Após se despedir de Luna, Snape seguiu para as masmorras e ao entrar no seu dormitório, viu os estragos do seu ataque de fúria. Retirou o casaco e dobrou as mangas da camisa, enquanto analisava e admirava o cenário de caos a sua volta... estranhamente, aquilo lhe dava a paz necessária para aquele momento. Passada mais de meia hora olhando para o seu entorno, pegou a varinha e lançou um Reparo e um Tergeo, resolvendo toda aquela bagunça. Estava prestes a se levantar para ir ao seu laboratório particular, ocupar um pouco a cabeça com o trabalho, quando ouviu que alguém batia freneticamente na porta dos seus aposentos. Soltou uma respiração pesada e sem paciência para atender quem estivesse do outro lado, e, já pensava em como ia dispensar o inconveniente que ousava lhe perturbar àquela hora da noite. Ao abrir a porta, ele se espantou com quem estava parado ali com um olhar decidido, o que o fez cruzar os braços sobre o peito e adotar uma postura rígida para falar com ela.
- O que faz aqui a esta hora, senhorita Granger? Não me diga que deixou o seu donzelo indefeso da cabeça de fósforo abandonado à própria sorte, para vir aqui me questionar qual foi a sua nota na minha última avaliação em aula... – antes que ele tentasse argumentar mais alguma coisa, Hermione sorriu para ele e forçou a entrada para dentro do quarto.
- Eu vim falar com você e não tente fugir, Severus! Não disse que eu tinha que saber quem era e quem havia se tornado depois de todo esse tempo, antes de decidir qualquer coisa? Então, esta é a hora de começar a falar – ela repetiu o gesto dele e ficou com o olhar fixo nele.
- Para início de conversa, eu não lhe devo satisfações, moça! Mas, já que quer tanto saber, é só você prestar atenção ao meu antebraço esquerdo. Eu sou um Comensal da Morte e muito bom em tudo o que eu fiz até hoje. Eu já queimei e semi- esquartejei pessoas vivas, torturei homens e mulheres inocentes, matei crianças... dos meus 18 aos meus 19 anos, fiquei conhecido pelos trouxas como o demônio em pessoa – Snape a cada palavra dita esboçava no rosto uma raiva crescente e viu que Hermione começava a encher os olhos de lágrimas ao escutar o que dizia.
- Quer saber mais? Eu já espanquei pessoas sem motivos, quando não estava em uma missão do Lorde das Trevas, tinha dias que eu saía com uma machadinha dentro do sobretudo esperando para arrumar uma briga com o primeiro que aparecesse na minha frente. Eu agia como um completo maníaco, andando bêbado e drogado pelas ruas, sem rumo! Perdi as contas de quantas mulheres passaram pela minha cama nestes anos... e, caso queira a informação, eu já fui capaz de violentar uma, como o perfeito pervertido que eu sou.
- Por quê? – a castanha o questionou engolindo em seco, sem saber exatamente o que esperar, nunca imaginou que ele pudesse ter ido tão fundo.
- Motivos? Segui a criação violenta que eu tive, você sabe, já lhe contei isso no passado... além de que para viver na rua da Fiação e se manter vivo, a pessoa deve agir como um psicopata prestes a atacar o primeiro que aparecer. Se você pensar que, de 1978 até cerca de 1984, era interessante ser punk e ter uma atitude condizente a isso, ao sair na porrada com quem cruzasse o caminho... fazia sentido ser um delinquente – ele deu de ombros e fechou completamente a sua expressão.
- Mas, Severus, você não era e não é assim! Eu já tive provas suficientes de que é um homem bom, embora seja genioso e implicante... – falava sem conseguir assimilar direito o que ele argumentava, ninguém poderia ter mudado tanto, nada daquilo era coerente com o que ela lembrava dele.
- Pode ser que eu sofra de personalidade Boderline ou algo próximo a um transtorno de personalidade, o que o que me torna alguém completamente limítrofe nas minhas atitudes e faça com que eu tenha dois vivendo dentro de mim se digladiando. Nunca parei para pensar nesse assunto. Mas, sei o que você quer que eu lhe diga exatamente... pois, bem, quando foi embora, eu caí numa depressão profunda. Minha vida se tornou uma noite completa e os meus dias pareciam uma eterna repetição, até que, um dia, tentei cometer o suicídio. O Lupin acabou me achando desmaiado e me salvou, depois a Bellatriz aproveitou a oportunidade e me roubou as minhas memórias com você, aquela cadela imunda... Com isso, despertou o pior em mim e eu comecei a agir da maneira que relatei. Apenas parei de me comportar desse jeito, no momento em que a Nymphadora entrou na minha vida e eu fui obrigado a rever o meu modo de proceder diante das situações. Mas, não me tornei uma pessoa melhor, apenas fiz o que era necessário para que ela não fosse criada por um anormal como eu – Snape a olhava sentada no sofá como se estivesse em estado de choque com as palavras dele. O que o fez continuar e o levou a tirar a camisa.
