CAPITULO XIII

Pansy tentou argumentar, porém parecia que Harry havia pensando em todas as objeções que ela poderia fazer em acompanhá-lo à França. Conseguiu transformar toda as suas argumentações em preocupações to las. O problema era que ele tinha razão, Pansy precisava reconhecer, pois seu obstetra havia re comendado um especialista em Montpellier.

- Parece que sou a única que está cedendo - ela observou, olhando para o cardápio da pequena lanchonete na qual Harry insistiu em parar, du rante o trajeto do aeroporto até onde ficariam. - Não sei nem falar francês.

- Você soa tão britânica algumas vezes - ele zombou, com um sorriso maroto. - Imagino que consiga, ao menos, pedir comida.

- Isso é uma coisa, ter um bebé onde ninguém entende o que digo é outra bem diferente.

- A maioria dos funcionários daquela clínica fala inglês. Assegurei-me disso, também. Contra tei uma enfermeira que nos fará companhia nas duas últimas semanas.

Pansy meneou a cabeça. Harry fora muito compreensivo ao constatar que ela não era capaz de cuidar de si mesma.

- Não quero a companhia de ninguém que não conheço - Pansy reclamou, em uma manifes tação flagrante de autopiedade.

- Sua mãe poderá ficar conosco, já lhe disse, ou Luna, se você preferir. Além disso, você me conhece.

- Sinto muito por não estar me sentindo confor tada. - Pansy concentrou a atenção em uma fa mília, sentada à mesa vizinha: quatro gerações, com preendendo desde uma setuagenária até uma crian ça que mal começara a andar. - Minha mãe é a última pessoa que quero por perto no nascimento e Luna está ocupada com sua festa de casamento.

Fiona havia aconselhado a filha a optar pela mais avançada técnica de dar à luz, e suas lendas sobre as horríveis experiências que passara só ser viam para alimentar os receios de Pansy.

- Então, como eu disse, terá de se contentar comigo.

Pansy o olhou, estupefata.

- Você quer assistir ao parto, Harry?!

Ela não esperava por aquilo e não sabia o que pensar a respeito. Harry era tão possessivo com o ser que crescia dentro dela que a deixava, al gumas vezes, com ciúme. Tentou ignorar a tristeza que a tomou.

Harry ergueu as sobrancelhas espessas e sorriu.

- E lógico que assistirei!

- Mas... é muito íntimo. - Esboçou um sorriso sem graça, sentindo-se embaraçada.

- Tanto quanto a concepção, pelo que me lem bro - retrucou, carrancudo. - Ou precisa que sua memória seja refrescada? Não estou brincan do de ser pai, Pansy. Comprometi-me de verdade com a situação.

"Mas não comigo." Pansy enfrentou o pensa mento doloroso. Algumas vezes bastava lembrar-se daquela verdade para que tomasse consciência da real situação entre eles e de que só houvera aquela única noite inesquecível.

- Duvido que deseje repetir a dose, conside rando meu estado atual, Harry.

- Pelo contrário, gostaria muito, mas o médico me avisou que terei de me manter a distância, pelo menos por enquanto.

- Por que ele lhe disse isso? - perguntou, escandalizada.

- Porque perguntei.

- Você... - Pansy estava chocada. Sentiu-se agradecida pela chegada do lanche.

- Experimente isso. É uma espécie de queijo, feito na região. - Harry aproximou o garfo dos lábios dela para que provasse um pedaço. - Gostou?

- Muito bom. - Pansy colocou um pouco no prato.

Deu-se conta de que aquele gesto casual pareceria doce a qualquer um que o houvesse visto. Porém, ela não se iludia: Harry ressentia-se por ela ter invadido a vida dele e estava procurando fazer o melhor possível diante daquela situação inesperada.

- Ainda não compreendo por que não pude ficar na Inglaterra, Harry. Você poderia me visitar lá.

Tudo acontecera tão depressa... Se ao menos houvesse conseguido convencer Harry de que não precisava dele... A verdade era que precisava. O médico deixara bem claro que Pansy não poderia ficar sozinha até o final da gravidez.

