Nenhum personagem da Saga me pertence.


- Como algumas sabem, eu estou completamente "fora do ar"; sem net e sem PC no momento, presa num fim de mundo onde nem o sinal do celular pega u.u Para postar hoje, tive que viajar pouco mais de 80km para a cidade mais próxima, rs. Tenham pena de mim, hein! hahaha' Mil desculpas pela demora, sério.

As partes em itálico são flashes de memória e elas estão fora da ordem cronológica. A intenção desse capítulo é confundir um pouco, mas vocês vão entender tudinho nos extras. Esse é o antepenúltimo capítulo, flores. Boa leitura!

Passado Colidindo com o Presente


E foi aí que meu mundo simplesmente enguiçou. Parou de girar e saiu do eixo.

.

Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para saber se está bem morto.

(William Shakespeare)

A primeira vez a gente nunca esquece.


{R_POV}

Se aquilo não fosse um sonho bizarro e eu não estivesse perdendo as estribeiras, aquele homem parecia uma versão muito mais velha de mim, como naqueles programas usados para envelhecer os atores de Hollywood.

Ele era alto e tinha ombros largos, uma figura marcante. Magro na medida certa e vestido com roupas claras e confortáveis. Mas o que prendeu minha atenção foi aquele rosto: queixo quadrado e forte, nariz reto e levemente comprido e olhos expressivos, da cor do mais puro verde-grama. Seus cabelos não eram tão fartos como foram em sua juventude nem tinham o mesmo tom único de cobre, pois estavam quase totalmente brancos, mas eu jamais me enganaria.

Edward Anthony Masen Cullen parecia em estado catatônico por nos ver parados no hall de entrada da casa que um dia pertenceu aos seus pais.

Simplesmente não sei quanto tempo nós ficamos nos encarando em absoluto silêncio. Eu não desgrudava os olhos do meu avô e ele parecia incapaz de ver qualquer coisa além da minha mãe. O silêncio só foi quebrado quando eu percebi os olhos dele ficarem marejados.


{E_POV}

Eu tenho 75 anos. Ou será 80? Ou talvez eu esteja em algum ponto entre os dois?

Não, eu não estou caducando – ainda. Mas quando se vive mais do que se pode contar, você simplesmente para de prestar atenção à passagem do tempo. Quando se fica velho, não importa que segunda-feira já está mordendo o seu traseiro ou que você achava que estava em Março e, na verdade, o calendário acusava Abril... Não importa se mais um ano se passou. Se importar com essas coisas acaba perdendo o sentido.

Kaurê era uma boa companheira. Não confundam as coisas, crianças! Companheira no sentido de "acompanhante de idosos" ou apenas enfermeira, não que eu tivesse me casado com ela ou qualquer maluquice do gênero. Eu fui casado por apenas quarenta anos. Sim, quatro décadas não passaram de segundos ao lado da mulher que amo. Jamais poderia colocar o verbo 'amar' no passado, pois o sentimento nunca diminuiu apesar desses últimos quatorze anos de luto.

- Kaurê! Quem bateu à porta? - onde ela havia se enfiado?

Raramente eu recebia visitas e, no geral, apenas Alice e Jasper ainda tinham a paciência para visitar um velho insuportável como eu. Rosalie e Emmett estavam sempre viajando e quase nunca ligavam, embora seus cartões-postais, vindos de todos os lugares imagináveis neste planeta, chegassem com uma boa frequência. Eles queriam que eu os acompanhasse nas suas viagens pelo mundo, mas eu não queria me meter entre o casal, pois nada pior que tentar se divertir com um velho amargurado resmungando por tudo.

Eu não via sentido nenhum em prestar atenção ao calendário, mas ainda precisava ficar atento ao relógio. E estava na hora dos meus remédios, outra parte insuportável da velhice. Como se já não bastassem os músculos e a pele ficando flácida, os ossos se desintegrando e as juntas entrevando, nós ainda tínhamos que lidar com a imunidade a um nível ridículo. Eu me sentia mais frágil que um daqueles bebês recém-nascidos, apesar da insistente afirmação do meu médico ao dizer que eu era tão saudável como um touro. Pergunto-me se ele se refere aos animais que são vítimas das inumanas touradas, aqueles que já estão pingando as tripas para fosse um daqueles, talvez eu concordasse com o Dr. Palmer. Ou talvez eu apenas discordasse e ele se lembraria de que os velhotes são teimosos e me deixaria ganhar a discussão. O que foi? Um velho precisa rir de alguma coisa de vez em quando e nada melhor do que fazer as pessoas concordarem apenas para te satisfazer.

- KAURÊ!

Nunca vi uma pessoa tão silenciosa na minha vida. Às vezes, eu estava dormindo e quando acordava, ela já tinha limpado a casa inteira. E olha que eu era do tipo que me orgulhava por ter o sono muito leve.

Ela era brasileira e estava morando em Londres há poucos meses, então seu inglês não era lá muito bom, mas nada que uma mímica de vez em quando não resolvesse. Eu só tinha bronca quando Kaurê resolvia me dar um sermão, em sua rústica fluência, por não tomar os remédios no horário, por não querer sair de casa e viajar com a minha família, por não chamá-los para me visitar ou por não procurar alguma senhora nos bailes de terceira idade; fala sério, essa última estava totalmente fora de cogitação!

Já que Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé.

Larguei meu quebra-cabeça de oito mil peças e que só tinha um terço pronto, e desci as escadas para procurar pela minha enfermeira irresponsável. Horários deveriam ser respeitados, poxa vida, será que nunca disseram isso a ela?

- Meu Deus, onde essa mulher se meteu? Kaurê, está na hora dos medicamentos. Se atrasar, não será minha culpa e eu não quero te ouvir me chamando de irresponsável!

