Capítulo 16 - Capítulo 16
UMA SEMANA DEPOIS
Ginny abriu a porta e se deparou com uma estranha a encarando.
- Srta. .. Weasley!? - A voz da mulher tirou-a de seus pensamentos e, ao mesmo tempo, descartou qualquer possibilidade de ser um engano.
Gin olhou nos olhos frios da mulher e todo seu corpo se arrepiou. Para ela, algo parecia errado.
- Sou eu! Posso te ajudar? - Disse fracamente, e em resposta a estranha lhe entregou um pequeno envelope que estava em sua bolsa.
- Me chamo Emmy, Harry, o meu noivo, achou que deveríamos te convidar para nosso noivado. – Disse ela soando profissional e Gin se lembrou dela. Harry e a mulher estavam juntos no pub. – Ele disse algo sobre os anos de amizade e que seria interessante a sua presença.
A ruiva ficou de boca aberta, ela não esperava um convite como aquele. Gin balançou a cabeça, obviamente chocada. Primeiramente, Harry, seu primeiro amor, era uma das pessoas mais gentis que ela já conhecera, por isso, sempre imaginou que passaria toda a sua vida ao seu lado. Ela nunca imaginou que ele pudesse fazer algo do tipo. E segundo, ela nunca pensara que ele pudesse se casar tão rapidamente.
- Me diga, Emmy... – Disse se recuperando do choque. - Por que Harry acha isso? - Perguntou friamente.
- Sinceramente? Espero que você não vá. Não fica bem. Mas ele acha que existe uma espécie de amizade entre vocês.
- Diga a ele que eu não iria nem se a minha vida dependesse disso. Agora Saia! – Ginny Weasley gritou, fazendo todo o corredor ecoar a sua voz.
Irritantemente feliz a outra mulher se despediu e partiu.
- Eu te odeio, Harry. - Ela chorou baixinho, correndo para seu quarto e trancando a porta.
(...)
Naquela noite, enquanto Snape fazia o jantar, Draco colocava a mesa. O jovem Malfoy sabia que quando o outro homem fazia com que eles compartilhassem o jantar daquela forma, havia um significado. Normalmente, era um termo que costumava sinalizar que ele tinha algo a dizer.
- Estou preocupado, Severus. - Ele disse parecendo entediado. – Você mal falou o dia todo. Estou no limite.
Após acenar e concorda, o homem abaixou o fogo e deu total atenção a ele.
- Tenho uma notícia para te dar, Draco. Você prefere saber agora ou durante o jantar? - Snape perguntou casualmente.
Um longo silêncio se espalhou, misturado com uma corrente de tensão. Draco tinha seus ombros tensos enquanto pensava.
- Pode ser agora. – Disse o loiro, finalmente.
O professor balançou a cabeça solenemente e deslizou para o assento mais próximo.
- Estou ciente que você queria manter um tempo para si mesmo após a morte de seu pai. Porém, já se passaram alguns meses e sua mãe precisa saber se o filho dela de fato está bem.
- Você quer que eu a visite?
- Droga, teria sido uma boa alternativa. – Zombou Snape, mas sem malicia. – Não, Draco. Estou querendo dizer que receberemos sua mãe por duas semanas.
- Ela vem aqui para me assombrar? – Resmungou decepcionado. - Não posso acreditar.
Severus fez uma careta quando se lembrou que de fato a mulher era uma pessoa difícil. - Assombrar é uma palavra forte. Mas definitivamente, vem para algo parecido.
- Quando ela chega?
- No dia 24, ou seja, você tem sete dias para se acostumar com a ideia. - Ele se inclinou para trás e levantou-se para checar a panela.
- Não é como se tivesse outro jeito, não é mesmo? – Resmungou sem esperar uma resposta. – Vou tomar banho. Escuta, Hermione vem hoje para que possamos estudar, tem problema ela jantar com a gente?