- Está muito mal-humorada - observou Harry, com azedume. - Achou a viagem muito can sativa? Só falta mais uma hora para chegarmos, mas poderemos passar a noite aqui, se preferir.

- Sinto-me ótima - assegurou Pansy.

O vôo até Toulouse fora tranquilo, e a viagem de carro, agradável. Harry parara várias vezes para que ela pudesse esticar as pernas.

- Quero participar da vida de nossa criança desde o início, Pansy. Não tenho a mínima intenção de ser um pai de finais de semana.

- E quanto a mim? O que quero não conta? - indagou, frustrada.

- Você precisa de alguém que controle seus abusos.

- Não me irrite! - Não deixaria que nada colocasse seu filho em risco, não importava o que Harry pensasse.

- Aposto que teria corrido de volta aos braços de Comarc assim que os hematomas desaparecessem.

Os olhos de Pansy soltaram faíscas.

- Isso é assunto meu, Harry.

- Conte-me sobre ele!

O tom autoritário deixou-a perplexa.

- Não sei o que quer dizer.

- Quero dizer: será que Comarc tem qualidades e atrativos que só são aparentes para quem des fruta da intimidade dele? Se for esse o caso, deve conhecê-las muito bem, já que têm um relacionamento tão próximo. Ou tem índole masoquista? Sente-se atraída por homens brutos?

- Nunca disse que estava tendo um caso com Comarc. Foi você quem concluiu isso.

- Quer dizer que não tiveram? Por que outro motivo foi encontrá-lo no estacionamento? Duvido que tenha sido por pura coincidência.

- Qual é o problema? Seu ego ficou machucado com a ideia de que pulei de sua cama para a de outro homem? - Pansy não tinha a mínima intenção de se justificar quando tudo o que Harry fazia era insultá-la. - Pensei que já houvesse concluído que eu havia dormido com todos os fun cionários do Ministério.

Não desejava que Harry insistisse naquele as sunto, ela já havia dito a ele que esperava por Luna e ele parecia não ter acreditado. Se ele soubesse como eram falsas suas suspeitas com relação a Comarc, teria tranquilidade suficiente para adivinhar seus verdadeiros senti mentos com relação a ele. Até então, Pansy es condera sua insegurança e sentimentos ambíguos atrás da estúpida desconfiança de Harry.

- No meu estado atual, não precisa se preo cupar com isso, Harry. Estou tão atraente quanto uma baleia encalhada.

O gesto de Pansy chamou a atenção de Harry para o corpo gracioso.

- Ficou furiosa comigo quando descobriu que estava grávida?

- Furiosa? - Ela o encarou, confusa.

- Seu futuro estava planejado com tanta per feição! Uma criança não tinha lugar nele. Seria natural que me culpasse.

- Está tentando me obrigar a confessar que não quero meu bebé para que, então, possa tirá-lo de mim?

Ele fez um gesto impaciente.

- Sei que o quer! Sei muito bem que é a mim que não quer, mas esse assunto não está em de bate. A propósito, há algo que desejo discutir com você. No ano que vem, pretendo lançar uma nova marca de vinhos. Precisarei de alguém competente para conduzir a campanha de lançamento.

- Está me oferecendo um emprego?

- Qual é o problema? Não se considera boa o suficiente para encabeçar essa tarefa?

- Já me despediu uma vez, lembra?

- Lembro que foi você quem pediu demissão.

- Não tinha outra saída.

- Não imagina o impacto que provocou em mim, Pansy. - Os olhos verdes a focalizavam, com persistência.

- Como é? Não entendi.

- Naquela noite, você se mostrou a personifi cação de todas as fantasias eróticas que tive na vida. Foi calorosa e sensual. Eu deveria agradecer-lhe por haver me trazido de volta à realidade de maneira tão abrupta, quando acordei, na ma nhã seguinte, e encontrei a cama vazia. Poderia ter cometido o erro de ter con fundido desejo com uma paixão maior.

