CAPITULO XV
Mathilde provou ser tão protetora quanto uma mãe dedicada. Acon selhava sempre Pansy, mas era óbvio que só queria o bem dela e do bebê. Pansy sentia a cintura aumentar na mesma proporção que o can saço, e era muito grata à ajuda da governanta.
Durante as semanas seguintes à chegada à Fran ça, Harry preocupou-se com o bem-estar de Pansy, como sempre mas, desde aquela primeira noite, não tentara nenhuma aproximação mais íntima. Com o passar do tempo, a distância entre eles ficava cada vez maior. O fato de ela saber que aquilo era para seu próprio bem não diminuía o vazio que sentia no peito.
- Preparei o quarto para a enfermeira - avi sou Mathilde, entrando na cozinha que, Pansy descobrira, era o coração do lar. - A casa ficará completa quando sua mãe chegar. Será que monsieur se mudará para seu quarto então?
- Veremos - disse Pansy, em um fio de voz. Não podia imaginar que Harry desejasse dividir o quarto com ela e o bebe, assim como as noites em claro e toda a preocupação que traziam.
Pansy sentia-se estranha, naquela manhã. Algo estava diferente, algo indefinível. Passara uma hora inteira no quarto do bebé, andando de um lado para o outro, inquieta. Harry tivera tanto trabalho para transformar o aposento austero em um lugar per feito... Estava lindo, mas faltava alguma coisa ali. Na verdade, após muito meditar, Pansy descobriu que tudo era impecável. Faltava alguma coisa em seu coração: o amor de Harry.
Ela estava apaixonada por ele, e portanto, concluíra, ela o queria como companheiro. Quando ficaram juntos a primeira noite fora apenas desejo, mas com o passar do tempo juntos ela percebeu que ele era bom, generoso, alegre, trabalhador, amigo. Ela vira esse lado dele com outras pessoas e lamentava que ele pudesse considerá-la tão pouco.
Pensar nisso fazia Pansy desejar ir embora, mas agora era tarde demais, sua gravidez era avançada e seria excessivamente cansativo fazer a viagem de volta. Como nao queria que soubessem sua condição, ela e Harry vieram para a vinícola no modo trouxa, e era assim que ela teria que voltar. Usar magia estava fora de cogitação.
Estava perdida em pensamento quando Mathilde falou com ela.
- Creio que monsieur Harry levou mademoiselle Ginny para jantar ontem à noite. - Pelo visto, Mathilde desaprovava a atitude do patrão.
- Era aniversário dela, Mathilde. - Pansy esboçou um sorriso que indicava que não se importava nem um pouco. - Eu estava cansada de mais para acompanhá-los.
Harry não insistira. Na verdade, parecera ali viado quando ela se desculpara por não ir junto. Ela sabia que ele e Ginny estavam juntos, vira várias vezes a ruiva beijá-lo nos lábios e ele, apesar de nao aprofundar o beijo, também não a repelia. Aquilo doía no coração de Pansy.
- Monsieur voltou muito tarde.
- Ah, é? Não notei - mentiu Pansy. Ficara acordada até de madrugada, tentando ouvir o ba rulho do carro.
Naquela manhã quando chegou, Harry ainda usava as roupas com as quais saíra na noite anterior e evitara encará-la. Pansy não precisava de mais provas para chegar às óbvias conclusões de que ele agora estava com Ginny.
- Se vocês dormissem no mesmo quarto, a senhora notaria.
A governanta se afastou, ainda murmurando algo em francês, e Pansy suspirou, aliviada.
Harry ficava pouco em casa. Às vezes era como se não pudesse suportar a companhia dela.
Pansy avistara Ginny na noite anterior, antes de saírem. Estava deslumbrante em um vestido pre to, curto e justo. Uma olhada no espelho foi suficiente para que Pansy compreendesse por que Harry preferia a companhia da outra mulher. Ela se sentia tão infeliz ali. Perguntava-se porquê aguentava aquilo.
- Madame?
Pansy levantou-se da cadeira, com esforço. A governanta insistia naquele tratamento cortês, e já se cansara de corrigi-la.
- Qual é o problema, Mathilde?
- Gaston chegou para me levar às compras, e monsieur ainda não se encontra em casa.
Pansy franziu a testa. Harry prometera que voltaria antes que o sobrinho de Mathilde chegasse para levá-la para fazer as compras da semana. Será que estava novamente com Ginny?
