Capítulo Quinze
Secrets Surrendered
(Segredos Entregues)
Eles foram para o dormitório masculino do terceiro ano. Pelo som, Seamus tomava banho; por mais fraco que fosse, Ron conseguia ouvi-lo cantar. Ginny, que os seguira, olhou com divertimento para a porta antes de se acomodar na cama de Ron. Ron mordeu a língua; ela nunca teria se atrevido a fazer isso em casa. Suspeitava, pela expressão arrogante dela, que ela sabia exatamente no que ele pensava.
Harry entrou por último, bateu o ombro no batente, fez uma careta e fechou a porta. Mas ele não se sentou, como Ron esperara; ele acenou a varinha, murmurando um feitiço que Ron não ouviu, e assentiu para si mesmo.
— Onde está o Perebas? — perguntou a Ron, que o tirou do bolso. Harry murmurou outro feitiço e o rato estremeceu e fechou os olhos lentamente. Ele se acomodou na mão de Ron com um suspiro. — Ele está dormindo — avisou Harry, sem precisar. Ron colocou o rato em seu travesseiro e virou-se para Harry, parado perto de sua cama. — Eu... É melhor que mais ninguém saiba. — Ele correu uma mão pelo cabelo e olhou para eles, antes de finalmente de franzir o cenho para seu malão. — Acho que Hermione está com problemas.
— Mesmo? — perguntou Malfoy. — O que te fez achar isso foi ela ter faltado à aula ou...
— Alguém esteve aqui em cima, e não foi Seamus, Dean ou Neville. Foi por isso que eu perguntei se Hermione subiu. Foi... Achei que ela devia ter subido.
— Como sabe? — perguntou Ginny. Ron também queria saber, mas já aprendera a não duvidar de Harry nesse tipo de assunto.
Harry engoliu uma vez, olhou para as mãos e de volta para eles. Sua expressão era... culpada?
— Eu consigo sentir o cheiro... de Hermione e de mais alguém que não conheço... Mas acho que deve ser de Peter Pettigrew.
— Sentir o cheiro? — perguntou Malfoy, erguendo as sobrancelhas, mas Ron tinha assuntos mais urgentes em sua mente.
— Ele esteve aqui? — perguntou Ron, olhando ao redor. De repente, as atitudes de Harry no quarto fizeram mais sentido. Malfoy e Ginny franziam o cenho.
— Ele sabia que a Capa não estava comigo. Foi o que ele disse no meu — Harry hesitou — sonho, visão ou sei lá. Faz uma semana que não falamos disso, então se ele descobriu recentemente, ele teria de confirmar de alguma forma. Ele não pode ter entrado em Grimmauld, por motivos óbvios, e o único jeito de ele saber que não está aqui é se ele olhou.
Isso fazia bastante sentido, na opinião de Ron.
— Mas como ele entrou? — perguntou Ginny. — Mesmo como um rato, alguém teria notado.
— Mas ratos, ou pelo menos um, entram aqui o tempo todo — disse Draco, olhando na direção de Perebas.
— Mas ele estava com a gente o dia todo — disse Ron. Harry assentiu lentamente. — Então Pettigrew deve ter achado outro jeito de entrar.
— É onde Hermione entra — falou Harry, os cantos da boca para baixo.
— Não pode achar que ela está o ajudando! — disse Ron, horrorizado. — É a Hermione. Ela...
— Não por vontade própria — disse Harry, e Ron se acalmou um pouco. Mesmo assim, não gostava nem um pouco da ideia de Pettigrew perto dela. — Ela estava se comportando normalmente?
— Sim — respondeu Malfoy. Harry assentiu de novo, o rosto com uma expressão pensativa meio perturbada. — Preocupada com você, e depois conversamos sobre minhas dores de cabeça. — Ron achou que ele também parecia perturbado e perguntou-se se ele estava com dor de cabeça no momento. — Depois entramos no Salão Comunal, eu me sentei e ela subiu.
