Às vezes os vingadores, tantos os novos quanto os velhos, se perguntavam porque os alienígenas tinham tanto interesse na Terra, não é possível que não exista algum outro planeta no universo que seja mais interessante que o deles. O problema da vez eram os Skrulls, criaturas desagradáveis que tiveram a sua existência revela pela Capitã Marvel que por sinal tecnicamente era uma hibrida de uma espécie rival a deles com os humanos, uma história longa que não precisa ser contada agora. Esses extraterrestres começavam a fazer com que a nova Hidra se parecesse muito agradável, nossos heróis até sentiam falta deste grupo de vilões quando tinham que enfrentar criaturas gigantes vindo do céu assim como acontecia agora. Carol a muitos anos tenta acabar com a guerra que envolvia os Krees e os Skrulls e que era a razão por trás de mais uma invasão, mas infelizmente nem todos estão dispostos a negociar a paz.

A garota Stark supostamente era classificada como parte dos novos vingadores, mas ela quase não tinha contato com os mais jovens, mal se lembrava do nome deles, mas em momentos como esse reconhecia que seja lá quem eles fossem eram completamente qualificados para seus postos, já estavam lutando a algumas horas e ainda não haviam tido baixas por parte dos heróis. Loki dizia que aquela era a forma que os Skrulls usavam para se infiltravam entre o povo as vezes, causavam grandes tumultos, mortes e chamavam muita atenção, para que os soldados conseguissem se misturar enquanto a atenção de seus inimigos estava no ataque. Era exatamente por isso a maioria dos olhos dele não se encontravam no centro da batalha agora, sua magia estava concentrada em manter suas copias entre os civis para ter certeza que nenhum ser verde se esconderia enquanto eles lutavam. O deus conseguia ser bem útil quando queria, mas todos sabiam que ele não se importaria em mudar para o lado daqueles que os atacavam se a situação se tornasse favorável para eles.

Enquanto sua magia era focada em seus espiões seu corpo se movia com uma arma em sua mão para abater os alienígenas que se aproximavam, ele e a arma tinham uma sincronia linda de se ver, lutavam como se fossem um e pareciam que estavam apenas dançando como dois amantes e não matando invasores de outro planeta. Com "arma" eu me refiro a atual Garota de Ferro, os vingadores começavam a entender porque o príncipe se referia a ela como se fosse um objeto sempre que o assunto das lutas que tiveram juntos surgia, alguns até a chamavam de Martelo do Loki quanto os viam daquela forma. Não entendiam como os dois aprenderam a batalhar assim se Lin esteve presa por todo o tempo que diz ter estado antes de ser apresentada a eles.

Thor riu quando viu as roupas da noiva do irmão para aquele dia, ela havia desenvolvido um traje no estilo asgardiano para si, ele era mais prático para "dançar" com o parceiro do que suas armaduras, mas também não a atrapalhava quando precisava vestir sua própria tecnologia e mesmo que esse ainda fosse um segredo, aquele traje era a base de seu projeto principal.

Qual era o nível de experiência daqueles que ali lutavam para considerarem quase normal o fato de uma nave alienígena poder ser vista no céu da cidade?

O deus do trovão e a Capitã estavam lá em cima providenciando a queda da aeronave, era possível ver o tempo mudar e raios descontrolados caírem pela cidade, Thor definitivamente estava de mal humor.

"Stark, o garoto aranha danificou o próprio traje."- Sam informou parecendo um tanto preocupado, era provável que Peter sempre despertasse o instinto protetor da equipe, mesmo que ele tenha deixado de ser uma criança a muito tempo.

"Estou indo até ele." – Lin respondeu enquanto Sexta-Feira prontamente já rastreava o paradeiro do vingador. Loki lançou uma lâmina em sua direção a tempo da garota pega-la e sem nenhuma hesitação fincar no crânio do servo de Skrull que se aproximava em seu campo de visão. Criaturas insuportáveis.