- Não se preocupe, Harry não irá demorar.
- Monsieur ficará muito zangado se eu deixar a senhora sozinha. Além do mais, o telefone ainda não está funcionando.
"Monsieur ficará muito zangado! Por que todo o mundo tem de obedecer e fazer exatamente o que Harry quer?"
- Alguns minutos sozinha não farão diferença, Mathilde. Além disso vou aproveitar e escrever para uma amiga, pode ficar tranquila que ficarei quieta.
- Tem certeza? Bien...
Pansy teve uma pequena sensação de vitória ao ver Mathilde saindo. Tivera tão poucos minutos de privacidade nos últimos dias que sentiu-se ali viada por, pela primeira vez, ficar só na casa.
Foi até o quarto do bebé e examinou as roupi nhas delicadas arrumadas nas gavetas. O que faria quando a criança nascesse? Era incrível, mas não tinha ideia. Não poderia ficar com alguém que precisava de outra mulher para satisfazer sua natureza sen sual, sobretudo quando amava aquele homem. Não faria aquilo nem por seu filho. Será que Harry tentaria impedi-la de partir?
Pansy suspirou. Seus pensamentos pare ciam caminhar em círculos, sem encontrar uma solução viável. Ele teve Cho depois dela, e ela não sabia o que acontecera com ela, talvez Harry retomasse a relação quando voltassem a Londres. Ou quem save agora ele reatasse com Ginny, era claro que ela o queria de volta e Harry era muito proximo da família dela. A julgar pela proximidade e o tempo que passavam juntos, estava claro que Pansy estava sobrando ali.
Pansy suspirou sentido-se uma intrusa. Caminhara até o gabinete onde havia papel e tinta para escrever a Luna. Falava diariamento com a amiga pelo telefone, mas apenas coisas superficiais porque temia que Harry ouvisse. Há duas semanas estavam sem telefone e Pansy sentia necessidade de se comunicar com a amiga. Queria contar-lhe de seus receios, de desejo de partir, da relaçao de Harry e Ginny, de sua paixão e sua relaçao com por Harry e do bebê.
Meia hora depois Pansy foi até o corujal e encaminhou a carta à amiga. Estava apoiada na parede, quando percebeu que a importuna dor nas costas que sentira desde a véspera era mais do que um simples incómodo, havia se expandido para o baixo ventre e foi se tornando cada vez mais aguda. "Não pode ser", pensou, balançando a cabeça para tentar afastar a ideia. "Ainda faltam duas semanas para o grande dia."
Uma hora mais tarde, após voltar do banheiro, Pansy soube que era para valer, a bolsa havia estourado. Falava em voz alta, para afastar o pânico que ameaçava se apo derar dela. Estava ansiosa e assustada. Harry ainda não voltara, Mathilde também não.
- Harry chegará em breve. Todos sabem que o primeiro filho demora bastante para nascer. Ai! - Apoiou-se na cómoda para não cair. O mais acon selhável seria deitar-se. Tentou telefonar, mas a li nha continuava muda. - Não vou me desesperar. - Afirmou para si mesma.
Quando a dor passou Pansy decidiu que não podia mais esperar, monitorou as constraçoes e elas estavam espassadas, mas a diferença diminuia a cada minuto. Duas horas desde que a bolsa estorou haviam se passado e ninguém havai chegado. Ela então pensou em ir caminhando pela estrada até encontrar alguém que pudesse ajudá-la.
Pansy pegou uma bolsa que pudesse carregar e cologou um par de roupas suas e do bebê, era o que conseguiria carregar. Ela se pôs a caminhar pela estrada, pedindo a Merlin que pusesse alguém em seu caminho.
Meia hora de caminhada depois, Pansy avistou um carro, o carro de Harry. Nesse instante ela sentiu uma nova contração e se apoiou na cerca de madeira na beira da estrada.
- Pansy!
Ela ouviu a porta sendo aberta e os passos apressados de Harry.
- Onde está Mathilde? - Pansy abriu os olhos.
- Saiu com Gaston.
- Devia ter esperado até que eu voltasse! Quer alguma coisa?
- Um médico seria uma boa ideia. Acho que é tarde demais para uma ambulância. - Como que para ilustrar o que dissera, Pansy agarrou-se à cabeceira de bronze enquanto outra contração a acometia.