- Não se pode dizer que tenha sido uma vítima passiva, Harry. Para sermos sinceros, não ganha remos nada se ficarmos tentando encontrar o cul pado do que aconteceu. Fizemos um bebé, e é isso o que importa. Se isso não houvesse acontecido, eu não estaria aqui e nós não estaríamos juntos.

- Por que procurou por Comarc, e não por mim? - A pergunta a pegou de surpresa.

- Não procurei Comarc, Harry, já lhe disse. Eu esperava por Luna e ele apareceu...

- Não importa. Isso não muda nada - inter rompeu, tenso.

Pansy fitou-o, amargurada, e afastou o prato para o lado. Às vezes, pensou, irritada, ele agia como se estivesse com ciúme. O que era ridículo.

Algumas horas depos eles chegaram ao destino. A vasta casa de fazenda, toda de pedra, ficava incrustada na encosta de uma montanha, de onde se avistava o vale verdejante.

- Você dormiu como uma criança - disse Harry quando Pansy acordou e olhou em volta, confusa.

- Já chegamos?

- Não é tão remota quanto parece. - Harry ajudou-a a sair do carro. - A outra estrada leva até uma cidade a apenas alguns quilómetros daqui. Tenho uma governanta e ela concordou em mudar-se para cá, pelo menos até o bebé nascer. Portanto, não ficará sozinha. Ela fala inglês muito bem.

- Terei uma carcereira? Que agradável!

Era inverno, mas notava-se que aquele era o tipo de lugar que ficava florido durante todo o verão. Pansy encantou-se com a beleza da propriedade.

Enquanto Harry tirava as malas do carro, uma garota bonita, magra e ruiva surgiu da casa, desceu as escadas correndo e atirou-se nos braços dele. Beijou-o nos lábios e, então, afastou-se, sorrindo.

- Quando chegou aqui, Ginny? - Harry não parecia surpreso pela forma como a garota o cumprimentara.

Pansy notou que o perfil de Ginny era nada menos do que perfeito. Lembrava dela de Hogwarts como uma pequena ruiva sem graça, mas ela estava linda e em forma. Aquela constatação fez Pansy se sentir feia e nada atraente.

- Sábado passado. Rony me pediu uma ajuda, já que você estava... preso em Londres. - A ruiva lançou um olhar frio na direção de Pansy e, então, voltou a atenção para Harry.

- Muita bondade de sua parte, Ginny. Como tem estado o tempo por aqui?

- Frio o suficiente para me fazer sentir em casa.

O vento estava cortante, e Pansy podia senti-lo penetrando através do tecido leve da jaqueta que usava. Sentia-se como uma intrusa olhando apra a interação dos dois. Havia intimidade.

- Se não se importarem, eu gostaria de entrar - Pansy interrompeu-os.

- Desculpe-me, não as apresentei. Pansy, esta é Ginny Weasley, a irmã de meu sócio, Rony, irmão de George e filha de Arthur.

Sua ex-noiva, Pansy reconheceu.

- Creio que não é necessária a presentação, frequentamos Hogwarts! -

Ginny falou sorrindo.

- Cuidado com as pedras da entrada - Harry avisou, enquanto Pansy se afastava. - Ficam muito escorregadias quando chove.

Pansy entrou quase sem fôlego na sala espa çosa de piso de lajota, decorada com muito bom gosto. Seguiu até a cozinha, também muito ampla, de paredes de pedras escuras, onde se viam de licados vasos com flores e ervas aromáticas pen durados. A modernidade dos utensílios contrasta vam com o ar tradicional da construção.

- Mathilde? - chamou Harry, da porta.

- Oh, Harry, dei folga a ela hoje. Mathilde estava desesperada para comparecer ao casamento da sobrinha, à tarde. Você se importa? - perguntou Ginny, fitando-o com ar gracioso entrando logo após ele.

- Claro que não. - Mas a ruga de preocupação em sua fronte deixava claro que não ficara feliz com a situação. - Preciso me informar sobre o que está acontecendo e falar com Rony. Ele já trabalhou em meu lugar o suficiente.

