A Inteligência Artificial avisou a Loki que Lin estava de volta e que precisava de sua ajuda assim que a garota pôs os pés no local, mas ele já sabia do que ocorria na mente da "noiva" horas antes dela aparecer na residência Stark. O príncipe a encontrou em um dos banheiros da casa apoiada na pia, com os cabelos mais bagunçados que o normal e com uma expressão de dor, a magia em seu corpo falhava em cobrir suas cicatrizes por completo como fazia antes e a força com que ela segurava o mármore era tanta que este agora se encontrava quebrado e manchado de sangue, embora as mãos que causaram isso já estivessem regeneradas.

Ela encarava seu reflexo no espelho, mas não parecia que conseguia se ver, suor escorria por seu rosto e a garota parecia se esforçar para não tremer, mesmo que não fizesse muito sentido e ela se quer parecesse tê-lo notado ali, uma de suas mãos começou a se mover rapidamente no sangue, aparentemente como em um tic nervoso.

- Hora de acordar, monstrinha. – O príncipe colocou sua mão no ombro da companheira, masse arrependeu logo depois.

Quando a sua pele entrou em contato com a dela Lin sugou inconscientemente Loki para dentro de sua mente e permitiu que ele visse e sentisse exatamente o que ela estava vendo esentindo, depois disso ao olhar novamente para frente e ao seu redor o asgardiano adotado seassustou por presenciar tamanho caos e destruição, não havia mais nenhuma vida lá, Lokipodia deduzir isso sem nem ao menos saber onde estava e de tudo que antes parecia ser uma civilização naquele lugar já não restava nada. Aquela era uma memória do Original, o deuspercebeu, talvez a que trouxesse mais dor para ele. O planeta que as lembranças mostravam estava em colapso, era possível sentir tanto sofrimento vindo da Stark que o príncipe sentiu seus olhos lacrimejaram involuntariamente, haviam corpos de criaturas mortas onde quer que se olhasse e Loki soube que o independente do que o Original foi um dia ele se quebrou no momento em que essas memórias se registraram.

Tão rápido quanto entrou na cabeça da companheira ele foi expulso, levando consigo apenas parte do que aquele ser celestial mostrava para a amiga e a sensação horrível de ter levado uma forte pancada na nuca. Loki se apoiou na parede tentando recuperar o folego e reorganizar a própria mente, já fazia muito tempo desde que o príncipe aprendera a controlar os seus poderes ao nível de não ver as memorias das pessoas a menos que isso fosse a sua intenção, era a humana quem expunha esse tipo de coisa para quem quer que fosse forte o suficiente para ver, talvez já estivesse mais do que a hora de continuar o treinamento dela para que esse tipo de coisa não volte a acontecer.

- Você está sangrando... – A voz preocupada da garota chamou sua atenção e o fez reparar que de fato havia uma quantia considerável de sangue vindo de sua mão, a mesma que ele usou para toca-la. – Vou pegar alguma coisa para estancar isso. – Lin deixou o banheiro e o príncipe faria o mesmo se não houvesse reparado em algo que definitivamente não deveria estar ali.

Na mancha de sangue espalhada próximo ao mármore quebrado havia uma palavra escrita, "Domum", lar em latim, e junto disso havia uma porção de números espalhadas em uma ordem que não lhe era completamente estranha. Aquilo se parecia de alguma forma com coordenadas intergalácticas e mesmo sem ter certeza do que aquilo significava Loki decidiu que guardaria aqueles dados, se o Original deixou que Lin transmitisse isso para fora da mente dela deveria ser algo importante.

Quando a mortal voltou com o curativo já não havia sinal da mensagem que ela mesmo havia deixado em meio a sua crise, mas a garota não deu falta dela, o mais provável era que ela já houvesse se esquecido do que acabou de acontecer.

- É a primeira vez que você se machuca por intervir. – Ela observou com cuidado enquanto cuidava do ferimento com mais uma das invenções Stark, um spray capaz de acelerar consideravelmente a regeneração de qualquer ser vivo até agora testado.

