A ORIGEM DO COBOGÓ PERNAMBUCANO, QUE MARCOU PRESENÇA NA ARQUITETURA MODERNISTA BRASILEIRA E VOLTOU COM FORÇA TOTAL NO DESIGN DE INTERIORES. Quem já não conhece a origem do cobogó, poderia facilmente pensar que este nome possuiria alguma origem indígena. Ou talvez, sabendo que o Cobogó ocorreu no Nordeste, mais pontualmente em Recife, poderia ainda imaginar que a palavra tivesse origem na cultura africana. Porque não. Esses charmosos blocos vazados, que hoje em dia tomam forma a arrebentar dos mais variados materiais, foram inspirados em elementos da arquitetura sarraceno e deste modo batizados pelos seus fabricantes, desde suas iniciais: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góes. CO-BO-GÓ. Obra: Cobogó 2 - Breno Rodrigues 2010 - espaçador para ladrilho sobre compensado plastificado. Pilha Variedade Vernáculo de Brasília. A inspiração veio do muxarabi (Mashrabiya): elemento da arquitetura mouro, que consiste em treliças de madeira instaladas nas sacadas e janelas das moradias, no objetivo de permitir a exórdio destas sem para tanto, possibilitar que as mulheres fossem vistas da rua. A prática islâmica proíbe a representação artística de qualquer elemento vivo, pois acreditam que a perfeição das formas criadas por Allah não poderiam jamais ser alcançadas pelas mãos humanas, o que resultaria em uma ofensa. Embora não esteja expressamente determinado no Al Corão, ao longo dos séculos, essa prática fez com que eles se especializassem na arte das formas geométricas e dos arabescos, dos quais testemunham não só seus muxarabis, porém também suas residências, mesquitas, joias e objetos pessoais, de formosura nunes. E como sua manancial de inspiração, o cobogó soube se aproveitar das infinitas combinações geométricas para logo deixar de lado o seu papel funcional e passar a ser parte decorativa da obra. Originalmente em concreto, o cobogó foi gerado e patenteado em 1929, pelo mercador lusíada Amadeu Oliveira Coimbra, o germânico Ernst August Boeckmann e o engenheiro pernambucano Antônio de Góes. Os três moravam em Recife, no início do século, trabalhavam na construção social, e a criação foi uma solução para amenizar as condições climáticas no interior das moradias nordestinas, e elevar paredes sem vedar a ingresso de espaço no envolvente. Uma ideia simples e barata, que se popularizou rapidamente, passando, nos anos 1940 e 1950, a encher também o interior de casas, servindo como divisória de ambientes. Adotado pela arquitetura modernista, esse recurso passou por mutações, e foi muito usado na construção da novidade capital, sendo facilmente encontrado em casas e prédios públicos do projecto piloto. Parque Eduardo Guinle, por Lúcio Costa, Rio de Janeiro, 1954. Nos últimos anos, o cobogó voltou com força total na decoração, podendo ser encontrado em materiais muitos, como insensibilidade, vidro, cerâmica ou madeira, e até em peças de design, como nesta mesa dos irmãos Campana. Confira várias aplicações do cobogó selecionadas pelo portal Anual Design, como na “Vivenda Cobogó”, onde Marcio Kogan utilizou peças desenhadas nos anos 1950 pelo teuto Erwin Hauer, que fornecem iluminação, circulação adequada de espaço e maravilhosos efeitos de sombra nos ambientes, ou ainda, na Biblioteca Vernáculo de Brasília, de Oscar Niemeyer e no Parque Eduardo Guinle de Lúcio Costa no Rio de Janeiro. Veja outras sugestões de uso de cobogos, conheça nosso novo post "O magnetismo do cobogo". CLIQUE AQUI. Moradia do Balão Carmim, por Leo Romano, possui uma parede inteira envelopada por Cobogó |