— Não havia nada de estranho nela?
Malfoy ficou em silêncio por vários segundos, o rosto quase inexpressivo se não pelo leve franzir de cenho. A cantoria de Seamus passou por baixo da porta.
— A mochila — disse ele por fim. — Ela levou apesar de a gente ter combinado de estudar no Salão Comunal.
— Então ou ela sabia que não ia descer — refletiu Ginny — ou ela tinha algo na mochila que ela não queria deixar com você.
— Acho que ela estava mais preocupada em deixar perto daquele gato dela — disse Malfoy. — Ele queria muito mexer na mochila dela.
A expressão de Harry ficou tensa, e Ron adivinhou na mesma hora o que ele estava pensando.
— Acha que Pettigrew estava na mochila? — Harry assentiu, tenso. — Mas... mas se ele estava e ela tomou tanto cuidado com a mochila, então... ela devia saber, mas isso significa... aí ela estava o ajudando. — E isso não fazia o menor sentido para Ron; Hermione não ajudaria Pettigrew.
— Não por vontade própria — repetiu Harry. — Talvez ele a ameaçou.
— Ou ela está enfeitiçada — sugeriu Malfoy.
— Talvez a Maldição Imperius — murmurou Ron, estremecendo com o pensamento. Sua própria experiência com a maldição tinha sido desagradável, por isso sabia como era difícil se livrar dela. Harry parecia desgostoso, e Ginny assustada, e Ron perguntou-se se eles também se lembravam disso.
— Certo — disse Malfoy depois de um momento, apertando a ponte do nariz. — Certo, então se for o caso, então o que... bom. E agora, Potter? É claro que precisamos conversar com ela, mas ela se escondeu...
— Eu ia chegar nisso — murmurou Harry. Mais uma vez, ele parecia culpado. — Acho que conheço um jeito de entrar no quarto das garotas.
Ginny ergueu uma sobrancelha, e Ron e Malfoy trocaram olhares surpresos.
— Brilhante — disse Ron. — Como?
— Bem — falou Harry —, Bichento consegue subir e ele não é uma garota...
— Muito astuto, Potter — disse Malfoy, revirando os olhos, e Harry o olhou feio, ficando em silêncio. Por fim, Malfoy bufou e gesticulou. — Está bem. Continue.
— E acho que Ginny não conseguiria nos carregar pelas escadas sem ativar o feitiço, mas se estivermos certos sobre Wormtail... er, Pettigrew estar na mochila de Hermione, então ela conseguiu carregar ele até lá.
— Ah — falou Malfoy, soando exasperado. — E aqui estava eu, achando que sua solução seria algo difícil. — Ele olhou para Ron. — Bem, Weasley, se você puder transfigurar Potter e eu em gatos, já vamos falar com Granger... Ah... espere, você não pode, porque temos treze anos e a transfiguração de humanos em animais é estupidamente avançada. — Olhou para Harry. — Por favor, me diga que essa não é sua ideia.
— Na verdade, você não está muito errado — admitiu Harry, parecendo um pouco envergonhado. Malfoy gemeu e se jogou em sua cama.
— Acha que Perce faria? — perguntou Ron a Ginny. Os lábios dela tremeram.
— ... apesar de eu não ter pensado em gatos, e acho que só eu conseguiria...
— Nos explique, então, Potter — suspirou Malfoy.
— Bem... — Harry hesitou, esfregando a nuca, e olhou de soslaio para a porta do banheiro. — Eu... meio que aprendi alguns truques com o Padfoot durante os anos. Um deles... — Pausou mais uma vez, franzindo o cenho. — Estou tentando pensar num jeito de contar que não seja "eu sou um Animago", porque isso é meio... mas... bem, er, é basicamente isso.
— Está de brincadeira — disse Ron, sem conseguir decidir se era algo brilhante ou maluco, ou se Harry realmente estava brincando. Ginny apenas o encarou, e Malfoy voltou a se sentar, os olhos cerrados.