- Vou ajudar o pirralho, consegue sobreviver sem mim, princesa? – Ela lhe lançou um sorriso ladino, erguendo a mão para chamar a armadura que Sexta-Feira reservara para si e que apenas esperava pelo comando dela para manda-la até o campo de batalha. A Garota de Ferro deu impulso para o príncipe e este envolveu o pescoço de mais um alienígena com as pernas, o quebrando sem muita dificuldade.

O deus a olhou com o cenho franzido, nem precisando dizer o quanto não dependia da presença dela para vencer um inimigo. Normalmente Loki nunca deixaria suas habilidades verdadeiras a mostra por muito tempo, mas chamar esse tipo atenção era uma coisa que um aliado deus bondoso e heroico faria, então é exatamente isso que ele fará. Manter o papel ficava cada vez mais entediante. Sua magia voltou para si à medida que seus olhos pela cidade diminuíam, não era como se a garota realmente se preocupasse, ela sabia que ele ficaria bem.

O chão não demorou a desaparecer dos pés da Stark depois que sua armadura se completou em seu corpo, o pirralho não estava muito longe e definitivamente ele acabaria ferido se continuasse lá parado por isso ela tinha certa presa em chegar até ele. Lin deixou que os outros tomassem as decisões por si, quanto mais rápido chegasse até o Parker menos possibilidades de ele ser substituído existiam. O corpo dela parecia ter sido feito para aquilo, não eram apenas as várias mentes em seu subconsciente que sabiam o que fazer, cada célula de seu corpo estava preparada para uma situação como aquela, seu instinto sem nenhuma influência já agia correntemente e não ficava parado quando sabia que ia ganhar, ela não sentia medo dos malditos seres de outros planetas nem daqueles com quem lutava ultimamente, sua alma traumatizada só tremia quando estava diante de humanos e não podia machuca-los. Localizou Peter em um beco escuro e escondido, com outro Peter o estrangulando.

Já era provável que isso aconteceria, todos estavam sujeitos a serem substituídos a qualquer momento (menos Loki, que estava sujeito apenas a trocar de lado e se aliar aos Skrulls), talvez tenha sido um erro deixar o controle nas garras daqueles que provavelmente a destruiriam na primeira oportunidade, afinal ela não pode nem ao menos pensar em para-los antes de se ver agarrando a cabeça do Homem Aranha que sufocava o outro Homem Aranha e a esmagando contra a parede de um dos prédios, sua manopla ficou suja com miolos e sangue mas mesmo assim seu corpo ainda comandou uma explosão para o do extraterrestre, apenas para ter a certeza de que ele estava morto.

Queria deixar registrado para vocês aí dentro que existe uma possibilidade de vocês terem esmagado o pirralho verdadeiro, já que nem esperaram esse cara voltar a sua forma original.

Se estivesse mais preocupada com o que acontece ao seu redor do que com salvar Peter Parker teria sentido cheiro de Skrull na criatura que acabamos de matar, criança. – Uma das vozes respondeu fria como sempre.

O Homem Aranha que sobrou a encarava um tanto assustado, ele não estava acostumado com esse tipo de violência vindo dela, independente de seus motivos. A humana decidiu ignorar a expressão do amigo, mesmo que ela o incomodasse mais do que deveria. Lin não precisava que alguém com que se importava também tivesse medo de si quando não teve a intenção de causar tal pavor.

Peter não tremeu quando ela o tocou com a manopla da armadura que não estava manchada de sangue, mas ele claramente não estava confortável. Tony Stark foi como um pai para ele, o garoto sentia tanta falta dele que chega a ser difícil de se descrever o sentimento, mas a mulher em sua frente assim como a irmã dela espantavam um pouco da dor, ela mantinha a presença dele viva mesmo sem de fato ter estado com o Homem de Ferro enquanto ele ainda vivia. Parker gostava de pensar que ela era mesmo tudo aquilo que fazia com que os outros acreditassem, que se comportava como o pai inconscientemente e que não tinha segundas intenções em se tornar querida pela equipe. Ser parceira de Loki tornava tudo tão duvidoso em relação a ela, mesmo que gostasse de verdade do deus não era tolo ao ponto de confiar nele.