"Imagino que seja minha culpa, também", pen sou Pansy, sentindo-se mais isolada do que nun ca. Por que permitira que Harry a levasse até lá, que assumisse o controle de sua vida por com pleto? "Eu devia estar louca!", acrecentou. Subtamente sentiu um enorme desejo de ir embora, de voltar para Devonshire.

- Então, por que não vai procurá-lo, Harry?

- Não posso deixar Pansy sozinha, Ginny.

- Não seja ridículo! - Pansy corou ao notar o olhar desdenhoso da jovem. - Afinal, não pre cisará ir muito longe.

Ginny esboçou um sorriso superior.

- Não, querida. A vinícola fica do outro lado do vale.

- Tenho certeza de que Pansy entende que você tem outros compromissos, Harry.

"E você é um deles?", imaginou Pansy, obser vando o modo como a jovem sorria para ele. Ela se perguntou porque eles nao continuaram juntos, pareciam perfeitos um para o outro.

- Esse assunto está encerrado, Ginny. Diga a Rony para vir jantar conosco e você também, claro. Então, ele poderá me colocar a par de tudo o que está acontecendo por aqui.

Ginny simulou um sorriso de aprovação, mas pela expressão gélida com que encarou Pansy, era claro que preferia que Harry saísse em sua companhia, e não gostou, de maneira alguma, de ver seus planos rejeitados.

- Vou mostrar-lhe seu quarto, Pansy, assim poderá descansar - Harry adiantou-se, assim que Ginny partiu.

- Não preciso de uma babá.

- Não concordo. Tem de descansar e, se não fosse tão teimosa, admitiria isso.

Subiram a escadaria que dava para um hall espaçoso. Harry conduziu-a a um aposento bem arejado e mobiliado com antiguidades. A cama enorme tinha uma moldura de bronze e estava coberta por uma pesada colcha de retalhos. As flores que enfeitavam a janela e os criados-mudos davam a impressão de que, talvez, Mathilde a recebesse melhor do que Ginny. Com um pouco de sorte, esperava que a governanta não estivesse apaixonada por Harry, também.

- É muito bonito! - Virou-se para se deparar com ele, que a observava daquele modo intenso que lhe era tão peculiar. Pansy sentiu o frisson da sensação que sempre era despertada quando fitava-o diretamente. Era como eletricidade. O esforço para se libertar do desejo vão fê-la tremer. - Estou exausta.

Harry, que por um momento parecera disposto a dizer algo, calou-se ante o anúncio prosaico e meneou a cabeça.

- Se precisar de qualquer coisa, pode me chamar. Há um banheiro logo ali - indicou, apontando para uma porta na parede oposta.

Cansada demais para pensar, Pansy tirou os sapatos e deitou-se, de roupa e tudo, sob a colcha aconchegante. Seus sonhos foram sombrios, vívi dos e atormentados... Acordou assustada, confusa e desorientada, na quele dormitório estranho. Demorou alguns ins tantes para lembrar-se de onde estava. Sentiu um movimento em seu ventre e sorriu, aliviada. A casa do pequenino ser estava ficando pequena demais.

Pansy levantou-se, foi até o banheiro e abriu as torneiras para preparar um banho de imersão. Tirou as roupas amassadas e levou-as até o quar to, disposta a deixá-las sobre a cama.

Um movimento na periferia de sua visão fez com que se virasse depressa, assustada.

- Harry! - Por instinto, pegou a camisa que acabara de colocar sobre a cama e cobriu-se com ela.

Fechou os olhos, imaginando como seu corpo devia parecer feio e disforme aos olhos dele. Não queria olhar para Harry, pois não suportaria ver o repúdio estampado em seu rosto.

- Meu Deus... - Ele sussurrou.

Pansy abriu os lábios para protestar quando notou que a camisa era puxada de suas mãos.

- Está tão bonita, Pansy, deveria ficar orgulhosa - Harry afirmou, com um tom de voz suave, quase irreconhecível.

Pansy permaneceu imóvel quando ele se abai xou para encostar a cabeça sobre sua barriga. A expressão de Harry era de admiração e encan tamento. Seus dedos acariciavam-na, gentis.