- Veja as minhas cicatrizes! Aqui há marcas de feitiços, de torturas de todos os gêneros... eu passei por chicotadas, queimaduras, apanhei com fivelas de cinto e fios desencapados... eu levei mais de 20 pontos ao ser esfaqueado em uma briga de bar aos 27 anos e, em torno de 10, por conta de uma garrafa quebrada que quase me cortou a garganta. E, sim, eu já era professor e também era o responsável pela educação da Dora. A sorte é que ela já estudava aqui quando isso aconteceu e, ao ser informada que eu estava internado em um hospital com risco de hemorragia e de morrer, teve que ser levada para lá apavorada com o fato de que perderia a única família que tinha. Mesmo assim, eu não me importei, Hermione! Minha vida foi uma merda durante todos esses anos... então, você reapareceu, me deixou quase louco com a sua presença constante, me beijou naquele baile, depois sumiu... eu me achava um monstro desgraçado, que merecia a pior morte possível, por desejar uma menina. Eu não queria ser igual ao maldito Tobias, que estuprou a Andrômeda, quando ela tinha 15 anos! O Dumbledore se meteu, chamando o Lupin, ele me mostrou as memórias dele e você está lá comigo quando eu tinha 17 anos! Acha que eu pensei o quê? – ele foi indo em direção a castanha aos gritos. Sentia raiva de si mesmo, esperava que ali fosse o fim de tudo. Já a visualizava lhe dando uma bofetada, enojada com a aberração que ele se tornara, que o rejeitasse e fugisse dali.
- Eu sou desumano, perverso e imoral! Você merece coisa melhor na sua vida, menina... saia daqui, enquanto ainda é tempo. Vá ser feliz com aquele ruivo, tenha filhos... me esqueça! Eu sou um velho asqueroso que não pode te oferecer nada além de uma vida medíocre – o rosto dele estava próximo ao dela, quando terminou de cuspir tudo aquilo.
Hermione olhava no fundo os olhos dele, ainda lutando contra as lágrimas que queriam sair dos dela. Sentia a dor de cada uma daquelas marcas no corpo dele. Pensava no número de vezes em que ele se sentiu sozinho e com medo, quantas ocasiões se encontrou ferido e com frio sem ter a quem recorrer, como um animal abandonado que deixara de confiar nos outros. Ela não entendia como, mas o perdoava pelas coisas horríveis que havia feito. Sabia que não precisava de justificativas... não tinha como ser explicado, mas necessitava absolvição ao ver que doía nele ter sido responsável por tantas coisas ruins. Snape não se dava conta, mas muitos dos seus gestos de bondade e as inúmeras oportunidades em que se arriscou para ajudar alguém, o redimira de sua marginalidade ou instintos irracionais. Ele era uma boa pessoa que teve um destino miserável...
O rosto dele não se afastara do dela e a respiração dos dois estava acelerada, fosse pelas emoções extremas ou pela proximidade... Impensadamente, Hermione o puxou pela nuca e o beijou. O aceitava e amava exatamente como era. Ele se afastou recuperando o ar, tentava se agarrar ao seu juízo e a ideia de que ela deveria odiá-lo. A castanha se levantou do sofá, se reaproximando dele e o empurrou para cima do móvel, subindo em cima dele.
- Eu quero você... não me importa se é o vilão, o mocinho ou o Duas Caras do Batman, Severus. Não vou esperar por mais nada de agora em diante – ela passou a beijar o pescoço dele, enquanto ele fechava os olhos sentindo o calor dos beijos molhados vindos daqueles lábios carnudinhos que ela possuía. Era como se ela o puxasse do abismo. Hermione passou a mão nos cabelos dele, segurando onde eles eram mais cheios e sussurrou perto do ouvido:
- Shhh... você pensa demais. Volta para mim, seja meu e me diga tudo o que você quer... ou melhor, apenas me deixe te fazer esquecer um pouco de tudo que fez... agora, nesse momento, só pense em nós – a cada beijo, cada suspiro ou gemido baixo que vinha dela, fazia com que ele perdesse o autocontrole. Era uma tortura prazerosa e única ter o corpo dela tão próximo de si.