- Está ferido. – Ela sussurrou, tão genuinamente preocupada que por um momento o Homem Aranha se sentiu culpado por desconfiar. – Preciso tirar você daqui... – Disse em voz baixa, dispensando sua armadura e se aproximando de Peter.

- Não estou tão mal assim. – Parker respondeu, mesmo que precisar tirar sua máscara para respirar melhor evidenciasse que ele não estava nada bem.

- Você deveria deixar as mentiras para o Loki, pirralho. Diferente de você ele sabe ser convincente. – Lin lhe dirigiu um sorriso fraco, oferecendo seu ombro para que ele se apoiasse e conseguisse andar, o garoto envolveu seu braço ao redor dos ombros dela, mesmo que estivesse revirando os olhos sabia que ela tinha razão.

A Stark usou seu "spray magico" para estancar o sangramento na barriga do Homem Aranha, não tendo dificuldades em carrega-lo para fora do beco, sabia que não podiam ficar muito tempo em um único lugar, mas precisava de um local seguro e calmo para resolver o problema com o traje do vingador. As vozes discutiam sobre o que fazer, estavam no meio de uma enorme confusão e provavelmente este preferível espaço tranquilo não existia por ali. Estava prestes a mandar Sexta-Feira usar sua armadura no corpo do pirralho para tira-lo dali quando viu um rosto familiar se aproximando em um veículo de vibranium. Por que Shuri estava ali? Teria ela duvidado que a Garota de Ferro viria em socorro ao Parker? É provável que sim, afinal ela pareceu surpresa em vê-los ali, juntos.

- Querem uma carona? – A gênia ofereceu, já parando perto deles e destravando a porta do carro. Ficava feliz em ver que Lin estava tentando ajudar de verdade, gostava muito da filha de sua grande inspiração.

- Não obrigada. - Ela se adiantou a responder. – Até onde eu sei você pode ser algum outro desses alienígenas irritantes. – Sorriu ironicamente, fingindo envolver Peter com mais força e caminhar mais rapidamente, este que a olhou sem entender afinal seu instinto aranha não lhe deu nenhum aviso em relação a Shuri e ele tinha certeza que ela também sabia que não tinha nada de errado com a princesa. – Não viu a cara de e.t dela, pirralho? Olha bem, não tem como aquilo ser humano, nosso nível de beleza não é tão alto.

- Vai se foder, Stark! – Por mais que doesse o Homem Aranha riu da interação das duas, elas formariam um belo casal se não se provocassem apenas por diversão e nada fosse realmente sério. Lin voltou com um sorriso arrogante no rosto, entrou no carro colocando cuidadosamente o Parker no banco de trás e ficando lá com ele. Se alguém perguntasse ela diria que só fez isso porque os Skrulls haviam encontrado os três e estavam se aproximando.

A nanotecnologia não era uma novidade para a gênia no banco de trás, desde que Tony Stark apareceu como um inovador nesta área seus antigos carcereiros a obrigaram a repetir os feitos do pai, ela não conseguiu na época, mas mais tarde quando já estava livre dedicou parte de seu tempo para aprender com quem entendia verdadeiramente do assunto: o próprio Homem de Ferro, ou com o que restou dele pelo menos. Mesmo que não dominasse completamente o assunto até agora por não ter uma base muito concreta para seguir Lin sabia que danificar um traje como o que Peter recebeu era algo extremamente difícil, o ser que fez aquele estrago merecia uns sinceros parabéns e talvez o pirralho também merecesse por tamanho descuido.

Shuri acelerou, estavam sendo seguidos. Toda aquela movimentação dificultava a reativação do traje do Homem Aranha, sem mencionar o desconforto que causava ao Parker que mesmo agora quando seu sangramento havia parado ainda estava ferido. As vozes sussurravam no subconsciente da mais nova, guiando-a e atrapalhando-a na maioria das vezes, ela sabia o que precisava fazer, era completamente capaz de sozinha restaurar o equipamento e melhora-lo muito mais se quisesse, mas eram tantas opiniões divergentes em sua cabeça que o que era simples para si se tornava confuso e difícil. Não, Lin não dominava a nanotecnologia, mas apenas porque não era sua criadora, a conhecia o suficiente para copiar o trabalho do pai como foi obrigada a fazer por muito tempo, foi sua escolha não fazer isso desta vez e talvez essa fosse a razão de seu próprio traje não ser tão incrível. Ela desejava superar a imagem de Tony Stark e criar algo muito maior, usando-o apenas como um exemplo e como inspiração, não como a base de sua própria estrutura.