Percebi barulhos vindos do hall de entrada. Quem quer que tenha batido à porta foi permitido a entrar. Andei até lá enquanto minha mente trabalhava para se recordar dos nomes das drogas legalizadas que eu precisava enfiar goela abaixo; Bella iria rir da minha cara se visse minha situação...

Bella?

- O que diabos...? - comecei ofuscado por aquela imagem.

Aqueles olhos da cor do chocolate mais puro, derretidos na profundidade daqueles lindos orbes cativantes. Aquele rosto pálido e com um leve formato de coração, aqueles cabelos escuros emoldurando o rosto e o pescoço alvo. Aqueles lábios cheios, enquanto os dentes superiores mastigavam o lábio inferior numa clara demonstração de nervosismo ou insegurança. Aquele corpo... Jovem?

Não, Bella não... Renesmee.

Quando essa realização me ocorreu, foi impossível impedir meus olhos de marejarem. Minha pequena filha, aqui, na minha frente, depois de tantos e tantos anos. Minha pequena filha... acompanhada de Jacob William Black, é claro. Eu deveria ter previsto isso.

Um borrão de cabelos escuros se mexeu um pouco atrás de Renesmee e voltei meus olhos para o garoto que parecia deslocado. Olhando melhor aquele cabelo desgrenhado num corte que me era tão familiar, passei as mãos pelo meu próprio em frustração por não tê-los mais tão fartos como antigamente. O garoto era alto, eu tinha que admitir, e quando ele ergueu o olhar para me encarar nos olhos, eu tive a impressão de que estava me olhando em um espelho; refletido naquelas íris verdes, sentia como se algum truque tivesse me remetido a um passado sessenta anos distante de mim.

Conscientemente, estendi uma mão para o menino. Se eu o tocasse, ele sumiria como uma fumaça?

- Edw... Pai... - Renesmee começou com a voz vacilante e fui tragado para a realidade novamente, onde as coisas não eram doces e sim amargas. Ela desgrudou do braço de Jacob e puxou o garoto pela mão, se apoiando nele. Olhei a tonalidade negra de seus cabelos e percebi os pouquíssimos traços herdados de Black, mas ainda assim a notícia que veio a seguir caiu como uma bomba sobre mim. - Quero que conheça meu filho, Robert.

Vacilei dois passos para trás sem saber o que dizer. Suspirei pesadamente tentando inutilmente aquietar minha irritação. Como ela vem até mim depois de tantos anos em silêncio para me apresentar meu neto sem nenhuma cerimônia? Ela não sabia que pessoas velhas não podem se alterar?

- Nós precisamos conversar. - Nessie se quebrou numa súplica impossível de ser ignorada.

- Kaurê - chamei sem tirar os olhos da minha filha e do meu mais novo neto. -, preciso dos meus remédios para controlar a pressão, agora.

Ela sumiu de nossas vistas sem mais uma palavra. Fiz sinal para me acompanharem e forcei minhas pernas velhas a caminharem em direção à sala de estar.


{R_POV}

Me senti como uma peça de museu sendo exposta a olhos curiosos e isso me fez mais desconfortável ainda. Vovô deu dois passos vacilantes para trás.

- Kaurê, preciso dos meus remédios para controlar a pressão, agora.

Levou quase um minuto para Edward assimilar o pedido e nos guiar pelo corredor. Ele concordou com a cabeça e andou em direção à uma sala cheia de cadeiras e sofás confortáveis, nós o seguimos sem fazer qualquer ruído. Meu pai se sentou afastado de todos e Kate sentou ao lado dele; eu queria ir para lá, mas minha mãe me apontou um sofá de dois lugares em frente à poltrona de vovô. Sentei depois de um momento de hesitação e encarei meus dedos entrelaçados no meu colo, sentindo o calor dos olhos de Edward em mim, me avaliando.

Eu estava travando uma batalha emocional. Emoção por finalmente conhecer meu avô, mágoa por nunca nos apresentarem antes, raiva por dizerem que ele havia morrido e curiosidade para saber onde estava Isabella. E eu simplesmente não sabia qual delas era predominante no momento.

- O que vocês estão fazendo aqui? - ele perguntou secamente e eu me encolhi como se tivesse levado uma chicotada. Ele não nos queria ali?

Mamãe tomou uma respiração profunda ao meu lado.

- Eu sei que nada irá redimir as decisões que tomei há vinte e cinco anos atrás, nem minha atitude com o que aconteceu há quatorze anos, mas eu não posso seguir mentindo para o meu filho. - ela suspirou. - Não suporto mais dizer-lhe que seu avô está enterrado.

- Pois eu pensei ter ouvido que estava, de fato, morto e enterrado há vinte e cinco anos e que isso foi reforçado há quatorze. Ou vai dizer que a minha única filha não me disse isso?

A dor em sua voz era evidente e dessa vez quem levou a chicotada foi minha mãe.

- Isso é diferente.

- Me diga como. Eu não consigo ver como pode ser diferente.

Os dois se olharam com uma intensidade tão grande, que eu mesmo fiquei perdido naquelas expressões devastadas de pai e filha.

- Por quê? É tudo o que eu quero saber. - Edward falou.

- Me perdoe.

- Por que eu deveria? - mais uma vez o tom amargurado estava de volta. A postura dele era a de um homem quebrado pelas circunstâncias da vida.

- Por favor!

- Me dê um único motivo, Renesmee.

- Vocês dois! - interrompi pela primeira vez, fazendo o olhar de Edward cair sobre mim. - Alguém quer me fazer o favor de explicar o que está acontecendo?

- Então vocês não contaram nada ao garoto? - Edward perguntou depois de engolir o comprimido e beber a água que Kaurê lhe oferecia. Agora ele destilava arrogância. - Ele não sabe o que os pais fizeram com a própria família? Faz sentido ele estar do lado de vocês.