- Nosso plano será colocado em pratica em breve. – Loki mudou de assunto como se o que aconteceu não fosse nenhum pouco importante. – Aquele aprendiz de feiticeiro concordou emte ensinar alguns truques e ainda existem algumas coisas que eu preciso que você aprenda a controlar.

Eles estavam próximos demais um do outro, Lin mantinha sua atenção na mão que agora tentava limpar e ele lhe sussurrava no ouvido algumas das coisas que pretendia fazer, qualquer um tomaria aquilo como uma cena típica entre noivos. Não levantariam suspeitas daquela forma.

A Stark era definitivamente o maior achado que o jotun teve em sua vida e ele esperava profundamente que pudesse usar os dons dela a seu favor quando a batalha decisiva chegasse, ela era como a sua carta na manga em qualquer tipo de situação, o mais forte de seus trunfos e também inegavelmente a sua joia mais preciosa. Loki levou sua mão até o rosto da parceira, acariciando levemente a cicatriz que de certa forma lhe dava um sorriso um tantomedonho, ele se sentia perdido, sabia que deveria descartar a garota assim que o momento chegasse mas já fazia um tempo que já não se sentia capaz de fazer isso. O deus provavelmente deveria aprender a seguir seus próprios conselhos. O que faria se ela um dia realmente se voltasse contra ele? Ou se esquecesse de tudo o que era para assumir a personalidade de uma das vozes que tanto lhe atormentavam? Não queria se desfazer daqueles bons sentimentos que a humana causa em si. O filho adotado de Odin a envolveu em um abraço e sentiu a mulher se aconchegar em seu peito, se confortando com seu cheiro e sua presença como normalmente fazia, mas sem entender o que levara o príncipe a agir daquela forma. Loki não precisava de lhe dissessem para ter a certeza que sua pequena não sobreviveria ao que precisavam fazer.

- Vocês dois são muito fofos, sabia? – Peter comentou com um sorriso contente no rosto, ele gostava de ver a sua "irmãzinha" interagindo com o asgardiano, ninguém mais que conhecia fazia tão bem para ela.

- Quieto, pirralho! – Os homens riram quando ela escondeu o rosto no peito do maior, provavelmente para esconder o rubor que atingiu seu rosto.

Eram bom poder aproveitar aqueles momentos de paz enquanto eles podiam durar.

(...)

- O que sabemos sobre ela afinal? – Bruce questionou hesitante, aquela reunião com a equipe não lhe deixava confortável. A menina era filha de Tony, não deveriam desconfiar tanto dela assim.

- Seu nome completo é Linna Mary Stark, tem quase um metro e setenta, foi torturada durante toda a infância e adolescência, é filha do Homem de Ferro... – Wanda listou o que todos em geral já sabiam, mas havia certa ironia em sua voz, ela também não estava contente com toda aquela suspeita, gostava de Lin mesmo com todos os demônios que atormentavam a mais nova.

- A garota é aliada de Loki, nossas suspeitas começaram com base nisso porque ninguém aqui se esqueceu de tudo o que ele fez e de como ele não é confiável apesar de ser útil. – Fury começou também evidenciando algo que todos já sabiam.

- E por isso Thor não foi convidado para a reunião. – A Capitã constatou. – Entendo que ele também esteja sobre suspeita, mas não faz nenhum sentido ter deixado o Parker de lado.

- Peter já se apegou demais aos dois, Lin é a presença viva do Stark na vida do garoto e todos sabemos que Tony era como um pai para ele. Não seria bom se um de nós fizesse Lokidesconfiar do que estamos fazendo, sabemos que ele daria um jeito de não chegarmos a nenhum resultado se suspeitasse que não acreditamos em nada do que ele nos contou. – Barton se deu ao trabalho de explicar.

- Vocês têm alguma evidencia de que ela realmente pode nos fazer algum mal ou estamos aqui apenas por suspeitas? – Bruce questionou cruzando os braços e se apoiando na parede em um dos cantos daquele cômodo.

