é como a bondade desnecessária dela com os elfos domésticos. Isso é uma coisa linda.

"Mercúrio, esse é o Sirius," ela diz. "E Remus e Peter."

O unicórnio não parece estar nenhum pouco impressionado, e se volta para a Lily. Na verdade, Sirius tem certeza que o unicórnio é mais capaz ainda de mostrar desdém superior do que ele próprio. É a primeira vez que Sirius se sente condescendente, e ele não gosta nenhum pouco disso.

"Vamos, vamos ver o Hagrid." ela diz no ouvido dele, e um instante depois ela monta nele, e está galopando para longe, na direção da cabana do meio gigante, com a vela flutuante ficando mais e mais distante, enquanto segue o rastro dela.

"Isso… Isso..." Peter gagueja.

"Isso somente… não se faz, não é? Você não cavalga em unicórnios. Eu quero dizer, somente não se faz!" Sirius diz, honestamente chocado e levemente impressionado...

James simplesmente balança os ombros, aparentemente não impressionado. Estranho que Pontas possa permanecer apático e indiferente sobre o fato dela ter domado um unicórnio, e mesmo assim ele pode escrever poesias sobre as habilidades das azarações dela.

Quando os homens finalmente chegam a cabana do Hagrid, o próprio homem (gigante) está na porta esperando para cumprimentá-los.

"Olá, Black, Remus, Peter." ele diz cumprimentando cada um deles. "Potter." Ele dá um sorriso sincero para o Pontas, e um tapa mais sincero ainda nas costas dele, o que faz com que ele se apóie no Sirius para impedir que ele caia com a força do tapa.

Ele ajeita o amigo, e eles entram na cabana, Lily está sentada nos degraus de trás, a porta aberta para permitir que ela acaricie o Mercúrio. Faz com que uma corrente de ar tremendamente desagradável entre, mas ninguém diz nada sobre isso, nem mesmo o Sirius.

"Desculpa, faz tanto tempo que eu não te vejo, Hagrid." Lily se desculpa.

"Não..." Hagrid nega em um bom caráter. "Vi você há pouco tempo na reunião."

"Isso não conta. Faz muito tempo desde que a gente te visitou."

"Bem, você estava dormindo, não é? Não posso te culpar por aquilo."

"É… não, eu acho que não." ela responde envergonhada. Aparentemente tem mais do que ela está deixando aparecer.

James, que se sentou no chão ao lado dela, parece também ter percebido isso, porque ele muda de assunto galanteamente.

"Sem querer trazer o trabalho a tona," James se desculpa antes de continuar, "Mas o que aconteceu ontem, Hagrid? Depois que Sirius e Remus se juntaram a você?"

"Bom, por muito tempo nada aconteceu. Por volta do pôr do sol, os comensais da morte finalmente apareceram, mas é claro que já tinha sumido naquela hora, somente vendo se eles estavam atrás daquilo. É claro que o Dumbledore estava certo sobre aquilo. Eu perdi esses dois de vista," ele diz apontando para Sirius e Remus.

"Eu também me perdi deles." Remus confirma. "Eu encontrei o Sirius eventualmente, lutando com o..."

Sirius dá um olhar de advertência para ele, e rapidamente, quase que imperceptivelmente, ele balança a cabeça. O seu longo cabelo balança, denunciando o movimento da cabeça. Remus pigarreia e rapidamente muda o que ele ia dizer para "tão competência e agilidade que eu deixei ele para procurar o Hagrid. Foi então que Alastor, Frank e Alice chegaram. Tudo foi resolvido rapidamente depois disso."

Se alguém percebeu a leve mudança do Remus, ninguém disse nada. Peter continua a contar a história daí, contando o outro lado da história. Remus dá um olhar secreto questionador, que ele ignora. Quando ele olha para o James, ele fica triste em perceber que ele também está olhando para ele com uma curiosidade e ponderação similar. Be, não é tão ruim, contanto que a Lily não descubra. A garota nem mesmo está olhando para ele, ela está de costas para todos, e continua a acariciar o unicórnio.