- O senhor pode, por favor, parar de agir assim? - pedi. Não sei o que me levou a falar daquela maneira, mas eu estava cansado de tudo aquilo.

- Só quando você deixar de ser ignorante. - ele revidou e naquele momento eu reparei que o tempo e os problemas deixaram-nomais do que apenas amargurado.

Ignorando meu avô, virei para minha mãe e ela entendeu que eu estava exigindo explicações, nada de meias-palavras. Seus olhos castanhos correram entre meu avô e eu e perderam o foco, como se estivesse perdida em memórias antigas.

- Sua avó e todo o resto da família estavam certos de que Isabella Swan-Cullen jamais poderia dar à luz uma criança depois de sofrer um aborto violento, onde ela perdeu os gêmeos. - até sua voz parecia distante e triste e eu relembrei do diário. - Uma longa história envolvendo a obsessão desmedida de um homem desequilibrado e que não vem ao caso no momento... Mas essa certeza se fez presente durante os primeiros dez anos de casados.

- Dez longos anos... - Edward murmurou pausadamente. - Mas tudo veio abaixo quando Bella começou a apresentar sinais de gravidez. Estávamos tão felizes com essa possibilidade, mas eu ainda tinha medo de que se acontecesse algo de errado com o bebê, Bells voltasse a se quebrar como da primeira vez. Tinha sido assustador. Eu não suportaria vê-la daquele jeito novamente e, confesso que, por um único instante de loucura, eu até cheguei a desejar que aquele bebê nunca tivesse existido. Naquele primeiro mês eu me mantive afastado, tentando fazer com que Bella não notasse meu medo, mas ela sempre foi muito observadora... Era uma gravidez de alto risco. Sabe o que é ver a pessoa que você mais ama enfraquecer dia após dia, mês após mês, sem que você possa fazer nada? As pessoas são fracas ante essas situações e eu não era diferente; precisava colocar a culpa em algo. Primeiro culpei a mim mesmo por... Bem, você sabe. Depois culpei Bella por insistir em dar continuidade àquela gravidez perigosa sem me dar a chance de opinar. E então eu culpei a pessoa que não tinha absolutamente culpa nenhuma: meu próprio filho.

Só naquele instante eu me dei conta de que nem meu pai e nem Kate estavam na sala ouvindo a confissão de Edward. Mamãe levantou do sofá e disse que ia atrás deles, pois já conhecia aquela história e voltaria logo. Ainda desconfortável por estar sozinho com um homem que eu conhecia tão bem e que me via como um desconhecido, eu pigarreei pedindo por mais explicações.

- Culpou uma criança inocente. Entendi.

- Não, rapaz. Você ainda está longe de entender. - foi a primeira vez que ele abriu um sorriso, mesmo que triste e cheio de remorso.


{E_POV}

.:Meados de Janeiro, 1969:.

- Ainda aqui, Cullen? - Jasper apareceu na porta da minha sala. - Achei que já estivesse em casa.

- Tem algo de errado com os cálculos financeiros. - resmunguei ainda encarando as informações espalhadas pela minha mesa. - A auditoria me deu isso aqui, mas esses números não fazem sentido para mim.

Jasper fechou a porta atrás de si.

- Olha, eu realmente não queria dizer assim, mas a Bella está com febre alta. - antes mesmo de ele terminar, eu já estava de pé, ávido por mais alguma coisa. - Calma, homem, ela está bem e Dona Esme está cuidando dela, mas eu acho que você deveria largar esses cálculos comigo e ir para casa. Pode pedir para Allie preparar aquela sopa cremosa que só ela sabe fazer para a janta?

Bella doente e ele quer que eu me concentre em sopa cremosa? Assenti mesmo sabendo que talvez não me lembraria disso quando chegasse em casa.

- Como ela está? - sussurrei assim que me sentei na poltrona ao lado da cama em que Bella estava dormindo.

- Nada grave. - Esme respondeu no mesmo tom. - Eu disse a vocês dois que tomar aquela chuva na clareira não iria fazer bem e olha só.

- Praga de mãe sempre acontece... - sorri e ela me beliscou de brincadeira.

- Eu vou fazer a janta para os rapazes, se precisar de algo é só me chamar, independente da hora, certo? - assenti e acabei lembrando da sopa. - Às vezes, acredito que aquele menino tem lombrigas residindo em seu corpo, pequenas fanáticas pela sopa da Alice.

Sorri e voltei a atenção para Bella, que continuava adormecida, apesar do pano molhado na testa e das gotículas de suor que se formavam. Passei aquela noite inteira trocando o pano úmido e vigiando seu sono, atento a cada gemido ou suspiro. Foi uma longa noite.

- Edward? - ela chamou assim que os raios de luz penetraram no quarto.

- Está melhor? - coloquei os dedos em sua testa e constatei que a febre havia abrandado. - Que susto foi esse, pequena?

- Veio de repente. - Bella sorriu.

Nas semanas que se seguiram, Bella tentava disfarçar, mas eu percebia que ela ainda não estava totalmente recuperada. Até que veio nossa primeira discussão realmente séria sobre ela deixar Carlisle examiná-la ou que ela fosse atendida por qualquer outro médico. Ela era tão malditamente teimosa que no fim da discussão eu estava quase arrancando os cabelos em tufos.

- Eu vou te carregar até o hospital durante o plantão de Carlisle e você vai ser examinada, Isabella. - ameacei, mas ela não recuou. - Quer que eu te amarre como fiz com Billy Black? Eu amarro, meu bem.

