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Um esclarecimento rápido: o castelo aqui apresentado é ficcional, ou melhor ele existe, mas não na forma descrita aqui ou mostrada no filme! Triste, eu sei! Mas é a verdade.

No mais nos vemos lá embaixo! Boa leitura!

LEIAM AS NOTAS FINAIS


Capítulo 10 - Ballycarbery


Como ainda faltava muito tempo até a chegada do trem, o simpático senhor da bilheteria, que descobri se chamar Frank, disse que havia um banco ao pé do castelo, onde poderíamos esperar. E é onde me encontro agora.

- E aí, garoto! - diz Edward, ao se aproximar brincando e fazendo carinho no Border Colie que está sentado ao lado do banco.

- Ballycarbery. - diz ao sentar-se.

- Pra você também. - desejo, sem saber se o que ele fala é um elogio ou um xingamento.

- Não, é o castelo, Ballycarbery. - explica acenando para o castelo a nossa frente.

Não posso negar que, apesar de estar em ruínas, um belo castelo, todo feito em pedra maciça, no topo de uma colina, rodeado de uma vegetação magnífica.

- Dizem que é umas das dez maravilhas da Irlanda. - continua - Deve levar uns 15 minutos até lá. - sugere, porém não há a menor possibilidade de que eu vá até lá.

- Não quero perder o trem. - explico.

- É acho que tem razão. Não quer peder o trem.

- Não.

- Só duas horas e meia, - suspira - o tempo vai voar... - finaliza, arrastando bem a fala em deboche.

- Eu vou ficar aqui. - digo resoluta, me virando para encará-lo.

- Faz o que quiser. - diz se levantando e partindo em direção ao castelo.

- Vou ficar. -confirmo teimosamente.

E é então que o cachorro que, até aquele momento, estava quieto, ao ver Edward se afastar se vira pra mim e se lamúria.

Resolvo tentar me aproximar e brincar com ele, mas ele se enfurecee ameaça a me morder enquanto late.

Me afasto dele rapidamente e resolvo que, entre uma caminhada de 15 minutos com Edward e um cão raivoso, sempre optarei pela caminhada, mesmo tendo que fazê-la com sapato de salto alto.

- Edward! - grito o chamando, já ele está mais a frente - Espera aí! Eu adoro castelos! - digo em uma euforia fingida.

O alcanço ao pé da colina e ele - graças a Deus! - dimunui o seu ritmo de caminhada para que eu possa acompanhá-lo.

- É lindo! - admito quando já estamos na metade do caminho.

- Que pena que você não vai chegar em Dublin antes das lojas fecharem. - diz em tom de desculpas, mas ainda conseguindo transparecer um leve tom de pouco caso.

- Eu penso em outras coisas além de comprar. - aponto - Tenho uma vida. Um trabalho.

- O que você faz? - pergunta, visivelmente curioso.

- Eu monto apartamentos.

- Monta apartamentos é? Mas... - para enquanto tenta entender. - O que é isso? - finalmente pergunta.

- Olha, quando alguém tá vendendo um apartamento ou uma casa, eu encho de coisas e faço o lugar ficar o mais bonito possível. - explico um tanto sem fôlego pelo esforço da subida.

- E as pessoas que compram ficam com as coisas?

- Não, eu as levo embora. Eu só apresento as possibilidades. Dou vida ao lugar! - digo contente, porque eu realmente amo meu trabalho.

- Pera aí! - diz parando e se virando para me encarar, e por consequência me fazendo parar também.- Então, você faz o trabalho, né? - continua.

- É.

- E eles compram a casa, né?

- É - confirmo sem saber onde ele quer chegar.

- E depois vai lá e pega todas as coisas, né?

- É - Onde ele quer chegar?

- É uma vigarista! - afima sorrindo e, como se não tivesse acabado de me insultar, se vira e continua a subir.

- Não, eu não sou uma vigarista! - exclamo insultada - Você... Sempre faz isso. Enxerga o pior das pessoas.

- Não. - diz com naturalidade.

- Ah, não? Eu queria saber quem é que ganha um elogio de você.

- Eu posso pensar em um elogio para você. - responde ácido

Suspiro decidindo ignorá-lo para não entrar em outra discussão.

- Mas me responde essa: O seu apartamento pega fogo, o seu lindo apartamento pega fogo, o que você leva? - pergunta

- O quê? - De onde veio essa pergunta?, penso enquanto ele revira os olhos impaciente.

- Se a sua casa pegasse fogo, e você só tivesse apenas 60 segundos, o que você salvaria? Responda. - instiga, enquanto o olho embasbacada.

