Danisa encarava o nada, o mundo diante de seus olhos parecia um mero borrão de cores, ela mal percebeu quando ele se aproximou com um copo d'água.
—Beba um pouco, você precisa. — Bruce estendeu o copo em sua direção.
Danisa nem ergueu o olhar, mas ele insistiu, se abaixou até ficar na direção dela e colocou o copo em seus lábios, a jovem não recusou, apenas bebeu a água. Sua mente finalmente começava a entrar em foco, e ela pode olhar para Bruce que a encarava com um olhar preocupado. Ela disse obrigada, mas sua voz não saiu então ela apenas voltou sua atenção para o copo d'água.
— Você precisa ir para casa, não há nada que possamos fazer aqui. — ele tocou de leve seu rosto limpando as lágrimas que ainda escorriam.
Do outro lado da sala Nick a encarava, sua mente em alerta esperava outra explosão, dessa vez vinda de Danisa, mas até agora nada acontecera.
— Stark? — Nick chamou Tony que até o momento não fazia nada além de olhar para Bruce e Danisa.
— Quê? — respondeu sem olhá-lo.
— Leve Danisa para a Torre. — Nick falou tentando conter sua raiva do bilionário.
Stark seguiu confiante até onde a jovem estava.
— Ei linda, é melhor irmos para casa. — ele falou sem tirar os olhos dela.
— Eu vou ficar aqui. — sua voz saiu em um sussurro amargo.
— Esse lugar não vai fazer bem para você, vem vamos embora. — ele a levantou devagar e mesmo querendo ficar ali, ela não tinha forças para recusar, então simplesmente deixou-se guiar, para fora do quartel, para longe de Albert.
A jovem só percebeu que chegara a Torre, quando Tony sentou-se a seu lado no sofá.
— Vou preparar uma bebida para você. — ele seguiu para o bar e começou a mexer em várias garrafas caras das prateleiras.
Na mesma hora que Tony voltou com dois copos de bebida a porta do elevador se abre e os vingadores saem comentando sobre o "acidente" até que a conversa morre quando eles vêem Danisa ali, encarando-os. Seus olhos se voltam para onde Bruce estava, calado como sempre, e com um olhar triste em sua direção.
— Vou para meu quarto. — foi a única coisa que disse antes de subiu as escadas correndo.
Ao bater a porta atrás de si, a única coisa que ela conseguiu fazer foi se jogar na cama e chorar, até que seus olhos se tornaram tão pesados que ela dormiu.
"Que maldita sineta! Essa escola deveria mudar esse som irritante, não dá nem para cochilar" Danisa pensou frustrada coçando os olhos sonolentos.
—VOCÊ ESTÁ DORMINDO EM MINHA AULA DANISA?! — vociferou Albert com raiva nos olhos e todas as cabeças se voltaram para ela.
Danisa piscou forte afastando o sono de si, e encarou boquiaberta as pessoas na sala de aula, ela os conhecia.
— Eu digo que a amo e você deixa sua mãe me matar, que tipo de pessoa é você? — Albert falou com uma voz que não continha raiva, mas nojo.
— É... ela é assim, dizem que um monstro vive em mim, mas ela é o monstro aqui. Ela é incapaz de amar — Bruce falou com uma voz fria, que congelou Danisa por dentro.
— Ela enganou a todos nós. — Natasha falou sem encará-la.
— Eu deveria ter percebido que ela não prestava. — Clint balançava a cabeça de um lado para o outro.
— É por isso que as pessoas nos odeiam, ela estragou tudo! — Tony bebericou um pouco de vodca direto da garrafa.
— E-eu não estraguei nada. — Danisa falou numa voz baixa.
— Me arrependo amargamente de tê-la treinado. — a agente Hill estava parada no fundo da sala.
— Eu é que me arrependo de tê-la tirado daquela sala branca, ela deveria ter ficado lá. Ela e a mãe são a mesma coisa. — Nick a encarou com desgosto.
— Eu não sou como ela! — Danisa gritou para todos.
— Não é mesmo! — sua mãe falou e Danisa a encarou. — Eu lhe dei uma única tarefa, e você não conseguiu executá-la, você é uma idiota incompetente. Você merecia explodir! — ela falou com uma risada cruel.
Como se aquelas palavras tivessem poder, o corpo de Danisa começou a inchar e inchar até... — NÃOOOOO!
Danisa acordou suada e ofegante, ela olhou rapidamente para o próprio corpo, "ele está maior? NÃO! Isso é ridículo, foi apenas um sonho" pensou ainda analisando a si mesma. O som de sineta a fez dar um pulo da cama e ela saiu correndo escada abaixo.
— Uouu, calma aí Danisa, assim vai acabar se machucando. — Clint falou correndo para segurá-la nos últimos degraus.