Só quando ela finalmente percebeu que eu estava realmente falando sério e não tinha espaço para discussão, ela foi a contragosto. Carlisle pediu por uma bateria de exames para uma análise completa e ele pediu que esperássemos um pouco na sala de espera. Ficamos lá plantados por quase três horas antes que meu pai aparecesse no corredor branco com um sorriso largo. Apesar de saber que não era nada grave, eu ainda precisava de uma afirmação verbal vinda dele.

- E então, pai? O que os exames acusaram?

- Acho melhor vocês se sentarem.

Fizemos o que foi mandado e tentei me agarrar à expressão serena de Carlisle como a minha tábua de salvação. Não é nada grave, não é nada grave, Bella está bem.

- Bem, por onde eu começo? - ele se perguntou retoricamente. - Vocês sabiam que desde o final da década de 20, os cientistas alemães vinham usando camundongos, coelhos e até mesmo sapos para identificar um hormônio em específico na urina das mulheres?

Oi? O que eu perdi? O que aquilo tinha a ver com os exames de Bella?

- Pai, o senhor está fazendo aquilo de novo. - não me levem a mal, mas Carlisle não era conhecido por sua habilidade em explicar a medicina para os leigos. Mamãe já estava acostumada e assentia todas as vezes como se estivesse entendendo, mas eu não podia fazer o mesmo quando precisava saber tudo.

- Oh, desculpem, crianças. O que eu quis dizer é que eu precisei segurar vocês aqui nessas últimas horas para que o teste chamado Inibição de Hemaglutinação* pudesse nos dar o resultado. Eu sei que ele não é tão exato quanto realmente gostaríamos, mas é o melhor que dispomos no momento e... Ele deu positivo! Bella, meus sinceros parabéns, você está grávida, querida!

*Também conhecido como teste Wide-Gemzell, foi o primeiro teste que não precisou usar animais como cobaia. A urina da mulher era testada para certas reações com o hCG, o hormônio da gravidez, purificado. Como necessitava seringas e tubos de ensaio, seu uso domiciliar era inviável, sendo disponibilizado apenas nos hospitais, mesmo que suas chances de exatidão não fossem das melhores. Os testes de gravidez só foram comercializados em 1976, por $10 o kit.

Parei de respirar e tentei entender o complexo significado daquelas simples palavras.

- Mas o Dr. Gerandy disse que... - Bella murmurou ao meu lado e eu me sentia incapaz de fazer qualquer movimento.

- Eu liguei para ele quando o resultado saiu e expliquei a situação. - Carlisle continuava sorrindo. - Ele disse que quando foi feita a raspagem do útero, ele acreditava que as chances de uma segunda gravidez eram quase nulas, admito. Mas lembre-se, Bella, 'quase nulas' não quer dizer que seria impossível e... Edward, meu filho?

Meus membros pareciam pesados demais. O que ele estava dizendo? Eu iria ser pai? Como assim?

- Edward? - olhei Bella e vi suas lágrimas rolando soltas; um espelho das minhas. - Você está bem?

Juntei o restinho de força que ainda tinha e a puxei para um abraço apertado. Durante dez longos anos, eu tive que arrumar forças para suprimir meu desejo de ser pai e, ao mesmo tempo, aparentar ser forte por Bella. Repeti para mim mesmo que aquele era um desejo inconcebível e alimentei a certeza de que nunca teria uma família como a de Jasper ou a de Emmett. Bella e eu seríamos apenas isso: duas pessoas remendadas e incompletas tentando lidar com a falta que os dois rostos que nunca pudemos conhecer causariam em nós.

Enquanto eu observava meus cunhados lidando com seus próprios filhos, brincando e educando à sua própria maneira, eu precisava jurar de pés juntos que jamais deixaria transpassar a pontinha de inveja que eu sentia deles. Esme e Carlisle tinham me ensinado a dar extremo valor à família, e esses ensinamentos fundiram em minha mente ainda jovem que eu iria ter filhos um dia com a mulher que eu amasse... Mas nada me preparou para a dor de perder dois pedaços de mim e provocar uma fissura tão grande na mulher que tinha meu coração. E sempre que meus sobrinhos corriam até mim para pedir ajuda com algo ou simplesmente me sorrir e dizer 'Amo você, tio Edwald', eu sentia aquele pedaço que almejava ser pai se expandir um pouquinho mais sem que eu pudesse suplantá-lo.

E quando a realização bateu sobre mim, eu cumpri meu desejo de dez anos atrás: corri pelos corredores brancos, gritando e pulando que eu iria ser pai. Algumas pessoas chegaram a apertar minha mão e me felicitar, enquanto outras apenas sorriam de longe. Eu estava nas nuvens até o segurança me pegar pelo antebraço e me guiar até a saída por estar fazendo estardalhaço e incomodando os doentes. Ainda sorrindo como um bobo, eu me sentei no banco do pátio, esperando por Bella e Carlisle que seguiam logo atrás conversando animadamente.

- Obrigado, meu amor. - beijei Bella com paixão, esquecendo que Carlisle ainda estava ali.

Sempre tinha sido meu sonho ter um filho e agora isso estava acontecendo. Minha pequena Bella estava gerando meu bebê – aquele ser que teria nossas melhores partes e teria nossos traços mais bonitos... É claro que eu estava feliz.

- Obrigado por me fazer o homem mais feliz do mundo e com o ego terrivelmente inflado!

Eu seria pai. E, sim, eu estava mais do que bem com isso.

- Está na hora do almoço, senhor Cullen. - a voz de Kaurê fez com que eu e o garoto pulássemos surpresos.

- Já? - ele perguntou parecendo um pouco desapontado por ter que interromper a história.

Parece que alguém estava tão absorto quanto eu nas antigas memórias.

