Capítulo Dezessete
Matchmaker and Mapmaker
(Casamenteira e Cartógrafo)
Draco examinava um cacho de baratas com uma expressão enojada. Harry duvidava que ele já tivesse visto um antes; não era algo que imaginava entrar na Mansão Malfoy.
— Onde Hermione foi? — perguntou Ron, ao lado das penas açucaradas.
— Só Merlin sabe — disse Draco. Ele devolveu o cacho ao seu lugar e foi examinar a prateleira de Pomorins Azedos. Harry foi procurar Hermione (uma façanha e tanto, considerando a quantidade de pessoas que enchiam a loja) e acabou a encontrando perto do Fio Dental de Menta. Ela certamente pensava em seus pais.
— Está terminando? — perguntou ele.
— Sim — respondeu ela, olhando para trás dele. — Vai comprar alguma coisa? — Harry mostrou a sacola que já tinha comprado (cheia de chocolate e penas açucaradas), e ela sorriu. — Ah, bom — disse ela, ou quase gritou para ser ouvida sobre todo o barulho da loja. — Pode me fazer um favor, então? Pode ver o preço dos, hum — torceu o nariz — pirulitos com sabor de sangue?
— Pirulitos sabor sangue? — repetiu, inexpressivo.
— Sim — disse Hermione com uma convicção súbita. — Pirulitos com sabor sangue. Por favor? — Ela o empurrou de leve e, balançando a cabeça, Harry foi procurar. Assim que achou, duvidou que Hermione estivesse interessada nos pirulitos.
— Olá, Harry. — Cho, parada ao lado da prateleira e segurando o doce que Hermione supostamente queria, sorriu para ele. Sua amiga ruiva também sorriu e virou-se para olhar alguma outra coisa. — Está gostando de Hogsmeade?
— Er, sim, acho que sim — respondeu. Ela estava bonita, com um gorro salpicado de neve e um agasalho verde-escuro, e, por um momento, ele não conseguiu pensar em mais nada, só que Hermione achava que ela gostava dele, e o que é que ele ia fazer sobre isso? Olhou para Hermione e a viu sorrir para ele. Cho seguiu seu olhar e seu rosto se abateu.
— Ah — disse ela. — Vocês vieram juntos?
— Sim — disse Harry —, com Ron e Draco. — Cho pareceu um pouco mais feliz ao ouvir isso, apesar de Harry não saber o porquê. — Você veio com a... er... — Indicou a amiga de Cho.
— Marietta — disse ela, sorrindo. — Sim. Então... Está pronto para a partida de amanhã? — O coração de Harry se apertou um pouco com a pergunta.
— Sim, devo estar. — Correu uma mão pelo cabelo e tentou mudar um pouco de assunto. — Não sei se você ficou sabendo; vamos jogar contra os Lufos em vez dos Sonserinos...
— Ah, sim — falou Cho. — O braço de Malfoy. — Seu tom e o revirar de olhos foram encorajadores; parecia que ela não acreditava que Hydrus tinha se machucado tão gravemente quanto ele fingia. Ele sorriu para ela, o humor melhorando, e ela retribuiu o sorriso com as bochechas coradas. — Ainda assim, deve ser um bom jogo; estou ansiosa por ele.
— Vai assistir? — perguntou ele.
— É claro — respondeu ela, como se fosse uma pergunta tola. Harry supôs que era mesmo, ainda que só um pouco. — Tenho que ver a competição, afinal. — Dessa vez, seu sorriso era uma provocação.
— Harry! — Ron apareceu ao seu lado, notou Cho e acenou, desajeitado, antes de se virar para Harry. — Ei, Chang. Acha que Ginny vai gostar mais do chocolate ou da pena açucarada? Malfoy não ajudou em nada... Ai!
— Ron! — O sorriso tinha sumido do rosto de Hermione, e ela era seguida por um Draco envergonhado, cujos braços seguravam uma pilha de fio dental de menta e o que mais ele e Hermione fossem comprar. — Estamos indo — disse ela duramente antes que Harry pudesse responder a pergunta de Ron. — Está pronto?
— Espera... Estão indo? — perguntou Harry, enquanto Hermione arrastava Ron para longe, mandando que ele e Draco fossem para o caixa, dando um punhado de moedas a Draco no caminho.