- Está dizendo... Impossível! Ainda não está na hora, Pansy! - Ele suava frio. – Entre no carro, vamos ao hospital.
A voz já se firmara. Harry parecia ter se re cuperado um pouco da surpresa. Pansy abriu os olhos.
- Acho que é tarde demais para isso, Harry. Vai nascer agora! - Outra contração, dessa vez, mais forte, a fez gemer de dor. O som, selvagem e primitivo, induziu Harry a agir depressa.
- Está bem, querida. Está tudo bem. Estou aqui agora.
Sem fôlego, Pansy recostou-se no banco aproveitando o intervalo temporário entre as dores para tentar relaxar. Harry retornara para casa porque o hospital estava longe demais.
- Você demorou muito. Deus, nunca me senti tão só! - Disse Pansy se recostando ao travesseiro.
- Me perdoe Pansy, mas estou aqui e não se preocupe. Já fiz isso várias vezes. - Os olhos verdes brilhavam, decididos.
- Pansy o encarou, a expressão contorcida pela dor.
- Fez?
- Sim, com gado, as ovelhas... As mulheres não devem ser muito diferentes.
O riso de Pansy foi interrompido por outra contração, ainda mais forte, e ela concentrou todos os esforços para preparar-se para o que viria pela frente.
Harry conseguiu examinar Pansy sem que as mãos tremessem. Havia lido muito sobre partos no último mês, mas sabia que teoria e prática estavam longe de ser a mesma coisa. Percebeu que rezava com muito fervor, fazendo promessas para que tudo corresse bem. As vidas de duas pessoas estavam em suas mãos, não podia falhar.
Pansy estivera o tempo todo sozinha enquanto ele se afastara. Sentia-se furioso consigo mesmo. Se algo acontecesse a ela... ao bebé... Harry nun ca se perdoaria.
Pansy gritou seu nome, e ele tentou acalmá-la.
- Querida, a cabeça está saindo. Vamos lá, Pansy! Só mais um pouco de força. Você está
indo muito bem.
Na verdade, Harry só acreditou naquelas pa lavras quando tudo terminou, e ele pôde pegar a criança recém-nascida nos braços trémulos.
- Temos um filho, Pansy, e ele é perfeito! - Harry estava tomado pela emoção. Sentiu os olhos se encherem de lágrimas quando o choro do menino ecoou pelo quarto, como um jorro de vida.
Quando pegou a criança no colo, Pansy mal cabia em si de orgulho e emoção.
- Nós conseguimos! Conseguimos! - Comovi da, tocava os minúsculos dedos do nené, maravi lhada com o milagre em seus braços.
- Você conseguiu - corrigiu Harry, o olhar solene. Cortou o cordão umbilical e, afastando-se, o corpo inteiro tremendo, ficou observando enquan to o garotinho se aninhava nos braços da mãe.
Uma hora mais tarde, Mathilde retornou. Abriu a porta e engasgou, os olhos quase saltando das órbitas.
- Gaston! - gritou, desesperada. - Le docteurl
- É um pouco tarde para isso, Mathilde - observou Pansy, com complacência, olhando para o filho com o rosto repleto de amor.
- Chame-o, Mathilde! - ordenou Harry, levantando-se.
- Não precisarei ir para o hospital, não é?
- Deixemos que o doutor decida.
Incapaz de tirar os olhos das feições delicadas da criança adormecida, Pansy anuiu.
- Ele é lindo, não é?
- Maravilhoso! Posso... segurá-lo?
Pansy o fitou. Harry parecia inseguro, re ceoso de que ela não permitisse.
- Claro que sim, Harry. É seu filho. Não sei o que faria se você não tivesse chegado.
Harry segurou com firmeza o bebé enrolado na manta.
- Aposto que teria conseguido, mesmo sem mi nha ajuda.
A expressão de Harry ao observar o rosto da criança fez o coração de Pansy palpitar de emo ção. Ele estava tão orgulhoso, tão envaidecido por aquela vida que ele próprio ajudara a trazer ao mundo... Naquele momento, Pansy teve certeza de que nunca poderia privá-lo da presença do filho.
- Você sabia que seria um menino. Pensou em um nome, Harry?
- Está pedindo minha opinião? - Harry sabia que aquela concessão era parte de uma decisão muito maior que Pansy acabara de tomar. - Gosto de James.
- James Parkinson... Hum... Adorei!
- James Parkinson Potter!
Pansy encarou-o surpresa.