Peter estava suando muito, sua pele estava alguns tons mais pálida, a princesa o analisava com suspeita do banco da frente como se desconfiasse que a Stark havia deixado algo grave passar despercebido, como uma fratura em um órgão interno, ossos quebrados ou algo do tipo. O Parker suspirou em sofrimento, definitivamente havia algo muito errado, mas Sexta-Feira e Karen já haviam o analisado internamente e não detectaram nada.

Os Skrulls estavam muito perto, os alcançariam e causariam ainda mais problemas mesmo que o carro de vibranium os protegesse por um tempo. As vozes se calaram momentaneamente e antes que voltassem a tagarelar a Garota de Ferro teve a oportunidade de agir. Shuri pareceu ter uma ideia parecida com a dela pois virou rapidamente na esquina mais próxima assim como seu plano exigia, dando os segundos fora da vista dos inimigos que Lin precisava para faze-los desaparecer.

Essa era uma das vantagens de ser amiga de um feiticeiro: poder usar a magia que ele ensinou para escapar de seres de outros planetas que querem te matar e substituir a sua espécie. Uma sutil luz verde passou pelo corpo da Stark e foi além, transformando o veículo ao seu redor e as pessoas presentes nele. O carro parou, estacionando de qualquer forma perto da calçada a tempo de parar completamente antes que os extraterrestres voltassem a aparecer, haviam outros automóveis parados por ali também, todos abandonados muito tempo antes deles chegarem.

Quando os Skrulls chegaram tudo o que viram foi uma gravida de nove meses em trabalho de parto, um marido preocupado e assustado segurando a mão de sua esposa no banco de trás e um idoso carrancudo no banco do motorista. Os três encararam seus até então perseguidores como se estivessem os vendo pela primeira vez, com o medo que qualquer humano normal mostraria, conheciam aquele jogo e sabiam o que fazer. Embora a cara de dor da gravida dando à luz não fosse tão mentirosa quanto deveria.

A magia de Lin ainda era instável, não possuía a pratica necessária para domina-la totalmente e por isso deixou que eles cheirassem a falha, deixou que eles notassem que não eram o que pareciam ser, impregnou o ar com a mentira e manteve a cara de terror quando se dirigiu a eles.

- O intitulado como Doutor Estranho os mandou para outro lugar. – Forçou seu sotaque asgardiano em cada palavra, não parando o teatro perfeito que qualquer Skrull sabia fazer, não reconheceriam sua voz, ela não era mais uma inimiga para qualquer um que a olhasse com os olhos daqueles alienígenas.

O líder entre os perseguidores assentiu em desgosto, partindo em busca de outras presas com seus lacaios. Ele os julgou como aliados da mesma espécie, ingênuo em relação aos dons místicos de uma das humanas que deveria matar, tolos. Shuri foi a primeira a rir depois que eles se afastaram o suficiente, vendo a ilusão sumir aos poucos, ela já imaginava que a Stark era capaz de fazer algo do gênero, mas era a primeira vez que via pessoalmente, simplesmente fascinante.

Lin também sorriu orgulhosa de si mesma, convencida sobre suas habilidades como deveria parecer estar. Mas então o silencio em sua mente começou a causar estranheza, não era comum que tivesse essa paz interior sem a presença de Loki por perto. Peter ao seu lado arfou em busca de ar lembrando a ela o quão confusa era a situação do pirralho, quando olhou para ele a ausência das vozes foi justificada com uma única palavra dita por alguma delas, cujo a identidade a garota não se preocupou em decifrar agora. Veneno.

(...)

Thor e a Capitã voltaram ao chão sem danos visíveis, vitoriosos em expulsar os inimigos para fora do planeta. Os poucos invasores que restavam eram abatidos rapidamente pelos demais vingadores sem dificuldades, estes últimos Skulls ficaram um tanto perdidos sem o apoio de seus líderes, não durariam muito de qualquer forma se não se rendessem.