XXX

Lily imagina o que, ou melhor, quem Remus ia dizer, mas ela acha que sabe. Tem provavelmente somente um comensal da morte de quem o Sirius iria se opor que eles tivessem conhecimento que ele lutou contra. Lily especialmente, porque ela sabe o fim terrível que teve aquela luta, tendo curado os inúmeros machucados, depois que ele caiu no sono.

Ela não vai falar nada sobre isso.

XXX

Muito mais tarde, caminhando de volta para o castelo, James pega o melhor amigo dele, para conversar em privacidade. Ele dá uma indicação com o rosto para o Remus, pedindo que o lobisomem ofereça o braço para Lily, e eles caminham na frente, junto com Peter.

"Tem alguma coisa que você queira me contar?"

"Nada em particular." Sirius responde com um suspiro. James sabe que Sirius vai acabar mudando de idéia e contando para ele. Se ele realmente decidiu não contar, então ele pelo menos tentou agir como se não tivesse a mínima idéia do que o James está falando.

"Seja um bom garoto e me conte assim mesmo." ele o persuade.

"Nada mesmo. Somente quase que eu fui derrotado em um duelo pelo Snape, só isso." James pode ver que o Sirius tomou cuidado para ter certeza que a voz dele soasse leve e apática. Ele sempre faz isso, é o jeito dele.

"Isso não é tão ruim." James diz, fazendo o máximo possível para imitar a indiferença casual do amigo dele.

Sirius balança os ombros. "Não, eu acho que não. Só..." Ele pára, dividido entre revelar ou não mais coisas. "Só… não conta para Lily." ele diz muito mais baixo. Talvez ele tinha esperanças que o James não fosse ouvir…

"O quê? Por quê?" ele pergunta.

Sirius solta um tipo de resmungo irritado. "Porque ela gosta do desgraçado."

"Dificilmente." James começa, mas Sirius o corta.

"Deixe-me terminar. Ela gosta do desgraçado, embora ela não queira. Ela já se sente culpada o suficiente com isso. Se ela souber que ele acabou comigo, só vai fazer com que ela se sinta pior ainda sobre gostar dele. Ela não consegue controlar, então só… não conta para ela."

Esse pequeno discurso parece que exaustou o Sirius. Ele parece estar reduzido; o andar orgulhoso dele foi rebaixado para um andar humilhante. James, por sua vez, está um pouco surpreso pela inacreditável consideração e preocupação repentina. 'Bom, isso não é surpresa.' ele pensa. 'Afinal das contas, ele a ama.' Não do mesmo jeito que o James, é claro, mas parece que ele se importar com ela está tendo uma influência profundamente positiva nele. Assim como teve com John Michaels. Assim como teve com Snape.

Mas pela própria confissão da Lily, ela não fala com Snape há anos, será que ela realmente ainda se importa com ele, como o Sirius pensa? Ele não ficaria surpreso; ele mesmo estava pensando nisso.

"Você acha que ela ainda gosta dele? Depois de todos esses anos?"

"Snape claramente ainda gosta dela."

"Mas..." Hmm, esse é um ponto justo. Se Snape coração frio ainda se importa, a Lily coração quente também deve. Mesmo assim, ele tem que fazer outra tentativa nesse assunto. "Mas… mas..." E uma tentativa bem fraca.

"Eu sei que ela gosta, cara. Ela não quer admitir, mas ela gosta."

"O que te faz ter tanta certeza?"

"Por causa do motivo que ela foi até você no Natal, o motivo pelo qual ela foi te dizer que te amava, foi..." Ele pára, para soltar um suspiro agitado. "Porque eu contei para ela que você salvou a vida dele."

Ai. Isso é bem claro. Dolorosamente claro, para falar a verdade. James nem sabe como se sentir com isso. Ele sabe que eles teriam ficado juntos de qualquer jeito, talvez naquele mesmo dia, mas saber que Snape foi o catalisador, o incomoda. Ele estava contente achando que foi a perseverança do Sirius, combinada com o amor de cada um pelo outro.

Ele fecha um punho. Se ele já não tivesse queimado aquela carta do Snape, ele com certeza a queimaria agora.

Carta. Queimada.

Ela mesma queimou uma carta naquela mesma noite. Será que era dele?