- Kaurê, nos traga alguns cupcakes de nozes e chocolate. - ela fazia careta toda vez que eu pedia pelo doce. O que eu podia fazer se cupcakes de nozes com chocolate tinham o sabor do paraíso? Não era minha culpa e eu não sofria de Diabetes, então ela não podia me negar. - Vamos almoçar mais tarde, tudo bem, rapaz?

- Parece perfeito. - ele sorriu. Eu poderia dizer que ele era parecido comigo, mas além daquela mistura entre Jacob, Renesmee e eu, ele tinha o trejeito faciallevemente igual ao de Carlisle até onde eu posso me lembrar.

Quando Kaurê saiu, decidi fazer a pergunta que rondava minha mente desde que os vi parados no hall.

- E aquela menina?

Apesar dos olhos verdes e o cabelo parecido com o de Renesmee, ela não me parecia da família. Pelo menos, o olhar que o garoto lhe dava não tinha nada de fraternal.

- Kate?

- Você olha diferente para ela.

- É tão óbvio assim? - ele suspirou após uma careta, correndo os dedos pelo cabelo num gesto frustrado, como eu mesmo costumava fazer.

- Está tatuado na sua testa. - quem ele queria enganar? O olhar de devoção era um velho conhecido meu.

Ele sorriu desconfortável, suas orelhas vermelhas, e disse algo sobre ter sorte por ainda tê-la depois de ter cometido algumas faltas.

- Se quer um conselho, dê valor. - como se dá conselhos a um neto que você nem sabia que existia? Será que tem um manual sobre isso? - Ninguém consegue ser bom o tempo todo e complicações são comuns. O que eu estou dizendo? Jovens não param para escutar os conselhos das múmias velhas.

Robert riu.

- Obrigado, vovô. Não vou esquecer-me disso.

Se existia algo tão emocionante quanto "Eu te amo, papai" e "Você é minha vida, Edward", esse algo era "Obrigado, vovô". Sei que era simples e a maioria dos avôs jamais ligaria tanto para uma coisa dessas, mas para um homem que por uma década achou que nunca poderia dar continuidade à sua linhagem e depois de alguns anos ver a filha virar as costas para nunca mais voltar... Bem, eu passei os últimos quatorze anos achando que morreria sozinho, exceto pela companhia de Kaurê, claro.

Ver aquele garoto, assustadoramente parecido comigo, agradecer por um conselho barato, me fez inflar um pouquinho por dentro. Tratei de espantar o orgulho e me concentrar em contar-lhe o resto, afinal, era para isso que os avós serviam, não? Eles relembravam como tinha sido sua infância e enchiam os ouvidos dos netos até entediá-los.

- Eu sei sobre o senhor.

- O quê? - eu estava numa idade onde era comum imaginar que seus ouvidos estavam captando ruídos e inventando coisas. - Disse alguma coisa?

- Estamos aqui porque eu insisti em saber mais. - ele continuou lentamente. - Kate e eu encontramos uma carta sua endereçada à Isabella Swan e depois topamos com um baú onde tinha fotos, o anel, documentos e o...

- O diário. - terminei por ele. Sim, eu me lembrava perfeitamente daquele baú que Bella e eu arrumamos para encaixotar uma pequena parte das nossas lembranças. - O diário que eu nunca pensei que alguém leria ou se interessaria. Mas não se engane achando que me conhece pela descrição que Bella fez no diário, ela deixou muitos aspectos negativos de fora quando o escreveu.

- Tipo o quê? - sua voz era descrente.

Inflei mais um pouquinho por dentro. O quê? Ele achava que eu era perfeito como fui descrito, mas ainda assim eu tinha que acabar com aquela imagem.

.:Início de Agosto, 1966:.

Bella me olhou por longo tempo e não disse absolutamente nada. Continuei a tarefa de pintar de bege o quarto que transformaríamos em uma biblioteca, tentando ignorar aquela avaliação perturbadora. Finalmente seu silêncio me venceu.

- O que foi? Por que está me olhando assim?

Por algum tempo ela continuou calada e eu já tinha desistido de receber uma resposta.

- Estou tentando entender o que Charlie disse na carta.

Soltei o pincel com um suspiro. Fazia mais de uma semana que tínhamos recebido aquela carta nada convencional no casamento de Renée e Philip e eu sinceramente esperava que ela já tivesse esquecido qualquer coisa referente à mim descrita por seu pai.

- O que você quer saber?

- Não me tome como uma tola, Edward. - as palavras eram duras, mas seu tom era gentil. - Charlie se referiu a você como um exímio manipulador.

- Eu sinceramente não entendi isso. Talvez ele pense assim devido às circunstâncias em que eu fui escalado na empresa. Quando eu o flagrei traindo Renée com Irina Denali, ele ficou com medo e rapidamente me desincumbiu da tarefa duvidosa que tinha me designado antes.

Bella ergueu uma sobrancelha.

- Que tarefa duvidosa?

- Era sobre isso que ele falava quando pediu a você para me perguntar sobre o italiano. Quando eu tentei entrar na Corporação Swan, ele estava num verdadeiro pé de guerra com os Volturi, isso não era novidade, mas ele queria dar um passo a mais para ficar à frente de Aro. - sentei no chão e não olhei para nada em específico. - Para conseguir isso, Charlie precisava de alguém dentro da empresa Volturi, mas todos os funcionários de lá eram extremamente leais, restando apenas a opção de inserir alguém de 'fora' para obter todos as informações que ele precisava, como contratos, alianças, inimigos e segredos podres. Charlie bateu os olhos em mim e, quando viu que eu era capaz de falar italiano fluentemente, achou que eu seria capaz de me tornar um funcionário de Aro, tendo acesso às ligações que ele tinha com vários dos maiores políticos do país.

Ela se juntou a mim no chão e eu continuei.