De repente, Severus teve um vislumbre do dia em que a menina o flagrou usando o banheiro e ficou um pouco tenso.
- Se ela não se sentir desconfortável devido ao nosso último encontro. – Sussurrou voltando sua atenção para a comida. – Você deve estar ciente que sua amiga faltou as duas únicas aulas da semana.
- Er, posso imaginar que deve ter sido terrível. Eu ficaria longe de você por um mês. – Draco gargalhou.
- Saia da minha cozinha! – Snape rosnou.
(...)
Snape abriu a porta e ela deu um leve sorriso, olhando por cima do ombro dele para desviar o olhar. Ela não podia acreditar que havia deixado Draco convencê-la de voltar lá. Era tudo tão constrangedor que ela queria sair correndo e voltar para casa.
- Entre e fique à vontade, Srta. Granger. - Ele murmurou para ela. – Draco deve estar no banho.
Hermione corou levemente e tentou desviar o olhar. Ela sabia que estava em um terreno perigoso, sabia que não deveria demonstrar que ainda estava constrangida devido ao último encontro debaixo daquele teto.
- Obrigada, Senhor. Ótima noite, não? O clima está adorável. – Falou sem pensar e quase se bateu por ter sido tão tola.
- Bem, eu ... eu não odeio o inverno. – Ele ponderou.
- Gosto muito desse clima. – Respondeu um pouco sem jeito, tentando esconder seu rosto vermelho. – Bem cheira maravilhosamente. - Sussurrou para se esquivar da tolice do clima.
- Obrigado, é uma receita de família. – Snape olhou para ela. – Posso te oferecer algo para beber?
- Uma água já basta, Senhor.
(...)
Hermione estava sentada na frente de Snape e o jantar estava tão bom que ela que ela queria que o relógio corresse um pouco mais devagar. Só queria poder ficar ali, escutando-o, observando-o.
- Srta. Granger! Eu nunca esperaria ouvir de você algo assim! – Falou Snape.
- Bem, professor. - A menina respondeu, - Estou um pouco surpresa. Nunca pensei no senhor como um cozinheiro tão formidável. Pensava mais no Senhor como alguém que costuma frequentar vários seminários e palestras. Ouvi dizer que o Professor Potter está em Praga novamente.
- Agora, isso foi injusto. - Severus disse com uma sugestão de sorriso. – Draco, por favor, da próxima vez você cozinha. Eu me recuso a cozinhar para ela, teve a ousadia de comer minha comida e falou no Potter na minha mesa de jantar.
- Por favor, Hermione. - Draco disse com um aceno falsa impaciência, - Essa mesa é um lugar sagrado, não suje esse templo. Podemos deixar o professor Potter em Oxford. Eu gostaria de aproveitar minhas últimas horas antes dele desistir de nos alimentar. Por favor, não faça isso agora que ele acabou de nos convidar para almoçar no restaurante dele.
- Tudo bem. – Gargalhou ela levemente. – Não vai acontecer novamente.
- Certamente. - Ele respondeu. - Posso pegar outra bebida para você? Draco, você também?
- Isso seria maravilhoso. – Hermione disse com um olhar desconfiada, afinal, ela nunca imaginou que fora da sala de aula Snape pudesse ser tão descontraído e divertido.
Percebendo que ela o encarava de um jeito estranho, Snape resolveu a questionar sobre aquilo. - Existe alguma coisa que você gostaria de me perguntar, Srta. Granger?
- Como o Senhor pode ser tão diferente na sala de aula? – Ela o indagou e Draco quase se engasgou com um pão ao tentar dar uma gargalhada.
- Sou a mesma pessoa. - Severus disse inocentemente.
- Ah, por favor. – Ela resmungou.
– Pense um pouco, Srta. Granger, - O homem começou. - aqui não estou tentando fazer os cabeças ocas a levarem a universidade a sério.
- Pode ser. - Ela encolheu os ombros sorrindo. Hermione podia sentir o vinho subir a cabeça.