- Loki tem executado pessoas desde que a Garota de Ferro foi apresentada ao público, empresários, jornalistas, cientistas, repórteres, não importa se são pessoas públicas e de grande prestigio ou não. Todas têm caracterizas em comum, fizeram visitas a Alemanha no período de 2007 a 2010, ou a Austrália de 2010 a 2015, ou a Rússia de 2015 a 2019 ou ao Alasca entre 2020 e 2026. Todos eram inimigos declarados ou tinham um ódio pouco escondido por Tony Stark.

- Acha que ele está se vingando das pessoas que machucaram a menina? – Scott foi direto ao ponto.

- Muitos de nós fariam o mesmo por aqueles que nos são queridos sem pensar duas vezes. – Wanda os relembrou.

- Mas até ponto ela realmente é querida por ele? – Clint deixou a dúvida no ar para que se lembrassem do verdadeiro caráter do deus.

- Temos encontrado rumores e escrituras sobre uma deusa antiga em vários cantos do mundo, uma deusa de forte ligação com Asgard. – A Capitã contou, já fazia tempo que as descobertas que fez ao lado de Jane vinham a atormentando e agora elas se encaixavam perfeitamente com os outros relatos que os vingadores fizeram.

- Em Wakanda essa deusa era conhecida como Ego, era protegida pelos meus antepassados como se fosse apenas um fragmento de algo muito maior. Mas perdemos todo o contato com o que protegíamos a mais de mil anos. Meu povo acreditava que ela já havia se juntado ao restante de seu corpo e por isso desapareceu. – T'Challa revelou para aqueles que ainda não sabiam, ele jamais imaginou que a lenda que lhe contavam quando criança poderia ser útil em momentos como esse. Todas as lendas têm um pouco de verdade afinal.

- Em nossa última missão muitas pessoas que creem nessa mesma deusa reconheceram e agiram como se Lin fosse a reencarnação dela. – Sam contou. – E todos aqui já viram o que aconteceu no primeiro dia de treinamento dela. Mesmo tento passado a vida inteira sendo mantida presa ela tem muita técnica quando precisa lutar e uma força extraordinária para quem nasceu como uma humana normal.

- A Stark conseguiu sucesso com o soro de super-soldado e com o experimento com raios gama. – Scott os lembrou.

- O problema é que poucos humanos conseguem sobreviver ao soro, menos ainda aos raios gama. Nenhum dos que tentaram misturar os dois sobreviveu porque simplesmente o corpo humano nunca estará preparado para aguentar isso. – Shuri evidenciou com um certo aperto no peito, ela gostava muito da garota Stark. – A menos que o corpo já tenha evoluído antes dos experimentos.

- Está dizendo que a menina não é humana? – Bruce perguntou perdido, havia sempre a possibilidade de ela ser uma asgardiana ou algo pior, mas se ela nasceu mesmo de terráqueos era difícil de entender do que se travam as afirmações.

- Acreditamos que algo ou alguém fez com que ela evoluísse para algo muito maior, mesmo tendo nascido como uma de nós. – Fury parecia já ter a solução de toda aquela discussão, mas queria que todos chegassem a mesma conclusão que ele sozinhos. – Ou vocês acreditam que uma criança sobreviveria a tudo que ela foi submetida? Ou que ninguém teria a encontrado muito tempo antes se alguém como Loki não estivesse intervindo?

- Acha que ele a escondeu pelo tempo que ela precisava para evoluir?

- Outro ser pode ter passado seus dons para ela e a tornado um hibrido como aconteceu com a Capitã?

- Sim, não, não há como termos certeza ainda. – Shuri respondeu – Mas analisei o DNA dela, com certeza ela é filha do Tony, mas também tenho certeza que há algo no organismo dela que faz com que ela esteja em constante evolução. Não é nada que se tenha registro ou que alguém na Terra tenha conhecimento do que se trata aparentemente.