- Eu vou para o inferno mesmo... Então, Hermione, se prepare porque vou fazer isso direito - ele a puxou para mais próximo e começou a beija-la, sentindo ela o envolver com as pernas, suspirando contra a sua boca.
Ele a acariciava se ajustando embaixo dela, começando a se movimentar para excitá-la ao máximo. Já não conseguia mais parar de beijá-la, puxava aqueles cabelos castanhos selvagens, fazendo com que ela expusesse o pescoço. Ele mordia, chupava e lambia cada ponto de pele disponível aos seus lábios. Hermione traçava cada uma das cicatrizes com os dedos, naquele gesto existia veneração por ele ter sido tão forte e corajoso. Mas, notou que nem todas as marcas eram de violência... existia, no ombro dele, o vestígio de quando ela o mordeu numa noite de amor entre os dois. Snape acariciava o corpo dela por cima da roupa, apertava os seios e começava uma lenta masturbação para provoca-la, sorrindo com o grito assustado que ela deu, quando enfiou uma das mãos por baixo da saia e apertou a sua nádega. Ele subitamente parou...
- Me diz agora Hermione, o que você quer? - ele deu uma palmada e manteve o sorriso malicioso, vendo que aquilo a enlouquecia.
- Eu quero você – ela tentava falar, mas o sangue fervia de tal modo que os pensamentos não eram mais coerentes e se tornaram ainda mais nebulosos, quando sentiu que ele se levantava com ela no colo.
Snape subiu as escadas, tateando com uma das mãos o corrimão para que não caíssem ali; com a outra, ele a prendia contra si. Ele sentia os dedos frios dela contrastando contra o calor da sua pele... o seu corpo fervia de excitação e desejo. Sem pensar muito, a encostou contra a parede gélida das masmorras e arrancou a sua blusa, a deixando apenas com a gravata da Grifinória.
- Você é uma pervertida, por andar nesses corredores sem sutiã... vou fazer uma nota mental quanto ao fato de que jamais deixará de ser tarada – a voz dele adotou um tom mais quente e aveludado ao dizer isso.
Percebendo que ela tremia com os arrepios que os seus sussurros e a oposição entre a temperatura corporal e a do ambiente, ele a soltou do seu colo. Entretanto, preferiu a manter prensada contra a parede, baixando o rosto e o corpo, para começar a beijar e acariciar os seios dela. Ela voltava a delinear as cicatrizes, com uma crescente e inesperada paixão, a cada toque ela o desejava mais ardentemente, o puxando pelos cabelos para beijá-lo mais uma vez... era a tempestade de fogo que se aproximava e Snape sentia que o seu membro já pulsava dentro das calças implorando para ser libertado. Isso o fez girar o corpo de Hermione, a colocando de frente para a parede, fazendo um traçado com a língua por toda a sua coluna. Ao chegar nas nádegas, ele sorriu safado e apertou com vontade, dando leves mordidas que a fizeram dar um pulo.
- Hermione, apoie as mãos na parede... – a voz dele era quase um sussurro melodioso de ordenação.
- Por quê? – a dela estava entrecortada.
- Verá! – ele fez com que ela se empinasse na direção do seu rosto, empurrando a calcinha para o lado e passando a língua por toda a sua extensão... ela já estava tão molhada para ele. Mas, ainda não era o momento, queria apenas que a sua castanha gemesse cada vez mais alto, mais excitada e entregue.
Snape se ergueu do chão, roçando o pênis nela, queria que ela percebesse o que fazia com ele, como o enlouquecia. A puxou para si, apertando forte contra o corpo, fazendo movimentos de estocada para esfregar ainda mais a ereção contra ela. Os dedos se movimentavam circulares em volta dos mamilos, ora acariciando, ora dando pequenos beliscões. Hermione gritava palavras desconexas e também se roçava contra ele. Ele a virou de frente e a puxou para que se deitasse na cama. Ali pode admirar os seios duros e eriçados de excitação, curvando o corpo sobre ela, a estimulando com os lábios. Lambia, mordiscava e chupava cada um lentamente, com toda a atenção que considerava necessária, querendo que ela sentisse naqueles instantes todo o amor e a vontade que ele tinha de lhe dar prazer.
- Severus... - ela sussurrou, gemendo baixinho.
- Diga Hermione – ele sabia o que ela queria. No entanto, não a possuiria, porque tinham todo o tempo do mundo para que ele a beijasse, prendesse os seus lábios com os dentes e cuidasse de cada parte de seu corpo.