- Não precisa dizer nada agora, Pansy, mas pense no assunto. Deve estar cansada.
- Quer fazer isso pelo bebé... por James?
- Ele precisa de nós dois.
Pansy fixou o olhar no rosto tenso de Harry, a mente confusa. Tudo o que tinha era chantagem emocional e objetividade, quando o que queria era amor e paixão. Por enquanto, tudo parecia tão perfeito, duas pessoas compartilhando do fruto do amor, mas Pansy só vira o que desejara ver. James não mudaria o que Harry sentia por Pansy, ou melhor, o que não sentia. Tudo o que ele lhe pedia era que fizesse as mesmas concessões que, de certo modo, ele estaria fazendo. Como po deria recusar aquele pedido, apesar de toda a dor que lhe causaria?
O som estridente do choro da criança tirou os pais de seus devaneios. Devolvendo James a Pansy, Harry observou, com ar fascinado, enquanto o garotinho se deliciava com o nutri tivo leite materno. Harry sentou-se na cadeira, ao lado da cama, pensativo. Se Pansy houvesse olhado para ele, naquele momento, teria notado a expressão inquieta nos olhos verdes. Ela não percebeu quando Harry se levantou e saiu do quarto.
- Está tentando afastar aquele homem? - in dagou Fiona, seguindo a filha até a cozinha.
- Mamãe, estou cansada. Então, se quiser bri gar, pode esperar até mais tarde? - Pansy olhou para a mãe, com ar resignado.
Fiona chegara logo após o nascimento de James, seis semanas atrás, e a situação já estava ficando insustentável. Pansy sabia que deveria sentir-se agradecida, e se sentia, mas Fiona de saprovava abertamente sua relação com Harry e não tinha medo de manifestar seu desgosto.
- Então, quer dizer que está feliz por ele estar circulando pelos campos em companhia daquela... mulher?
- Isso não me incomoda. Não tenho nenhum monopólio sobre o que Harry faz. Ele está sem pre por perto para me ajudar com James quan do preciso.
- E isso é suficiente?
- Terá de ser, mamãe.
A expressão de Fiona se suavizou, mas ela in sistiu no assunto com sua típica determinação:
- Não lhe ocorre que poderia ser um pouco mais... agradável com ele?
- O que sugere? - perguntou Pansy, exas perada. Será que Fiona acreditava que a filha precisava de alguém para lhe lembrar das dificulda des de seu relacionamento? - Quer que eu faça a dança dos sete véus na mesa da cozinha?
- Se funcionar...
- Mamãe!
- Bem, você poderia se preocupar um pouco mais com sua aparência.
- Obrigada pelo apoio moral...
- Não tenho paciência com essa sua atitude teimosa, Pansy. Se quer o homem, qual o problema em deixá-lo saber disso? Você ama Harry, não é?
Pansy estava ruborizada e pensativa, quando a mãe saiu da cozinha.
- Quanto mais mamãe ficará? - Pansy per guntou a Harry, mais tarde. - Ela está me deixando louca. Sei que pareço uma ingrata, mas...
Harry fitou-a, com ar zombeteiro.
- Tome um pouco disto - ofereceu ele, abrindo a garrafa de vinho e enchendo uma taça para ela.
- Acha que devo?
- Meio copo não prejudicará James. Será mui to pior para ele se a mãe estiver irritada às três da manhã. Tente relaxar, enquanto pode - ob servou ele, com sabedoria.
Pansy anuiu e bebericou o líquido cor de rubi.
- Nunca pensei que seria tão cansativo - ela admitiu.
- É só o começo. - Harry puxou uma cadeira e se sentou. - Você deveria dormir um pouco. Se Fiona acordar James, de novo, eu a estran gularei e enterrarei no jardim.
O comentário fez Pansy rir.
- Sei que estou exagerando, mas nada do que faço está certo de acordo com mamãe, Harry.
- A mãe de Fiona, com certeza, fez a mesma coisa com ela, Pansy. Chame isso de continuidade.
Pansy o fitou, surpresa, como sempre, ante a cal ma que Harry aparentava. Nada o tirava do sério.
- Acho que eu não teria suportado a tensão, sem você, Harry. Obrigada!
- Não acredito que esteja dizendo isso - ob servou ele, a expressão cautelosa.
- Mamãe me perguntou quais eram nossos planos.
- E o que disse a ela?