- Lin Stark pode vir a se tornar uma grande ameaça para a humanidade, principalmente se for mantida com Loki. – Fury anunciou – Por isso sugerimos que ela seja mantida em Wakanda até provarmos se ela realmente está do nosso lado. Mas antes precisamos de uma prova que convença a garota que o asgardiano não está do lado dela, que está sendo prejudicial e quenós somos a melhor escolha, caso o contrário ela pode continuar colaborando com ele mesmo estando longe.

Todos assentiram em concordância, era um bom plano e se no fim fosse comprovado a inocência de ambos o casal poderia voltar a se aproximar.

- O Parker e Morgan deveriam ir com ela. – Aquele que se manteve calado até então exigiu. – Pessoas podem se ferir se ela se descontrolar e o menino já conseguiu tira-la de uma crise antes enquanto a criança a mantem estável, são os únicos que conseguem acalma-la como o irmão de Thor faz.

- Sim. Eles serão aceitos em meu reino quando a hora chegar. – T'Challa concordou.

Ficou combinado que todos influenciariam a garota a ficar contra o deus e no fim, mesmo que alguns não estivessem de acordo, todos partiram de volta para as suas vidas e com seus próprios planos em mente, inclusive o Doutor Estranho que apenas abriu um portal e foi embora em silencio assim como esteve na maior parte do tempo.

(...)

Os humanos eram uns grandes tolos, mas o papel de bom moço que realizava nos últimos anos fez com que Loki aprendesse a gostar um pouco a existência deles, assim como fez com que ele os achasse ainda mais insuportáveis com o passar do tempo. Talvez o deus fosse um pouco bipolar. Era como disse a Bruce nas horas que antecederam ao Ragnarok, sua vontade de matar todo mundo variava de momento para momento e aquele com certeza era um momento em que tinha vontade de se esquecer do jogo que estava jogando, gritar foda-se bem alto e aniquilar a humanidade.

Lin se isolou nos últimos dias, ela não queria contar seja lá o que a incomodava, mas o príncipe a conhecia mais do que conhecia a si mesmo então não precisou de muito para entender o que ocorreu, só precisou usar um pouquinho de seus poderes. Ela ainda queria dar um cachorro ao seu irmão, "Thor está me irritando com aquele bom humor falso dele, vou dar um motivo para ele sorrir de verdade. ", então a Stark foi mesmo em busca de um companheiro canino para o deus do trovão, com a fortuna do pai dela a garota poderia literalmente escolher o animal que mais lhe agradasse independentemente do quão raro ele seria. O problema começou quando ela decidiu que não usaria magia para esconder suas cicatrizes na sua busca pelo cãozinho perfeito, ela afirmou que suas marcas já eram um disfarce bom o suficiente para esconde-la de quem não conhecia sua verdadeira imagem, mas já era de se esperar que os humanos não a veriam com bons olhos enquanto estivesse nessa forma.

A garota foi sozinha (depois de convencer Pepper que precisava fazer isso para começar a superar seus traumas) até um petshop em que ela sabia que encontraria a raça que decidiu comprar. Era para ser uma surpresa agradável para Thor, apenas isso, Loki até conseguiria fazer uma travessura divertida com o presente e rir da cara do irmão como nos bons tempos, mas é claro que os midgardianos conseguiriam estragar tudo.

Lin chegou à loja de animais com os olhos brilhando, ela gostava de estar rodeada por animaistão agradáveis como pequenos filhotes, mas durante todo o seu percurso foi alvo deencaradas nada discretas, assim como muitos a lançaram olhares maldosos e encontrou o cachorro que foi buscar (após brincar com todos os outros) ela o pegou no colo, caminhou em direção a um vendedor e teria o comprado se a polícia não houvesse chegado.

Mandaram que ela se rende-se, que abaixasse as mãos e ficasse de joelhos, mas a cada mínimo movimento seu a ameaça de atirarem em si aumentava. Armas comuns como aquela jamais a machucariam, mas ela não estava sozinha na loja, um erro por parte dos humanos e inocentes morreriam. O tumulto todo só começou porque julgaram ela uma ameaça terroristapor sua aparência e a mochila em suas costas.