"Hoje a noite quando ela recebeu aquela carta daquela coruja louca… Você não acha que foi do…?"

"Por que seria?"

"Ela normalmente me mostra as correspondências dela. Ela não deixou mais ninguém ler, ela desapareceu no quarto dela para ler, e queimou imediatamente depois. Não é a forma que uma pessoa culpada agiria? Quem mais escreveria para ela, que ela não gostaria que nós tivéssemos conhecimento?"

"Mas você esquece de uma coisa. Ela estava praticamente pulando quando ela voltou. Não é exatamente o sinal de uma pessoa que está se sentindo culpada."

"Bem, talvez ela só estivesse excitada em ver o Mercúrio. Você pode ver o quanto ela o ama." Embora ele estivesse se agarrando desesperadamente a qualquer resposta que fosse responsável pela excitação dela, James acha que a explicação é inteiramente possível. Ele está bem certo da nova teoria dele, mas Sirius não parece estar tão convencido.

"Quem sabe. Você pode tirar essa informação dela mais tarde. Eu acho que vou voltar para Londres."

"Você sabe que pode ficar aqui, cara. Já passam das duas."

"Mesmo assim, eu prefiro dormir na minha própria cama. Eu planejo não sair dela por no mínimo 12 horas."

"Se você insiste."

"Realmente sim. Diga adeus aos outros por mim."

"Pode deixar."

"E aproveite toda a maravilha do sábado."

"Com certeza vou aproveitar." Eles sorriem um ao outro, e Sirius se vira para caminhar para a vila sozinho, com sua vela piscando no vento, mas não apagando.

James corre um pouco para alcançar os outros, chegando lá bem a tempo de ouvir o final de outra das famosas piadas do Rabicho. Onde ele cria essas coisas, James não faz idéia.

Lily e Remus estão sorrindo, e Peter sorri orgulhosamente ao seu próprio humor. James se sente levemente triste por ter perdido.

Ele ia colocar o braço em volta da cintura da Lily, mas se lembrando da queimadura, ele coloca no ombro dela. Ela se inclina nele amavelmente, e mais uma vez James é atingido pela vontade de abraçar ela apertadamente, e escondê-la do resto do mundo. É tão forte que ele sente os músculos dele se contorcerem.

"Está com frio?" ela pergunta, olhando para ele. Ele balança a cabeça, sorrindo para ela, incapaz de resistir beijá-la rapidamente, enquanto os outros dois não estão olhando.

Levam mais quarenta e cinco minutos, antes que eles deixem Remus e Peter brigando sobre quem iria para cama, e retornam para a privacidade dos aposentos do James.

"Querido, antes de a gente fazer qualquer coisa, tem algo que eu gostaria de te dizer." ela diz, tentando se desgrudar dele. Ela descobre que é bem difícil, já que aparentemente o corpo dele não quer cooperar.

"Certo." ele diz, se reajustando a uma posição mais favorável para uma conversa, em vez de… outra coisa. "Isso é sobre a carta?" ele pergunta.

"Sim, para falar a verdade, é sim."

"Foi ele quem mandou?"

Os olhos da Lily arregalam em uma descrença surpresa. "Ele quem?"

"Snape." ele diz relutantemente. Ele não realmente não queria dizer o nome por algum motivo.

"Como você sabe?" ela pergunta, com a voz bem aguda. Sirius deve estar certo. Ela está envergonhada com certeza.

"Eu pude dizer. Mas parecia que você não queria conversar sobre aquilo, então eu não forcei."

"Não na frente dos outros. Não na frente do Sirius."

"Por quê? O que dizia?"

"Somente duas palavras. Um feitiço."

"Que feitiço?"

"Eu nunca tinha ouvido falar, mas eu tive uma idéia. Quando eu tentei, funcionou. Elas se foram; eu estou curada."

"Você quer dizer...?" As mãos dele vão automaticamente para a cintura dele. Ela balança a cabeça que sim, e cuidadosamente, ele coloca a mão embaixo da atadura dela. Nada. Nada exceto a pele perfeitamente suave dela.