- Que não conseguia pensar no futuro. - Pansy olhou para Harry, apreensiva, notando que a resposta não o agradara.
- Entendo...
- Mas temos de decidir o que faremos. Não poderemos ficar assim para sempre. Não seria jus to para nenhum de nós.
- Eu pedi você em casamento.
- De uma forma precipitada quando nosso filho nasceu, você nem havia pensando sobre isso durante a gravidez. - O coração de Pansy dis parou. - Como foi num momento muito emocionado, imaginei que, talvez, houvesse mudado de ideia. Você está sempre com Ginny e...
- Isso não acontecerá, não vou mudar de ideia.
- Não seja teimoso Harry. Seria muito fácil, para mim, dizer sim pelos motivos errados. Não entende?
- A única coisa que entendo é que você quer deixar opções em aberto.
- O que quer dizer com isso?
- Que, agora que tem James, não há nada que a impeça de continuar de onde havia parado com McLaggen. - Ele a observava, com curiosidade.
A irracionalidade daquela acusação deixou-a furiosa.
- É muita ousadia sua, ainda mais após passar várias noites com Ginny antes do nascimento de James! - Pansy tentou não se lembrar daquela fase ausente de Harry, mas a lembrança dolorosa es tava sempre presente.
Ele pareceu confuso por alguns momentos e, então, um leve rubor coloriu-lhe as faces.
- Isso foi há muito tempo - observou, com secura.
- Você nem se preocupa em se defender não é?
- Não tenho o que dizer Pansy.
"Não chore, Pansy", pensou, engolindo um soluço e fechando os olhos "Não o deixe perceber que está magoada."
- Se eu lhe assegurasse que serei fiel quando nos casarmos...
- Não importa Harry, não vê que o estrago já está feito? - Pansy ergueu o queixo. Harry se retesou diante do comentário. - Desde o início as coisas entre nós não deram certo. No casamento as coisas pareciam correr bem até dormirmos juntos. Depois, no Ministério, você só me acusou de ser uma prostituta, e para corroborar com a ideia que voce faz de mim, você disse que tudo o que queria era meu corpo. Quando eu me demiti você logo estava com outra Harry, Cho Chang, e quando descobriu da minha gravidez e me trouxe aqui, esfregou Ginny na minha cara como sua amante. - Pansy não mais continha as lágrimas.
- Eu não quis magoá-la Pansy, mas eu me senti atraído por você e cego por tudo o que ouvi acabei...
- Não consigo perdoá-lo Harry! Não só por isso, mas porque você abandonou a mim e nosso filho quando eu mais precisei. Especialmente quando demorouo o bastante para eu quase ter a criança sozinha na estrada enquanto você estava com sua amante.
- Você foi mesmo ao Ministério naquele dia encontrar Luna, não foi?
O inesperado da pergunta a fez empalidecer.
- Sim, eu sempre lhe disse Harry.
- Tive uma conversa muito interessante com Luna quando ela ligou, logo após o nascimento de James. Estava aliviada por tudo haver corrido bem e me disse que se sentia responsável por haver se atrasado naquela noite e Comarc tê-la atacado.
- E nada mudou não é? Deixe-me advinhar, porque era melhor continuar com sua amante.
- Ginny não é minha amante Pansy, eu não a toquei e nem em Cho, desde que estivemos juntos. Como eu não fiz com você desde que nos encontramos. Eu teria matado aquele canalha se soubesse a verdade. - Com os punhos fechados, Harry parecia tomado por uma fúria violenta. - Quando penso no que ele poderia ter feito...
- Cormac sempre me assediou - confessou Pansy, ten tando parecer casual. - Todo o tempo que trabalhei no Ministério ele fez isso. Naquele dia ele apareceu do nada e... Nunca imaginei que...
- Acredite em mim Pansy, como acredito em você. Eu nao estive na cama de Cho ou Ginny desde que estivemos juntos no casamento.
- Não acredito em você! Vi seus beijos com Ginny.
- Ela me beijou, eu nunca tomei a iniciativa ou respondi.
- Mesmo que fosse verdade, você também não a afastou.
- Eu estava cego pela mágoa Pansy, desde o casamento quando acordei sozinho.
- Eu senti vergonha e imaginei todo o embaraço que seria...
- Vergonha? Sua experiência sexual, antes de mim, con sistia apenas de algumas relações com Draco, não é, Pansy?
Ela esboçou um frágil sorriso.