Sexta-Feira a avisou que haviam homens vindo por trás, provavelmente tentariam imobiliza-la enquanto estivesse distraída pelos policiais. Todos os seus instintos gritavam para que elamatasse todos e saísse de lá, mas havia um papel de heroína a se fazer e Lin sabia que Fury vigiava as suas ações, por mais que estivesse ficando verde ela se forçou a engolir a raiva e a ignorar o que todo o seu ser realmente desejava fazer. O cãozinho foi posto no chão, a Stark sentiu sua cabeça latejar, aquela era uma péssima hora para as vozes opinarem, embora a solução apresentada por elas realmente fosse tentadora.

A humana percebeu sua vista ficar turva, não estava surpresa que ela tentaria assumir ocontrole ao menor descuido seu, as pessoas definitivamente não colaboravam para a suasaúde mental. Os policiais viram seu corpo não conseguir se levantar depois que se abaixou para liberar o animal, também viram as veias nas partes exportas de seu corpo começassem a se tornar verdes. Ninguém tinha boas recordações envolvendo monstros verdes por ali.

Em geral Lin era sempre uma mulher calma que conseguia suportar o insuportável sem se alterar, mas as coisas se tornavam mais complicadas quando certos seres desagradáveis em sua mente aumentavam drasticamente a intensidade de seus sentimentos. Ela estava por um fio de se descontrolar perante a raiva que sentia, porém conseguiria se acalmar desde que ninguém interferisse. O que obviamente não aconteceria, humanos costumam sempre repetir os mesmos erros e é claro que eles atirariam na criatura ameaçadora acreditando que isso seria capaz de matá-la.

A Stark sentia seus músculos se alterarem, aumentando sua força e tamanho, estava se transformando e não conseguia evitar. As balas que atiraram em si nem chegaram a toca-la, estavam paradas no ar pela sua involuntária telecinése e o monstro ergueu sua mão para manda-las de volta, para matar quem tentou machuca-la mais uma vez. Eram naqueles momentos que a mulher problemática se sentia uma heroína de verdade, por mais que ela mesma não gostasse quando atribuíam esse termo a si. Se qualquer um perguntasse a Lin qual era o seu próprio nome naquele momento ela não saberia responder, mas mesmo assim sabia que não deveria ferir os humanos e usou todas as suas forças para desviar as balas antes que elas os atingissem de verdade.

"Senhora Stark, devo ativar o protocolo anti-Hulk?"

A voz de Sexta-feira a assustou e quase fez com que escorregasse outra vez ao tentar se manter de pé, não estava consciente o suficiente para responder, mas a inteligência artificial já sabia como lidar com isso e ativou o protocolo. Se Lin pudesse responder significava que não havia necessidade de agir. A mochila revelou qual era a sua verdadeira função, para o susto de quem ainda tentava "impedi-la", a envolveu em um de seus mais recentes projetos de armadura e passou a forçar a passagem da garota para fora do estabelecimento, Sexta-feira não a deixava atacar ninguém por mais que as pessoas provocassem e Lin até rosnasse de vontade de feri-los. A polícia e os seus reforços até tentaram para-la, mas rapidamente a inteligência artificial já estava no ar e se afastava cada vez mais dos humanos, mesmo com toda a resistência e raiva da Stark, não foi muito difícil leva-la para um lugar totalmenteisolado e solta-la lá até que ela recuperasse o controle. Por mais que Sexta-feira não tivesse uma consciência de verdade até para ela era perceptível que ninguém se machucou porque a garota conseguia conter a maior parte de seu poder, lutando contra aquilo que tirava a sua sanidade com todas as suas forças.

A armadura a arremessou no chão terroso e solitário que ninguém se preocupou em ter certeza de onde ficava, a humana acabou batendo em algumas árvores e se atolou na neve fria. A fera estava resistindo e por mais que tentassem evitar não demorou a voltar a seerguer, pronta para destruir a arma que a levou para tão longe e esmagar qualquer outra coisa viva que encontrasse.