Pansy surpreendeu-se com a onda de sensua lidade que invadiu seu corpo. Queria muito aproximar-se de Harry para melhor desfrutar daque le contato carinhoso.

- Estou orgulhosa - afirmou, emocionada. - Mas não espero que as outras pessoas comparti lhem de minha fascinação. Sei que pareço uma bolha ambulante. - Tentou sorrir, como se não se importasse por ele pensar o mesmo.

- Você está linda, atraente e madura. Nunca estive tão perto de um milagre antes.

Aquela resposta fora sincera demais para ser considerada apenas um falso elogio. Pansy es tremeceu, e ele a olhou, preocupado.

- Está com frio. - Harry pegou o cobertor que estava dobrado sobre a cama.

- Ia tomar um banho.

- Então, venha. Eu a ajudarei. Não quero que caia. O piso é escorregadio.

Pansy não protestou, apesar do argumento não convincente. Podia estar limitada, mas não o bastante para não conseguir entrar e sair de uma banheira. Aquilo era como viver parte de sua fantasia de tê-lo a seu lado, cuidando dela como um amante, no verdadeiro sentido da pala vra.

Em silêncio, Harry esfregou as costas de Pansy e os seios avolumados, os olhos examinando as au réolas escurecidas dos mamilos, com curiosidade. O toque suave era muito agradável ao corpo sensível de Pansy. Ele parecia fascinado, transmitindo a ela uma sensação de calor, relaxamento e paz. Depois do banho, Harry a fez deitar-se e, com delicadeza, esfregou óleo de amêndoas sobre a pele distendida do abdome.

- Estou machucando você? - perguntou ele, ao notar que Pansy arqueara as costas quando a tocou.

- Isso deve ser enfadonho para você. - Pansy virou a cabeça para o lado.

- Enfadonho?

Pansy ficou chocada com a aspereza na voz dele.

- Diria que é um exercício de autocontrole e uma jornada de descobertas. - Harry segurou o queixo de Pansy e forçou-a a encará-lo. - Es tou tentando não pensar em fazer amor com você, mas é difícil. Muito difícil.

Pansy não podia acreditar. Harry a achava atraente? Com aquele corpo? O modo compulsivo com que seus dedos percorriam o corpo dela pa recia confirmar que sim.

Harry prendeu a respiração e, com um gemido, afastou-se, sentando-se na beirada da cama.

- Não posso me esquecer da recomendação do médico. Por favor, não me tente, Pansy.

Aquelas palavras anuviaram o clima de sen sualidade. Mortificada, Pansy puxou o lençol so bre o corpo despido. Como pudera deixar-se en volver por Harry outra vez?

- Quero este bebé também, e pode ter certeza de que não farei nada para prejudicá-lo. - O rosto dele estava corado pelo desejo.

- Não foi sua culpa. Eu... eu... E que... Fazia tanto tempo que ninguém me tocava... Deus! Por que eu disse isso? - Os olhos estavam embaçados de lágrimas. - É hormonal. Estou certa de que tenho dado o maior lucro que os fabricantes de lenços de papel já tiveram.

- Estarei por perto para abraçá-la a qualquer hora que desejar. - Harry sentiu-se um egoísta ao vê-la tão frágil. - Estou aqui para servi-la e certificar-me de que sua gravidez correrá da ma neira mais tranquila possível.

- Não gostaria de me tornar um fardo.

- Deus, às vezes sinto vontade de sacudi-la! - O som de vozes distantes interrompeu a frase. Harry pareceu irritado. - Convidei os Weasleys para o jantar. Não havia percebido que já era tão tarde. Olhou para o relógio de pulso. Levantou-se e tentou ajeitar a camisa.

- Não estou com fome. - Pansy odiou a ideia de ter de passar a noite na companhia de dois estranhos, um dos quais a detestava.

- Não tenho tempo para convencê-la com de licadeza, Pansy. Portanto, desça em quinze mi nutos ou virei buscá-la, o que será muito pior.

Pansy manteve o olhar fixo na porta, depois que Harry saiu. Então, levantou-se para se aprontar. Conhecia-o o suficiente para saber que aquela ameaça não fora feita da boca para fora.