- Algumas, não. Quatro.
Harry fechou os olhos, meneando a cabeça.
- Por que não me contou?
- Para dizer a verdade, não poderia. Você não queria ouvir e, eu não tinha motivos para imagi nar que estivesse interessado.
- Eu disse coisas horríveis a você - falou, por entre os dentes.
- Acho que James está chorando. Tenho de ir. – Disse Pansy limpando as lágrimas.
As necessidades imediatas do filho eram prioritá rias. Harry não tentou impedi-la de se retirar. Ficou ali, parado, com uma expressão agoniada no rosto. Pensava em como a tratara e tudo o que dissera a ela, em como as coisas poderiam ter acontecido e ele nem ter James hoje se Pansy tivesse optato por um aborto devido as atitudes dele.
Assim que Pansy terminou de amamentar o filho e a colocou de volta no berço, Harry entrou no quarto. Pansy endireitou-se e pousou o indi cador sobre os lábios, pedindo silêncio.
- Vamos para outro aposento, Pansy. Preci samos conversar.
Ela o seguiu, mesmo sem querer. Temia aquela conversa, estava cansada e não queria brigar com Harry.
- Você está certa. Não podemos continuar assim.
Pansy sempre soubera que aquele momento che garia, que Harry não aguentaria sua presença. Mas ouvi-lo dizer aquilo era a coisa mais difícil do mundo.
- Tenho certeza de que podemos chegar a um acordo civilizado, Harry.
- Civilizado! Quem quer ser civilizado?!
- Bem, você quer, não é? Já me explicou sua ideia de casamento perfeito, e isso não me satisfará.
- Essa deveria ser a melhor época de nossas vidas, Pansy. Diga-me o que a satisfaria.
Uma lágrima solitária escorreu pela face dela. Pansy chorava por tudo o que deixaria de des frutar ao lado de Harry.
- Diga-me o que quer! – Disse Harry segurando-a pelos braços. O tom era exigente e agoniado.
- Quero você e James, Harry! Eu me apaixonei, mas nunca será possível termos algo - Pansy rangeu os dentes e cobriu a boca com a mãos, fechando os olhos arrependida do que dissera.
Virou-se de costas para ele, mas Harry a se gurou pelos ombros e forçou-a a encará-lo. Ela fez um débil esforço para se libertar.
- Repita isso Pansy!
- Não torne isso pior do que já é, Harry. Não preciso que me humilhe mais.
- Pior para você? Tem alguma ideia do inferno no qual tenho vivido? Todas as noites sem poder tocá-la... - Parou de falar, a voz entrecortada pela dor. - Droga, Pansy! Não me provoque com frases como essa, para depois afastar-se de mim.
- Não estou provocando você, Harry - pro testou, chocada com a injustiça da acusação. - Desculpe-me, mas me apaixonei por você. Entende agora por que não poderíamos nos casar? Passar aquelas poucas horas com você no casamento teve um grande efeito sobre mim, a forma como você me tratou, e depois... Eu me senti tão a vontade e atraída por vocÊ que não pude resistir em me entregar. Mas então você veio com todas aquelas acusações...
Ele permaneceu imóvel, como que paralisado.
- Não posso ser pragmática e sensata! Eu sen tiria ciúme, não suportaria que você tivesse uma amante e... não seria o tipo de esposa que você deseja.
- Quer dizer que a ideia de outra mulher em minha vida a deixaria louca, Pansy? Faria com que agisse com irracionalidade como fiz quando pensei que estava com Comarc ou, pensando bem, como faria se soubesse que estava com qual quer outra pessoa, além de mim?
Pansy piscou, perplexa por ouvir aquilo.
- É assim que me sinto Pansy, foi essa a razão de eu agir assim com você todo esse tempo. Pensar que poderia ter outro homem na sua vida me enlouquece. Oliver, Comarc, pensar neles desperta em mim uma raiva que não consigo conter.
- Cho e Ginny...
- Distrações, mas tudo o que eu fiz foi beijá-las Pansy, não consegui ir adiante porque desejava você e só você, não apenas na minha cama, mas na minha vida, você só minha.
Harry a encarou decidido e se aproximou de Pansy, ela nao se afastou. O beijo foi longo e doce, como se nunca houves sem se beijado antes.
- Não acredito nisso - murmurou Pansy, quando Harry afastou os lábios dos dela. - Você me odeia.
