Capítulo 14 - Capítulo 14
Mesmo envergonhada pelo que havia ocorrido no dia anterior, Hermione havia ido a aula de Snape. Assistir aquela aula estava sendo difícil para a Hermione Granger. Ela sabia que não poderia ser diferente, visto que o professor havia presenciado algo constrangedor que ela só queria se esquecer.
Ela realmente estava agradecida pela ajuda dele, estava verdadeiramente feliz por Snape ter lhe ajudado. Bem, na verdade, algo dentro dela havia mudado depois daquilo.
Entretanto, ao analisar toda a situação, a jovem tinha quase certeza que ele havia pensado mal dela depois de toda a cena com Victor.
Para piorar as coisas, Hermione viu Snape se aproximar e temeu pelo que estava por vim.
- Srta. Granger, eu li suas respostas do exercício da última aula. – Sussurrou com sua voz profunda. - Foi bastante denso. Você já pensou em dar monitoria? Minha monitora está se formando esse semestre, então a vaga estará vaga no semestre que vem.
A jovem, por alguns instantes, olhou para cima de seu manual parecendo perdida.
- Isso é uma pergunta capciosa? Você está tentando tirar sarro de mim? – Hermione perguntou desconfiada, afinal, não era por aquilo que ela esperava.
Ela o encarava parecendo não acreditar no que estava ouvindo.
- Bem, não. – Respondeu Snape. - Eu estava apenas pensando que você poderia pensar no assunto. Mas esqueça o que eu disse. A senhorita não está preparada para tal coisa.
- O quê? Como o Senhor pode ter mudado de opinião tão rápido? Eu realmente já lhe convenci do contrário nesse curto espaço de tempo? Espero que não tenha desistido por causa daquele incidente no restaurante ou o incidente da última aula. Ou ainda por causa do dia anterior. Por Deus, não vai se repetir.
Neste ponto, o rosto de Hermione ficou completamente vermelho.
- Estou penando. – Snape revelou. - Quero dizer, pensando.
- O quê? – Ela perguntou ofendida.
- Podemos conversar depois da aula, Srta. Granger.
Uma hora e quarenta minutos depois, o sinal soou e ele a viu levantando-se e recolhendo seus livros, ele pode ver o rosto da jovem lentamente voltar à sua cor branca normal, embora ele podia ver um toque de vermelho ainda em suas bochechas.
- Tudo bem, Srta. Granger. Vamos lá. – Disse apontando para a cadeira para que ela se sentasse.
- O Senhor mencionou sobre a vaga de monitoria. - Ela disse em um sussurro. – Não vai me dizer que já se arrependeu?! Por Deus, Professor. Eu esperei tanto por isso. Além disso, você sabe que seria ótimo para qualquer currículo. Eu duvido que consiga alguém melhor do que eu para indicar. Sou uma boa aluna. - Sacudiu a cabeça. - Você sabe, certo?
- Muito bem, Granger. - Responde Severus em um tom suave. – Mas chega de tagarelice... não me faça desistir.
- Oh! - Uma ligeira hesitação e depois perguntou: - Como faço para concorrer a vaga? Tem algo que eu possa fazer hoje?
- Vou considerar que você está brincando. Não existe nada que você possa fazer hoje. – Zombou. – Adeus, Granger. Te envio um e-mail com o que precisa saber. – Disse se retirando.
Com isso, a jovem mulher pulou da cadeira e examinou a sala com bastante atenção. Hermione estava quase certa que aquilo havia sido um sonho, mas quando o sinal soou novamente, ela teve certeza que não era um sonho.
Seu rosto irradiava alegria, e ela exclamou:
- Preciso contar para, Gin! O que deu nele? – Perguntou para si mesma, ainda pulando de emoção.
(...)
- Você pode acreditar? - Hermione riu. – Foi tudo tão rápido...
Ginny, sua melhor amiga, sorriu e lhe puxou para o sofá.