— Sim, vamos um pouco mais cedo para o Três Vassouras, para conseguir uma mesa — respondeu ela. O tom de Hermione era um pouco mais suave, então pelo menos não era com ele que ela estava brava. Perguntou-se o que Ron tinha feito para irritá-la. — Está tão cheio aqui que não queremos perder a chance... Mas você pode ficar e nos encontrar mais tarde. — A forma que ela o olhou fez Harry achar que ela ficaria brava se ele não ficasse, então não teve opção que não assentir. Ela sorriu (Harry achou que parecia forçado) e se misturou à multidão.
— Desculpe por... erm... — Harry balançou uma mão na direção de seus amigos; Hermione tinha se juntado aos outros dois, e ele conseguia ouvi-la sibilar com Ron mesmo com todo o barulho na loja.
— Não tem problema — disse Cho, parecendo um pouco impressionada. — Ela é bastante... — Pausou, parecendo procurar pelas palavras.
— Sim — concordou Harry, sorrindo. — Você se acostuma.
— Então... você tem planos para o almoço, era o que Hermione Granger estava dizendo?
— Sim — respondeu ele, sorrindo apesar de tudo. — Pad... Sirius, Remus, Tonks e Marlene vão se encontrar com a gente. — Não contou que eles tinham tomado como missão deles supervisionar sua visita a Hogsmeade, apesar de Harry não conseguir culpá-los com Wormtail à solta. Isso, e estava ansioso para ouvir todas as últimas histórias deles. Olhou para seu relógio de novo.
— O professor Lupin não está dando aulas em Beauxbatons?
— Sim... — Harry hesitou brevemente; a condição de Moony não era um segredo desde o julgamento de Padfoot, e se ele tinha sido o professor de Cho, era improvável que ela se incomodasse com o lembrete. — Mas a lua cheia é hoje, e ele sempre tira uns dias de folga por causa dela, então ele decidiu fazer uma visita.
— Isso é legal da parte dele — disse ela, oferecendo um sorriso pequeno a Harry. — Eles vão assistir à partida?
— Padf... Sirius vai, sim — respondeu. — Não sei se os outros vão. Depende se vão ter de trabalhar, e de como a noite vai ser para... — Engoliu a palavra "Moony". — Remus.
— Ah. Bem, o almoço deve ser divertido, então.
— Sim — falou Harry. Mas, por algum motivo, teve a impressão de que ela estava desapontada.
— É melhor eu te deixar ir — falou ela. — Eles devem estar esperando.
— Provavelmente — concordou; de acordo com seu relógio, já estava na hora de se encontrarem e se estivesse atrasado, não ficaria surpreso se Padfoot fosse procurá-lo. — Desculpe. Tenha uma boa tarde.
— Obrigada. — Sim, definitivamente desapontada. Mas por quê?
— Foi bom conversar com você — adicionou honestamente, e ela voltou a corar. O próprio rosto de Harry estava quente. — Nós devíamos... er... fazer isso de novo.
Cho pareceu um pouco confusa e abriu a boca. Aí, ela voltou a fechá-la e sorriu, balançando um pouco a cabeça.
— Seria bom.
— Brilhante — falou ele, o rosto ainda quente. — Eu... er... te vejo depois.
— Tchau, Harry. E boa sorte amanhã — adicionou ela quando ele saía da loja. Ele sorriu (apesar do aperto estranho em seu estômago ao ser lembrado do dia seguinte), acenou para ela e foi de encontro à leve neve que caía do lado de fora.
A rua estava fria quando comparada ao interior aquecido da Dedosdemel, não que Harry se incomodasse com isso... pelo menos, até que o tipo de frio mudou. Não havia nada a ser visto quando Harry olhou por cima do ombro, mas ele andou um pouco mais rápido assim mesmo.
Tinha acabado de chegar à porta do Três Vassouras quando dois Dementadores saíram do beco do outro lado da rua e viraram em sua direção. Estremecendo, Harry abriu a porta e entrou antes que eles pudessem ir atrás dele. Era a última coisa que precisava.
Trombou com alguém.
— Desculpe, Dra... — Harry viu o cabelo loiro platinado e as feições pontudas, mas o cheiro estava errado e o fez hesitar. — Malfoy.
— Potter. — Hydrus limpou a parte de seu casaco em que Harry tocara. Ele tinha a mesma expressão que Draco ao olhar para o cacho de baratas.
— Não sei por que usa essas coisas horríveis se elas não melhoram sua visão — disse Daphne Greengrass, levando as mãos aos olhos para zombar dos óculos dele. Crabbe, Goyle e Pansy gargalharam.