— Não — respondeu Harry, remexendo-se em sua cama, desconfortável.
— "Aprendeu alguns truques" — zombou Draco. — Só você, Potter. — Harry sorriu para ele. — Então você vai se transformar em seja lá no que se transforma, e aí acho que vai depender da Garota-Weasley te levar para os dormitórios? — Uma expressão estranha apareceu no rosto de Harry, e Ron supôs que ele imaginava o cenário. Ginny parecia pensar na mesma coisa.
— No que você se transforma? — perguntou ela. — Porque acho que não vou conseguir esconder uma girafa...
— Uma girafa?! — balbuciou Harry, e Malfoy bufou, zombeteiro. Ron riu. — Ginny!
— Na verdade, acho que combina mais com Ron — comentou ela, olhando em sua direção.
— Ei! — reclamou Ron, chutando-a. Ela riu e olhou para Harry com expectativas.
— Bem?
— Não é uma girafa — murmurou Harry, olhando feio para Ginny. — É um... Eu sou um lobo.
Ron achou que isso fazia bastante sentido, com Sirius sendo um cachorro e Remus sendo um lobisomem. Malfoy assentiu; ele parecia pensar o mesmo.
— Podemos ver? — perguntou Ron, curioso.
— Acho que sim — respondeu. Voltou a olhar para a porta do banheiro, mas Ron ainda conseguia ouvir Seamus cantar, e Harry não parecia preocupado. Ele colocou as pernas sob o corpo e hesitou: — Só... Eu ainda sou eu mesmo quando me transformo. Não me estuporem nem me ataquem nem nada do tipo. — Olhou para Malfoy ao dizer isso, e Malfoy pareceu confuso, mas assentiu.
E aí ele se transformou. Aconteceu rápido demais para que Ron entendesse no que ele tinha se transformado, mas quando se deu conta, Harry estava coberto de pelos negros e grossos, tinha um nariz preto e molhado e um rabo. Ele parecia mais jovem — mais esbelto e mais parecido com um filhote — do que as imagens de lobos que Ron tinha visto no livro de Defesa.
Ele se sentou na cama e olhou para todos eles, calmo, até Malfoy soltar um som furioso e jogar um travesseiro nele.
O Lobo Harry o pegou com a boca e balançou a cauda. Outro travesseiro seguiu o primeiro e o acertou nas costelas. Ele soltou um resmungo engraçado e balançou a cabeça. Havia um sorriso lupino e aí ele voltou a ser Harry, rindo ao erguer o braço pra desviar do terceiro travesseiro.
— Ele já viu eu me transformar uma vez — contou a Ron e Ginny. — Na primeira vez, na verdade — adicionou. — Não sei quem ficou mais aterrorizado: ele ou eu.
— Nós — disse Malfoy, pegando seu travesseiro de volta. — Urgh, você babou nele todo, Potter. — Ron riu. — Pelo menos você sabia o que estava acontecendo.
— Eu não esperava que fosse acontecer — falou Harry, mas Malfoy o ignorou.
— E acho que Lupin também sabia? — bufou.
— Quando entendeu o que tinha acontecido — respondeu, assentindo. — Mas foi muita sorte ele ter entendido tão rápido. — Seu sorriso sumiu. — Então... — O sorriso de Ron também sumiu; o tom de Harry os levara abruptamente de volta ao motivo de ele ter contado seu segredo; Hermione e o que quer que estivesse acontecendo com ela. — Obviamente, Ginny me levar para os dormitórios em uma mochila não é uma opção...
— Devíamos ter guardado um pouco daquela Solução de Encolhimento de Poções — comentou Ron. Malfoy assentiu sua concordância.
— ... e não temos mais a Capa.
— Então quer uma distração? — perguntou Ginny, sagaz. — Certo?
— Certo — falou Harry.