- Me faça sua... agora – o gemido dela se tornou mais alto, fazendo com que ela arqueasse o corpo.
- Tudo a seu tempo, minha leoazinha... – Snape desceu a mão para a intimidade dela e ficou admirando as suas reações ao ser estimulada. Era fantástico masturbar aquele corpo que ele tanto amava, vendo que ela friccionava o sexo contra a mão dele.
Primeiro com movimentos circulares no clitóris e, depois, quando ele começou a estoca-la com os dedos. Queria sentir cada traço de calor que emanava do corpo dela, ouvir as palavras sem sentido que simbolizavam o prazer que sentia. Ele queria tudo e, com isso, beijou cada pedaço de pele, da sua cintura até o quadril, desceu da cama se ajoelhando e afastando as pernas, para chegar com beijos à parte interna das coxas. Ali distribuiu novos chupões e mordidas, roçando os dentes, fazendo com que ela se contorcesse com as sensações que se misturavam. Ele sorriu e passou a língua pela virilha, sentido que ela já estava prestes a gozar pela primeira vez, intensificando os movimentos... queria que fosse o primeiro orgasmo de muitos. Assim que, seus dedos ficaram encharcados, com o líquido que ela derramava, Snape sorriu e os chupou cada um deles, admirando a sua mulher já totalmente sem fôlego.
- O seu gosto é maravilhoso, minha rainha - sussurrou já voltando a dar atenção agora com a boca... ele se dedicou a movimentar a língua de várias formas, antes de chupar a intimidade dela. Queria beber clímax e sentir o gosto dela novamente, intensificando cada vez mais o ritmo. Sugando com vontade, ele fez com que ela se apertasse em torno dele. Em seguida, deitou-se sobre ela e lhe beijou ferozmente, fazendo com que Hermione provasse o próprio orgasmo. Ela se moveu debaixo dele, gemendo alto pelo contato dos corpos, a sensação do membro dele duro contra a sua perna era incrível... fazendo com que, tentasse o segurar com a mão para compartilhar a mesma sensação de luxúria com ele.
- Severus... me fode... – ela tirou os lábios dos dele e começou a mordê-lo. Precisava extravasar os sentimentos e o furor que a torturavam, quase a enlouquecendo.
Snape, ao ouvir isso, não conseguiu mais se controlar. A mão dela massageava o seu pênis e ela o conduzia maravilhosamente para dentro de si. Ele começou a retribuir os chupões e as mordidas que ela lhe dava... era natural para eles deixarem rastros de amor no corpo um do outro, como se estivessem marcando o que lhes era de direito. Por um instante ele parou de lhe deixar vestígios, para beija-la novamente, entrando nela com uma só estocada, que a fez gritar. Então, ficou esperando que ela se movesse lhe dando permissão para que continuasse. As respirações estavam irregulares, Hermione implorava por mais... enquanto, ele oscilava os movimentos, às vezes, rápidos... outras tantas, ele diminuía o ritmo tornando-o lento. Ambos estavam quase atingindo o ápice e a castanha lhe cravou as unhas curtas em seus ombros, arfando. O fogo os atravessava mais uma vez, o que o impulsionava a se mover cada vez mais irregularmente e com força. Estava lutando para não gozar antes dela, queria ouvi-la falando obscenidades, como se com isso dissesse que ela lhe pertencia. Tinha absoluta certeza de que tudo com ela sempre seria diferente e infinitamente mais importante, intenso e melhor. A sua expressão agora tinha mudado, se antes ele demonstrava concentração e prazer, passara a mostrar um semblante de dor por tentar se controlar ao máximo.
- Hermione... me guie... até você – Snape disse em meio a um gemido sôfrego.
- Aaaaah... Sev... Severus, mais forte... mais... forte – ela gritava por ele, o empurrando para dentro de si com a ajuda das pernas, o que o fez se perder totalmente ao sentir aquele aperto e o corpo dela como se estivesse latejando. Como era possível que, depois de tantos anos, o corpo dele reconhecesse o dela tão bem?
Um arrepio lhe cortou a espinha, fazendo com que ele soltasse um gemido rouco e alto de prazer ao ejacular dentro dela. Ele permaneceu mais alguns minutos ali sobre ela, dando pequenos beijos e tentando recuperar o fôlego... em seguida tombou para o lado, a puxando para si com força. Queria que Hermione ficasse grudada ao corpo dele. Gostava do cheiro dela, do suor doce com aroma de desejo e sexo, misturado com baunilha e morango. Ela era a senhora absoluta da vida dele e não havia mais como negar...