- Isso não é verdade. Tenho um preconceito sim por toda a historia que vivemos em Hogwarts, mas me apaixonei por ti no momen to em que a vi na porta do seu apartamento - Riu, erguendo os ombros. - Luna tinha razão quando quis nos unir, mas não enxerguei isso. Sempre fui deter minado a nunca me tornar uma vítima de meus desejos, mas naquela noite em que fizemos amor, me apaixonei perdidamente. Nem sequer consegui lu tar contra a força daquele sentimento.
Pansy permaneceu em silêncio, feliz demais para encontrar as palavras certas para se expressar.
- Meu primeiro pensamento, quando acordei naquela manhã, foi como conseguiria fazê-la acei tar o fato de que eu a levara para a cama sem falsas pretensões, mesmo sabendo que seria seu chefe em poucos dias. Mas você tirou esse fardo de meus ombros, pois, quando acordei, não estava na cama, nem no quarto.
- Pensei que fosse se sentir aliviado com minha partida. Sabia que não poderia agir como se aquilo não houvesse significado nada para mim. Eu nunca havia feito nada assim antes, então, me pareceu melhor...
- Fugir.
- Sim. Pensei em fugir várias vezes quando o assunto é você. Senti tanto medo quando soube que estava grávida! Queria contar para você, mas pensei que fosse suspeitar que era apenas mais uma de mi nhas tramas maquiavélicas, então fugi para Devonshire. Depois de estar aqui e ver voce com Ginny, pensei em fugir novamente, mas dessa vez para sempre - Pansy enterrou o rosto no ombro protetor.
- Não posso culpá-la por pensar assim. Quis matar Comarc quando pensei que o filho fosse dele...E quando soube que era meu, eu... Odiei-me por havê-la deixado passar por tudo sozinha...
- Você não duvidou que fosse seu?
- Nunca. No fundo eu sabia a verdade, mas não queria admitir. Eu via você Pansy, a verdadeira, profissional e séria. Sei que Oliver reconhecia isso também e lamento ter me deixado convencer pelas mentiras e fofocas.
- Oliver era meu verdadeiro pai Harry. Mamãe me contou quando eu revelei que ele tinha deixado uma herança para mim.
- Nossa!
- Ela me contou que ele nunca acreditou que eu fosse filha dele, mas aceitou me dar uma oportunidade quando minha mãe pediu. Eu desejei tanto aquela vaga que mamãe foi até ele e pediu que me entrevistasse, depois disso eles não se falaram e acho que Oliver viu como eu gostava do trabalho e tinha capacidade para realizá-lo. Ele nunca disse uma palavra sobre ser meu pai.
- Lamento por isso, mas não fique triste, temos nossa família agora.
- Pensei que quisesse apenas James, e não a mim também.
- É irónico. Ambos estávamos imersos em nossos mundos de solidão. Se houvéssemos dito, um ao ou tro, como nos sentíamos, teríamos evitado meses de amargura. - Harry abraçou-a com força. - Mal posso esperar para exibi-la a todos como minha esposa e mãe do meu filho.
- Não está sendo um pouco precipitado?
- Já fui paciente demais, querida, e paciência tem limite! Não quero perder mais nenhum precioso momento - Harry beijou-lhe nos lábios e ao quebrar o beijo, ajoellhou-se. – Case-se comigo Pansy, quero que seja minha esposa e meu amor a vida toda.
- Sim, Harry.
Harry exultou e beijou Pansy, girando-a no ar.
- Pais devem aproveitar todas as oportunidades para relaxar e descansar. Li isso em algum lugar.
- Parece-me uma ótima ideia. Não desejo apressá-lo, mas bebés não dormem muito, muito menos James.
- Então, não percamos tempo - disse ele, em voz rouca, pegando-a nos braços e deitando-a sobre a cama.
- Mal posso esperar. - Pansy mergulhou nos braços do homem com quem passaria o resto de seus dias, desfrutando a verdadeira felicidade.
No dia seguinte eles comecaçaram os preparativos para o casamento que ocorreu dentro de um mês, em Londres. A noticia do relacionamento e da gravidez secreta em um lugar da França causou um alvoroço na comunidade mágica. Ninguém esperava que Harry e Pansy ficassem juntos, muito menos que tivessem um filho. Eram tão opostos! Mas no fim o amor superou todas as adversidades e eles viveram felizes para sempre.
FIM
12