- Haviam apenas rumores de que Aro era um dos grandes chefes da máfia italiana, mas que seus inúmeros crimes e assassinatos passavam batido por ele ter essas conexões com os poderosos do mundo político. Eu era apenas um cara que não tinha nada a perder e o dinheiro oferecido por Charlie era quase impossível de ser recusado e eu pensei "Por que não?". Além disso, o dinheiro poderia vir a calhar no tratamento de Esme. Então eu decidi aceitar a oferta e, quando procurei Aro, ouvi sem querer uma conversa onde um Senador italiano e um Ministro americano reclamavam com Aro sobre todos eles estarem com o rabo preso em alguma tramoia ilícita envolvendo o abuso sexual e o assassinato de oito menores de idade. Eu enfim vi o real perigo da situação em que eu estava me metendo. Voltei para Charlie com a intenção de pular fora e o peguei no sofá com Irina. Depois disso você conhece a história.

Olhei-a de soslaio e não recebi nenhuma resposta.

- Sei que concordei com uma coisa dessas, mas juro que foi no calor do momento e sem pensar, Bella. Acho que eu não iria me tornar duas caras a fim de entregar os dois e esperar o circo pegar fogo.

- Você "acha"? - ela me olhou intensamente.

- Sim, quem sabe o que realmente teria acontecido? Eu simplesmente não sei. Estou apenas sendo sincero. Poderia ter dado errado e eu teria me envolvido com as pessoas erradas ou poderia ter dado mais errado ainda e eu estaria à sete palmos do chão. Tudo o que posso fazer é agradecer a maneira como as coisas terminaram.

Envolvi-a em meus braços e dei um apertão carinhoso, indicando qual era a parte que me alegrava.

- Eu nunca fui o típico santo que ela fazia questão de pintar. - suspirei pela enésima vez. Bella também não sabia dos meus problemas com os cigarros na adolescência.

- Acho que ela apenas descrevia como o via. - o garoto deu de ombros tentando me fazer sentir melhor. - Então o senhor fala italiano...

- Per tuttociòcheè santo, ragazzo! Quem você acha que trouxe Joseph Bernard para trabalhar na mansão de Forks? - sorri ao relembrar do bom e velho Joseph. - É uma pena que homens como ele não sejam encontrados com tanta frequência...

- Bern, o filho, é assim também. Ele continuou com a gente depois que o pai morreu.

Assenti e fingi que sabia de quem ele estava falando. A verdade era que eu tinha visto o jovem Bernard "Júnior" pouquíssimas vezes e nem me lembrava de seu rosto.

- Bom, estou ouvindo. - ele fez sinal para que eu continuasse com a história.

.:Meados de Agosto, 1969:.

Se aquele era o desejo de Bella, como eu poderia negar? Eu tinha prometido apoiá-la em toda e qualquer decisão e tentava arduamente acreditar que eu era capaz de fazê-lo no momento que ela mais precisava.

Sua barriga não era muito grande, mas devido ao peso que perdeu nos últimos meses de gestação, fazia parecer que ela havia engolido uma melancia. Nem Carlisle e nem Dr. Gerandy conseguiam identificar o motivo de toda aquela fraqueza que Bella vinha demonstrando. Ela tinha que permanecer no soro isotônico, mas naquelas últimas semanas quando seu estado de desnutrição e desidratação extrema ficavam críticos, eles trocavam para o soro hipertônico. Bella melhorava por um tempo e depois voltava a piorar; como uma montanha russa maluca.

Eu simplesmente não dormia. Como poderia pregar os olhos sem saber se iria ver minha mulher viva no dia seguinte? Às vezes, o cansaço me vencia e eu acordava com um sobressalto, apenas para encontrar uma Bella muito mais pálida e com a aparência ainda mais frágil que antes. Meu coração se quebrava em pedacinhos e o intestino se contorcia, mas eu lhe dava um sorriso encorajador em resposta, uma vez que aquela foi a única escolha que ela me deu.

- Eu não vou interromper o desenvolvimento do nosso filho, Edward. - era o mantra dela todas as vezes que percebia minha fachada ruir e mostrar o quão miserável eu estava ao vê-la daquele jeito.

Ainda no início, quando ela começou a desmaiar e vomitar mais que o normal, eu fiquei com medo de que a teoria do Dr. Gerandy sobre ela não suportar manter uma criança em seu ventre estivesse certa e que Bella acabasse abortando. Quando isso não aconteceu, meu pai e os outros médicos que estavam cuidando dela, disseram que era uma gravidez muito arriscada, tanto para o bebê quanto para Bella, e eu fiquei furioso por ela apenas me informar que iria até o fim com aquilo, independente se ela sairia viva da experiência. Se eu perdesse Bella, eu perderia tudo, ela não via isso?

Então eu sorria forçadamente e recorria às orações esquecidas nos meus tempos de criança. Eu pedia dia e noite que ela ficasse bem, mesmo que... Bem, mesmo que aquela gravidez não tivesse um desfecho bom. E era nessas horas que eu me horrorizava com meus próprios pensamentos. Eu sabia que era tão fraco quanto qualquer outro ser humano, mas nunca achei que no mais fundo do meu cérebro eu pudesse me rebaixar a tanto. Pelo amor de Deus, era da nossa criança que eu estava falando! Mas por alguns meses eu não fui capaz de afastar esse pequeno monstro dentro de mim.

- Edward, você vai ficar comigo hoje à noite?

- Por que você insiste em me manter por perto, Bella? Eu sou um monstro.

- É claro que não, você é o homem mais incrível que eu já conheci. – ela sorriu fracamente.

Sim, mas ela não sabia qual era o desejo daquele repugnante ser dentro de mim. E se dependesse de mim, jamais saberia.