- Eu te amo, Sevie - sussurrou ela, se ajeitando contra o peito dele.
- Eu também, minha rainha Hermione, você não sabe o quanto – ele respondeu fechando os olhos lhe dando um beijo na testa.
Snape acordou e achou que havia sonhado com aquela noite. Tantas e tantas vezes já tinha fantasiado com Hermione em seus braços, o amando novamente e perdoando os seus crimes e erros, que aquilo só poderia ser apenas mais uma ilusão. Ao se virar para levantar da cama, sentiu aquele cheiro que o enlouquecia... era ela, dormindo tranquilamente com a respiração sossegada ao seu lado. Ela achava-se enrolada nos cobertores, encolhida, como uma pequena lagarta em um casulo. Provavelmente, julgava que aquela era a melhor maneira de se proteger do frio, sem acordá-lo, se aninhar ali tão quieta e linda. Ele sorriu imaginando a cena e o quanto a sua castanha era doce e adorável. Não demorou muito para que a puxasse para perto de si. Queria aquecê-la com o calor do seu corpo, como fizera muitos anos antes em uma madrugada gélida na Torre de Astronomia, ou, talvez, quando conversavam próximos ao lago Negro.
Estranhamente, aquela lembrança o entristeceu... e o fez pensa em como teria sido, se ela não tivesse ido embora. Certamente, teriam concluído os estudos em Hogwarts e casado. Ele não se tornaria Comensal da Morte e, era provável, que alguma coisa aconteceria os fazendo criar Nymphadora juntos e gerado muitos filhos. Seriam crianças lindas e, já teriam se tornado jovens... quase adultos. Teria feito as suas pesquisas em bioquímica, engenharia química e farmácia, possivelmente, trabalharia em um hospital ou daria aulas em Oxford... não ficaria rico, mas daria uma vida digna à esposa e para as suas crianças. Era doloroso pensar nesse presente que nunca existiu. Pela primeira vez, Snape sentiu que algo tinha sido roubado dele, o que o fez chorar e a mágoa de não ter sido amado por tantos anos e, quem sabe, a vida toda não foi mais contida explodindo como uma avalanche sem qualquer controle. Era uma angústia tão grande que o dominava, que o fez sentar-se na cama abraçando o próprio corpo, apertando os joelhos contra o tórax, como se tentasse se proteger e reprimir o que sentia... mas, era difícil. Bellatrix realizara o sequestro da sua memória, do seu direito de sofrer, de chorar cada minuto aquela saudade que o sufocava, de vivenciar a ausência que ele sentia do seu amor... ele não teve a chance de superar o luto que a separação de Hermione causara e, desde que recuperou as suas lembranças, ainda não conseguira o tempo necessário para que o fizesse e terminasse com aquele paradoxo da presença-ausência que apertava o seu coração cada vez que a via.
A castanha acordou assustada com os soluços altos dele... ela, em partes, sabia que o fizera sofrer, viu a dor nos olhos dele antes de partir. Entendia que quebrara o coração dele e que era a responsável por todo aquele suplício e mortificação. Hermione passou os dedos por toda a extensão daqueles cabelos negros, procurando passar conforto e, Snape, a puxou para si. Apertou forte contra o peito e ficou repetindo baixinho:
- Nunca mais me deixe, nem que seja por um segundo... eu não vou aguentar te ver partir outra vez. Eu te amo... amo tanto.
Foi, então, que ela reparou mais atentamente nos pulsos dele. As cicatrizes eram profundas e mostravam o quão desesperado e sozinho ele tinha ficado com a sua partida. Se deparar com aquela realidade fez com que o seu coração se despedaçasse... por sua culpa, ele julgou que jamais seria digno do amor de alguém. Possivelmente, vários sonhos inconfessáveis foram destruídos. Mas, ela estava decidida a refazer cada um deles. Seriam felizes juntos! Constituiriam, finalmente, uma vida e uma família. Se teriam ou não filhos, pouco importava naquele momento, pois, teriam um ao outro e nunca mais o abandonaria ou permitiria que ele se sentisse solitário novamente. Hermione ergueu a cabeça o olhando, beijou o seu queixo, fazendo com que ele a olhasse. Assim, ela disse para Snape:
- Você é o amor da minha vida, Severus. Eu nunca mais vou cometer o erro de te deixar – sorriu triste, beijando os lábios que tanto amava.
-Promete? – respondeu acariciando o rosto dela, enquanto a olhava com verdadeira adoração.
- Sim... – sussurrou.