- Querida, é claro que dá para creditar. Você é uma ótima aluna e a monitora dele está saindo. Além disso, acho que todo esse negócio de que o professor Snape é um carrasco é superestimado. - Ginny cochichou continuando suas reflexões. - Realmente, ele é uma pessoa justa! Não vejo ninguém melhor do que você para isso
Hermione concordou cautelosamente e observou que Ginny já havia arrumado as algumas malas para deixar o apartamento. Hermione ainda não podia acreditar que as duas teriam que sair para dedetizar o local.
- Vejo que já fez as malas! – Falou de repente.
- Sim, Hermie. – Respondeu parecendo triste. – Não sei como isso foi acontecer... Estava sentada lá, pensando nada além do que como me aproximar do Draco... – Hermione ouviu sua amiga dizer. - Quando eu vi dois ratos enormes próximos a nossa porta. – Rosnou desgostosa. - Dar para acreditar nisso? – Ela perguntou revoltada. – Uma hora nosso apartamento está limpo e cheiroso, na outra estamos sofrendo uma infestação de ratos.
Ginny sacudiu a cabeça no que parecia ser nojo e descrença e Hermione concordou.
- Já tem lugar para ficar, Hermie? Luna me disse que você pode ficar conosco na casa dela.
- Oh, Luna é uma fofa, mas não precisa. Vou passar o final de semana no Malfoy!
- O quê? - Perguntou surpresa.
- Vou ficar no Malfoy. Acredita que ele me chamou para fazer o trabalho lá novamente? Ele está realmente focado. - Virou-se para a Gin que parecia pasma. – Temos que terminar um trabalho então aproveitaremos o final de semana.
- Há quanto tempo você e ele trocam mensagens durante a madrugada? Eu vi seu celular apitando com uma mensagem dele um dia desses.
- Por cerca de uma semana agora. - Respondeu colocando mais uma peça de roupa na mochila. – Algum problema? – Perguntou com sinceridade.
- Não! Nenhum. É que não tem saído nada como eu planejei, acho que vou desistir dessa tolice.
Hermione riu. – Te juro que farei o meu melhor ao tentar falar de você para ele novamente.
- Isso, Hermione. Diz o quanto eu amo animais. Que não sou antipática. Sou simpática. Adoro a natureza. Nada superficial e nada mal-humorada.
- Sinto muito, mas não, eu não sei do que você está falando. – Implicou.
- Estou falando sério.
- Ta bom, Gin. Juro que abrirei os olhos dele para você. Mas eu juro que já disse isso tudo, mas tentarei dizer novamente.
(...)
Ginny Weasley ficou na frente do espelho do quarto e nervosamente mudou de um lado para o outro. Foi um esforço inútil, mas ela andou várias vezes.
- Não precisa ficar nervosa, Gin. – Luna informou.
A ruiva se virou e caminhou em direção a sua amiga que estava na porta.
- Não posso evitar. - Ela murmurou e deu um rápido beijo na bochecha da amiga. – Será que ela já falou sobre mim? Ele precisa saber que sou uma ótima pessoa, Luna.
Luna acharia tudo muito engraçado se não estivesse tão preocupada com sua amiga. Afinal, quando Ginny começava algo ela poderia ser bem insistente e maníaca. E fazia meses que ela estava tentando que Draco a percebesse, mas não havia um sinal de interesse.
- Provavelmente hiperventilar até você saber notícias, não vai ajudar. Vamos que o jantar já está servido e temos outro convidado para o jantar dos meus pais.
- Vamos pegar nosso jantar e sair correndo? - Ginny sugeriu.
- Não podemos.
(...)
Snape sentou-se pesadamente em uma cadeira e esperou que o jantar começasse.
- Ouvi dizer que tem uma reunião da equipe. Ansioso? – Pandora Lovegood perguntou com simpatia, mas sabendo que a resposta era não e que o homem odiava aquele tipo de coisa.
- Por mais que eu ame essas reuniões, não sei como vou sobreviver a ela. – Snape disse ironicamente.
- Eu sei, professor. – Ginny sussurrou. – Eu, por exemplo, tive que participar de uma delas, uma que era aberta aos monitores, foi terrível. - suspirou.
- Sério? – A mãe de Luna perguntou incrédula. – Achei que gostava de coisas que envolviam o mundo acadêmico, querida.