"Ele ficou tão nervoso da última vez que Severus me ajudou, eu não queria que ele passasse por tudo isso novamente. Sirius o odeia, e deveria. Ser bondoso comigo não apaga todas as coisas terríveis que ele já fez, e Sirius deveria ser livre a odiá-lo sem ter que se preocupar sobre o que ele pode estar fazendo comigo. Especialmente depois do que o Severus fez com ele ontem."

"Como você sabia disso?"

"Bem, eu não sabia com certeza. Eu só pude adivinhar que ele era o culpado pelo ombro deslocado do Sirius, assim como as costelas quebradas, tornozelo arruinado, e joelho machucado." Ela diz isso com mais raiva do que ele jamais ouviu dela antes. "Ugh, ele fica machucando as pessoas que eu amo!" ela diz, socando um travesseiro furiosamente.

"Sirius não queria que você soubesse."

Ela olha do travesseiro, com o rosto mudando de furioso para amoroso. "Eu sei, que amor."

"Quem mais Snape machucou?"

O rosto dela muda de amoroso para envergonhado. "Você." ela diz baixinho, sem estar mais olhando para ele.

"Eu?" James pergunta. "Ele nunca tocou em mim."

"Diretamente não, mas aquele feitiço que Togglepike usou para tentar te matar, Sectusempra, é uma invenção do Severus." ela admite relutantemente, antes de voltar a socar o travesseiro. "Ele fica machucando as pessoas, então porque eu não posso somente..."

"Odiar ele?" James conclui. Lily desiste do ataque dela no inocente travesseiro, e se joga nele, e ele abafa as palavras que já são abafadas a serem inteligíveis pela vergonha. James entende ela. Ela quer odiar, mas não consegue.

"Talvez você não seja o tipo de pessoa que possa odiar."

"Eu odeio a Bellatrix." ela cospe claramente. "Então por que não ele?"

James não acredita no que ele está prestes a dizer, as palavras enquanto passam pelos lábios dele soam tão perversas, mas tão verdadeiras. "Porque você nunca amou a Bellatrix, e ela nunca te amou. Você não a conheceu quando era criança, antes que ela virasse uma comensal da morte. Você não cresceu com ela. Talvez você não possa odiar verdadeiramente uma pessoa, se você viu e sentiu a bondade dessa pessoa, quão pequena possa ser."

"Você o odeia?" ela pergunta simplesmente. Ela encara ele, piscando, esperando uma resposta que ele não pode dar. Não importa como ele responda, ele vai ficar envergonhado. Envergonhado se odiar, e envergonhado se não odiar.

"Essa é uma pergunta muito complicada para essa hora da manhã." ele responde, não se importando com a retirada deselegante dele da conversa.

"Certo." ela diz pacificamente, permitindo que a conversa chegue ao fim. Ela somente adiciona mais uma coisa. "Não vamos mencionar o Severus Snape nunca mais."

"Minha querida, nada me daria mais prazer."

Conversar sobre Snape baniu a mera possibilidade de qualquer atividade romântica, então ele simplesmente envolve o braço dele em volta dela, fecha os olhos, e pensa.

Tanto Sirius como a Lily estão mantendo a verdade sobre Snape para eles mesmos; um tentando evitar a dor do conhecimento ao outro.

"Nunca esconda algo de mim para tentar me poupar." ele sussurra.

"Jamais."

"E nunca me abandone." ele sussurra ainda mais suavemente.

"Jamais."

XXX

São quase meio dia quando eles saem da cama. Depois de se alimentarem na cozinha (para a alegria da Poppy e dos colegas de trabalho dela), James faz uma proclamação.

"É sábado e todo o trabalho, de qualquer tipo, está proibido. Você tem algumas poucas opções, Srta. Evans, e eu acho que você pode adivinhar quais são."

Realmente ela sabe. A primeira parte da tarde é gasta escrevendo coisas escandalosas nos quadros-negros nas salas de aula.

"Aliteração adorável, James, mas você não acha que isso soe mais como Potter do que como Pirraça? O fantasma tem uma tendência a rimas humildes."