— Eu pedi desculpa — falou Harry, revirando os olhos. Hydrus olhou para trás de Harry, pela janela embaçada.
— Está com pressa, é? — disse lentamente, e Harry soube que ele tinha visto os Dementadores. — Uma pena que eles sejam necessários, mas algo tem que nos manter seguros; é óbvio que os Aurores não estão fazendo nada para melhorar as coisas. — Ele torceu os lábios e seus olhos foram para Padfoot, que conversava com Madame Rosmerta, uma cerveja amanteigada nas mãos. — De fato, duvido que estejam fazendo qualquer coisa.
Harry abriu a boca, incerto se para responder ou amaldiçoar, mas Pansy foi mais rápida.
— Se bem — disse ela cruelmente —, se eles quiserem se sentir úteis, eles podem correr embaixo de você com uma maca amanhã. Talvez consigam evitar que você se machuque demais quando os Dementadores aparecerem. — Harry ficou imóvel e, por um momento, não tinha nada a dizer. Viu Draco e Ron se levantarem de uma mesa; eles tinham notado o que acontecia e claramente planejavam ir ajudá-lo.
— Não sabia que você se importava, Parkinson — Harry conseguiu dizer depois de um momento. — Mas deve ser melhor se eu não me machucar; o pessoal da escola já tá cansado de ouvir falar sobre 'machucados'. — Olhou para o braço de Hydrus, ainda em uma tipoia, e Hydrus corou.
Daphne se irritou, e Crabbe e Goyle deram um passo à frente, ameaçadores. Harry procurou por sua varinha, assim como Pansy, mas antes que qualquer coisa pudesse acontecer, alguém pigarreou atrás de Harry.
— Há algum problema por aqui? — O tom leve de Moony trouxe consigo uma sensação de déjà vu, e Harry não conseguiu evitar o sorriso.
— Não é da sua conta, Lupin — disse Hydrus, balançando a mão que não estava na tipoia para os outros. — Boa sorte amanhã, Potter. Você vai precisar. — E com isso, eles passaram por Harry a caminho da porta. Harry só pôde observá-los ir embora e torcer para Hydrus estar errado.
— E aí, beleza — disse Tonks, aproximando-se para dar um abraço em Harry, mas ela franzia o cenho para os Sonserinos. — Meio grosseiro ele, né? — Apesar de tudo, Harry sorriu.
— Dora — disse Remus —, acho que o Harry não precisa ser encorajado. — Mas quando ele abraçou Harry, seu cheiro não era bravo nem desapontado, apenas cansado (o que Harry esperava ser por causa da lua cheia) e um pouco divertido.
— Onde estão os outros? — perguntou Tonks. — Acho que o Rabugento precisa se sentar e comer alguma coisa...
— Já vou te mostrar o Rabugento — murmurou Moony, mas permitiu que Tonks o levasse até a mesa. Ron e Draco tinham decidido ficar por lá ao verem Moony e Tonks lidarem com Hydrus, e foram cumprimentados com alegria por Tonks, assim como Hermione e Marlene, que já estavam sentadas e perdidas em uma conversa.
— Olá, pessoal — disse Padfoot, de algum modo conseguindo esticar uma mão para bagunçar o cabelo de Harry, apesar de estar carregando cerveja amanteigada para todos. — Como estamos?
— Com frio — respondeu Marlene, aceitando a bebida quente de Padfoot com uma careta. — Se ele não se parecesse tanto com James, eu juraria que ele é seu — falou, usando a cabeça para indicar Harry que, como Padfoot, usava um jeans e um suéter, mas não quisera usar touca, nem cachecol ou luvas, apesar do frio.
— Natureza versus criação — disse Padfoot.
— Ah, é definitivamente criação — falou Moony, com uma expressão de quem sabe das coisas; ele, ao contrário de Marlene, sabia das habilidades Animagas de Harry.
— Bem — disse Marlene ironicamente —, me ensine seus costumes, porque não consigo sentir os dedos dos pés.
— Repita depois de mim — falou Padfoot e começou a recitar palavras obviamente inventadas até que Marlene o acotovelou. Ron riu. Abafando o riso, Padfoot tomou um gole de sua cerveja amanteigada e deixou de prestar atenção nela. — E aí, aconteceu algo interessante hoje?
— Wormtail não apareceu, se é isso o que quer saber — respondeu Harry, e Padfoot revirou os olhos, mas pareceu satisfeito de saber mesmo assim. — E quase perdemos Hermione na Loja de Penas Escribas...