-x-
O plano era simples; Ron devia estourar uma bomba de bosta embaixo da mesa em que Percy e um grupo de outros alunos do sétimo ano estudavam. Draco, que tinha se acomodado com Fred e George dez minutos antes, devia rir quando ela estourasse e perguntar, nem tão discretamente, se era coisa deles.
Um estouro alto soou quando a bomba de bosta explodiu, e Harry, transformado, escondeu-se atrás do sofá mais próximo às escadas das garotas. Alguém gritou perto do fogo. Quando o cheiro horrível chegou ao nariz de Harry, passos soaram atrás dele e Ginny apareceu, cutucando-o para que se movesse.
No plano, fora ela quem pedira para as garotas que já estavam no dormitório não descessem, para assim evitar a bomba de bosta, e tinha funcionado, porque as escadas estavam livres. Harry colocou uma pata no primeiro degrau, depois o segundo, e deu um sorriso de lobo e subiu correndo. No Salão Comunal, Percy gritava com os gêmeos.
Ginny abriu a porta, dizendo:
— Aqui.
Harry olhou ao redor rapidamente e — ao ver que estavam sozinhos — voltou à sua forma humana.
— Elas estão... sabe... decentes? — murmurou, evitando olhar para a porta por precaução. Ginny olhou para dentro do quarto, assentiu, mandou-o entrar e fechou a porta.
Lavender e Parvati estavam lá e se viraram para ele com expressões perplexas. Lavender usava um pijama decorado com borboletas roxas, e Parvati ainda usava o uniforme, segurando uma toalha.
— Eu trouxe ajuda — falou Ginny. Harry acenou, tímido, e olhou para a porta que achava ser a do banheiro.
— Vocês... er... não se importam, né? — perguntou ele.
— Não — respondeu Lavender lentamente depois de trocar um olhar com Parvati. — Vá em frente. — Ginny ficou perto da porta, pronta para sinalizar, do patamar, para Ron e Draco se algo desse errado. Se Wormtail estivesse envolvido, todo cuidado era pouco.
Sentindo-se desconfortável, mas também determinado, Harry se aproximou da porta e bateu uma vez com firmeza.
— Hermione? — Do outro lado da porta, uma fungada se transformou num som de surpresa. — Abra a porta.
— Por favor, só me deixe em paz, Harry — disse ela. Se ela estava surpresa por ele ter conseguido entrar no dormitório, não havia nada em sua voz que a entregasse. — Não quero companhia.
— Não vou descer até saber que você está bem.
— Estou bem — respondeu ela, quase com impaciência. Harry teria acreditado nela se não fosse pelo fungar. — Só... só vá embora. A gente conversa depois. — Ginny suspirou atrás dele. Harry pensou por um momento. Ron era o melhor em lidar com ela em momentos como esse, e Draco era melhor com as palavras. Infelizmente, nenhum dos dois estava ali e, por isso, conversar com ela acabou sendo sua responsabilidade. Tentou canalizar Moony.
— Hermione — chamou. — Você fugiu do Draco, faltou em várias aulas e não jantou. Estamos preocupados, eu estou preocupado, e não quero ir embora até saber o que foi que te chateou.
— Só foi um péssimo dia, Harry — falou ela. — Eu... Eu te vejo no café.
— Isso não é o bastante — falou. Hermione ficou em silêncio. — Se não conversar comigo, vou ter que chamar a McGonagall...
— Ela já sabe — contou ela. Harry olhou para Ginny, confuso. — Apenas vá, Harry. — Parvati bufou, e Lavender revirou os olhos.
— Ótimo — falou Harry. — Ótimo. Se vai ser assim, eu vou abrir a porta.
— Er, Harry... — disse Lavender, parecendo incerta.
— Parvati quer tomar banho, Ron, Draco, Ginny e eu queremos ver você, e se você não quer abrir, então...
— Eu tranquei — falou Hermione. — Com magia.
— Então vou abrir — retorquiu ele. — Com magia.
— O Alohomora não funciona...
— Nós já tentamos — falou Parvati, mal-humorada.