James sorri para a própria aliteração da Lily, mas chega para trás para inspecionar o trabalho dele. Ela tem razão. Enquanto seja um trabalho de arte, ele duvida que a McGonagall iria acreditar que o Pirraça iria se importar com um iambo pentâmetro.

"Eu acho que você tem razão." ele admite tristemente. Ele levanta a varinha para apagar, mas Lily agarra a manga dele, e abaixa a varinha.

"Espera!" ela grita. "Copie e utilize em outra sala de aula! Eu duvido que Slughorn seja tão conhecedor do seu estilo poético quanto a McGonagall. Ele não poderia dizer a diferença entre Pirraça, Poe, Platt ou Potter."

James produz o caderno de anotações dele, e copia o soneto lúrido. Lily briga um pouco quando eles chegam a sala de aula do Flitwick. Ela argumenta que o professor de Feitiços é um velhinho tão doce que não merece ter coisas tão horríveis escritas no quadro-negro dele, mas James insiste, embora a frase seja muito mais fraca do que os outros trabalhos dele.

"E então, o que vamos escrever no seu?" Lily diz.

"Por que no meu?"

"Minúcia. Vai parecer suspeito se você for o único sem."

"Eu vou dizer que apaguei antes que qualquer pessoa visse."

Lily levanta uma sobrancelha, céptica, mas não discute.

Depois de um vagaroso, porem brincalhão, banho no banheiro dos monitores, James sugere ou um jantar em Hogsmeade, ou que voem para algum outro lugar. É claro que ela escolhe voar para outro lugar. Ela não vai ser vista em público com ele, tão perto de Hogwarts.

XXXXX

Se encostando confortavelmente na mesma pedra que sai do mesmo lago, na mesma floresta que eles já estiveram antes, a mente da Lily vaga por uma direção que ela preferiria que não fosse. Ela disse que nunca mais queria falar nele, mas isso não a impede de pensar sobre ele.

Ela deveria escrever de volta e agradecê-lo? A ave não ficou, mas ela conhece Severus bem o suficiente para saber que isso não quer dizer nada. Fazer que a ave esperasse seria admitir que ele queria que ela respondesse, que é algo que ele não vai admitir. Mais uma vez ele a faz lembrar do Sirius.

Entretanto, é tão provável também que ele não queira uma resposta. É tão perigoso para ele (provavelmente muito mais) que eles mantenham contato.

Naquela noite, depois que James cai no sono, ela sai da cama e caminha nas pontas dos pés para a sala comunal. Com o fogo ainda ardendo na lareira, ela se senta na mesa, com a pena em mãos, e o pote de tinta pronto. Ela não consegue pensar em nada para dizer, exceto 'obrigada'. Mas uma palavra apenas não constitui uma carta. Mas ele só escreveu duas palavras, então porque ela não pode escrever somente uma?

Obrigada.

Parece ainda mais patético depois que ela escreve, então ela amassa e joga na lareira. Suspirando, ela inclina no sofá e pega um Profeta de dois dias atrás para ler até conseguir chegar em uma resposta.

A reportagem na primeira página é apavorante. O que é somente o começo, escreve, de como nós pretendemos fazer do mundo mágico um lugar melhor e seguro. Nós gostaríamos de dizer obrigado a todas as pessoas que doaram. Sem o seu suporte fiel, e a sua generosidade SCDDHB e PAX ainda seriam somente um sonho, em vez de uma realidade próspera…

Lily solta um tipo de risada indignada, enquanto joga o jornal na mesa.

"Tolos ignorantes." ela cospe. PAX mesmo. A missão deles não tem nada a ver com a paz, ou em deixa o mundo mágico mais seguro. É racismo, puro e simples. A Sociedade para a Captura e Destruição de Meios Sangues Perigosos, a facção conhecida como PAX, ou Puros-Sangue Contra Cruzamento de Raças, é tão ofensivo quanto é assustador. (Em outras palavras, ofensivo e assustador ao extremo.) Essas pessoas estão realmente no governo. É apenas uma questão de tempo antes que eles façam disso uma lei, em vez de apenas um grupo de 'caridade' que tem o suporte do Ministério. Isso faz o sangue da Lily ferver, manifestando o ódio sobre o disfarce de paz e assassinato embaixo da propaganda de boa vontade. Ela espera violentamente que todo mundo veja a verdade por trás disso. Ela pega o Profeta para jogar na lareira também, quando uma das frases chama atenção dela. " Nós gostaríamos de dizer obrigado..." Isso dá uma idéia de como fazer isso. Embora ele decidiu se juntar a eles por própria vontade, ele também os traiu e arriscou a vida dele para salvar a dela, e dar o feitiço para curar as queimaduras dela. É somente educação agradecer. É o mínimo que ela pode fazer, e o máximo que ela consegue fazer. Agora tudo que ela precisa é um pouco de sanguinária…