Eu só pude suplantar o monstro quando senti nosso bebê se mexer pela primeira vez, pois foi quando eu totalizei tudo o que Bella e eu havíamos criado juntos. Foi naquele momento em que eu realmente me senti um pai, daquele que faria absolutamente tudo pelo filho, incluindo dar a própria vida – como Bella estava arriscando fazer. Foi naquele momento que eu entendi o que ela queria dizer; o motivo de sua irredutibilidade.

Dizem que uma mulher se torna mãe assim que descobre que está grávida e que o homem apenas é pai depois do nascimento. Eu podia dizer que havia entendido o significado disso.

- Eu entrei em pânico no dia que Bella começou a gritar de dor. – revelei sem nenhum pingo de vergonha; aposto que qualquer homem que se preze entraria em pânico também.

- Tem que ser mais específico. – o garoto deu de ombros. – Minha mãe nunca me contou nada.

Eu estava tentando tirar um cochilo, mas o grito de Bella me fez descarregar uma dose de adrenalina muito acima do normal. Corri até o quarto onde ela estava sendo mantida e encontrei Carlisle correndo de um lado para o outro, ele estava claramente preocupado, tentando não entrar em desespero.

Não havia mais ninguém em casa.

- Dr. Gerandy, prepare a mesa de cirurgia. Precisamos induzir o parto antes que... – ele percebeu minha presença e calou o que estava prestes a dizer. – Urgente, doutor.

E o resto foi um borrão.

Já disse que não estou caducando! Eu não me lembro do que houve naquele dia porque tudo aconteceu muito rápido e meus nervos estavam no limite enquanto eu esperava na saleta do hospital por qualquer notícia sobre minha mulher e meu filho. Eles ficaram horas incontáveis na sala de cirurgia e tudo o que eu podia fazer era mirar no quadro de um bebê sorridente, e repetir as preces recém-decoradas.

Depois do que me pareceram séculos, Carlisle apareceu no corredor com o semblante contido. Ele sempre exibia aquela expressão quando estava prestes a dar uma notícia ruim e isso fez minhas entranhas se retorcerem loucamente. Eu iria vomitar a qualquer instante.

- Você é pai de uma menininha. – ele sorriu, mas eu não consegui fazer o mesmo; precisava saber mais que isso. – Ela é prematura, mas vai sobreviver uma vez que a gravidez durou pouco mais de oito meses. Está tudo bem desenvolvido, mas vamos manter um olho nela por alguns dias.

- E a Bella?

Carlisle suspirou e sentou ao meu lado, esticando o braço para apertar meu ombro.

- Ainda está desacordada e muito debilitada. Só posso dar um relatório exato sobre a saúde dela quando acordar, o que pode demorar um pouco. Quer ver sua filha?

Assenti, ainda preocupado com Bella. Caminhamos por um corredor sem fim e eu percebi que estava começando a odiar hospitais. Aquela cor, aquele cheiro, aquele silêncio e aquele clima me deixavam nauseado, me fazendo desejar poder fugir dali. Dobramos numa esquina e reparei no enorme vidro da maternidade. Só tinha meia dúzia de bebês e eles eram todos tão pequeninos e de aparência tão frágil...

- Cadê ela, pai? – não sei como, mas eu simplesmente sabia que nenhuma das meninas ali era minha filha.

- Olha ela ali. – ele apontou para uma enfermeira que vinha com um embrulho para colocar ao lado dos outros bebês.

Observei-a colocar minha filha ao lado de um garoto e a diferença de tamanho era impressionante. Parecia que ele tinha quase três meses a mais que ela. A pequena incubadora em que ela foi posta me parecia tão desconfortável... Parecia tão errado deixa-la lá e meu coração apertou por isso.

- Ela vai ficar bem, Edward. É saudável apesar de tudo.

Minha filha ainda estava toda enrugada e com o rostinho muito vermelho. Depois de bater os olhos nela pela primeira vez, eu finalmente entendi que era impossível não amar alguém tão pequeno e delicado. Meu sorriso finalmente despontou quando ela começou a se debater e a chorar. Como um dia eu tivera a coragem de desejar que ela não existisse? Bella estava certa, ela era nossa melhor parte.

- É linda... – admirei.

- Parabéns, papai. – Carlisle sorriu e me deu tapas nas costas.

Sabendo que ela ficaria bem, um peso foi retirado dos meus ombros. Agora eu precisava saber como Bella ficaria.

- E como ela ficou?

- Desacordada por quase três dias, ficou internada por mais de duas semanas, perdeu muito sangue devido a uma hemorragia que quase não foi estancada a tempo, uma leve infecção hospitalar no fim da internação e Renesmee quase morreu asfixiada com o cordão umbilical. – enumerei, mas eu ainda tinha certeza de que alguns problemas tinham ficado de fora da contagem, eu só não conseguia me lembrar de quais no momento. – Ter as duas vivas depois disso tudo pode ser chamado de milagre.

Tinha sido muito pior do que eu poderia guardar na memória e eu era eternamente grato ao meu pai e ao dr. Gerandy. Eles salvaram as duas mulheres mais importantes para se recuperou aos poucos e nós tomamos todas as providências possíveis para não haver chances de uma terceira gravidez acontecer.

- Como aquela caixa foi parar na casa de Forks?

- Bella e eu a deixamos no sótão quando nos mudamos para Londres. – percebi que ele queria perguntar mais. – Calma, rapaz. Vamos por partes. Cada coisa ao seu tempo.

- Por que o senhor tirou as páginas finais do diário? – sua voz transbordava curiosidade.

- A maneira como Bella descreveu o que passou durante a gravidez e o que ela se lembra do parto era como uma maldição para mim. – suspirei, comendo mais um cupcake para ganhar mais tempo para organizar os pensamentos. – Era doloroso, então eu rasguei as páginas. Faz muitos anos e agora me arrependo disso. Eu não tinha o direito.