O deus do trovão ficou um pouco confuso ao ver seu irmão parado longe de toda a equipe, sozinho, irritava-se por saber que outro deus jamais seria verdadeiramente aceito na Terra. Todos apenas toleravam a presença de Loki, eram raros aqueles que de fato o queriam ali, como se inesperadamente o deus da trapaça fosse trair a todos e conspirar outra vez para a ruina de tudo que os humanos amam, não que eles estivessem errados de esperar por algo assim, mas ele ainda era seu amado irmão. Ninguém deveria excluir o irmão de poderoso Thor.

O loiro não disse nada, mas foi até a criaturinha mentirosa e sentou-se ao lado dela nos destroços da cidade, deixando o stormbreaker no chão perto de si. Não estava acostumado a dialogar com o outro, assim como não dominava nenhum assunto que o outro pudesse se interessar, ele tinha certeza que Loki não queria ouvir sobre martelos, Midgard ou qualquer coisa que o deus gostasse. Então as vezes eles tinham esses momentos de completo silencio, onde não despertavam a raiva um do outro e não tentavam se enganar, era a melhor forma de se entenderem e passarem um tempo juntos.

O gigante de gelo por sua vez não fez nenhum gesto de reconhecimento em relação a presença do irmão, apenas encarava suas mãos ensanguentadas quieto, ciente de que era um incomodo e pela primeira vez em muito tempo sem disposição para transformar sua rejeição em sua diversão. Ele estava estranho ultimamente, submisso e inofensivo demais para ser algo normal, Thor se sentia culpado por desconfiar até quando o outro não estava fazendo nada, mesmo que talvez se tratando de Loki não fazer nada era a coisa mais suspeita que ele poderia fazer.

- Ah, irmão... – O loiro se lembrou de repente – Daqui a alguns dias é Natal, os humanos comemoram esta data ficando juntos de quem amam, parece um dia importante neste planeta, eu queria fazer alguma coisa como eles fazem e queria que você participasse. – A expressão que o moreno lhe dirigiu foi tão genuinamente surpresa que o deus do trovão sentiu vontade de tirar uma foto para registrar o momento.

- Você acabou de dizer indiretamente que me ama? – O príncipe questionou deixando um sorriso de travesso aparecer em seu rosto, para o constrangimento de Thor. – Eu deveria ter gravado isso, Lin teria material de inspiração para os seus desenhos que envolvem nós dois por muito tempo.

- Eu não disse nada! – Seu cenho se franziu – Espera, que desenhos?

- Você não vai querer ver, são traumatizantes. – O sorriso se esticou ainda mais ao se lembrar do que ela desenhou, Thor ficaria horrorizado e agora que a curiosidade foi implantada Loki tinha certeza de que ele daria um jeito de ver em algum momento.

- Vai passar o Natal comigo, sim ou não? – Ele parecia começar a se estressar, era por isso que não conversavam.

- Já que você faz tanta questão da minha presença, eu vou sim.

O deus loiro normalmente ficaria bravo pelo comportamento do irmão, mas o brilho de alegria nos olhos dele fez com que mantivesse a boca fechada, já deveria estar acostumado com as verdadeiras intenções por trás das palavras acidas do mais novo. Era provável que o mentiroso já soubesse sobre a data festiva, mas levaria como qualquer outro dia por pensar que ninguém se lembraria dele.

Esquecendo-se do príncipe por um momento Thor se permitiu analisar o lugar ao redor deles, toda a equipe estava por ali cuidando dos feridos tanto entre os civis quanto entre amigos, mas a aglomeração maior de vingadores estava ao redor de uma tenda não muito longe dali. Todos os heróis que o deus podia ver tinham expressões tão perdidas quanto a de Loki quando se aproximou dele. O loiro logo se alarmou, afinal alguém na equipe poderia estar em um estado grave, ele ainda não teve a oportunidade de ver todos eles e contando que Lin não estava ali com o irmão talvez ela fosse a causa de tal preocupação.