- Hermis... Hermione, sempre foi você. Até quando eu nem imaginava que existia, alguma parte de mim já te amava. Eu me tornei homem no exato momento em que eu te fiz mulher. Acredito que... é horrível dizer isso... mas, eu tenho que ser sincero... certamente, foi e é apenas com você que eu me senti assim, homem e não um animal que só agia pelo mero instinto de sobrevivência ou como se estivesse no cio – Snape a olhou preocupado e Hermione via como se todas as engrenagens da cabeça dele estivessem girando freneticamente ao mesmo tempo. Ele sentia medo de que ela fosse embora, que o deixasse a qualquer instante. Via o momento em que a sua castanha o olharia e diria que tudo aquilo não passara de um erro terrível. Que ele era sujo e desumano e, que ela, merecia um futuro muito melhor do que ao seu lado. No entanto, foi tirado dos seus pensamentos e do pânico que começava a crescer no seu peito, ao ouvi-la:
- Severus, eu sabia que seria difícil para você me esperar... mesmo que não fosse uma ideia agradável, era algo que poderia acontecer. Embora, não acredite, você é um homem atraente e suficientemente capaz de conquistar qualquer mulher. Eu só não tinha a dimensão da gravidade de como isso aconteceu, do modo que foi feito e você se viu sem uma parte de quem era. Foi cruel, doentio e totalmente sórdido o que a Bella te fez – Hermione dizia, ao mesmo tempo em que, se encaixava mais perto, enterrando o seu rosto entre o pescoço e o ombro dele. Queria que ele sentisse o amor dela, que ela jamais desistiria... era bom respirar o aroma e sentir o calor do seu corpo.
- Você já pensou que foi essa a mulher que te pôs no mundo? – ele já conseguira cessar as lágrimas e acariciava os cabelos dela. Aquilo proporcionava uma sensação boa, de paz e sossego. Como se um bálsamo fosse jogado sobre cada uma das suas dores.
- Já... e eu não tem sentimentos por ela por conta disso. É terrível, mas é a verdade – ela respirou fundo e ficou pensativa. De fato, era terrível o pensamento de que, aquela mulher que a odiava, era a responsável pela sua existência. Hermione não conseguia compreender como Bella teria sido capaz de gerar uma criança, sendo um ser tão execrável e frio. Simultaneamente, se sentia péssima por não conseguir perdoar aquela que a era a responsável por sua existência.
- A verdade nem sempre é bonita... e eu te entendo – a afastou um pouco para olhar em seus olhos, enquanto falava o que considerava que era o certo para ser dito naquela ocasião:
- Também não observo como digno de sentimentos o Tobias... embora as situações sejam distintas, ambos nos trataram como aberrações e nos agrediram de algum modo. Eu não gosto do Sirius, mas dê uma oportunidade a ele. A Cissa me contou o quanto ele te procurou até ser preso. Ele queria você na vida dele, foi humilhado pelos pais e pelos tios... lutou para cuidar da criança que representava todo o amor que sentiu pela Bella desde a infância... eu o entendo nesse ponto.
- Por quê me diz isso? – a castanha o olhou com curiosidade. Não era todos os dias em que Severo Snape falava qualquer coisa positiva a respeito de Sirius Black, ou vice-versa, então, era um caso a ser pensado e analisado.
- Porque se você me desse um filho e, por algum motivo, eu fosse afastado dessa criança... viraria o mundo de ponta-cabeça até encontrar. Ao olhar nos olhos dele ou dela, eu te enxergaria e aquilo ia me dar a certeza de que não foi um erro. Que um dia, tudo foi real – ele a observou sério e prosseguiu, mudando um pouco de assunto, tentando parecer mais divertido:
- Apesar de que... eu pedi autorização para corteja-la, jovem dama... aos seus pais que lhe deram um sobrenome, criaram você com carinho e proteção. E, isso, faz com que, mesmo dizendo para você dar uma chance ao cachorro, eu não tenha que pedir a sua mão em namoro para ele – ergueu a sobrancelha esquerda para ela dando meio sorriso.
- O que eles te disseram? Quando foi isso? – Hermione considerou aquelas afirmações com um semblante incrédulo.
- Ora, quando? No dia em que eu os levei para a Austrália! Eles me garantiram que se você aceitasse, não iriam se opor. Embora, eu tenha notado que o seu pai não ficou muito feliz de ver um homem quase da idade dele pedindo a sua única filha em namoro... mas, como ele mesmo disse, era preferível eu, do que um rapaz sem eira nem beira – deu de ombros rindo abertamente.