- Eu gosto! Gosto de dar monitoria, das horas extras que elas rendem. – Disse em uma voz confiante. – Mas reuniões tendem a ser chatas.
- Sim, - Snape concordou. - Mas fiquei com a impressão de que ainda podemos discutir outras coisas que não envolva aulas. Afinal de contas, nós merecemos isso. - disse Severus interrompendo a conversa com a voz tão digna de pena.
Xenofílio Lovegood, pai de Luna e Pandora Lovegood começaram a rir e as meninas extremamente sérias.
- Sabe, - Disse Snape se dirigindo a Luna e Ginny. – É bom que vocês não riram, nunca se sabe quando podem ter aula comigo de novo. - Severus zombou. Ginny pensou que ela podia ver uma sugestão de um sorriso em seu rosto, no entanto, ela penas assentiu. Ela jamais riria dele, não sabendo que nada o impedia de pegar outra cadeira na universidade só para provar seu ponto.
(...)
Hermione olhou para Draco atentamente e sentiu uma grande vontade de sacá-lo. Honestamente, ela não poderia dizer-lhe o que estava passando por sua cabeça, então, ela preferiu respirar antes de começar a questioná-lo.
Eles haviam marcado de terminar o maldito trabalho e lá estava ele mexendo em um site de relacionamento. Era uma noite de sexta-feira às 22:30 e ela está prestes a xingá-lo.
- O que está fazendo? – O questionou tomando o notebook de suas mãos.
- Me dê isso, Granger. – Falou não olhando para ela.
- São 22:31 da noite de sexta e estamos aqui para fazer o trabalho, Malfoy. Se você não entendeu, a ideia era terminar para que ficássemos livres! - Afirmou em tom de completo aborrecimento.
- Eu sei. - Ele respondeu. – Apenas me dê esse maldito computador. É importante.
- Tenho certeza que isso pode ficar para depois. – Ela disse decidida desviando dele para que ele não tomasse o objeto de suas mãos.
- Vamos. Granger. Não estou brincando. Me dê essa coisa maldita.
- Não! Não antes de terminarmos o trabalho de McGonagoll.
Ela tinha sua total atenção naquele momento. No entanto, seu olhar era tão feroz que Hermione podia jurar que ele queria matá-la.
- Draco, nós dois temos trabalhos importantes que devem ser entregues em um curto prazo.
- Certo, Granger. Você venceu. – Ele suspirou ainda parecendo aborrecido. – Aqui estão os livros que achei na biblioteca e lhe enviei por e-mail os textos que achei em PDF que podem nos ajudar.
Ela olhou para ele com um pouco de pena. Definitivamente não parecia que ele estava naquele site em busca de qualquer garota. Draco parecia ter um interesse especifico que ela estava em dúvida se devia perguntá-lo sobre isso ou não. Sua impressão era que todos os homens que faziam busca naquele site queriam fazer sexo, mas ele parecia mexido demais. Por isso, ela concluiu que poderia ter outro motivo para ele estar naquele estado.
- Certo, Malfoy. Eu não consigo! Juro que estou me esforçando, mas não consigo. – Ele levantou os olhos para encontrá-la. – O que você tem que fazer naquele site é muito importante? Sabe, se for... apenas faça o que tem que fazer! Eu não consigo te encarar com essa cara.
- Não é importante. Vamos terminar logo isso.
- Vamos nós dois sabemos que se você não o fizer, não conseguirá se concentrar nesse caso horrendo. – Hermione tentou novamente.
- Granger, eu praticamente acabei de sair de um longo relacionamento e acabo de saber que minha ex apagou seu perfil naquele site. – Disse ele e ela se odiou por ter se intrometido, era óbvio pelo suspiro alto e pela longa pausa que aquilo estava sendo doloroso. – Agora é oficial. Ela está com outro.
- Eu sinto muito. – Foi a única coisa que Hermione conseguiu dizer.