- É o Parker. – O príncipe disse simplesmente, como se não ligasse, mas seu rosto voltou a ficar sério e distante. – Ele foi envenenado. Bruce e os outros estão tentando encontrar uma cura, mas é uma substancia alienígena, nenhum deles a conhece e ele já está fraco demais para ser deslocado até o atendimento de algum curandeiro.

O deus do trovão não encontrou respostas no momento, indignado demais para pensar em algo racional o suficiente para formular uma frase. A vida sempre encontrava uma forma de abala-lo, independente de quantas perdas ele já teve. Peter era o protegido dos vingadores, ninguém realmente ligava se ele agora já era maior de idade ou não, sempre teriam o instinto de proteger a criança (que não era criança nenhuma, mas como eu disse: ninguém liga). Tony o tornou um deles cedo demais, muitos ainda o consideravam um tanto louco por isso, porém já haviam se apegado demais ao garoto para expulsá-lo da equipe quando se deram conta do que estava acontecendo. Thor era de longe um dos que menos se envolveram com o menino e nem isso fazia com que se sentisse menos abalado com a notícia.

Uma coisa começou a incomoda-lo... Seu irmão era um grande feiticeiro, o melhor que conhecia, dominava inúmeras técnicas, tinha um conhecimento de proporções gigantescas sobre todas as aeras místicas e já esteve em planetas de mais para que adquirisse conhecimento sobre cada veneno, remédio, droga ou para mais um mero truque que inovasse suas brincadeiras de mau gosto. Então o que ele estava fazendo ali fora parado no lugar de estar com o Banner tentando salvar o Homem Aranha?

- Se é esse o caso, porque não está lá dentro com os outros? – Thor perguntou enraivecido, quase avançando para arrastar o irmão até a maldita tenda e mantê-lo lá até que o garoto melhorasse. Loki o olhou como se um terceiro olho tivesse aparecido em sua testa de repente.

- Você é mesmo tão burro assim, filho de Odin? Ou apenas finge ser? – O loiro estranhou aquela tristeza mascarada pelo sarcasmo que ele reconheceu no rosto do irmão – Me diga, em que realidade você acha que os seus tão queridos amigos deixariam o deus da mentira ajudar?

- O mundo não está contra você Loki, então não aja como se as pessoas pensassem tanto em você ao ponto de te verem como uma ameaça até quando está lutando do lado delas! – Thor não deixou que o irmão o contestasse dessa vez, o agarrou pelo braço e de fato o arrastou até onde os outros estavam. Seu plano era joga-lo lá dentro, mas foi barrado por Clint antes que pudesse se aproximar de fato.

O arqueiro nunca escondeu seu desgosto pelo asgardiano, ele era um dos que tinham uma infinidade de motivos para não suportar a presença dele na Terra, nunca se esqueceria do que o deus fez a ele mesmo que isso tenha acontecido a mais de uma década.

- Parado aí, cachos dourados. – Thor não tinha cabelos compridos a muito tempo, mas o Barton não se importava – Esse cara não pode entrar.

- Caso não tenha notado eu não estou aqui por vontade própria. – Loki comentou desconfortável com a posição em que estava, o loiro deveria aprender a ser menos bruto quando arrastava pessoas por aí, o deus trapaceiro sempre acabava todo torto quando o outro fazia algo assim.

Mais uma vez o deus do trovão não pode falar, mesmo que sua atual vontade fosse arremessar o Barton para longe dali e enfiar o irmão dentro da tenda, não precisou se pronunciar. Uma das pessoas lá dentro fez isso por ele.

- Você quer falar de caráter agora? – O sotaque inconfundível da Stark foi ouvido, alto demais para alguém tão controlada como ela. – Quer impedir que ele salve a vida do pirralho, por quê? Por seu maldito orgulho?

- Você sabe que foi o passado dele quem causou isso, Lin. Endente como qualquer um de nós, ele é um assassino e não é confiável. – Os deuses não identificaram quem disse isso.