- Você deve ser meio doido, Severus... quando me pediu em namoro para eles, foi na época em que me chutava para fora da sua vida! – ela sacudia a cabeça num misto de reprovação e alívio. Eles ficaram um tempo em silêncio, cada um com os seus pensamentos, quando Hermione respirou fundo e disse decidida:
- Temos que ir hoje a sede da Ordem e eu vou falar com o Sirius a este respeito.
- Hermione... antes de nós sairmos, eu quero te perguntar uma coisa... – Snape mordeu o lábio esperando que ela respondesse o autorizando ou não.
- O que? – o olhar dela era de dúvida.
- Como os seus pais te acharam? Como veio a decisão do seu nome? E... principalmente, quem te deu aquele gato maligno que me persegue? – o último questionamento fez com que os dois desses gargalhadas.
- Bem, não é só uma interrogação, mas, vejamos... eu fui deixada na porta da casa deles com um bilhete que dizia "Embora tenha sido abandonada pela minha mãe, eu nasci forte e generosa. Uma guerreira capaz de reinar sobre Esparta, Micenas e Epiro. Também sou bela, a ponto de enlouquecer de ciúmes um grande rei como Leontes e, mesmo depois do desamparo, ser capaz de perdoá-lo com todo o coração. Seja bem-vinda ao mundo, Hermione!", o que responde duas das suas dúvidas. Sobre o Bichento, minha mãe me contou que um rapaz me presenteou com ele depois de ter me visto chorando por conta de outras crianças... – a castanha terminou de retorquir, quando percebeu que ele a olhava com uma expressão de espanto.
- Que idade você tinha quando ganhou o gato? – mantinha os olhos arregalados a fitando.
- 3 anos, por quê? Severus, você está me assustando – Hermione o analisava sem compreender os motivos que o levaram a ficar daquele jeito.
- Porque, aquele velho doido, me mandou para uma missão sem pé nem cabeça para a Londres trouxa em 1982... e eu dei um gato meio amasso para uma menininha que estava triste porque uma cretina a chamara de estranha. Ela tinha o seu nome, me agradeceu dando um beijo no meu rosto... – ele passava as mãos nos cabelos compulsivamente, falando como se estivesse organizando as ideias. A questionando novamente:
- Eu... eu senti uma sensação de felicidade quando ela me olhou... a mesma que eu sinto quando olho para você! Mas, não pode ser... Tem alguma foto sua quando criança, para que eu veja?
- Tenho... eu posso conjura-la aqui – em instantes a foto chegou e Snape soltou um ruído de surpresa.
- Era você... aquele velho me mandou porque sabia que eu ia te encontrar, que alguma coisa me levaria até onde estava, Hermione! Algo fez com que nos reconhecêssemos, você confiou em mim e disse o que te afligia, me seguiu para agradecer... tão pequena ainda, um pouco mais do que um bebê... isso é loucura! – pôs as duas mãos contra o rosto, temia entrar em pânico a qualquer momento. Não era possível que ela fosse, justamente, aquela criança que ele ajudara.
- Eu não acho que seja loucura e nem um mistério insuperável... creio que seja destino e amor, para que soubéssemos desde sempre a verdade. Você me disse, uma vez, que eu era a sua estrela Polaris, te guiando para que encontrasse o caminho de casa. Agora, percebo que isso significa que você só se sente completo, Sevie, quando estou perto e, eu sinto algo semelhante... é como se quando você está longe, faltasse um pedaço importante de mim – Hermione sorriu abertamente. Sentia que era uma coisa com um propósito muito maior naquele encontro.
- Tenho outra coisa para falar... aquele bilhete, provavelmente, a vadia da Bella roubou dos meus pertences para que eu não tivesse qualquer recordação sua. Não é exatamente do jeito que você, Hermis, me relatou. Alguém pode ter copiado alguns pedaços, porque considerou o nome bonito, sem que ela soubesse – mostrava uma expressão séria e pensativa.
- O que estava escrito originalmente? – perguntou com curiosidade para ele.