— Quem falou qualquer coisa sobre um feitiço de destrancar? — perguntou Ginny de seu lugar encostada na parede. Ela sorria.
— Vamos, Hermione — disse Harry.
— Vamos contar até três — adicionou Ginny. — Um. Dois... — Harry ouviu o som de passos pesados, um feitiço murmurado e, aí, a porta do banheiro foi aberta. Hermione olhou feio para ele, notou que ele nem mesmo segurava uma varinha e virou-se nos calcanhares.
— Vocês são péssimos — disse ela, enrugando o rosto.
Harry segurou seu pulso antes que ela pudesse tentar se trancar de novo. Ela soltou um soluço e, quando ele deu por si, ela tinha passado os braços ao redor de seu pescoço. Harry deu um tapinha em suas costas com uma mão e sacou a varinha com a outra. Cauteloso, apontou-a e murmurou Finite. Só por precaução. Bichento se enrolou nas pernas deles, miando; ele a seguira para fora do banheiro, e isso fez Harry se sentir um pouco melhor com as coisas; seja lá o que ele tivesse feito, parecia que Wormtail não estava mais ali.
— Que diabos você fez com seu cabelo, Hermione? — ofegou Lavender enquanto Parvati passava por eles e entrava no banheiro vazio. Hermione chorou ainda mais contra o ombro de Harry.
Mas Lavender estava certa; seu cabelo estava um pouco mais curto do que estivera naquela manhã e irregular. Se ela mesma tinha tentado cortar, não tinha feito um trabalho muito bom. Ginny o estudava por trás de Hermione e pareceu chegar à mesma conclusão; ela torceu o nariz.
— Acha que podemos ir para o dormitório dos meninos? — perguntou Harry. — Ron e Draco querem te ver, e acho que a Parvati prefere que eu não esteja aqui quando ela sair do banho.
— Ah, eu não me preocuparia muito — disse Lavender —, você tem pelo menos uma hora.
— Ainda assim — murmurou Harry.
— Como foi que você conseguiu subir? — perguntou Hermione, afastando-se um pouco para olhá-lo com os olhos marejados. Lavender parecia folhear uma cópia de Bruxa Teen, mas Harry sabia que ela escutava a conversa.
— Magia — respondeu com um sorriso. Ele guiou Hermione até Ginny e a porta.
— Espera, espera — falou Lavender, levantando-se num pulo, a revista em uma mão e a varinha na outra. — Achei a página; eu posso ajeitar seu cabelo, se quiser. — Hermione levou uma mão até as pontas desiguais de seu cabelo e sua expressão se abateu. Ela assentiu, e Lavender consultou a revista e murmurou um feitiço. Partes do cabelo de Hermione foram ao chão, mas o resultado era muito melhor que antes. — Bem melhor — disse Lavender em aprovação.
Harry, Hermione e Ginny saíram do dormitório feminino do terceiro ano e desceram as escadas; Harry foi primeiro, cutucando o alto da escada com a meia e deslizando pelo escorregador que apareceu. Risadas ecoaram quando chegou ao fim e deslizou alguns metros pelo tapete do Salão Comunal; certamente, aqueles que observavam achavam que ele tinha tentado subir as escadas. Harry deixou que Ron o ajudasse a se levantar e não se deu ao trabalho de corrigir aos outros.
Hermione e Ginny deslizaram depois dele e os cinco foram para o dormitório masculino, passando por um Seamus de cabelo molhado no caminho.
— Cortou o cabelo, Granger? — perguntou Draco, torcendo o nariz. Ela assentiu brevemente e acomodou-se na cama de Harry, os braços e pernas cruzados, com uma expressão triste. Ginny se sentou ao seu lado e passou um braço por seus ombros; a expressão de Hermione mudou por um instante.
Ron parecia querer falar alguma coisa, mas mudou de ideia e se afundou em sua própria cama. Ele tinha um leve cheiro de bombas de bosta, e Harry torceu o nariz.