— Ela não estava perdida, Potter — falou Draco. — Só não queria se mexer. — Ele se voltou aos adultos. — Precisamos prometer ir à Dedosdemel para fazê-la sair de perto dos mostruários. — Padfoot riu.
— Não posso te culpar, Hermione — falou Moony do seu canto. — Eu sempre achei que é uma loja fascin...
— Que professor — suspirou Tonks.
— Claro — falou Ron —, quando nós queríamos tomar nosso tempo na Dedosdemel, ela não quis deixar. Eu queria comprar algo para Ginny — adicionou.
— E comprou — retorquiu Hermione.
— Mas eu queria ter mais tempo para decidir...
— Não precisava de mais tempo, ela ficará feliz com as penas açucaradas, e nós precisávamos conseguir uma mesa. — Hermione tomou um gole delicado de sua cerveja.
— Podia ter vindo só com o Malfoy...
— Não, todos nós precisávamos vir...
— Não fez o Harry vir com a gente...
— Harry estava ocupado...
— Eu também estava! — arguiu Ron.
Harry encontrou os olhos de Draco e fez uma careta enquanto Ron e Hermione continuavam. Padfoot os observava, parecendo confuso, e Marlene conversava com Tonks e Moony sobre alguma coisa dos Aurores.
— Já sabe qual é a missão dela? — perguntou Harry, inclinando a cabeça na direção de Marlene.
— Não — resmungou Padfoot. Marlene os olhou, ergueu uma sobrancelha (não, Harry achava, por tê-los ouvido, mas por eles estarem a olhando) e voltou a desviar os olhos.
— E ainda não posso saber a sua? — perguntou.
— Ainda não — respondeu Padfoot. — Mas não falta muito para ser anunciado e quando for... — Deu de ombros. — E você sabe que eu ainda estou no caso do Wormtail e do Crouch, mas semana passada Scrimgeour o passou para que alguns Aurores revisassem também. Eu vou ficar bem ocupado com essa nova missão e... francamente, novas opiniões serão boas. Não temos muito com o que trabalhar. — Esfregou o queixo.
— Bem, Pettigrew esteve em Hogwarts — contou Draco.
— Sim — falou Padfoot. — Mas isso cria mais perguntas do que as responde; não sabemos se ele está ficando lá ou se só visitou algumas vezes.
— Acho que ele está ficando — disse Harry. Não conseguia se lembrar de nada específico de seus "sonhos", mas eles lhe deram a sensação de que Wormtail estava em Hogwarts... Ou, talvez, Harry estivesse tão acostumado com o perigo morando na escola, que a ideia de um de seus inimigos ir e vir era simplesmente estranha demais para aceitar.
— Mas você está de olho no mapa — respondeu Padfoot; Ron tinha sugerido isso depois do incidente de Hermione com o Vira-Tempo e, desde então, o mapa estivera escondido dentro de um livro e sendo vigiado durante as aulas ou o almoço, ou ele ficava ao lado do dever de casa, no canto favorito deles do Salão Comunal. — E disse que não o viu.
— Não vi — murmurou Harry.
— Talvez ele tenha descoberto uma forma de se esconder do mapa — sugeriu Draco.
— Não dá pra enganar o mapa — falou Padfoot. — Não é possível.
— Sirius... — Aparentemente, Marlene e os outros ocupantes da mesa estiveram ouvindo a conversa. — Você criou esse negócio quando estava na escola. Sei que é magia avançada, mas Peter já um adulto...
— E é um Comensal da Morte — falou Tonks. — Não acho que seja demais assumir que ele pode ter aprendido...
— Não dá pra enganar o mapa — falou Moony, a voz firme apesar do cansaço. Ele e Sirius se entreolharam. — E menos ainda a gente. Não vou mentir e dizer que o mapa não era uma forma maravilhosa para documentarmos o que sabíamos do castelo, mas seu verdadeiro propósito...
— Era monitorar o castelo — terminou Marlene. — Sim, nós...
— Na verdade, não — disse Padfoot. — Lá nos últimos anos de escola, quando a guerra piorou, claro. Mas inicialmente fizemos o mapa para nos garantir de que não seríamos pegos, fosse com as pegadinhas que pregávamos, fosse enquanto íamos nos encontrar com Moony na Casa. Nós nos prendemos a ele, tanto na forma humana quanto na Animaga, para que quem estivesse com o Mapa soubesse onde os outros estavam. Quem estivesse com o Mapa, estava com um dos espelhos, ou estava com quem estivesse com o espelho, para que pudesse avisar se os outros fossem encontrar problemas.