— Foi mal aí gente, é o programa de segurança, tinha esquecido que estava nesse modo de alerta. Enfim, está acontecendo um ataque em Veneza, quem queria ir para a Itália levanta a mão. — Tony tinha uma incrível/terrível capacidade de tornar momentos ruins em piada. Mas quando ele voltou seus olhos para o Ipad em suas mãos ele se calou e ficou pálido.
— Vão em frente, eu ficarei aqui. — ela falou começando a subir as escadas.
— Na verdade Nick pediu para que você fosse com Stark. Natasha, Clint e eu temos outras coisas para resolver. — Disse Steve.
— Mas... — começou ela e foi cortada.
— E Bruce depois preciso falar com você. — Steve continuou e depois saiu.
Danisa esperou algum comentário de Tony sobre o jeito chato de Steve, o famoso "chefinho chato", mas não aconteceu, o bilionário continuava olhando seu Ipad com uma expressão que Danisa não conseguia decifrar.
Danisa voltou para o quarto e foi tomar um banho resmungando. Depois de se arrumar ela desceu as escadas "Que droga! A última coisa que eu queria fazer era sair". Tony havia dito que eles iriam de jato, mas ele mal lhe dirigira a palavra o caminho todo até a Itália, ela achou estranho a maneira que ele estava mexendo em seu Ipad, ele parecia nervoso e com raiva. "Será que meu sonho vai se tornar real? Eles vão me odiar! Não! Eu não fiz nada de errado, ou fiz?" as dúvidas de sua mente afastaram a preocupação com o jeito nada excêntrico que Tony estava, o que era realmente péssimo.
Assim que o jato pousou no aeroporto Marco Polo Danisa ficou sem fôlego, era um lugar lindo, mas ela não teve muito tempo para admirar a beleza daquele lugar, Tony finalmente veio falar com ela.
— Você fica aqui e deixa que eu resolvo. — Tony já de armadura se virou para sair quando foi interrompido por ela.
— O que? Você só pode estar de brincadeira, eu não vou ficar aqui aplaudindo você da calçada, nós vamos juntos foi por isso que viemos. — ele tentou falar, mas ela continuou. — E nem pense em me impedir, posso acabar com você.
Relutante ambos seguiram para a Ponte Della Libertà que liga a cidade ao continente, o lugar havia sido interditado, ninguém podia atravessar a ponte, um homem com um sorriso debochado lhe percorrendo a face, os esperavam no início da estrada.
– Buon Giorno! Demoraram mais do que imaginei. Como vai, Stark? – o homem levantou e fez uma longa reverência para Danisa.
– O que você quer Nefária? – Tony não abaixou a guarda nem um momento.
– Você sabe muito bem o que eu quero, mas dessa vez estou aqui por outro motivo. Senhorita Danisa, sua mãe pediu para lembrá-la de sua missão, você não pode falhar. Bom, agora posso fazer o que queria. – um forte soco explodiu no rosto de Tony.
Mesmo estando protegido com a armadura, Tony foi arremessado alguns metros de distância, Danisa rapidamente tentou revidar, mas Nefária com uma incrível velocidade se desviou, ele olhou para a jovem e voou em direção a Tony. Os dois homens começaram a lutar e a jovem foi o mais rápido possível para perto deles, mas ela não sabia o que fazer.
– Saia de perto garota! – ambos gritaram para ela.
Danisa sentiu a raiva invadir seu corpo e ela lançou uma rajada de energia na direção dos dois, colocando uma distância entre eles.
– Nós vamos fazer isso juntos Tony, você querendo ou não! – Danisa seguiu para perto dele.
– Não posso machucar você senhorita Danisa. – disse Nefária olhando dela para Stark.
– Mas eu posso bater em você! – rosnou Stark.
Stark se lançou na direção de Nefária com o punho cerrado, um soco queimou o rosto do oponente, Danisa estendeu a mão lançando nele uma poderosa rajada. O duelo nem de longe foi fácil, socos e rajadas de energia voavam na direção de todos, mas Tony e Danisa trabalhavam juntos e com o último golpe da poderosa rajada de energia combinada dos dois, Nefária foi derrotado.
– Isso não acabou aqui, eu terei minha vingança Stark! – e dizendo isso ele saiu em disparada para longe.
– Esse cara não gosta mesmo de você. – Danisa se virou para falar com Tony, quando percebeu seu semblante.
– Filho da p... – Tony praguejou bufando de raiva – era o meu favorito.
– O que houve?
– Acabaram de avisar que ele destruiu o jato.
– Alguém se machucou?
– Não. O piloto estava comendo no aeroporto.
– Que bom. Pede outro para nos buscar.
– Já estou fazendo isso. – Tony se afastou um pouco, ouvindo o barulho da outra linha no famoso "tu, tu" irritante.
