— O que está fazendo aqui? — a voz ríspida da agente Hill fez Danisa voltar de seus pensamentos.
— Oh, bem estou... estou organizando alguns relatórios para Nick. — a agente fez uma cara de descrença então rapidamente ela acrescentou — se não acredita pode perguntar a ele.
Danisa sabia que estava mentindo, e que se Maria resolvesse perguntar a Nick ela com certeza estaria encrencada, mas também sabia que ela não perguntaria.
— Não é problema meu o que Nick te manda fazer. — e dizendo isso se afastou pelo corredor.
— Ufa! — suspirou Danisa, ainda bem que ela estava preparada para qualquer questionamento do porquê de estar no quartel da S.H.I.E.L.D.
Desde que entrara no quartel mais cedo ela não tinha certeza do que estava fazendo por lá, talvez apenas quisesse esquecer um pouco de tudo que estava acontecendo e tentar voltar para sua vida de agente, missões e treinamentos.
— Danisa? Não acredito que te encontrei por aqui! — uma voz suave às costas de Danisa a fez olhar por cima dos ombros.
— Ah oi, como vai? — ela não conseguiu se impedir de sorrir para ele, escapava naturalmente — faz um tempo que não te vejo também.
— É. Eu estava em uma missão, o de sempre, você sabe. — ele se aproximou para caminhar a seu lado.
— Sei... o de sempre... — na verdade ela não estava certa se ainda lembrava o que era "o de sempre". Depois do que pareceu um longo momento de silêncio ele falou.
— Estava com saudades de você.
Danisa encarou Albert Anders, mesmo depois de tanto tempo ela não conseguia imaginar como aquele homem havia se tornado seu parceiro de trabalho, e um grande amigo. Ela ainda lembrava-se do choque que tivera ao descobrir que ele era um agente da S.H.I.E.L.D.
*** FLASHBACK ON ***
— Eu fiz tudo direito, exatamente como mandou, será que você não consegue me dar um pouco de sossego. — Danisa estava discutindo pelo que parecia a milésima vez com a agente Hill.
— Sossego? Garota o que pensa que é esse lugar? Um retiro de férias? — Maria dirigia à jovem o mais mortal dos olhares. — Te espero na sala de treinamento em 15min e nem pense em se atrasar. — e dizendo isso se afastou, deixando Danisa bufando de raiva.
A jovem seguiu resmungando e não conseguiu parar a tempo quando virou a direita no corredor se esbarrando duramente no homem a sua frente.
— Caraca desculpa, eu não vi... — sua voz morreu quando viu em quem havia se esbarrado. — Professor Anders?
— Danisa precisa prestar mais atenção por onde anda. — Nick falou com sua voz mais calma.
— O que você faz aqui? — perguntou para Albert como se Nick não tivesse falado nada.
— Bem eu... — ele começou, mas foi cortado por Nick.
— Ele trabalha aqui. — Nick falou ainda com sua voz calma.
— Trabalha? Mas... ele é meu professor, era... quer dizer, ele não... — ela sabia o que trabalhar ali significava, mas ela não queria acreditar, ele não podia ser uma mentira, a escola era sua única fuga, e ele era uma das únicas pessoas com quem manteve contato fora do inferno que era sua casa.
— Danisa deixe-me explicar — ele falou olhando-a nos olhos — Nick eu poderia...
— Vá em frente. — ele fez um gesto displicente com a mão e foi embora, deixando os dois sozinhos.
— Eu acho melhor irmos para outro lugar. — ele afastou para que ela o acompanhasse e seguiu para uma das salas.
Ela o seguiu em silêncio e sentou pesadamente em um sofá no escritório vazio, ele sentou-se na poltrona em sua frente, e a encarou.
— Eu não menti para você — ele começou, fazendo-a levantar o olhar para encará-lo. — Quando eu estava lecionando eu já não era um agente há alguns anos.
— Mas você está aqui agora. — ela falou com a voz fraca. "Será que a S.H.I.E.L.D. me vigia há tanto tempo? O que eles escondem de mim?"
— Eu larguei a S.H.I.E.L.D., o problema é que ela não largou de mim. Eu juro para você, eu não estava te vigiando, eu... Eu fui e estou sendo verdadeiro com você, em tudo. — ele segurou a mão da jovem fazendo um leve carinho. — Me desculpe.
Ela não tinha como ter certeza do que ele estava dizendo, mas aquele olhar, sua mão na dela, algo dentro de si dizia que ele estava falando a verdade.
— Eu acredito em você. — o mesmo sorriso que dirigia a ele na escola se formou em seu rosto e foi retribuído.
*** FLASHBACK OFF ***
— Nós poderíamos sair para comer algo, o que acha? — Albert propôs, tirando Danisa de suas recordações. — Ah é, você estava mesmo me devendo isso, então nem adianta procurar por desculpas.
— Você não vai desistir, não é?
— Claro que não!