O celular do garoto começou a tocar com um daqueles barulhos estridentes que os adolescentes ouviam, jurando que era música.

- Desculpa, é meu avô Billy. – fiz sinal para ele seguir em frente e atender. Queria pistas para saber como o velho Black estava. – Oi, vô. Não sei quando vamos voltar. Não, meu pai está... Acho que ele está almoçando. Não, vô, eu não estou sozinho, relaxa. O quê? William Black, o senhor está caducando, meu velho. Pare com isso.

Ele continuou a rir com Billy e fazendo alguns gracejos. Confesso que naquele minuto fui acometido por uma inveja quase irracional. Billy teve a família por perto todos esses anos, ele teve o que me foi negado. Ele viu o neto crescer enquanto eu definhava com minha solidão. Para ignorar aquele misto de sensações ruins, liguei a velha vitrola que ainda tinha e deixei que a melodia de Frank Sinatra e J. Secada levassem embora o que eu estava sentindo. Aquilo sim era música, não o que o garoto parecia gostar de ouvir.

- The best is yet to come? – a voz dele me tirou dos devaneios.

- Conhece?

- Não sou um dos maiores fãs, mas tenho uma leve paixão por músicas clássicas, além de algumas bandas que surgiram a partir dos anos 70.

Fiz cara feia.

- Até a década de 60 ainda se faziam músicas, mas depois disso virou festa. – e não, dessa vez eu não estava discordando apenas por pirraça. – Os anos 80 foram os piores. Barulho demais, entende?

Ele sacudiu a cabeça, rindo baixinho.

- O melhor ainda está por vir... – cantarolei levemente junto com Sinatra, ganhando outro sorriso de Robert. – É, o melhor vem agora. – murmurei amargamente.

O brilho da curiosidade continuava iluminando seus olhos e eu me perguntei se havia outra maneira de sanar aquilo sem que eu precisasse passar horas contando tudo o que passei em minha vida. Não tinha. O garoto queria cada mínimo detalhe e pediu que a tal Kate ouvisse tudo também. Como eu poderia negar algo quando ele fazia aquele maldito biquinho? Era injusto e ele sabia disso.

Me peguei contando sobre como foi levar minha filha para casa pela primeira vez depois de quase um mês de cansativas idas e vindas do hospital, como foi dar o primeiro banho ou trocá-la pela primeira vez, como foi ficar acordado a noite toda quando ela sentia alguma dor de ouvido ou de barriga, como foi vê-la arriscar os primeiros passinhos e chamar por mim pela primeira vez, como foi difícil deixa-la na escolinha e longe da minha vista, como foi difícil aceitar que meu bebê estava crescendo tão rápido e que logo viria seu primeiro amor adolescente... Ah, é como dizem: a primeira vez a gente nunca esquece.


De acordo com as minhas contas, esse é o antepenúltimo capítulo, mas eu não posso garantir nada porque sempre pode surgir mais alguma coisa, ok? Agora vocês sabem de boa parte que o vovô Edward passou nos anos seguintes. E Nessie não é adotada, como puderam ver. Minha tia me contou sobre uma gravidez, na década de 70, com essas mesmas complicações, mas a mãe morreu na sala do parto infelizmente, só que eu não podia fazer isso com a Bellinha, rs.

Se tem uma coisa que eu odeio é: ficar sem internet e mudanças de última hora. Okay, foram duas. A questão é que eu estou na minha mãe, pois meu pai simplesmente decidiu que não suportava mais Pelotas e que iríamos nos mudar (podem me chamar de cigana, já acostumei kkk), então eu estou sem net e sem ter onde escrever. Odeio isso. Ah, mais uma coisinha, até agora teremos dois extras –Até que a Terapia os Separe e Um, Dois, Três. Os nomes são idiotas, eu sei, mas vai ser uma coisa levinha e espero que vocês gostem. Até o próximo capítulo (Entre Pais e Filhos).

Nanny: Bem, infelizmente demorei muito...

Vitoria: Eu bem que estranhei essa sua ausência, rs... Já estava arrancando os cabelos "Por que ela me abandonou? O que eu fiz?" LOL. Confirmado: Vidência total; às vezes você me assusta :)

Mill-Pattz: Por isso, para ser bem boazinha, eu vou contar o segredo no próximo e teremos mais três capítulos de despedida. Compensado? ;)

pink: Se serve de consolo, na minha próxima fic ele será do bem ^^. Esse capítulo aqui está pronto desde quando eu postei o último e eu realmente tinha intenção de postá-lo do dia do seu aniversário quando li sua review, mas os contratempos só me permitiram postá-lo agora. Desculpa pela demora, mas felicidades para ti mesmo assim (atrasado, eu sei, mas o que vale é a intenção, certo?). Beijinhos e até o próximo.

Lu Bass: Se bem que Clancton-on-Sea deve ser também uma fofura *-* Obrigada por cobrar o capítulo e sinta-se à vontade para cobrar mais, ok? (Mas eu juro que faço de tudo para não ser necessário!). Eu tenho duas em mente: Ruas de Chicago e a segunda que é mais uma comédia romântica não tem nome ainda :x Beijo!

Lgia Marcondes: Muito obrigada pela dedicação, de verdade *u*

Ktia S: Vá ser lerda assim lá na... Casa do Edward :D Isso, melhor assinar e deixar tudo certo.

Bruna Marcondes: Você acertou! É ele sim e vamos ter mais de vovô-Ed nos próximos \o/

Gabi Barbosa: E aí? As peças começaram a se encaixar? rs

MayKraulz: Acertou em cheio, garota! rs Quando eu imaginei a cena, eu me derreti toda *-*


Acreditem e logo o próximo capítulo chega, Okay? Respirem fundo, rs.

Beijos!