— Mas ele teve acesso ao Mapa — lembrou Hermione. — No dia que ele procurou pela capa de Harry. Ele pode ter adulterado...
— Ele não o reconheceu — disse Padfoot —, caso contrário ele o teria destruído para que vocês não pudessem usá-lo contra ele, ou o teria levado para usar contra vocês. — Harry assentiu; ele e Padfoot já tinham tido essa conversa, e Harry, abalado pela ideia do Mapa acabar nas mãos de Wormtail, prestava mais atenção a ele desde então; quando não era ele quem estava com o Mapa, era um de seus amigos.
— Animadora, essa conversa — comentou Tonks com ninguém em particular, e Ron riu. — Deve ter algum outro assunto para conversarmos...
A conversa logo passou a ser sobre Quadribol, e Harry se juntou a ela com menos entusiasmo que o normal.
— Cedric Diggory é o capitão? — perguntou Tonks. — Merlin, isso faz eu me sentir velha; eu me formei antes dele ser um aluno do primeiro ano! — Ela se virou para Ron e Draco. — Preece e Macavoy ainda estão no time? Eles já devem estar no sétimo ano...
— Você ouviu isso... ela se sente velha — suspirou Moony para Marlene.
— O quê? — perguntou Marlene, fingindo ser surda. — Fale mais alto; não sou mais tão jovem assim... — Ela sorriu, e Moony retribuiu.
— Acho que sou um ancião, então — disse Padfoot. — Já que sou mais velho que vocês todos.
— Não que dê pra notar — provocou Moony e permitiu-se ser envolvido pela conversa de Hermione e Marlene. Aproveitando-se da distração dos outros, Harry colocou sua cadeira mais perto de Padfoot.
— Vai para a Casa dos Gritos hoje? — murmurou. Padfoot o olhou, divertido, mas balançou a cabeça.
— Vai estar ocupada.
— Ah, é — respondeu; Dumbledore tinha lhe contado que, agora, alguns lobisomens frequentavam a escola e que eles usavam a Casa dos Gritos, mas não tinha pensando muito nisso. — Então vai ser na Cabana mesmo?
— Como sempre — concordou Padfoot em voz baixa. — E antes que pergunte: não. Não — adicionou ao ver a expressão no rosto de Harry — porque eu acho que você não aguenta, mas porque não quero tentar explicar para a McGonagall por que eu vou te tirar da escola em uma noite que ela sabe que ficarei com o Moony.
— Podemos dizer a ela que estou com saudades do Monstro — disse Harry, tentando não deixar o desapontamento aparecer em sua voz.
— Boa tentativa. Mas você não tem nada para hoje à tarde, tem?
— Acho que a Hermione queria explorar um pouco mais o vilarejo. Ela disse que leu algo sobre uma loja, uma casa ou algo assim...
— Mas depois? — insistiu Padfoot.
— Nada demais — disse. Padfoot assentiu, seu cheiro satisfeito, e Harry começou a sorrir. — Por quê?
— Já fez tempo que prometi te ajudar com os Dementadores — falou Padfoot, dando de ombros. — Podemos começar a praticar à tarde, se ainda estiver interessado.
— Estou — falou na mesma hora. — Acha que demora muito para aprender? — Se conseguisse aprender logo, então se sentiria muito melhor com o jogo do dia seguinte.
— Depende — respondeu Padfoot, e seus olhos correram pelo rosto de Harry, procurando. — Não costuma ser algo que a gente aprender da noite pro dia. — A esperança de Harry morreu e deve ter aparecido em seu rosto, porque Padfoot franziu o cenho. — Está preocupado que os Dementadores apareçam na partida?
— Não será um problema — murmurou Harry sem encontrar os olhos de Padfoot. Treinara bastante desde o desastre dos Testes de Quadribol, e os Dementadores o deixaram em paz. Mas teria várias pessoas felizes na partida das quais os Dementadores poderiam se alimentar, e ele não podia esperar que Diggory o pegasse no dia seguinte (ele também estaria no ar).
— É — falou Padfoot com firmeza. — Não será.
É o que espero, pensou Harry.
Continua.
N/T: Obrigada a quem comentou no capítulo anterior.
Aproveito para avisar que subi mais uma das prequel, chamada Defining Moments.
Até semana que vem.