Que tipo pergunta é essa? O que eu salvaria? É claro que eu salvaria... Salvaria...

- Eu... - hesito, eu salvaria...

- Responda. Seria seu chihuahua de estimação ou seu edredom egípcio? - pergunta com ironia.

- Não quero brincar disso com você! - digo mal humorada com a brincadeira dele.

- Já respondeu. - diz cheio de si.

- O que VOCÊ levaria? - replico furiosa, enquanto ele passa por mim sem responder, voltando a caminhar.

- O que você levaria? - insisto - Olha só, o seu lindo hotel tá pegando fogo.

- Humhum - concorda.

- O seu, sei lá... O fogo tá subindo as escadas! Você só tem 60 segundos - digo andando de lado, praticamente de costas, para poder ver em seus olhos verdes o que ele pensa em salvar, o que ele pensa ao ter o seu jogo voltado contra ele.

- As garrafas de bebida do seu bar estão explodindo! E aí? O que você agarraria? - pressiono.

- Eu sei examente o que eu "agarraria"!- exclama fazendo as aspas no ar.

- Ah é? E o que seria? - digo curiosa parando de caminhar e me virando totalmente para ele.

- Eu não vou te contar! - afirma categórico, e passa por mim seguindo em direção ao castelo.

- Você adora criticar, mas não aguenta uma crítica - respondo ácida enquanto retorno a segui-lo.

Andamos mais alguns pouco metros até chegarmos - FINALMENTE! - à entrada do castelo, ou o que restou dela.

- Nossa! - suspiro abobalhada - É um castelo!

- Eu disse!

O ignoro e resolvo perguntar:

- Qual é a história desse lugar? - digo, olhando ao redor não perder nem um mínimo detalhe da maravilha que é esse lugar.

- Bem, há muitos séculos, havia uma mulher, linda, chamada Grainne. Bom, ela foi prometida em casamento a um cara chamado Fionn, que era uma espécie de comandante, velho e mal-humorado, velho o suficiente pra ser o pai dela... pra ser o vô dela, mas então - Edward bufa ao contar a história - Não havia paixão. Em todo caso, na noite do noivado, ela conheceu um guerreiro bonito e jovem, Diarmuid. E eles se apaixonaram, foi amor à primeira vista, mas o que ela iria fazer?"

"Ela colocou um sonífero na bebida de todo mundo, e os dois fugiram pra cruzar o rio Shannon. Quando Fionn acordou, Grainne já tinha ido. E aí ele ficou louco! Chamou todo o exército e foi atrás dela."

"Mas foi o povo, sabe? As pessoas dos vilarejos da Irlanda, ficaram com pena de Diarmuid e Grainne, e esconderam os dois nas florestas, nos celeiros, nos castelos... eles dormiam por uma noite e iam embora."

- Vem! - Edward me chama, interrompendo a história enquanto entra em uma das torres que ainda se mantêm de pé.

- É seguro? - Pergunto cautelosa.

- Claro! - responde já me puxando pela mão para subir com ele.

- Ah, e eles só dormiam, - continua sobre a história - porque Diarmuid era um homem bom e estava sofrendo muito por trair Fionn, e em respeito a ele, eles... você sabe, não... consumaram o ato.

- Entendi - digo achando graça do fato dele não concluir a frase e passando a sua frente pra subir o restante das escadas.

- Pois é... - Edward diz malicioso e volta a me seguir.

- Então chegaram a este castelo - continua uma vez que chegamos ao topo da torre - com esta vista.

- Nossa! - exclamo ao ver tamanha beleza, pois a nossa frente esta um maravilhos lago ladeado com colinas extremamente verdes.

- E dizem que, não resistiram a beleza, e aqui neste lugar, eles... consumaram seu amor. - finaliza olhando para mim.

Olho para ele emocionada com a história e com a forma que ele a contou, mas então... eu percebo. Não pode ser!

- Aí meu Deus! Você tá dando em cima de mim! - exclamo sem acreditar.

- Eu tô o quê? - Edward pergunta parecendo incrédulo.

- Eu sou a jovem prestes a ficar noiva, que não consegue resistir ao estranho bonitão? Para! - explico, ainda sem acreditar.

"Então você admite que ele é quente!" Cala a boca, grilo! Esta não é a questão aqui! "Não vejo você negando..." Grrr! Grilo irritante!

- Eu sou o quê? - Edward pergunta ainda mais incrédulo.- "É Bella, responde, ele é o que mesmo?", instiga o maldito grilo falante na minha cabeça, mas resolvo ignorar os dois.