XXXX

O sol brilha fracamente nas casas surradas de Spinners End, naquele domingo de manhã chuvoso, e nenhum pouco na casa mais surrada no final da rua. A neblina é grossa e o gelo pinta todas as janelas de cada carro na rua, exceto pelo no final da rua, porque não tem carro.

Mesmo assim, nenhuma neblina ou gelo iria impedir os pequenos e orgulhosos Petersons de irem a igreja. O pequeno Adam Peterson está pulando sem palar para se manter aquecido, enquanto o pai dele raspa os vidros do carro. Ele não consegue impedir de olhar nervosamente para a casa sinistra no final da rua, que se sobrepõe a todas as outras casas na sujeira e negligência. Adam sabe que um homem louco mora ali; ele mesmo já o viu com seus próprios olhos.

O garoto está justamente olhando para a casa do homem louco, bem a tempo de ver algo muito peculiar mesmo pela neblina.

"Pai! Uma coruja! Olha!" ele grita, apontando. Sr. Peterson sabe que as corujas são noturnas e que não tem como ver qualquer coisa por essa neblina, muito menos uma ave, mas ele se vira para fazer a vontade do filho dele, e finge olhar.

"Não estou vendo."

"Mas tinha uma." o garoto insiste.

"Sim, sim." ele diz, voltando ao trabalho de raspar o gelo do vidro do carro. O filho dele está imaginando coisas. Dizer ter visto uma coruja é a coisa menos imaginativa das histórias dele.

O 'homem louco' está sentado na mesa, bebendo chá, esperando pelo Profeta de domingo. Quando uma coruja entra voando e solta um jornal na mesa, Severus coloca a mão no bolso para retirar o nuque para pagar a ave, mas a coruja não espera. Simplesmente entra, solta o jornal, e sai. Achando isso muito estranho, ele pega o jornal de qualquer forma e o abre. O que isso significa? Ele já havia lido sobre PAX e SCDDHB há três dias. Ele está a ponto de ficar com raiva quando ele sente um cheiro fraco de algo. Será que é? Ele jura que sim. Ele é um excelente fazedor de poções, e como um grupo, eles se orgulham pelo excelente olfato. Sem dúvida. Sanguinária. O cheiro favorito dele, desde que ele era um garoto, e a sua primeira poção. Enquanto ele continua a desdobrar, um pequeno maço de ervas cai. Ele se abaixa no chão para pegar, e apóia na maçaneta da porta, de cabeça para baixo, para secar.

Ela costumava fazer isso para ele o tempo todo. Depois que ele se formou e não podia mais comprar os ingredientes das poções, ela roubava do armário dos alunos em Hogwarts, e mandar em um jornal, desse jeito.

Algumas vezes, mesmo que ele não precisasse de nada, ela mandava um punhado de sanguinária só porque ela sabia que ele gosta.

Voltando para o jornal, ele folheia as páginas, procurando, mas sem esperanças mesmo encontrar uma carta escondida. Ele suspira e ia colocar o jornal de lado, quando um linha colorida chama a atenção dele. Uma palavra está sublinhada em uma tinta vermelha.

Obrigado.

Outra coruja entra voando com outro jornal, dessa vez esperando impacientemente para ser paga, antes de voar para longe. Ele joga o Profeta de domingo imediatamente na lareira. Ele está perfeitamente contente com o jornal que ele já tem…

XXXXX

Como ela havia planejado, Lily vai ver o diretor no domingo de tarde. Dumbledore fica contente com a idéia e dá a permissão dele, contanto que tanto Pomfrey quanto Potter estejam dispostos. Defesa Contra as Artes das Trevas vai ser unido a cura. Ela só tem que falar com o James.