Eles seguiram para um restaurante não ao longe dali, demorou um pouco até conseguirem um lugar vago, a noite já chegara e as coisas estavam agitadas, enfim conseguiram uma mesa perto da janela.
— Restaurante italiano, sei que adora. — Albert comentou enquanto olhava o cardápio.
— Então fique a vontade para escolher algo para nós, vou confiar completamente em suas escolhas hoje. — Danisa respondeu sem nem ao menos olhar o cardápio.
As coisas estavam indo bem até Danisa começar a ouvir os cochichos vindos da mesa ao seu lado, ela sabia que era errado, mas não pode se conter, aquela sensação de ser o centro da conversa começou a formigar em suas orelhas, ela olhou furtivamente para as pessoas daquela mesa e todas não tinham o menor pudor ao ficar encarando-a, uma mulher magra que estava naquele meio de repente exclamou:
— É ela! — a mulher levantou de sua mesa rapidamente. — É aquela nova Vingadora, eu reconheço da Praça, eu estava lá.
As vozes se tornaram mais altas à medida que mais pessoas começavam a olhar e comentar, Albert deixou o cardápio de lado e olhou para Danisa, ela estava começando a respirar rapidamente em descompasso, ele levantou e pegou a jovem pelo braço tirando-a dali.
— Danisa, está tudo bem? — ele disse assim que entrou no carro.
— Está, está sim. — ela começou a se acalmar. — acho que agora eu me tornei uma aberração celebridade, não estava esperando isso.
— Bem, nosso trabalho como agentes requer descrição, mas você não é mais uma agente, não é? Terá que se acostumar a isso.
— Resta saber que tipo de celebridade eu vou me tornar, uma odiada ou idolatrada, mas acho que nenhuma das duas são boas.
— Quer saber, é melhor não pensar nisso agora, se você não se importar posso preparar algo para comermos em meu apartamento. — ele olhou para ela, esperando a resposta.
— Sem problema. — foi a única coisa que disse o caminho todo até o apartamento.
Ao chegarem ao apartamento, Albert foi direto para a pequena cozinha, ele abriu as portas dos armários e da geladeira para tentar encontrar algo para comerem, mas não encontrou muita coisa além de uma pizza fria.
— Bem, eu havia esquecido que estava fora esse mês, e não fiz compras para casa, que tal pedir algo? — ele perguntou meio nervoso olhando para Danisa, ainda estava preocupado com ela.
— Pode pedir qualquer coisa, eu estou com muita fome. — respondeu alto para que o ronco em seu estômago não fosse ouvido.
Albert pegou o celular e foi procurar o número que parecia já estar salvo em sua agenda. A entrega foi rápida e os dois devoravam seus deliciosos Yakisoba*, sentados no chão da sala.
— Sabe o que isso me lembra? — ele perguntou depois de um tempo.
— Não, o que?
— Da nossa missão em Tóquio, acho que foi uma das melhores semanas da minha vida, mesmo quase tendo morrido.
— Formamos o pior casal falso do universo. — ela falou rindo ao lembrar-se daquela missão.
— Eu acho que somos um ótimo casal. — ele se aproximou e beijou Danisa.
A princípio ela pensou em recuar, mas seu interior explodiu com aquele beijo tão familiar, ela precisava daquilo, precisava sentir. A mão dele rapidamente veio de encontro a seu rosto, aprofundando o beijo. Quando se separaram, ofegantes, Albert se levantou e guiou Danisa até seu quarto, ela não relutou. O novo beijo foi feroz e faminto, ela se permitiu pegar em sua nuca e puxá-lo mais para si. Ele deslizou suas mãos pelas costas dela, sua boca se desprendeu da dela e seguiu a linha do queixo até seu pescoço. Danisa estava vibrando por dentro e suas pernas de repente cambalearam. Albert a deitou na cama olhando aqueles olhos castanhos que brilhavam de desejo.
— Não farei nada que não queira.
— Eu acho que quero isso. — ela disse e fechou os olhos, apenas iria sentir.
Ele começou a beijar a barriga da jovem e a tirar sua blusa rapidamente, subiu os beijos até os seios enquanto os libertava do sutiã, as mãos de Danisa deslizaram pelas costas dele até a parte inferior de sua camisa, que foi tirada com igual rapidez, revelando seu peito nu ofegante, ele estava tão próximo que ela pode sentir sua ereção, ele tirou o restante da roupa dela apenas a deixando de calcinha, Albert parou para olhar Danisa e num susto levantou da cama.
— Está indo aonde? — ela mal olhara e ele já estava de volta, com a embalagem da camisinha em mãos.
Ele se desfez da sua própria roupa ficando nu e se preparando, ele encarou Danisa que estava olhando para ele sem piscar e a beijou, um beijo leve e doce. Ela sentiu seu beijo, e novamente fechou os olhos, ela o sentiu se aproximar mais e mais, já estava mais do que excitada, estava pronta para recebê-lo, para senti-lo dentro de si. Quando ele começou a penetrá-la devagar, ela sentiu-se incomodada, uma dor a atingiu e ela ofegou com uma leve frustração.