- Não sinta. Sabe, é bom saber que ela seguiu em frente, talvez esteja na hora de fazer o mesmo. – Depois de um longo suspiro, ele a encarou de um modo estranho e voltou sua atenção para o livro em sua frente. – Hermione, eu quero saber de onde aquela mulher tira esses casos!
Ela achou um pouco estranho o fato dele chamá-la pelo nome, mas preferiu não comentar.
- Bem, - A estudante começou incerta. - O juiz a quo entendeu que os apelantes não eram carecedores de ação, em razão da impossibilidade jurídica do pedido, e extinguiu a demanda sem resolução de mérito. Por isso, cabe recurso.
- Sim, mas não entendi essa sentença, a fundamentação é confusa. – Draco revelou.
- Nem eu.- Ela revelou. - Completamente confusa!
- Vamos atacar a fundamentação? Para mim, ele não fundamentou. Parece tudo tão raso e superficial.
- Estou mais inclinada e atacar a decisão. – Resmungou parecendo perdida. - Ele fala em carência de ação, mas há possibilidade jurídica do pedido, legitimidade das partes e interesse processual. Então, ele não deveria ter extinto sem a resolução de mérito.
- Podemos atacar dos dois, não podemos?
- Sim, acho que sim, Draco. Droga nessa hora já não consigo pensar adequadamente.
- Sabe, Granger. A questão está falando de poliamor e isso piora ainda mais as coisas. Nem sabemos se esse instituto é aceito no nosso ordenamento. Há tantas correntes sobre isso. Isso é incrivelmente injusto. – Ela o viu reclamar. - O que há de errado com os bons e velhos clichês dessa disciplina? Por que não uma batida de carro na divisa de um distrito?
- Eu tenho que dizer, sinto falta deles. – Ela brincou. – Era tão bom quando tinha que responsabilizar o causador do acidente e o carro não era dele.
- Vou fazer um café bem forte. Quem sabe isso não é o que precisamos?! - A questionou. - Eu odeio aquela mulher, Granger. Odeio. - Ele protestou. – McGonagoll não colabora em nada para tornar nossa vida mais agradável.
(...)
A maioria das coisas que eles precisavam fazer estava pronto. Havia, no entanto, alguns detalhes que poderiam dar um pouco mais de trabalho que eles gostariam.
- Eu odeio essa mulher. – disse Malfoy ao ler pela décima vez o modo que o trabalho deveria estar configurado. - Colocar nas normas exigidas é um pesadelo.
- Não é tão ruim assim, Draco. – Sorriu ela.
- A maioria dos professores não se incomodam com isso... ontem mesmo, vi o professor Lupin recebendo o trabalho em uma guardanapo.
- Não pode estar falando sério. – Gargalhou levemente.
- Estou, Granger.
- Eu entendo. É exatamente por isso as aulas dele estão sempre cheias. Por outro lado, as do Snape está cada vez mais vazia. – Reclamou.
- Você faz aulas com o Snape? – Ele a questionou parecendo surpreso.
- Sim, fiz intercambio no semestre passado e tive que pegar as matérias que acumularam.
- Entendo. – Falou desconcertado.
- Não sabia que já o conhecia... Mas, enfim... Olha, Malfoy. Não acho que dará tempo de terminarmos hoje. Estou morta, mas não é para menos se considerarmos que já são duas da manhã.
- Quantas aulas teve hoje? Deixa. Não responde. Vamos dormir, amanhã terminamos. O Quarto de hóspedes já está arrumado. Se for tomar banho, terá que usar o banheiro do quarto ao lado do seu. Não se preocupe, o dono não está em casa!
- Tem certeza que não tem problema? – Hermione perguntou.
- De forma alguma. – Respondeu antes de fechar o computador e se levantar para um banho.
Ainda sentada onde estava, Hermione ouviu a porta se fechar quando Draco saiu e, finalmente, ela se levantou. Foi para o quarto que Draco já havia lhe mostrado e suas coisas já estavam lá.
Hermione trocou de roupa e se deitou para dormir, como havia tomado banho antes de sair de casa, decidiu que tomaria outro somente na manhã seguinte. Seu último pensamento coerente era que aquela cama não poderia ser mais confortável.