— Bem? — perguntou Hermione depois de um momento, parecendo desconfortável. — Vocês me arrastaram até aqui e agora não vão falar nada?
— Sendo justo — falou Ron, hesitante —, você parece estar muito estressada e nenhum de nós quer ouvir sermão...
— Ron! — sibilou Ginny, mas os lábios de Hermione se esticaram. Depois, ela suspirou.
— Foi... um dia horrível — contou. — E... — Ela secou os olhos. — Eu quero contar, mesmo que não possam ajudar, mas não posso... — Fungou. — Não posso contar nada.
— Nada? — perguntou Harry, duvidoso.
— Podemos adivinhar? — perguntou Draco.
Hermione bufou levemente e fez um gesto, no que Harry assumiu ser permissão.
— Wormtail — disse ele na mesma hora. — Ou... talvez Pettigrew? — Hermione ficou boquiaberta tamanha surpresa e não, Harry achava, por ele ser bom em adivinhar.
— O quê? — perguntou ela, perplexa. Harry franziu o cenho, incomodado; tivera tanta certeza de que Wormtail estivera envolvido de alguma forma. Os outros três pareciam igualmente surpresos. — Não, foi... — Fungou novamente. — Eu realmente não posso contar.
— Por que não? — perguntou Ron.
— Porque prometi não contar — respondeu ela sem os olhar.
— Prometeu a quem? — quis saber Draco, inclinando a cabeça.
— Ao professor Dumbledore e à professora McGonagall. E eles fizeram promessas ao Ministério...
— O Ministério? — perguntou Ginny, erguendo as sobrancelhas. Ela encontrou os olhos de Harry, e ele teve certeza de que ela se perguntava a mesma coisa; no que, em nome de Merlin, Hermione estava metida se o Ministério estava envolvido? — Hermione...
— Não posso — repetiu ela, triste, e o quarto ficou em silêncio. Ron e Harry se entreolharam.
— Mas você pelo menos está bem? — perguntou Draco por fim. — Não está em perigo, nem...
— Depois de hoje, não sei — respondeu, voltando a secar o rosto. — Eu a-achei que tudo estava indo bem, mas agora eu só... Tantas coisas vão mudar se eu parar, e não sei se é o que eu quero, mas não quero que o dia de hoje se repita, porque foi tão horrível... E isso não faz o menor sentido, eu sei, desculpem.
— O que acontece se você contar? — perguntou Harry.
— O quê?
— O que acontece? — repetiu. — Você vai ser... sei lá, expulsa ou...
— Não sei — disse ela em voz baixa.
— Bem, se não avisaram que seria o caso, então é um bom sinal, certo? — falou Ron. Harry assentiu, e Hermione os olhou com exasperação.
— E só saberiam que você contou se a gente contar, o que não faríamos — disse Draco.
— Você não contaria, né? — perguntou Ron, olhando para Ginny, que se irritou.
— Acho que consegui guardar um segredo bem grande no ano passado — respondeu friamente. Harry recuou.
— Esse aí você devia ter contado — retorquiu Ron, e Ginny chutou sua canela.
— E eu vou te contar um segredo — falou Harry, olhando para Hermione. — Antes você me perguntou como eu subi... É um segredo enorme.
— Não mais — murmurou Draco com um sorrisinho afetado.
— Estou certa de que é impressionante — suspirou Hermione. — Mas acho que não é tão grande quanto o meu. — Ela massageou a ponte do nariz.
— Acho que deve ser — disse Harry. — Eu não sei se seria expulso, mas dependendo de como as coisas se desenrolassem, Padfoot perderia o empreso, eu receberia uma multa bem gorda, e um de nós, se não os dois, seria mandado a Azkaban.
— Ou mandado de volta, no caso dele — disse Draco ironicamente.
— O que você fez? — perguntou Hermione, parecendo cautelosa. Harry apenas sorriu para ela.
— O que me diz? — perguntou ele. — Um segredo por outro?
Continua.