- Então. – Draco começou. - Estou chocado que você perguntou isso a ele. -O sorriso ainda estava no rosto de Severus. – Granger, você me surpreendeu, mas há algo que eu preciso perguntar a você.
Hermione levantou uma sobrancelha quando se inclinou para ele.
- Você poderia me acompanhar até o aeroporto para buscar minha mãe? – Disse sem nenhum rodeio. – Quero que ela tire o foco de mim, talvez você possa ser uma boa distração.
Hermione ficou em silêncio por um momento e depois riu. Essa foi uma mudança drástica, considerando que ela nem mesmo conhecia a mulher.
- Será um prazer, Draco. - Ela disse com um aceno de cabeça.
- Boa sorte, Srta. Granger. - Severus disse enquanto se servia de mais um pouco de bebida. – Você vai precisar. – Sussurrou maliciosamente.
- O que você quer dizer com isso? – Perguntou Hermione e segurou seu copo.
- Você vai descobrir. - Severus disse quando ele balançou a cabeça. – Mas não de uma boa maneira.
- Agora Severus, não seja tão mal com ela. – O loiro sorriu.
(...)
Duas horas depois do jantar, quando Hermione abriu a porta do apartamento que dividia com a amiga, ela a recebeu com um olhar desagradável. Era quase como se Ginny tivesse chorado minutos atrás. Um papel apareceu nas mãos Gin e ela o amassou e jogou na mesa.
- Oi. – Sussurrou a ruiva, totalmente sem chão. – Como foi sua noite?
- Foi agradável, mas a sua parece ter sido horrível, querida. Gin? Algo interessante para me dizer?
- Se é interessante eu não sei, Hermione. Mas Harry ficará noivo daqui a três dias. – Ela murmurou, entregando o outro convite que estava jogado na mesa. - Eu tinha ideia de que ele já estava vendo outra pessoa. Você sabe, eles estavam no pub aquele dia. Porém, não sabia que ele pudesse se casar tão rápido.
- Sinto muito, querida. - Murmurou, abrindo o pequeno envelope com o convite. – Ginny, eu pensei que você já havia o esquecido. Já faz um ano.
- Eu esqueci! Mas... bem... Namoramos por oito anos! – Lembrou. – Como eu não poderia me abalar ao receber um convite de casamento? - Perguntou, quase largando a xícara de chá. – Como alguém manda um convite para a ex? Hermione, como isso aconteceu tão rápido?
Sua amiga assentiu, examinando rapidamente o convite. Ela bufou, percebendo imediatamente o que sua amiga queria dizer. Ginny e Harry haviam ficados juntos por anos e ele nunca deu a entender que a pediria em casamento. No entanto, agora estava de casamento marcado com alguém que provavelmente acabara de conhecer.
- Hermione... Porque ele me mandaria um convite para o casamento dele? Isso foi baixo. A noiva dele trouxe pessoalmente.
Sim, era realmente baixo, Hermione não podia negar. Mesmo que o relacionamento havia ficado no passado, e mesmo que os sentimentos e as relações mudam, o que Harry e Ginny tiveram não era algo inexpressivo. Mesmo sabendo que não é todo mundo que pensa assim, ela mataria Harry Potter.
- Querida, ele foi realmente um cretino. Olha, aparentemente, ele vai se casar com essa garota, Gin. Mas tenho certeza que ela não é incrível igual a você. Então foi ele quem perdeu uma grande chance de estar com alguém tão maravilhosa.
A ruiva franziu os lábios. – Diz isso porque é minha amiga.
- Todo mundo sabe o quanto você é linda por dentro e por fora. Além disso, logo Draco estará apaixonado por você. Quem sabe você não manda um convite para o Harry? Imagine só ele recebendo o convite do seu casamento? - Disse, dando um sorriso tentando aliviar um pouco a sua dor.
- É claro que farei isso. É cruel, mas farei ainda assim.