- Você não achou mesmo que eu ia cair nessa, né? - digo me divertindo com toda a situação.

- Não fique se gabando, querida. - diz desdenhando do que eu disse - A história é real, mas, com certeza, não é sobre você.

- Não é? - digo sem acreditar nele.

- Não, sua americana... - interrompe-se , fechando os olhos e olhando para frente para de acalmar.

- Americana o quê?

- Ah, essa é dificil. Hm... Arrogante?

Penso em respondê-lo, porém nesse momento escutamos o som da buzina do trem.

- Ah, não! O trem! - constato o óbvio, enquanto corro para sair dali.

E como, desde que cheguei a este país, toda falta de sorte pra mim é pouco, o tempo que antes era de um céu nublado com neblina, enquanto conversávamos mudou e deu lugar pra céu nublado com trovoadas e que agora despeja sobre nós uma chuva torrencial, nos encharcando.

- Espere! - grito, e uma vez fora do castelo tiro os sapatos para descer a colina com mais facilidade e mais rápido sem correr o risco de quebrar o pescoço.

- Eu tenho passagem! -continuo a gritar na esperança de que alguém me ouça e pare o trem.

- Eu tô indo! Eu tô indo! - grito tanto para que alguém me escute quanto pra me motivar. Por favor Deus, alguém pare esse trem!!!

Tento correr sem escorregar, e então escuto Edward atrás de mim também correndo.

- Você tinha que me levar lá em cima, né? - grito por sobre o som da chuva, jogando minha raiva e frustração nele, enquanto continuamos a descer. - Uma das 7 maravilhas da Irlanda! - continuo sarcástica.

E é então que a minha supracitada falta de sorte piora.

Eu paro de olhar para os meus pés apenas tempo o suficiente pra ver se o trem ainda está na estação, e assim que faço isso, piso em um trecho de terra particularmente escorregadio, e escorrego, caindo de bunda no chão e tendo as pernas jogadas para o ar, fazendo assim com que eu escorregue por um bom tempo.

- Ah, não! - ouço Edward exclamar assim que minha queda acontece.

Tento me reequilibrar, mas é em vão, pois assim que faço isso, passo a rolar morro abaixo, parando apenas quando dou de cara, literalmente, em uma poça de lama ao pé do morro.

E é nesse momento que Edward que, milagrosamente, desceu o morro sem passar por tais humilhações, para ao meu lado.

- Que bom! Isso poupou muito tempo! - diz tentando amenizar a situação e estende a mão para me ajudar a levantar.

- Eu odeio você! - digo, batendo em sua mão estendida sem aceita-la e me levanto sozinha , com certa dificuldade, e corro em até a estação de trem.

Ao chegar lá, completamente ensopada e ainda com os sapatos nas mãos, encontro apenas a parte traseira do trem a alguns metros.

Perdi! Perdi o trem!

- Antigamente, eu teria segurado o trem para você, - explica Frank em tom de desculpas - mas agora tudo é tempo é dinheiro - conclui quanto começo a chorar e então escuto alguém, que presumo ser Edward, chegando e parando do lado dele.

Eu perdi! Perdi!

- Ora, por favor! Não fique assim! Não se preocupe! - continua Frank ao ouvir meus soluços de choro - Você vai chegar aonde tem que estar! - completa enquanto me apoio na parede a meu lado chorando e cuspo a terra que ainda está na minha boca.

Então vendo nosso estado por causa da chuva se vira para Edward e diz com compaixão:

-Poxa, a previsão era de sol..


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Demorei, mas voltei! \o/Então, gente queriam apenas pedi desculpas pela demora na postagem desse capítulo, mas como disse antes esse capitulo foi imenso e pra piorar tive que escrever ele a mão, 7 folhas! 7 FOLHAS! Então me deem um desconto!

Outra coisa:Preciso de uma Beta, se alguém é ou conhece um leitor Beta, entre em contato por direct comigo.

Outra coisa again:

Barbara Gouvea, respondendo os seus dois coments (por ordem cronológica)

Primeiro comentário: tentarei deixar os POVs Edward futuros não repetitivos, porque também não gosto quanto se repete, mas tem algumas situações que só farão sentido se visto dos dois pontos de vistas.

Segundo comentário: a parte que você achou confusa se complementa nessa cap. aqui, apenas não a inclui aqui pq como disse o cap já estava enorme, e essa parte é apenas de transição, mas se ainda estiver confuso pra ti me mande uma DM aqui que tento te explicar.

Ok, e a todos os outros comentários, obrigada! De coração! E não deixem de comentar!

Agora me vou, por que já me estendi demais!

Bjos!