Jean saiu do quarto batendo a porta com bastante força, furioso, por Reiner ter, mais uma vez, conseguido o queria; Bertholdt. Estava farto de sempre ficar sozinho ou com as migalhas, mesmo assim, não podia reclamar. Gostava muito de Bertholdt e não tinha bem certeza se queria que Reiner deixasse ou ficasse com o garoto de uma vez por todas. Mas, de uma coisa ela sabia, que Reiner surtaria quando Bertholdt tentasse insinuar qualquer coisa sobre a tal proposta que ele fez naquela noite. Achou mais prudente se sentar ali e esperar.

Dentro do quarto Bertholdt observava o loiro ainda sentado sobre a cama de Jean.

— Porque está sendo tão rude comigo, Reiner?

— Não estou sendo rude! Não fui eu quem dormiu com o Jean!

— Eu não dormi com o Jean; não daquele jeito!

— Você me deixou sozinho e eu te queria naquele momento!

Reiner foi surpreendido por Bertholdt, que o pegou pelo pulso e o jogou ali mesmo, na cama de Jean, se sentando sobre o corpo tenso do loiro.

— Só naquele momento? - começou a abrir caminho entre a jaqueta do uniforme e a camiseta colada ao corpo musculoso. – Por que você não para logo de ficar tentando me evitar! - Bertholdt tocou com carinho os lábios do loiro.

— Eu não estou tentando te evitar; muito pelo contrário!

— Então mostre que você mudou e que me quer, mesmo eu sendo homem!

Reiner ondulou os quadris deixando que Bertholdt sentisse o quanto ele estava excitado com tudo aquilo. Bertholdt se apressou em se livrar da jaqueta e da camiseta do uniforme, tentando fazer o mesmo com Reiner.

— Ei! Aqui, na cama do Jean? Acha mesmo que eu vou ficar à vontade no lugar onde, até pouco tempo, você estava se agarrando com outro cara?

— O que aconteceu com o Guerreiro que eu conheci? Não vai querer se vingar; deixar o nosso cheiro na cama dele?

Reiner sorriu sádico. Era verdade, o Reiner de antes faria Jean pagar por ter brincado com o que era seu sem permissão. O infeliz teria pesadelos, depois de deixar aquele odor do sexo selvagem que faria com Bertholdt.

Reiner sentiu as mãos de Bertholdt descerem, afrouxando seu cinto. Deixou que Bertholdt puxasse um pouco sua roupa para baixo, dando livre acesso para que ele tocasse seu membro. Fechou os olhos, tremendo de expectativa. Bertholdt podia até ter se recusado da primeira vez, mas, agora, mostraria tudo o que aprendeu.

Se Bertholdt não o tivesse segurado com toda sua força, Reiner teria caído da cama, quando sentiu um dedo acariciar seu ânus, forçando um pouco a passagem. Travou as pernas fazendo Bertholdt retirar a mão dali.

— Oe, Bertholdt, pare com essas brincadeiras idiotas!

— Eu não estou brincando! - Bertholdt forçou as pernas de Reiner. – Eu prefiro fazer isso com você do que com o Jean! E eu sei que você gosta de mim, Reiner!

Reiner ficou furioso. Então era sobre isso a tal proposta que Jean fez a Bertholdt; deixar Bertholdt como dominante na cama? Ser o homem da relação? Não deixaria isso barato, nem para Jean e muito menos para Bertholdt, que se atreveu a ter esse tipo de intimidade com outra pessoa. Reiner temia em pensar que talvez eles tivessem até mesmo ultrapassado as barreiras de apenas alguns beijos, como Jean disse antes.

— Eu gosto da Christa! - as palavras saíram ferinas, antes que Reiner pudesse medir o peso delas.

Aquilo soou sincero demais. Bertholdt nunca se arrependeu tanto de tomar coragem e demonstrar seus sentimentos. Acabou levando outro "tapa na cara" com aquela declaração. Era a segunda vez, em uma situação íntima entre os dois, que Reiner confessava sentir algo pela garota.

Bertholdt soltou Reiner, e, em silêncio, saiu recolhendo suas roupas jogadas pelo chão. Reiner voltou a se sentar ali na cama, com a cabeça baixa. Não teve coragem de encarar o melhor amigo, mas, tinha certeza que Bertholdt estava abalado e muito magoado.

Não demorou e ouviu o som dos passos e logo a porta se abrindo. Continuou calado olhando para o chão. Sabia que Bertholdt estava ali, parado na porta, na última esperança de ouvir algum pedido de desculpa.

— Eu gosto de verdade da Christa! - a porta se fechou com um baque forte, fazendo até mesmo o chão tremer um pouco. – Mas é você que eu amo! - Reiner escorregou da cama para o chão abraçando os joelhos enquanto chorava sem conseguir se controlar.

— Bertholdt?!

Christa encontrou o garoto chorando em um canto isolado, perto dos estábulos. Se aproximou lentamente ajoelhando-se ao lado do rapaz, tocando de leve seu ombro.

Apesar de nunca se manifestar sobre nada do que acontecia na tropa, era de conhecimento de todos, inclusive dela, que Bertholdt nutria algum tipo de sentimento por Reiner; um que ia muito além de uma forte amizade. Mas, também era de conhecimento geral que, Reiner, desejava muito a pequena e delicada garota, e que ela era o principal motivo das constantes brigas entre o loiro e Ymir.

Reiner era um homem forte, corajoso e muito gentil, isso ela não tinha como negar, mas, realmente, nunca chegou a pensar na mínima das possibilidades de manter qualquer tipo de relacionamento com ele. Primeiro, não havia afinidade suficiente entre ambos; segundo, Christa já tinha percebido há tempos o quanto tudo aquilo feria Bertholdt; mesmo que o garoto sempre tentasse disfarçar; e, o terceiro e mais importante de tudo: Ymir.

Se a falta de afinidade com Reiner era um forte indício de que nunca dariam certo, com Ymir, a coisa funcionava bem ao contrário.

Christa gostava da companhia da garota mais do que qualquer coisa naquele lugar. Dos olhares, às palavras doces, das gentilezas aos toques mais significativos, tudo, sempre vinha de Ymir. Christa amava Ymir e, mesmo que ao contrário de Bertholdt, tivesse seus sentimentos correspondidos, entendia perfeitamente o sofrimento dele. Assim como o garoto, ambos estavam fadados a ficarem sem as pessoas que amavam. Fosse por preconceito ou por outras obrigações, no fim, acabariam sozinhos, ou pior; com as pessoas erradas.

— É a primeira vez que eu te vejo chorando assim, sozinho! - Bertholdt, não respondeu, preferiu permanecer em silêncio. – Logo será seu aniversário, né? Faltam o quê, dois dias! Eu estou responsável pela biblioteca esse mês e o Reiner me disse que ele estragou o seu livro preferido, então, eu pensei em te dar outro de presente.

— Eu não quero mais a droga daquele livro… ele é…

— Horrível! - pela primeira vez desde que chegou ali, Bertholdt a olhou nos olhos – Ele é horrível, Bertholdt, e eu não vou te dar um presente tão cruel como aquele livro!

— Tudo bem, você não precisa me dar nada! A culpa nem foi sua…

Christa tinha certeza de que Bertholdt não se referia somente ao livro.

— Mas eu quero! - a expressão de Christa de repente, se tornou pesarosa. – O meu é só mês que vem, mas, será que eu podia pedir um também?