Ele está sentado confortavelmente no sofá em frente a lareira, olhando para o pequeno caderno de anotações dele. Quando ele a ouve entrar, ele chega automaticamente para o lado, para que ela possa se sentar ao lado dele, oferecendo o ombro e o peito dele como o travesseiro dela. Ela se ajeita antes de fazer a proposta.

"Olha, eu estava fazendo uma..." ele começa ao mesmo tempo que ela começa com "Eu estava trabalhando em algo, e eu preciso da sua..." Os dois param.

"Desculpa, continue." ela oferece.

"As damas primeiro, eu insisto."

"Ah… certo, bem, eu conversei com a Madame Pomfrey e o Dumbledore, e eles dois concordam, se você também concordar. Agora não diga não antes de eu terminar, mas e se você incluísse uma seção de cura no seu currículo? Ter a Madame Pomfrey dando uma aula ou duas, e os alunos indo até ela algumas poucas horas durante as horas livres deles, para um pouco de treinamento prático. Eu sei que não faz parte dos NEWTs, mas mesmo assim é importante. Obviamente vai levar um tempo para organizar, então a sua aula de amanhã, ou dessa semana não seriam alteradas, mas..." James silencia a frase contínua do discurso dela, colocando uma mão na boca dela. Ele precisa pensar, mas ele está muito chocado para tal. A menção de aulas amanhã arruinou o que ele ia dizer sobre o departamento de transportes mágicos da mente dele, junto com qualquer outro pensamento útil. Somente um pensamento está lá agora 'Aula. Amanhã.' É aterrorizador e confuso. Ele não vê a Lily em um uniforme há um mês, nem mesmo pensou nela como uma aluna. Como uma aluna dele

Pânico.

Eles estão em Hogwarts, como que ele poderia ter esquecido? Bem, isso só mostra como James Potter continua a desafiar a expectativa, e alcançar o que é aparentemente inalcançável. Ele tem certeza que ninguém alcançou esse nível burro de esquecimento.

O que ele deve fazer agora? Por que ele está repentinamente muito desconfortável com a idéia? Como que, por Merlin, ele tem que dar aula, ver a Lily no uniforme dela, sentada na primeira fileira, e agir como se ela fosse uma aluna qualquer? Como que ele lidou com isso antes? Ah, sim, ele estava em negação. Ninguém sabia, além dele mesmo. As coisas são diferentes agora, e ele não acha que a Lily apreciaria se ele fingisse subitamente que ela não existe. Ele pode ver que ela vai levar isso pessoalmente. Francamente, ele não gosta dessa opção também, mas ele não sabe outra coisa que ele possa fazer.

A mente dele zumbe em vão, não ajudando em nada, e nenhuma percepção como ele geralmente tem em horas de grande pânico e dor.

"Pontas!" A voz do Sirius soa urgente, pelo bolso dele. James retira o espelho e pisca estupidamente ao amigo dele.

"Você viu o Aluado?" Sirius demanda rapidamente.

"O quê?" ele pergunta, completamente confuso.

"Ele não está aqui, todas as coisas dele sumiram. Eu não tenho noção de aonde ele pode estar. Ele somente… sumiu."

XXXXX

A/N: Desculpem a demora. Problemas pessoais e de saúde… Perguntaram quantos capítulos tem o original, está no capítulo 55, então estamos muito próximos dele.

Eu sei que fiquei muito tempo sem atualizar e vcs podem estar chateados... Mas eu já traduzi o próximo capítulo TODO, que tem a volta as aulas e como a Lily e o James vão reagir.

Porém, eu só vou postar o próximo capítulo quando tiver no mínimo 20 reviews para esse capítulo. O número de reviews tem caído bastante nos últimos capítulos, então não sei se as pessoas pararam de ler a história. Caso esse seja o motivo, então eu vou parar de traduzir. Se não chegar a 20 reviews, eu não posto o próximo capítulo, porque isso significa que ninguém está lendo a história, infelizmente.