- E os vingadores se importam com isso agora? – O príncipe sentiu a necessidade de tira-la de lá antes que o pior acontecesse. – O Doutor Estranho era um médico filho da puta que deixou muitas pessoas morrerem sem nem tentar salva-las, o Homem de Ferro era quem alimentava o mercado da guerra fornecendo armas, Natasha e Clint eram espiões, Bruce como Hulk era uma fera incontrolável que já matou tantos inocentes quanto inimigos... Quer mesmo tentar me fazer acreditar que o passado dele o impede de fazer algo bom?

Silêncio, está foi a resposta para ela. Sabiam que a gênia estava certa, mas isso não deixava a realidade menos incomoda ou Loki mais confiável.

(...)

Aquele se tornou um daqueles momentos em que a vida bate em nossa cara para nos lembrar de quem realmente somos. Ser um bom mentiroso faz com que criemos centenas de facetas, uma para cada tipo de situação, o verdadeiro problema aparece quando a mentira se torna tão constante e persistente que confunde nossos sentidos e faz com que para nosso subconsciente ela se torne uma verdade. Loki em nenhum momento pensou que realmente poderia ser um dos mocinhos, nem esperava que lhe tratassem assim, mas já havia tanto tempo que agia como um deles que de certa forma vinha se acostumando a esta vida e agora eles voltavam a trata-lo como monstro, colocando sobre si aquele mesmo olhar de desprezo que o povo de Asgard lhe dirigia na maior parte do tempo.

O príncipe desejou deixar o veneno agir no corpo do garoto aranha, desejou ser o deus que todos sempre pensavam que ele fosse e que ele realmente era as vezes, quis acelerar a morte dele para que os heróis tivessem um motivo de verdade para odiá-lo, não se arrependeria de ver a vida escorrendo pelas veias de Peter enquanto todos esperavam que ele fizesse alguma coisa que o salvasse. Desejou que cada maldito vingador naquela tenda implorasse por sua ajuda de joelhos, que parassem de encara-lo como se fosse estragar tudo a qualquer momento ou como se pudessem impedi-lo caso tentasse.

Porém se limitou a não dar o gostinho de seu pior lado que eles queriam receber. Reconheceu o veneno e sustentou o olhar de cada um deles antes de se virar para uma pequena bancada e invocar do vazio entre os mundos tudo o que precisaria para preparar o antidoto, estava de costas, mas sentia que era observado por todos, uns esperando que falhasse, uns com expectativa pelo que aconteceria e outros apenas aguardando um pequeno deslize para executarem a ordem de elimina-lo. Sim, ele salvaria Peter Parker, mas o faria apenas porque era isso que eles esperavam que ele não fizesse por vontade própria. Não se engane, Loki realmente gostava do garoto, apenas não se importava muito com o fato dele estar vivo ou morto.

O veneno era complexo, delicado e raro em diversas galáxias, chegava a ser golpe baixo usá-lo e ao mesmo tempo uma arma extremamente útil, ele conseguiria proporcionar a qualquer inimigo uma morte certeira, lenta e agoniante, a menos é claro que você tivesse um deus do seu lado que dedicou grande parte de sua vida a estudar o mais inacreditável que o universo pode oferecer. Como eram sortudos esses mal-agradecidos, só por isso o príncipe decidiu pegar um pouco da substancia para guardar no seu estoque de venenos, claramente ele nunca faria isso se não estivesse chateado.

A respiração de Peter se estabilizou e todos puderam enfim relaxar, ele ficaria bem. Loki não demorou para sair da tenda, não esperou por agradecimentos que ele sabia que não viriam e decidiu que precisava desaparecer por enquanto. Não faria mal nenhum deixar que eles se sentissem minimamente culpados por desconfiarem tanto de si. Que eles chamassem por si da próxima vez que algo assim acontecesse.

Seu ombro bateu com certa força contra o da Stark que se encontrava na saída como se quisesse pará-lo, ela até mesmo segurou seu braço num pedido mudo para que não partisse, mas bastou que olhassem nos olhos um do outro por um momento para saber que a decisão dele já havia sido tomada. Aquele não era seu lugar, a maioria das pessoas concordava e ele conseguia ver isso com clareza. Contrariada e mostrando certo desapontamento em sua expressão Lin o soltou e o deixou partir, não demoraria muito para que ele voltasse afinal. Pelo menos era nisso que ela mostrou acreditar.