Foi a própria natureza quem providenciou a chave para que Lin se acalmasse, era de se estranhar que algo tão simples quanto um floco de neve pudesse tranquilizar um mostro mas foi o que aconteceu, o floco caiu bem em seu nariz e a distraiu por tempo o suficiente para que ela percebesse onde estava agora. Talvez tenha sido a tristeza que a atingiu tão repentinamente que expulsou a raiva e os comandos que as vozes lhe davam. A Stark estava pisando na neve outra vez, normalmente ela afastava a sensação angustiante que insistia em tomar conta de seu peito, mas em momentos como aquele ela se permitia lembrar... Fazia tão pouco tempo desde que saiu de seu cativeiro, as vezes ela tinha a impressão de que tudo o que aconteceu nos últimos meses não passava de um longo sonho, uma brincadeira de Lokitalvez, ela tinha a impressão que em algum momento quando fechasse os olhos acordaria presa em sua antiga cela. Em sua mente ela acreditava que foram os humanos quem fizeram isso com ela, que foram eles quem a impediram de ser salva anteriormente, que a tiraram de sua mãe quando jovem e que a impediram de conhecer Tony e crescer como uma criança normal, foram eles quem a torturaram, marcaram e quebraram, mas mesmo assim também eram eles os primeiros a chamarem de monstra por ser feia. Lin gostava de verdade dos vingadores, de Pepper, Happy, e da pequena Maguna, mas ela sempre soube que Midgard não era a sua casa, ela odiava a própria espécie e não hesitaria em extermina-los por mais que estivesse fazendo exatamente o contrário, o que acabaria a matando para salva-los.

A garota era uma devastação para si mesma, sabia que Loki pretendia ir atrás das joias do infinito mais cedo ou mais tarde e também acreditava que acabaria o matando para consegui-las, quer dizer, acreditava que a sétima o mataria usando o seu corpo se não tivesse nenhuma utilidade para ele. A Stark sentia tanto medo, não conseguia presumir o que aconteceria quando ela conseguisse o que tanto ansiava e temia que jamais poderia impedi-la de machucar os tão poucos que realmente eram queridos para si, Lin ria sarcasticamente quase congelando depois de deixar seu corpo cair no gelo, se sentia um fracasso por saber que se esqueceria desse momento de alto controle completo assim que voltasse para casa. Os humanos deveriam tê-la matado quando tiveram chance, talvez eles não estivessem tão errados em dizer que ela era um monstro afinal.

O choro fraco de um filhote chamou a atenção dela e da armadura, a tirando de seu estado de quase choro desesperado e alto-depreciativo, a expressão de sofrimento desapareceu rapidamente e ela voltou a se levantar com um sorriso no rosto. Apreciando os novos flocos de neve que caiam em si Lin caminhou sem precisar ser guiada até a fonte do curioso som e lá encontrou o cadáver frio de uma raposa com seu filhote ainda vivo chorando por ela. A Stark se lembrou que deveria levar um companheiro canino para o seu tão querido amigo Thor, bem... aquilo não era um cachorro, mas a Garota de Ferro não deixava criaturinhas indefesas para trás. A coisinha laranja a mordeu quando tentou pega-la, agressiva e visivelmente ferida, mas a humana (se é que ela poderia ser chamada assim) não se importou, apenas rosnou em resposta a tentativa de ameaça do filhote, este por sua vez mostrou o pescoço em um gesto instintivo de submissão, não era difícil ver quem era o animal mais ameaçador entre os o pegou no colo com cuidado, agia como se fosse uma marionete e talvez Lin fosse isso mesmo.