— Se você quiser eu posso parar. — ele disse olhando-a.
— Não. — sua voz fraca saiu em um sussurro.
Ele continuou e depois que estava nela por inteiro ele parou, a beijou e começou a se movimentar, primeiro devagar; até que ela pudesse se acostumar com a dor, que já começara a dar lugar ao prazer; depois mais rápido, até que a lembrança da dor não existia mais e em seu lugar o prazer ganhava vida.
Danisa acorda de um salto ao olhar para o lado da cama e perceber que Albert estava lá, nu e abraçando-a.
— Ei, calma, está tudo bem. — ele falou com uma voz de sono, esfregando os olhos.
— Tudo bem? Não está nada bem, isso não deveria ter acontecido, eu não deveria estar aqui, deveria está na Torre. — ela balbuciava para si, enquanto catava suas roupas e se vestia rapidamente.
— Você se arrependeu? — ele perguntou, olhando-a tristemente.
— Sim! Não! Quer dizer, não sei! — ela estava confusa.
— Escuta, eu amo você, você sabe disso. — ele começou a falar enquanto caminhava para perto da jovem.
— Mas eu... Eu preciso ir. — ela disse por fim e foi embora.
— Achei que estivesse dormindo. — Clint comenta com malicia na voz ao perceber Danisa chegando às 7h da manhã na Torre.
— Não estou afim de conversar agora. — ela caminha rapidamente para a escada, precisava se jogar na cama e apagar, simplesmente.
— Okay, okay, mas Nick nos chamou para uma reunião no quartel daqui a meia hora, ele quer todo mundo.
Suspirando ela seguiu para o quarto sem dizer mais nada. Infelizmente ela não pode se demorar muito no banho, já que Nick não convocara reunião desde que ela foi aceita nos Vingadores. "Deve ser realmente importante" ela pensou. Colocou uma roupa leve, o incômodo entre suas pernas estava realmente deixando-a estressada.
Seu celular tocou assim que ela chegou ao quartel, o número era desconhecido, por isso não sabia que era ele.
— Alo?
— Danisa, você está bem? Estive tão preocupado, você saiu daqui tão depressa, mal pudemos conversar. — Albert falava rápido.
— Não quero conversar com você agora, tenho uma reunião com Nick, vou desligar.
— Espera, nós poderíamos, tomar um sorvete depois? Aquele seu favorito sabor... — e a ligação foi encerrada. Danisa desligou o celular e seguiu para a sala de reuniões.
Sentada na sala de reuniões da S.H.I.E.L.D., Danisa mal conseguiu prestar atenção no que Nick falava, era algo sobre eventos públicos, os vários pedidos de entrevista com os Vingadores; que era raivosamente negado por Nick, o que fez Stark ficar frustrado; até que aquele nome foi citado.
— Nós iremos transferi-la para outro local, onde ficará sozinha, é mais seguro. — Nick falou e seus olhos encontraram os de Danisa. — Não falou nada até agora, está de acordo?
— Eu não quero ter nada a ver com o que diz respeito a essa mulher, ela morreu para mim. — Danisa sentia a raiva que pulsava dentro de si quando ouviu o nome dela.
— Bom, então estamos deci... — uma grande explosão interrompeu Nick.
Os Vingadores se levantaram de um pulo e seguiram Nick quando este saiu da sala rumo ao que parecia o local da explosão.
Alguns andares abaixo de onde estavam um tumulto se instaurou, agentes correndo e gritando para todos os lados, Nick parou um deles.
— O que está acontecendo? — ele perguntou ríspido.
— Um prisioneiro fugiu senhor. — o agente que não aparentava ser tão velho, respondeu prontamente a Nick.
— O que? Quem? Como conseguiram deixar isso acontecer? — a raiva transparecia em sua voz.
— Ainda não sabemos como aconteceu senhor, mas o prisioneiro 302 foi o único a escapar. — ele falou sem encarar Nick.
Quando Danisa ouviu o número, um arrepio frio passou pela sua espinha, Kelly Shorld havia fugido.
— Senhor um dos nossos agentes está morto. — o jovem agente gritou para seu superior, enquanto ele se afastava.
A voz do agente as suas costas fez seu coração parar por um momento. Além de fugir sua mãe ainda matou alguém, "como ela pode ser tão terrível?".
Ao chegar ao local Danisa caiu de joelhos, as lágrimas escorrendo por seu rosto. Ali encostado na parede, olhando para ela e coberto de sangue, estava Albert Anders, erguido em sua mão direita um pote de sorvete com desenhos de morangos. "Seu favorito" ele disse num sussurro que só ela pode ouvir e com um sorriso seu braço caiu pesadamente e seus olhos se tornaram vazios.