(...)

Os desastres ambientais pelo mundo haviam aumentado relativamente desde a interferência na linha do tempo, o equilíbrio parecia estar se esvaindo mais a cada dia e Stephen sabia que aquilo não estava acontecendo por causas naturais ou exclusivamente por conta do que os vingadores fizeram. Ele estava vindo, tão lentamente e pacientemente que parecia estar brincando com a vida na Terra, toda a destruição em proporções exageradas vinda da natureza era apenas um reflexo da presença de Eternidade. O mago se perguntava se aquele era algum tipo de prazer sádico ou se a criatura estava apenas esperando por algo, ele temia pelos humanos no planeta e esperava que Loki obtivesse sucesso com seu plano. Enquanto o jotun e a garota com o Original estivessem enfrentando a entidade ele estaria em solo firme concentrando todo o seu poder para envolver toda a atmosfera com um escudo forte o bastante para proteger o povo de qualquer impacto que poderia se direcionar a Terra. Irritava-o saber que alguns de seus antecessores conseguiriam realizar este feito completamente sozinhos e sem esforços, enquanto ele além de depender de inimigos em potencial para se livrarem de quem realmente queria ataca-los ainda teria que contar com a ajuda deles para conter heróis e espalharem artefatos mágicos que aumentariam o seu poder pelo globo, era deveras humilhante.

Mas talvez o pior de tudo era colocar as joias do infinito nas mãos daquele homem, não que desgostasse completamente de Loki, mas ele ainda era o deus da trapaça, estava esperando profundamente que ele fugiria com as pedras assim que as conseguisse. Eles haviam feito um juramento sagrado quando decidiram que cooperariam um com outro, um tipo de acordo criado pelos antigos protetores da realidade que não podia ser quebrado, o príncipe em sua parte prometeu lutar contra Eternidade e que não ficaria com as joias sobre nenhuma hipótese depois que o objetivo estivesse cumprido. Stephen suspeitava que ele de alguma forma sabia como lidar com as consequências da quebra do tratado e que escaparia da autodestruição após descumprir o que lhe era exigido.

O deus, porém, até então não demonstrara nenhuma indicação de que o trairia, tudo corria perfeitamente como o combinado e isto deixava o mago inquieto, se as coisas ocorressem realmente como queriam significa que em breve a batalha aconteceria. Ainda não estava exatamente preparado para enfrentar o que estava por vir.

Mas dentre tudo o que mais preocupava Strange era que algumas pessoas começavam a notar que há algo anormal acontecendo, estavam fazendo perguntas demais e a situação começava a fugir do controle, ele temia que não demoraria muito para que alguém chegasse a Wong e ele os fizesse entender o que estava acontecendo. Não, o mago não pediria para ele deixar suas responsabilidades e correr o risco que os outros correriam, mas o fato de ser o único digno de substitui-lo caso as coisas dessem errado era a única coisa que o mantinha fora dos planos, o planeta como um todo atraia a fúria daquele ser com tanta força quanto qualquer um que se lembrasse de mais de uma linha do tempo individualmente ou estes o enfureciam ainda mais intensidade por terem uma culpa direta com a destruição da linha temporal como conheciam.

Fazia dias que Stephen praticamente não conseguia dormir, seu poder o deixava ciente demais do que estava acontecendo, ele conseguia sentir Eternidade os observando, sentia a força que aquele ser emanava e até ouvia sua respiração, estaria ao ponto de enlouquecer se não se agarrasse ao seu dever com tamanha força como andava fazendo. Ele sabe que a entidade vem vigiando cada passo que eles dão, sabe que ela pode acessar o futuro e que provavelmente já adiantou cada um de seus planos, não há esperanças de vitória. Não deixariam que o planeta fosse destruído sem que lutassem contra a ameaça, precisavam ao menos tentar, afinal se Eternidade não quisesse que fizessem alguma coisa todos já estariam mortos, não é?

Que a caça ao tesouro comece.