Somente quando já estava sobrevoando sua atual casa que as memorias começaram a aparecer, a garota soube que humanos a provocaram no petshop e que quase se descontrolara, mas que Sexta-Feira a tirou de lá e a levou para o lugar onde encontrou o novo amiguinho do deus do trovão. Era apenas isso que ela lembrava, nada mais. Porém é claro queLoki conseguiria ver tudo o que realmente aconteceu quando invadiu a mente dela com sua permissão, mas sem que ela percebesse o que realmente estava fazendo, o Original parecia subestima-lo e se quer notou o feiticeiro vasculhando as memorias arquivadas enquanto expunha uma parte de si para a sua garota. Lin agora, horas depois do ocorrido, treinava a habilidade de ver lembranças de outras pessoas, o que foi apenas uma desculpa do deus para entender como o ser celestial estava jogando agora.

O príncipe expos para a Stark uma parte perturbadora de um de seus passados: o momento em que Thanos o convenceu a atacar a Terra, mostrou toda a dor que a tortura do titã louco lhe causou, a forma como chegou ao ponto de quase enlouquecer e o momento que cedeu e o fez acreditar que estava do lado dele, o momento que escolheu agir pela primeira vez como um completo inimigo de Asgard por mais que em partes estivesse sobre o controle da pedra da mente e que escolheu falhar para entregar duas das joias do infinito para Odin, para assim ser aprisionado e mantido bem longe de da maldita uva passa (apelido que a garota sempre usava para se referir ao ser que trouxe tanta desgraça para ambos). Apenas para deslizar além de Lin, para o Original e entender um pouco sobre como ele estava agindo.

Loki demonstrou sentir o mais profundo ódio por Midgard depois que sua pequena exploração acabou, não escondeu que humanos lhe davam nojo por trazerem tanta magoa para alguém como a sua joia preciosa. Ele soube exatamente quando a mais nova acabou de ver suas memorias e voltou para o sou próprio "normal", assim como soube ao vê-la franzir o cenho que ela percebeu o que ele fez, agora só precisava faze-la acreditar em sua raiva pelos seres da espécie dela e ninguém perceberia o quão profundo sua busca havia ido. O Original jogava muito bem, mas tinha uma serpente como peão e se esquecia o quão imprevisível uma criatura como essa poderia ser, ele acabaria envenenado e sem o controle sobre sua "noiva" quando Loki declarasse fim de jogo.

- Se queria saber o porquê do meu mau humor poderia simplesmente ter perguntado. – Ela lhe sorriu irônica, como se estivesse tudo bem, pois talvez no momento ela realmente acreditasse que estava.

- E você diria a verdade? – Loki devolveu o sorriso, eles se pareciam muito quando era elaquem estava sobre o controle do próprio corpo.

- Provavelmente não. – Lin riu divertida.

Chegava a ser injusto que combinassem tanto, isso só deixava ainda mais difícil a tarefa de ficarem um contra o outro quando a hora chegasse. O príncipe realmente ficaria grato se fosse ele a fraquejar quando precisasse matá-la, mas ele sabia que isso não aconteceria, sempre pensaria na sua própria vida antes da dos outros. O deus da trapaça não era um homem bom, ele era cruel, orgulhoso, arrogante e manipulador, a pior pessoa para se ter por perto e possivelmente o ser menos confiável do universo, não era possível saber quando ele mataria por você e te salvaria ou quando seria ele a tentar te destruir, Loki poderia ser sua gloria ou sua ruina dependendo de como ele está jogando. A Stark sabia de tudo isso, sempre soube, assim como sempre soube como compreende-lo e como permanecer na posição de sua favorita, ela era a única que ficou ao seu lado por tanto tempo, a única que não o julgou por seus erros e que entendeu suas ações por mais contraditórias que elas fossem, talvez a garota também fosse a única que conquistou o seu verdadeiro apreço e que a única que o machucaria quando a traísse.

Loki já estava sozinho a tanto séculos quando a encontrou, ele não tinha dúvida que ela era uma das melhores coisas que já aconteceram em sua vida, assim como sabia que ela pensava o mesmo sobre si. O príncipe segurou uma de suas mãos com dedos faltando, era um daqueles momentos estranhos para quem os observavam em que os dois ficavam se encarando fixamente e apreciando a sensação de sentirem o toque um do outro.

Ela era sua arma, sua parceira, sua pedra preciosa. Seria terrível quando a descartasse.