Do lugar onde estava Danisa pode ouvir a voz irritada de Tony discutindo com alguém no outro lado da linha, ele parecia soltar fumaça, ela nunca o tinha visto daquela forma, isso a estava assustando um pouco.
– Teremos que ficar. – ele falou para ela, já esperando a recepcionista do outro lado da linha.
– O que? Como assim? Por que não podemos voltar? – "maravilha, mais uma das idéias idiotas do Tony"
– Não estão liberando um novo jato, ordens da S.H.I.E.L.D., querem que fiquemos aqui até amanhã. Estou ligando para um hotel... Alô... – ele se afastou mais uma vez.
Danisa estava mais confusa a cada instante, por que diabos a S.H.I.E.L.D. queria que ficasse em Veneza, e com Tony? "Que merda Nick está tramando?"
Os dois seguiram para o hotel que Tony havia reservado, e que, segundo ele só tinha um quarto vago. "Mas é o melhor quarto que se pode ter, você vai gostar!" ele se gabou enquanto dirigia o novo carro que alugara poucos minutos. A melhor coisa que Danisa podia fazer era admirar a incrível beleza daquele lugar. Tony chamou sua atenção do horizonte assim que parou o carro em frente ao estacionamento Piazzale Roma, ele pagou pela vaga e os dois rumara para a rua em direção a Ponte della Costituzione, a ponte de pedestres mais moderna de Veneza. "Nossa!" admirou-se a jovem. A área era onde ficava a estação de trem de Veneza, mas Tony seguiu para outra direção onde um táxi aquático já esperava-os. A paisagem juntamente com a sensação de navegar pelo Grande Canal estava deixando Danisa maravilhada, não era à toa que Veneza é considerada um das cidades mais belas do mundo. Tony permanecia calado ao seu lado. Pouco depois eles aportaram em frente a um hotel de arquitetura antiga.
– Este é o Hotel Danieli, o melhor lugar para ficar quando se vem a Veneza. O hotel é um conjunto de três palácios, esse é o Palazzio Dondolo. – Tony pagou o táxi aquático e guiou Danisa até o luxuoso Hotel.
O Palazzo Dandolo é o mais antigo dos três palácios e todos se conectavam por pontes cobertas. O lugar era de uma beleza incrível, havia lindíssimas colunas de mármore rosa ricamente ornamentadas, antigos e preciosos tapetes no decorrer de todo o hall de entrada, além de lindos lustres de vidro Murano, Danisa supôs que talvez todo o hotel fosse assim, além da elegância do trabalho em ouro presente nos tetos dos ambientes comuns. Ela estava sem fôlego.
A suíte era diferente de qualquer lugar que Danisa já pisara, e ela explorou aquele lugar como se visse uma grande descoberta, TV de ecrã plano, mini-bar, o toalete com vários detalhes em mármore italiano foi o que mais atraiu a sua atenção, com certeza ela faria bom uso daquela banheira. E a linda vista do Canal.
– Espera, só tem uma cama aqui. – falou para Tony pouco depois.
Tony estava como costume preparando uma bebida.
– É, eu sei, e como eu disse era o único que estava vago. – ele bebericou um pouco do uísque.
– Não vamos dormir juntos, se é isso que está pensando. – Danisa bateu o pé, desviando a atenção dele da bebida.
– É... – ele voltou a encarar o copo, a expressão estranha.
– O que está havendo Tony, você está estranho desde mais cedo, aquele cara, o tal de Nefária pareceu mexer com você.
– Não é nada.
– É claro que é, você pode me contar. – ela encontrou seu olhar.
– Nefária tinha uma filha chamada Whitney Frost, e... nós tivemos algo.
– Bem, isso não é novidade, você já teve vários casos e isso não é segredo pra ninguém.
– Mas esse foi diferente, eu acho que... – sua voz ficou baixa de repente.
– Você gostava dela?
– Sim, mas eu não sei se era...
– Amor? Não a amava?
– Eu não sei, na verdade não sei se sou capaz de identificar isso.
– Eu acho que te entendo, mas dizem que quando acontece as pessoas sabem. Mas o que houve com ela? Por que não tentou saber se a amava? – "Eu poderia tentar descobrir se sou capaz de amar também!"
– Ela não era como o pai, mas não era a mocinha. Ela se sacrificou, e eu não fiz nada para tentar saber se realmente a amava.
Os dois permaneceram em silêncio por um tempo, até que Tony falou.
– É por isso que agora não deixarei o tempo passar, vou descobrir se o que sinto é amor, e nada nem ninguém vai me impedir.
Danisa adormeceu, pouco depois de quase meia hora na banheira, na espaçosa cama de casal, enquanto Tony permaneceu no sofá, tomando seu uísque, e tentando compreender a avalanche de emoções que sentia, principalmente por aquela que adormecia.