- Era uma carta... eu escrevi pensando que, algum dia, poderia entrega-la nas suas mãos. Infelizmente, não a tenho mais. Mas, lembro do que eu redigi. Se quiser, eu a refaço em um pergaminho para que leia... Acho que seria mais romântico e interessante se eu mantivesse o meu plano original. Pode ser? – Snape a encarou e ela assentiu com a cabeça. Ele se levantou da cama e foi até o escritório, fazendo um gesto com a mão para que ela aguardasse o seu retorno. Passados alguns minutos, voltou com a carta nas mãos, entregando para a castanha que começou a ler em voz alta:
- Minha Hermis, mensageira do que há de melhor em mim e de todos os deuses que existirem... Sinto saudades de você todos os dias e os espelhos do meu coração se partiram em mil pedaços cultuando a tua ausência. Queria que, onde quer que esteja neste momento, soubesse o quanto eu te amo e, também, que eu estava certo ao te chamar de rainha, minha rainha Hermione. De fato, tem o nome de duas... embora, eu te veja como Maia, mãe de Hermes ou Mercúrio, deusa da cura, da primavera e a única que dominava serpentes. Você me dominou sem nenhum esforço... eu não me canso de amar você! Entretanto, com relação as rainhas: a primeira, era filha de Helena, que fugiu com o príncipe Paris para Tróia, você sabe tão bem quanto eu... é uma história triste de abandono. Mas, Hermione, filha de Helena, embora tenha sido rejeitada pela mãe, nasceu forte e generosa. Uma guerreira capaz de reinar sobre Esparta, Micenas e Epiro. A segunda, bem... ela foi bela, brava e forte! Soberana absoluta em uma das tantas tragédias de Shakespeare. Era tão linda, que conseguiu enlouquecer de ciúmes um grande rei como Leontes e, mesmo depois do desamparo, foi tão grandiosa a ponto de ser capaz de perdoá-lo com todo o coração. Então, seja bem-vinda ao mundo, Hermione! Não a qualquer mundo... mas ao meu, onde terá tudo o que sonhar... posso não ter fortuna, entretanto, possuo amor tão imenso que é só teu. É a dona do meu reino e da minha alma. Por e pelo o teu amor, enfrento raios, relâmpagos, dragões e o universo, se preciso for. Hermione, você é o meu único e verdadeiro amor, todo o meu coração e a minha vida. Eu espero que, um dia, volte e feche novamente todas as feridas do meu coração... S. S. – ao terminar de ler, ela estava com os olhos cheios de lágrimas se virando para dizer:
- Isso é lindo! Quero que saiba que o maior tesouro que eu desejo possuir no mundo, Sevie, é o teu amor. Já me basta saber que me ama também, que nada foi em vão e que, mesmo depois de todo esse tempo, todo o nosso sentimento se mantém e será eterno – foi em direção a ele e o abraçou forte, recebendo em troca um beijo apaixonado. Ficaram mais alguns momentos assim, até que Snape falou a contragosto:
- Teremos que sair para chegarmos lá no horário do almoço, para ouvirmos com os outros o que Dumbledore tem a nos informar.
Tomaram banho e trocaram as roupas para sair de Hogwarts e seguir para a sede da Ordem. Depois de atravessarem os portões, ela o segurou pelo braço e eles aparataram chegando ao Largo Grimmauld. Entretanto, antes de entrarem, ele a puxou para si.
- Hermione, certamente, o Black vai querer que eu diga onde estão os seus pais... depois de tentar me matar algumas vezes, após todo o escândalo da Bella dentro do Ministério... – respirou fundo para continuar dando um sorriso aberto e de divertimento para ela:
- Ele vai querer que você use o sobrenome dele... e, neste ponto, te pergunto Hermione... quantos sobrenomes terá até o final da vida? Eu te conheci como Geavet, depois foi Granger, agora será Black ou Granger-Black mantendo o sobrenome dos seus dois pais. Tenho até medo de descobrir que é uma agente secreta do MI6.
- Acho que depois dessa mudança, ainda haverá mais uma... mas, garanto não ser parte do Serviço Secreto de Inteligência – Hermione riu.
- Qual? – Snape a observou já sabendo o que ela diria. No entanto, adoraria ouvir aquilo naquela voz doce e perfeita.
- Eu vou preferir que fique Granger-Black Snape e que os nossos filhos tenham esse sobrenome também – ela já não ria mais e os seus olhos brilhavam com a ideia de se tornar esposa dele. Isso o fez sentir o seu peito queimar, mas, não perderia a oportunidade de implicar um pouco com ela, antes de se ajoelhar e gritar a todos que a amava.
- E quem disse ou o quê te faz pensar que eu quero me casar com você? – a olhou desafiante segurando o riso.
- Os seus olhos, os seus olhares, as suas palavras e o seu amor... eles são as maiores provas de que você sonha com o dia em que eu serei sua esposa e mãe dos seus filhos – ela sorriu novamente.
- Quer casar comigo? – Snape se ajoelhou na frente dela segurando as suas mãos.
- Quero... quero muito – Hermione o olhava segura da sua decisão.
